Trabalhadores no sector do Turismo cresceram 60% em ano e meio

gráfico rafael cota1O número de funcionários do turismo registou um crescimento de aproximadamente 3.500 postos de trabalho, entre o 1º trimestre de 2016 e o 3º trimestre do corrente ano, passando de cerca de 5.400 para 8.800 funcionários, o que representa um crescimento de aproximadamente 60%.

grafico rafael cota3Este aumento, recentemente divulgado pelo Serviço Regional de Estatística, representa o maior salto no emprego nesta área, apesar do crescimento de turistas já se registar desde meados de 2015. 

Estes dados mostram uma maior solidez do sector e uma maior confiança dos empresários.

grafico rafael cota2De resto, estranhava-se que o número de hóspedes e dormidas estivesse a crescer com valores tão significativos e não se revelasse na capacidade de empregabilidade do sector. 

Naturalmente que será sempre um sector com algum grau de sazonalidade, mas agora com variações menos significativas e situações de emprego mais estáveis. 

Embora o crescimento se venha registando desde meados do ano passado, o maior aumento aconteceu no Verão deste ano, conforme se pode ver no gráfico (o interregno no gráfico acontece porque durante algum tempo o SREA integrou os funcionários do turismo no capítulo do comércio)

Noutros sectores, os dados da população empregada relativos ao 3º trimestre deste ano, mostram que se registaram também aumentos de postos de trabalho na agricultura (+18%) e na construção (+12%).

A indústria é o sector com piores resultados, com uma curva descendente que se vem registando desde há vários anos e volta agora a decrescer 2%, do 1º trimestre de 2016 para o 3º trimestre de 2017.

Todavia, no conjunto, regista-se um quadro positivo em termos de população empregada, com  uma maior oferta de postos de trabalho, desde finais de 2013 e que atinge agora mais de 112 mil empregados. 

Esta situação está em consonância com a descida da taxa de desemprego, registada no 3º trimestre, que mostra uma descida de 10% para 8,2%.

 

Efeitos na actividade económica

 

Fica agora mais claro que a dinâmica da economia se tem mostrado positiva, muito por causa da alavancagem do turismo em si próprio e dos serviços relacionados que surgiram em várias áreas.

Até agora, essa dinâmica não se tinha revelado de forma significativa em postos de trabalho, na proporção que seria expectável, mas agora, ao longo deste ano de 2017, o fenómeno é bem visível.

Provavelmente, este aumento, quer de postos de trabalho directos, quer indirectos, como toda a actividade turística, não terá grande impacto, no imediato, no crescimento económico, dado que os salários neste sector são em grande na sua maioria baixos e uma parte do valor acrescentado fica em empresas do continente, designadamente nas agências de viagem e companhias aéreas.

Todavia, é quase certo que as contas regionais de 2016 e sobretudo as de 2017, já reflectirão um maior peso do sector do turismo no PIB da Região.

 

Texto e gráficos de Rafael Cota, 

para Diário dos Açores

Menos casamentos, menos nascimentos e menos divórcios na Região

aliançasOs Açores estão a registar menos casamentos, menos nados-vivos e menos divórcios.

Analisando o Boletim Trimestral do SREA, relativamente ao terceiro trimestre de 2017, constata-se que nos oito primeiros meses de 2017 e comparando com igual período de 2016, verificou-se uma diminuição nos nados vivos (-2,3%) e no número registado de óbitos (-6,1%). 

Assim, o saldo natural para estes primeiros oito meses de 2017, foi menos negativo (-91 indivíduos), quando comparado com o valor de (-157 indivíduos) nos mesmos meses de 2016.

Nos óbitos de menos de 1 ano, registaram-se quatro ocorrências neste período, enquanto no mesmo período do ano anterior ocorreram 3 casos.

No que diz respeito aos casamentos, de Janeiro a Agosto de 2017 registaram-se 602 casamentos, enquanto que em 2016, nestes meses ocorreram 631 (-4,6%).

Nos valores provisórios de divórcios e comparando 2016 com 2015, verificou-se uma diminuição anual de 19,9%, situando-se em 635 divórcios no ano de 2016 . 

