Desemprego nos Açores continua a ser o mais elevado do país

centro emprego - desempregadosA taxa de desemprego nos Açores no 2º trimestre do ano baixou para 16% mas manteve-se a mais elevada do país, de acordo com as Estatísticas de Emprego do INE, que registaram um total de 19.400 desempregados (uma redução de 10,5% em relação ao 1º trimestre) e  para uma população activa de 121.600 indivíduos (um aumento de 0,7% no trimestre), com uma população total de mais de 15 anos de idade de 121.600 pessoas (um aumento de 0,1%). Conclusão: o desemprego, se bem que tenha decrescido em relação ao 1º trimestre, não está propriamente a revelar uma tendência de redução, não apenas porque mantém o valor percentual homólogo nos 16%, mas também porque aumenta mesmo de 19.100 desempregados em 2013 para 19.400 em 2014.
Mesmo os dados sobre a população empregada, que revelaram um crescimento de 3,2% em relação ao trimestre anterior e de 3% em termos homólogos, mantém-se ligeiramente abaixo do valor registado em 2012 de 102.500, mostrando sobretudo uma tendência quase errática.
Sobre a eventual resposta ao “pedido de explicações” feito em Maio pelo Governo Regional ao INE sobre a “redução absurda” do emprego na região no segmento da Educação, não se sabe de nada. Na altura, o número de trabalhadores nesse sector tinha caído 1824, atingindo apenas 7.700, o que levara o Governo a dizer que a taxa de desemprego não deveria ter subito para 18%, mas sim baixado para 15,7%. Os presentes dados contêm um aumento de 1.300, atingindo os 9.000 postos de trabalho, embora ainda abaixo dos mais de 10 mil registados em trimestres anteriores. A taxa de desemprego, no entanto, manteve-se a mais elevada do país.
O significativo aumento da população activa também deu uma ajudinha na redução da taxa de desemprego. Aliás, a população activa, com 49,13%, continua abaixo da média nacional, que é de 50,45%, se bem que esteja já acima da do Alentejo,  a mais baixa do país, com 48,7%.
A esse nível, os Açores apresentam resultados especiais que tornam a região diferente do resto do país, incluindo a Madeira, o que não é usual. E se bem que a principal diferença ocorra na idade mais jovem da população açoriana, parecem existir diferenças bem mais culturais. Os Açores têm o maior peso de população com menos de 15 anos (17%, mais que em todas as restantes regiões e bem acima da média nacional de 14,5%) e dos jovens dos 15 aos 24 anos (13,94%, igualmente bem acima das restantes regiões e do que a média nacional de 10,6%).
Mas se bem que a Região tenha 16,92% de jovens com mais de 15 anos a estudar, o que os coloca automaticamente como inactivos, a média nacional é de 15,8% e a Madeira atinge mesmo os 20,42%. Diferenças bem maiores encontram-se no segmento de “domésticos”, onde os Açores têm 14,5% de inactivos (a média nacional é de apenas 8,3%) e de reformados, em que os Açores têm apenas 14,9% da população inactiva, quando a média nacional é de 32,3%. Qualquer uma destas diferenças mereceria uma explicação mais pormenorizada que os números não nos permitem retirar.
Nesta edição o INE opta por omitir muitoa valores no que diz respeito às actividades principais dos trabalhadores. Das profissões para que existem números, a Agricultura ocupa 10,5% dos activos, o comércio 13%, e o alojamento e restauração 12,5%.

