Floricultura e produção de ananás entre as áreas mais afectadas pela pandemia

estufa flores

É com “muita apreensão” que a Terra Verde - Associação de Produtores Agrícolas dos Açores olha para o que será o futuro da agricultura na região. Um sector que sairá “fragilizado” da situação de pandemia em que actualmente se vive, pelo que a associação exige “soluções rápidas e eficazes” do Governo Regional para reforçar a liquidez dos produtores. 

Entre as áreas agrícolas mais afectadas pela pandemia, a floricultura é a que mais preocupa a Terra Verde. “Este é, até ao momento, o sector mais afectado pela pandemia, na medida em que todos os eventos foram cancelados, e consequentemente toda a produção planeada para as datas festivas foi para o lixo”, lamenta o presidente da associação.

Manuel Ledo refere ao Diário dos Açores que os produtores descrevem a situação como “uma dor de alma”, afirmando que “não há memória de uma época em que essa situação acontecesse”.

De acordo com o responsável, a situação agrava-se ainda mais “pelo facto de não se perspectivar melhorias para este ano, e portanto, exige uma solução rápida e eficaz por parte do Governo Regional dos Açores para reforçar a liquidez destes produtores”.

 

Crise na produção de ananás 

 

A Terra Verde manifesta ainda “bastante apreensão” com a produção do ananás. Segundo explica, parte da produção regional foi planeada há mais de um ano para a época alta do turismo e “a falta de turismo será um grande desafio para o escoamento da produção que mais uma vez, encontrava na hotelaria um parceiro de excelência para o escoamento, mas agravado também pela diminuição do consumo através da compra directa”.

“Sabemos que neste momento, o preço pago ao produtor é consideravelmente inferior ao valor pago em período homólogo no ano anterior, teme-se que com o aumento da oferta nos meses seguintes e diminuição da procura, o preço baixe ainda mais. Ainda que haja mercado para a exportação, a verdade é que o preço pago ao produtor, neste momento, dificilmente assegura os custos de produção”, refere Manuel Ledo.

No sector hortofrutícola, o responsável fez um ponto de situação, frisando que o problema foi o escoamento, com a redução do consumo: “Os produtores não deixaram de produzir, mas a verdade é que o consumo diminuiu consideravelmente, e isso é o que nos preocupa”, afirma.

Segundo explica, “o planeamento de uma produção é efectuado com a devida antecedência e, portanto, logo aí, a produção existente no campo hoje, foi pensada, para uma época em que o turismo estaria em alta e para fornecer restaurantes, hotéis, escolas, etc.”, espaços estes que encerraram “de forma imediata” e continuam encerrados. 

“Além disso, não nos podemos esquecer que apesar das grandes superfícies, frutarias e distribuidores continuarem em funcionamento, as idas às compras foram reduzidas, a aquisição de produtos mais perecíveis diminuiu”, acrescenta. 

Uma das formas de tentar contornar a situação foi a entrega de cabazes no domicílio por parte dos produtores. Uma medida que ajudou, mas não resolve o problema. “Precisamos perceber que nem todos os produtores têm capacidade para se adaptar a este modelo de funcionamento e que esta foi uma aposta dos produtores que comercializam habitualmente no mercado da Graça”, salienta. 

Percebendo a necessidade de fazer chegar os produtos aos consumidores, a associação criou a página Fome Zero/Desperdício Zero na rede social Facebook, “disponibilizando todos os contactos dos produtores para que qualquer pessoa pudesse contactá-los directamente e agilizar a entrega ao domicílio”. A medida permitiu “uma proximidade entre produtores que, não tendo capacidade de resposta para todos os produtos, encontraram nesta lista os contactos de outros produtores que lhes permitiram complementar a sua oferta”, aponta Manuel Ledo. 

 

Capacidade de “resiliência e 

de adaptação” dos agricultores

 

Apesar das dificuldades, Manuel Ledo destaca a “incrível capacidade de resiliência e de adaptação” dos agricultores “que, em momento algum deixaram de produzir e exercer a sua actividade para garantir o abastecimento da cadeia, inclusivamente, se predispuseram para fazer entregas ao domicílio a todos os cidadãos em situação de confinamento”.