Nas separações ainda não estão disponíveis os dados para os anos de 2015 e de 2016, assim, os últimos dados que existem são de 2013, em que a variação foi positiva, tendo ocorrido um aumento de 16,7%, passando de 6 ocorrências em 2012 para 7 em 2013.

Açorianos precisam, em média, de 16 anos para pagar a casa

ponta delgada1A plataforma “Compara.Já” diz que cerca de 40% dos 6.000 utilizadores que fizeram uma simulação sobre crédito à habitação no seu ‘site’ perceberam que a prestação mensal a pagar ao banco seria demasiado ‘pesada’ no seu orçamento familiar.

O Compara.Já lançou, no início de Março, o primeiro comparador gratuito de crédito à habitação, tendo referido que, desde então, 41% dos 6.000 utilizadores simularam créditos à habitação “cujos valores e prazos de financiamento os colocava, atendendo aos seus rendimentos e à prestação mensal do empréstimo, além do limite da taxa de esforço aceite pelas instituições bancárias”.

O limite recomendável para um agregado familiar pagar pela prestação do crédito à habitação é de cerca de um terço do rendimento familiar. 

Por exemplo, se num casal cada membro ganha 900 euros, o que dá um total de 1.800 euros, o valor a pagar ao banco pela casa não poderá ser mais de 600 euros.

Ainda segundo esta plataforma de comparação de créditos, apenas 40% das simulações feitas tinham uma relação entre o montante e o prazo do crédito que “permitia fixar os encargos mensais com o crédito abaixo do limite recomendável”.

Já 19% dos utilizadores, tendo em conta as simulações, tinham taxas de esforço entre os 36% e 40%, o que, diz o Compara.Já, “os coloca num patamar de risco que, regra geral, leva a que as instituições bancárias ofereçam condições desvantajosas ou recusem a concessão do crédito”.

Esta análise do Compara.Já estima que, com base nos ordenados médios, em Portugal um casal demora em média 25 anos a comprar uma casa de 120 metros quadrados (m2), isto dedicando um terço do rendimento mensal total para a prestação bancária (o cálculo da mensalidade teve como base o valor médio dos ‘spreads’ actualmente praticados no mercado português, o qual ronda 1,75%) e dando já 20% do valor de avaliação do imóvel.

Contudo, há grandes discrepância entre regiões de Portugal.

O portal Compara.Já fez contas a quantos anos demora a pagar uma casa de 120m2 com recurso a crédito bancário nas várias regiões de Portugal, tendo em conta o preço por m2 médios do município e o salário médio de cada região em causa.

Faro, concluiu o portal, é a cidade em que mais tempo demoraria um casal a pagar a casa: 42 anos.

Já em Lisboa seriam precisos 34,6 anos, seguindo-se a Madeira, com 27,9 anos, e o Porto, com 23,1 anos.

Seguem-se Setúbal (22,9 anos), Beja (22,6 anos), Évora (22,4 anos), Viana do Castelo (21,5 anos).

Já com menos de 20 anos a pagar a casa, segundo as condições definidas pelo Compara.Já, estão Guarda e Castelo Branco, em que seriam precisos menos de 15 anos em cada uma, seguindo-se Vila Real (15,4 anos), Viseu (15,8 anos), Açores (16 anos), Portalegre (16,6 anos), Aveiro (17,2 anos), Santarém (17,4 anos), Braga (18,3anos) e Bragança (18,6 anos), Coimbra (19,7 anos) e Leiria (19,8 anos).

A ComparaJá.pt, criada em 2015, é uma plataforma ‘online’ gratuita e independente de análise de produtos e serviços (sobretudo financeiros - cartões de crédito, créditos pessoal e habitação - mas também de pacotes telecomunicações), permitindo comparar o que oferecem os vários operadores de mercado.

 

Preço das casas disparou nos Açores em Setembro

O preço das casas subiu de forma generalizada em todo o país, sendo que o valor das moradias aumentou 0,7% e os apartamentos ficaram 1,6% mais caros, segundo o INE.

 Em termos gerais foi nos Açores que se registou a subida mais acentuada, com um aumento de 2,1%, seguido pela Madeira com uma subida de 2%. 