Residentes de Ponta Delgada são os que pagam mais impostos municipais na Região

portas da cidadeOs habitantes do município de Ponta Delgada são os açorianos que pagam mais impostos municipais nos Açores, atingindo uma média de 175,34 euros por habitante por ano, de acordo com o Portal da Transparência Municipal lançado pelo Governo da República (portalmunicipal.pt).
Não se trata, no entanto, apenas do eventual maior valor que que os imóveis tenham no concelho ou os valores gerados pelas empresas: é sobretudo porque o “índice de devolução fiscal” é o mais baixo de todas as cidades açorianas.
Segundo o portal, o Índice de devolução fiscal “pretende representar o esforço de cada município na devolução de impostos municipais cuja taxa é definida anualmente por decisão municipal: taxa de IMI, taxa de participação no IRS e taxa de derrama IRC”. Ou seja, “é calculada a diferença entre a taxa aplicada no período de referência e a taxa máxima possível para cada caso, sendo depois os resultados somados com a respetiva ponderação. Por fim o resultado é normalizado para uma escala de resultados de 0-100”.
Ponta Delgada tem um índice de devolução de 81,25, o que, não sendo o mais baixo da região, é bastante inferior aos das restantes cidades. Abaixo de Ponta Delgada estão apenas os concelhos do Nordeste e Vila Franca do Campo, por estarem a ser alvo de programas de assistência, em que para ambos o índice é de apenas 20%. E o concelho das Lajes do Pico, com 80%.
Mas dos concelhos que têm cidade, Ponta Delgada é claramente o mais “guloso” dos impostos dos seus residentes, embora o único que revela um índice de devolução de 100% é o de Angra do Heroísmo. O 2º melhor é o da Lagoa, com 93,67%, a Ribeira Grande com 93,33, e a Horta e a Praia da Vitória com 90% cada.
Os concelhos mais contidos na colecta de impostos são os da Povoação, Santa Cruz da Graciosa, Madalena, Vila do Porto, Lajes das Flores, Angra do Heroísmo, Velas, Santa Cruz das Flores e Corvo, que revela um índice de devolução de 100 – o máximo possível.
Obviamente que esse índice quanto mais baixo for, pressupõe taxas bastante elevadas em relação ao que seria possível reduzir. No caso de Ponta Delgada, o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) atinge uma receita de quase 97 euros por habitante, o IMT (Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas) atinge 30,6 euros por habitante, o IUC (Imposto Único de Circulação) 22,9 euros por habitante, e a Derrama sobre as empresas cerca de 13,2 euros por habitante. 
Segundo estes dados, Ponta Delgada arrecada 12 milhões de euros de impostos por ano, o que representa cerca de 40% do total que é gerado nos Açores, que é de cerca de 30,4 milhões de euros. Trata-se de uma diferença significativa em relação ao seu peso populacional, que é de 28%.
Curiosamente, Ponta Delgada nem tem propriamente um “problema de dívida” que obrigue o município a um grande esforço de cobrança de impostos. Pelo contrário, a dívida é de apenas 364 euros por habitante, o que é a 8ª maior de todos os municípios (e não são contabilizados nem a Povoação, nem o Nordeste ou a Vila do Campo, que viram as suas dívidas reduzidas a menos de 5 euros por habitante). A maior está em Vila do Porto, com 924 euros por habitante, na Madalena (Pico) com 644 euros, Lagoa com 577 euros, Praia da Vitória com 556 e Angra do Heroísmo com 556 euros.

Apenas 34% da água captada em Ponta Delgada é utilizada...

canosHá água com fartura, mas Câmara “castiga” os consumidores

A Câmara Municipal revelou ontem que as reservas de água de Ponta Delgada “ultrapassam largamente as necessidades existentes em todo o concelho, não se antevendo problemas de falta de água durante o verão”.
Segundo é avançado em comunicado, a situação deve-se ao investimento feito, nos últimos dois anos, pelos SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) do município, que ultrapassou os 5,3 milhões de euros.
“Em 2012 e 2013,  os SMAS investiram fortemente em sistemas de drenagem de águas residuais, de captação e distribuição de água, com 3,114,122 euros, e na aquisição de equipamentos básicos, com 2,264,702 euros”, adiantou a autarquia, que acrescentou que “os registos de caudal existentes mostram valores ligeiramente abaixo das médias normais, mas muito superiores aos registados noutros anos, sobretudo em relação a 2000 ou  2009, anos considerados de seca”, segundo informações disponibilizadas pelos SMAS.
Os mesmos dados dão  conta de que, em 2013, o caudal médio diário captado pelos SMAS do município ascendeu a 46.458m3 por dia, valor superior ao de 2012 que se cifrou nos 40.103m3 por dia. Entretanto, de Janeiro a Junho do corrente ano, esse valor médio situa-se nos 43.202m3 por dia.
O comunicado refere que é “uma produção que permitiu fazer face a um consumo de 5.821.376m3 em 2013 e 5.805.890m3 em 2012, o que ultrapassou as necessidades em, respectivamente, cerca de 291 e 252% por cento”, garantiu a autarquia.
Por outras palavras, dos mais de 46 mil metros cúbicos captados por dia em 2013, apenas foram consumidos perto de 16 mil metros cúbicos, que é sensivelmente 1/3 do que é captado.
Mas então... os escalões?

