Açores lideram taxa de mortalidade no total das doenças

pessoas em Ponta Delgada1Os Açores lideram as taxas de mortalidade no total das doenças no nosso país, quer nos homens, quer nas mulheres, segundo revela estudo do INE sobre as causas de morte em Portugal. A nossa região lidera mesmo a taxa de mortalidade em várias doenças, conforme notícia que já publicamos na nossa edição de quarta-feira. Hoje publicamos informação mais detalhada do estudo, sobretudo com ilustrações de gráficos.

O estudo revela que os Açores têm taxas elevadas de prevalência mortal em muitas doenças e, no conjunto de todas, lidera mesmo a taxa de mortalidade (ver gráfico ao lado).

No lado bom, os Açores registam uma taxa de mortalidade baixa, comparada com outras regiões, no caso dos tumores da mama (ver último gráfico abaixo).

Já na próstata, por exemplo, a nossa região lidera a taxa mais alta de todas as regiões (gráfico abaixo). 

A Região Autónoma dos Açores (com 1,3%) é também líder nas proporções mais elevadas de mortes por Tumor maligno do ovário no país.

Noutra vertente, a Área Metropolitana de Lisboa com (9,3%) e a Região Autónoma dos Açores (com 9,0%) registaram as proporções mais elevadas de mortes por Doença isquémica do coração no país e a região de Viseu Dão Lafões apresentou a proporção mais baixa (3,8%). 

No total do país, em 2016 registaram-se 110 970 óbitos no país. As doenças do aparelho circulatório (29,6%) e os tumores malignos (24,7%) estiveram na origem de mais de metade (54,2%) dos óbitos ocorridos no país em 2016, constituindo as duas principais causas básicas de morte.

Por doenças do aparelho circulatório ocorreram 32 805 mortes, menos 0,2% que no ano anterior. 

As mulheres continuaram a ser as mais afectadas, representando 55,1% do total de óbitos por estas doenças. 

A idade média ao óbito foi de 81,1 anos, mais baixa para os homens (78,0 anos) que para as mulheres (83,7 anos). 

O número de óbitos com idade inferior a 70 anos por esta causa aumentou 0,5% de 2015 para 2016.

Os tumores malignos causaram 27 357 óbitos, mais 2,7% que em 2015 (26 647 óbitos). 

Este conjunto de doenças esteve na origem de mais mortes masculinas (59,6%) que femininas (40,4%), com uma idade média ao óbito de 73,1 anos.

A mortalidade prematura (antes dos 70 anos) foi 36,7%, bastante mais elevada para os homens (39,5%) que para as mulheres (32,7%), e o número de anos potenciais de vida perdidos no país em 2016 devido às mortes por tumores malignos foi 111 072 anos.

Em 2016, diminuíram as mortes devidas a doenças do aparelho respiratório (12,1% face a 12,4% em 2015) e as causadas por diabetes mellitus (3,9% face a 4,0% em 2015). 

Em 2016 registaram-se 110 970 óbitos no país (397 de residentes no estrangeiro), mais 1,9% que em 2015 (109 922 óbitos). 

As mortes por doença representaram 95,6% do total de óbitos registados no país e as causas externas de lesão e envenenamento estiveram na origem de 4,4% dos óbitos, de que se destacaram os acidentes e sequelas, com 2,6%, e as lesões autoprovocadas intencionalmente e sequelas (suicídio), com 0,9%.

Em conjunto, as doenças do aparelho circulatório (29,6%) e os tumores malignos (24,7%) estiveram na origem de mais de metade (54,2%) dos óbitos ocorridos no país em 2016, constituindo as duas principais causas básicas de morte.

Em 2016, as doenças do aparelho circulatório continuaram a constituir a principal causa de morte no país, com 32 805 óbitos, ou seja, 29,6% da mortalidade total ocorrida no país, mais 1,1% do que em 2015 (32 443 óbitos).

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Delta “oferece ao mundo a beleza natural, o charme e a descoberta dos Açores”

delta avião“Lançámos Ponta Delgada porque estamos muito empolgados com o que os Açores têm para oferecer”, afirmou ontem em Lisboa Corneel Koster, vice-presidente sénior da Delta Air Lines para Europa, Médio Oriente, África e Índia.