Na Área Metropolitana de Lisboa e no Centro as casas estão 1,5% mais caras enquanto no Alentejo e no Norte as subidas variaram entre 0,8% e 0,6%. 

Em termos homólogos o disparo do preço do metro quadrado é ainda mais evidente, variando entre os 8,7% na Madeira e 3,2% nos Açores. 

A nível regional, as maiores subidas registaram-se na Região Autónoma dos Açores (2,1%), na Região Autónoma da Madeira (2,0%) e no Centro e na Área Metropolitana de Lisboa (1,5%). 

As menores subidas registaram-se no Alentejo (0,8%) e no Norte (0,6%).

Em comparação com o período homólogo, o valor médio de avaliação registou um crescimento de 5,5% em Setembro (4,6% em Agosto). 

As variações mais significativas observaram-se na Região Autónoma da Madeira (8,7%), no Centro (7,3%) e no Norte (6,1%), tendo a Região Autónoma dos Açores apresentado o menor crescimento (3,2%). 

O valor médio de avaliação bancária dos apartamentos situou-se em 1.192 euros/m2, 19 euros superior ao obtido no mês anterior, o que correspondeu a uma taxa de variação em cadeia de 1,6%. 

A Região Autónoma dos Açores e a Região Autónoma da Madeira apresentaram os acréscimos de maior intensidade (3,3% e 2,0%, respectivamente), fixando-se em 1.178 euros/m2 e 1.299 euros/m2 , pela mesma ordem. 

O Alentejo registou o menor crescimento (0,7%), sendo a região NUTS II que apresenta o valor médio de avaliação mais baixo (958 euros/m2).

O valor médio de avaliação dos apartamentos aumentou 6,1% em termos homólogos (5,0% em Agosto). 

As Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, com variações de 11,0% e 10,8%, respectivamente, registaram os crescimentos mais expressivos.

Consórcio que opera com avião cargueiro na Madeira quer voar para as ilhas dos Açores

cargueiro madeiraO consórcio MAIS, que opera na Madeira com um avião cargueiro a ligar a Lisboa, pretende também operar nos Açores.

António Beirão, responsável daquela empresa, revelou à Revista Cargo que é intenção da operadora efectuar uma ligação triangular Lisboa-Funchal-Ponta Delgada e regresso a Lisboa. “Os Açores já foram uma possibilidade em cima da mesa e queremos mesmo chegar lá. Acreditamos que será a forma ideal de trazer mais carga para Lisboa, equi­librando a ida com a volta. Porque há muita mais procura de carga de Ponta Delgada para Lisboa do que do Funchal, desde pescado a carne. Mas vamos pri­meiro consolidar este projecto, teremos tempo para chegar a Ponta Delgada”, afirma António Beirão.

Acrescenta o operador que “nos Açores as coisas funcionam de maneira diferente. Existiram dois con­cursos públicos de concessão lança­dos pelo Governo, com um conjunto de normas que para nós seriam pouco comerciais. O Governo preparava-se para compensar a empresa que explorasse a linha em regime de concessão, com um determinado montante, e a em­presa obrigava-se a explorar a linha a um custo que estava no caderno de encargos. Mas, por mais que fizéssemos as contas, não seria viável. Perde-se tempo com concursos que fogem muito da realidade, concursos para cumprir determinados calendários. Mas alguma coisa tem de ser feita e é um mercado de que não desistimos. Mas, com a consolidação do projecto na Madeira e com a possível introdução de um avião com outra capacidade, pa­rece-nos possível começar a voar para os Açores sem contrato de concessão”.

Interrogado sobre se a entrada nos Açores também pode ganhar força pelo facto de já existir a ligação à Madeira, António Beirão responde: “Sem dúvida! Muitos dos clientes serão os mesmos e podemos ir à boleia do sucesso que esperamos ter na Madeira. Os Açores podem ser o mercado que precisamos para equilibrar a ida e o regresso. E percebemos o potencial que existe no actual contexto turístico do arquipélago. Haverá potencial para fazer cada vez mais carga também para alimentar toda uma economia ligada ao turismo. É que temos muitos voos para os Açores mas são sobretudo de com­panhias low Cost que não transportam carga”.

