Empresas públicas devem à banca mais de 1,5 mil milhões de euros

palacio conceiçãoAs dívidas bancárias de todas as empresas públicas da Região, até setembro do ano passado, atingiam 1.565 mil milhões de euros, a que acresce a dívida a fornecedores, na ordem dos 199 milhões de euros.

As contas que o nosso jornal fez aos relatórios das empresas de todo o sector público (SPER), que foram enviados ao parlamento regional, sem ainda se conhecer o último trimestre do ano, são claras relativamente ao enorme passivo das várias empresas, excepto a EDA (ver os quadros da autoria do Diário dos Açores).

O balanço da exploração das empresas públicas também é claro, revelando que a uma facturação de 381 milhões de euros acresce o montante de 195 milhões de euros em subsídios.

Os juros pagos rondaram os 38 milhões de euros (até Setembro) e os resultados líquidos, expressivamente negativos, chegavam aos 46,7 milhões de euros, se excluirmos os resultados positivos da EDA – 23,5 milhões negativos no global.

 

HDES deve mais de 13 milhões de euros ao Estado

 

Analisando ainda os referidos relatórios das empresas públicas regionais enviados pelo Governo regional ao parlamento, é possível constatar que o Hospital de Ponta Delgada tem uma dívida de 13,372 milhões de euros ao Estado, não estando discriminada a conta, sendo possível tratar-se de dívida relativa a IRS e Segurança Social.  

Não é a primeira vez que tal acontece. Em 2015 o Hospital de Ponta Delgada reteve, também, aqueles pagamentos, originado reparos do Revisor de Contas. Depois, o Hospital regularizou a irregularidade.

Noutra comparação, é possível verificar que, entre 2015 e 2018,  as dívidas à Saudaçor aumentaram 41%, conforme se pode verificar no quadro que abaixo publicamos.

De resto, conforme já tínhamos noticiado, o Hospital de Ponta Delgada tem, até Setembro, uma dívida a fornecedores da ordem dos 72 milhões de euros, tendo arrecadado proveitos de 79 milhões de euros, com um atraso médio de pagamento de quase um ano.

O segundo pior é o Hospital de Angra que, no mesmo período, acumula uma dívida a fornecedores da ordem dos 31 milhões de euros, para proveitos de 45,5 milhões – 68%. Isto é um atraso de mais de meio ano.

O terceiro é o Hospital da Horta, com dívidas a fornecedores da ordem dos 10,5 milhões de euros e proveitos de 19 milhões – 55%.

 

Juntando os três hospitais, a dívida a fornecedores atinge os 113 milhões de euros. 

 

Trabalhadores das empresas públicas extintas vão ser integrados na administração pública

 O presidente do PS/Açores, Vasco Cordeiro, disse anteontem à noite que será criada “legislação específica” para permitir “a integração” dos trabalhadores “das empresas e da associação” que serão extintas na Região.

“Aquilo que se seguirá é a criação de legislação específica que permitirá a integração desses trabalhadores, nas condições nomeadamente de antiguidade que relevem para a sua integração nos índices da administração pública – obviamente, quem assim o desejar. No fundo, a abordagem é de garantir essa segurança, essa possibilidade. É isso que também é feito e, com essa legislação específica que dentro em breve será apresentada ao parlamento regional, é isso que se pretende garantir”, afirmou Vasco Cordeiro.

O presidente do PS/Açores falava numa sessão pública sobre o sector público empresarial dos Açores organizada pela Comissão de Ilha de São Miguel do Partido Socialista, no auditório do Laboratório Regional de Engenharia Civil, em Ponta Delgada.

Vasco Cordeiro salientou que, para além da salvaguarda dos postos de trabalho, há ainda outra componente que foi “tomada em conta” na reforma do sector público empresarial regional, que inclui a extinção de empresas e que tem a ver com o “assumir dos compromissos” dessas empresas.

