Bolieiro já recebeu alguns apoios de partidos à direita

Bolieiro - apresentação candidatura

Não há ainda uma decisão final sobre quem formará o próximo Governo dos Açores, mas fonte partidária bem colocada garantiu ao nosso jornal que José Manuel Bolieiro já recebeu alguns apoios de partidos à direita se avançar com uma proposta de governo.

“O acordo está dependente de apenas dois partidos, que pretendem saber mais pormenores da constituição do governo e do relacionamento futuro no parlamento”, adiantou a mesma fonte ao “Diário dos Açores”

Existem duas hipóteses no PSD: a formação de um governo em que CDS e PPM integram também o executivo, ficando o Iniciativa Liberal e o Chega apenas com um acordo parlamentar, ou o PSD formar governo sozinho com o apoio parlamentar dos quatro partidos.

Em ambos os casos parece haver consenso sobre um acordo por escrito.

Ainda de acordo com a nossa fonte, há um consenso nos partidos à direita de que “seria muito difícil explicar aos seus eleitores um apoio as um governo do PS, quando andaram em campanha a combater o mesmo governo”.

Seja como for, o PS também não desiste de convencer o CDS, sendo certo que este ainda não descartou a possibilidade.

Vasco Cordeiro também fará uma abordagem mais profunda com o deputado Nuno Barata, da Iniciativa Liberal.

Por sua vez, José Bolieiro esteve reunido largas horas com Artur Lima na ilha Terceira e terão posto as cartas na mesa “de forma clara”, mas ainda sem compromisso.

 

Pressão das lideranças 

nacionais

 

Alguns dos partidos à direita do PSD estão a ser pressionados pelas suas direcções nacionais para apoiarem um governo social-democrata, até porque querem mostrar ao país que isto é possível, numa espécie de “ensaio de laboratório” com vista a uma eventual situação semelhante a nível nacional.

O Chega era o partido mais relutante a uma formação desta natureza, até porque o seu líder nacional chegou a dizer na noite eleitoral que não haveria alianças com partidos do sistema.

No entanto, André Ventura já mudou o discurso e apresentou uma carta com algumas condições para o referido apoio.

Analista nacionais dizem que André Ventura terá pensado melhor e não quer ficar com o ónus de não ter permitido derrubar o governo socialista, o que lhe ficaria colado à campanha nas próximas eleições presidenciais de que ele é candidato.

De acordo com as nossas fontes, os dois deputados açorianos do Chega também não terão gostado da declaração unilateral de Ventura na noite eleitoral e terão demonstrado isso ao próprio.

Também ontem o líder nacional do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, declarou peremptório: “espero ver nos Açores um governo de direita”.

Por seu turno, o advogado portuense Tiago Mayan Gonçalves, um dos fundadores da Iniciativa Liberal  e candidato às eleições presidenciais, declarou em entrevista ao programa “Hora da Verdade”, da Renascença e jornal “Público”, que tem “pleno respeito pela autonomia da IL Açores”, mas  quanto a uma negociação com o PS “acharia muito estranho que o fizessem”.

 

Partidos já conversaram e há quem diga haver “uma luz ao fundo do túnel”

bolieiro e vascoPS e PSD continuam em contacto com os partidos mais pequenos que elegeram deputados no passado domingo, embora algumas conversas têm sido ainda de “carácter exploratório” e não necessariamente entre os respectivos líderes.

Segundo revelou ao nosso jornal fonte de um dos partidos, as conversações têm decorrido, sobretudo, por via telefónica, “algumas de longas horas e sem uma conclusão final” e “já parece haver uma luz ao fundo do túnel”

Os únicos encontros pessoais já realizados foram com o líder do CDS, Artur Lima, tendo José Manuel Bolieiro se deslocado propositadamente à ilha Terceira.

 

Já há “cadernos de encargos”

 

A novidade, segundo outra fonte contactada pelo “Diário dos Açores”, é que alguns dos partidos mais pequenos já possuem um “caderno de encargos” a apresentar em próximas negociações oficiais, o que deverá acontecer já neste fim de semana com reuniões entre delegações de partidos.

“Tudo está a ser feito sob enorme segredo, tanto por parte do PS como do PSD, e alguns líderes partidários já estabeleceram as linhas vermelhas de eventuais acordos à esquerda ou à direita”, garantiu-nos uma das fontes partidárias.