Questionado numa conferência de imprensa em Lisboa sobre o principal destino dos passageiros nos seus voos entre Nova Iorque JFK e Ponta Delgada, Corneel Koster afirmou que “a razão para o voo é o potencial real que acreditamos que o mercado tem para turistas residentes nos Estados Unidos, particularmente na área de Nova Iorque, mas também além disso”.

Os passageiros podem viajar em conexão para outros destinos, “mas a principal razão da nova rota é oferecer ao mundo a beleza natural, o charme e a descoberta do que os Açores têm para oferecer”, sublinhou o executivo.

Sobre a possibilidade de tornar a rota dos Açores anual, o executivo afirmou que prefere “não especular”, mas sublinhou que “muitas vezes” a Delta cria rotas sazonais que, quando têm bom desempenho, passa a anuais, como aconteceu com a rota Lisboa – Nova Iorque JFK, que passou de uma ligação de Verão em 2017 a uma rota anual este ano.

A nova ligação entre Nova Iorque e Ponta Delgada começa amanhã e será operada cinco vezes por semana ao longo do Verão.

Corneel Koster acrescentou que a nova rota acaba por ser um regresso aos Açores, uma vez que como Pan Am, antes de existir a Delta, a transportadora operou voos entre Horta e Nova Iorque JFK, em 1939.

Os voos, em horas locais, partem de Ponta Delgada às 8h15 e chegam a Nova Iorque às 10h28, regressando às 21h para chegar aos Açores às 6h45 do dia seguinte. 

 

Aeroporto de Lisboa “muito saturado”

 

O Aeroporto de Lisboa está “muito saturado”, como “vários aeroportos” para onde a Delta Air Lines tem voos, mas ainda assim a companhia aérea obteve os slots de que precisava para crescer, afirmou Corneel Koster.

Questionado sobre eventuais dificuldades na obtenção de slots para as suas operações em Lisboa, o executivo da Delta começou por dizer que “é um aeroporto muito saturado, como também são vários aeroportos para onde voamos”.

“A resposta está no facto de estarmos a crescer. Recebemos os slots que precisávamos para fazer crescer a nossa operação”, salientou Corneel Koster.

Dados a que o PressTUR teve acesso indicam que o Aeroporto de Lisboa, apesar de declarado lotado, manteve-se o que mais cresce em Portugal nos primeiros quatro meses deste ano.

Sobre a possibilidade de ter voos para o Porto, uma vez que já opera voos para Lisboa e Ponta Delgada, o executivo da Delta afirmou que “olhamos sempre cuidadosamente o desenvolvimento dos mercados e analisamos o potencial”, embora actualmente não esteja “nas considerações imediatas”.

Contudo, “vamos continuar a analisar o potencial de outros mercados europeus, incluindo o Porto”, que tem voos da TAP directos para Nova Iorque Newark. 

SATA: acesso ao Lounge da ANA

 

A partir de agora, a SATA proporciona aos seus clientes SATA IMAGINE a oportunidade de acederem gratuitamente ao Lounge ANA, no Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa, um espaço premium que prima pela privacidade, conforto e tranquilidade dos passageiros, anunciou a companhia.

Em plena zona comercial do Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa, o Lounge ANA proporciona toda a comodidade valorizada pelos passageiros no período que antecede o voo, premiada com uma fantástica vista sobre a pista de aterragem e descolagem. Os membros Goldsky do programa SATA IMAGINE têm agora a possibilidade de aceder a todos os benefícios que o espaço coloca à disposição.

“O bem-estar do cliente está sempre em primeiro lugar num Lounge que privilegia tanto os locais de trabalho – estão disponíveis computadores com ligação à internet grátis e exclusiva, áreas de carregamento de equipamentos eletrónicos, assim como televisões e jornais de todo o mundo – como os espaços de relaxe, com cabines privadas, sofás e luz de leitura, sala de estar com cadeirões e até a possibilidade de se refrescar com um duche”, afirma uma nota da SATA enviada ao nosso jornal, acrescentando que  “o Lounge ANA permite também o acesso a cafés, chás, sandes, frutas e bebidas variadas, incluindo alguns dos melhores vinhos portugueses”.

O acesso ao Lounge ANA está disponível para todos os membros Goldsky do programa SATA IMAGINE – clientes previamente Silversky que efetuem 60 voos no Grupo SATA no período de 2 anos ou que somem 40 mil milhas status no mesmo período de tempo.

