Direcção da Casa de Saúde não sabe quando poderá pagar ordenados

Casa de saudeMais de 90 trabalhadores da Casa de Saúde de São Miguel alegam que estão com os salários do mês de Março em atraso, denunciou ontem um e-mail anónimo enviado à nossa redacção que foi confirmado pela direcção do estabelecimento.
Alegadamente, já no passado mês de Fevereiro, os ordenados foram pagos no dia 5 do mês seguinte, ao contrário do que costuma acontecer, que é o dia 22 de cada mês. Os trabalhadores questionam “o porquê de o Governo não pagar à Casa de Saúde a tempo e horas, quando os hospitais e os centros de saúde receberam no dia 22, sem falta”, tendo, inclusivé, afirmado que “é descarada a falta de consideração para connosco”. A queixa anónima refere também que tem conhecimento de “pessoas que têm pago multas ao banco e de outras prestações”, porque “estão de bolsos vazios”.
Contactado pelo nosso jornal, Pedro Diogo Carvalho, director do estabelecimento, explicou-nos que esta situação deve-se “ao atraso na regularização da facturação da Casa de Saúde”. Neste momento, “ainda não pagamos os ordenados de Março porque não temos dinheiro”, disse.
Para já, não há perspectivas quando isso irá acontecer: “Contactámos o HDES  (Hospital do Divino Espírito Santo), que é nosso cliente e a quem facturamos os nossos serviços, mas disse-nos que não tinha verbas. Contactámos também a SAUDAÇOR, que é a entidade que financia e disponibiliza a verba para o HDES, e, quer a SAUDAÇOR como o HDES, dizem-nos que não têm perspectivas de quando poderão vir a ter essas verbas”, explica. Estão afectados 94 trabalhadores.

“Se a melhor decisão estratégica for sair do euro, então que se faça isso porque senão não saímos desta situação em que nos encontramos”

construção civil2Com a crise dos últimos anos o sector da construção civil atravessa momentos difíceis, com empresas em francas dificuldades financeiras. O investimento público é agora mais crítico do que nunca para estimular o mercado, tendo em conta a forte influência da Construção na economia regional.
Numa entrevista com Pedro Marques, presidente da AICOPA–Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores, são-nos dadas a conhecer as dificuldades em suster a actual situação do sector e as expectativas que ainda há para esse ramo empresarial.

Na semana passada a Câmara de Comércio de Ponta Delgada anunciou que há 10 mil desempregados na construção civil e mais de 8 mil pessoas que estão ameaçadas de serem despedidas. Que medidas se devem tomar para minimizar esse impacto na sociedade?
Em primeiro lugar, temos de aceitar que vivemos perante outros pressupostos que não eram aqueles que aconteceram no passado. Há outros pressupostos agora, e um deles é que o ritmo de investimentos que se vinha a fazer no passado não é o mesmo. Esse é um dado adquirido e não vale a pena fingirmos que não é verdade. Quanto mais depressa as pessoas se consciencializarem disso, mais rapidamente podem tomar decisões e procurar reorganizar a sua vida. Em segundo lugar, o nosso trabalho, como direcção da AICOPA, é tentar que essa redução seja a menor possível ou que tenha os menores impactos possíveis. O que tentámos nesses primeiros três meses de trabalho foi, exactamente, fazer acções de sensibilização com os principais dirigentes e fornecedores de trabalho no sector da construção civil, para tentar mitigar os impactos desta situação.
Em terceiro lugar, está a tentativa de minimizar esse impacto, exactamente, porque tudo aquilo que conseguirmos para além do que era esperado será uma pequena vitória. Portanto, é nisso que estamos muito focados e é nisso que vamos continuar a trabalhar nos próximos meses.

Há algum ramo da construção civil ainda por explorar que poderá servir como uma “salvação” para muitos desempregados?
Tenho uma opinião muito pessoal acerca desse assunto.  Não acredito quando se diz que “acabou o ciclo das grandes obras”. Percebo o que se quer dizer, mas diria que, “talvez, acabou o ciclo dos grandes investimentos, ou pelo menos, de forma tão forte como estavam a ser feitos.” O que acredito é que, como tenho dito tantas vezes, a construção civil é um meio e não um fim a si próprio. Ninguém constrói para dar trabalhar ao sector da construção civil. As coisas constroem-se porque são precisas. E com base nisso, o que eu acredito é vai haver sempre trabalho na construção civil porque esta serve para servir as pessoas e a sociedade de uma forma geral e as necessidades de uma sociedade vão sempre evoluindo. Nunca estão estagnadas. Hoje são estradas, amanhã são bacias hidrográficas, depois são portos, edifícios, tribunais, aeroportos… o que eram as necessidades ontem, hoje são outras e no futuro hão-de voltar a repetir porque a construção civil é uma intervenção que fazemos e, como tal, precisa de ser reabilitada, renovada, reconstruída ou até substituída.
O que eu acho que aconteceu foi que viemos de um ciclo de fortes investimentos e a necessidade de haver um abrandamento, mas acredito que não acabou nem nunca irá acabar o trabalho na construção civil.