O comunicado não refere o porquê de um investimento tão grande numa captação tão longe das necessidades do consumo, mas uma coisa é certa: as tarifas actuais, com os seus “escalões de consumo”, estão claramente desfazadas da realidade do potencial de água que o concelho tem.
Tal como noutros municípios, o SMAS aplica escalões de consumo, que são claramente penalizadores das famílias que consomem muita água. A mensagem implícita dos últimos anos vinha sendo que a lógica desses escalões residia exactamente na necessidade de poupar nos consumos, ou porque não haveria água suficiente no concelho, ou porque não haveria capacidade para a captar. Mas qualquer desses argumentos, que podem ter sido realistas no passado, são claramente desmistificados com este comunicado: temos água com fartura que simplesmente não está a ser aproveitada.
Havia a ideia de que o “desperdício” passaria, por exemplo, pelo hábito arreigado dos cidadãos lavarem o chão da rua, as janelas da casa e os seus carros com água corrente. Nunca se falou do crescente aproveitamento agrícola que as famílias que têm quintal têm vindo a operar ao nível da agricultura de subsistência, que tem sido crescente, especialmente desde que a crise comelou, mas o facto é que plantar umas alfaces pode ser uma aventura se o agricultor amador as quiser ter bem tratadas: o sistema de escalões no tarifário actual é fortemente penalizador desse tipo de iniciativas.
É que se a família consome até 5 metros cúbicos, paga 41 cêntimos por metro (e 32 cêntimos de tarifa de saneamento correspondente ao número de metros consumidos), mas a água do escalão seguinte (de 6 a 15 metros) já é cobrada a 78 cêntimos (e 62 cêntimos de saneamento), que é praticamente o dobro. Dependendo do amor que as famílias desenvolverão pelas alfaces e se se aventuram por outras espécies irá marcar a sua conta mensal: o 3º escalão (dos 16 aos 25 metros) já custa 1,5 euros por metro (e mais 1,18 de tarifa de saneamento).
E o que é curioso, aparentemente sem que haja qualquer necessidade de controlar os consumos por via destes escalões. Escalões esses que também são penalizados através do aumento das taxas de saneamento (se bem que não se perceba muito bem onde é que o aumento da produção caseira de hortaliças poderá resultar na penalização do saneamento, até porque os excedentes das hortas são sobretudo investidos em composto na própria horta) e até nas tarifas fixas relacionadas com a largura do tubo de abastecimento: de 25 mm são 3 euros por mês, mas pode chegar aos 30 euros por mês se o tubo tiver uma dimensão de 100 mm.
Apesar de tanta fartura já se verificar aparentemente há 2 anos, o facto é que os consumidores continuam “amarrados” a um modelo que os quer forçar a gastar menos água – ou simplesmente gastar mais dinheiro, o que não deixa de ser uma visão curiosa sobre o papel que  os municípios devem, teoricamente, ter na felicidade dos munícipes...

Viagens de férias ou lazer em 2013 com apenas 4,5% de continentais...

turismo aeroportoHá mais açorianos a fazer férias no país do que nacionais a vir aos Açores...

