Presidente da República chega hoje e profere conferência

Marcelo - TunaO Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chega hoje a Ponta Delgada e estará presente em dois eventos fora das cerimónias do  Dia de Portugal.

O PR vai encerrar a apresentação do “Retrato dos Açores”, um resumo dos indicadores estatísticos sobre a Região, com informação por ilhas e municípios no contexto do país, da autoria da Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que decorrerá na Universidade dos Açores, na Aula Magna, pelas 18 horas, sendo apresentado por Maria João Valente Rosa, directora da Pordata.

Seguir-se-à um debate, com intervenção de Mário Fortuna, professor da Universidade dos Açores e Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Maria João Valente Rosa e moderação a cargo da jornalista Helena Garrido.

Depois, Marcelo Rebelo de Sousa participa no jantar do Rotary Club de Ponta Delgada, no Hotel Marina Atlântico, onde proferirá, pelas 22 horas, uma conferência sobre “A Ética na construção da paz”. 

 

Vasco Cordeiro espera “pedagogia das autonomias regionais”

 

O Presidente do Governo dos Açores manifestou o desejo de que as comemorações do 10 de Junho, que decorrerão em parte em São Miguel, representem um “bom contributo” para um “mais aprofundado e mais esclarecido” conhecimento da Região. 

“Se essas comemorações contribuírem para um conhecimento mais aprofundado e mais esclarecido aos mais variados níveis da realidade açoriana e das autonomias regionais, julgo que também aí essas comemorações terão dado um bom contributo para esse ser verdadeiramente o Dia de Portugal”, destacou Vasco Cordeiro.

O governante antecipava as comemorações do 10 de Junho, que decorrem parcialmente em Ponta Delgada, antes de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Primeiro-ministro, António Costa, e também Vasco Cordeiro, se deslocarem até aos Estados Unidos da América.

Declarando a “honra” que é o acolhimento das celebrações, Vasco Cordeiro frisou que “comemorar o dia 10 de Junho na Região Autónoma dos Açores não é como comemorar numa qualquer parte do país”, havendo um “significado concreto e preciso” na ocasião.

O chefe do Executivo açoriano lembrou ainda a sua intervenção no Dia da Região de 2017, na qual esteve com o Presidente da República, para reforçar o apelo a uma “pedagogia das autonomias regionais” e da sua importância para o país. 

 

O voto dos emigrantes

 

O Secretário de Estado das Comunidades considerou ontem que o recenseamento automático, em discussão no Parlamento, acabará com “uma desigualdade incompreensível” entre portugueses, pedindo aos emigrantes que votem “para mostrar que valeu a pena”.

“Aproxima-se a data da votação final, na Assembleia da República, do recenseamento automático dos portugueses no estrangeiro. O Governo fez o seu trabalho e provou que é possível concretizar esta importante medida política”, afirma José Luís Carneiro, na tradicional mensagem aos cidadãos portugueses por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que se assinala no próximo domingo.

Caso esta medida venha a ser aprovada pelos deputados, refere, “os portugueses no estrangeiro vão receber uma carta a perguntar se querem ser inscritos nos cadernos de recenseamento eleitoral para poderem votar” e “deixam de ter que deslocar-se aos consulados, muitas vezes centenas de quilómetros, para se recensearem”.

“Iremos pôr um fim a uma desigualdade incompreensível entre os portugueses que vivem em Portugal e os portugueses que vivem no estrangeiro”, considera o governante, que sublinha a importância de os emigrantes “participarem nos futuros actos eleitorais, seja qual for o sentido de voto, para mostrarmos que valeu a pena promover esta importante mudança nas condições de participação cívica e política das comunidades portuguesas”.

“Com tanta coisa em comum, Açores e Cabo Verde deviam estar mais próximos”

presidente da rep cabo verde

Aos 67 anos, Jorge Carlos Fonseca é um Presidente seguro dos progressos do seu país, mas ambicioso quanto às metas para o futuro e crítico na análise a algumas debilidades de Cabo Verde.

