Resultados dos exames do 1º ciclo com apenas 7 escolas positivas

Quadro - escolaDas 146 escolas públicas açorianas onde se realizaram provas do 4º Ano, apenas 7 conseguiram médias de 3 ou mais pontos (em 5 possíveis) nos exames de 2012. Estes dados, que ainda não foram publicados pelo Juri Nacional de Exames, foram retirados do jornal Público, e são necessariamente mais genéricos do que os Rankings que o Diário dos Açores costuma publicar. No entanto, a comparação é feita apenas entre alunos internos, e embora não nos permita saber o número de provas positivas, dá uma nota geral do que se passa em termos de exames.
E apartentemente a situação é bastante má!
As escolas com média igual ou superior a 3 equivalem a apenas 90 provas, o que corresponde a 1,84% do total de 4.888 provas de exame. Mesmo esticando para as médias até 2,5 pontos, são 59 as escolas nessa situação, o que representa 40,4% das escolas. Em termos de provas, são 2.060, o que representa cerca de 42% das provas no lado positivo.
Ou seja, está tudo a puxar para o negativo. A melhor escola açoriana é a Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim de Infância de Pedro Miguel, na Horta, mas ocupa apenas a 548ª posição nacional (a Colmeia atinge o 120º lugar, sendo a melhor escola dos Açores, mas por uma questão de opção editorial não faz parte deste ranking, que é dedicado em exclusivo às escolas públicas). A sua média geral foi de 3,25, com apenas 8 provas. 
As piores escolas em termos de resultados nos exames são a Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim de Infância Manuel A. de Vasconcelos, no Pilar da Bretanha, Ponta Delgada, e a Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim de Infância Beato João Baptista Machado, na Ribeirinha, Angra do Heroísmo, com uma média de apenas 1,5 valores. Estão entre os 20 piores resultados do país, embora cada uma tenha apenas 4 provas em exame...
Refira-se que o sistema de ensino regional é caracterizado pelo baixo número de provas de cada escola. Há apenas 9 escolas com mais de 100 provas e 19 com um número entre 50 e 100. E 117 escolas têm menos de 50 provas.
A escola que apresentou mais alunos a exame foi a Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim de Infância de Santa Clara, em Santa Clara, Ponta Delgada, enquanto que a que teve menos foi a Escola Básica Integrada Mouzinho da Silveira, Vila do Corvo, no Corvo, com apenas 1 aluno (2 provas).
Matemática consegue uma melhor média que o  Português. Matemática consegue 24 escolas com médias acima dos 3 valores, enquanto que o melhor resultado atinge os 3,67 valores, na Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim de Infância do Cabo da Praia, Cabo da Praia, Praia da Vitória.
Já o Português apenas consegue 3 escolas com médias de 3 valores (Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim de Infância de Pedro Miguel, Pedro Miguel, na Horta, a Escola Básica do 1º Ciclo com Jardim de Infância das Ribeiras, Ribeiras, nas Lajes do Pico e a Escola Básica do 1º Ciclo da Candelária, Candelária, na Madalena). É uma diferença significativa...

 

Rank1 Nome Concelho Média
