Relatório oficial da DGVA detecta alface dos Açores com pesticida em infracção

quadro alface

Um  produto agrícola dos Açores, neste caso alface, foi detectado pelo Programa Nacional de Controlo de Resíduos de Pesticidas de 2016, com formetanato, sendo a razão da infracção, com boa prática fitossanitária não respeitada, “o uso de pesticida autorizado para a cultura, mas em que deve ter sido desrespeitada a prática agrícola”, sublinha o respectivo relatório, da Direcção-Geral de Veterinária e Alimentação (DGVA), a que o “Diário dos Açores” teve acesso.

O relatório afirma (ver quadro) que o seguimento dado à infracção foi o seguinte: “seguimento dos produtores. Assistência técnica ao produtor. Controlo da produção e seguimento com novas amostragens”. 

 

Sanções administrativas

 

O documento revela ainda que foram aplicadas “sanções administrativas”, sem especificar.

 Este Programa tem como base, para a sua elaboração, o Programa Coordenado Plurianual da União Europeia, que definiu os produtos agrícolas a analisar nesse ano: maçã, couves-de-repolho, alho francês, alface, pêssego, morango, grãos de centeio, tomate e vinho (branco ou tinto), num total de 130 amostras.

A Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Madeira acrescentou aos produtos  agrícolas do Programa Coordenado os seguintes: pêra abacate, anona, banana, batata-doce, cebola, cenoura, maracujá, sidra e sumo de cana num total de 179 amostras.

 

Os produtos dos Açores analisados

 

Por sua vez, a Direcção Regional de Agricultura da Região Autónoma dos Açores acrescentou aos produtos indicados no Programa Coordenado, os seguintes produtos: batata-doce, coentros, espinafre, hortelã, salsa, kiwi e manjericão, “não tendo, todavia, colhido e analisado morangos”.

Revela o relatório que, “na sua totalidade, o programa da Região previa análise de 60 amostras”. 

Previa-se, assim, a análise de um total de 469 amostras em produtos de origem vegetal.

Quanto aos pesticidas a serem analisados, previa-se que o LRP (Limites Máximos de Resíduos) analisasse cerca de 60% dos compostos indicados no Programa Coordenado e o LRVSA cerca de 100%. 

 

Colheitas nos Açores coordenadas pela Direcção Regional da Agricultura

 

Na Região Autónoma dos Açores, as colheitas foram coordenadas e realizadas pela Direcção Regional da Agricultura, podendo ser efectuadas, em determinadas circunstâncias, pela Inspecção Regional das Actividades Económicas (IRAE). 

O Laboratório da Madeira analisou 197 amostras do seu Programa Regional e 57 provenientes dos Açores.

Do total nacional, há seis amostras que tinham resíduos de pesticidas acima do definido por lei, embora só se possa falar de infracção às regras em quatro delas (1,08% do total).

 

Menos infracções que anos anteriores

 

Numa couve de folhas foi detectado um produto (clortalonil) que não está autorizado para esta cultura; quanto à referida alface dos Açores, apesar do uso de formetanato ser possível, não foram cumpridas as práticas fitossanitárias; a mudança recente do LMR autorizado de clorpirifos justifica o incumprimento identificado numa maçã; e o boscalide não é permitido na produção biológica de alho francês.

Estes 1,08% representam uma redução da incidência face a anos anteriores: 2,1% em 2015; 3,8% em 2014; ou 4,5% em 2013.

Foram ainda detectados resíduos dentro das regras em 195 amostras (52,7%), o que dá um total de 201 produtos com resquícios de pesticidas (54,3% do total).

Menos de metade (169 - 45,7%) dos frutos, hortícolas ou cereais testados estavam ‘limpos’.

A DGVA refere que os LMR «não são apenas valores seguros para o consumidor», mas também o «valor mais baixo possível» nas práticas fitossanitárias autorizadas nas culturas.

“Em consequência deste último critério, a eventual transgressão de um LMR, se bem que ilegal, e como tal punida por lei, não se traduz necessariamente em risco para o consumidor”, conclui o relatório.

Todas as cirurgias programadas no Hospital de Ponta Delgada estão suspensas

hospital corredorO Hospital de Ponta Delgada está a receber, nas últimas semanas, um número inusitado de doentes, sobretudo idosos, com problemas de gripes e pneumonias, ocupando todas as camas do estabelecimento hospitalar, ao ponto da administração ter mandado suspender todas as cirurgias programadas.

“Há dias que isto aqui é um autêntico caos e não sabemos para onde mandar os doentes”, disse ao nosso jornal um médico, acrescentando que as urgências têm sido “pau para toda a obra”.