Ao mesmo tempo que desvenda indicadores de progresso económico do arquipélago mais a sul da Macaronésia, aponta o dedo à liberdade de imprensa e à igualdade de género como problemas que devem ser encarados e resolvidos.

Fala do turismo com a certeza de que se trata de uma mola fundamental para a economia cabo-verdiana, é elegante mas subliminar no modo como sugere a necessidade de uma maior proximidade entre Açores e Cabo Verde, e determinado quando reforça a certeza de que o seu país é uma democracia de referência em África e no mundo.

Com três anos e meio de mandato por cumprir, o professor universitário que estudou em Portugal, investigou na Alemanha e lecionou em Macau recebe o “Diário dos Açores” no seu gabinete do Palácio Presidencial, no Plateau, a zona alta da cidade da Praia, com uma deslumbrante vista para o Atlântico. Um oceano a unir os extremos da Macaronésia.



Que passos é que, no seu entender, devem ser dados para que Cabo Verde possa crescer cada vez mais, do ponto da vista da sua afirmação internacional?

Sempre entendi que Cabo Verde tem as condições para se tornar, num prazo que não seja muito longo, num país verdadeiramente desenvolvido, sob o ponto de vista económico, político e humano, no sentido mais geral.

Nós conseguimos passar de país menos avançado a país de rendimento médio, o que é uma conquista importante, e que orgulha os cabo-verdianos. Mas creio que, com trabalho, com mais criatividade, com mais imaginação, nós poderemos crescer mais economicamente, ser um país mais justo, mais equilibrado, mais livre e mais democrático.

Para isso temos que acelerar o crescimento económico, para ter um crescimento mais robusto. Temos estado a crescer a taxas muito baixas (de cerca de um por cento), nos últimos dois anos passámos a taxas de aproximadamente quatro por cento, as previsões do governo apontam para um crescimento de 4,5/5,5 por cento para o próximo ano, as previsões do FMI são um pouco menos otimistas, mas precisamos crescer a taxas mais elevadas, de mais de sete por cento ao ano, que são as previsões do atual governo para o fim desta legislatura. 

 

Parece-me uma previsão arrojada...

É muito arrojada, porque, nos últimos dois anos, o crescimento aproximou-se dos quatro por cento e, portanto, para uma média de sete por cento teríamos que crescer muito mais... 

Mas mesmo do ponto de vista político, nós somos uma das democracias de referência no mundo (um dos últimos estudos conhecidos colocam Cabo Verde como a 23ª democracia do mundo), à frente de democracias importantes como a Itália, como a França, como Portugal, como os EUA, e a primeira democracia em África, mas temos alguns aspetos que nos devem merecer uma atenção especial. Refiro-me, por exemplo, às questões de igualdade de género, ao problema da violência baseada no género, que é um fenómeno que tem crescido no país e que deve merecer uma atenção particular, uma luta cerrada. Temos aspetos atinentes aos direitos fundamentais em que não somos propriamente campeões, a situação nas esquadras policiais, nos estabelecimentos prisionais e, de certo modo, também a liberdade de imprensa. Pode parecer estranho, porque nos índices africanos estamos muito bem posicionados, mas penso que temos condições para, a nível da liberdade em geral, mas particularmente da liberdade de imprensa, podermos estar entre os primeiros países a nível mundial. 

Temos condições humanas, temos ambição para nos desenvolvermos muito mais. E para isso o Presidente da República deve ser o principal porta-estandarte, o mais ambicioso dos ambiciosos a nível do país. É isso que tenho procurado ser, e, nos três anos e meio de mandato que me faltam, é uma preocupação que me acompanhará, ser porta-voz dessa ambição nacional.

