Mais 326 açorianos no Rendimento Social de Inserção em apenas um mês

pessoas em Ponta Delgada1De Janeiro para Fevereiro deste ano o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) - antigo Rendimento Mínimo Garantido - aumentou de 18.748 para 19.074, um crescimento de 326 beneficiários.

De acordo com os últimos dados da Segurança Social, a que tivemos acesso, trata-se de um aumento de 424 beneficiários se compararmos com o mesmo mês do ano passado.

Com efeito, em Fevereiro do ano passado estavam registados 18.650 beneficiários.

Em termos de famílias, são mais 88 em apenas num mês e mais 266 no período homólogo.

Em Janeiro deste ano estavam inscritas 6.553 famílias, aumentando em Fevereiro para 6.641.

Em Fevereiro do ano passado eram 6.375 famílias.

O valor médio processado de prestação de RSI por beneficiário foi, em Fevereiro deste ano, de 84,55 euros, mais 1,97 euros do que em igual período do ano passado.

Nas famílias, o valor processado em Fevereiro último foi de 279,35 euros, em média, mais 3,82 euros do que em período homólogo.

Recorde-se que o valor do RSI aumentou este ano, tendo a portaria que actualiza o valor de referência sido publicada no mês passado no Diário da República.

A prestação já está a ser paga com os aumentos previstos. 

Este ano, o valor de referência sobe de 183,84 para 186,68 euros. 

O novo valor tem efeitos a 1 de Janeiro, de acordo com a portaria publicada. Porém, o montante que é efectivamente pago aos beneficiários varia consoante a dimensão do agregado familiar e os seus rendimentos, apurados com regras próprias. 

Logo à partida, o acesso à prestação depende do valor do património mobiliário (como depósitos bancários, acções ou certificados de aforro), não ultrapassar cerca de 25,7 mil euros (o correspondente a 60 Indexantes dos Apoios Sociais em 2018).

Para calcular o valor a pagar, a prestação contabiliza 100% do valor de referência no caso do primeiro adulto, 70% para os restantes adultos e 50% quando estão em causa menores. 

  Se o agregado familiar tiver rendimentos, o valor da prestação é ajustado. 

Corresponde então à diferença entre o montante do RSI a atribuir em função da dimensão do agregado e os rendimentos (que têm regras próprias de cálculo). Ganhos superiores eliminam o direito a RSI.

Pesca já rendeu mais meio milhão de euros do que no ano passado

pescadoresO valor da pesca descarregada nos portos dos Açores já rendeu mais meio milhão de euros nos dois primeiros meses deste ano, quando comparado com igual período do ano passado.

Janeiro e Fevereiro deste ano renderam exactamente 3,2 milhões de euros, enquanto que nos mesmos meses do ano passado tinham sido 2,7 milhões.

De acordo com os dados a que o “Diário dos Açores” teve acesso, estes valores correspondem, também, a um aumento da quantidade da pesca descarregada.

Nos dois meses do ano passado tinham sido descarregadas 476 toneladas de pescado, quando no mesmo período deste ano já ultrapassou para as 632 toneladas.

Trata-se de um aumento de 15% relativamente aos últimos doze meses e um crescimento de 34% relativamente aos últimos três meses.

Flores e Corvo são as únicas duas ilhas que registam um decréscimo de pesca nos dois primeiros meses deste ano, enquanto todas as outras ilhas registam aumentos, com destaque para a ilha do Pico , que passou de 27 toneladas nos dois primeiros meses do ano passado para 62 toneladas este ano.

O preço dos demersais subiu nestes dois meses quase 12%, passando em fevereiro de 5,20 euros (média) no ano passado para 6,29 euros este ano.

Os pelágicos baixaram o preço médio em 1,7%, os atuns também tiveram uma queda de 27,5%, os moluscos subiram 11% e os crustáceos baixaram 1,2%.

 

 

Açores é a terceira região com mais chamadas para o ‘SOS-Criança’ por causa da pedofilia

abuso sexual menorEm 2017, o SOS-Criança recebeu uma média de 116 apelos por mês, a maioria feita por adultos (1.318), principalmente a mãe (151), o vizinho (123), o pai (71), os avós (71) e a comunidade (92). 

A maioria dos apelantes residia no distrito de Lisboa (26%), no do Porto (20%) e dos Açores (8%), referem dados daquela instituição.

O “principal objectivo” dos pedidos foi “falar com alguém”. 

Do total dos apelos, verificou-se o envolvimento de 874 crianças e 776 infractores, 81% dos quais era familiar da vítima. 

Em 376 situações, o agressor foi a mãe e em 188 o pai. 