Além deste upgrade, os passageiros Goldsky têm outros benefícios, como prioridade Goldsky em check-in de lista de espera, mais 10kg na franquia de bagagem de porão nos voos regulares da SATA e um volume adicional em voos para os EUA (tarifas Smart, Discount, Prémio), assim como majoração em 30% das milhas bónus acumuladas pela realização de um voo na SATA (excepto tarifas discount).

“A vontade de aprofundar a Autonomia estagnou”

Armando Mendes, jornalista e Mestre em Relações Internacionais, Nuno Barata, comentador habitual do “Diário dos Açores e Arnaldo Ourique, jurista e especialista em Direito Regional, traçam nesta edição o retrato da Autonomia que temos no presente e o que se afigura no futuro.

 

armando mendes 2Armando Mendes

“A vontade de aprofundar a Autonomia estagnou” 

Assinalamos amanhã mais um Dia dos Açores, em que é habitual fazer um balanço da nossa caminhada autonómica. Há quem não tenha dúvidas de que valeu a pena, mas também há quem diga que ela estagnou. Qual a sua opinião?

A Autonomia valeu, vale e continuará a valer a pena. 

Os sistemas de governo das ilhas anteriores à Autonomia nunca respeitaram minimamente o facto de os Açores serem uma comunidade de destino distante do continente português e que desenvolveu características muito próprias, que se assumem como uma realidade que, embora se enquadre na Pátria comum, que é Portugal, justifica uma organização política com amplos poderes. 

Sendo embora os poderes administrativos da maior importância, a verdade é que a Autonomia concretiza-se sobretudo nos poderes legislativos conquistados na Constituinte pós Revolução dos Cravos. Esse passo foi decisivo e deve continuar a ser aprofundado.

É verdade, porém, que a vontade de aprofundar a Autonomia estagnou. 

Os estudos sobre a Autonomia não são promovidos, o que significa que o conhecimento é escasso. 

Esta situação tem implicações na memória histórica, com reflexos no presente e com consequências graves na capacidade prospectiva. 

O discurso sobre o aprofundamento da Autonomia ou não existe ou, então, não passa de retórica de ocasião. 

Não há um compromisso contínuo, visível e esclarecido, das elites com o futuro da Autonomia. 

A este estado da arte podemos chamar estagnação. Acontece em muitas sociedades. Umas vezes são situações passageiras; noutros casos o futuro fica comprometido. Ainda não é possível perceber para que lado irá cair a nossa Região Autónoma.

 

Existe uma cidadania autonómica? Estes anos foram suficientes para se criar nas gerações uma consciência autonómica? Ou os cidadãos estão mais preocupados com a sua vida comum do dia-a-dia?

O maior problema é precisamente esse... As novas gerações ou nem sequer têm consciência da Autonomia, ou têm uma vaga consciência, mas estão mais preocupadas com as coisas banais do dia-a-a-dia, esquecendo que essas coisas de todos os dias seriam muito mais complicadas sem um sistema político-administrativo próprio. 

O ensino é em larga medida responsável por esta situação. A pedagogia da Autonomia não tem significado no ensino e os poderes próprios, por exemplo, no currículo não são exercitados. 

A Região nunca percebeu que o conhecimento, obedecendo embora a padrões que são universais (no nosso modelo cultural), pode muito bem ser adquirido através de processos e meios inculturados e idiossincráticos que, além de facilitarem a própria construção de saber, sedimentam a consciência de pertença a um determinado espaço físico, cultural, afectivo, etc. 

Trata-se de uma opção que quanto a nós é forçada, porque resulta de incapacidade para agir num meio complexo e particularmente hostil, marcado por falsas visões identitárias nacionais e pela pressão de uma classe profissional (a dos professores) que por miríades de razões resiste a uma mudança tão profunda. Este é um tema político, como é óbvio, mas também de cidadania. Mas estas duas dimensões são pontos fracos do nosso sistema. Melhores dias virão, certamente.

 

Ainda há razões para desconfiarmos da solidariedade da república? Haverá preconceitos contra a Autonomia? Como serão os próximos anos?

O centralismo ancestral de Lisboa é o inimigo externo número um da Autonomia. 

Não nos podemos esquecer que a Autonomia foi conquistada num contexto revolucionário marcado pela perda das colónias, por um Estado fraco e por confusão política. 

Dificilmente a Autonomia, na sua versão político-administrativa consagrada nesse tempo, teria sido conquistada sem este enquadramento. 