Nota positiva também para a forma como interagiram os intervenientes da cadeia agroalimentar, entre produtores, empresas, associações, organizações e a tutela: “Desde o primeiro momento, assistiu-se a uma proximidade e disponibilidade de todos para evitar quaisquer constrangimentos no acesso à alimentação, e esse objectivo foi conseguido”, realça o presidente da Terra Verde, salientando ainda que “felizmente, apesar do risco, não houve, até ao momento, casos positivos para o novo coronavírus nos produtores regionais”. 

Agora, diz, é tempo de “todos os envolvidos na cadeia agroalimentar se sentarem à mesma mesa e definir uma estratégia a médio, longo prazo”.

 

Reforço da liquidez dos produtores 

e antecipação de subsídios

 

A associação transmitiu as suas preocupações, na semana passada, ao Secretário Regional da Agricultura e Florestas, em reunião com o grupo de acompanhamento, onde subscreveu o pedido da Federação Agrícola dos Açores para que, este ano, não exista rateio das verbas do POSEI, bem como a necessidade de reforçar este apoio. 

“No nosso entender, sendo uma situação excepcional, o importante é que se reforce a liquidez dos produtores, seja através do POSEI ou de outra medida de apoio. Foi ainda solicitada uma antecipação do subsídios, de forma a que os mesmos sejam pagos em duas tranches mas no ano corrente”, explica Manuel Ledo.

 

Levantamento de perdas e quebras

 

Na sequência da reunião de acompanhamento, a Terra Verde vai agora proceder ao levantamento das perdas e quebras dos produtores. E irá fazê-lo, “não só com base na facturação deste ano em comparação com o período homólogo do ano anterior, mas também trabalhar com os nossos parceiros e intermediários que estão neste momento a facultar informação sobre a previsão de compras que tinham para cada produtor e o que, por força da situação actual, efectivamente estão a comprar”, explica o presidente da associação. 

“Esta informação será um importante contributo para perceber a real situação do sector. No nosso entender, o contributo dos intermediários é fundamental para a definição de uma estratégia de apoio aos produtores, na medida em que, com base no que adquiriram ao produtor conseguimos perceber facilmente o que não foi comercializado e resultou em perdas para o produtor”, explicita Manuel Ledo.

Com muito ainda por fazer para “alavancar e apoiar o sector que sairá desta situação fragilizado”, o presidente da Associação de Produtores Agrícolas dos Açores conclui, afirmando ser “fundamental que o Governo Regional disponibilize medidas de apoio à medida das necessidades excepcionais desta situação”.

 

“Há enfermeiros a fazer 15 turnos seguidos porque não há ninguém para os substituir”

00Pedro Soares

Em Janeiro deste ano, a Organização Mundial de Saúde decretou o ano 2020 como o Ano Internacional do Enfermeiro, longe de imaginar que uma pandemia vinha a caminho e iria afectar toda a humanidade.

Neste Dia Internacional do Enfermeiro, Pedro Soares, Presidente do Conselho Directivo Regional da Secção Regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, recordou as mais recentes lutas dos enfermeiros pela valorização da carreira profissional, estando certo que “com esta pandemia pudemos perceber que o papel dos enfermeiros é fundamental na saúde da nossa população”.

 

Diário dos Açores - Hoje assinala-se o Dia Internacional do Enfermeiro numa altura em que o mundo luta contra o coronavírus. Que significado tem hoje esta data para a classe?

Pedro Soares – Principalmente este ano, esta data tem um significado muito importante porque veio trazer uma tomada de consciência daquilo que é a real importância do enfermeiro no nosso dia-a-dia. Por outro lado, vem também levantar um pouco a questão sobre a real situação da profissão e da necessidade do reconhecimento e de uma maior valorização profissional. Recordo que até há bem pouco tempo tivemos as nossas lutas, com greves, para tentarmos demonstrar não só esta falta de reconhecimento e de valorização profissional, mas também as más condições dos sistemas de saúde como é o caso, por exemplo, da falta de equipamentos e da falta de profissionais.