“A família deve ser o local mais seguro que a criança tem e por vezes é lá que corre os maiores perigos”, lamenta Manuel Coutinho, coordenador do serviço SOS-Criança e secretário-geral do IAC (Instituto de Apoio à Criança).

Em 26% dos casos as crianças viviam em famílias tradicionais, em 25% em famílias monoparentais, 14% em famílias reconstituídas e 8% em famílias alargadas. 

Um terço das situações referia-se a crianças até aos seis anos, enquanto 15% respeitava a menores com idades entre os 11 e os 13 anos e 17% eram adolescentes com idades entre os 14 e os 18 anos de idade. 

Para evitar que “uma situação de risco não se torne uma situação de perigo”, Manuel Coutinho apelou para as pessoas contactarem o SOS-Criança (116 111). 

“Actuar na emergência é sempre muito mais difícil do que actuar na prevenção e a criança merece que as pessoas apresentem as situações quando se começa a desenhar qualquer situação de risco ou negligência”, frisou. 

Para Manuel Coutinho, tem “sido essencial” a aposta na prevenção, “o que nem sempre impede de esporadicamente acontecerem situações graves que surpreendem tudo e todos”. Comentando o aumento dos casos de pedofilia, mas também as situações de abuso sexual, três situações encaminhadas em 2017 para o Ministério Público, disse que, apesar de muitas situações terem por base as redes sociais, a maioria ocorre em “contexto intrafamiliar” e “quase sempre” cometida por “pessoas muito próximas da criança”. 

São pessoas que “conseguem cativar e conquistar a confiança da criança” e posteriormente silenciam-na através de ameaças.

Por outro lado, as redes sociais também escondem perigos aos quais os pais têm de estar atentos. 

“As redes sociais podem ter muitas aspectos positivos, mas também têm partes menos boas” relacionadas com “homens ou mulheres com menos escrúpulos” que tentam aproximar-se de crianças, para as aliciar para práticas de pedofilia. 

Para Manuel Coutinho, a comunidade tem de estar atenta e “os pais têm que saber claramente o que os filhos andam a fazer nas redes sociais”. “As crianças correm por vezes menos perigos quando estão a brincar sozinhas nas ruas do que quando estão sozinhas nos seus quartos nas redes sociais”, alertou.

Em termos gerais, os casos de crianças em risco que chegam à Linha SOS-Criança diminuíram 10% em 2017, ano em que aumentaram as denúncias de pedofilia, segundo dados do Instituto do Apoio à Criança (IAC). 

A Linha SOS-Criança recebeu 1.841 chamadas em 2017, menos 640 face ao ano anterior. Um terço dos casos envolvia crianças até aos seis anos, sendo a “criança em risco” (70 situações), a “negligência” (62) e os “maus tratos físicos na família” (70) as problemáticas mais denunciadas.

Perto de 600 alojamentos familiares vendidos por mais de 44 milhões de euros

ponta delgada1Nunca se vendeu nos Açores tantos alojamentos familiares como no último ano, prosseguindo o ritmo nestes primeiros meses de 2018.

As contas de 2017 ainda não estão fechadas, faltando ao Serviço Regional de Estatística os números do último trimestre do ano passado, mas já é possível constatar que até ao terceiro trimestre foram vendidos 589 alojamentos familiares em todas as ilhas, num total que ultrapassa os 44 milhões de euros.

Só estes números já ultrapassam o fecho do ano de 2016, em que se verificaram 502 transacções, no valor de 42 milhões de euros.

Se recuarmos a 2015, a diferença é ainda maior, onde forma vendidos 440 alojamentos familiares, por 35 milhões de euros.

Recorde-se que o sector do imobiliário nos Açores tem registado os maiores crescimentos do país, devido à enorme procura turística, segundo os responsáveis do sector, nomeadamente com a transformação de moradias em alojamentos locais, umas construídas de novo e outras recuperadas.

 

Bancos dão mais crédito

 

Esta euforia imobiliária também se reflecte a nível nacional.

De facto, os bancos, passada a crise financeira, estão de novo a abrir a torneira do crédito à habitação, como noticia o Dinheiro Vivo, acrescentando que os empréstimos para compra de casa somaram, no ano passado, 8.259 milhões de euros, um crescimento de 327% em relação em 2012, quando bateu um mínimo de 1.935 milhões, na ressaca da austeridade imposta pela troika. 

O crédito multiplicou quatro vezes em apenas cinco anos e atingiu o valor mais alto desde 2010. 

Esta subida explica-se pela recuperação da economia e do emprego, pela baixas taxas de juro e pela valorização dos imóveis, muito à custa da procura de estrangeiros, à boleia do turismo e dos vistos Gold. 