Para a Madeira o consórcio MAIS está a operar com um ATR-72 avião que, segundo a empresa, “tem uma grande vantagem que é a relação qualidade-preço. É um avião com consumos baixos, bastante fiável e sólido. Se quisermos passar para um outro avião com maior capacidade, seria já um avião a jacto. Acreditamos que teremos procura para avançar para um Boeing 737-F. Mas, neste momento, essa aeronave faria com que tivéssemos de praticar preços proibitivos. O avião ideal para os primeiros seis meses ou para o primeiro ano é o ATR-72. Mas se a procura crescer, como esperamos, avançaremos para um avião com maior capacidade”.                                                                                     

Parceiros sociais querem PR a influenciar problemas pendentes com a República

vasco e marceloMarcelo Rebelo de Sousa vai reunir-se, amanhã, com os parceiros sociais dos Açores, num encontro do Conselho de Concertação Estratégica, em que também estará presente o Presidente do Governo, Vasco Cordeiro. Fontes ligadas a alguns destes parceiros sociais garantiram ao “Diário dos Açores” que vão ser apresentados ao Presidente da República vários pontos pendentes com a República. A Associação Agrícola, através de Jorge Rita, irá confrontar, mais uma vez, o Chefe de estado com o problema da Segurança Social dos lavradores, que o governo de António Costa prometeu uma solução mas que até agora não avançou. O caso da descontaminação da ilha Terceira, questões de segurança. problemas ligados ao mar e à pesca também vão fazer parte do rol de queixas a apresentar a Marcelo. 

 

PPM não comparece ao jantar oferecido a Marcelo

O deputado do PPM, Paulo Estêvão, anunciou ontem que não vai comparecer ao jantar de hoje oferecido pelo Presidente do Governo Regional ao Presidente da República, como protesto pelo Governo não implementar as refeições gratuitas aos alunos do Corvo.

“Aos outros alunos dos Açores, o Governo Regional até já oferece o acesso às refeições escolares nas férias e nas interrupções lectivas. No Corvo, esse acesso às refeições escolares nem sequer ocorre durante o período lectivo”, lê-se numa nota que Paulo Estêvão enviou ao nosso jornal.

“O Governo Regional implementou, este ano, o direito às refeições vegetarianas, considerando a medida um grande progresso civilizacional. No Corvo, este mesmo Governo, tão avançado no resto da Região Autónoma, não assegura aos alunos refeições de qualquer tipo”, acrescenta a nota do PPM, adiantando que o “ Governo Regional anunciou, a passada semana, que irá compensar financeiramente as famílias pelo facto de recusar às crianças o direito a usufruir de refeições escolares. A Representação Parlamentar do PPM recusa, peremptoriamente, esta tentativa de comprar as consciências das famílias. O direito a usufruir de refeições escolares não pode ser negado em nenhuma circunstância”.

Na visita realizada ontem à Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira, pelo referido deputado, os alunos e professores “manifestaram a sua perplexidade e indignação pelo facto de esta discriminação persistir apesar de todos os apelos para a sua resolução”. 

   “A Representação Parlamentar do PPM apela directamente ao Governo Regional para que termine, de forma imediata, este sistema de segregação dos alunos do Corvo. Se não o fizer, o PPM irá romper o relacionamento institucional com o Governo Regional. Para já, o PPM não irá fazer-se representar no Jantar oficial que o Governo Regional oferece ao Presidente da República. Não nos é possível participar em jantares e banquetes oficiais ao mesmo tempo que é negado às crianças e jovens da ilha do Corvo as refeições escolares a que têm direito”, conclui a nota.

 

Marcelo na Base das Lajes

 

Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu ontem o segundo de quatro dias de visita aos Açores, assistindo, na Base das Lajes, a um exercício militar tendo por por base um cenário fictício de sismo.

Foi um exercício que envolveu 959 efectivos dos três ramos das Forças Armadas e que tem como objectivo o cumprimento de missões específicas de apoio à política externa. 

Neste caso concreto serviu para preparar as Forças Armadas para a evacuação de áreas de crise. 

 

Aposta no aeroespacial

 

O Presidente da República afirmou que o “país está a olhar mais para o espaço” e considerou que “deve tirar proveito da localização única dos Açores” nesta matéria. 

