“Hospital continua a ser pressionado por situações que poderiam ou deveriam ser atempadamente avaliadas nos centros de Saúde”

Hospital PDL2

O número de casos de gripe aumentou em Janeiro, face a Dezembro de 2018, no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), que responde “com dificuldade” à elevada afluência registada no serviço de urgência. 

Uma situação que se alia ao facto de mais de metade dos utentes que recorrem às urgências do HDES apresentar casos de doença não urgentes, o que “pressiona” o funcionamento daquele serviço.

A informação é avançada ao Diário dos Açores por fonte do hospital, num balanço das últimas semanas de época gripal em São Miguel.

Segundo os dados fornecidos pela direcção clínica do hospital e pela Unidade de Genética e Patologia Moleculares do HDES, “nas últimas quatro semanas”, de 455 casos investigados com suspeita de síndrome gripal, confirmaram-se 155 casos de gripe (34,1%), enquanto nas quatro semanas de Dezembro 2018, confirmaram-se “63 (27,2%) casos de gripe num total de 232 casos investigados com suspeita de síndrome gripal”. 

O hospital acrescenta que “a afluência às urgências tem-se mantido elevada desde a última quinzena de Dezembro, com médias diárias sempre superiores aos 300 atendimentos por dia”. Destes atendimentos, salienta a mesma fonte, “cerca de 60% continuam a ser situações não urgentes ou pouco urgentes (pulseiras azul e verde), ou seja continua o Hospital a ser pressionado por situações que poderiam ou deveriam ser atempadamente avaliadas nos seus médicos de família ou nos centros de Saúde”. 

E é nos períodos de maior afluência que o serviço de urgência “tem respondido, por vezes, com dificuldade”. “Os casos mais graves têm sempre prioridade, pelo que, o atraso no atendimento se reflecte sempre nos casos não prioritários (pulseira azul e verde)”.

 

Doentes a aguardar por vagas para internamento

 

A nível de internamento “a situação é mais complexa”, indica o HDES: “os doentes que necessitam de internamento, por vezes têm que aguardar que os doentes com alta, libertem a cama para se processarem os novos internamentos”. 

Uma situação que “está a ter já forte impacto no cancelamento de cirurgias”, explica a mesma fonte, “por falta de vagas nas respectivas enfermarias, não se vislumbrando solução por falta de internamentos nos Centros de Saúde ou noutras instituições”.

 

Actividade epidémica não é posta de parte

 

Até ao momento, o hospital de Ponta Delgada não registou nenhum óbito cuja causa de morte esteja relacionada com os vírus da gripe.

A nível nacional, Portugal está no grupo de países da Europa onde o surto de gripe é mais forte. Segundo o Boletim de Vigilância Epidemiológica, entre 21 a 27 de Janeiro, no país, estimou-se uma taxa de incidência de síndroma gripal de 89,3 por cada 100 mil habitantes, o que indica actividade gripal epidémica de intensidade moderada, mantendo-se a tendência crescente. A nível da ilha de São Miguel, fonte hospitalar indica que “os picos de gripe aparecem nos Açores habitualmente duas a três semanas depois de parecerem no continente”, pelo que “não se exclui que possa haver um agravamento em relação ao atual panorama”.

Relativamente aos tipos de vírus registados, na presente época gripal o HDES identificou três tipos de vírus Influenza, sendo dois, os mais frequentes, do subtipo A [A(H1N1)pdm09 e AH3] e um do tipo B. 

“Verificamos a existência de co-circulação dos vários tipos de vírus Influenza, uma situação que é normal durante o período da gripe e semelhante à verificada no continente”. 