548 EB1ºCcJI de Pedro Miguel, Pedro Miguel Horta 3,25
646 EB1ºCcJI de Santo Amaro, Santo Amaro Velas 3,2
723 EB1ºCcJI das Ribeiras, Ribeiras Lajes do Pico 3,17
831 EB1ºC da Candelária, Candelária Madalena 3,13
950 EB1ºCcJI das Velas, Velas Velas 3,08
1229 EB1ºCcJI dos Cedros, Cedros Horta 3
1275 EB1ºCcJI do Cabo da Praia, Cabo da Praia Praia da Vitória 3
1375 EB1ºCcJI de Santa Clara, Santa Clara Ponta Delgada 2,97
1398 EB1ºe2ºCcJI António José de Ávila Horta 2,96
1521 EB1ºCcJI do Ramalho, Santa Clara Ponta Delgada 2,93
1530 EB1ºCcJI do Outeiro, Arrifes Ponta Delgada 2,93
1578 EB1ºCcJI Eng, José Cordeiro Piedade, Arrifes Ponta Delgada 2,92
1770 EB1ºCcJI da Ribeirinha, Ribeirinha Lajes do Pico 2,88
1835 EB1ºCcJI D, Manuel de Medeiros Guerreiro, Santa Cruz Lagoa  2,86
1909 EB1ºCcJI Cardeal Humberto Medeiros, Arrifes Ponta Delgada 2,84
1933 EB1ºCcJI Irmãos Goulart, Fontinhas Praia da Vitória 2,83
1974 EB1ºCcJI da Carreirinha, S, Bento Angra do Heroísmo 2,83
2035 EB1ºCcJI do Raminho, Raminho, Angra do Heroísmo Angra do Heroísmo 2,81
2104 EB1ºC da Calheta do Nesquim, Calheta do Nesquim Lajes do Pico 2,8
2115 EB1ºCcJI das Lajes do Pico, Lajes do Pico Lajes do Pico 2,8
2141 EB1ºCcJI Marquês Jácome Correia, Rosário Lagoa  2,79
2154 EBIcJI dos Biscoitos Angra do Heroísmo 2,79
2156 EB1ºCcJI da Beira, Velas Velas 2,79
2193 EB1ºCcJI do Aeroporto, Vila do Porto Vila do Porto 2,78
2199 EB1ºCcJI da Algarvia, Algarvia Nordeste 2,78
2371 EB1ºCcJI de Ponta Delgada, Ponta Delgada, Santa Cruz Stª Cruz da Graciosa 2,75
2410 EB1ºCcJI de São José, São José Ponta Delgada 2,74
2432 EB1ºCcJI da Base Aérea n,º 4, Vila das Lajes Praia da Vitória 2,73
2446 EB1ºCcJI Prof, António dos Santos Botelho, São Miguel Vª Franca do Campo 2,73
2532 EB1ºCcJI da Relva, Relva Ponta Delgada 2,71
2533 EB1ºCcJI do Porto Martins, Porto Martins Praia da Vitória 2,71
2533 EB1ºCcJI do Porto Martins, Porto Martins Praia da Vitória 2,71
2556 EBIcJI Francisco Ornelas da Câmara Praia da Vitória 2,7
2579 EB1ºCcJI do Cantinho, S, Mateus da Calheta Angra do Heroísmo 2,7
2580 EB1ºCcJI do Faial da Terra, Faial da Terra Povoação 2,7
2657 EBIcES Tomás de Borba Angra do Heroísmo 2,69
2669 EB1ºCcJI Dr, José Pereira Botelho, Santa Cruz Lagoa  2,68
2683 EB1ºCcJI dos Foros, Conceição Ribeira Grande 2,68
2752 EB1ºCcJI da Ribeirinha, Ribeirinha Angra do Heroísmo 2,67
2760 EB1ºCcJI da Praia do Almoxarife, Praia do Almoxarife Horta 2,67
2761 EB1ºCcJI de São João, São João Lajes do Pico 2,67
2783 EB1ºCcJI de Santa Bárbara, Santa Bárbara Ribeira Grande 2,66
2797 EB1ºCcJI Prof, António A Mota Frazão, Pico da Pedra Ribeira Grande 2,65
2943 EB1ºCcJI de Vila do Porto, Vila do Porto Vila do Porto 2,62
2991 EB1ºCcJI de São Pedro, São Pedro Ponta Delgada 2,61
3053 EBIcES de São Roque do Pico São Roque do Pico 2,6
3092 EB1ºCcJI da Covoada, Covoada Ponta Delgada 2,58
3117 EB1ºCcJI da Fonte Bastardo, Fonte Bastardo Praia da Vitória 2,58
3156 EB1ºCcJI da Matriz, Matriz Ribeira Grande 2,57
3197 EBIcES Cardeal Costa Nunes Madalena 2,56
3248 EBIcJI das Furnas Povoação 2,54
3260 EB1ºCcJI da Calheta, Calheta Calheta (R,A,A,) 2,53
3316 EB1ºCcJI da Conceição, Conceição Ribeira Grande 2,5