 

Tudo passa pelo CDS

 

As maiores conversas têm sido com o líder do CDS-Açores, Artur Lima, já que grande parte da solução terá de passar por ele.

 O CDS foi um aliado do PS nas anteriores legislaturas, com aprovações de Orçamentos Regionais, em troca de algumas medidas sociais, pelo que nas hostes socialistas acredita-se que Artur Lima poderá ser novamente um dos aliados.

O líder centrista tem-se mostrado aberto a todas as conversações, “até mesmo com os partidos mais pequenos” e continua a garantir que o CDS não deixará a região ingovernável.

Mas nos corredores socialistas também se acredita que, se o BE e o PAN não se opuserem a um governo minoritário liderado por Vasco Cordeiro, será possível convencer o deputado do Iniciativa Liberal, uma vez que Nuno Barata já tinha sido aliado do PS no passado governo minoritário após 1996, quando era deputado do CDS até 2000.

Só que Nuno Barata já terá dito aos dois lados que não apoiará ninguém sem primeiro saber quais as grandes linhas que irão apresentar para a próxima legislatura.

“Não há comparações com esse tempo, aí o povo quis uma mudança de governo”, disse Barata ao jornal Público, referindo que, agora, os açorianos expressaram que “não queriam uma maioria absoluta do PS”. 

 

Barata: “Vai ser muito difícil viabilizar governo PS”

 

Barata vai mesmo mais longe e prevê que viabilizar um governo socialista “vai ser muito difícil”, salientando que é preciso “ponderar todos os cenários”. 

“Na noite das eleições disse que agora havia no Parlamento 28 da esquerda, 28 da direita e um deputado liberal. Quer dizer que estamos disponíveis para avaliar todas as propostas, de todos os partidos, de todas as áreas.”

 

Paulo Estêvão: “Não viabilizarei um governo PS”

 

Ou seja, a leitura dos dirigentes do IL nos Açores é de “esperar para ver”, aguardando o que PS e PSD têm para dizer nas futuras negociações. 

Na mesma postura se apresenta o PPM, mas entre os dois deputados eleitos, Paulo Estêvão pelo Corvo e Gustavo Alves pelas Flores, parece já haver entendimento de que não apoiarão um governo socialista.

Isso mesmo confirmou Paulo Estêvão anteontem ao jornal Público: “Eu já disse que não viabilizarei um governo do partido socialista; mantenho”.

 

Chega muda de discurso

 

Por sua vez, o Chega já veio corrigir o discurso da noite eleitoral, quando afirmou peremptoriamente que não apoiaria um governo PSD porque era um “partido do sistema”.

Fonte partidária confirma ao nosso jornal que os dois deputados do Chega por S. Miguel “não alinham no radicalismo de André Ventura” e já fizeram saber que apoiam Bolieiro à frente do próximo governo se aceitar algumas das condições propostas pelos dois, nomeadamente “um programa de combate à corrupção, em que os dois deputados façam parte da autoria desse programa, uma auditoria profunda às contas públicas deixadas pelo anterior governo e uma fiscalização no terreno com vista à redução substancial dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção que se acomodaram ao subsídio sem procurar trabalho”.

 

PAN faz depender apoio das propostas de cada um

 

Apoios do BE à direita estão fora de hipóteses, mas no bloco de direita acredita-se que o deputado do PAN também poderá juntar-se a um eventual governo à direita.

O deputado do PAN foi o único que, até agora, já entregou a ambos os lados uma espécie de “caderno de encargos”.

O PAN já terá garantido que “não segue ideologias”, nem à direita nem à esquerda, pretendendo apenas saber o que é que cada um propõe num futuro governo.

Pedro Neves adiantou ao Público ser “completamente prematuro” avançar com quaisquer posições, mas enalteceu a “capacidade negocial” ganha por cada partido nas últimas eleições.

“O que nos interessa directamente não são os partidos, são sem dúvida as causas públicas: o nosso ambiente, o bem-estar animal, são as nossas linhas vermelhas para viabilizar um governo”, diz Pedro Neves. 

Frisou não ter preferência sobre um acordo para a legislatura ou sobre a aprovação medida a medida. 