 

A seu ver, esta pandemia veio expor, ainda mais estas dificuldades que os enfermeiros sentiam no dia-a-dia?

PS – Sem dúvida. A Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros começou o seu mandato em Janeiro deste ano e, desde então, que temos vindo a alertar que havia falta, nos Açores, de enfermeiros no terreno. Com esta pandemia, ficou visível que o número de enfermeiros na Região é apenas o mínimo e indispensável e a qualquer momento que ocorra uma situação fora do normal cria muitas dificuldades ao Sistema Regional de Saúde. Isto pode ver-se, por exemplo, nos lares onde há uma sob lotação ao nível de colocações seguras de enfermagem, havendo, neste momento, enfermeiros a fazer 15 turnos seguidos, sem descanso, sem fins-de-semana, porque não há ninguém para os substituir.

 

Neste combate à pandemia qual foi o maior desafio que a classe teve que ultrapassar?

PS – O grande desafio passou por combater o próprio nível de ansiedade dos enfermeiros. Há um estudo que irá sair muito em breve que revela que 40% dos enfermeiros apresentam níveis de ansiedade muito altos. A necessidade de adaptação a este combate, o medo de infectar a família, o excesso de carga horária – estamos a falar de cargas horárias de 12 horas por dia, muitas vezes seis ou sete dias seguidos. Há enfermeiros que fizeram, em algumas instituições, sempre noites, durante 15 dias. Ou seja, a grande questão aqui foi o combate à ansiedade e ao desgaste que isto provoca e, claro, a uma total adaptação que teve que ser feita a uma situação completamente nova para todos. Embora estejamos preparados ao nível técnico, foi sempre necessário haver uma adaptação.

 

Acredita que após esta fase pandémica surgirá uma nova consciência quanto à necessidade da valorização profissional dos enfermeiros?

PS – Eu quero acreditar que sim. Quero acreditar que se perceba, de uma vez por todas, e que se tome consciência do profissionalismo que temos ao nível da enfermagem nos Açores, da entrega e do sacrifício que foi e têm sido estes dias, que haja uma maior valorização e que se ouçam mais estes profissionais de saúde. Entendo que com esta pandemia pudemos perceber que o papel dos enfermeiros é fundamental na saúde da nossa população. O cansaço já é muito, já há um grande desgaste em toda a enfermagem, mas continuamos naquela linha que é única e que separa o Covid de toda a nossa população. Acredito mesmo que os Açores perceberam isto.

 

A emigração é ainda um problema bem patente na classe?

PS – Infelizmente sim, este continua a ser um problema e por uma razão muito simples: se não são abertas vagas para novas entradas no mercado de trabalho, os enfermeiros são obrigados, praticamente, a procurar outras paragens. Neste momento, a nível mundial, tudo mudou. Estamos atentos a esta situação e vamos iniciar um estudo para tentarmos percebermos, a nível mundial como está a situação com os nossos enfermeiros portugueses. 

 

Curiosamente a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou em Janeiro que 2020 seria o Ano Internacional do Enfermeiro. Se na altura, poderia ser uma matéria que passaria ao lado de muitas pessoas, hoje faz todo o sentido tendo em conta todo o contexto em que vivemos?

PS – Absolutamente! A OMS estava longe de prever toda esta situação que estamos a viver. E que maneira de celebrar este ano, precisamente com o combate a este vírus pela frente. Mas é o que a vida nos deu, e é o combate que, de certeza, vamos, todos juntos, ganhar e marcar, sem dúvida, este ano da melhor maneira.

 

Neste dia do enfermeiro qual a mensagem que deixa não só à sociedade, mas também a todos os enfermeiros?

