S. Miguel ficou com mais cerca de 200 estabelecimentos turísticos

cama hotelNos primeiros 9 meses deste ano, entre Janeiro e Setembro, S. Miguel viu aumentar o seu parque de alojamento turístico em quase duas centenas de unidades, passando de 894 em Janeiro para 1.085 em Setembro.

De acordo com os dados disponíveis, analisados pelo “Diário dos Açores”, a capacidade de alojamento também aumentou, passando de 5.843 camas em Janeiro para 6.712 em Setembro.

Este crescimento é motivado, sobretudo, pelo fenómeno do Alojamento Local, que cresceu em S. Miguel no ano passado de 485 unidades em Janeiro para 784 em Dezembro.

Já este ano, no mês de Janeiro contavam-se 807 alojamentos locais nesta ilha, aumentando para 988 em Setembro.

 

46 hotéis em S. Miguel e 988 alojamentos locais

 

S. Miguel possui, até Setembro deste ano, 46 unidades de hotelaria tradicional (40 em Janeiro), 48 unidades de Espaço Rural (45 em Janeiro), 1 Pousada da Juventude (2 em Janeiro), 2 Parques de Campismo e as tais 988 unidades de Alojamento Local.

A Hotelaria Tradicional, a qual compreende os hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos turísticos e pousadas, atingiu 1.484,7 mil dormidas de Janeiro a Setembro, o Turismo no Espaço Rural 53,8 mil dormidas, as Pousadas de Juventude 37,1 mil dormidas, os Parques de Campismo 42,3 mil dormidas e o Alojamento Local 511,6 mil dormidas.   

De Janeiro a Setembro de 2018, a Hotelaria Tradicional registou uma diminuição de 0,2% nas dormidas e um aumento de 2,1% nos hóspedes, relativamente ao período homólogo de 2017. 

A capacidade de alojamento em Setembro de 2018 situou-se nas 10.730 camas repartidas pelos 98 estabelecimentos em funcionamento nesse mês. 

A oferta de alojamento, traduzida no número médio de camas disponíveis, atingiu as 10.232 camas. 

 

Mais de 2 mil empregados

 

O número médio de pessoas ao serviço foi de 2.213. 

De Janeiro a Setembro de 2018, os residentes em Portugal registaram 622,4 mil dormidas, o que traduz um aumento de 3,9% comparativamente a igual período de 2017. 

As dormidas dos residentes no estrangeiro atingiram as 862,3 mil dormidas, reflectindo uma variação homóloga negativa de 2,9%. 

O mercado norte-americano (EUA e Canadá) concentrou 19,8% do total das dormidas dos residentes no estrangeiro, cerca de 170,7 mil dormidas, tendo registado uma variação homóloga positiva de 13,7%. 

A ilha que concentrou maior número de dormidas, de Janeiro a Setembro de 2018, foi a de São Miguel, seguida da Terceira e do Faial, respectivamente com 1.023,8 mil (69,0%), 237,6 mil (16,0%) e 92,5 mil (6,2%) dormidas.

 Em termos de variações homólogas acumuladas, de Janeiro a Setembro, as ilhas que apresentaram variações homólogas positivas foram as ilhas do Corvo, do Pico e da Terceira, com variações respectivamente de, 17,3%, 4,4% e 0,9%.

 As ilhas do Faial, de São Miguel, das Flores, de Santa Maria, da Graciosa e de São Jorge, apresentaram variações negativas respectivamente de, 0,2%, 0,5%, 0,7%, 0,8%, 2,4% e 8,1%.    Nos estabelecimentos hoteleiros os proveitos totais somaram 79,8 milhões de euros e os proveitos de aposento 60,3 milhões de euros, equivalendo a um aumento de 8,4% e a um aumento de 11,4% respectivamente, em comparação com o período homólogo. 

 As ilhas de São Miguel, Terceira e Faial foram as que maior peso tiveram no total dos proveitos totais, respectivamente com 72,4%, 13,0% e 6,5%. 