“Já fui contactado tanto pelo presidente PSD, como pelo presidente do PS, supostamente para as congratulações pela eleição. Estaremos em contacto durante essa semana para reuniões, obviamente. Está tudo em aberto”, revela ainda ao jornal Público.

 

Sociais-democratas com esperança

 

Nos corredores do PSD-Açores há uma corrente maioritária que apoia José Manuel Bolieiro a antecipar-se ao PS na tentativa de convencer os partidos à direita a formar governo, havendo até quem garanta já haver uma equação à vista, com o apoio favorável do CDS e PPM, enquanto que o IL e Chega garantiriam uma abstenção parlamentar, mas comprometendo-se a negociar medida a medida.

Mas há também uma corrente interna no PSD que não defende a formação, para já, de um governo à direita, preferindo que “o PS e quem o acompanhará fique a fritar em lume brando até a umas eventuais eleições antecipadas”.

Em qualquer das equações há que diga que Artur Lima estaria garantido como futuro Presidente da Assembleia Regional, mas fonte próxima do mesmo garante que o líder do CDS terá colocado esta hipótese de parte.

 

Centristas nacionais “pressionam” Lima

 

O líder da Juventude Popular a nível nacional, Francisco Mota, defende que o PSD, o CDS e o PPM deveriam reeditar nos Açores uma “nova Aliança Democrática” e a partir daí procurar “entendimentos mais alargados para garantir a viabilidade de um novo Governo Regional”. 

Francisco Mota considera que se deve formar uma nova maioria à direita: “O CDS afirmou em campanha que era fundamental vencer o socialismo e os açorianos assim o fizeram, dando uma maioria parlamentar ao espectro político do centro à direita”, afirma ao jornal Público o dirigente da estrutura centrista. 

A posição já tinha sido sugerida pelo líder parlamentar do CDS, Telmo Correia, num post no Facebook, em que criticou a “euforia despropositada” sobre os resultados das eleições — num recado directo para o líder do partido — e defendeu a construção de uma “solução de mudança para os Açores e uma alternativa nacional”, segundo o mesmo jornal. 

Segundo Francisco Mota, os mandatos do PSD (21), CDS (3) e PPM (2) poderiam sustentar um governo regional de maioria relativa, tendo em conta que a Iniciativa Liberal assegurou que “não rejeitaria um programa de governo”. 

Quanto ao Chega, o líder da JP desafia: “André Ventura tem de decidir se aceita um Governo de esquerda ou um de direita.”

Francisco Mota considera que “o PSD, o CDS e o PPM estão tão legitimados para encontrar esta solução como o PS, Bloco, PCP e PAN estiveram em 2015” na Assembleia da República e têm “compromissos de estabilidade governativa”.

Questionado sobre a autonomia do CDS-Açores para tomar as decisões sobre o executivo regional, o líder da JP admite que ela existe mas lembra que “os Açores fazem parte de Portugal” e que a solução à direita “pode ter implicações nas eleições presidenciais, autárquicas e legislativas. 

“Há uma lufada de esperança para o futuro”, sublinhou, lembrando ainda que a região não pode ficar ingovernável já que não haverá eleições antecipadas nos próximos meses por causa da limitação do Presidente da República.

S. Miguel penalizou PS e ascendeu o PSD

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A ilha de S. Miguel, que tem suportado as maiorias absolutas do PS nos últimos anos, foi a principal responsável pela retirada da mesma maioria nas eleições de domingo.

Ao contrário do que vem sendo habitual noutros actos eleitorais, o PS perdeu votos em todos os concelhos de S. Miguel e o PSD ganhou votos em todos.

A subida do número de votantes na maior ilha dos Açores foi favorável ao PSD e penalizou o PS.

Nas eleições de domingo houve mais 6.315 eleitores a votar na ilha de S. Miguel do que nas eleições de há quatro anos.

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O PS perdeu 2.223 votos nesta ilha, enquanto que o PSD arrecadou mais 5.183 votos.

O concelho de Ponta Delgada foi determinante para esta subida do PSD, onde ganhou mais 3.991 votos do que há quatro anos, enquanto que o PS perdeu 1.113, podendo-se inferir que o PSD foi buscar votos a alguns descontentes com o PS, mas essencialmente aos novos votantes.