PS – À sociedade digo que deve ter cada vez mais presente o quão vulneráveis somos e o quão ligados e dependentes estamos uns dos outros. Aos enfermeiros, deixo uma mensagem de esperança, parabenizando toda a classe pela forma profissional como está a enfrentar toda esta situação e como se adaptou e este novo contexto, com a certeza que [os enfermeiros] já são um exemplo inesquecível na vida da comunidade do nosso arquipélago.

 

Por Olivéria Santos

Autoridade de Saúde determina encerramento do lar de idosos do Nordeste

1 AAA Tiago lopes

A Autoridade de Saúde Regional determinou ontem o encerramento da Estrutura Residencial para Idosos da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, no dia em que foi conhecido um novo caso diagnosticado com covid-19 e sete recuperados no contexto do lar.

O novo caso diz respeito a um funcionário do lar, de 23 anos de idade, que se encontrava em isolamento numa unidade de Alojamento Local no Nordeste. Depois de um período de quarentena, foi testado antes de regressar ao trabalho e obteve resultado positivo para o novo coronavírus.

Com a decisão de fechar o lar, tomada em articulação com o Governo dos Açores, a Câmara Municipal do Nordeste e a Santa Casa, os utentes positivos activos que se encontravam internados no Centro de Saúde do Nordeste foram transferidos para o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, enquanto os utentes institucionalizados na Estrutura Residencial para Idosos da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste passaram para o respectivo Centro de Saúde. 

Já os casos recuperados que se encontravam no Centro de Saúde do Nordeste e no HDES “serão transferidos para o Centro de Saúde da Povoação, passando a constituir o internamento desta unidade de saúde um espaço exclusivamente destinado a utentes recuperados de covid-19”, avançou ontem a Autoridade de Saúde. 

Quanto aos utentes de Cuidados Continuados Integrados que se encontravam internados no Centro de Saúde da Povoação são transferidos para o Centro de Saúde da Ribeira Grande, para uma “ala recém-criada de acolhimento suplementar”.

O objectivo, segundo avançou ontem Tiago Lopes, em conferência de imprensa, passa por promover uma “separação clara” entre os utentes positivos, recuperados e negativos, quando não existem garantias de não haver “casos de reinfecção”. 

Tiago Lopes afirmou que, neste aspecto, a Região “não foi a reboque” do que foi feito nos lares de idosos em território continental, em que casos “positivos e negativos ficaram todos no mesmo espaço”.

“Desde o início não fomos a reboque de nenhuma orientação, pensámos por nós próprios e instituímos uma metodologia diferente”, sublinhou, recordando que os utentes infectados foram numa primeira fase para o HDES, depois, “para não sobrecarregar” o hospital foi criada uma enfermaria específica para tratar doentes de covid-19 no Centro de Saúde do Nordeste.

“Todos os utentes (positivos) do lar foram transferidos para estas duas unidades de saúde, para que tivessem acesso a cuidados de saúde diferenciados, ao contrário do que foi feito no continente, ao introduzirem metodologias, profissionais e equipamentos diferentes em estruturas que não são unidades de saúde”, recordou o responsável da Autoridade de Saúde Regional e Director Regional da Saúde.

Realçando que a recuperação dos sete casos registados ontem no lar “de utentes de 80 e 90 anos” é “um sinal de resistência”, Tiago Lopes explicou que a Região está a continuar com a sua metodologia de “não misturar” casos.

“Os casos positivos não se vão misturar com casos negativos, os negativos não se vão misturar com os recuperados. É neste sentido que estamos a fazer este procedimento de criar uma outra enfermaria de covid-19 para os casos recuperados no Centro de Saúde da Povoação”, frisou.

Segundo explicou aos jornalistas no briefing diário feito a partir do Solar dos Remédios, em Angra do Heroísmo, os utentes dos cuidados continuados da Povoação foram transferidos para a Ribeira Grande para não terem contacto com os doentes recuperados de covid-19, transferidos do Nordeste. Isto para evitar possíveis contágios em casos de reinfecção.