“Naturalmente que, nesta situação, a Região assume esses compromissos, assume todo o activo e assume todo o passivo, refiro-me de uma forma genérica a todo o tipo de compromissos, a compromissos desde logo do seu relacionamento com entidades financeiras e não só”, disse.

Questionado pela plateia sobre o “timing” desta reforma, que abrange 17 empresas no total e a extinção de outras, entre elas a Saudaçor, sem que “tenha sido colocada” anteriormente “aos militantes e votantes no partido”, Vasco Cordeiro negou, baseando-se no “programa eleitoral” e no “programa do governo”.

“Na página quinze do programa eleitoral do PS consta, e a mesma página – porque o programa do governo corresponde ‘ipsis verbis’ quase ao programa eleitoral – tem coisas como assegurar uma gestão estratégica do património regional indispensável à actividade pública e continuar a reestruturação do sector público empresarial regional de modo a satisfazer melhor as necessidades colectivas e a promover a sua potenciação na promoção do desenvolvimento económico e social”, vincou.

 

As empresas extintas

 

O Governo dos Açores anunciou na segunda-feira que vai reduzir a sua participação directa e indirecta em empresas e associações no âmbito de uma reforma do sector público empresarial regional que inclui a extinção de empresas, entre elas a Saudaçor.

“Esta reforma engloba diversas soluções, contemplando nuns casos a extinção de empresas, conjuntamente com um processo de internalização de serviços e de recursos humanos, e noutros a alienação da participação total ou parcial da região e, noutros ainda, a desvinculação de associado”, explicou Vasco Cordeiro.

À Saudaçor, empresa de planeamento e gestão do Sistema Regional de Saúde, soma-se, na lista de extinções, a SPRHI - Sociedade de Promoção e Reabilitação de Habitação e Infra-estruturas.

O responsável pelo executivo considerou ainda que esta reforma surge “focada no desenvolvimento económico-social da região” e na “constante melhoria da afectação dos seus recursos”, visando “gerar eficiência que se repercuta no bem-estar dos açorianos”. 

 

 

Açores têm os maiores aumentos nas avaliações de moradias e apartamentos

Ponta Delgada - casasTal como tínhamos noticiado na nossa edição de domingo, o mercado do imóvel nos Açores, especialmente na ilha de S. Miguel, está numa grande ebulição, como inúmeras vendas, devido à procura e aos constantes aumentos das rendas e vendas.

Agora o INE veio confirmar com os números relativos a Janeiro.

Com efeito, em Janeiro, o valor médio de avaliação bancária, realizada no âmbito de pedidos de crédito para a aquisição de habitação, subiu para 1 153 euros por metro quadrado (euros/m2 ).

Também o valor médio de avaliação dos apartamentos aumentou 5 euros em Janeiro, face ao mês anterior, para 1 205 euros/m2 . 

Nas moradias verificou-se uma descida de 2 euros, para 1 065 euros/m2, a nível nacional. 

A nível regional, as maiores subidas para o conjunto da habitação registaram-se na Região Autónoma dos Açores (1,4%) e na Área Metropolitana de Lisboa (0,9%). 

As únicas descidas verificaram-se na Região Autónoma da Madeira (-1,9%) e no Algarve (-0,3%).

Em comparação com o período homólogo, as avaliações bancárias de apartamentos e de moradias aumentaram 4,9% e 3,0%, respectivamente. A maior taxa de variação homóloga para o conjunto das avaliações verificou-se no Centro (6,3%) e a menor no Alentejo (1,6%). 

No mês em análise, o valor médio de avaliação bancária de apartamentos foi 1 205 euros/m2. 

O valor mais elevado foi observado no Algarve (1 448 euros/m2 ) e o mais baixo no Alentejo (981 euros/m2).

Comparativamente com dezembro de 2017, a Região Autónoma dos Açores apresentou a taxa de variação mais elevada (5,1%). 

O Algarve e a Região Autónoma da Madeira foram as únicas que registaram descida do valor (-0,5% e -2,9% respectivamente) face ao mês precedente.