No conjunto dos Açores o PS perdeu 2.565 votos em relação às eleições de 2016, enquanto que o PSD ganhou mais 6.301 votos.

Há quatro anos o PS já tinha perdido cerca de 9.500 votos, mas porque o PSD também perdeu cerca de 7 mil, manteve a maioria absoluta.

Desta vez a perda socialista, apesar de menor do que há quatro anos, não conseguiu segurar a maioria absoluta porque o PSD obteve uma subida considerável.

Recorde-se que em 1996, quando o PS retirou a maioria absoluta ao PSD e venceu as eleições, conseguiu retirar os 15 mil votos que separavam ambos.

 

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Gráficos de Rafael Cota

 

Representante da República à espera das soluções de governo que PS ou PSD poderão apresentar

pedro catarinoPS e PSD estão a manter conversações com todos os outros partidos que elegeram deputados no passado domingo, com vista a saber qual o posicionamento de cada um relativamente à formação do novo governo.

O PS, como se sabe, venceu as eleições regionais de domingo, elegendo 25 dos deputados à Assembleia Legislativa Regional, mas um bloco de direita, numa eventual aliança (no executivo ou com acordos parlamentares) entre PSD, CDS, Chega, PPM e Iniciativa Liberal poderá funcionar como alternativa de governação na região, visto uma junção de todos os parlamentares eleitos dar 29 eleitos (o necessário para a maioria absoluta).

 

Pedro Catarino vai ouvir todos os partidos

 

A lei indica que o representante da República, Pedro Catarino, nomeará o novo presidente do Governo Regional “ouvidos os partidos políticos” representados no novo parlamento açoriano.

Segundo fonte do gabinete do representante da República, Pedro Catarino só poderá ouvir os representantes dos partidos políticos eleitos este domingo uma vez publicados os resultados oficiais em Diário da República, o que ainda poderá demorar alguns dias.

A Assembleia de Apuramento Geral dos resultados só inicia os seus trabalhos “às 9 horas do segundo dia posterior ao da eleição” (ontem), tendo de concluir o apuramento dos resultados oficiais “até ao 10.º dia posterior à eleição”.

 

Resultados ainda vão ser enviados à CNE

 

Esses dados serão posteriormente enviados à Comissão Nacional de Eleições (CNE), que terá oito dias para enviar “um mapa oficial com o resultado das eleições” para publicação em Diário da República.

Durante estes dias, os partidos estão a encetar negociações para eventuais formações de governo - juntando várias forças ou apoiado parlamentarmente - que possam ser apresentadas a Pedro Catarino.

Depois da tomada de posse do próximo Governo dos Açores, haverá um prazo máximo de 10 dias para o programa do executivo ser entregue à Assembleia Legislativa.

“O programa do Governo Regional é submetido para apreciação e votação à Assembleia Legislativa, que reúne obrigatoriamente para o efeito, até ao décimo quinto dia após a posse do Governo Regional”, diz o Estatuto Político-Administrativo açoriano.

 

Três dias de debate sobre programa do governo

 

O debate sobre o programa “não pode exceder três dias”, sendo que, até ao encerramento do mesmo, “qualquer grupo parlamentar pode propor a rejeição do programa do Governo Regional sob a forma de moção devidamente fundamentada”.

Sem maioria absoluta nos Açores pela primeira vez em 20 anos, o PS terá agora, para formalizar um executivo, de negociar com as sete restantes forças políticas com assento no parlamento regional, onde chegaram pela primeira vez Chega, Iniciativa Liberal e PAN.

 

CDS é o partido “charneira”

 

Uma das possibilidades é haver um entendimento entre os 25 deputados do PS, os três do CDS-PP - que já aprovou no passado recente orçamentos socialistas - e o parlamentar único do PAN.

Todavia, os centristas podem integrar também um bloco de direita, juntando-se aos 21 deputados de PSD, dois do PPM (um em coligação com o CDS), dois do Chega e um da Iniciativa Liberal.

No domingo, Vasco Cordeiro, Presidente do Governo dos Açores desde 2012, definiu a vitória socialista como “clara e inequívoca”, mas reconheceu um novo “quadro parlamentar desafiante”.