“Temos muito ainda a aprender sobre o vírus. Existem relatos além-fronteiras de casos de reinfecção e nada nos assegura que estes casos recuperados possam reinfectar e, portanto, não vamos misturar” os utentes, reiterou.

 

Utentes do lar sem covid tratados 

como “potenciais positivos”

 

Quanto à enfermaria para tratamento da covid-19 no centro de saúde do Nordeste, Tiago Lopes garantiu que tem a capacidade necessária para ficar a cargo dos utentes negativos para covid-19 que estavam institucionalizados no lar agora encerrado.  

“Esta enfermaria tem profissionais, equipamentos e metodologias de trabalho próprias e específicas para o atendimento de possíveis casos positivos e, enquanto não terminarmos a bateria de testes ao longo das próximas semanas, estes utentes irão ser tratados como potenciais positivos”, esclareceu Tiago Lopes. 

A Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel passa assim a ter duas enfermarias dedicadas em exclusivo ao novo coronavírus, no Nordeste e na Povoação, e o HDES passará a receber todos os casos positivos que entretanto possam surgir.

 

Regresso a uma 

“nova normalidade”

 

O director regional considerou que as medidas agora tomadas irão permitir um eventual regresso à “nova realidade”, tão desejado no concelho.

De acordo com o responsável, as alterações implementadas vão “permitir que a estrutura residencial para idosos fique vazia, que possamos iniciar, em articulação com a Câmara Municipal e com a Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, todos os procedimentos de limpeza e desinfecção da estrutura” para que, passados 14 dias de quarentena em vigilância, os utentes recuperados possam voltar para o lar, “num regresso progressivo à normalidade”, explicou.

“Tal como o presidente da câmara municipal e o provedor da Santa Casa da Misericórdia nos transmitiram, a população do Nordeste está com alguma ansiedade de regressar à normalidade e de sentir segurança de que estamos a caminhar para esta nova normalidade. Hoje, com os casos de recuperação registados, damos mais um passo nesse sentido”, considerou Tiago Lopes.

Recorde-se que a cadeia de transmissão no Nordeste infectou um total de 54 pessoas, em que 10 faleceram e 12 recuperaram. Por “prevenção” e “precaução”, as cercas sanitárias no concelho vão continuar até ao dia 18 de Maio, “embora nada aponte para novos casos na comunidade”, referiu o responsável.

Os funcionários e utentes do lar vão fazer novos testes e, “se tudo correr bem, nas próximas semans teremos a situação resolvida no concelho do Nordeste”, avançou.

 

11 novos recuperados 

 

Até às 00h00 de ontem, a Região registou a recuperação de mais 11 pessoas que estavam infectadas, 9 na ilha de São Miguel e 2 da Graciosa, elevando para 64 o número total de casos de recuperação nos Açores. Dos 9 em São Miguel, dois são do concelho da Ribeira Grande e os restantes estão ligados ao lar do Nordeste (dois utentes encontravam-se internados no lar e cinco estavam no Centro de Saúde do Nordeste). São seis mulheres com idades compreendidas entre os 56 e 92 anos, e cinco homens, com idades entre os 49 e os 91 anos.

 No total, foram detectados nos Açores um total de 144 casos de Covid-19, verificando-se 64 recuperados, 14 óbitos, havendo 66 casos positivos activos. Destes, 50 estão em São Miguel, dois na ilha Terceira, dois na Graciosa, dois em São Jorge, cinco no Pico e cinco no Faial. Na Terceira, Graciosa e São Jorge há, neste momento, mais casos recuperados do que activos. 

Dos casos activos, 23 estão internados, 20 no HDES, 2 no HSEIT e um no Hospital da Horta. Em contexto domiciliário estão 43 pessoas com covid-19.

 Quanto aos números por concelhos da ilha de São Miguel, em Ponta Delgada existem actualmente 11 casos positivos activos, 21 recuperados e há a registar 3 óbitos; na Povoação existem cinco casos activos, três recuperados e 1 óbito; na Ribeira Grande há dois positivos activos e quatro recuperados; no Nordeste há 32 casos positivos activos, 12 recuperados e 10 óbitos. Em Vila Franca do Campo e na Lagoa já não existem casos activos, apenas 2 recuperados em cada um destes concelhos.