Em termos homólogos, a Região Autónoma dos Açores registou o crescimento mais expressivo (11,2%) e o Região Autónoma da Madeira a taxa de variação mais reduzida (3,0%). 

O valor médio da avaliação para apartamentos T2 situou-se em 1 200 euros/m2, mais 1 euro que no mês anterior. 

Para os apartamentos T3, outra das tipologias mais avaliadas, observou-se uma subida de 13 euros, tendo o valor médio subido para os 1 152 euros/m2.

 

Preço das casas vai continuar a subir

 

A agência de rating Standard & Poor’s prevê que o preço das casas em Portugal aumente 8,1%, este ano, antecipando um abrandamento do ritmo de crescimento para 7% em 2019 e 6% em 2020.

Uma desaceleração que deverá acompanhar a “aterragem suave” que a S&P antecipa para a evolução dos preços das casas na Europa, num relatório divulgado na passada semana.

As estimativas da agência de notação financeira norte-americana colocam Portugal, a par da Irlanda, no topo da aceleração de preços prevista para este ano, num movimento que atribui ao crescimento da economia nacional, às baixas taxas de juro, à procura dos estrangeiros e à falta de oferta de casas.

“O crescimento económico robusto e a rápida melhoria do mercado de trabalho, as baixas taxas de juro, a forte procura e a falta de oferta continua a suportar os fortes aumentos dos preços das casas em Portugal. Antecipamos 8,5% de crescimento dos preços das casas este ano, após uma estimativa de 11% em 2017”, diz a agência de rating.

Mas as previsões da Standard & Poor’s antecipam uma desaceleração dos preços das casas a nível nacional para os anos seguintes, perante o abrandamento do cenário económico. 

“Esperamos que o crescimento se mantenha sólido em 2018, graças às reformas estruturais do passado e ao ambiente externo favorável, mas que deverá abrandar gradualmente nos próximos anos, para aquém dos 2% no final da década. Tal reflete os constrangimentos face ao elevado endividamento do sector privado e público, e da desaceleração do crescimento da produtividade“, diz a agência.

A agência antecipa assim que o mercado habitacional “deve manter-se dinâmico nos próximos anos”, acrescentando que “os preços devem abrandar gradualmente à medida que o crescimento económico se tornar moderado e as taxas de juro começarem a subir“.

Neste cenário, a S&P prevê que a procura de estrangeiros que tem ajudado a alimentar a subida dos preços das casas em Portugal, continue em forte alta no seu horizonte de previsões.

“A recuperação do investimento habitacional está a avançar, mas a partir de um ponto base muito baixo, e o fosso entre a oferta e a procura deverá persistir ao longo dos próximos anos, suportando os preços”, rematam os especialistas da agência de notação financeira. 

 

Alojamento Local

 

 

Três queixas de vizinhos podem retirar casa do alojamento local. A Airbnb considera que a solução já é aplicada em várias cidades norte-americanas e poderia ser usada em Portugal para acomodar as propostas de lei em discussão na Assembleia da República e que defendem a intervenção dos vizinhos na utilização de casas no alojamento local.  Cabe agora ao governo (e aos partidos com assento parlamentar) decidir se querem adoptá-la e transpô-la para cá. Se Portugal a acolher, será o primeiro país da Europa a fazê-lo. A Assembleia da República discutiu na generalidade os diplomas para regular o alojamento local que foram apresentados pelo PCP, BE, PS, Pan e CDS/PP. Vários (incluindo o do PS) prevêem que os condóminos possam autorizar ou vetar a afectação de um apartamento ao alojamento de turistas, mas a medida está longe de ser pacífica e não recolhe unanimidade dentro do governo ou da própria bancada do PS.