Todos os meses são criados nos Açores perto de meia centena de alojamentos locais

Alojamento local - placaO Alojamento Local teve um aumento vertiginoso nos últimos dois anos nos Açores, tornando-se já num fenómeno turístico, que está a “retirar” milhares de turistas da hotelaria tradicional, a única categoria que está em queda.

Só este ano, de Janeiro a Setembro, já foram criadas na região mais 387 unidades de Alojamento Local e no ano passado, de Janeiro a Dezembro, foram registadas mais 590 unidades, uma média de quase meia centena por cada mês que passa.

De acordo com os dados agora publicados pelo SREA, que abrangem todas as tipologias de estabelecimentos turísticos em actividade, em Janeiro do ano passado havia nos Açores 962 alojamentos locais, terminando o ano com 1.552 alojamentos.

 

Cresce 100 por cento em dois anos

 

Em Janeiro deste ano havia 1.590 unidades e no final de Setembro já estavam registadas 1.997 unidades, sendo certo que deverão ultrapassar as 2 mil no final do ano, ou seja um crescimento de mais de 100 por cento em dois anos.

Um crescimento que contrasta com a hotelaria tradicional, que tem crescido a menor ritmo.

Em  Janeiro deste ano havia 84 estabelecimentos de hotelaria tradicional e em Setembro aumentou para 98.

O Turismo em espaço Rural também aumentou de 102 estabelecimentos em Janeiro para 114 em Setembro.

As Pousadas de Juventude desceram de 6 para 5 e os Parques de campismo aumentaram consideravelmente de 1 para 14.

A capacidade de alojamento na hotelaria tradicional ultrapassou já este ano as 10 mil camas, registando-se em Setembro 10.730, quando em Janeiro eram 9.549.

O Turismo em espaço Rural passou de 1.050 em Janeiro para 1.174 em setembro na capacidade de alojamento.

Nas outras categorias, nomeadamente no Alojamento Local, não existem registos do SREA em termos de capacidade de alojamento.

S. Miguel possuía, em Setembro, 988 alojamentos locais, seguindo-se Terceira com 332, Pico com 331 e Faial com 147.

 

Tudo somado, turismo aumenta, mas desce na tradicional

 

De Janeiro a Setembro as dormidas cresceram 6,0% no total de todos aqueles alojamentos apurados, segundo o SREA. 

Os hóspedes registaram um crescimento de 7,8%.

De Janeiro a Setembro de 2018, o Alojamento Local foi a tipologia que mais cresceu, (36,8% nos hóspedes e 30,1% nas dormidas).

A ilha Terceira registou o aumento mais acentuado (72,5% nos hóspedes e 64,9% nas dormidas).

Com efeito, de Janeiro a Setembro de 2018 o Alojamento Local foi a tipologia que apresentou a maior taxa de crescimento, com 30,1%, enquanto a Hotelaria Tradicional registou um decréscimo de 0,2%.

Por ilhas, em comparação com o período homólogo de 2017, entre as ilhas com maior crescimento tem-se a ilha Terceira, com uma variação de 64,9%, (mais de 28 mil dormidas), a ilha do Pico com 51,2% (cerca de 19 mil dormidas) a ilha do Faial com 24,4% (perto de 9 mil dormidas e a ilha de São Miguel com 20,6% (mais de 50 mil dormidas).

Relativamente aos hóspedes, a taxa de crescimento do Alojamento Local é mais acentuada que nas dormidas. 

De Janeiro a Setembro, apresentou uma taxa de 36,8% enquanto a Hotelaria Tradicional registou 2,1%. 

Destaca-se os elevados crescimentos da ilha Terceira, com 72,5% (mais de 9 mil hóspedes), da ilha do Pico com 61,8% (perto de 6 mil hóspedes) e da ilha de São Miguel com 26,4% (mais de 16 mil hóspedes).

O SREA esclarece que a ilha das Flores não apresenta informação no TER em 2018 e a ilha do Corvo de Janeiro a Abril no AL, devido a não terem registado o número mínimo de respondentes (3) e respeitar assim o princípio do Segredo estatístico.

Tal como é referido na publicação, as taxas de resposta são diferenciadas para cada tipo de alojamento. 