 

Cooperação turística na Macaronésia deve ser mais aprofundada do que até aqui

 

De Cabo Verde para o mundo: o turismo é, certamente, uma das apostas estratégicas do país, de afirmação do “Cabo Verde do século XXI”. Até que ponto é que esta indústria poderá ser uma verdadeira mola real para a sua evolução económica?

O turismo é, neste momento, um dos setores talvez mais importantes para o desenvolvimento da economia do país, porque representa perto de 25 por cento do PIB de Cabo Verde, se pensarmos apenas nos efeitos diretos na economia. Porque se contabilizarmos os efeitos induzidos, representará perto de 50 por cento. Mas pode representar muito mais. Há perspetivas de que, antes de 2020, possamos atingir um milhão de turistas por ano, quando neste momento temos cerca de 600 mil. E perspetivas ainda mais otimistas dizem-me que poderemos chegar aos 2,5 a três milhões de turistas, dentro de cinco anos. 

Mas há um problema que se põe: o turismo em Cabo Verde, neste momento, é, numa dimensão muito forte, turismo de sol e mar, e concentrado em duas ilhas, Sal e Boavista. Nós temos que diversificar a oferta turística, como também o modo de favorecer e potenciar o desenvolvimento económico do país mais variado, mais harmónico, e que atinja o conjunto nacional. Isto implicaria ter produtos turísticos noutras ilhas (Santiago, Santo Antão, Fogo, Brava ou São Nicolau), um turismo de saúde, um turismo rural, um turismo comunitário, mas que também permita valorizar o desenvolvimento da agricultura, da pecuária, e também dos produtos culturais, em que o país é igualmente rico. 

Tudo isto obrigaria também a desenvolver os transportes inter-ilhas, que é um grande “handicap” nosso, nomeadamente os transportes marítimos.

 

Justamente pegando nesta sua última ideia, e considerando os Açores como a região mais próxima (embora geograficamente mais distante) na Macaronésia, pelas características de dupla insularidade, de diversificação de ilhas: será importante para Cabo Verde desenvolver parcerias, criar sinergias e pontes de colaboração ao nível do “know how”, de uma estratégia comum com os Açores para atacar problemas porventura similares?

Com todos os arquipélagos da Macaronésia. Com os Açores, com a Madeira, embora me pareça que os Açores têm uma afinidade adicional, até pelos nome das ilhas. Estive na Madeira há pouco tempo e vi que a ligação entre as ilhas é muito eficiente, mas trata-se apenas de Madeira e Porto Santo. Quanto aos Açores, havendo nove ilhas, é uma afinidade mais forte. Poderia ser uma experiência interessante para Cabo Verde, para além de nós podermos ter interesse nas ligações entre os diferentes arquipélagos, sendo algo que já funciona, de certo modo, mas que poderá ser favorecido.

Com as Canárias, há já uma cooperação muito estreita. Para lhe dar um exemplo, ao nível dos projetos turísticos com a ilha do Fogo, essa ligação existe para o aproveitamento do vulcão da ilha do Fogo, e tudo aquilo que, em termos turísticos, gira à sua volta. 

Portanto, Cabo Verde, estando inserido neste contexto da Macaronésia, que é um elemento também forte da parceria que nós temos com a União Europeia, é um tipo de cooperação que deve ser estimulado e muito mais aprofundado do que tem sido até este momento. 

 

Olhando para a diáspora cabo-verdiana no estrangeiro, ela está agora mais próxima com a ligação permitida (duas vezes por semana) pela Azores Airlines de Boston à Praia (com curta escala em Ponta Delgada). É importante que se criem estes veios de comunicação, até para o aproveitamento das experiências e conhecimentos adquiridos no estrangeiro e que podem ajudar Cabo Verde a evoluir?

