Emigrante de São Miguel cumpre sonho de oferecer capa ao Senhor Santo Cristo

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Por esta altura Ponta Delgada estaria numa grande azáfama com milhares de devotos a convergiram à maior cidade dos Açores para participarem nas grandes festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres que começariam hoje e terminariam na próxima Quinta-feira, 21 de Maio. Mas a pandemia provocada pelo novo coronavírus obrigou a um confinamento obrigatório e ao cancelamento de praticamente dos todos os eventos, incluindo os religiosos. Ainda assim, e apesar de, pela primeira vez em 320 anos, não se realizarem estas festas, o Santuário preparou alguns momentos para assinalar a data. Apesar da imagem não sair, o reitor do Santuário, cónego Adriano Borges, deu conta que a capa que foi preparada para sair este ano será colocada na mesma, tal como a corda que a imagem sustem nos braços que é totalmente nova, por a outra se encontrar muito danificada.

Assim, este ano, a capa foi oferecida por um emigrante da ilha de São Miguel, Manuel Domingues Mendes Barbosa que está desde 1968 emigrado nos Estados Unidos da América. Como contou ao Diário dos Açores o reitor do Santuário, este emigrante “tinha o sonho desde os seus 20 anos de idade de um dia poder oferecer uma capa ao Senhor Santo Cristo dos Milagres e, finalmente, conseguiu realizar este sonho de jovem, entregando-nos o ano passado este capa”.

A nova capa foi confeccionada em Vila Franca do Campo por uma artesã local e estará colocada sobre a imagem não só durante estes dias que seriam das grandes festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, e que sairia na procissão, mas, pelo menos, durante todo o Verão e aquando da realização da Missa de Acção de Graças que o Santuário quer celebrar numa fase pós pandemia. De acordo com Adriano Borges, esta nova capa também irá sair, no futuro, na procissão. “Não no próximo ano de 2021 porque já temos um compromisso com outra capa que um grupo de emigrantes do Canadá que nos vai oferecer, mas provavelmente em 2022 sairá a capa oferecida este ano 2020”, refere.

Outra novidade prende-se com as cordas que estão na imagem e que este ano são novas. O reitor explica, a propósito, que depois da festa do ano passado, em que as cordas tinham sido restauradas, este ano foi tomada a opção de fazer umas cordas novas. “Uma vez que são cordas com sensivelmente 300 anos e também por causa do uso, algumas peças ainda continuavam a cair” e, por este motivo, adianta, “tivemos a ideia de realizar uma nova corda porque aquela faz parte do tesouro regional e foi então decidido que não devia sair mais em procissão”.

Quanto às cordas que agora deixam de estar na imagem o reitor avança que “num futuro, que não sabemos quando, e num museu que havemos de criar, esta peça poderá depois ser visitada e vista pelas pessoas”.

A nova corda, criada por Ana Paula Ferreira e a irmã, Ivone Custódio, seguiu a regra da outra, tendo 3 metros e 58 centímetros, contendo ainda duas peças que eram icónicas da outra e que eram amovíveis que é o laço e o cordeiro, que são as duas peças mais visíveis da corda. O restante, foi feito com cordões de ouro, prata e algumas peças que foram oferecidas, ao longo dos tempos, ao Santuário e que agora irão estar na corda do Senhor Santo Cristo dos Milagres e que sairão também em procissão.

 

Por Olivéria Santos

Mais 78 açorianos no Rendimento Social de Inserção em Março

pessoas em Ponta Delgada1A lista de beneficiários açorianos do Rendimento Social de Inserção aumentou no passado mês de Março, segundo dados que o nosso jornal consultou no Instituto de Segurança Social.

São mais 78 beneficiários em relação ao mês anterior que se somam aos mais de 15 mil inscritos.

O mês de Março, como se sabe, foi quando se iniciou o confinamento na região, sendo provável que Abril veja um agravamento com o agudizar da crise.

O número de baixas por doença também aumentou em mais 345 no espaço de um ano, ou seja, de Março do ano passado para Março deste ano, atingindo agora mais de 4 mil baixas por doença.

