Secretário da Saúde também “interveio” com telefonema

hospital angra

Inquérito sobre o caso da evacuação médica

O relatório do inquérito da Inspecção Regional de Saúde sobre o caso da evacuação médica de uma familiar da Presidente do Hospital de Angra foi ontem entregue ao parlamento regional pelo Presidente do Governo, que o tinha mandado instaurar, depois da Secretaria da Saúde ter considerado “não existir necessidade de abrir inquérito”.

O relatório, a que o nosso jornal teve acesso, é bastante extenso, com muitas transcrições dos vários testemunhos e pessoas envolvidas no caso (19 pessoas), mas não chega a conclusão nenhuma, fazendo apenas recomendações relacionadas com organização interna das várias unidades intervenientes.

O próprio Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, faz no fim um despacho, onde não responsabiliza ninguém, fazendo também apenas recomendações aos organismos intervenientes e pedindo à Secretaria da Saúde, Serviço Regional da Protecção Civil e Hospital de Angra para procederem a vários melhoramentos em termos organizativos.

Em próximas edições o nosso jornal dará conta de mais informações contidas no relatório, mas, para já, ressalta num depoimento do Presidente do Serviço regional da Protecção Civil que, afinal, o Secretário Regional da Saúde, Rui Luis, tinha conhecimento de tudo o que se passou no dia do próprio caso que gerou toda a polémica, tendo mesmo feito telefonemas.

De acordo com o relato, o Presidente da Protecção Civil, Carlos Neves, ligou naquele dia para a médica reguladora “ a transmitir que o Secretário Regional da Saúde terá tido informação de que a criança da Graciosa está estabilizada e que se tornou mais grave e mais urgente evacuar a senhora da outra ilha, que é São Jorge”.

Os relatos confirmam a interferência da Presidente do Hospital de Angra e agora, também, fica-se a saber que até o Secretário da Saúde interveio com telefonema a dar a sua opinião.

Nas próximas edições daremos conta de mais pormenores.

 

Açorianos estão a fazer mais compras com cartões bancários

cartão de créditoOs levantamentos em caixas ATM (multibanco) atingiram em Setembro de 2018, nos Açores, um montante total de 50,2 milhões de euros, um acréscimo homólogo de 0,5%, anunciou ontem o SREA.

Destes, cerca de 45,4 milhões de euros são de levantamentos nacionais, o que representa uma variação homóloga positiva de 0,5% e cerca de 4,9 milhões de euros dizem respeito a levantamentos internacionais, o que representa uma variação homóloga positiva de 1,2%. 

A nível nacional, os levantamentos totalizaram 2.428,7 milhões de euros, verificando-se um acréscimo homólogo de 1,1%.

No terceiro trimestre de 2018, os levantamentos em caixas ATM totalizaram 167,8 milhões de euros, crescendo 2,1% em comparação com igual período do ano anterior (164,3 milhões de euros).

Em termos acumulados, nos primeiros 9 meses do ano, verifica-se uma variação homóloga positiva de 2,7% no levantamento em caixas ATM.

 

Compras em terminais crescem

 

As compras realizadas por intermédio de terminais TPA atingiram em setembro de 2018, nos Açores, um montante total de 79,8 milhões de euros, um acréscimo homólogo de 6,4%. 

Destes, cerca de 69,2 milhões de euros são de compras efectuadas com cartões de bancos nacionais (um acréscimo homólogo de 5,0%) e cerca de 10,6 milhões de euros dizem respeito a compras efectuadas com cartões de bancos internacionais, o que representa uma variação homóloga positiva de 15,8%. 

A nível nacional, as compras totalizaram 3.646,6 milhões de euros, verificando-se um acréscimo homólogo de 7,2%.

No terceiro trimestre de 2018, as compras efectuadas por intermédio de terminais TPA totalizaram 269,7 milhões de euros, crescendo 8,0% em comparação com igual período do ano anterior (249,8 milhões de euros).

Em termos acumulados, nos primeiros 9 meses do ano, verifica-se uma variação homóloga positiva de 8,8% nas compras realizadas com recurso a terminais TPA.

Os pagamentos de serviços realizados neste mês por intermédio TPA, nos Açores, ascenderam a cerca de 788 mil euros, representando um acréscimo homólogo de 5,8%.

 

Conta satélite de 2015: Consumo do turismo gerou um valor de mais de 500 milhões de euros

actividades turismoMais de 500 milhões de euros, foi quanto gerou o consumo de turismo nos Açores no ano de 2015, segundo a Conta satélite de 2015 revelada ontem pelo SREA.

A conta satélite do turismo dos Açores produz vários indicadores que caracterizam o contributo desta actividade segundo a perspectiva da produção, da geração de riqueza e do emprego, entre outros.