Creio que sim, e cada vez mais! Há 40, 50 ou 60 anos, nós víamos as comunidades cabo-verdianas no exterior como o emigrante tradicional, clássico, que sai de Cabo Verde numa situação económica muito difícil, que não tem muita qualificação, que trabalha nas fábricas, que faz o trabalho não qualificado, o que foi para as roças de São Tomé, que faz trabalhos pesados. Hoje em dia, a quantidade de quadros muito qualificados, especialistas mesmos, que temos nos EUA, em Portugal, em França, mas mesmo na emigração africana (no Senegal ou em Angola), médicos, engenheiros, informáticos, inventores nas áreas da meteorologia, da robótica... Se nós conseguirmos ter a noção mais precisa dos recursos que temos, porque não se trata apenas dos nascidos em Cabo Verde, há muitos descendentes de cabo-verdianos, de segunda ou terceira geração, é um potencial de recursos que ultrapassa de longe aquilo que nós cogitamos.

Essa diáspora pode ser muito importante na cooperação tecnológica, mas também do ponto de vista financeiro, do ponto de vista dos investimentos em Cabo Verde. Mas também porque pode ajudar a mobilizar recursos nos países em que estão inseridos. Por exemplo, nos Estados Unidos da América, há um potencial em fundações, associações, universidades, organizações religiosas ou de sociedade civil, em que estão envolvidos centenas de cabo-verdianos ou descendentes. Há gente com muito dinheiro nessa diáspora.

E, portanto, falta-nos fazer um trabalho de mobilização séria, rigorosa, sistematizada, estruturada da nossa diáspora, um potencial fundamental que nos pode ajudar a construir este Cabo Verde muito desenvolvido que nós ambicionamos.

 

Criar hábitos de trabalho, exigência e rigor para ser um país de referência

 

Projetemos o futuro a médio prazo: como vai ser o Cabo Verde de 2050?...

A minha ambição é a de que devemos trabalhar para sermos um país desenvolvido bem antes de 2050. Se ao nível continental, África tem uma agenda para 2063, a África do futuro, próspera, desenvolvida, democrática, respeitadora dos direitos humanos, se devemos contribuir para essa agenda africana, devemos também ser mais ambiciosos, para um Cabo Verde que possa ajudar a construir essa África bem antes dessas datas.

Mas temos de trabalhar mais, temos de ser mais exigentes connosco próprios. Por exemplo, as nossas escolas assinalam datas menos felizes (a perda de um aluno ou de um professor) com o seu encerramento. Nós podemos assinalar todas as datas (mais ou menos felizes) trabalhando, para criar hábitos de trabalho, de exigência, de rigor, como única maneira de crescermos mais, mais disciplinados, mais ambiciosos, mais exigentes e mais rigorosos. Isso é uma condição para que possamos crescer mais, e sermos realmente um país de referência, um país desenvolvido.

 

Há muitos emigrantes cabo-verdianos nos Açores (talvez bem mais do que açorianos em Cabo Verde), e muitos pontos de contacto entre as duas regiões, desde o número de ilhas aos respetivos nomes, passando pelas características multi-arquipelágicas de Açores e Cabo Verde. Que mensagem envia o Presidente de Cabo Verde à região mais a norte da Macaronésia?

Já tive o prazer de estar algumas vezes nos Açores, inclusivamente de férias. Somos arquipélagos, isso aproxima-nos. Pertencemos à Macaronésia, partilhamos uma língua comum, ainda que com variantes, o que só enriquece a língua nossa. Há muitas afinidades, uma maneira de ser e de estar como ilhéu que aproxima muito o açoriano do cabo-verdiano.

Mas, para além disso, também há, do ponto de vista da cultura, grandes escritores cabo-verdianos que passaram longas temporadas nos Açores e lá escreveram (Manuel Lopes, por exemplo), mas mesmo mais recentemente, intelectuais, escritores e críticos açorianos que se ocupam e fazem trabalhos sobre literatura de Cabo Verder, como Urbano Bettencourt. Há um conjunto de afinidades e cumplicidades.