Questionada sobre se este ano a população estará perante vírus gripais mais fortes, o HDES esclarece que “em todas as épocas gripais, surgem casos graves e outros menos. A gravidade clínica da síndrome gripal não é só atribuída à presença de um tipo de vírus Influenza ou de outro agente patogénico respiratório”, mas sim a outros factores de risco: “a idade (crianças e idosos), imunodeprimidos, obesidade mórbida, grávidas, e portadores de doença crónica principalmente se for grave e/ou estiver descompensada”. Habitualmente “só os doentes com outras co-morbilidades ou que desenvolveram sobre infecções é que são internados”. 

Estada média dos turistas não descola das três noites

Turistas de cruzeiroA estada média dos turistas nos Açores em 2018 foi de 3,1 noites, a mesma média registada em 2017.

De acordo com os dados finais do SREA, melhor do que em 2018 foram os anos de 2003 (3,3 noites), 2004 (3,5), 2005 (3,6), 2006 (3,5), 2007 (3,4), 2008 (3,2), 2013 (3,2) e 2016 (3,2).

Se somarmos os últimos 17 anos a média é de 3,2 noites.

Os anos com média mais baixa foram 2010, 2011 e 2012, com 3 noites.

S. Miguel é a ilha com a maior média de estadia dos turistas, com 3,3 noites em 2018, enquanto todas as outras ilhas estão  na casa das 2 noites, com Pico e Flores a registaram 2,9.

Quanto ao número de hóspedes, nos últimos 17 anos já passaram pelos Açores mais de 7,5 milhões, sendo que no ano passado se registou o maior número de hóspedes, com 808.335, quando há 17 anos eram apenas 257.017. 

O VAB (Valor Acrescentado Bruto) gerado pelo Turismo foi 6,7% do VAB total da economia dos Açores e o emprego no sector é 10% do total regional. 

O SREA estima que o gasto médio diário per capita dos turistas foi de 90,5 euros em 2018.

Foi em 2018 que o SREA finalizou o IRT – Inquérito aos Residentes sobre Turismo.

Neste Inquérito, inédito ao nível das estatísticas oficiais em Portugal e agora divulgado, são referidos alguns resultados: 97% dos residentes concorda que “o Turismo é bom para os Açores” e 77% tem uma opinião, em termos gerais, “boa” ou “excelente” sobre os impactos do Turismo nos Açores. 

Em termos de opinião sobre o fluxo de turistas, houve uma clara evolução desde 2005 para 2018.

Em 2005, a maioria considerava esse fluxo baixo ou moderado (cerca de 70%) e, em 2018, a maioria (cerca de 94%) considera-o moderado, alto ou mesmo muito alto. 

Apesar disso, a maior parte dos residentes quer mais ou mesmo muito mais turismo nos Açores (cerca de 72,5%, em 2018, contra cerca de 69%, em 2005).

Consumo de cocaína, ecstasy e álcool aumentou nos Açores

ecstasy1O consumo de cocaína e de ‘ecstasy’ aumentou nos Açores, sobretudo entre os jovens de 15 aos 34 anos, contrariando a média da maioria das regiões do país.

O consumo recente das denominadas Novas Substâncias Psicoactivas (NSP) também é mais elevado nos últimos anos, em particular nos Açores, mas também na Madeira, Norte, Centro e Algarve. Novamente, é na população entre os 15 e os 34 anos.

A informação consta do relatório anual sobre “A situação do país em matéria de drogas e toxicodependência 2017”, do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Segundo o documento, “em relação às duas outras substâncias com prevalências de consumo recente mais altas a nível nacional, a cocaína e o ecstasy, foram as regiões dos Açores (0,8% e 0,3 nos 15-74 anos e 1,5% e 0,4% nos 15-34 anos) e de Lisboa (0,5% e 0,2 nos 15-74 anos e 0,9% e 0,5% nos 15-34 anos) que apresentaram as prevalências de consumo recente mais altas, sendo de destacar também, no caso do ecstasy, a Madeira (0,3% nos 15-74 anos e 0,5% nos 15-34 anos). 