 

Consumo de 541,3 milhões, sendo 160,8 milhões internos

 

Pela conta satélite de 2015, ficamos a saber que, nesse ano, o consumo do turismo gerou um valor de 541,3 milhões de euros, repartido em 380 milhões pelo turismo externo e 160,8 milhões pelo turismo interno (onde se incluem todas as viagens feitas entre ilhas). 

 

Riqueza gerada de 225,3 milhões de euros

 

Esta actividade gerou um valor líquido de riqueza de 225,3 milhões de euros, com um contributo total de cerca de 6,7% do valor total regional (3.362,7 milhões). Toda esta actividade gera 11.905 postos de trabalho, o que representa cerca de 10% do emprego daquele ano. O turismo receptor (externo) representa 70% do sector ficando o remanescente por conta do turismo interno.

 

Transportes, alojamento e restauração lideram emprego

 

A actividade que mais emprego gera é a restauração, com 32,1%, seguido dos hotéis e similares, com 19,7%, seguindo-se os serviços culturais e recreativos, com 15,2%, os serviços auxiliares dos transportes, com 10,6%, o transporte aéreo, com 8,3% e o transporte rodoviário com 6,4%. O aluguer de equipamentos de transporte representa 3,3% do emprego. 

No seu conjunto, as várias actividades de transporte geram 30% do emprego do turismo. As remunerações são relativamente mais elevadas nas áreas do transporte aéreo e serviços auxiliares do transporte e mais baixos nos serviços culturais, restauração e hotelaria. Na distribuição por criação de riqueza lidera a hotelaria e similares, seguida dos restaurantes e dos transportes aéreos. 

As actividades não características do turismo geram 9,1% do VAB do turismo.

 

Peso do sector equivalente ao nacional e a menos de metade do da Madeira

Com 6,7% do VAB gerado no turismo a Região iguala a percentagem nacional mas fica longe dos 15,9% da percentagem da Madeira. 

Os Açores têm, assim, um peso já muito significativo do turismo na sua economia, quando nos reportamos a 2015. 

Por comparação, naquele mesmo ano, os sectores da agricultura e pescas geraram 316,4 milhões de euros de valor acrescentado, a indústria transformadora gerou 288,9 milhões e a construção 124,5 milhões.

De acordo com a leitura da conta, constata-se que os Hotéis geram mais valor (capital intensivos) e a restauração gera mais empregos. 

Os transportes aéreos geram mais valor e menos emprego (actividade capital intensiva).

 

Empresas públicas com passivo de quase 50 milhões de euros

sata 321 neo

As contas do primeiro semestre das empresas públicas regionais foram conhecidas ontem, depois do governo as ter entregue no parlamento regional.

Numa análise a todas elas constata-se que cerca de uma dezena apresenta resultados líquidos negativos, que quase atingem os 50 milhões de euros.

Só os três hospitais da região e o Grupo SATA são responsáveis por mais de 40 milhões de euros negativos.

O caso mais grave é o do Grupo SATA, que apresenta prejuízos para a Internacional no valor de mais de 28 milhões de euros e a Air Açores mais de 3 milhões, somando perto de 32 milhões de euros.

Os três hospitais são responsáveis por mais de 10 milhões de resultados negativos, com o de Ponta Delgada a apresentar valores de quase 7 milhões o de Angra mais de 2,5 milhões e o da Horta de quase 1 milhão.

A Portos dos Açores regista neste primeiro semestre mais de 1,7 milhões de resultados negativos, a Lotaçor perto de 800 mil, a fábrica de Santa Catarina quase meio milhão, a Sinaga 161 mil euros, a Azorina 116 mil euros e as Pousadas da Juventude 90 mil euros.

Algumas empresas apresentam resultados positivos, fruto do recebimento de subsídios, e a única que mostra solidez nas contas, com elevado lucro, é a EDA, como vem sendo habitual.

O caso da SATA, que tem sido visto por vários sectores da sociedade como um dos mais preocupantes, é agravado neste semestre, quando comparado com o mesmo semestre do ano passado, que atingiu 25 milhões de resultados negativos, aumentando agora mais 7 milhões.

A Internacional tinha registado no primeiro semestre do ano passado 20,6 milhões de prejuízos (agora 28,2 milhões) e a Air Açores 4,5 milhões (agora 3,7 milhões).

Neste semestre já vai perto dos 32 milhões, quando no ano inteiro de 2017 encerrou as contas com prejuízos de 41 milhões de euros, valor que quase triplicou em relação a 2016 (14 milhões).

O resultado negativo das contas do ano passado representa mesmo o maior prejuízo da história da SATA, que até agora tinha em 2014 o seu pior recorde de sempre, altura em que fechou as contas com um prejuízo de 35 milhões de euros, sendo provável que este recorde seja ultrapassado este ano.

De acordo com o relatório de contas, os prejuízos da companhia aérea açoriana de então aumentaram substancialmente, face ao ano anterior, apesar de a SATA ter registado, no mesmo período, um aumento das vendas de 14,2 milhões de euros.