Se há menos dinheiro para fazer obras, como é que é possível revitalizar o sector da construção civil?
Como disse, temos de encarar a dura realidade. O ritmo a que estavam a ser feitos os investimentos vai ter de abrandar e quando mais depressa aceitarmos isso, mais depressa  começamos a encarar e a planear as nossas vidas. Assim sendo, é lógico que se o sector antes representava, por exemplo, 100, representa agora 60 ou 70 e isso é algo que temos de aceitar. Nos próximos anos, já não vamos trabalhar para esses 100 e o nosso objectivo, enquanto direcção da AICOPA, é garantir que, em vez dos 60, seja os 70, e em vez dos 70, seja 75 ou 80.  Acredito também que numa região ultraperiférica como a nossa, o papel do Estado no seu todo, seja como Governo Regional, como autarquias, irá ter sempre um peso muito importante porque não conseguimos de um  momento para o outro inverter a estrutura do nosso sector produtivo e económico. É algo que precisa de uma estratégia muito afinada. O papel do Estado é fundamental, assim como os investimentos que ele terá que manter para a economia funcionar.

As empresas regionais deveriam ter algum tipo de protecção nos concursos públicos, já que muitos empreiteiros com alvarás mais baixos queixam-se de falta de oportunidade? Ou as nossas empresas não têm condições para fazer grandes empreitadas?
Desde Janeiro que nós temos vindo a defender as micro, pequenas e médias empreitadas. É nisso que temos andado focados e é nisso que temos gasto todas as nossas energias. O retorno tem sido positivo nesse aspecto.
Contudo, é preciso fazer um enquadramento. Nós vivemos debaixo de regras comunitárias e regras de concorrência que são impostas pela comunidade e pela própria orgânica do nosso país. Temos vindo a procurar sensibilizar, de alguma forma, um proteccionismo às empresas regionais. Há formas de o fazer dentro dos parâmetros legais e é isso o que temos vindo a fazer, não só nesta nova direcção, mas também na anterior. Esta tem sido uma das nossas principais prioridades e basta ver os últimos concursos públicos… a tendência tem sido um pouco essa. Claro que há coisas que são inultrapassáveis e acontece ainda, nomeadamente, umas empresas que estão cá de fora [facilmente se percebe quais são] que continuam a tentar permanecer no mercado regional.

Defende que é importante apostar na reabilitação urbana, mas o que tem sido feito nesse sentido?
Eu dividia a questão da temática da reabilitação urbana em duas questões. Uma é o que se tem tentado fazer, que é uma inversão do raciocínio, ou seja, uma mudança de filosofia e de estratégia que penso já estar feita. Agora há um segundo trabalho e isso não se traduz assim de uma forma tão rápida quanto desejamos. Portanto, o que tem de acontecer é a dois níveis. Uma questão é a nível dos particulares, privados para se dirigirem mais para o centro da cidade nos seus investimentos, quer dos promotores, quer das pessoas que procuram habitação ou que têm habitação no centro da cidade e que queiram remodelá-la. Mas para tal é preciso dinheiro. É preciso fazer investimentos e, em relação a essa questão, mesmo que desejamos, temos sempre a  restrição das próprias instituições de crédito.
No entanto, à medida que as instituições de crédito se mostrarem mais disponíveis eu penso que as pessoas vão começar a procurar mais o centro da cidade… porque há um conjunto de incentivos que já foram criados nesse sentido.
Depois há a parte da obra pública em si. Hoje penso que, e pelo discurso das próprias autarquias e do próprio governo, que isso é essencial, ou seja, reabilitar o que se tem. É preciso sensibilizar que, às vezes, a curto prazo fica mais caro, mas é preciso ter em atenção que a longo prazo fica mais barato, sem dúvida. Portanto, estamos a falar em obras no centro da cidade, o que é muito mais complicado. É mais complicado fazer reabilitação do que pegar num terreno de raiz e construir. Não há constrangimentos de trânsito, ou pelo menos na maioria dos casos, não há problemas de circulação e dentro das cidades isso é sempre mais complicado o que encarece muito os trabalhos. Por vezes, temos de fazer manutenção de fachadas porque têm de se manter. Há rigores que se têm de cumprir, por razões culturais e de estética, mas essa sensibilidade já esta feita e, pelo menos, o “feedback” que temos recebido das entidades é que agora quando houver novos trabalhos, em vez de se procurar um sítio novo para construir, procura-se um que já exista e tenta-se reabilitar.  Mais uma vez debatemo-nos com o problema do crédito e dos financiamentos, mas isso depende muito das instituições financeiras. Como filosofia, penso que tanto os privados como os públicos já encaram que as cidades não se podem expandir muito mais ao nível de aumento. Os serviços de apoio que a cidade tem para a população acabam por depois não virem a satisfazer porque, se a cidade cresce muito ao nível horizontal, depois não há transportes públicos com pontes suficientes, o policiamento fica mais afastado... enfim, todos esses apoios que a cidade tem para oferecer ficam mais caros porque estão mais longe. Nessa óptica penso que todos os organismos estão sensibilizados que a médio e longo prazo isso é, sem dúvida, economicamente mais vantajoso e menos dispendioso.