SATA (Air Açores e Azores Airlines) já vai com 25 milhões de euros de prejuízos

Aeroporto PDL As contas finais de 2017 ainda não estão fechadas, mas já é conhecido o resultado da SATA nos primeiros três trimestres: um prejuízo de quase 5 milhões de euros na Air Açores e de 20 milhões de euros na Azores Airlines.

De acordo com dados do Governo Regional, enviados numa resposta a um requerimento do PSD-Açores, na Assembleia Regional, de Janeiro a Setembro do ano passado as contas da SATA Air Açores revelam que esta empresa tem a receber cerca de 50 milhões de euros, 9 dos quais de clientes e 41 de outra entidade, que se presume seja do Governo, relativamente a indemnizações compensatórias.

As contas apresentam cerca de 59 milhões de passivo corrente, devido a fornecedores, bancos e outros. 

Certo é que mais liquidez não há porque os resultados negativos são mesmo iguais às amortizações. 

De facto, a empresa vendeu 29 milhões e recebeu 19 milhões em subsídios. 

Ainda faltam mais 10 milhões de subsídios para fechar o ano. 

Temos assim que a Air Açores não tem resultados positivos para ir abatendo a dívida.

De salientar que o resultado negativo de 2016 (3,3 milhões) já está ultrapassado até Setembro. 

 

Capitais negativos em 45 milhões de euros na Azores Airlines

 

Quanto à Azores Airlines, também em nove meses, concluída a época alta, já foram acumulados prejuízos da ordem dos 20 milhões de euros. 

Os capitais negativos, de cerca de 24 milhões em Dezembro de 2016, já estavam em cerca de 45 milhões negativos em Setembro. 

Sem novas injecções de capital, o passivo aumenta em mais de 20 milhões de euros, com os fornecedores, mais uma vez, a aumentarem as dívidas suportadas em mais cerca de 7 milhões de euros, para uns expressivos 34 milhões, em vendas de cerca de 134 milhões (25%). 

Os clientes representam apenas 4,5 milhões de euros, mas está registado nas contas mais um devedor de cerca de 21 milhões de euros (que se presume seja o governo).

Com um passivo de apenas 90 milhões de euros (o que custa um avião novo), a Azores Airlines caminha para mais défice a fechar 2017. 

A Air Açores, com um passivo de cerca de 180 milhões de euros e um volume de proveitos (com os 30 de subsídios), não consegue libertar liquidez para amortizar a sua dívida, tudo isto na melhor época de transportes aéreos conhecida até agora.

 

SATA com ocupação de 70% na rota de Cabo Verde

 

A SATA transportou, em sete meses, cerca de 11 mil passageiros entre os Açores e Cabo Verde, mantendo uma ocupação média de 70% desde o início da linha, em Junho.

A SATA Azores Airlines iniciou as operações para Cabo Verde a 3 de Junho, com duas frequências semanais no Verão e uma no Inverno e um total de mais de 16 mil lugares disponíveis.

Entre Junho e Dezembro, a companhia desembarcou no aeroporto Nelson Mandela, na cidade da Praia, 5.600 passageiros e embarcou 5.200 em 102 voos directos Praia – Ponta Delgada, segundo dados avançados na cidade da Praia, por Carlos Santos, gestor para o mercado cabo-verdiano.

“Tivemos uma taxa de ocupação muito satisfatória. Acima dos 90% de Junho a Setembro e entre 50 e 60% nos restantes meses. Dá uma media de 70%, o que é excelente”, disse.

Carlos Santos falava aos jornalistas à margem de uma sessão no Centro Cultural Português para apresentar os resultados da rota cabo-verdiana em 2017 e perspectivar o ano de 2018.

 

Mais foco nos EUA em 2018

 

Os voos Praia – Ponta Delgada possibilitaram aos passageiros a ligação aos Estados Unidos, Canadá, Portugal, Alemanha, bem como à generalidade dos mercados operados pela SATA.

Para 2018, Carlos Santos adiantou que a aposta da empresa passa por trabalhar os mercados tradicionais da SATA, combinados com “Stopover” nos Açores.