Segundo o ponto de situação, existiam ontem 626 pessoas a aguardar colheitas ou resultados de análises e 1982 em vigilância activa. 

 

Pandemia “poderá obrigar-nos a reflectir o modo como está organizado o ensino”

enfermeiroA Escola Superior de Saúde (ESS) da Universidade dos Açores assinalou ontem o sexto aniversário, dedicando a comemoração aos enfermeiros que se encontram na linha da frente do combate à Covid-19 nos Açores.

“Queremos dedicar este aniversário da escola a todos os enfermeiros, formados nos Açores e não só, que hoje estão no combate a esta ameaça à saúde pública, demonstrando ser fundamentais no controlo desta situação e que têm desempenhado o seu papel com uma qualidade que só honra a escola. Queremos agradecer todo o trabalho que têm feito em prol da saúde da nossa população dos Açores”, afirmou a presidente da instituição, Carmen Andrade, em declarações ao Diário dos Açores.

A formação para o combate a situações de pandemia tem sido desde sempre uma preocupação da escola. Segundo referiu, “a ESS assume a sua missão de ensino com o maior sentido de responsabilidade e, na formação dos estudantes de enfermagem, estas situações de ameaça à saúde pública são já abordadas”. 

“Os Açores são uma região sujeita a intempéries, a situações de sismos ou outros fenómenos atmosféricos ou climáticos, pelo que tem sido uma aposta da escola a formação nestas situações de ameaça. E a formação é dada não só pensando nestes cenários, como também nas ameaças das infecções, tão comuns nos cuidados de saúde”, explica a presidente.

Carmen Andrade acrescenta que esta preocupação “reforça a necessidade de investimento da escola nesta área de formação”.

 “A situação de pandemia em que agora se vive poderá obrigar-nos a reflectir sobre o modo como está organizado o ensino nesta área em concreto e o que é que podemos aprender com esta pandemia para que, em outras situações futuras, os nossos estudantes e futuros profissionais possam actuar de uma forma ainda mais segura. Até porque continuamos a ouvir que a ameaça de uma segunda ou terceira reinfecção ‘está à porta’ e é importante que se continue a dar formação neste sentido”, considerou a responsável.

 

Desafio do ensino à distância

 

A pandemia de covid-19, que obrigou ao confinamento de grande parte da população, fez com que também a ESS tivesse de se adaptar à realidade do ensino à distância. “Foi um desafio, mas a escola teve capacidade para responder aos constrangimentos que decorrem desta situação de pandemia. Houve a necessidade de readaptar o nosso plano de estudos para podermos garantir a formação dos estudantes, embora à distância, minimizando o impacto desta situação de confinamento”, explica a responsável.

A escola conta actualmente com 400 alunos e foi criada em 2014, resultado da fusão da Escola de Enfermagem de Ponta Delgada e da Escola de Enfermagem de Angra do Heroísmo. A responsável fez um balanço positivo deste período, destacando o património histórico herdado das duas instituições.

“A escola aproveitou este património, utilizou-o não só na construção de uma identidade comum, mas também para criar um caminho de sucesso e de qualificação da formação dos enfermeiros na região”, refere quadros das instituições de saúde dos Açores é dotada de enfermeiros formados na ESS.

Por outro lado, a presidente da ESS salientou o “forte investimento” que a instituição pretende fazer na formação avançada de profissionais de enfermagem, da Região e não só, com a aposta em cursos de mestrado. “Estamos a preparar a formação ao nível de mestrado para contribuir para a formação especializada destes enfermeiros”, sublinhou.

Carmen Andrade destaca ainda o investimento em projectos de investigação e de intervenção na comunidade. Segundo refere, a escola dá o seu contributo na “produção de investigação com interesse para a Região – e este é um aspecto em que nós queremos investir ainda mais”, e contribui ainda com a “concepção de projectos de intervenção na comunidade”, colaborando ainda com o seu ‘know-how’ específico em projectos desenvolvidos por instituições de saúde. 