Há um crescimento da economia paralela no sector da construção civil nos Açores?
Tendencialmente, e estou a falar sem dados porque não os tenho, a economia paralela nos ciclos de recessão tem tendência a ser um pouco maior. Tivemos uma reunião com o senhor inspector das Actividades Económicas e foi ele quem nos relatou, embora não haja dados nos Açores sobre isso, estudos feitos a nível europeu que apontam nesse sentido. Isso é um facto. Acredito que a nossa economia tem uma forma similar às demais, portanto, essa será a tendência.
Claro que nós, enquanto direcção da AICOPA, estamos preocupados porque se o trabalho já é pouco e se ele está a ser assombrado pela economia paralela, pior ficamos. As empresas que estão organizadas e que procuram manter as suas situações em dia o mais possível acabam por ser confrontadas com uma prática de concorrência desleal. Tenho conhecimento de muitas queixas e denúncias que chegam à nossa própria associação e depois reencaminhamos para as autoridades. De facto, é algo que acompanhamos com alguma preocupação.

Das reuniões que mantém com vários empresários e associados, que expectativas é que estes têm para o futuro do sector? Ainda vale a pena investir nesse ramo empresarial quando é o que desencadeia mais desempregados na região?
Penso que os próprios elementos da direcção da AICOPA acabam por ser prova disso. São um conjunto de pessoas, relativamente, jovens que acreditam que podem fazer deste sector o seu futuro, ou pelo menos, uma parte do seu futuro. Não há maior prova de vida do sector do que esta. Não é menos verdade também que passamos uma altura muito complicada, mas também temos tendência sempre a menosprezar aquilo que fala a História. A História diz-nos duas coisas: diz-nos que esses ciclos de depressão são precedidos de um ciclo de expansão à semelhança do que tivemos, que no nosso caso foi muito agressivo e, claro, que o ciclo de recessão será igualmente agressivo. Estão interligados, mas também, não é menos verdade que a seguir ao ciclo de recessão há sempre uma oportunidade de renascimento e este terá o seu espaço. Acredito que as habitações vão-se continuar a construir e que as instituições de crédito vão dentro de algum tempo voltar a emprestar dinheiro à própria economia. O que acontece é que nós, em termos individuais, de empresas, de região e de país estamos a reorganizar-nos. Se não temos condições de gastar 100, temos de gastar 80. É preciso olhar para os recursos e cortar nessas medidas e adaptar-nos a essa nova realidade.
Não acredito que voltemos para o que era, pelo menos a curto prazo, mas a médio prazo acredito que vamos retomar. Acredito que há esperança para o nosso sector, não com a mesma força, mas haverá com certeza porque se não fosse assim duvido que essa direcção da AICOPA tivesse tido esforço, coragem e visão para concorrer e assumir uma direcção que sabia os tempos difíceis por que íamos passar.