 “Cabo Verde é um mercado muito apetecível para os alemães que poderão combinar Açores e Cabo Verde”, exemplificou.

Lisboa, Porto e Madeira são outros mercados de aposta da empresa, que pretende reforçar também a rota dos Estados Unidos.

“Vamos ter muito foco nos Estados Unidos porque estamos a falar de um mercado de 300 milhões de habitantes e que tem uma grande apetência por Cabo Verde. Temos muito trabalho pela frente”, disse.

Carlos Santos estimou que, com a aposta nas ligações com os mercados da Macaronésia (Açores, Canárias, Madeira e Cabo Verde), português, canadiano e europeu, o tráfego de passageiros da companhia vá “aumentar muito em 2018”.

O responsável da SATA disse ainda que a empresa irá continuar a voar para a cidade da Praia, na ilha de Santiago, não estando prevista a ligação com outras ilhas do arquipélago cabo-verdiano.

 

BE diz que Governo e PS “enterraram” a SATA

 

“No processo de privatização da SATA, o PS está a seguir o mesmo caminho que o governo de Passos Coelho seguiu na privatização da TAP” , a comparação é do deputado António Lima, do BE, que acusou o PS de fazer lembrar “um camaleão”, porque “conforme muda o Governo da República, tem uma opinião bastante diferente em relação às privatizações”.

“Despedimento colectivo ou privatização” era o cenário colocado pelo anterior primeiro-ministro, do PSD, para justificar a privatização da TAP. 

Agora, o PS tem a mesma atitude: “acenar com a destruição da empresa caso não haja privatização”.

O Bloco defende a recapitalização pública da empresa, para que a SATA se mantenha ao serviço dos interesses da Região “por muitos e longos anos”. 

Uma solução que foi, aliás, defendida publicamente pelo anterior secretário regional dos Transportes, Vítor Fraga.

“Em 2015 podia haver recapitalização pública, não havia problema nenhum, e a privatização estava excluída. Agora é o cataclismo se houver uma recapitalização pública, e a única solução é a privatização”, ironizou o deputado António Lima, apontando a incoerência do PS, que quer provocar o “medo nas pessoas” perante uma solução que o próprio PS defendia há bem pouco tempo.

“Porque é que o Governo Regional desistiu de pensar que é possível a recapitalização pública. O que é que mudou em três anos?”, insistiu o deputado do BE, sem que viesse a obter qualquer resposta.

O Bloco levou uma iniciativa ao parlamento que defendia a suspensão do processo de privatização da SATA, para que fosse realizada uma auditoria do Tribunal de Contas à Azores Airlines, cujo objectivo era garantir “contas claras” para provar que “é possível recapitalizar a SATA com dinheiros públicos”, mas a iniciativa foi rejeitada.

Durante o debate, a deputada Zuraida Soares lembrou que, há apenas dois anos, o PS elogiava o trabalho dos administradores da SATA e garantia que a empresa estava no bom caminho, estranhando que tão pouco tempo depois, afinal, considerem que a empresa está em grandes dificuldades e que tem que ser privatizada.

“Quem é que enterrou a SATA? O Governo Regional e o PS. Os mesmos que agora querem privatizar”, concluiu a líder parlamentar do BE.

 

Berto Messias responde

 

O Secretário Regional Adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares garantiu, na Horta, que a alienação parcial da Azores Airlines é “um processo legitimado pelo Parlamento e que decorre com total transparência”.

O Secretário Regional afirmou que o Grupo SATA apresenta anualmente um relatório ao Tribunal de Contas e lamentou que o Bloco de Esquerda tenha desvalorizado o trabalho feito no decorrer da Comissão de Inquérito à SATA, em 2015, em que a gestão da empresa foi amplamente escrutinada por todos os partidos políticos representados no Parlamento açoriano.

Berto Messias frisou que, aquando do debate do Orçamento da Região para 2018, foi “aprovada a criação de uma comissão especial e independente para acompanhamento do processo de alienação parcial da Azores Airlines”.