O que é normal é que Lisboa tente reverter pelo menos alguns aspectos da Autonomia, em particular os mais ousados. 

Por exemplo, Lisboa esforça-se por “revogar” a Constituição no que diz respeito aos poderes concedidos à Autonomia no âmbito das relações externas. 

Os ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros já vieram aos Açores dizer muito claramente que o direito de participação nas negociações internacionais com implicações no território regional, consagrado na Constituição e no Estatuto, não existe. 

Passou para consulta e mesmo assim não obrigatória, conforme as palavras explícitas do Ministro da Defesa. É isto que se espera de Lisboa. 

Porém, não se espera que a Região não reage, reivindicando os seus poderes. E a Região não reagiu, o que dá boa nota do atual momento da consciência autonómica. 

E ficamos por aqui por falta de espaço. Este tema só pode ser desenvolvido em resmas de papel - tal é a dimensão das patifarias políticas de Lisboa contra a Autonomia.

***

Nuno BarataNuno Barata Almeida e Sousa

“Não existe uma comunidade política Açores” 

 

Assinalamos amanhã mais um Dia dos Açores, em que é habitual fazer um balanço da nossa caminhada autonómica. Há quem não tenha dúvidas de que valeu a pena, mas também há quem diga que ela estagnou. Qual a sua opinião?

A escolha da Segunda-feira de Pentecostes para Dia da Região não poderia ter sido melhor. 

Na verdade, a única coisa que é transversal a toda a sociedade açoriana é o culto à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Um culto que mistura um significativo sentimento religioso do crente temente a Deus com uma não menos significativa dose de paganismo. 

No entanto, mesmo essas festas em honra do Divino Paráclito têm as suas idiossincrasias regionais, locais e até ao nível da rua, onde os “impérios” se desenrolam e se exprimem numa peleja bairrista impressionante. 

Valeu a pena? Sim, aparentemente sim. 

O regime autonómico do Século XX, ao invés do de XIX, confunde-se com o processo revolucionário  que levou à queda do Regime musculado de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano e também por isso terá valido a pena. 

Embora seja bastante claro que o regime atual tem servido os interesses de algumas ilhas em detrimento de outras e serviu os interesses daqueles que, sendo centralistas, sendo portugueses mais do que açorianos, encontraram nesta solução governativa um tampão à verdadeira autodeterminação do Povo Açoriano, pode afirmar-se que valeu a pena, pelo menos, ter tentado.

 O povo, esse, descansou nos meandros confortáveis da teia de interesses que lhe foram servindo mais aqui ou mais acolá sem qualquer tipo de parcimónia. “Pão e circo” sempre mantiveram as massas mais tranquilas.

Infelizmente não temos meios de comparar, por exemplo, o que teria acontecido se em vez de um regime como o que temos no momento, tivéssemos tido um reforço dos poderes dos extintos Distritos Autónomos. 

Que tipo de desenvolvimento socioeconómico teriam alcançado algumas dessas comunidades, ou que atrasos teriam sentido outras. Ou se, por exemplo, o projecto independentista tivesse vingado.

O processo autonómico é tendencialmente progressivo e de construção permanente e por isso não se pode dizer que estagnou, quanto muito pode afirmar-se que tem sido de progressão lenta.

 

Existe uma cidadania autonómica? Estes anos foram suficientes para se criar nas gerações uma consciência autonómica? Ou os cidadãos estão mais preocupados com a sua vida comum do dia-a-dia?

Não existe uma comunidade política Açores. 

Se os cidadãos vivessem “preocupados com a sua vida comum do dia-a-dia” não seria grave de todo, o problema é estarem preocupados com o dia-a-dia individual e desconectados das questões comuns. 

Esse é o verdadeiro problema do regime vigente e esse é também o maior constrangimento ao desenvolvimento económico e social dos Açores porquanto essa deficiente consciência colectiva e esta espécie de vazio de um devir comum não promovem a união entre as diferentes comunidades de ilha e locais. 

Não podemos perder de vista, nunca, o desiderato que os nossos antepassados perseguiram e para fazer isso convenientemente e com eficácia temos que garantir a existência duma consciência colectiva, um sentimento de missão de um Povo que infelizmente não é sentido entre os açorianos. 

Ao contrário do que possa parecer, o regime de autonomia dos Açores e da Madeira e as suas conquistas, não são dados adquiridos. 