Segundo a publicação “Estatísticas do Turismo 2013”, lançada esta semana, o INE estima que no ano de 2013 viajaram para os Açores 193 mil cidadãos portugueses, no âmbito de viagens de lazer, visita a familiares e amigos, de negócios, saúde ou religião. Esse valor representa uma regressão de 1,7% em relação ao ano de 2012, enquanto que o total nacional aumentou mais de 5% nesse período.
Apenas 25,5% dessas viagens foram no âmbito do “lazer, recreio ou férias”, o que representa o peso mais baixo verificado em todas as regiões. A nível nacional, 41,2% das viagens realizadas no país foram de lazer, com o máximo de 72% registado no Algarve. O maior grupo de viagens para os Açores é o da “visita de familiares ou amigos”, com cerca de 53% do total.
As viagens “profissionais ou de negócios” têm igualmente um grande peso nos Açores, atingindo 8%.

Poucos continentais
O conjunto dos dois maiores grupos, de “lazer, recreio ou férias” e o da “visita a familiares ou amigos”, representa no destino Açores 78% do total, que é o valor mais baixo registado no país, onde atinge os 89,6%. O INE agrupa-os, apurando as origens dos viajantes pelas regiões de destino. E a conclusão é que quase 80% das viagens de portugueses aos Açores é realizada por açorianos! O INE estima que quase 120 mil das 152 mil viagens registadas para os Açores encontram-se nessa categoria.
Os valores mudam ligeiramente consoante o motivo da viagem: 82,5% das 49 mil viagens de nacionais aos Açores em lazer ou férias foram feitas por açorianos, enquanto que esse valor desce para 77% das 102 mil viagens de visita a amigos ou familiares.
O que se consegue apurar, no entanto, é que apenas 8.600 continentais visitaram os Açores em viagens de férias e lazer, o que representa  4,5% do total de viagens com destino aos Açores. Só!

Número de viajantes
açorianos é maior que do que visitantes nacionais...

Aliás, há um dado curioso: há mais açorianos a fazer férias fora da sua ilha do que portugueses a visitar as ilhas. Segundo o INE, em 2013 houve 56 mil viagens de lazer, recreio ou férias com origem nos Açores, embora apenas 49.300 nacionais (dos quais 40.700 açorianos) a visitar os Açores.
Essa situação não acontece apenas nos Açores, mas também não se pode dizer que seja generalizada. O Norte, com mais 30% de nortenhos a viajar do que portugueses a visitar o Norte, e Lisboa, com mais 180%, completam o conjunto de “deficitários” no qual os Açores entram, com uma diferença de 13%. No entanto, no Centro (os viajantes dessa região representam 62% dos que a visitam), o Alentejo (47%), a Madeira (39,5%) e o Algarve (11,45%) têm mais visitantes do que viajantes.
Considerando a população de cada região, a média nacional é de 0,64 viagens por cada residente, com o máximo a pertencer a Lisboa, com 1,14, a única que ultrapassa 1 viagem por cidadão. No entanto, considerando que no caso do continente as viagens não têm de ser obrigatoriamente realizadas de avião, esses dados apenas podem ser comparados com a Madeira. E a verdade é que os açorianos parece que viajam o dobro dos madeirenses: 0,23 viagens por residente nos Açores e 0,11 na Madeira.
Essa diferença é bem visível no número de viagens de férias realizadas para Lisboa, em que há 8.900 viagens de açorianos e apenas 1.300 de madeirenses. Aliás, não há nenhum madeirense a visitar os Açores, mas 1.700 açorianos a visitar a Madeira.

Periferia de Ponta Delgada é “uma manta de retalhos esburacada onde valeu tudo menos a qualidade”, critica Kol de Carvalho

Kol de CarvalhoJorge Kol de Carvalho, de 66 anos e natural da Terra Chã, Angra do Heroísmo, é um dos arquitectos mais irreverentes do nosso país. Em entrevista ao Diário dos Açores, comenta como está a classe na região e não poupa críticas à expansão urbana de que foi alvo nos últimos anos a periferia de Ponta Delgada, classificando-a como “uma manta de retalhos esburacada onde valeu tudo menos a qualidade”...

 

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