“Esta comissão independente, com personalidades independentes, liderada pelo doutor Elias Pereira, é pública, já foi nomeada e já está em funções”, destacou.

Na sua intervenção em plenário, recusou as acusações lançadas pelo Bloco de Esquerda, segundo as quais o Governo dos Açores, alegadamente, “enterrou a SATA”, assegurando que o Executivo “sempre protegeu a empresa, a sua importância no presente e a importância que, com certeza, continuará a ter no futuro para a Região”.

“Na perspectiva do Governo dos Açores, este é um processo que não deve parar, que não deve ser interrompido, que está legitimado. É um processo que respeitará todos os pressupostos e princípios de transparência, mantendo aquilo que para nós é absolutamente inquestionável: a questão substantiva da Região manter a maioria do capital da Azores Airlines, que continuará a ser fundamental para o futuro da nossa Região e para todos os Açorianos”, afirmou Berto Messias.

 

Hotel, hiper, lojas, armazéns, casas... uma avalanche de imóveis à venda em Ponta Delgada

hiper china“Nunca tivemos um período de negócio de imóveis como agora; de repente, toda a gente quer vender ou arrendar, aproveitando a procura de muita gente de fora, mas também investidores locais que até recorrem ao crédito bancário”, é assim que um empresário do ramo imobiliário de Ponta Delgada, que não quer ser identificado, descreve a onda de imóveis à venda em Ponta Delgada, sobretudo no início deste ano.

“Há de tudo, desde imóveis prontos a habitar, até ainda no tosco”, acrescenta o nosso interlocutor, que explica o fenómeno com o “aumento substancial dos preços do mercado, que em pouco mais de dois anos passou a valer mais e com enorme procura”.

Em Ponta Delgada já há quem se queixe da falta de habitações para arrendamento, sobretudo os estudantes universitários, que até se queixam do aumento das rendas “de um momento para o outro”.

De acordo com a nossa fonte, “no ano passado um T2  na zona habitacional do Paim andava à volta dos 500 euros por mês; neste momento já há quem esteja a alugar por 900 euros”.

Numa ronda que o nosso jornal fez, aleatoriamente, por Ponta Delgada, foi fácil constatar que as várias imobiliárias não têm mãos a medir no que toca às propostas de venda e, segundo algumas, “com muito boa procura”.

É o mercado a funcionar - dizem-nos - daí que muita gente esteja a aproveitar o bom momento, até para reconstruir algumas moradias e transformá-las em Alojamento Local ou mesmo para colocar no mercado de arrendamento.

A subida das rendas e dos preços do imobiliário ditou uma corrida dos investidores ao mercado da cidade, que tem a maior procura do exterior, mas também aproveitando as facilidades que a banca voltou a disponibilizar aos clientes.

Há de tudo à venda em Ponta Delgada.

Por exemplo, encontramos numa mobiliária uma proposta de venda do Hotel Talismã, em Ponta Delgada, pelo preço de 5.654.100 euros.

“Hotel localizado no centro de Ponta Delgada, em zona pedonal bem servida de comércio, com boas acessibilidades e vias directas ao aeroporto. O hotel desenvolve-se em 4 pisos acima do solo com um total de 58 quartos. Ala de conferências, sala de pequenos-almoços e restaurante, Terraço com zona de lazer/ginásio e piscina. Imóvel com contrato de Arrendamento. Excelente oportunidade de investimento”, é assim que é descrita a proposta de venda.

No Gaveto da Rua de São Gonçalo/Pescador Jacinto Tavares (rotunda), em Ponta Delgada, está à venda uma loja, cujo imóvel localiza-se numa área recente de Ponta Delgada, “caracterizada por ocupação mista de edifícios habitacionais com comércio e serviços. O imóvel é composto por espaço amplo no piso térreo e escritórios no piso 1 e 12 lugares de estacionamento no piso da cave. Muito boa visibilidade, assim como bons acessos”, numa área de 1.369 metros quadrados, tudo por 848 mil euros.