São, ao invés e como escrevi há pouco, conquistas permanentes que apenas serão grandes se tivermos uma visão também ela grande dessa autodeterminação. 

Mas essa visão alargada do que queremos ser só será possível se existir um sentimento comum e uma cidadania açoriana, activa, inquieta, perseverante e verdadeiramente coesa. É necessário transportar a geografia para a política, a noção de arquipélago para a noção de comunidade política e os conceitos para as práticas.

 

Ainda há razões para desconfiarmos da solidariedade da república? Haverá preconceitos contra a Autonomia? Como serão os próximos anos?

Há sempre razões para estarmos atentos a tudo o que imana de poderes externos, seja do Terreiro do Paço, seja do Edifício Berlaymont. 

Mas essa espécie de monitorização permanente da nossa autonomia política e administrativa apenas depende de nós próprios, dos órgãos de Governo próprio da Região e do seu Povo que escolhe e apoia os seus representantes.

Ao correr dos últimos anos, acentuado com os momentos de crise económica, financeira e social que vivemos, são alimentadas, por parte dos inimigos das autonomias regionais e da regionalização em geral, narrativas que tendem a classificar os regimes autonómicos como perdulários, pesos excessivos nas contas do endividamento do Estado e outras coisas perniciosas. 

Aliás, esse mesmo tipo de argumento é esgrimido também contra os municípios por parte de quem defende uma maior centralização das decisões. 

Este é um dos grandes preconceitos recaídos sobre os regimes autonómicos, na verdade, a dívida pública das regiões autónomas, apesar de ser muito elevada quando comparada com o PIB regional, representa pouco mais de 1% da totalidade do endividamento externo do Estado Português. 

As autarquias todas representam 2%. 

Estes números desmentem os que, preconceituosamente, os esgrimem sem pontos de referência ou comparação. 

Se atentarmos a isso podemos afirmar que sim, existem muitos preconceitos relativamente às autonomias regionais.

A autonomia das regiões europeias, como é o nosso caso, assenta num princípio fundamental da governação da Europa, o princípio da subsidiariedade. 

Para as grandes ou pequenas Nações como para os indivíduos, até porque as nações são um conjunto de indivíduos, a autonomia ou a independência não se conquistam apenas por cedências das unidades políticas que estão acima na pirâmide da subsidiariedade, mas sim pela nossa capacidade de gerar riqueza capaz de sustentar e melhorar as nossas vidas. 

Quero com isto dizer que o nível de autonomia que temos ou teremos num futuro próximo, depende muito mais de nós do que de entidades externas.

 

***

Arnaldo Ourique CorArnaldo Ourique

Manual do cidadão autonómico 

 

I. A maior insularidade dos povos portugueses nas ilhas é a da cidadania, porque se é doloroso uma injustiça criada pelo Estado, mais ainda o é quando seja cometida por um governo insular. A criação de um governo próprio insular visa diminuir os custos, materiais e imateriais, que a insularidade imprime a quem vive nas ilhas. E quando isso é invertido – atinge a dignidade da pessoa humana.

Quem vive nas ilhas tem maior responsabilidade porque tem de obedecer ao que é nacional e, ao mesmo tempo, ao que é regional; porque o cuidado que a cidadania lhe imprime para tudo quanto seja político e público nacionais, de igual modo para tudo quanto seja político e público regionais; porque se se distrair pode viver uma cidadania autonómica penalizante – como é hoje o caso dos Açores a um nível preocupante. Quem vive nas ilhas tem maior responsabilidade porque pode morrer da cura e não da doença.

Se a cidadania imprime ao cidadão consciente um manual político e civil mínimo, esse mínimo torna-se impreterível saber no estádio político autonómico. A juventude, sobretudo ela que assegurará as nossas vidas no futuro próximo, deve encarnar esse manual. Trata-se de um manual de sobrevivência, não apenas para si próprio, mas sobretudo para o interesse coletivo – porque é este que projeta a sociedade para o desenvolvimento coletivo e pessoal de cada um. 

II. Numa primeira linha de saberes, o cidadão autonómico tem de conhecer duas regras universais, e por universais quer dizer-se que são verdade para todos os homens do mundo inteiro pois são regras da natureza e por se encontrarem na maior maioria das espécies animais, onde se inclui o homem:

1ª regra: cooperação natural entre homens através da seleção pelo parentesco. Trata-se de um elemento genético que impele o homem para ajudar aqueles que lhe são próximos, assim sobrevivendo melhor porque no seu próprio meio constrói um edifício de interesses que lhe servem de escudo. Ou seja, essa genética de sobrevivência impele-o a jogar no seu próprio interesse e no interesse dos que têm com ele laços de proximidade.