Todos os especialistas e instituições ligadas ao apoio social são de opinião de que a pobreza vai acelerar com a pandemia.

Ainda ontem o bispo de Leiria-Fátima alertou que já se está a gerar uma pandemia mais dolorosa do que a da Covid-19: “a da extensão da pobreza”, pedindo também solidariedade para combater “o vírus” da indiferença e do individualismo. 

“A pandemia, com a longa interrupção da vida normal, traz terríveis consequências económicas, sociais e laborais. Já está a gerar uma pandemia mais dolorosa, a da extensão da pobreza, da fome e da exclusão social”, afirmou o cardeal António Marto, durante a homilia do segundo e último dia da peregrinação internacional de Maio, que decorre, de forma inédita, sem peregrinos devido à pandemia de Covid-19. 

Durante a intervenção, o cardeal lembrou que as consequências económicas da pandemia já batem “à porta das Caritas diocesanas e de várias paróquias e soa a sinal de grito de alarme”.

Já no mês passado um estudo divulgado pelo Instituto Mundial da Universidade das Nações Unidas alerta que a pandemia da Covid-19 pode deixar mais 520 milhões de pessoas a viver com rendimentos inferiores a cinco euros por dia.

O estudo conclui que a pandemia do novo coronavírus vai aumentar o número de pobres nos países em desenvolvimento, referindo que, num cenário de contração económica de 20% em relação a 2018 - o pior que o instituto antevê –, 520 milhões de pessoas podem passar a viver abaixo do limiar de pobreza dos 5,5 dólares (cerca de 5 euros) por dia.

Este valor representa 8% do total da população humana, refere o estudo publicado pela UNU-WIDER, sublinhando que esta “seria a primeira vez que a pobreza aumentaria globalmente desde 1990”.

“Há enfermeiros a fazer 15 turnos seguidos porque não há ninguém para os substituir”

00Pedro Soares

Em Janeiro deste ano, a Organização Mundial de Saúde decretou o ano 2020 como o Ano Internacional do Enfermeiro, longe de imaginar que uma pandemia vinha a caminho e iria afectar toda a humanidade.

Neste Dia Internacional do Enfermeiro, Pedro Soares, Presidente do Conselho Directivo Regional da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, recordou as mais recentes lutas dos enfermeiros pela valorização da carreira profissional, estando certo que “com esta pandemia pudemos perceber que o papel dos enfermeiros é fundamental na saúde da nossa população”.

 

Diário dos Açores - Hoje assinala-se o Dia Internacional do Enfermeiro numa altura em que o mundo luta contra o coronavírus. Que significado tem hoje esta data para a classe?

Pedro Soares – Principalmente este ano, esta data tem um significado muito importante porque veio trazer uma tomada de consciência daquilo que é a real importância do enfermeiro no nosso dia-a-dia. Por outro lado, vem também levantar um pouco a questão sobre a real situação da profissão e da necessidade do reconhecimento e de uma maior valorização profissional. Recordo que até há bem pouco tempo tivemos as nossas lutas, com greves, para tentarmos demonstrar não só esta falta de reconhecimento e de valorização profissional, mas também as más condições dos sistemas de saúde como é o caso, por exemplo, da falta de equipamentos e da falta de profissionais.

 

A seu ver, esta pandemia veio expor, ainda mais estas dificuldades que os enfermeiros sentiam no dia-a-dia?

PS – Sem dúvida. A Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros começou o seu mandato em Janeiro deste ano e, desde então, que temos vindo a alertar que havia falta, nos Açores, de enfermeiros no terreno. Com esta pandemia, ficou visível que o número de enfermeiros na Região é apenas o mínimo e indispensável e a qualquer momento que ocorra uma situação fora do normal cria muitas dificuldades ao Sistema Regional de Saúde. Isto pode ver-se, por exemplo, nos lares onde há uma sob lotação ao nível de colocações seguras de enfermagem, havendo, neste momento, enfermeiros a fazer 15 turnos seguidos, sem descanso, sem fins-de-semana, porque não há ninguém para os substituir.