Nas mãos de Vasco Cordeiro, segundo o secretário-geral do PS, António Costa, estará agora a “construção de soluções” de governo.

 

Bolieiro disse que se pode admitir tudo

 

Do PSD, que conseguiu eleger mais dois deputados do que nas eleições de 2016, Vasco Cordeiro já ouviu que haverá “total disponibilidade para o diálogo” e para a “concertação”.

Para o líder do PSD/Açores, a nova composição parlamentar é “tão polivalente que pode admitir tudo”, mas, questionado sobre uma possível coligação à direita para poder governar (que teria de incluir CDS-PP, Chega, Iniciativa Liberal e PPM), José Manuel Bolieiro disse não se comover com “atitudes extremistas e populistas”.

“Não é fácil conseguir juntar todos os partidos”, corroborou o líder do PSD, Rui Rio.

O líder nacional do Chega rejeitou logo no domingo à noite qualquer acordo de coligação que permita à direita governar os Açores, lembrando que foi o PSD que se afastou do seu partido.

Pelo CDS-PP, o líder regional, Artur Lima, assegurou que o partido não deixará a região numa situação de “ingovernabilidade” e que irá “conversar, naturalmente”.

 

PSD da Madeira diz que perda da maioria absoluta 

é derrota de Costa

 

O PSD da Madeira defendeu que a perda da maioria absoluta do PS nas eleições de domingo nos Açores são também “uma derrota do primeiro-ministro”, que, segundo a estrutura partidária, tem vindo a fazer uma discriminação entre as duas regiões. 

“Também é, sem dúvida, uma derrota do primeiro-ministro António Costa, que, mesmo discriminando de forma positiva e fortemente este arquipélago em relação à Madeira, não conseguiu manter a maioria, nem tampouco reforçar a votação no seu partido”, declaram os sociais-democratas madeirenses em comunicado.

Na nota, é realçado o facto de o PS, partido que governa os Açores há 24 anos, “ter perdido a maioria absoluta” e sublinha-se que o resultado “revela a vontade do povo, (...)sempre soberana”.

O PSD/Madeira “reconhece e valoriza a evidente afirmação do projeto social-democrata como alternativa política nos Açores, afirmação essa que decorre dos resultados das eleições regionais”. 

Este resultado, acrescenta, “deve servir de incentivo ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo PSD/Açores” e que “deve a partir de agora ser intensificado, rumo às autárquicas e à sua consolidação, pela vitória nas próximas regionais”.

Os sociais-democratas madeirenses reconhecem o “exemplo de cidadania que resulta da participação activa da população açoriana” nestas eleições regionais e “a consequente redução da taxa da abstenção face a 2016”, naquele que “foi o primeiro ato eleitoral realizado em plena pandemia covid-19”. No seu entender, foi “um exercício democrático que merece especial menção”. Nas últimas eleições regionais de 2019 na Madeira, o PSD, que sempre governou aquela região autónoma, também perdeu a maioria absoluta que sempre detivera e formou coligação com o CDS-PP.

PS perde a maioria absoluta

AAA Cordeiro - noite eleições

O PS venceu este Domingo as eleições para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores, mas perdeu a maioria absoluta, ao obter 39,13% dos votos. Elege, para os próximos quatro anos de governação, 25 deputados.

O PPD/PSD foi a segunda força política mais votada, com 33,74% dos votos, com 21 deputados eleitos, e o CDS-PP obteve 5,51% dos votos, com três deputados eleitos.

O recém-criado partido Chega, uma das surpresas da noite, conseguiu eleger dois deputados para o Parlamento açoriano, tendo sido a quarta força política mais votada no dia de ontem. Obteve 5,06% dos votos dos açorianos, elegendo dois deputados.

O Bloco de Esquerda passou a quinta força política mais votada, mas apesar de ultrapassado pelo Chega, conseguiu manter os dois deputados, ao alcançar 3,81% da votação. Já os partidos PPM, Inicialiva Liberal e PAN conseguiram eleger um deputado, com 2,34%, 1,93% e 1,93% dos votos, respectivamente. Em coligação, o PPM e o CDS-PP elegeram outro deputado.  

A abstenção nas eleições para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores foi de 54,58%, a segunda maior de sempre, mas inferior à taxa de abstenção verificada há quatro anos, segundo dados oficiais. 