Há também um híper à venda - o Hiper China - na freguesia de S. Sebastião de Ponta Delgada, que a Imovirtual descreve como um “Espaço Comercial com 1060m2 no piso -1 com saída direta para a rua. Tem 13 lugares de estacionamento no piso -2 atribuídos a esta fração”, por 628 mil euros.

Só numa imobiliária contamos mais de três dezenas de lojas, em Ponta Delgada e arredores, com preços quase todos acima dos 100 mil euros.

Até uma loja em tosco, por 132 mil euros, está também à venda, descrita como “Loja em tosco situada no piso térreo de um edifício de habitação com 2 lugares de estacionamento na cave. Localiza-se numa zona nova da cidade onde a acessibilidade é muito boa”.

Há apartamentos para alugar de todas as maneiras e feitios, mas a preços considerados exorbitantes, nada comparados com os de há cinco ou dez anos atrás.

No centro de Ponta Delgada, por exemplo, um apartamento com apenas um quarto com cama de casal, situado no centro histórico, frente à igreja de S. Pedro e às Portas do Mar, para alugar ao dia, custa 40 euros por noite.

Armazéns à venda também há para todos os tamanhos, quase todos a cima dos 200 mil euros.

Novo Banco dos Açores com lucros de 2 milhões de euros

novo banco conselho administraçãoO Novo Banco dos Açores obteve no ano passado um resultado positivo de 1.957 mil euros, mais 17% do que em 2016.

Segundo revelou o respectivo Conselho de Administração, o exercício de 2017 corresponde ao primeiro ano de mandato dos órgãos sociais do Novo Banco dos Açores, eleitos na Assembleia Geral do dia 31 de Março de 2017. 

Este resultado incorpora uma reclassificação extraordinária do imobilizado em curso como custos do exercício de cerca de 770 mil euros e a amortização extraordinária de activos obsoletos e ou não geradores de benefícios em cerca de 300 mil euros, que não serão recorrentes nos próximos exercícios, melhorando assim os Resultados futuros. 

Neste exercício foi contabilizada uma provisão, no valor de 528 mil euros, para custos com reestruturação e que terá impactos positivos nos próximos exercícios.

Importa referir que todos os elementos dos diferentes órgãos sociais se encontram devidamente aprovados pelas entidades de supervisão bancária, o Banco de Portugal e o Banco Central Europeu. 

 

Os accionistas do banco

 

De referir ainda que o corpo accionista do Novo Banco dos Açores não sofreu nenhuma alteração em 2017, sendo o accionista de referência o Novo Banco com 57,5% do Capital Social, a Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada com 30,0%, o Grupo Bensaude com 10,0% e os restantes 2,5% são pertença de outras Santas Casas das Misericórdias dos Açores.

Em 2017, assume também grande relevância o término da denominação de Banco de Transição que o Novo Banco detinha antes do terminado o processo de venda de 75% do seu Capital Social à Lone Star.

“Assim sendo, o Novo Banco regressou à normalidade no sistema, abrindo-se grandes e positivas perspectivas para o desenvolvimento da sua actividade, e consequentemente também para o Novo Banco dos Açores”, sublinha uma nota do Conselho de Administração enviada ao nosso jornal.

“O Novo Banco dos Açores, como banco com sede na Região Autónoma dos Açores, continua no respeito das regras prudenciais, do Risco e do Compliance a prosseguir múltiplas actividades em prol dos seus Clientes e do desenvolvimento dos Açores, sempre de acordo com os seus Estatutos e Missão de serviço no que respeita aos Clientes”, lê-se ainda na nota.

 

Depósitos à Ordem aumentaram e a Prazo diminuíram

 

Em 2017, o rácio de Solvabilidade do Novo Banco dos Açores foi de 13,17% (Novembro), o rácio de Transformação de 101,6% e o rácio de Liquidez de 113% (provisório), indicadores estes que comprovam a posição de solidez do Banco. 