“O país está a olhar mais para o espaço, mas não é só isso, é o país está a tirar proveito da localização única dos Açores”, afirmou depois de visitar a Estação Geodésica Fundamental da ilha de Santa Maria, uma das quatro infraestruturas que integram a Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE), no primeiro dia da deslocação ao grupo oriental do arquipélago. 

Trata-se de uma infraestrutura com tecnologia de ponta e única no país, cujo equipamento permite a recolha de dados para estudos sísmicos, georreferenciação, navegação, vigilância e alerta de riscos naturais, relevantes para áreas como a indústria aeroespacial ou protecção civil. 

Das quatro infraestruturas que irão integrar a RAEGE, as estações de Santa Maria e de Yebes, em Guadalajara, Espanha, estão operacionais, sendo que as estações geodésicas das Flores e das Canárias estão em fase de projeto, sendo expectável que se encontrem em início de construção a partir de 2018. 

Além da estação da RAEGE, o ‘cluster’ aeroespacial dos Açores integra outras infraestruturas espaciais importantes, como a Estação de Rastreamento de Satélites de Santa Maria, a primeira estação da Agência Espacial Europeia em território português e uma das primeiras estações da rede de estações ESTRACK, com a capacidade de fazer rastreio de lançadores de satélite, e que, desde 2009, também é usada para observação da Terra, e a Estação do Galileu, que monitoriza a qualidade do sinal e o posicionamento dos satélites Galileu em órbita da Terra. 

Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que já conhecia uma parte destes investimentos, notando que faz “parte da diplomacia portuguesa apostar muito, muito neste projeto, não apenas no quadro luso-espanhol, mas numa relação com inúmeros países”. “E a nossa diplomacia está a ter grande sucesso na atração do interesse desses países, quer no que respeita ao continente americano, quer no quadro europeu, quer mesmo no quadro africano”, declarou, classificando esta como “uma aposta estratégica fundamental”. 

O chefe de Estado adiantou ter ficado “muito impressionado por aquilo que significa do ponto de vista científico, num projeto que é tão recente, mas tão prospectivo, tão virado para o futuro”.

 

Governo e PSD não se entendem quanto ao problema da descontaminação

O deputado do PSD/Açores na Assembleia da República, António Ventura, criticou  “a inexistência de verbas para a descontaminação dos solos e aquíferos da ilha Terceira, no âmbito do Orçamento de Estado (OE) para 2018”, assim como “o total desconhecimento do Ministro das Finanças sobre a situação”, referiu.

O social democrata questionou Mário Centeno durante a audição relativa ao OE, não obtendo qualquer resposta, “o que significa que este Governo não se interessa mesmo pela descontaminação. Depois de ter feito tantas juras, nos debates na Assembleia, garantindo que iria dar atenção à problemática”, avançou.

António Ventura diz que Centeno apenas revelou que o tema “não está a ser considerado pelo Governo, e que não é falado entre os seus ministros, pelo que assume especial gravidade o facto do Ministro das Finanças nada saber sobre o mesmo”.

“Os 100 milhões de euros/anuais são o número que o próprio Governo Regional inscreveu, em 2015, no PREIT”, diz ainda Ventura, acusando o Governo de “continuar a criar ilusões aos açorianos e a fazer de conta que realiza. Ou seja, continua a enganar os açorianos”, afirma.

 

Vasco Cordeiro responde

 

Vasco Cordeiro já veio responder, sobre este assunto que também estará na agenda de Marcelo, já que os parceiros sociais vão apresentá-lo na reunião de amanhã. 

O Presidente do Governo dos Açores disse esperar avanços sobre a descontaminação na próxima reunião bilateral Portugal-Estados Unidos da América, em Dezembro. 

Aos jornalistas, na ilha de Santa Maria, Vasco Cordeiro começou por explicar que na última reunião desta comissão, em Junho, em Washington, “os interlocutores da parte dos Estados Unidos da América (EUA) não estavam ainda actualizados”, decorrente da mudança na administração norte-americana com a eleição de Donald Trump. “Havia pessoas que estavam em final de mandato, havia outras pessoas que relativamente às quais estava pendente uma decisão da sua continuação ou não e outras pessoas por nomear e para ocupar determinados cargos”, adiantou, referindo que a região tem de “ter interlocutores da parte nos Estados Unidos” para tratar desta matéria.