2ª regra: cooperação natural entre homens por altruísmo recíproco. Este elemento natural impele o homem a cooperar para sobreviver. Promove todas as cooperações com outros homens no interesse de assegurar a sua sobrevivência, criando assim um corpo relacional entre elementos externos ao parentesco na certeza de que essa cooperação serve aos dois cooperantes.

Estes dois elementos naturais impelem todo e qualquer homem a tudo fazer para manter-se no poder quando o alcançam. Não é necessário que o homem seja maldoso ou interesseiro; são elementos que se aplicam por si próprios, e é necessária uma grande dose de valores culturais e intelectuais para o político arredar tais regras, pois elas subsistem em qualquer circunstância, tenha ou não o homem consciência delas.

Ora, sabendo isto – temos que concluir que todo e qualquer político, por natureza, tem tendência para ajudar os seus e a cooperar apenas com quem lhe serve os seus próprios interesses pessoais. E esta regra funciona automaticamente, só sendo posta de lado quando o próprio político demonstre, pela sua atuação, que controla esse ímpeto natural por via da sua responsabilidade de agir em representação exclusiva do interesse coletivo. E isso é de uma enorme dificuldade; razão para desconfiar, em toda a linha, de todo e qualquer político. E não é um desconfiar tolo por tudo e por nada; mas no cuidado de acompanhar, com o mínimo de atenção, ao que ele faz e diz, e apontar e queixar-se porque a democracia sem o controlo cidadã vale tanto como a ditadura.

III. Numa segunda linha de saberes, o cidadão autonómico tem de conhecer duas regras de democracia universais, e por democracia universal quer dizer-se que são do interesse de todos os homens que vivem numa sociedade política:

1ª regra política, o direito de votar. O direito de votar não é apenas o ato de votar num partido; é também, e sobretudo, o direito de não votar em nenhum partido. Mas, atenção, não votar em nenhum partido não é abster-se de ir votar. Não ir votar, abster-se, é um ato eleitoral importante, mas tem pouco significado político se comparado com a outra vertente de não votar em nenhum partido, esse sim realmente importante: ir votar, mas votar em branco, deixar o voto na urna sem o assinalar. Uma abstenção de 59,15% dá à política a ideia de que a população não quer votar ou não quer participar, e isso, em si mesmo, é um direito como outro qualquer. Mas a mesma percentagem de votos em branco seria colossal: a mensagem é a que nenhum partido é reconhecido ou que não merece o nosso voto. Isto é, os governos em vez de terem maiorias na ordem dos 35% seriam forçados a conseguir parcerias, e a sério, para formar governos.

2ª regra política, a rotatividade política. Para impedir a aplicação das duas regras naturais, e para forçar os partidos e os políticos a ajeitar-se à vontade do povo – é este o único princípio capaz de fazer uma diferença realmente efetiva. A única maneira de evitar que aconteça os corolários das duas regras naturais, pior ainda quando o político seja maldoso e interesseiro – como muitos daqueles que hoje, e sempre, são bem visíveis – é mudar de registo político. Um governo que seja bom numa legislatura ainda é possível dar-lhe mais uma oportunidade, mas nunca uma terceira. Um governo que deixe algumas dúvidas, é impensável dar-lhe uma segunda oportunidade. A ideia, frequentemente veiculada, que não devemos mexer neste ou naquele partido porque os da oposição não mostram qualidade ou interesse, é um juízo parcial: só quem está no poder é que pode realmente mostrar se é ou não capaz; aliás, quem está no poder tudo fará para evitar que a oposição respire sequer – como também acontece nos Açores.

IV. Por natureza o homem está sujeito a forças genéticas que não consegue evitar inteiramente, e aliás empurram-no, consoante a pessoa individualmente considerada, para utilizar tudo quanto seja possível produzir, em atos e omissões, para manter-se no poder pelas regalias que lhe proporciona a si e aos seus. E por razões políticas o homem está sujeito a muitas forças da sociedade civil e política, razão para adotar no ato eleitoral um voto minimamente consciente e para nunca permitir que a rotatividade seja esquecida.