“Não fosse a boa vontade de todo o pessoal do quadro e isto estaria sem controlo”, afirma a mesma fonte, recusando-se a dar mais informações “por motivos que todos sabemos”.

Tivemos, no entanto, acesso a uma “nota interna” do Conselho de Administração do Hospital do Divino Espírito Santo, onde é descrito que o Hospital “continua a ter um fluxo de doentes na área médica que, associado à dificuldade em encontrar vagas no ambulatório - cuidados continuados, lares, famílias de acolhimento, etc - tem obrigado à ocupação sucessiva de vagas nas enfermarias cirúrgicas com toda a perturbação e riscos no normal funcionamento dessas enfermarias”.

Segundo a Administração do Hospital, “a situação tornou-se insustentável”, obrigando a medidas que não comprometam a segurança dos doentes e dos profissionais do HDES, evitando, ao mesmo tempo, a acumulação de doentes no Serviço de Urgência.

Deste modo, por proposta do Director Clínico, a Administração do Hospital decidiu que “fica suspensa toda a actividade cirúrgica programada, que implique o internamento programado dos doentes”.

As excepções são os casos que estejam em tratamento e cuja cirurgia já programada faça parte do processo terapêutico, doentes com patologia neoplásica prioritária e já agendados, doentes já internados e a aguardar cirurgia nas diferentes especialidades, cirurgias agendadas que impliquem a vinda de cirurgião não residente ou material já requisitado do exterior.

A Administração do HDES garante que “a actividade cirúrgica de urgência, estará para todos os efeitos, sempre garantida”.

Por outro lado, as actividades de cirurgia ambulatória e pequena cirurgia não serão afectadas.

A Administração garante que “a avaliação destas medidas será feita diariamente e tão depressa estejam reunidas as condições, a programação habitual do Bloco Operatório será retomada”.

É, ainda, solicitado aos Directores de Serviço e Chefes de Enfermagem “que agilizem as altas até ao final das manhãs de modo que os internamentos sejam efectuados ao princípio da tarde, possibilitando a avaliação do número de vagas e a programação atempada do agendamento cirúrgico”.

“Oceana” dá início hoje à temporada dos cruzeiros

oceana 2Hoje e amanhã, Ponta Delgada e Praia da Vitória vão registar mais um movimento acentuado de turistas com a chegada de dois cruzeiros.

Hoje teremos a passagem em Ponta Delgada do “Oceana”, numa escala inserida num  itinerário de 28 noites, iniciado a 11 de Fevereiro, em Southampton, e que levou aquele conhecido paquete até às Caraíbas, onde efectuou escalas por alguns dos principais destinos daquela região. Traz cerca de 2 mil passageiros.

Construido em 2000 pelos estaleiros Fincantieri, em Monfalcone, Itália, para a Princess Cruises, sob o nome de “Ocean Princess”, aquele navio passou a integrar a frota da P&O em finais  de 2002.

Com 261 metros de comprimento, 32,2 metros de boca e 8,5 metros de calado, este paquete desloca 77.499 toneladas de arqueação bruta, tendo capacidade para 2272 passageiros, servidos 814 tripulantes.

O dia de amanhã ficará marcado pela escala inaugural do “Ventura”, um dos mais populares paquetes da P&O, no porto da Praia da Vitória. 

Esta escala está inserida num cruzeiro de 35 noites, iniciado no passado dia 5 de Fevereiro, na cidade inglesa de Southampton, com destino  ás Caraíbas e alguns portos norte americanos da Florida e South Carolina, e que contemplou também uma passagem por Ponta Delgada no início deste mesmo cruzeiro.

Construido nos estaleiros italianos de Fincantiari, em Monfalcone, o “Ventura” foi inaugurado em 2008.  

Possui 113.651 toneladas de deslocação bruta, tendo como  dimensões 289,6 metros de comprimento, 36 metros de boca e um calado de 8,6 metros. 

Em ocupação normal tem capacidade para alojar  3.092 passageiros e 1230 tripulantes. 

 

Cruzeiros cresceram nos Açores 26%

 

Em 2017 entraram nos portos nacionais mais de 1,3 milhões de passageiros de cruzeiro, um novo recorde que resulta da subida de 5% face ao ano anterior. As escalas subiram 10 pontos percentuais e fixaram o novo recorde em 947. 

Estes dados foram revelados, em comunicado, pelo Porto de Lisboa, que actualmente está a ser representado - juntamente com os portos de Leixões, Setúbal, Portimão, Açores e Madeira - na Seatrade Cruise Global, o maior evento mundial de cruzeiros que está a decorrer nos EUA. 

Os portos dos Açores registaram um aumento significativo ao nível das escalas (26%) passando de 121 para 152. 