Assim, na Hotelaria tradicional e nas Pousadas de juventude a taxa de resposta é de 100%, enquanto nas outras tipologias andam perto dos 70% e os valores divulgados não incluem o tratamento de não resposta.

De referir ainda que enquanto na Hotelaria Tradicional, no Turismo no Espaço Rural e nas Pousadas de Juventude a recolha é feita através de Inquéritos do INE/SREA; em 2018, a recolha do Alojamento Local é feita conjuntamente pelo SREA e pela Direcção Regional de Turismo. 

A recolha efectuada pelo SREA é feita através da internet, na plataforma do SREA.

Operadores descontentes com atraso da programação da SATA para Providence

SATA - Azores Airlines

Perguntava-nos João Sousa, da Cardoso Travel, de Providence: “Sabe quando é que a Azores Airlines tem previsto o início dos voos Providence/Ponta Delgada?”.

Por coincidência, Rui Rodrigues, radicado em Fall River, encontra-nos no aniversário do supermecado Portugalia Marketplace daquela cidade e faz-nos a mesma pergunta.

Mediante a insistência e com a Cardoso Travel a acrescentar: “Já temos passageiros a quererem reservar para as férias nos Açores, mas dá-lhes mais  jeito sairem do aeroporto de Providence”.

O aeroporto T.F. Green tem condições de operacionalidade tanto para o avião como para o passageiro, porque é um aeroporto bem localizado, de fácil e rápido acesso ao estado de Connecticut, fugindo ao inferno do tráfego na zona de New York, para quem utiliza os aeroportos de Newark e New York. 

Providence é um aeroporto que facilita aos locais, portugueses e americanos, com o número destes a aumentar de voo a voo”.

E João Sousa, com a sua perspicácia e grande experiência, diremos mesmo o mais experiente neste campo, diz-nos com a sua voz calma: “São capazes de não ter aviões suficientes e os que têm querem mandá-los para Boston. Mas há aqui um valor que não se pode descuidar. Se a operação do Verão passado com saída de Providence foi bem sucedida e pela procura, mesmo sem se ter anunciado a utilização do aeroporto de Providence, somos de opinião que a mesma se devia manter.

Com todo o respeito que temos pelos administradores da SATA em Ponta Delgada, não podemos esquecer os administradores locais da Azores Airlines. E aqui existe o contacto com o mercado. O mercado que enche os aviões. Aguardamos uma comunicação oficial.  Só esperamos que não seja tardia”. 

Contactámos Duarte Nuno Carreiro, administrador da Azores Airlines nos EUA, que não pôde acrescentar muito: “Continuo a aguardar ordens de Ponta Delgada. Até ao momento, nada posso acrescentar de concreto, a não ser que a operação do passado Verão foi um êxito, com saída de Providence. Mas Ponta Delgada é que decide, pelo que vamos aguardar ordens”, concluiu Duarte Carreiro.

Todos estão recordados da presença da governadora de Rhode Island, Gina Raimondo, na cerimónia de inauguração da operação da SATA com saída de Providencede, a quem foram dadas excelentes condições de operacionalidade.

Além da Governadora, esteve presente o senador Jack Reed com assento em Washington, ladeando o director do aeroporto. 

Gerou-se um movimento de boas vontades que se iriam reflectir na adesão dos passageiros. 

Não podemos esquecer a distância entre Bostom e Providence das cidades de  Fall River, New Bedford, Taunton no estado de Massachusetts, e Bristol, Warren, Central Falls, Cumberland, Pawtucket e mesmo das mais diversas cidades de Connecticut. 

E além da distância temos o problema do tráfego. 

Mas Ponta Delgada vai por certo decidir pelo melhor em relação à Azores Airlines e aos passageiros que serve.

 

Por: Augusto Pessoa - Exclusivo Portuguese Times/Diário dos Açores

Mariserra quer tornar-se um “restaurante de referência a nível nacional”

Mariserra

É na rua Praia dos Santos, em São Roque, que encontramos o restaurante Mariserra. Considerado já um espaço de referência na restauração regional, está desde 2017 sob a gerência de Paulo Jorge Juromito. Em entrevista ao Diário dos Açores, o responsável conta que  o “segredo para fidelizar os clientes”, especialmente no Inverno, é o ter “qualidade, matéria-prima sempre fresca e  servir da melhor maneira”. Com uma equipa de 20 trabalhadores, entre a sala e a cozinha, o sócio-gerente fala da importância de conseguir dar uma “vida estável” aos funcionários. Sobre a restauração a nível geral, Paulo Jorge Juromito critica a  existência de demasiados restaurantes em São Miguel, salientando a necessidade de se manter um “equilíbrio” no sector. 