 

Papel “fundamental” dos enfermeiros na comunidade

 

A presidente realçou ainda que a intervenção dos enfermeiros na comunidade “faz a diferença”, “desde logo na comunidade escolar, junto de populações mais vulneráveis de populações que possam ter necessidade de aumentar a sua literacia em termos de comportamentos e estilos de vida saudáveis.

“Os enfermeiros têm um papel fundamental na promoção da saúde das comunidades, na promoção da saúde pública, no acompanhamento destas pessoas, para que elas próprias se consigam responsabilizar pelo seu processo de saúde e darem a melhor resposta para manter a sua saúde, evitando que entremos em situações de doença que possam comprometer a saúde das populações e até trazer mais gastos aos Serviço Regional de Saúde”, explicou Carmen Andrade. 

De acordo com a presidente, o papel do enfermeiro passa por “antecipar as situações para que, se acontecerem, aconteçam o mais tardiamente possível e com a menor gravidade possível”.

 

Comemorações do sexto aniversário

 

Face à actual situação de pandemia, a Escola Superior de Saúde teve de alterar os seus planos de promover um encontro para comemorar o sexto aniversário da instituição. “Dadas as circunstâncias de confinamento a que todos estamos sujeitos, o facto de na Escola estarmos em teletrabalho e ensino à distância, as comemorações do aniversário da ESS serão assinaladas com a divulgação de um vídeo, que reúne, entre outros, o testemunho de estudantes, antigos e actuais, e de recém-licenciados, a trabalhar na região ou no estrangeiro”. Os testemunhos estão acessíveis na íntegra na página do facebook da ESS.

No dia em que se festejam os seis anos da Escola Superior de Saúde, é celebrada “a unidade que, todos os dias, estudantes, docentes e funcionários vão construindo, apesar de separados em dois departamentos sedeados em duas ilhas.  Juntos concretizam diariamente a missão desta Escola, afirmando e defendendo o valor da Saúde dos açorianos”. 

“Se, há sessenta anos, quando foi criado o Ensino da Enfermagem na Região, o desafio era o combate à mortalidade infantil, hoje, os desafios são muitos e diversos, sendo o mais recente o combate à Pandemia Covid19, que convoca os enfermeiros e as enfermeiras para a intervenção na linha da frente”. 

 

Uso de máscaras sociais passa a ser obrigatório em ambientes fechados nos Açores

máscaras covid

Está implementada, desde ontem, a obrigatoriedade do uso de máscaras nos Açores em ambientes fechados, onde não seja possível cumprir o distanciamento social recomendado, à semelhança do que já acontece no continente e na Madeira.

Transportes aéreos, terrestres e marítimos, estabelecimentos de ensino, restauração, estabelecimentos comerciais e de espaços de prestação de serviços são os locais onde agora os açorianos têm de usar este equipamento de protecção individual, esclareceu ontem Tiago Lopes, da Autoridade de Saúde Regional, no briefing diário sobre a evolução do surto da Covid-19 no arquipélago.

A resolução do Conselho do Governo, publicada ontem em Jornal Oficial, determina precisamente esta “obrigatoriedade do uso de máscara social nos transportes públicos e privados, aéreos, marítimos e terrestres, em veículos pesados ou ligeiros”, em todo o arquipélago. Quanto à utilização de máscara social na via pública, não é obrigatória, mas sim recomendada, de acordo com a mesma resolução. 

“Aquilo que nesta resolução ficou vertido foi esta obrigatoriedade da utilização de máscaras nestes espaços, por serem um contexto mais propício à transmissão da infecção provocada pelo novo coronavírus”, salienta Tiago Lopes.