3342 EBIcES Padre Maurício de Freitas Santa Cruz das Flores 2,5
3342 EBIcES Padre Maurício de Freitas Santa Cruz das Flores 2,5
3410 EB1ºCcJI dos Altares, Altares, Angra do Heroísmo Angra do Heroísmo 2,5
3419 EB1ºCcJI D, António de Sousa Braga, St, Espírito Vila do Porto 2,5
3421 EB1ºCcJI das Bandeiras, Bandeiras Madalena 2,5
3441 EB1ºCcJI Manuel Inácio de Melo, Salga Nordeste 2,5
3496 EB1ºCcJI do Livramento, Livramento Ponta Delgada 2,48
3530 EB1ºC da Urzelina, Urzelina Velas 2,47
3544 EB1ºC Dr, Carlos Bettencourt Leça, Ginetes Ponta Delgada 2,47
3560 EB1ºCcJI da Vila da Praia S, Mateus Stª Cruz da Graciosa 2,46
3588 EB1ºC com Pré-Escolar da Ponta Delgada São Vicente 2,45
3617 EB1ºCcJI Prof, Octávio Gomes Filipe, Rosário Lagoa  2,44
3687 EB1ºCcJI do Pico da Urze, S, Pedro Angra do Heroísmo 2,42
3720 EB1ºCcJI da Vila de Capelas, Vila de Capelas Ponta Delgada 2,4
3721 EB1ºCcJI de Santo António, Santo António Ponta Delgada 2,4
3724 EB1ºCcJI do Nordeste, Nordeste Nordeste 2,4
3741 EB1ºCcJI Francisco José Medeiros, Fenais da Luz Ponta Delgada 2,4
3742 EB1ºCcJI de Casa da Ribeira, Santa Cruz Praia da Vitória 2,4
3751 EB1ºCcJI Pd, Manuel Ernesto Ferreira, São Pedro Vª Franca do Campo 2,39
3760 EB1ºCcJI Prof, Amâncio da C, Leite, Lomba da Maia Ribeira Grande 2,39
3778 EB1ºCcJI Pd, Dr, L, da C, Moniz de Sá, Porto Formoso Ribeira Grande 2,38
3796 EB1ºCcJI Pd, Lino Vieira Fagundes, Vila das Lajes Praia da Vitória 2,38
3798 EB1ºCcJI de Santa Bárbara, Santa Bárbara Ponta Delgada 2,38
3804 EB1ºCcJI de Santa Rita, Santa Cruz Praia da Vitória 2,38
3822 EB1ºCcJI Infante D, Henrique, Sé Angra do Heroísmo 2,37
3826 EB1ºCcJI da Matriz, S, Sebastião Ponta Delgada 2,37
3830 EB1ºCcJI de Santo Amaro, Ribeirinha Angra do Heroísmo 2,36
3863 EB1ºCcJI de São Vicente Ferreira, São Vicente Ferreira Ponta Delgada 2,35
3885 EB1ºCcJI Tavares Canário, Santa Cruz Lagoa  2,34
3887 EB1ºCcJI da Lagoa, Rosário Lagoa  2,34
3897 EB1ºCcJI de S, João de Deus, Santa Luzia Angra do Heroísmo 2,33
3898 EB1ºCcJI de Castelo Branco, Castelo Branco Horta 2,33
3911 EB1ºCcJI de S, Mateus da Calheta, S, Mateus da Calheta Angra do Heroísmo 2,33
3912 EB1ºCcJI da Agualva, Agualva Praia da Vitória 2,33
3920 EB1ºCcJI da Candelária, Candelária Ponta Delgada 2,33
3921 EB1ºCcJI da Almagreira, Almagreira Vila do Porto 2,33
3944 EB1ºCcJI dos Milagres, Arrifes Ponta Delgada 2,32
3978 EB1ºCcJI Pd, António Nunes, Remédios Ponta Delgada 2,31
4014 EB1ºCcJI Prof, Dr, A, Linhares Furtado, Fajã de Baixo Ponta Delgada 2,29
4045 EB1ºCcJI Pd, José Gomes Pereira, Feteiras Ponta Delgada 2,28
4057 EB1ºCcJI do Posto Santo, Posto Santo Angra do Heroísmo 2,27
4072 EB1ºCcJI Mon, João Maurício Amaral Ferreira, Povoação Povoação 2,25
4087 EB1ºCcJI João Francisco Cabral, Ajuda da Bretanha Ponta Delgada 2,25
4109 EB1ºCcJI de São Brás, São Brás Ribeira Grande 2,25
4114 EB1ºCcJI das Cinco Ribeiras, Cinco Ribeiras Angra do Heroísmo 2,25
4129 EBIcJI de Ponta Garça Vª Franca do Campo 2,24
4133 EB1ºCcJI de Santa Cruz, Santa Cruz Stª Cruz da Graciosa 2,24
4134 EB1ºCcJI Lomba da Fazenda, Lomba da Fazenda Nordeste 2,24
4151 EB1ºCcJI Cecília Meireles, Fajã de Cima Ponta Delgada 2,23