O meu apelo é que, com tanta coisa em comum, devíamos estar mais próximos, porque, de certa forma, estamos um pouco afastados, apesar de, geograficamente, a distância não ser tanta assim. Pessoalmente, só estive em São Miguel e na Terceira, mas tenho convites para visitar o Pico e o Faial, e tenho uma grande curiosidade em conhecer a ilha das Flores, que parece ter parecença com a ilha Brava, aqui em Cabo Verde. Desejo todo o progresso, felicidade e bem estar aos açorianos!

 

Por Rui Almeida, jornalista da Deutshe Welle/Exclusivo Diário dos Açores

“Diário dos Açores” viajou com a Azores Airlines na rota Ponta Delgada-Praia-Ponta Delgada

Presidente da República esta semana em S. Miguel por três dias

portas da cidadeAs comemorações do Dia de Portugal, com a participação do Presidente da República e do primeiro-ministro, vão realizar-se esta semana entre Ponta Delgada, Boston e Providence, nos Estados Unidos, de 9 a 12 de Junho.

A informação foi oficialmente divulgada pela Presidência da República, numa nota onde é referido que o programa nos Estados Unidos começa com a “cerimónia do içar da bandeira nacional na Praça Municipal (‘City Hall’) de Boston”, Massachusetts, no dia 10 à tarde, seguindo-se um “espectáculo de luzes e fogo no rio da baixa de Providence”, Rhode Island. 

No dia 11 de manhã, “terá lugar no Parlamento Estadual (‘State House’) de Boston uma sessão solene dedicada a Portugal”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou no ano passado que as comemorações do Dia de Portugal em 2018 iriam decorrer na Região Autónoma dos Açores e prosseguir nos Estados Unidos da América, onde vivem cerca de 1,4 milhões de portugueses e lusodescendentes, estimando-se que 70% sejam de origem açoriana, segundo a Direcção Regional das Comunidades. 

 

Içar das bandeiras nas portas da cidade

 

De acordo com o programa agora divulgado, “as comemorações, cuja comissão organizadora é este ano presidida pelo professor doutor Onésimo Teotónio Almeida, têm início no dia 9 de Junho, nas Portas da Cidade de Ponta Delgada”, na ilha de São Miguel, com a “cerimónia do içar da bandeira nacional”.

Depois, haverá “uma visita às actividades militares complementares, após a qual, nos Paços do Concelho, o presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, entrega a chave de honra do município ao chefe de Estado”.

Ainda no dia 9, “ao final da tarde, no Palácio de Sant’Ana, decorre a apresentação de cumprimentos do Corpo Diplomático ao Presidente da República, a que se segue uma recepção oferecida pelo presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro”, antes de “um concerto na Igreja de São José e um espectáculo de fogo-de-artifício na Avenida Infante D. Henrique”.

 

Dia de manhã em Ponta Delgada e à tarde nos EUA

 

No dia 10, em Ponta Delgada, o programa “começa no Campo de São Francisco, com a Cerimónia Militar Comemorativa do Dia de Portugal, na qual participam mais de mil militares dos três ramos das Forças Armadas”, após a qual “o Presidente da República, acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa, parte para os Estados Unidos da América”.

Em território norte-americano, “ao fim da tarde, decorre a cerimónia do içar da bandeira nacional na Praça Municipal (‘City Hall’) de Boston”, onde “terão lugar várias iniciativas promovidas por associações da comunidade portuguesa e luso-descendente do Estado de Massachusetts, designadamente o ‘Boston Portuguese Festival’”. 

“Ainda no mesmo dia, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa assistirá ao espectáculo de luzes e fogo no rio da baixa de Providence, organizado pela comunidade portuguesa. Trata-se de um marco das celebrações de Portugal no Estado de Rhode Island”, lê-se no comunicado da Presidência da República.

No dia 11, o programa começa com a sessão solene na ‘State House’ de Massachusetts e inclui ainda uma recepção no navio-escola Sagres, que estará atracado no porto de Boston. 