De realçar que, no exercício de 2017, os Depósitos à Ordem tiveram um crescimento relativamente a 2016 de + 15,14%, passando de 68,6 para 79,0 milhões de euros, enquanto os Depósitos a Prazo verificaram um decréscimo de 6,9%, apresentando no final do ano um montante de 262,2 milhões de euros. 

Em termos médios, a variação mensal dos depósitos foi maioritariamente positiva, assim como a variação anual dos depósitos totais, que registou um valor positivo de 3,55%.

No que respeita ao Crédito, o Novo Banco dos Açores teve um ligeiro decréscimo de – 1,6% relativamente ao ano de 2016, passando o Crédito Concedido de 376,2 para 370,0 milhões de euros. 

Outro dado muito significativo foi o Crédito Vencido, que no exercício de 2017 decresceu 1,4 milhões de euros, evoluindo de 18,9 para 17,5 milhões de euros e as Imparidades / Provisões para Crédito, que perfizeram um total de 23,2 milhões de euros, “o que atesta bem o grau de boa cobertura do Crédito Vencido do Banco”. 

Acresce que uma parte importante do Crédito Vencido tem garantias reais e algumas provisões constituídas, o que certamente irá influenciar positivamente os resultados de exercícios futuros., afirma o Novo Banco.

Um dos pontos fortes do Novo Banco dos Açores, segundo a sua Administração, “é precisamente o bom controlo do seu Crédito Concedido”.

 

Redução nos custos com pessoal

 

O Resultado Financeiro do Banco em 2017 situou-se nos 6,1 milhões de euros e o Serviço a Clientes atingiu os 5,4 milhões de euros, o que contribuiu para uma evolução positiva do Produto Bancário Comercial de 5,8%. 

Os Custos com Pessoal também tiveram uma evolução favorável, registando uma redução de 5,9%.

Durante este exercício, o Novo Banco entregou nos cofres da Região Autónoma dos Açores cerca de 4 milhões de euros de Impostos, o que o coloca como uma das empresas que mais contribui positivamente para a arrecadação de impostos na Região Autónoma dos Açores.

Assim, mesmo neste contexto difícil, o Novo Banco dos Açores encerrou o exercício de 2017 com um resultado liquido positivo de cerca de 1.957 milhares de euros, em comparação com os 1.678 milhares de euros registados em 2016, o que equivale a um aumento de 16,6% (contas não auditadas).

Durante o exercício de 2017, o Novo Banco dos Açores e os seus colaboradores participaram em diversos eventos, encontros e reuniões com os seus clientes. 

 

Mais 2.200 clientes

 

“O acompanhamento dos clientes e as acções tendentes a maximizar a qualidade na prestação de serviços dos mesmos foram uma constante em todo este exercício, o que pode ser medido pelos níveis de satisfação, que se comprovam pelos resultados dos inquéritos realizados junto dos nossos clientes”, lê-se na nota. 

No ano de 2017 foi possível captar mais de 2.200 novos clientes.

“A globalização dos mercados financeiros, da informação, das comunicações, da tecnologia e da movimentação das pessoas, impõe, hoje, mais do que nunca, um aprofundamento de métodos e uma partilha de experiências, designadamente nos mercados financeiro e segurador nacional”, diz o Novo banco, concluindo que, “neste sentido o Novo Banco dos Açores, no ano em análise, prosseguiu com o desenvolvimento e modernização informática e digital. Em 2017 foram efectuados diversos cursos de actualização e em diversas áreas, abrangendo todos os colaboradores, inclusive os Órgãos de Administração do Banco. Também foi possível reestruturar alguns dos serviços do Banco e criar uma unidade de acompanhamento das novas exigências decorrentes da União Bancária Europeia, sendo que contamos também com o apoio do Novo Banco para a concretização desse objectivo”.