Os custos com pessoal aumentaram de 60,3 para 62,1 milhões e os gastos com fretamentos de aeronaves a outras companhias aéreas quase duplicaram, passando de cinco para 9,8 milhões de euros.

Os capitais próprios do Grupo SATA continuaram também a cair, sendo de 133 milhões de euros negativos, enquanto o passivo da transportadora aumentou de 254 para 286 milhões de euros e as dívidas a fornecedores passaram de 45 para 55 milhões de euros. 

Governo executou apenas 36% do Plano no primeiro semestre

ponta delgada - avenidaO Governo Regional dos Açores executou no primeiro semestre deste ano apenas 36,6% dos investimentos previsto no Plano de 2018, ou seja, 186,4 milhões de euros dos 509,3 milhões previstos.

Numa análise aos documentos do governo , a que o “Diário dos Açores” teve acesso, constata-se que, a manter este ritmo de investimento, isto quer dizer que, no final do ano, apenas se irá executar cerca de 73% do valor anunciado.

Se assim for, não será novidade, já que se trata de um registo que tem sido habitual nos últimos anos, com taxas de execução à volta deste valor. 

Isto quer dizer que do valor anunciado do Plano, 137,5 milhões de euros não serão executados. 

 

Pagamento às SCUT com grande peso

 

Dos diversos objectivos do Plano, o fomento da melhoria da sustentabilidade e as redes de transporte têm a melhor taxa de execução, com 43,1%, seguido do crescimento económico e emprego, com 35,6%, o reforço da qualificação com 30,3% e a modernização da comunicação institucional e comunidades com apenas 11,2%. 

Para se perceber a justificação destes valores importa olhar para os programas e os projectos, mas sobretudo para os projectos que dominam em cada objectivo. 

Começando pelo objectivo melhor executado, que inclui os transportes, nota-se que estes, com um valor orçamentado de 133,4 milhões de euros, apresentam uma execução de 48,3%, muito influenciada pela execução de 78% nos pagamentos às SCUTS (22,7 milhões de euros dos 29,1 milhões orçamentados), e os 53,8% das subvenções feitas, sobretudo, à SATA e à Atlânticoline (27,4 dos 50,9 milhões orçamentados). 

Só nestas duas rubricas temos 50 dos 64,6 milhões de euros executados no respectivo programa. 

Se no caso dos apoios ao transporte a execução está em linha como o que seria de esperar, para o caso das SCUT, salvo situações concentradas de pagamentos, a este ritmo vai faltar dinheiro para cumprir com as obrigações deste projecto (a este ritmo vão faltar 16 milhões de euros só para este projecto).

 

Turismo, agricultura e pescas em menos de metade do anunciado

 

Passando ao objectivo de dinamização da economia e do emprego, é notória a relativamente elevada execução do programa Empresas, Emprego e Eficiência Administrativa (45,3%), que contrasta com os 25,9% de execução no programa da agricultura, 26,5% do das pescas e 29,4% do turismo. 

Afinal, os desembolsos efectivos no fomento do turismo, da agricultura e das pescas ficam-se por quase metade do anunciado. 

É por isso que as dívidas da ATA são tão elevadas (ler artigo na página 7).

No objectivo que compreende a educação e a saúde, sobressai uma execução de 29% para as construções escolares, 34% para o apoio social e 62,6% para a Parceria Público Privada do Hospital de Angra, que é mais um empreendimento em regime SCUT. 

Também este programa, mantendo o ritmo do primeiro semestre, irá ultrapassar os valores orçamentados.

 

Programas com 0% de execução

 

No último objectivo, com uma execução de 11,2%, é notória a baixa execução do projecto de apoio aos “media”, com um registo de 3% (28.063 euros em 926.350 euros orçamentados). 

O programa das relações externas e comunidades fica-se por uma execução de 16,3%, sendo que apenas o projecto de afirmação na Europa logra uma taxa de execução de 40%. 

Os programas Emigrado e Regressado e Imigrado e Interculturalidade têm taxas de execução de 0% e 6,7%, respectivamente.

Em suma, a execução do Plano 2018 está, no primeiro semestre de 2018, condicionada pelas grandes rubricas dos transportes (aéreo e marítimo) e pelas duas SCUTS (estradas de S. Miguel e Hospital de Angra). 

Estes três projectos representam 31% do valor do Plano executado. 

Se juntarmos mais dois projectos, o da competitividade empresarial, com 28,5 milhões de euros e o da modernização agrícola, com 7,5 milhões de euros, esta percentagem sobe para 50%. 

Cinco projectos são responsáveis por metade dos valores do plano executado até agora.

Mais Lidas nos últimos 3 dias

Condutor detido com 2,94 g/l de álcool no sangue
terça, 13 novembro 2018, 00:00
Faleceu o deputado do PSD/Açores Paulo Parece
terça, 13 novembro 2018, 00:00