 

Neste combate à pandemia qual foi o maior desafio que a classe teve que ultrapassar?

PS – O grande desafio passou por combater o próprio nível de ansiedade dos enfermeiros. Há um estudo que irá sair muito em breve que revela que 40% dos enfermeiros apresentam níveis de ansiedade muito altos. A necessidade de adaptação a este combate, o medo de infectar a família, o excesso de carga horária – estamos a falar de cargas horárias de 12 horas por dia, muitas vezes seis ou sete dias seguidos. Há enfermeiros que fizeram, em algumas instituições, sempre noites, durante 15 dias. Ou seja, a grande questão aqui foi o combate à ansiedade e ao desgaste que isto provoca e, claro, a uma total adaptação que teve que ser feita a uma situação completamente nova para todos. Embora estejamos preparados ao nível técnico, foi sempre necessário haver uma adaptação.

 

Acredita que após esta fase pandémica surgirá uma nova consciência quanto à necessidade da valorização profissional dos enfermeiros?

PS – Eu quero acreditar que sim. Quero acreditar que se perceba, de uma vez por todas, e que se tome consciência do profissionalismo que temos ao nível da enfermagem nos Açores, da entrega e do sacrifício que foi e têm sido estes dias, que haja uma maior valorização e que se ouçam mais estes profissionais de saúde. Entendo que com esta pandemia pudemos perceber que o papel dos enfermeiros é fundamental na saúde da nossa população. O cansaço já é muito, já há um grande desgaste em toda a enfermagem, mas continuamos naquela linha que é única e que separa o Covid de toda a nossa população. Acredito mesmo que os Açores perceberam isto.

 

A emigração é ainda um problema bem patente na classe?

PS – Infelizmente sim, este continua a ser um problema e por uma razão muito simples: se não são abertas vagas para novas entradas no mercado de trabalho, os enfermeiros são obrigados, praticamente, a procurar outras paragens. Neste momento, a nível mundial, tudo mudou. Estamos atentos a esta situação e vamos iniciar um estudo para tentarmos percebermos, a nível mundial como está a situação com os nossos enfermeiros portugueses. 

 

Curiosamente a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou em Janeiro que 2020 seria o Ano Internacional do Enfermeiro. Se na altura, poderia ser uma matéria que passaria ao lado de muitas pessoas, hoje faz todo o sentido tendo em conta todo o contexto em que vivemos?

PS – Absolutamente! A OMS estava longe de prever toda esta situação que estamos a viver. E que maneira de celebrar este ano, precisamente com o combate a este vírus pela frente. Mas é o que a vida nos deu, e é o combate que, de certeza, vamos, todos juntos, ganhar e marcar, sem dúvida, este ano da melhor maneira.

 

Neste dia do enfermeiro qual a mensagem que deixa não só à sociedade, mas também a todos os enfermeiros?

PS – À sociedade digo que deve ter cada vez mais presente o quão vulneráveis somos e o quão ligados e dependentes estamos uns dos outros. Aos enfermeiros, deixo uma mensagem de esperança, parabenizando toda a classe pela forma profissional como está a enfrentar toda esta situação e como se adaptou e este novo contexto, com a certeza que [os enfermeiros] já são um exemplo inesquecível na vida da comunidade do nosso arquipélago.

 

Por Olivéria Santos

Floricultura e produção de ananás entre as áreas mais afectadas pela pandemia

estufa flores

É com “muita apreensão” que a Terra Verde - Associação de Produtores Agrícolas dos Açores olha para o que será o futuro da agricultura na região. Um sector que sairá “fragilizado” da situação de pandemia em que actualmente se vive, pelo que a associação exige “soluções rápidas e eficazes” do Governo Regional para reforçar a liquidez dos produtores. 

Entre as áreas agrícolas mais afectadas pela pandemia, a floricultura é a que mais preocupa a Terra Verde. “Este é, até ao momento, o sector mais afectado pela pandemia, na medida em que todos os eventos foram cancelados, e consequentemente toda a produção planeada para as datas festivas foi para o lixo”, lamenta o presidente da associação.