O cidadão autonómico tem, portanto, de saber mais do que o cidadão vulgar. A maior insularidade da autonomia está aqui nesse registo autonómico. Há mais de dois mil anos que o homem escreve sobre isto; quando é que vamos aprender?

Por: Arnaldo Ourique

 

 

Empresários dos Açores querem revisão do modelo de transportes aéreos inter-ilhas

sata air açoresA Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) alertou ontem para a necessidade de revisão do actual modelo de transporte inter-ilhas, nomeadamente a questão dos custos das passagens, das frequências dos voos e da organização dos meios.

“A Assembleia-Geral considera que o transporte inter-ilhas se está a revelar um forte constrangimento à mobilidade de residentes e à desejada disseminação dos visitantes, que chegam, sobretudo e em números expressivos, através das ‘gateways’ que se encontram liberalizadas”, sublinha a CCIA, em comunicado enviado à nossa redacção.

O organismo reuniu em 18 de Maio, na Horta, tendo aprovado o relatório de actividades e contas relativas a 2017 e analisado e reflectido sobre a situação socioeconómica regional, bem como sobre diversos assuntos de interesse para as empresas e para a economia regional em geral.

Segundo a CCIA, o modelo de transporte aéreo com o exterior “continua a funcionar globalmente de forma satisfatória”, mas são feitas críticas ao actual modelo de transporte entre as ilhas, assegurado pela transportadora aérea regional SATA.

“O actual modelo só funciona adequadamente, se houver capacidade de resposta da transportadora regional, situação que não se está já a verificar mesmo antes da época alta. Esta é uma situação que preocupa profundamente a Assembleia-Geral, que entende alertar as entidades competentes para a necessidade de ser revisto o modelo de transporte inter-ilhas, que está a afectar negativamente principalmente as ilhas mais pequenas”, sublinha o organismo.

Além disso, “um dos aspectos que deve ser ponderado e alterado é o da forma como vem funcionando o sistema obrigações de serviço público nas três ‘gateways’ que não foram objecto de liberalização” do espaço aéreo.

E concretiza o texto: “O resultado é manifestamente insatisfatório, comparativamente com a situação que se regista nas ‘gateways’ que se encontram liberalizadas (Ponta Delgada e Lajes). As ilhas com as ‘gateways’ de obrigação de serviço público estão entre as que menos cresceram no passado recente”.

No mesmo comunicado, o organismo reitera a posição que a Câmara “tem vindo a defender ao longo dos últimos anos” de que “o actual modelo” de transportes marítimos “não serve adequadamente a economia regional, gerando uma insatisfação permanente das empresas” face “aos custos e ao não cumprimento de rotas e escalas previamente definidas”.

O organismo está preocupado com “o desemprego oficial e efectivo, os riscos de pobreza, o abandono escolar e o insucesso escolar”, considerando que continuam a ser praticamente “inexistentes os recursos públicos” canalizados para a qualificação e requalificação dos trabalhadores.

A CCIA realça “o papel imprescindível que tem tido a actividade económica privada na criação de postos de trabalho sustentáveis e o seu papel incontornável como única via para a continuação deste processo”.

A entidade reafirma também a importância de “aliviar” a carga fiscal sobre as empresas e as famílias.

 

 

Menos primeiras consultas e menos cirurgias no hospital de P. Delgada

Hospital interiorNos primeiros quatro meses deste ano o Hospital de Ponta Delgada realizou menos 2,5% de cirurgias em relação ao mesmo período do ano passado e menos 2,10% de primeiras consultas.

Os números são revelados pelo Conselho de Administração do Hospital no último número do jornal daquela unidade.

De Janeiro a Abril deste ano foram realizadas 2.617 cirurgias, quando no ano anterior tinham sido 2.686.

Quanto às consultas, foram realizadas, no mesmo período, 16. 565 como primeiras consultas, quando no mesmo período do ano passado tinham sido 16.920.

Nas consultas subsequentes foram realizadas 44.584, menos 1,48% do que as 45.253 do ano passado.

No ato médico sem doente registam-se este ano 13.132, mais do que as 10.089 do ano anterior.

Somando todas, registam-se 74.281, mais do que as 72.262 do ano passado, um aumento de 2,79%.

Naquele período foram realizados no Hospital de Ponta Delgada 478 partos, mais do que os 454 do ano passado, um aumento de 5,2%.