Antes do seu regresso a Lisboa, “o chefe de Estado visitará o Museu da Baleia de New Bedford”, também no Estado de Massachusetts, onde já não deverá estar acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa, que viaja nesse dia para a Califórnia, numa deslocação de carácter sobretudo económico a várias cidades dos Estados Unidos, até 16 de Junho. 

Por sua vez, Marcelo Rebelo de Sousa regressará aos Estados Unidos na última semana de Junho para se encontrar com o presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington.

A Presidência da República salienta que estas comemorações do 10 de Junho coincidem com “a primeira edição do ‘Mês de Portugal nos Estados Unidos da América’, que conjuga várias iniciativas em diferentes regiões norte-americanas”. 

Em 2016, ano em que tomou posse como chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa lançou um modelo inédito de comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, acertado com o primeiro-ministro, António Costa, em que as celebrações começam em território nacional e se estendem a um país estrangeiro com comunidades emigrantes portuguesas. 

Nesse ano, o Dia de Portugal foi celebrado em Lisboa e Paris e, em 2017, no Porto e nas cidades brasileiras do Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Programa extra na sexta

 

Marcelo Rebelo de Sousa estará, também, na sexta-feira em Ponta Delgada, embora com uma agenda fora das comemorações oficiais do 10 de Junho.

O PR, segundo sabe o nosso jornal, irá presidir ao lançamento de um volume da Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, sobre “os Açores em números”.

Ao fim da tarde estará presente no encerramento da conferência sobre Economia e Sociedade, que é organizada pelas Câmaras do Comércio dos Açores, Federação Agrícola dos Açores e UGT-Açores.

 

São Miguel é o destino preferido dos portugueses para férias deste Verão

LagoadasSeteCidadesNuma altura em que muitos europeus estão já a planear as suas férias de Verão, a Momondo, um dos maiores motores de busca de viagens, hotéis e carros de aluguer em todo o mundo, revela que no topo das preferências dos portugueses estão as cidades europeias, com Paris a liderar o ranking dos mais populares destinos. 

Os dados são do International Travel Study (ITS), estudo anual de viagens da Momondo, realizado a utilizadores de 26 países, incluindo Portugal, sobre os hábitos de viagens.

No que diz respeito a destinos nacionais, o consumidor português continua a eleger a ilha de São Miguel, nos Açores, como o local ideal para passar as suas férias. 

Funchal e Porto Santo, no arquipélago da Madeira, a ilha Terceira, também nos Açores, e Lisboa encerram a lista, mantendo-se como os cinco destinos preferidos.

Margarida Gameiro, Country Manager da Momondo para Portugal, sublinha que, de acordo com o estudo, “este ano, 52% das pessoas em todo o mundo preferem férias de praia, um número que em Portugal é superior (67%) à média, mas na verdade são as capitais europeias que continuam a assumir o topo dos destinos mais pesquisados para o Verão”. 

No caso em concreto do turista português, Margarida Gameiro reforça que “é um consumidor que continua a ser muito sensível ao preço e, como tal, as cidades europeias, sendo um destino mais acessível, acabam por liderar a preferência dos portugueses”.

Paris é o destino que apresenta mais pesquisas no estudo anual de viagens Momondo, registando a segunda tarifa ida-volta mais baixa (127 euros), seguido de Londres, Nova Iorque, Roma e Barcelona. 

Este ano, a capital italiana destronou Amsterdão, que se encontrava entre os 5 destinos mais procurados para o verão em 2017.

Margarida Gameiro acrescenta que “o curioso nestes dados é que os portugueses, quando viajam para o estrangeiro no verão preferem conhecer outras cidades, ao contrário do que acontece quando viajam internamente em que dão preferência às ilhas, onde podem estar em contacto com paisagens naturais incríveis e praia, ao mesmo tempo.”

Contudo, os destinos que apresentam o maior crescimento, em termos de procura, face ao ano passado, são opções mais exóticas, quentes e conhecidos pelas suas praias. 