Manuel Ledo refere ao Diário dos Açores que os produtores descrevem a situação como “uma dor de alma”, afirmando que “não há memória de uma época em que essa situação acontecesse”.

De acordo com o responsável, a situação agrava-se ainda mais “pelo facto de não se perspectivar melhorias para este ano, e portanto, exige uma solução rápida e eficaz por parte do Governo Regional dos Açores para reforçar a liquidez destes produtores”.

 

Crise na produção de ananás 

 

A Terra Verde manifesta ainda “bastante apreensão” com a produção do ananás. Segundo explica, parte da produção regional foi planeada há mais de um ano para a época alta do turismo e “a falta de turismo será um grande desafio para o escoamento da produção que mais uma vez, encontrava na hotelaria um parceiro de excelência para o escoamento, mas agravado também pela diminuição do consumo através da compra directa”.

“Sabemos que neste momento, o preço pago ao produtor é consideravelmente inferior ao valor pago em período homólogo no ano anterior, teme-se que com o aumento da oferta nos meses seguintes e diminuição da procura, o preço baixe ainda mais. Ainda que haja mercado para a exportação, a verdade é que o preço pago ao produtor, neste momento, dificilmente assegura os custos de produção”, refere Manuel Ledo.

No sector hortofrutícola, o responsável fez um ponto de situação, frisando que o problema foi o escoamento, com a redução do consumo: “Os produtores não deixaram de produzir, mas a verdade é que o consumo diminuiu consideravelmente, e isso é o que nos preocupa”, afirma.

Segundo explica, “o planeamento de uma produção é efectuado com a devida antecedência e, portanto, logo aí, a produção existente no campo hoje, foi pensada, para uma época em que o turismo estaria em alta e para fornecer restaurantes, hotéis, escolas, etc.”, espaços estes que encerraram “de forma imediata” e continuam encerrados. 

“Além disso, não nos podemos esquecer que apesar das grandes superfícies, frutarias e distribuidores continuarem em funcionamento, as idas às compras foram reduzidas, a aquisição de produtos mais perecíveis diminuiu”, acrescenta. 

Uma das formas de tentar contornar a situação foi a entrega de cabazes no domicílio por parte dos produtores. Uma medida que ajudou, mas não resolve o problema. “Precisamos perceber que nem todos os produtores têm capacidade para se adaptar a este modelo de funcionamento e que esta foi uma aposta dos produtores que comercializam habitualmente no mercado da Graça”, salienta. 

Percebendo a necessidade de fazer chegar os produtos aos consumidores, a associação criou a página Fome Zero/Desperdício Zero na rede social Facebook, “disponibilizando todos os contactos dos produtores para que qualquer pessoa pudesse contactá-los directamente e agilizar a entrega ao domicílio”. A medida permitiu “uma proximidade entre produtores que, não tendo capacidade de resposta para todos os produtos, encontraram nesta lista os contactos de outros produtores que lhes permitiram complementar a sua oferta”, aponta Manuel Ledo. 

 

Capacidade de “resiliência e 

de adaptação” dos agricultores

 

Apesar das dificuldades, Manuel Ledo destaca a “incrível capacidade de resiliência e de adaptação” dos agricultores “que, em momento algum deixaram de produzir e exercer a sua actividade para garantir o abastecimento da cadeia, inclusivamente, se predispuseram para fazer entregas ao domicílio a todos os cidadãos em situação de confinamento”.

Nota positiva também para a forma como interagiram os intervenientes da cadeia agroalimentar, entre produtores, empresas, associações, organizações e a tutela: “Desde o primeiro momento, assistiu-se a uma proximidade e disponibilidade de todos para evitar quaisquer constrangimentos no acesso à alimentação, e esse objectivo foi conseguido”, realça o presidente da Terra Verde, salientando ainda que “felizmente, apesar do risco, não houve, até ao momento, casos positivos para o novo coronavírus nos produtores regionais”. 