No mesmo período - adianta o jornal - o crédito ao consumo subiu 110%; os empréstimos às empresas caíram 36,7%, de acordo com o Gabinete de Estratégia e Estudos, do Ministério da Economia. 

“É preciso desmistificar” estes dados. Em 2012 tínhamos um país intervencionado, não havia crédito”, explica Luís Lima, presidente da APEMIP, a associação das empresas de mediação imobiliária. 

O volume dos empréstimos para a compra de habitação “não significa uma recuperação”, na medida em que os montantes emprestados estão ainda muito longe dos valores anteriores à crise. “Está-se a partir de uma base muito baixa”, sublinhou. 

Em 2007, a banca emprestou 19.630 milhões de euros para a compra de casa. 

 

Bolha imobiliária?

 

Aquele dirigente não vê qualquer sinal para alarmismos, nem o perigo de uma bolha imobiliária.

 “O crédito que se está a conceder hoje não é crédito fácil”, actualmente os bancos “já não emprestam 100% do valor da casa, as avaliações são restritivas, os compradores têm que ter 20% a 30% do montante para o sinal”. 

Luís Lima admite que haja “o receio que se cometa os erros do passado”, mas “os bancos estão a cumprir todos os requisitos”. 

O Banco de Portugal tem-se mostrado preocupado com o ritmo acelerado da nova concessão de crédito, alertando para o risco de algum facilitismo pelos bancos. 

 

Banco de Portugal preocupado

 

A instituição liderada por Carlos Costa chamou já a atenção para os efeitos negativos do elevado endividamento dos particulares, sobretudo num contexto em que os juros venham a aumentar. 

Teme um agravamento do malparado. 

O aumento do crédito concedido, e a subida dos preços na avaliação bancária, que em Dezembro atingiu 1150 euros o metro quadrado, o valor mais alto desde junho de 2011, está, na verdade, a provocar um agravamento do capital em dívida – no fim do ano passado, os portugueses deviam, em média, aos bancos 51 690 euros de crédito à habitação; em Abril de 2017, o valor em dívida tinha registado um mínimo de 51 512 euros. 

O crescimento dos empréstimos justifica-se tanto pelo aumento do número de operações, como do valor de cada empréstimo, diz o GEE. Luís de Lima considera que é a classe média que está por detrás do aumento da procura de crédito, uma vez que os portugueses não têm outra alternativa que não seja a compra de casa própria. 

O mercado do arrendamento é muito limitado e os preços não são sustentáveis. E lembra que os estrangeiros não compram com recurso a crédito: “Os investimentos estrangeiros têm por base capitais próprios”.

 

Investimento imobiliário aumenta em todo o lado

 

O investimento imobiliário global aumentou 13,2% em 2017 para 1,6 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros), segundo um relatório da Cushman & Wakefield divulgado  segunda-feira. 

A consultora estima no seu “Global Investment Atlas 2018” que em 2018 se atinja um novo crescimento.

O investimento na Europa aumentou 7%, garantindo um aumento da quota de mercado para os 20%, com os países europeus a garantirem uma presença “relevante” no top das preferências dos investidores, com o Reino Unido, a Alemanha e Espanha a ocuparem os lugares principais no ‘ranking’.

Portugal garantiu a 25º posição em termos de volume total de investimento, de 2,1 mil milhões transaccionados, o que representou um crescimento de 61% face ao ano anterior. 

Os Estados Unidos mantiveram-se como o país com maior volume de investimento imobiliário, mas considerando o investimento em projectos de promoção, a China lidera o ‘ranking’.

No ‘ranking’ das cidades, a consultora destaca que Londres se tenha mantido como a cidade mais procurada pelos investidores estrangeiros, conseguindo ultrapassar os efeitos negativos do Brexit. 

Madrid, por sua vez, registou uma subida surpreendente, passando do 45º lugar do ranking para o segundo. 

Nova Iorque, por sua vez, tradicionalmente no “Top 3” do ‘ranking’, passou para o sexto lugar em termos de preferências de investidores estrangeiros. 

Os sectores tradicionalmente mais procurados pelos investidores, escritórios e retalho, segundo a consultora, perderam quota de mercado, com os activos industriais e os terrenos para promoção a registarem maior crescimento.

“A Europa deve crescer a dois ritmos, com os países da Europa Central e de Leste a perspectivar um crescimento de 14,5%. 

Os mercados emergentes vão estar na mira dos investidores, com a Índia, Tailândia, Vietname, Filipinas, China, Rússia e Brasil a liderarem as preferências. 

As cidades de Lisboa e do Porto também devem receber atenção reforçada por parte do capital estrangeiro, particularmente no sector de escritórios em Lisboa e de logística no Grande Porto”, sinaliza.