4155 EB1ºCcJI Prof, Teotónio M, de Andrade, Ribeira Seca Vª Franca do Campo 2,22
4173 EB1ºCcJI Francisco Medeiros Garoupa, Água d’Alto Vª Franca do Campo 2,21
4182 EBIcJI de Vila do Topo Calheta (R,A,A,) 2,2
4186 EB1ºCcJI das Doze Ribeiras e Serreta Angra do Heroísmo 2,2
4198 EB1ºCcJI da Vila Nova, Vila Nova Praia da Vitória 2,19
4207 EB1ºCcJI da Ribeira do Meio, Lajes do Pico Lajes do Pico 2,19
4209 EB1ºCcJI Prof, Manuel Francisco Correia, Achadinha Nordeste 2,19
4231 EB1ºCcJI Comendador Ângelo José Dias, Mosteiros Ponta Delgada 2,17
4235 EB1ºCcJI de Fenais da Ajuda, Fenais da Ajuda Ribeira Grande 2,17
4236 EB1ºCcJI José Furtado Leite, Água Retorta Povoação 2,17
4267 EB1ºCcJI de São Roque, São Roque Ponta Delgada 2,15
4270 EB1ºCcJI da Ribeirinha, Ribeirinha Ribeira Grande 2,14
4287 EB1ºCcJI Prof, Maximino F, Rocha, Terra Chã Angra do Heroísmo 2,13
4288 EB1ºCcJI da Vista Alegre, Matriz e Conceição Horta 2,13
4325 EB1ºCcJI de São Bartolomeu dos Regatos, São Bartolomeu Angra do Heroísmo 2,1
4326 EB1ºCcJI Pd, José Cabral Lindo, Sete Cidades Ponta Delgada 2,1
4336 EB1ºCcJI de Santa Luzia, Santa Cruz Praia da Vitória 2,1
4342 EB1ºCcJI de Santa Bárbara, Santa Bárbara Angra do Heroísmo 2,09
4344 EB1ºCcJI Madre Teresa da Anunciada, Ribeira Seca Ribeira Grande 2,09
4354 EB1ºCcJI da Luz, Luz Stª Cruz da Graciosa 2,08
4361 EBI de Água de Pau Lagoa  2,07
4368 EB1ºCcJI António Medeiros Frazão, Calhetas Ribeira Grande 2,06
4371 EB1ºCcJI da Lomba do Loução, N, Sr,ª dos Remédios Povoação 2,06
4375 EB1ºe2ºCcJI das Lajes das Flores Lajes das Flores 2,05
4378 EB1ºCcJI da Ribeira Quente, Ribeira Quente Povoação 2,05
4388 EB1ºCcJI da Aldeia Nova, Vila das Lajes Praia da Vitória 2,04
4392 EB1ºCcJI António Tavares Torres, Rabo de Peixe Ribeira Grande 2,01
4408 EB1ºCcJI da Feteira, Feteira Horta 2
4415 EB1ºCcJI da Criação Velha, Criação Velha Madalena 2
4428 EB1ºCcJI de S, Brás, S, Brás Praia da Vitória 2
4469 EBI Mouzinho da Silveira, Vila do Corvo Corvo 2
4482 EB1ºCcJI Prof, Manuel Jacinto da Ponte, Maia Ribeira Grande 1,98
4483 EBIcJI da Vila de Rabo de Peixe Ribeira Grande 1,98
4488 EB1ºCcJI do Guadalupe, Guadalupe Stª Cruz da Graciosa 1,94
4492 EB1ºCcJI dos Flamengos, Flamengos Horta 1,93
4494 EB1ºCcJI D, Paulo José Tavares, Rabo de Peixe Ribeira Grande 1,93
4510 EB1ºCcJI da Lomba do Botão, Povoação Povoação 1,9
4516 EB1ºCcJI Dr, Francisco M, de Faria e Maia, Cabouco Lagoa  1,89
4525 EB1ºCcJI da Silveira, Lajes do Pico Lajes do Pico 1,83
4537 EB1ºCcJI de S, Pedro, São Pedro Vila do Porto 1,8
4539 EB1ºC de São Mateus, São Mateus Madalena 1,8
4577 EB1ºCcJI de Fenais da Luz, Fenais da Luz Ponta Delgada 1,57
4590 EB1ºCcJI Beato João Baptista Machado, Ribeirinha Angra do Heroísmo 1,5
4593 EB1ºCcJI Manuel A, de Vasconcelos, Pilar da Bretanha Ponta Delgada 1,5

Região poupa milhões com ensaios clínicos

cristinaCristina Fraga é médica especialista em Hematologia clínica, possui a competência de Gestão de Unidades de Saúde e dirige o Serviço de Hematologia do Hospital do Divino Espírito Santo. Natural de S. José, em Ponta Delgada, estudou na Universidade de Lisboa e especializou-se no Hospital geral de Santo Antônio, no Porto.