 

PS “ganhou de forma clara e inequívoca”

 

O líder do PS/Açores, Vasco Cordeiro, na reacção aos resultados eleitorais, perante uma plateia de apoiantes no Teatro Micaelense, ser “a noite da vitória eleitoral do PS. O PS ganhou estas eleições, ganhou com mais votos e mais mandatos, ganhou em 7 das 9 ilhas, ganhou de forma clara e inequívoca”, apontou.

“É um facto que o PS nesta próxima legislatura não detém uma maioria absoluta no Parlamento, isso já aconteceu no passado e acontece agora”, salientou, referindo-se à perda de maioria absoluta que já não acontecia nos Açores há 20 anos. “Continuamos a ser um referencial de estabilidade, de segurança e de fazer cumprir a vontade dos açorianos, mesmo sem maioria”, acrescentou.

Quanto aos passos que se seguem, o líder dos socialistas nos Açores referiu ter “a consciência clara de que venceu as eleições”, mas também de que as “circunstâncias do quadro parlamentar que daqui resulta”. Disse ter “toda a disponibilidade para construir uma solução que dê segurança para ultrapassarmos esta fase desafiante que vivemos”.

Vasco Cordeiro acrescentou que “estas eleições não foram um plebiscito ao Governo, foram a escolha face aos vários projectos que estavam em cima da mesa. E o projecto do PS recolheu mais votos”.

Quanto a possíveis alianças, o líder do PS/Açores não quis avançar com respostas. “Foi o PS que ganhou as eleições”, referiu, quando questionado pelos jornalistas sobre se é o PS que deve governar mesmo tendo a esquerda perdido a maioria na Assembleia regional.

O líder nacional do PS, António Costa, felicitou Vasco Cordeiro pela sétima vitória consecutiva do PS na região, desde 1996. Costa destacou os Açores como a Região que “mais contribuiu para assegurar a projecção atlântica do país”, apontando “a sua centralidade à escala global e o esforço de desenvolvimento conjunto que iremos prosseguir”.

“O esforço que passou pela instalação na RAA da sede da Agência Portuguesa do Espaço, do desenvolvimento em Santa Maria de um porto de lançamentos  mini satélites e do desenvolvimento de todo um esforço de investigação e desenvolvimento sobre o mar profundo, ciências do espaço e alterações climáticas”, disse o líder do PS e primeiro-ministro.

Sublinhou ainda que, na estratégia que António Costa Silva desenhou para o país, os Açores têm uma “contribuição central” para o mar português. “Vamos continuar a trabalhar juntos, no âmbito do PRR, onde os Açores terão mais de 500 milhões de euros para poder investir na recuperação da sua economia”, acrescentou António Costa.

 

Bolieiro não exclui diálogo com partidos

 

Por seu turno, José Manuel Bolieiro, líder do PSD/Açores, numa primeira reacção aos resultados obtidos, destacou ontem o que considerou ser uma “noite histórica na democracia e na autonomia dos Açores”.

“Há muito tempo que não víamos a alegria do PSD pela participação que ajuda a mobilizar o partido e a ter crença nos nossos valores”, afirmou, a partir da sede do partido em Ponta Delgada, destacando o contributo do PSD para diminuir a abstenção.

“Há na democracia autonómica uma mudança histórica, é no parlamento que agora se centra a decisão política. Não há nenhuma decisão unilateral de nenhum partido. Não há nenhuma decisão que não tenha de passar pelo diálogo e pelo respeito parlamentar”, avançou, destacando que o PSD sobe mais 6 mil votos em relação a 2016, e o PS desde 2.500 votos face a 2016.

“Há uma nova responsabilidade para o PSD, e o PSD assume com a firmeza democrática e a humildade institucional que estará responsavelmente atento a este novo quadro político e parlamentar para conseguir estabilidade governativa para os Açores”, afirma, sublinhando que o quadro político nos Açores é de “diálogo” a partir de agora.

Questionado sobre se rejeita aproveitar uma maioria de direita por causa do Chega, Bolieiro diz que “atitudes extremistas e populistas não me comovem”. 