Considera que o sector da construção civil poderia trabalhar em conjunto com o mercado do arrendamento?
Penso que sim. Acho que é possível trabalhar nesse sentido, embora já aconteça. É preciso não esquecer porque é que o mercado de arrendamento antes não funcionava tanto como funciona hoje. Anteriormente, com uma renda de 400, 500 ou 600 euros por mês ia ao banco, levantava 100 ou 150 mil euros e o banco dava-me o dinheiro e, portanto, com o mesmo valor da renda comprava uma coisa que era minha ou que pelo menos ia pagando. Essa, na minha opinião, era a principal razão porque esse mercado antes não funcionava. Depois, também associado a isso, havia maior estabilidade nos empregos. Trabalhar em determinadas empresas ou na função pública dava uma perspectiva de dezenas de anos, logo, o conforto em fazer investimentos próprios era maior. Hoje em dia, esses dois pressupostos alteraram-se radicalmente, ou seja, a estabilidade do emprego é muito incerta pelo que as pessoas tenderão a encarar a habitação no futuro como mais uma “condição da sua vida”.  Se eu hoje posso, tenho um  T3 ou uma moradia, se não posso, moro num T1 ou num T2.  Antes a habitação era encarada como um investimento.  Hoje em dia, pelo menos para as novas gerações, é mais vista como um bem variável de acordo com a condição de vida. Além disso, a banca também nos próximos anos tenderá a não emprestar dinheiro com tanta facilidade como emprestava. O que acredito é que esses 400, 500 ou 600 euros que dispensávamos para uma renda que nos permitia fazer um investimento numa habitação própria hoje não serão suficientes e, por isso, as pessoas tenderão a recorrer mais ao mercado de arrendamento.
Actualmente, temos um “stock” de casas e edifícios para habitar que estão desabitados e devem ser tidos em conta para o mercado de arrendamento ou venda e creio que num ano ou dois temos de enfrentar essa realidade e aí, mais uma vez, tem de se fazer a reabilitação necessária. No caso da habitação nova há a possibilidade de ser vendida ou arrendada. Creio que é impossível dissociar o sector da construção do arrendamento. Sendo a construção civil um fornecedor de bens e serviços para o mercado de arrendamento, estará sempre de mãos-dados e a tentar abrir caminhos a novos investimentos. 

O que pode levar ao fim da crise do sector cá na região? A longo prazo, claro…
Penso que tem cada vez menos a ver com a crise internacional. Temos de atacar os problemas do nosso país de uma vez por todas e acreditar, assim como disse acerca do sector da construção civil, que não será o mesmo nos próximos tempos. Nós não conseguimos ter a balança comercial equilibrada, ou seja, não temos grandes indústrias de exportação que consigam equilibrar as de importação. Temos um problema complicadíssimo na nossa economia que nunca será resolvido por mais investimentos que o Estado faça. Temos primeiro de definir quais os sectores estratégicos que queremos apostar na nossa economia. Queremos ser uma economia do mar, de turismo, um misto das duas? Ou queremos aceitar que não temos uma indústria muito forte e preponderante e seremos, por isso, um misto de tudo?
Para se avançar, se for preciso fazer investimentos que se façam, se for preciso abandonar-mos do euro e encarar essa possibilidade porque não temos capacidade para sermos uma economia competitiva que encaramos o problema de frente. Agora, nós como indivíduos não temos informação toda para tomar essa decisão. Quem tem são os nossos decisores públicos. A única coisa que eu peço enquanto cidadão, enquanto empresário e enquanto presidente de uma associação que representa muitas famílias é que esses decisores tenham a coragem de olhar para factos, definir visões e tomar decisões porque o nosso país precisa urgentemente de decisões. Se a melhor decisão estratégica for sair do euro que isso se faça porque senão vamos continuar desse modo e não saímos disso. Nem sai o sector da construção, nem a região, nem o país desta situação em que nos encontramos.
 Aquilo que eu acredito é que essas decisões devem ser tomadas este ano, mais tardar no primeiro trimestre de 2014, para começarmos rapidamente a tratar da nossa economia e consigamos ter esperança de pelo menos começar a vislumbrar a luz ao fundo do túnel, inverter o nosso país e reconquistar o tempo perdido e o nosso nível de vida que vai levar algum tempo a recuperar.