Decidida a voltar para a sua terra depois de tirar o curso, regressou em 2001 por um breve período e após a conclusão da especialidade, em 2006, assentou arraiais.
Não veio sozinha: tinha entretanto casado com um colega de curso, o médico Mário Freitas, e constituíram família em Ponta Delgada.
Mas um dos segredos de Cristina Fraga é que ela é um dos únicos 7 “board-advisors” que a empresa Genzyme/ Sanofi tem no mundo para acompanhar e validar cientificamente a introdução no mercado do medicamento Eliglustat, que se destina à Doença de Gaucher.
Essa validação passa pela utilização do medicamento antes de ser lançado no mercado através de ensaios feitos em pacientes seleccionados.Por conseguinte, ela é coordenadora desses ensaios nos Açores – aliás, é a coordenadora nacional do projecto.
Nos Açores existem 5 pacientes de Gaucher, 4 em S. Miguel e 1 na Terceira. A doença, que é raríssima, caracterizase por o paciente apresentar mutação num gene que tem a “receita” da enzima chamada glicocerebrosidase, que digere um certo tipo de gordura, o glicocerebrosídeo.
Nestes pacientes com Doença de Gaucher, como a enzima não funciona, essa gordura não é digerida dentro do lisossoma, e acumula-se progressivamente nas células, os macrófagos.
As células de Gaucher acumulam-se principalmente no fígado, no baço e medula óssea, enfraquecendo inclusivé os ossos.
Estes pacientes apresentam cansaço fácil, fraqueza devido à anemia, hemorragias por terem as plaquetas baixas, equimoses (nodoas negras) e hematomas, muitas dores ósseas e dor abdominal por apresentarem o baço e o fígado muito aumentados Mas para além da óbvia contrapartida humanística e científica, a componente económica é avassaladora: o tratamento custa à Região cerca de 500 mil euros por ano por doente. O que, no caso dos doentes açorianos, representa um custo de 2,5 milhões de euros por ano.
Mas esse é um valor que, graças a este estudo, a Região irá poupar até ao ano de 2015 e depois até à comercialização do medicamento.
É que enquanto o ensaio decorre, os doentes não pagam nada.
O ensaio, que já está na fase III, visa substituir o actual método da aplicação endovenosa para simples comprimidos, o que representa um avanço importante no tratamento da doença.
Os pacientes estão cobertos, não apenas no medicamento, como também em todos os exames de diagnóstico e acompanhamento e outros custos – como nas despesas de deslocação do paciente terceirence.
É um pleno: desde 2011, quando o estudo começou, até 2015, quando deverá terminar, o hospital poderá poupar até 12,5 milhões de euros, o que é uma espécie de fortuna.
Cristina Fraga acha que este tipo de parcerias poderia ser repetida para muitos outros tratamentos. “Dadas as condições específicas das ilhas, elas são autênticos laboratórios que podem ser utilizados de forma superior pela sociedade científica internacional”, diz.
A ideia não é nova.
Há muitos anos que esse potencial é reconhecido, por especialistas locais e estrangeiros. Aliás, os Açores têm essa característica de interesse científico internacional a vários outros níveis, e este é um conceito aceite em áreas que vão da sociologia à climatologia e vulcanologia.
Mesmo ao nível da medicina, decorrem neste momento outros ensaios clínicos, no mesmo Serviço de Hematologia, em várias outras doenças como o Mieloma múltiplo, a Leucemia linfocitica crónica, o Linfoma não hodgkin. E estão a decorrer estudos observacionais com doentes com Hemofilia, Mieloma múltiplo, Tr o m b o c i t o p e n i a imune.
Segundo Cristina Fraga, poder-se-ia fazer ainda mais, por exemplo noutras doenças raras, embora reconheça que “existem constrangimentos, nomeadamente a falta de recursos humanos, fundamentais para o acompanhamento destes estudos”.