 

Diário dos Açores – Como surgiu a oportunidade de começar a explorar o Restaurante Mariserra, em Ponta Delgada?

Paulo Jorge Juromito (PJJ) – A oportunidade surgiu quando estava à procura de um espaço em Ponta Delgada para dar continuidade ao trabalho que estava a fazer no restaurante A Traineira, na Lagoa. Sempre achei que, na Lagoa, não tinha a localização ideal para o trabalho que desenvolvíamos e, entretanto, soubemos através de uma empresa de mediação imobiliária que o restaurante Mariserra estaria disponível para venda. Fizemos esta aposta e cá estamos há 18 meses.

 

E quando aparece a sua ligação à área da restauração?

PJJ – Desde que nasci. O meu pai sempre teve restaurantes em Lisboa e eu comecei a gatinhar ao pé de pratos e fogões.

 

Os Açores surgem quando na sua vida? O que o levou a mudar-se para São Miguel?

PJJ – Já desde os meus 12 anos que venho aos Açores. A minha irmã veio trabalhar para cá, é chefe de divisão na Câmara Municipal de Ponta Delgada, e como eu vinha cá todos os anos de férias comecei a sentir amor pela ilha e pelas pessoas de cá. Há 12 anos, quando vim cá de férias, conheci a minha actual esposa e já não saí da ilha…

 

O Mariserra era já um restaurante de referência em Ponta Delgada e na ilha. Qual foi a aposta quando veio gerir o espaço?

PJJ – O Mariserra era um bom restaurante e essa foi a razão pela qual adquirimos o negócio. Mantivemos os famosos pratos da casa, como os arrozes servidos em pratos de pedra sabão. Demos foi muito mais ênfase ao peixe fresco, à matéria-prima fresca, e ao marisco, mantendo o que já era bom na casa. O maior trabalho que temos tido tem sido ao nível da decoração. Não achávamos que a decoração estivesse de acordo com a ementa. Alterámos a cozinha e o sistema de trabalho. Trabalhamos, actualmente, com dois chefs fantásticos, nomeadamente o Paulo Mota e a Margarida Gomes, e temos uma cozinha de excelência.  Agora, resta dar continuidade a este trabalho, melhorando sempre desde os pratos, às sobremesas e entradas. Ou seja, deixar ficar o que é bom, mas inovando sempre.

 

Quais os pratos mais procurados?

PJJ – Os pratos mais pedidos na casa são os de peixe fresco. O peixe grelhado, com o famoso arroz de legumes, filetes de polvo com arroz, arroz de tamboriz, arroz de marisco, lagosta, ostras e muita sapateira…  

 

Sente-se satisfeito com esta mudança para Ponta Delgada?

PJJ – Sem dúvida. Ponta Delgada é Ponta Delgada. Comparar Ponta Delgada com Lagoa é o mesmo que comparar Lisboa com Santa Comba Dão... Existem restaurantes fantásticos na Lagoa mas, para os nossos objectivos e para a nossa visão, não era a localização ideal. Já Ponta Delgada é o centro da ilha…

 

O ‘boom’ que se verificou no turismo ajudou quando arrancou com o negócio no Mariserra?

PJJ – Não foi esta a estratégia pensada… Aliás, o segredo não está no verão, porque nessa altura há sempre muitos turistas e todos os restaurantes têm clientes. Na época alta, se o nosso restaurante estiver cheio, o cliente vai comer a outro lado ou vice-versa. Por isso, o segredo está no inverno. E o segredo para fidelizar os clientes no inverno é ter qualidade, matéria-prima sempre fresca, não enganar o cliente e tentar servir da melhor maneira. Hoje em dia, é muito importante formar a equipa da sala sobre como bem servir o cliente, porque as pessoas têm muitos mais conhecimentos do que anteriormente. Dessa forma poderemos dar-lhes uma experiência completamente diferente. 