Vasco Cordeiro adiantou que espera, na comissão bilateral permanente que reunirá em Dezembro, que “já seja clara” a identificação desses interlocutores e se possa, após eles se terem inteirado deste dossiê, avançar no assunto.

Questionado sobre se receia que, com a mudança na presidência dos EUA, as negociações sejam ainda mais difíceis, o governante declarou: “Com a configuração que este assunto tem neste momento, prefiro aguardar pelo menos pela próxima bilateral”.

O chefe do executivo açoriano reiterou que a questão da contaminação é, em última instância, uma responsabilidade do Estado português e que há fundamento legal na Lei de Finanças Regionais para essa perspectiva”.

“Nós entendemos, não é com este Governo da República, já foi com anteriores governos da República, que essa responsabilidade deve ser assacada pelo Governo português ao Governo dos Estados Unidos”, disse.

Vasco Cordeiro frisou que o Governo dos Açores “tem, desde que este assunto se colocou, uma posição clara, coerente, transparente e de grande trabalho”, apontando a evolução nesta matéria resultado do trabalho em vários fóruns e não apenas na comissão bilateral permanente.

Em 1995, Portugal e os EUA assinaram, em Lisboa, o Acordo de Cooperação e Defesa. Esse documento inclui também o acordo técnico, que regulamenta a utilização da Base das Lajes e outras instalações militares portuguesas, e o acordo laboral, que regula a contratação de trabalhadores nacionais na base açoriana.

O protocolo criou a comissão bilateral permanente, que ficou incumbida de promover a sua execução e a cooperação entre os dois países.

Na sequência do anúncio, a 08 de janeiro de 2015, da redução da presença norte-americana nas Lajes, os Açores apresentaram um plano de revitalização económica da Terceira, no qual pedem ao Governo nacional que assegure junto dos EUA 167 milhões de euros anuais, durante 15 anos, para a ilha.

Mais de metade dessa verba - 100 milhões de euros anuais - tem como destino a “reconversão e limpeza ambiental” de infraestruturas e terrenos construídos e ocupados pelos Estados Unidos ao longo dos mais de 60 anos, alguns deles com problemas já diagnosticados de contaminação.

Em 2005, num estudo realizado pelos militares norte-americanos, foram identificados 35 locais contaminados com hidrocarbonetos e metais pesados nos solos e aquíferos da ilha Terceira. A contaminação foi confirmada, em 2009, por estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil. 

 

PSD acusa Vasco Cordeiro

 

Mónica Seidi considera que a reacção de Vasco Cordeiro à inexistência no Orçamento do Estado para 2018 de qualquer verba para a execução do Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira (PREIT) confirma que o Presidente do Governo Regional está incapaz de exigir à República que cumpra os seus compromissos.  “O presidente do Governo regional confirmou, com as suas declarações, que está incapaz de exigir ao Governo da República que cumpra os compromissos assumidos por via do PREIT, um documento que o próprio Governo da República apoiou e patrocinou”, afirmou a deputada do PSD/Açores eleita pela Terceira.

 Segundo a parlamentar, é “inadmissível” que o Presidente do Executivo regional procure “normalizar” a inexistência de verbas específicas para a execução do PREIT no Orçamento do Estado para 2018, afirmando que “há passos dados na sua concretização”, quando nem a verba inscrita no Orçamento do Estado para 2017 foi executada.

 Mónica Seidi sublinha que a inexistência de informação sobre o PREIT e de verbas para a sua execução assumida pelo ministro das Finanças, ontem, na Assembleia da República, em reposta ao deputado do PSD/Açores na Assembleia da República António Ventura, atestam a “falta de comunicação e de empenho” entre dois governos do Partido Socialista.

 

 “Depois de tantos ataques ao anterior Governo da República, acusado de não querer assumir o PREIT, aquilo que se vai percebendo com o passar do tempo é que o documento não passa, afinal, de um conjunto de promessas socialistas anunciadas para ludibriar os terceirenses, enquanto se agrava a fragilidade económica da ilha”, lamenta.