A liderar surge São Tomé e Príncipe, com um crescimento de 138%, acompanhado por Malta (96%), Ilha do Sal (53%), em Cabo Verde, e Los Angeles, nos Estados Unidos da América (41%). 

A excepção desta lista é Moscovo (65%), na Rússia, a única capital europeia a figurar nesta lista, devido ao facto de ser o país anfitrião do campeonato de jogos de futebol. 

 

eDreams também escolhe Ponta Delgada

 

A eDreams, a maior agência de viagens online da Europa, também acaba de anunciar o seu relatório* de tendências de viagens de Verão para 2018, no qual revela que os portugueses elegeram as cidades de Ponta Delgada, Paris e Funchal como os principais destinos para viajar neste Verão.

O novo relatório inclui uma lista com os 10 destinos mais reservados pelos portugueses para o período entre 15 de Junho e 15 de Setembro de 2018, destacando também os destinos com maior crescimento para este Verão, bem como o valor médio gasto em passagens aéreas, os números de dias escolhidos e as semanas mais populares para as partidas para férias. A nível doméstico os portugueses elegeram as cidades de Ponta Delgada, Funchal, Faro, Porto e a ilha Terceira como os principais destinos para o Verão de 2018; já em relação aos destinos internacionais, as principais escolhas foram Paris, Barcelona, Londres, Roma e Amesterdão.

O estudo da eDreams destaca também os destinos que registaram maior crescimento na escolha dos portugueses para o verão de 2018, face ao ano anterior.

No topo da lista surge Nova Iorque, cujo número de passageiros nos voos cresceu 223% em relação a 2017, seguidos da ilha de Menorca (166%), da cidade de Faro (mais 115%) e da ilha de Maiorca (86%).

Corvo tem o PIB mais elevado dos Açores e São Miguel mais RSI

pessoas em Ponta Delgada1No imaginário dos açorianos, há ilhas que têm sido privilegiadas e, portanto, fontes de maior riqueza e outras que têm sido esquecidas, logo mais pobres e com menos rendimentos. 

O próprio discurso popular e político frequentemente se refere às ‘ilhas grandes’ e ‘ilhas pequenas’, percebendo-se claramente que não se referem apenas ao tamanho geográfico mas também à sua dimensão económica.

O fenómeno é sentido entre várias ilhas e, por vezes, dentro da própria ilha, quando tem mais de um concelho, mas todas apontam S. Miguel como a ilha com mais investimentos e com mais poder político e económico.

Os números, porém, não confirmam essa ideia. 

 

S. Miguel com as maiores percentagens de RSI

 

O PIB per capita em S. Miguel não é muito superior ao das outras ilhas - e nem sequer é o mais elevado - e são os concelhos de S. Miguel onde se registam as percentagens mais elevadas de beneficiários do RSI (ainda recentemente se ficou a saber que esse número tem vindo a crescer, não estando esse aumento incluído no gráfico que se publica).

A ideia de que S. Miguel é a ilha com mais poder económico e mais investimento, vem de longa data. 

Antes mesmo da autonomia, os terceirenses queixavam-se de que S. Miguel lhes tinha roubado as fábricas do açúcar e do álcool e, depois da autonomia, a ideia volta a sentir-se quando, depois de feitos os portos e outros investimentos estruturais nas ilhas pequenas, os investimentos se voltaram para S. Miguel que, na altura, tinha sido visivelmente penalizada.

Depois, essa ideia foi-se desvanecendo, muito pelo contributo das viagens de jovens que passaram a percorrer as ilhas nas competições desportivas e da generalização das viagens aéreas de membros e funcionários do Governo.

Mas, recentemente, com o crescimento do turismo, onde S. Miguel surge naturalmente com números de visitantes muito acima das outras ilhas e com a operação das low cost, praticamente apenas no aeroporto de Ponta Delgada, a questão volta a levantar-se.