 

Falou em formar a equipa… Há empresários do sector da restauração a queixarem-se da dificuldade em encontrar recursos humanos qualificados. Sente também esta dificuldade?

PJJ – Sim, completamente. É complicado. Mas aqui fazemos um esforço enorme para manter a mesma equipa o ano todo. Mesmo que quando chegarmos ao verão tenhamos que ir buscar mais gente, temos sempre uma equipa base. Fazemos os possíveis para manter 80% da equipa o ano todo. Temos também a preocupação de querer que os nossos empregados tenham a sua vida estável, sabendo que têm a sua actividade profissional durante o ano todo, com os seus direitos garantidos. No fundo, estamos a permitir que tenham uma carreira, sem aquela preocupação de que, depois do verão, vão estar desempregados. Ao sentirem essa segurança, acabam também por dar mais à empresa. Mas, voltando à questão, a mão-de-obra qualificada não existe muita. Nós também temos que pensar de uma forma estratégica e não deixar fugir os nossos bons funcionários. O que não falta por aí são empresários que, não sendo tão honestos, vêm buscar trabalhadores a outras casas. É chato, mas acontece muito.

 

Como é que analisa o sector da restauração, actualmente, em São Miguel?

PJJ – Somos imensos… Há muitos restaurantes. No Verão há clientes para todos, mas no inverno não. O que vai acontecer agora, com o turismo, é que já não vai haver aquele ‘boom’. Vai criar-se um equilíbrio no número de turistas a virem para cá. Mas o que queremos é que haja esse equilíbrio durante o ano todo e não apenas um pico no verão. O que vemos, de inverno, na restauração, é espaços vazios com dois ou três clientes. A última vez que verifiquei, havia 296 estabelecimentos a vender comida só no concelho de Ponta Delgada… Agora imagine, esses espaços todos no inverno… Há restaurantes que têm graves e grandes dificuldades para se manterem em funcionamento durante vários anos.

 

É esta sazonalidade e o manter a equipa ao longo de todo o ano os maiores desafios na gestão do restaurante?

PJJ – O maior desafio é cumprir aquilo a que nos propomos. Inicialmente, quando viemos para cá, e como o Mariserra já tinha a sua marca estabelecida no mercado, o desafio inicial passava por não baixar as vendas em relação a anteriormente. O que é certo é que as conseguimos manter e aumentar, com bastante trabalho. O próximo objectivo é manter equilíbrio durante o ano inteiro, para que possamos fazer sempre mais e melhor. Além disso, também estamos a trabalhar na decoração exterior da casa, que falta finalizar. 

 

Olhando para estes 18 meses de actividade no Mariserra, que balanço consegue fazer?

PJJ – O balanço é positivo. Tem sido uma guerra, pois é um restaurante que requer muito mais de nós do que o antigo que tinha. E quem paga com isto acaba por ser a família. Felizmente, tenho a ajuda de um sócio, do meu pai e de uma boa equipa de 20 funcionários, o que faz com que estas dificuldades sejam ultrapassadas da melhor maneira. 

 

É uma equipa bastante extensa…

PJJ – Sim. Nós poderíamos adoptar outro sistema cá no restaurante e reduzir o número de empregados para metade, ao fazer o que sempre foi feito na restauração:  ter os funcionários com horários repartidos. Mas eu que eles tenham horários das 10h às 17h e das 17h à meia-noite, com as respectivas horas de almoço e jantar. Isso permite que eu tenha o restaurante aberto o dia todo e que eles tenham uma vida, que saibam que podem passar tempo com a família. Dou muito valor a isso, principalmente porque os meus pais sempre estiveram ligados à restauração e passavam pouco tempo em casa. Não quero que os filhos dos meus empregados passem pelo mesmo. 

 

Quanto ao futuro, como vêem o Mariserra nos próximos anos?