O número de passageiros cresceu de 125 904 em 2016 para 135 783 em 2017. 

 

Há talhantes a queixarem-se de falta de carne açoriana

carne no talho“Começa a faltar carne dos Açores no mercado e os produtores estão a aproveitar-se para aumentar os preços”, denunciou ao nosso jornal um talhante de S. Miguel, acrescentando que “a procura está aumentar, é verdade, mas isso não explica tudo, porque o grande problema está nos incentivos que o governo dá para a exportação e então todos resolvem exportar”.

O mesmo problema foi denunciado ontem por vários talhantes na Antena 1, tendo o governo reagido com a “lei do mercado”, acrescentando que os talhantes, se querem carne dos Açores, devem pagar mais à produção.

“O problema não é pagar mais”, refere a nossa fonte, proprietário de vários talhos, “é o desequilíbrio que o governo introduz no mercado, ao apoiar a exportação de animais já abatidos, faltando carne para o nosso mercado”.

Muitos talhantes estão a recorrer à importação de carne estrangeira, prevendo que, mais para o Verão, em plena época alta do turismo e com as festas do Espírito Santo, seja possível que haja alguma ruptura, “a não ser que se importe em grandes quantidades”.

A verdade é que o abate de carne tem vindo a aumentar nos últimos anos, sendo que de 2002 e até 2017 assistiu-se mesmo a um aumento de 100% em termos de abate.

 O Governo Regional tem insistido que é sua aposta é investir nesta fileira para se poder exportar, com vários investimentos na rede regional de abate.

João Ponte, secretário Regional da Agricultura, tem afirmado que a carne “já não pode ser vista como uma subactividade do leite”. 

O titular da pasta da Agricultura tem sublinhado, nas suas intervenções, que a prioridade na região continua a ser a exportação de animais já abatidos nos matadouros locais, uma vez que as “mais-valias” do abate e da desmancha ficam no arquipélago.

Em 2016 os Açores registaram um aumento de cerca de 20% no número de animais abatidos, ultrapassando as 71 mil cabeças de gado, 90% do qual produzido nas ilhas de São Miguel, Terceira e Pico, representando um valor de venda de 40 milhões de euros.

 

João Ponte reage aos talhantes

 

O Secretário Regional da Agricultura e Florestas salientou ontem que o abate de bovinos nos Açores continua a registar crescimentos, sobretudo ao nível do consumo local, tendo-se registado um aumento de 6,3% nos dois primeiros meses deste ano, em comparação com igual período de 2017.

“Os dados mais recentes de abate de bovinos nos Açores dão conta de um crescimento de 6,3% no consumo local, aliás uma tendência que se tem mantido nos últimos anos”, afirmou João Ponte, acrescentando que, “entre 2015 e 2017, o crescimento do consumo de carne bovina na Região atingiu os 17%”.

O titular da pasta da Agricultura considerou que estes dados são “positivos” e traduzem a aposta do Governo dos Açores e dos agricultores na valorização da fileira da carne.

Além do aumento do consumo local nos primeiros meses deste ano, também se registou, segundo João Ponte, um “crescimento muito assinalável na exportação”, que atingiu 23%.

O Secretário Regional frisou ainda que há uma procura muito grande de carne dos Açores no mercado do continente, não só pela qualidade do produto, mas também por se ter registado um crescimento da exportação de animais vivos do continente para o mercado do Médio Oriente e Norte de África.

Por outro lado, sublinhou que a escassez de carne de vaca no mercado, reclamada pelos talhantes, é “uma falsa questão”, pois, na realidade, “a partir do momento que se verifique uma subida do preço pago ao produtor, consegue-se normalmente carne de vaca para abastecer e satisfazer o mercado local”.

“Na verdade, o que acontece neste momento é que a carne de vaca dos Açores está a ser mais valorizada no continente do que na Região. Isto é o mercado a funcionar. Naturalmente, haverá uma regulação do mercado nos próximos meses”, afirmou João Ponte.

O governante disse que decorre até maio o período de retenção das vacas leiteiras, o que quer dizer que essa escassez ao nível do produto é cíclica, pelo que o Governo dos Açores tomou a decisão de, no âmbito do POSEI, reduzir o período de retenção de junho para maio.

João Ponte assegurou também que “está fora de questão” suspender ou retirar os apoios dados à exportação de carne, que considerou serem “muito importantes” para que se consiga colocar carne dos Açores no continente, mercado que paga mais pelo produto.

“O preço pago no mercado continental a um produtor é ligeiramente superior ao valor pago pela carne produzida na Região. Naturalmente, se se pusesse em causa este apoio tornaríamos a fileira da carne nos Açores em situação de maior fragilidade”, sustentou.