Número de postos de trabalho na construção acima da média nacional

construção civilDesde o ano de 2007, o sector da construção civil nos Açores registou uma redução no número de postos de trabalho de 55,19%, ou seja, uma contracção para menos de metade no espaço de 5 anos. O problema é que mesmo sendo uma redução acima da que se verificou para o país, o peso da construção civil açoriana no total de empregos continua acima da média nacional.
Em 2007 havia cerca de 18.300 açorianos no sector, o que representava 3,1% do total nacional de 587,7 mil. Tratava-se de um total muito superior à taxa populacional do arquipélago, que é inferior aos 2,4%. O peso destes trabalhadores no total da população empregada no arquipélago era de 17%, enquanto que no país a construção civil apenas representava 11,3% do total de empregos.
No ano de 2012, os trabalhadores açorianos neste sector representam 2,64% do total nacional, o que continua acima da nossa taxa populacional. Os cerca de 8.200 açorianos representam 8,18% do total de empregos na Região, o que se mantém acima dos 6,86% que se verifica no país. Na realidade, de acordo com os dados do INE para o 4º trimestre de 2012, neste momento a construção civil açoriana é a que maior peso tem no total de empregos de cada região do país.
Para atingir a média nacional de 6,86%, os Açores teriam de perder mais cerca de 1.300 postos de trabalho na construção civil, ficando com pouco mais de 6.900. Tendo em conta todos os indicadores dos últimos tempos, é bem provável que seja esse o caminho a seguir...

Cimentaçor reduz trabalhadores

Segundo a Antena 1, a Cimentaçor deverá lançar um plano de redução da sua mão de obra, num valor que não foi divulgado mas que pode ser significativo. Alegadamente, trata-se da forma de reagir a mais uma redução nas vendas daquela empresa, que no primeiro trimestre de 2012 deverá atingir os -25% em relação a há um ano atrás. 
Segundo a notícia, o processo passará apenas por negociação de pré-reformas e rescisões amigáveis, havendo lugar também a “renegociação de contratos com fornecedores e aumento de matéria prima local”. A empresa, com sede no Pico da Pedra, é detida pela Cimpor.

“Se a melhor decisão estratégica for sair do euro, então que se faça isso porque senão não saímos desta situ ação em que nos encontramos”

construção civil2Com a crise dos últimos anos o sector da construção civil atravessa momentos difíceis, com empresas em francas dificuldades financeiras. O investimento público é agora mais crítico do que nunca para estimular o mercado, tendo em conta a forte influência da Construção na economia regional.
Numa entrevista com Pedro Marques, presidente da AICOPA–Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores, são-nos dadas a conhecer as dificuldades em suster a actual situação do sector e as expectativas que ainda há para esse ramo empresarial.

Na semana passada a Câmara de Comércio de Ponta Delgada anunciou que há 10 mil desempregados na construção civil e mais de 8 mil pessoas que estão ameaçadas de serem despedidas. Que medidas se devem tomar para minimizar esse impacto na sociedade?
Em primeiro lugar, temos de aceitar que vivemos perante outros pressupostos que não eram aqueles que aconteceram no passado. Há outros pressupostos agora, e um deles é que o ritmo de investimentos que se vinha a fazer no passado não é o mesmo. Esse é um dado adquirido e não vale a pena fingirmos que não é verdade. Quanto mais depressa as pessoas se consciencializarem disso, mais rapidamente podem tomar decisões e procurar reorganizar a sua vida. Em segundo lugar, o nosso trabalho, como direcção da AICOPA, é tentar que essa redução seja a menor possível ou que tenha os menores impactos possíveis. O que tentámos nesses primeiros três meses de trabalho foi, exactamente, fazer acções de sensibilização com os principais dirigentes e fornecedores de trabalho no sector da construção civil, para tentar mitigar os impactos desta situação.
Em terceiro lugar, está a tentativa de minimizar esse impacto, exactamente, porque tudo aquilo que conseguirmos para além do que era esperado será uma pequena vitória. Portanto, é nisso que estamos muito focados e é nisso que vamos continuar a trabalhar nos próximos meses.

Há algum ramo da construção civil ainda por explorar que poderá servir como uma “salvação” para muitos desempregados?
Tenho uma opinião muito pessoal acerca desse assunto.  Não acredito quando se diz que “acabou o ciclo das grandes obras”. Percebo o que se quer dizer, mas diria que, “talvez, acabou o ciclo dos grandes investimentos, ou pelo menos, de forma tão forte como estavam a ser feitos.” O que acredito é que, como tenho dito tantas vezes, a construção civil é um meio e não um fim a si próprio. Ninguém constrói para dar trabalhar ao sector da construção civil. As coisas constroem-se porque são precisas. E com base nisso, o que eu acredito é vai haver sempre trabalho na construção civil porque esta serve para servir as pessoas e a sociedade de uma forma geral e as necessidades de uma sociedade vão sempre evoluindo. Nunca estão estagnadas. Hoje são estradas, amanhã são bacias hidrográficas, depois são portos, edifícios, tribunais, aeroportos… o que eram as necessidades ontem, hoje são outras e no futuro hão-de voltar a repetir porque a construção civil é uma intervenção que fazemos e, como tal, precisa de ser reabilitada, renovada, reconstruída ou até substituída.
O que eu acho que aconteceu foi que viemos de um ciclo de fortes investimentos e a necessidade de haver um abrandamento, mas acredito que não acabou nem nunca irá acabar o trabalho na construção civil.