PJJ – Ainda não criamos um objectivo a longo prazo. Neste momento, ainda estamos a trabalhar no equilíbrio da casa. Além disso, só agora estamos a conseguir perceber como estamos a crescer, pois não tínhamos termo de comparação com anos anteriores. Mas, mais tarde, o objectivo será crescer mais alto. Não falo em estrelas Michelin, mas trabalhar para ter um restaurante de referência a nível nacional, porque regional já temos. 

 

Que passos serão dados para caminhar neste sentido?

PJJ – Isto não posso dizer. O segredo é a alma do negócio...

 

 

Turismo estagnou mas continua a animar a economia dos Açores

turista sete cidadesO turismo que, durante os últimos três anos, apresentou crescimentos significativos, regista este ano, segundo os dados de Janeiro a Setembro, uma variação negativa (-0,2%), um decréscimo pouco significativo, mas que pode indiciar que os crescimentos que se registaram nos últimos 3 anos podem não continuar nos mesmos valores. Por enquanto, mantém-se sensivelmente o mesmo número de visitantes e de dormidas o que significa que, para já, se mantém a dinâmica das atividades relacionadas e o seu peso na economia da Região.

O boom destes três anos fez com que a pressão de turistas por 100 habitantes já seja maior que a média nacional, em várias ilhas, sobretudo em S. Miguel, sem contar com os cruzeiros que têm uma permanência menor.

O desafio agora é saber se este volume de visitantes se manterá, ou se tenderá a descer, uma resposta que dependerá dos mercados concorrentes que voltam a surgir e de eventuais medidas que possam vir a ser tomadas na Região, pelas empresas de transporte aéreo e pelas agências de viagem.

Os números já refletem a dinâmica registada na economia. Segundo a conta satélite do turismo, relativa a 2015, o valor acrescentado do sector representou 6,7% do VAB regional, superior ao que se registava antes, que era de apenas 5,2%. Verifica-se também que o Consumo do Turismo no Território Económico (CTTE) representou 14,1% do Produto Interno Bruto (PIB) da Região.

A conta satélite do turismo mostra ainda que o emprego nas atividades características do turismo, avaliado em número de postos de trabalho, atingiu 10,0% do emprego total regional, superior ao que indicavam os dados do inquérito ao emprego que apontavam um valor, bem mais baixo, da ordem dos 5%.

Estes dados revelam que o turismo desenvolveu várias atividades e teve um importante peso na economia regional.

 

Papel das agências de viagem

 

Naturalmente que esta matéria, não deixará de estar em cima da mesa nos trabalhos do Congresso da APAVT, que decorre em Ponta Delgada, entre muitos outros temas, de âmbito nacional. No discurso interno enquanto uns relevam a importância dos aeroportos de entrada e de saída, outros acham que outros acham que a organização dos horários internos de transportes e dos programas disponíveis podem vir a ser determinantes no sector, no sentido de concertar os custos e os circuitos para que o destino Açores continue atrativo.

Para já os números mostram que o número de turistas por 100 habitantes já é superior ao registado no conjunto do país, mas é de todo o interesse que se mantenha esta dinâmica para colmatar outras fragilidades da economia. Durante estes anos, o turismo foi praticamente a única atividade criadora de emprego. É possível que outras ilhas possam atrair outros perfis de turistas.

 

Outros indicadores

 

No tocante aos restantes indicadores, regista-se um ligeiro crescimento da economia, em particular, no corrente ano, derivado às capturas de atum, fazendo com que o conjunto das pescas crescesse cerca de 80 %, atingindo valores que não se verificava desde 2013 e do abate de bovinos que está a crescer cerca de 10%. Uma parte desse peixe e dessa carne, é naturalmente consumida pelos visitantes, em muitos casos atraídos pela gastronomia das ilhas.

Apesar da ligeira descida no número de dormidas, as receitas diretas do turismo continuam a aumentar, registando-se um crescimento de 8,7%.

O leite, também cresceu, mas os rendimentos têm sido limitados, devido à concorrência e ao aumento dos custos de produção. O pior indicador nos Açores é o relativo à construção civil que fez cair o Valor Acrescentado Bruto e o número de ativos do sector, para mínimos nunca registados.

 

Por Rafael Cota

* http://numerosenumeros.blogspot.com/

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