Mas acrescentou: “o que posso hoje garantir humildemente é a minha total disponibilidade para o diálogo e para a concertação, não haverá nenhuma declaração unilateral sem ante dialogar”. José Manuel Bolieiro não exclui nenhum partido do diálogo, nem o Chega.

 “O quadro é tão polivalente que pode admitir tudo. Pode admitir uma solução de liderança de oposição como até uma responsabilidade alternativa. Hoje é o parlamento que determina a formação do governo e não apenas o ato eleitoral e o voto. Reafirmo a minha disponibilidade mas nunca através de uma declaração unilateral”, diz, deixando a porta aberta a uma maioria de direita nos Açores.

Bolieiro disse não ter conversado com nenhum partido, e que essas conversas vêm a seguir, não esta noite. 

O líder do PSD a nível nacional, Rui Rio, afirmou sobre as eleições regionais que “a vitória não sabe a pouco” para o PSD, já que “o mais normal é que o PS ganhasse a maioria absoluta” e “ficou muito longe”. Rio afirmou que “com base nestes resultados a governabilidade dos Açores não é simples”. E não descartou uma “geringonça” de direita.

Segundo referiu, “a direita toda consegue, mas é muito fracionada, tem muitos partidos, mas também não será fácil. A direção regional tem de decidir”. O líder social-democrata diz, no entanto, que “o primeiro partido a ser chamado a formar governo é o PS, que ficou em primeiro”.

Por seu turno, Artur Lima, presidente do CDS Açores, reagindo aos resultados eleitorais, afirmou que “os açorianos deram finalmente este sinal de não darem maioria absoluta a um só partido, tardou”. 

“O CDS foi o primeiro a enfrentar o embate forte de oposição à direita com o Chega e o Iniciativa Liberal. O que mostra que o CDS é um valor seguro para os açorianos e temos conseguido sustentadamente ser a terceira força nos Açores”, realçou.

Para Artur Lima, o CDS manter-se como terceira forte é um sinal de que “o CDS está vivo e recomenda-se”.

Lançou ainda duras críticas a “gentalha das sondagens” devido à sondagem que foi divulgada na última semana de campanha, por ser feita apenas em duas ilhas e não ser reflexo do que se passa nos Açores.

Na reacção aos resultados, o líder do Bloco de Esquerda nos Açores afirmou por sua vez que “foi um grande resultado para o BE, que vê reforçada a sua capacidade de trabalho”. Destacou que “com esta vitória, o BE não contribuiu para o crescimento da extrema-direita”.

Questionado pelos jornalistas se o Bloco estará disponível para negociar com o PS, que ficou sem a maioria absoluta, António Lima referiu que o partido “trabalhará orçamento a orçamento, proposta a proposta, cumprindo com o seu programa eleitoral”.

O bloquista acrescentou ainda que “o PS tem que reflectir, perante o resultado, se quer continuar o caminho que estava a fazer ou se quer fazer uma mudança que permita mudar a vida dos açorianos”.

Já o recém-eleito deputado do Chega, Carlos Furtado, não escondeu a satisfação pela eleição, considerando que o resultado obtido no escrutínio de domingo “mostra que o povo está atento e com vontade de corrigir as assimetrias deixadas por tantos anos de governação”. 

André Ventura, líder nacional do Chega, que acompanhou a campanha de perto nos Açores, afirmou que o “povo está a libertar-se do socialismo que é crónico, difícil e corrupto, muitas vezes, na região como no continente”. 

Por seu turno, Pedro Neves, do Partido Pessoas-Animais –Natureza (PAN) apontou que a eleição de um deputado para o parlamento açoriano representa a “consolidação do partido na região”. 

O porta-voz do partido destacou que as “políticas fora da bolha” do PAN contribuíram para a redução da abstenção neste acto eleitoral e o resultado obtido é sinal de que “é possível mudar o sistema”.

Já Marco Varela, da CDU, falou em “empobrecimento democrático”  com a perda do lugar no parlamento açoriano e afirmou que o resultado obtido pelo PS “não é separável da intensa campanha de condicionamento eleitoral e que beneficiou ainda da instrumentalização, por parte do Governo Regional” da pandemia de covid-19. Sobre a eleição de deputados pelos novos partidos, Marco Varela apontou que estes encontraram “um ambiente de descrença generalizada” entre a população, o que resultou na “recolha de votos que inconsequentes”.