Se há menos dinheiro para fazer obras, como é que é possível revitalizar o sector da construção civil?
Como disse, temos de encarar a dura realidade. O ritmo a que estavam a ser feitos os investimentos vai ter de abrandar e quando mais depressa aceitarmos isso, mais depressa  começamos a encarar e a planear as nossas vidas. Assim sendo, é lógico que se o sector antes representava, por exemplo, 100, representa agora 60 ou 70 e isso é algo que temos de aceitar. Nos próximos anos, já não vamos trabalhar para esses 100 e o nosso objectivo, enquanto direcção da AICOPA, é garantir que, em vez dos 60, seja os 70, e em vez dos 70, seja 75 ou 80.  Acredito também que numa região ultraperiférica como a nossa, o papel do Estado no seu todo, seja como Governo Regional, como autarquias, irá ter sempre um peso muito importante porque não conseguimos de um  momento para o outro inverter a estrutura do nosso sector produtivo e económico. É algo que precisa de uma estratégia muito afinada. O papel do Estado é fundamental, assim como os investimentos que ele terá que manter para a economia funcionar.

As empresas regionais deveriam ter algum tipo de protecção nos concursos públicos, já que muitos empreiteiros com alvarás mais baixos queixam-se de falta de oportunidade? Ou as nossas empresas não têm condições para fazer grandes empreitadas?
Desde Janeiro que nós temos vindo a defender as micro, pequenas e médias empreitadas. É nisso que temos andado focados e é nisso que temos gasto todas as nossas energias. O retorno tem sido positivo nesse aspecto.
Contudo, é preciso fazer um enquadramento. Nós vivemos debaixo de regras comunitárias e regras de concorrência que são impostas pela comunidade e pela própria orgânica do nosso país. Temos vindo a procurar sensibilizar, de alguma forma, um proteccionismo às empresas regionais. Há formas de o fazer dentro dos parâmetros legais e é isso o que temos vindo a fazer, não só nesta nova direcção, mas também na anterior. Esta tem sido uma das nossas principais prioridades e basta ver os últimos concursos públicos… a tendência tem sido um pouco essa. Claro que há coisas que são inultrapassáveis e acontece ainda, nomeadamente, umas empresas que estão cá de fora [facilmente se percebe quais são] que continuam a tentar permanecer no mercado regional.

Defende que é importante apostar na reabilitação urbana, mas o que tem sido feito nesse sentido?
Eu dividia a questão da temática da reabilitação urbana em duas questões. Uma é o que se tem tentado fazer, que é uma inversão do raciocínio, ou seja, uma mudança de filosofia e de estratégia que penso já estar feita. Agora há um segundo trabalho e isso não se traduz assim de uma forma tão rápida quanto desejamos. Portanto, o que tem de acontecer é a dois níveis. Uma questão é a nível dos particulares, privados para se dirigirem mais para o centro da cidade nos seus investimentos, quer dos promotores, quer das pessoas que procuram habitação ou que têm habitação no centro da cidade e que queiram remodelá-la. Mas para tal é preciso dinheiro. É preciso fazer investimentos e, em relação a essa questão, mesmo que desejamos, temos sempre a  restrição das próprias instituições de crédito.
No entanto, à medida que as instituições de crédito se mostrarem mais disponíveis eu penso que as pessoas vão começar a procurar mais o centro da cidade… porque há um conjunto de incentivos que já foram criados nesse sentido.
Depois há a parte da obra pública em si. Hoje penso que, e pelo discurso das próprias autarquias e do próprio governo, que isso é essencial, ou seja, reabilitar o que se tem. É preciso sensibilizar que, às vezes, a curto prazo fica mais caro, mas é preciso ter em atenção que a longo prazo fica mais barato, sem dúvida. Portanto, estamos a falar em obras no centro da cidade, o que é muito mais complicado. É mais complicado fazer reabilitação do que pegar num terreno de raiz e construir. Não há constrangimentos de trânsito, ou pelo menos na maioria dos casos, não há problemas de circulação e dentro das cidades isso é sempre mais complicado o que encarece muito os trabalhos. Por vezes, temos de fazer manutenção de fachadas porque têm de se manter. Há rigores que se têm de cumprir, por razões culturais e de estética, mas essa sensibilidade já esta feita e, pelo menos, o “feedback” que temos recebido das entidades é que agora quando houver novos trabalhos, em vez de se procurar um sítio novo para construir, procura-se um que já exista e tenta-se reabilitar.  Mais uma vez debatemo-nos com o problema do crédito e dos financiamentos, mas isso depende muito das instituições financeiras. Como filosofia, penso que tanto os privados como os públicos já encaram que as cidades não se podem expandir muito mais ao nível de aumento. Os serviços de apoio que a cidade tem para a população acabam por depois não virem a satisfazer porque, se a cidade cresce muito ao nível horizontal, depois não há transportes públicos com pontes suficientes, o policiamento fica mais afastado... enfim, todos esses apoios que a cidade tem para oferecer ficam mais caros porque estão mais longe. Nessa óptica penso que todos os organismos estão sensibilizados que a médio e longo prazo isso é, sem dúvida, economicamente mais vantajoso e menos dispendioso.