165 foram por cesariana, quando no ano passado foram 159, mais 3,77%.

Nestes primeiros quatro meses as Urgências atenderam 38.667 pessoas, mais 2,62% do que no ano passado (37.679).

 

Hospital do Dvino perde dois enfermeiros e três médicos

 

O Hospital de Ponta Delgada ficou com menos três médicos e dois enfermeiros a partir de Abril passado.

Os enfermeiros são André Filipe Frontoura e Genuína Maria Gomes, que cessaram funções a 14 de Março e 1 de Abril, e os médicos são Carlos Melo Bento, Francisco Afonso Lopes e Emanuel Santos Esgaio, segundo revela o Conselho de Administração.

 

 

“Uma vergonha” aumento das listas de espera

 

O deputado do PPM ao parlamento dos Açores, Paulo Estêvão, criticou o aumento do número de doentes em listas de espera nos três hospitais da Região, problema que considera ser “uma vergonha” para a região.

“Temos mais de dez mil pessoas nas listas de espera cirúrgica. É inadmissível. É uma vergonha para todos nós”, lamentou o parlamentar monárquico, que falava no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, reunida na Horta, na apresentação de uma declaração política sobre saúde.

No seu entender, o executivo açoriano já devia ter dado prioridade a esta matéria, para que as listas de espera deixassem de fazer parte da agenda política, mas na realidade, o que se tem verificado é que o problema “agrava-se de ano para ano”.

“Temos de parar para pensar no sofrimento que tudo isto significa. No purgatório que cada dia de espera significa para cada um dos doentes. Na persistência de uma dor que podia ser retirada. Nas vidas adiadas de tanta gente que aguarda a intervenção cirúrgica para recomeçar a sua vida”, insistiu o deputado do PPM.

Para Paulo Estêvão, “não  é  admissível” que existam salas de bloco operatório encerradas ou a funcionar muito longe do seu potencial, em algumas unidades de saúde do arquipélago, apenas porque faltam enfermeiros ou camas. Mas José San Bento, deputado da bancada do PS, lembrou que os problemas das listas de espera nos Açores “não se resolvem com uma varinha mágica”, recordando que também na Madeira, no continente português e em muitos outros países se verificam idênticos problemas.

“Este problema das listas de espera não resulta de uma insensibilidade do governo ou do senhor secretário, nem resulta de uma eventual incompetência dos conselhos de administração dos hospitais”, insistiu o deputado socialista, para quem o problema reside na ausência de anestesistas e de outros especialistas cirúrgicos, o que “impede” que se consiga resolver o problema “de uma vez por todas”.

Luís Maurício, deputado do PSD, teme, no entanto, que o número de açorianos em listas de espera cirúrgicas seja superior aos dez mil referidos pelo PPM, recordando que aquele dado estatístico é relativo ao final de Fevereiro, porque o Governo não actualizou, entretanto, os dados.

“É por isso que o seu governo não faz publicar os resultados, porque eles não são favoráveis”, acusou o parlamentar social-democrata, recordando que, só no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, “há mais 1.717 doentes em espera” de Fevereiro para cá.

Artur Lima, do CDS, aproveitou a ocasião para fazer um apelo ao Secretário Regional da Saúde, para que tente resolver o problema de um doente da ilha Terceira que “está há mais de cinco anos a aguardar por uma cirurgia à anca”.

“É admissível esperar uns meses, é doloroso esperar um ano, é penoso esperar três anos, mas é cruel esperar mais de cinco anos”, apontou o parlamentar centrista, apelando ao executivo para que “acuda a esta gente”.

Na resposta, o titular da pasta da Saúde na Região, Rui Luís, lembrou que o problema das listas de espera não é fácil de resolver, reconhecendo que existem doentes que estão há demasiado tempo a aguardar por uma cirurgia.

“É verdade. Temos pessoas há cinco anos e até temos mais, há seis anos, em algumas especialidades”, admitiu o governante, garantindo que o executivo está a fazer “um esforço” para que se criem nos hospitais condições para dar resposta aos doentes que estão há mais tempo a aguardar por uma intervenção cirúrgica.

Rui Luís lembrou que o Governo está também a tomar outras iniciativas, com vista à redução das listas de espera, que passam por uma reforma ao nível da gestão dos médicos especialistas e pela optimização das deslocações de doentes, entre outras medidas.