“A obrigatoriedade é tanto para os utilizadores dos espaços, como para quem está a prestar o serviço”, referiu o também Director Regional da Saúde, acrescentando que estão incluídos todos os espaços com ambiente fechado mais susceptíveis a “aglomerados de pessoas”, tais como “superfícies comerciais, restauração, farmácias”. Ou seja, explicou, “todos aqueles (espaços) que acabem por ter um número significativo de pessoas e onde, por esta via, não se consiga cumprir as medidas de distanciamento físico, daí esta obrigatoriedade do uso de máscaras”. 

 

Máscaras nos veículos pessoais?

 

Em relação à utilização de máscaras nos veículos pessoais, o Director Regional esclareceu que não está em causa o uso obrigatório e explica o que é recomendado: “Devemos ter em atenção o número de pessoas que vão circular no veículo, sendo desejável no máximo duas, uma à frente e outra atrás e não lado a lado, como ainda vemos. Se existirem um maior número de pessoas, aí sim é recomendável a utilização da máscara”. 

 

“Não haverá uma fiscalização 

oficial”

 

Sobre a fiscalização da entrada de pessoas sem máscaras nos locais obrigatórios, Tiago Lopes refere que deverá ser efectuada pelos próprios responsáveis dos estabelecimentos.

“Não iremos ter uma fiscalização formal ou oficial, mas caberá aos diversos agentes no terreno, quer por intermédio pelas delegações de saúde, quer por intermédio dos responsáveis de segurança dos estabelecimentos comerciais, dos responsáveis das farmácias, da restauração, a salvaguarda da manutenção desta obrigatoriedade”.

Já a fiscalização nos transportes públicos caberá ao “congénere do IMT” nos Açores.

 

Coimas de 120 a 350€ 

 

O Director Regional adiantou ainda aos jornalistas que, tal como acontece na legislação a nível nacional, também na região as coimas para quem não cumpra a obrigatoriedade do uso de máscaras poderão ser aplicadas, podendo ir dos 120 aos 350€. Tiago Lopes acrescenta, contudo, que o Executivo açoriano poderá intervir neste aspecto.

“Não havendo alteração do que está previsto no decreto de Lei nº20/2020 de 1 de Maio, aplica-se na Região, de forma supletiva, aquilo que ali está previsto. De qualquer das formas, o Governo Regional pode, a qualquer momento, fazer uma adaptação própria atendendo ao da Região e fazer uma alteração. Mas até ao momento aplica-se o que se encontra no decreto de Lei e as coimas que estão lá contempladas”, referiu o responsável.

Na conferência de imprensa, Tiago Lopes esclareceu também que, sobre as máscaras comunitárias que estão a ser fabricadas pela população, não é necessário que sejam certificadas pelas autoridades em caso de uso próprio. Se, por outro lado, forem confeccionadas para comercialização, aí estarão sujeitas a fiscalização pela Inspecção regional das Actividades Económicas.

 

Sem novos casos a registar

 

As informações foram avançadas ontem, num dia em que não foram detectados casos positivos de Covid-19 das 252 análises realizadas nos dois laboratórios de referência da Região, até as 00h00 de domingo.

 Já foram detectados na Região um total de 143 casos, havendo 53 recuperados, 14 óbitos e 76 casos positivos activos para infecção pelo novo. Destes, 58 estão em São Miguel, dois na ilha Terceira, quatro na Graciosa, dois em São Jorge, cinco no Pico e cinco no Faial.

Quanto aos números por concelhos da ilha de São Miguel, em Ponta Delgada existem actualmente 11 casos positivos activos, 21 recuperados e há a registar 3 óbitos; na Povoação existem cinco casos activos, três recuperados e 1 óbito; na Ribeira Grande há quatro positivos activos e dois recuperados; no Nordeste há 38 casos positivos activos, cinco recuperados e 10 óbitos. Em Vila Franca do Campo e na Lagoa já não existem casos activos, apenas 2 recuperados em cada um destes concelhos.

Segundo o ponto de situação feito ontem, existiam ontem 652 pessoas a aguardar colheitas de amostras biológicas ou resultados de análises e 2007 em vigilância activa. Dos casos activos, 32 estão internados e 44 em tratamento no domicílio.