Agora, diz, é tempo de “todos os envolvidos na cadeia agroalimentar se sentarem à mesma mesa e definir uma estratégia a médio, longo prazo”.

 

Reforço da liquidez dos produtores 

e antecipação de subsídios

 

A associação transmitiu as suas preocupações, na semana passada, ao Secretário Regional da Agricultura e Florestas, em reunião com o grupo de acompanhamento, onde subscreveu o pedido da Federação Agrícola dos Açores para que, este ano, não exista rateio das verbas do POSEI, bem como a necessidade de reforçar este apoio. 

“No nosso entender, sendo uma situação excepcional, o importante é que se reforce a liquidez dos produtores, seja através do POSEI ou de outra medida de apoio. Foi ainda solicitada uma antecipação do subsídios, de forma a que os mesmos sejam pagos em duas tranches mas no ano corrente”, explica Manuel Ledo.

 

Levantamento de perdas e quebras

 

Na sequência da reunião de acompanhamento, a Terra Verde vai agora proceder ao levantamento das perdas e quebras dos produtores. E irá fazê-lo, “não só com base na facturação deste ano em comparação com o período homólogo do ano anterior, mas também trabalhar com os nossos parceiros e intermediários que estão neste momento a facultar informação sobre a previsão de compras que tinham para cada produtor e o que, por força da situação actual, efectivamente estão a comprar”, explica o presidente da associação. 

“Esta informação será um importante contributo para perceber a real situação do sector. No nosso entender, o contributo dos intermediários é fundamental para a definição de uma estratégia de apoio aos produtores, na medida em que, com base no que adquiriram ao produtor conseguimos perceber facilmente o que não foi comercializado e resultou em perdas para o produtor”, explicita Manuel Ledo.

Com muito ainda por fazer para “alavancar e apoiar o sector que sairá desta situação fragilizado”, o presidente da Associação de Produtores Agrícolas dos Açores conclui, afirmando ser “fundamental que o Governo Regional disponibilize medidas de apoio à medida das necessidades excepcionais desta situação”.

 

Pandemia “poderá obrigar-nos a reflectir o modo como está organizado o ensino”

enfermeiroA Escola Superior de Saúde (ESS) da Universidade dos Açores assinalou ontem o sexto aniversário, dedicando a comemoração aos enfermeiros que se encontram na linha da frente do combate à Covid-19 nos Açores.

“Queremos dedicar este aniversário da escola a todos os enfermeiros, formados nos Açores e não só, que hoje estão no combate a esta ameaça à saúde pública, demonstrando ser fundamentais no controlo desta situação e que têm desempenhado o seu papel com uma qualidade que só honra a escola. Queremos agradecer todo o trabalho que têm feito em prol da saúde da nossa população dos Açores”, afirmou a presidente da instituição, Carmen Andrade, em declarações ao Diário dos Açores.

A formação para o combate a situações de pandemia tem sido desde sempre uma preocupação da escola. Segundo referiu, “a ESS assume a sua missão de ensino com o maior sentido de responsabilidade e, na formação dos estudantes de enfermagem, estas situações de ameaça à saúde pública são já abordadas”. 

“Os Açores são uma região sujeita a intempéries, a situações de sismos ou outros fenómenos atmosféricos ou climáticos, pelo que tem sido uma aposta da escola a formação nestas situações de ameaça. E a formação é dada não só pensando nestes cenários, como também nas ameaças das infecções, tão comuns nos cuidados de saúde”, explica a presidente.

Carmen Andrade acrescenta que esta preocupação “reforça a necessidade de investimento da escola nesta área de formação”.

 “A situação de pandemia em que agora se vive poderá obrigar-nos a reflectir sobre o modo como está organizado o ensino nesta área em concreto e o que é que podemos aprender com esta pandemia para que, em outras situações futuras, os nossos estudantes e futuros profissionais possam actuar de uma forma ainda mais segura. Até porque continuamos a ouvir que a ameaça de uma segunda ou terceira reinfecção ‘está à porta’ e é importante que se continue a dar formação neste sentido”, considerou a responsável.