Todos estes estudos e ensaios trazem mais valias aos doentes, porque estão sob um intenso acompanhamento e beneficiam da utilização dos mais modernos medicamentos, e também ao hospital, especialmente ao nível financeiro.
Mas o maior impacto é de longe na doença de Gaucher. Muito recentemente, estimouse que o custo que é neste momento evitado com este estudo poderá representar cerca de 20% do total de despesa da farmácia do HDES, o que não é de modo algum negligenciável.
Para os que falam em investimentos em I&D (Investigação & Desenvolvimento), suportados por verbas públicas mas com resultados imprevisíveis mas de difícil sucesso, os ensaios com a doença de Gaucher parecem demonstrar o contrário: que com um investimento residual, a Região tem capacidade para começar já a facturar.
Neste caso, aparentemente bastou apenas apostar nos recursos existentes...
 

“Renda” da Scut atinge 25 M€ em 2014, com aumento de 31% em relação a 2013

scutA “renda” pela Scut do Nordeste no ano de 2014 será a maior até ao momento, com um total de 25 milhões de euros projectados na proposta de Plano como  “Rendas da concessão rodoviária e Assistência técnica e jurídica” (que é a mesma terminologia utilizada no Plano de 2013). Trata-se de um aumento de 31% em relação à “renda” do corrente ano.
Como já acontece desde 2012, quando essa “renda” começou a ser paga, a Scut representa mais de 99% do total da rúbrica de “Construção de estradas regionais”. O remanescente em 2014 será de 225 mil euros (94 mil em 2013 e 194 mil em 2012). Como medida de comparação, considere-se que em 2011 a verba dessa rúbrica tinha sido de 2,1 milhões de euros, 5,9 milhões em 2010 e 7,6 em 2009. Por outras palavras, não haverá qualquer construção de monta ao nível das estradas regionais nesta rúbrica – e será assim pelo 3º ano consecutivo.
Em relação à “Reabilitação de estradas regionais”, os cortes são significativos. De médias acima dos 12 milhões de euros antes de 2012, em 2013 passou-se para apenas 6,3 milhões de euros, e será de 6,6 milhões em 2014.
Por outro lado, juntando estas duas rúbricas, há um aumento significativo da factura a pagar. De 15,7 milhões de euros em 2011, o seu custo saltou para 35,4 milhões em 2012. No ano de 2013 baixou para 25,5 milhões, graças à quebra para metade da “reabilitação de estradas regionais”, mas em 2014 atingirá os  os 31,9 milhões de euros.
Ou seja, trata-se de um aumento de 74% em relação à média dos anos de 2009 a 2011, quando ainda não havia Scut. Faltam mais 27 anos para a obra ficar paga…

quadro scuts

Número de desempregados passa pela 1ª vez a barreira dos 21 mil...

desemprego2O número de desempregados nos Açores ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 21 mil, o que resultou numa taxa de desemprego de 17,6%, que no 3º trimestre do ano foi superior à média nacional, que baixou para os 15,6%, sendo a segunda pior por regiões, ficando apenas abaixo dos 17,9% de Lisboa.
Trata-se de um aumento de 13% em relação ao 2º trimestre de 2013, e de 15,8% em relação ao trimestre homólogo.
O número de empregos aumentou 0,8% em relação ao 2º trimestre, mas baixou 2% em relação ao período homólogo. Na verdade, o número de empregos neste momento é um dos mais baixos da década: é o 4º pior desde 2003 (40 semestres), remetendo o emprego para níveis de 2001. O problema é que naquela altura a população activa era de apenas 105 mil pessoas, enquanto que neste momento atingiu os 121.899, que é o mais elevado de sempre: o número de activos aumentou 2,7% em relação ao 2º trimestre, embora apenas 0,75% em relação do período homólogo.
O mais curioso, no entanto, acabou por ser as reacções oficiais. A nota do GACS tem o título de “Aumento da população ativa supera o crescimento do emprego, afirma Sérgio Ávila”.
A nota refere que “o aumento da população empregada foi acompanhado, no último trimestre, por um crescimento muito acentuado dos açorianos que passaram a demonstrar intenção de entrar no mercado de trabalho”. E Sérgio Ávila refere que “é esta a razão da taxa de desemprego nos Açores ser superior à nacional, o que não significa um menor dinamismo económico regional relativamente ao resto do país, muito pelo contrário. “Está associada, sim, a um aumento da população ativa, ou seja, com mais pessoas a chegarem ao mercado de trabalho”,  acrescentando que “se a população ativa se tivesse mantido no último trimestre, a taxa de desemprego nos Açores teria descido para 14,5%”...