Há um crescimento da economia paralela no sector da construção civil nos Açores?
Tendencialmente, e estou a falar sem dados porque não os tenho, a economia paralela nos ciclos de recessão tem tendência a ser um pouco maior. Tivemos uma reunião com o senhor inspector das Actividades Económicas e foi ele quem nos relatou, embora não haja dados nos Açores sobre isso, estudos feitos a nível europeu que apontam nesse sentido. Isso é um facto. Acredito que a nossa economia tem uma forma similar às demais, portanto, essa será a tendência.
Claro que nós, enquanto direcção da AICOPA, estamos preocupados porque se o trabalho já é pouco e se ele está a ser assombrado pela economia paralela, pior ficamos. As empresas que estão organizadas e que procuram manter as suas situações em dia o mais possível acabam por ser confrontadas com uma prática de concorrência desleal. Tenho conhecimento de muitas queixas e denúncias que chegam à nossa própria associação e depois reencaminhamos para as autoridades. De facto, é algo que acompanhamos com alguma preocupação.

Das reuniões que mantém com vários empresários e associados, que expectativas é que estes têm para o futuro do sector? Ainda vale a pena investir nesse ramo empresarial quando é o que desencadeia mais desempregados na região?
Penso que os próprios elementos da direcção da AICOPA acabam por ser prova disso. São um conjunto de pessoas, relativamente, jovens que acreditam que podem fazer deste sector o seu futuro, ou pelo menos, uma parte do seu futuro. Não há maior prova de vida do sector do que esta. Não é menos verdade também que passamos uma altura muito complicada, mas também temos tendência sempre a menosprezar aquilo que fala a História. A História diz-nos duas coisas: diz-nos que esses ciclos de depressão são precedidos de um ciclo de expansão à semelhança do que tivemos, que no nosso caso foi muito agressivo e, claro, que o ciclo de recessão será igualmente agressivo. Estão interligados, mas também, não é menos verdade que a seguir ao ciclo de recessão há sempre uma oportunidade de renascimento e este terá o seu espaço. Acredito que as habitações vão-se continuar a construir e que as instituições de crédito vão dentro de algum tempo voltar a emprestar dinheiro à própria economia. O que acontece é que nós, em termos individuais, de empresas, de região e de país estamos a reorganizar-nos. Se não temos condições de gastar 100, temos de gastar 80. É preciso olhar para os recursos e cortar nessas medidas e adaptar-nos a essa nova realidade.
Não acredito que voltemos para o que era, pelo menos a curto prazo, mas a médio prazo acredito que vamos retomar. Acredito que há esperança para o nosso sector, não com a mesma força, mas haverá com certeza porque se não fosse assim duvido que essa direcção da AICOPA tivesse tido esforço, coragem e visão para concorrer e assumir uma direcção que sabia os tempos difíceis por que íamos passar.