Os sectores de escritórios e de logística contam com maior potencial de procura, bem como os formatos alternativos: activos hoteleiros, residências de estudantes, residências sénior, data centers, habitação para arrendamento ou parques de estacionamento.

“Os Açores têm produtos excelentes e podem chegar, brevemente, à estrela Michelin”

chef cordeiroO Botequim Açoriano, restaurante de comida açoriana em Rabo de Peixe, está a comemorar o seu segundo aniversário com um novo projecto gastronómico, trazendo chefs de renome em Portugal, desafiando-os a conhecer a realidade regional, os produtos açorianos, saberes e sabores, para que, pegando no melhor que se tem nos Açores, possam criar novos pratos, novos conceitos, de maneira a credibilizar e internacionalizar, com o seu prestígio, a gastronomia açoriana. 

O proprietário do restaurante, o jovem Ruben Correia, afirma ao nosso jornal que se trata de uma forte aposta na imagem do estabelecimento, mas também da própria região, trazendo os mais conceituados hefs da cozinha internacional, que confecionam conjuntamente com a chef Dódó, sua mãe, colaboradora deste jornal (receitas nas edições de Somingo, última página).

O projecto teve início no mês passado com o conhecido Chef Chakall, com sala esgotada e grande êxito gastronómico.

Na próxima Quinta-feira, 22 de Março, a degustação vai estar a cargo de outro chef muito conhecido a nível nacional, o chef Cordeiro, ex júri do MasterChef Portugal e vencedor de duas Estrelas Michelin.

O nosso jornal falou com chef Cordeiro. 

 

Quais os produtos que vai usar neste jantar do Botequim Açoriano? Inclui muitos dos Açores?

 Logicamente que irei usar produtos maioritariamente dos Açores. 

Este jantar é uma união de 4 mãos e uma ilha.

A manteiga açoriana, que é a melhor do mundo, será um dos produtos de entrada do menu, não esquecendo o maravilhoso peixe, carne, frutas, etc.

Vou de coração aberto para trabalhar, ajudar a concretizar um jantar que agrade a todos os comensais.

A bandeira dos Açores estará obrigatoriamente presente.

 

Que tipo de pratos está a pensar? Peixe e carne? Entradas e sobremesas?

Ainda estou a decidir os pratos, mas até à última da hora qualquer dos pratos poderá ser alterado.

A constituição do menu começará por um miminho dos Chefes, entrada, peixe, limpa palato, carne e sobremesa.

A pimenta da terra açoriana é obrigatória, o queijo ilha, etc.

A cozinha que adoro é isto. É viver o momento. Viver o produto na hora. Vou levar algumas técnicas novas, mas nem sei sequer se as vou utilizar.

Mesmo que não utilize darei formação sobre as mesmas, de forma a passar conhecimentos.

 

Costuma confeccionar com produtos açorianos? Como os qualifica?

Só compro manteiga dos Açores, por exemplo.

O ananás também compro, dos Açores, e compro regularmente carne.

 

A gastronomia açoriana, ou os produtos dos Açores, podem ajudar a uma cozinha Michelin?

Qualquer tipo de cozinha ou conceito podem ajudar a ganhar estrelas Michelin.

Existe uma ideia muito errada, segundo a qual para se ganhar as estrelas, são precisos mundos e fundos.

Está errado. Aquilo que é necessário são produtos de excelente qualidade e muito bem confeccionados.

Dependendo do conceito e do espaço, depois vai das equipas de trabalho.

É muito importante a regularidade na qualidade e no serviço prestados.

É necessário existir uma continuidade consistente e regular e isso são meses e meses de muito trabalho.

Chegam a passar anos.

As equipas de cozinha e sala são muito importantes.

 

É muito difícil obter a Estrela? Acha que os Açores poderão chegar lá um dia?

É extremamente difícil obter a primeira estrela.

Os inspectores do Guia Michelin são muito exigentes.

É um trabalho diário e de muitas horas.

Tudo tem de ser revisto ao pormenor diariamente.

Não é nada fácil, mas tudo se consegue na vida.

Os Açores têm produtos excelentes em qualidade e tem capacidade para, brevemente, chegar ao óscar da gastronomia.

É necessário vocacionar e unir esforços.

É necessário respirar este tipo de atitude de luta.

É necessário dar as mãos.

É necessária poesia em torno de todos os excelentes produtos.

É necessário não estragar esses produtos, dando-lhe excelentes confecções e melhor apresentação.

É necessário dar o salto dia a dia.

Entrar para o Guia Michelin é entrar para um mundo diferente.

É virar uma ilha completamente para todo o mundo.

É juntar ao nacional, com imensa força, o internacional.

É ganhar um óscar na gastronomia mundial e isso exige muito esforço, sacrifício e dedicação.

 

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