Pois teria, mas só em teoria, porque se o número de desempregados fosse calculado com base na população activa do 2º trimestre, o valor seria de 15,5%, e não de 14,5%, como refere o Vice. E se fosse com base no valor do trimestre homólogo, ol valor seria de 17%.
A questão é que raramente estes valores podem ser encarados assim, pois o conceito de desemprego está intimamente ligado ao valor da população activa existente no mesmo momento.
Mas apesar disso, a posição oficial também foi repetida pela deputada do PS, Graça Silva, que era uma das mais conhecidas sindicalistas dos Açores.  “Os dados hoje divulgados pelo INE registaram pelo segundo semestre consecutivo um aumento da população empregada nos Açores”, e realça o “aumento muito acentuado da intenção dos açorianos, mais 3.252 pessoas, de ingressarem no mercado de trabalho, nos últimos três meses”. E voltou a assinalar “o facto de a Região registar o valor mais alto de sempre de população ativa no arquipélago, 121.899 pessoas”.
Poderá ser outro lapso de língua, mas não há um “um aumento da população empregada por um segundo semestre consecutivo”, mas apenas 1. E a verdade é que do 3º para o 2º trimestre, o crescimento foi muito inferior ao verificado entre o 2º e o 1º trimestre.


Construção civil diz que “há redução de investimento público em obra nos Açores”

construção civilOs empresários da construção civil dos Açores dizem que há uma redução de 1,90% no investimento público regional “quando traduzido em obra”, embora haja, de “forma genérica, um aumento do total”.
Segundo a agência Lusa, a redução é apontada no parecer da Associação dos Industriais de Construção e Obras Públicas dos Açores (AICOPA) sobre a ante-proposta de plano de investimentos para 2014, apresentada pelo Governo Regional aos parceiros sociais no final de setembro.
“Embora de forma genérica tenha havido um aumento total do investimento público de 2013 para 2014, não podemos deixar de referir que quando traduzido para obra, verifica-se uma redução de 1,90% de investimento para o próximo ano”, lê-se no documento.
A AICOPA destaca que se somada a redução de 1,90% para 2014 à verificada de 2012 para 2013, que foi de 9,38%, há um decréscimo de investimento de 11,1%.
“Não podemos deixar de realçar que devido a esta redução será vital que a execução desse mesmo investimento seja consumado durante 2014. Como exemplo e como já referimos anteriormente, sugerimos que o valor conquistado de 8 milhões a mais ao abrigo do novo quadro comunitário de apoio [2014-2020] seja traduzido em trabalho para o nosso sector”, defende a AICOPA.
A associação diz que o sector “terá de estabilizar” para entrar “no sentido da recuperação e do crescimento, o que apenas será concretizável através de uma correcta política de investimento”.
No que concerne às políticas sectoriais do Plano para 2014, a AICOPA revela “alguma apreensão com o tempo de negociação” dos programas FEDER E FSE, uma vez que se podem “atrasar alguns investimentos”, o que seria um “rude golpe para um sector já tão flagelado pela actual conjuntura”.
A associação defende que medidas como as de requalificação urbana contempladas no Plano para 2014 e outras “mais incisivas, impõem-se”.
A AICOPA conclui que a Carta Regional de Obras Públicas “será fundamental para a manutenção do sector da construção” nos Açores.
Já a Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores (AMRAA), no seu parecer sobre a ante-proposta de Plano para 2014, considera que o documento “contém todos os elementos de uma política voltada para a dinamização económica e de um esforço de coesão social”.
“Consideramos esta opção extremamente relevante na actual conjuntura, o que contraria, e bem, de forma inequívoca, a lógica da austeridade empreendida pelo Estado e que não tem produzido quaisquer resultados positivos”, lê-se no parecer da AMRAA.
A AMRAA deixa, no entanto, a sugestão de que o Conselho Regional de Concertação Estratégica seja dotado de ferramentas que permitam “avaliar o real impacto das políticas que se pretendem implementadas e a exequibilidade da actual proposta”.
O Plano e Orçamento dos Açores será debatido e votado no parlamento açoriano no final do mês.