Considera que o sector da construção civil poderia trabalhar em conjunto com o mercado do arrendamento?
Penso que sim. Acho que é possível trabalhar nesse sentido, embora já aconteça. É preciso não esquecer porque é que o mercado de arrendamento antes não funcionava tanto como funciona hoje. Anteriormente, com uma renda de 400, 500 ou 600 euros por mês ia ao banco, levantava 100 ou 150 mil euros e o banco dava-me o dinheiro e, portanto, com o mesmo valor da renda comprava uma coisa que era minha ou que pelo menos ia pagando. Essa, na minha opinião, era a principal razão porque esse mercado antes não funcionava. Depois, também associado a isso, havia maior estabilidade nos empregos. Trabalhar em determinadas empresas ou na função pública dava uma perspectiva de dezenas de anos, logo, o conforto em fazer investimentos próprios era maior. Hoje em dia, esses dois pressupostos alteraram-se radicalmente, ou seja, a estabilidade do emprego é muito incerta pelo que as pessoas tenderão a encarar a habitação no futuro como mais uma “condição da sua vida”.  Se eu hoje posso, tenho um  T3 ou uma moradia, se não posso, moro num T1 ou num T2.  Antes a habitação era encarada como um investimento.  Hoje em dia, pelo menos para as novas gerações, é mais vista como um bem variável de acordo com a condição de vida. Além disso, a banca também nos próximos anos tenderá a não emprestar dinheiro com tanta facilidade como emprestava. O que acredito é que esses 400, 500 ou 600 euros que dispensávamos para uma renda que nos permitia fazer um investimento numa habitação própria hoje não serão suficientes e, por isso, as pessoas tenderão a recorrer mais ao mercado de arrendamento.
Actualmente, temos um “stock” de casas e edifícios para habitar que estão desabitados e devem ser tidos em conta para o mercado de arrendamento ou venda e creio que num ano ou dois temos de enfrentar essa realidade e aí, mais uma vez, tem de se fazer a reabilitação necessária. No caso da habitação nova há a possibilidade de ser vendida ou arrendada. Creio que é impossível dissociar o sector da construção do arrendamento. Sendo a construção civil um fornecedor de bens e serviços para o mercado de arrendamento, estará sempre de mãos-dados e a tentar abrir caminhos a novos investimentos. 

O que pode levar ao fim da crise do sector cá na região? A longo prazo, claro…
Penso que tem cada vez menos a ver com a crise internacional. Temos de atacar os problemas do nosso país de uma vez por todas e acreditar, assim como disse acerca do sector da construção civil, que não será o mesmo nos próximos tempos. Nós não conseguimos ter a balança comercial equilibrada, ou seja, não temos grandes indústrias de exportação que consigam equilibrar as de importação. Temos um problema complicadíssimo na nossa economia que nunca será resolvido por mais investimentos que o Estado faça. Temos primeiro de definir quais os sectores estratégicos que queremos apostar na nossa economia. Queremos ser uma economia do mar, de turismo, um misto das duas? Ou queremos aceitar que não temos uma indústria muito forte e preponderante e seremos, por isso, um misto de tudo?
Para se avançar, se for preciso fazer investimentos que se façam, se for preciso abandonar-mos do euro e encarar essa possibilidade porque não temos capacidade para sermos uma economia competitiva que encaramos o problema de frente. Agora, nós como indivíduos não temos informação toda para tomar essa decisão. Quem tem são os nossos decisores públicos. A única coisa que eu peço enquanto cidadão, enquanto empresário e enquanto presidente de uma associação que representa muitas famílias é que esses decisores tenham a coragem de olhar para factos, definir visões e tomar decisões porque o nosso país precisa urgentemente de decisões. Se a melhor decisão estratégica for sair do euro que isso se faça porque senão vamos continuar desse modo e não saímos disso. Nem sai o sector da construção, nem a região, nem o país desta situação em que nos encontramos.
 Aquilo que eu acredito é que essas decisões devem ser tomadas este ano, mais tardar no primeiro trimestre de 2014, para começarmos rapidamente a tratar da nossa economia e consigamos ter esperança de pelo menos começar a vislumbrar a luz ao fundo do túnel, inverter o nosso país e reconquistar o tempo perdido e o nosso nível de vida que vai levar algum tempo a recuperar.

Comunidade surda na região exige “informação para todos”

surdosHá quantos anos existe a Associação de Surdos da Ilha de São Miguel?
No próximo dia 24 de Junho de 2013, a ASISM (Associação de Surdos da Ilha de S. Miguel) irá comemorar o seu 20º aniversário.

Quais os objectivos da associação?
Os principais objectivos são: a defesa e promoção dos interesses sócio-profissionais, educacionais, culturais e morais das pessoas surdas, e de todos os seus associados e suas famílias; criar estruturas de apoio ao surdo e implementar medidas de integração social; fomentar o ensino especial e difundir a Língua Gestual Portuguesa (LGP); desenvolver na Região Autónoma dos Açores, em articulação com organizações congéneres e entidades públicas, nacionais ou comunitárias, acções de prevenção, tratamento e rastreio da surdez; organizar serviços e desenvolver acções, no sentido de facultar aos próprios sócios e aos surdos em geral, todas as formas de apoio e informação destinados à resolução dos problemas gerais e da comunicação entre as pessoas surdas e ouvintes.

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