 

Desafio do ensino à distância

 

A pandemia de covid-19, que obrigou ao confinamento de grande parte da população, fez com que também a ESS tivesse de se adaptar à realidade do ensino à distância. “Foi um desafio, mas a escola teve capacidade para responder aos constrangimentos que decorrem desta situação de pandemia. Houve a necessidade de readaptar o nosso plano de estudos para podermos garantir a formação dos estudantes, embora à distância, minimizando o impacto desta situação de confinamento”, explica a responsável.

A escola conta actualmente com 400 alunos e foi criada em 2014, resultado da fusão da Escola de Enfermagem de Ponta Delgada e da Escola de Enfermagem de Angra do Heroísmo. A responsável fez um balanço positivo deste período, destacando o património histórico herdado das duas instituições.

“A escola aproveitou este património, utilizou-o não só na construção de uma identidade comum, mas também para criar um caminho de sucesso e de qualificação da formação dos enfermeiros na região”, refere quadros das instituições de saúde dos Açores é dotada de enfermeiros formados na ESS.

Por outro lado, a presidente da ESS salientou o “forte investimento” que a instituição pretende fazer na formação avançada de profissionais de enfermagem, da Região e não só, com a aposta em cursos de mestrado. “Estamos a preparar a formação ao nível de mestrado para contribuir para a formação especializada destes enfermeiros”, sublinhou.

Carmen Andrade destaca ainda o investimento em projectos de investigação e de intervenção na comunidade. Segundo refere, a escola dá o seu contributo na “produção de investigação com interesse para a Região – e este é um aspecto em que nós queremos investir ainda mais”, e contribui ainda com a “concepção de projectos de intervenção na comunidade”, colaborando ainda com o seu ‘know-how’ específico em projectos desenvolvidos por instituições de saúde. 

 

Papel “fundamental” dos enfermeiros na comunidade

 

A presidente realçou ainda que a intervenção dos enfermeiros na comunidade “faz a diferença”, “desde logo na comunidade escolar, junto de populações mais vulneráveis de populações que possam ter necessidade de aumentar a sua literacia em termos de comportamentos e estilos de vida saudáveis.

“Os enfermeiros têm um papel fundamental na promoção da saúde das comunidades, na promoção da saúde pública, no acompanhamento destas pessoas, para que elas próprias se consigam responsabilizar pelo seu processo de saúde e darem a melhor resposta para manter a sua saúde, evitando que entremos em situações de doença que possam comprometer a saúde das populações e até trazer mais gastos aos Serviço Regional de Saúde”, explicou Carmen Andrade. 

De acordo com a presidente, o papel do enfermeiro passa por “antecipar as situações para que, se acontecerem, aconteçam o mais tardiamente possível e com a menor gravidade possível”.

 

Comemorações do sexto aniversário

 

Face à actual situação de pandemia, a Escola Superior de Saúde teve de alterar os seus planos de promover um encontro para comemorar o sexto aniversário da instituição. “Dadas as circunstâncias de confinamento a que todos estamos sujeitos, o facto de na Escola estarmos em teletrabalho e ensino à distância, as comemorações do aniversário da ESS serão assinaladas com a divulgação de um vídeo, que reúne, entre outros, o testemunho de estudantes, antigos e actuais, e de recém-licenciados, a trabalhar na região ou no estrangeiro”. Os testemunhos estão acessíveis na íntegra na página do facebook da ESS.

No dia em que se festejam os seis anos da Escola Superior de Saúde, é celebrada “a unidade que, todos os dias, estudantes, docentes e funcionários vão construindo, apesar de separados em dois departamentos sedeados em duas ilhas.  Juntos concretizam diariamente a missão desta Escola, afirmando e defendendo o valor da Saúde dos açorianos”. 

“Se, há sessenta anos, quando foi criado o Ensino da Enfermagem na Região, o desafio era o combate à mortalidade infantil, hoje, os desafios são muitos e diversos, sendo o mais recente o combate à Pandemia Covid19, que convoca os enfermeiros e as enfermeiras para a intervenção na linha da frente”.