João Ponte salientou ainda que não há, por parte dos açorianos, qualquer limitação ao acesso à carne de vaca, nem há qualquer ruptura de abastecimento ou prática de preços proibitivos.

“Naturalmente, as carnes mais nobres são vendidas no mercado local a um preço superior, mas, como sabemos, existem carnes para todos os preços e para todas as bolsas de rendimento em função daquilo que são as opções que cada Açoriano faz no tipo e qualidade de carne que consome. Sempre assim foi e assim continuará a ser”, frisou o Secretário Regional.

Famílias com crédito à habitação vão beneficiar de descida na prestação

Ponta Delgada - casasAs famílias com empréstimos de taxa variável na habitação, neste mês de Março, vão beneficiar de uma quebra no valor da prestação, ou na pior das hipóteses não sofrem qualquer alteração nos encargos mensais. 

Os créditos associados à Euribor a seis e a 12 meses vêem o valor da prestação baixar, enquanto nos contratos indexados à Euribor a três meses não há qualquer mexida.

Segundo contas do ECO, assumindo o cenário de um crédito no valor de 100 mil euros, a 30 anos, e com um spread de 1%, quem tiver o crédito associado a este indexante vai continuar a pagar uma prestação de 306,75 euros ao longo dos próximos três meses.

Já quem tiver os seus empréstimos associados às Euribor em prazos mais dilatados vai ver as respectivas despesas com a prestação descerem para um novo mínimo histórico.

Assumindo o mesmo cenário base, para quem tem o empréstimo associado à Euribor a seis meses, o valor da prestação mensal recua uns ligeiros 0,05%, ou o equivalente a 14 cêntimos, para os 309,30 euros.

No caso dos créditos com Euribor a 12 meses, a taxa de juro de referência que os bancos actualmente mais usam na nova concessão de empréstimos, a prestação volta a baixar. 

A partir deste mês, e durante o próximo ano, esta estará fixada nos 312,94 euros, 1,2% ou 3,85 euros, aquém do valor do último ano.

As famílias portuguesas continuam assim a beneficiar do nível historicamente baixo dos juros de referência. 

Desde Março de 2016 que a taxa de juro directora do Banco Central Europeu está fixada em 0%. 

E tudo indica que por aí se mantenha pelo menos durante algum tempo, já que não existem sinais de que a entidade liderada por Mario Draghi vá abandonar a sua política de dinheiro barato nos próximos tempos.

O mercado antecipa que os juros se mantenham em valores negativos pelo menos mais cerca de um ano e meio, para assumir valores cada vez mais positivos a partir dessa altura, mas de uma forma gradual. 

O mercado de futuros coloca a Euribor a três meses em terreno negativo até junho de 2019. 

Com esta a subir gradualmente até atingir os 0,5% em setembro de 2020 e os 1% em Dezembro de 2012.

Mas claro que este cenário estará dependente do rumo da política monetária do BCE que poderá não corresponder ao que o mercado antecipa.

 

Valor das habitações sempre a subir

 

 O valor médio de avaliação bancária nacional registou uma subida mensal de 0,3% em Janeiro, para 1.153 euros por metro quadrado, o que equivale a um aumento de 4,2% comparando com igual mês do ano anterior, sendo o mais elevado desde Abril de 2011, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). 

Desde Março de 2017 que o valor médio de avaliação bancária, realizada no âmbito de pedidos de crédito para a aquisição de habitação, regista aumentos mensais consecutivos. 

Nos apartamentos, o valor médio de avaliação aumentou cinco euros em Janeiro, face ao mês anterior, para 1.205 euros por metro quadrado. 

 

Maior aumento nos Açores

 

O valor mais alto, de 1.448 euros, foi registado no Algarve, e o mais baixo, de 981 euros, observou-se no Alentejo. 

Nas moradias, registou-se uma queda de dois euros, para 1.065 euros. 

“O valor mais elevado observou-se no Algarve (1.442 euros/m2) e o mais baixo no Centro (927 euros/m2)”. 

“Em comparação com o período homólogo, as avaliações bancárias de apartamentos e de moradias aumentaram 4,9% e 3,0%, respectivamente”, adianta o INE no ‘Inquérito à Avaliação Bancária na Habitação’ de Janeiro. 

A nível regional, a Região Autónoma dos Açores registou o maior aumento, com uma subida de 1,4%, seguida da Área Metropolitana de Lisboa, com uma subida de 0,9%. 

“As únicas descidas verificaram-se na Região Autónoma da Madeira (-1,9%) e no Algarve (-0,3%)”. 

O Centro registou a maior taxa de variação homóloga, de 6,3%, e o Alentejo teve a menor taxa, de 1,6%.