A vincar este cenário, surge a passagem de cruzeiros no porto de Ponta Delgada, com eco especial nos dias em que passaram 5 e 4 barcos, acompanhando-se essas notícias de fotografias e imagens em que se vincava a espectacularidade do cenário e do número de pessoas nas ruas de Ponta Delgada e nos pontos turísticos mais importantes da ilha.

 

Diferenças com Terceira

 

Há que reconhecer que o cais construído no porto de Ponta Delgada foi uma obra feliz, quer do ponto de vista estético, criando uma paisagem construída apelativa e foi também uma obra funcional, porque os turistas desembarcam praticamente no centro da cidade, ou têm os autocarros logo à saída, que os levam a passeios onde enchem os olhos e as máquinas fotográficas de paisagens magníficas. Tem tudo para funcionar.

Ora, os terceirenses acham que esse movimento teria sentido, também, pelo menos em parte, em Angra do Heroísmo, podendo oferecer-se o facto de ser cidade Património Mundial e ter também paisagens e lugares de interesse turístico únicos como o Algar Carvão. 

Tanto mais que a determinada altura chegou a ser prometida a construção de um cais de cruzeiros na cidade, embora poucos acreditassem ser possível e o tempo veio a comprovar que não passou de uma promessa.

Há sugestões no sentido de utilizar o antigo cais de combustíveis dos americanos na Praia da Vitória, mas pouco consistentes e sem garantia de ser uma boa solução.

 

Porque S. Miguel não tem o PIB mais elevado?

 

Mas, afinal o que faz com que S. Miguel não tenha um PIB mais elevado e porque tem o maior número de beneficiários do RSI?

Na verdade, quando se fala de S. Miguel em termos económicos e desenvolvimento, fala-se de Ponta Delgada e um pouco da Ribeira Grande, todos os restantes concelhos são mais pobres e têm menos recursos do que muitas das ditas ilhas pequenas.

Ponta Delgada é sede do Governo e vale pelo número de funcionários públicos, as restantes actividades, que poderiam ser fonte de riqueza, empresas públicas e privadas, apesar da sua dimensão, estão a passar dificuldades financeiras e por tal, a sua participação na economia foi ficando reduzida.

Naturalmente que, do mesmo modo a quebra na construção e na indústria foi mais evidente em S. Miguel e fez com que mais gente ficasse sem emprego e mais famílias tenham de recorrer ao RSI. 

Acresce que S. Miguel é historicamente uma ilha de grandes desigualdades sociais e com situações de pobreza que já se faziam sentir antes da crise.

A Terceira, por outro lado, teve sempre uma economia socialmente mais equilibrada e durante os anos em que houve emprego na Base das Lajes existia um grande número de trabalhadores com vencimentos acima da média, constituindo um rendimento significativo, com a particularidade de ser dividido por quase todas as freguesias. 

Todos os dias vários autocarros transportavam várias dezenas de trabalhadores de quase todas as localidades. 

Essa situação contribuiu para esse equilíbrio.

Finalmente, as festas da Terceira - que tanto se critica -, são um importante suporte da economia da ilha, enquanto conseguem fazer movimentar diversas actividades e animam o comércio em diversas áreas. E não são apenas as festas das localidades, são também as festas das cidades de Angra e da Praia que movimentam quantias apreciáveis de dinheiro nos mais diversos sectores.

Apesar dos números, as pessoas não ficam convencidas e continuam a achar que o Governo e outras entidades privilegiam de forma muito evidente a ilha de S. Miguel e cada vez mais se afirma que se está muito longe do desenvolvimento harmónico que se preconizava.

Isto acontece, também, porque o discurso não é o adequado e porque as pessoas que têm poder de decisão conhecem mal as ilhas. 

Vêem-nas sempre através dos filtros dos dirigentes, mas desconhecem o que as pessoas realmente pensam.

 

Texto de Rafael Cota

Para “Diário dos Açores”