 

Açores na frente nas Novas Substâncias Psicoactivas

 

Por sua vez, o consumo recente de NSP é bem mais prevalente sobretudo nos Açores (3,6% na população de 15-74 anos e 6,1% na de 15-34 anos), mas também na Madeira (0,4% na população de 15-74 anos e 0,8% na de 15-34 anos), por comparação com as outras regiões”.

 Em termos globais, o documento revela que houve mais mortes associadas ao consumo de drogas e ao álcool, um agravamento no consumo de canábis na população em geral, mas particularmente nas mulheres entre os 25 e os 44 anos. 

Tendência que também foi registada no álcool com um aumento de consumos entre as mulheres e as faixas etária mais velhas.

Um dos destaques destes relatórios divulgados agora diz respeito à mortalidade associada aos consumos: segundo os dados do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses referidos no documento, em 2017, dos 259 óbitos em que foram detectadas substâncias ilícitas 38 foram provocados por overdoses - mais 13 que em 2016.

Nas análises dos técnicos foram detectados opiáceos, cocaína e metadona e em cerca de 80% das mortes por overdose foram encontradas mais do que uma substância. Também se detetou a associação entre estupefacientes e álcool (37% das autópsias) e benzodiazepinas (32%).

Nas restantes 221 mortes em que se detectou a presença de droga, 38% foram de causa natural, acidente (33%), suicídio (23%) e homicídio (3%).

 

Excesso de álcool e canábis

 

Além dos aumentos de consumo referidos, os documentos acrescentam que também nos jovens de 18 anos se está a registar um aumento do acesso ao álcool e canábis. 

Outro ponto negativo passa pela diminuição das intervenções de prevenção, nomeadamente nos meios escolares.

Ainda no capítulo dos hábitos relacionados com consumo de droga e toxicodependência também se registou um aumento de contraordenações: 12 232, ou seja mais 14% que em 2016. Este é o valor mais elevado desde 2001.

No documento é destacado o facto de o uso de canábis nas faixas etárias entre os 25 e os 44 anos estar a aumentar, ao ponto de os dados recolhidos para a elaboração dos relatórios mostrarem que 64% dos inquiridos assumiram ter consumido este estupefaciente quatro ou mais vezes por semana nos últimos 12 meses.

Com a divulgação destas análises fica-se ainda a saber que Portugal continua a estar abaixo da média europeia no que diz respeito à prevalência de canábis, cocaína e ecstasy, as três substâncias mais usadas no país.

 

Açores e Madeira na frente

 

 Em termos regionais, os Açores e a Madeira são as zonas onde se registou uma maior preponderância de consumos recentes. Com o pormenor de, na regiões autónomas, estar a aumentar o consumo de cocaína e ecstasy na faixa etária entre os 15 e os 34 anos.

No que diz respeito ao número de pessoas que receberam tratamento no ano passado, o relatório sublinha que 27 150 pessoas foram atendidas em ambulatório na rede pública devido a problemas relacionados com o uso de drogas, tendo diminuído o número de primeiras consultas, mas aumentado o de readmissões, sendo a heroína o estupefaciente mais referido quando os utentes são atendidos.

Outro ponto que merece destaque é o facto de mais de metade da população entre os 15 e os 74 anos considerar que é fácil aceder a substâncias ilícitas num período de 24 horas, sendo os mais jovens os que mais garantem ter este fácil acesso.

Já quanto às rotas do tráfico, o documento não tem novidades: a cocaína chega a Portugal e à Europa vinda do Brasil, Paraguai e Chile, o haxixe tem origem em Marrocos. Portugal surge só como plataforma de exportação de ecstasy para o Brasil.

 

Também somos campeões no álcool

 

No que diz respeito ao consumo de álcool, o retrato mostra que 43% da população bebe diariamente e que aumentou a frequência de binge (consumo excessivo de forma rápida) o que é considerado um agravamento dos riscos e de entrar em dependência.

Os Açores têm os maiores índices de consumo de risco, binge e embriaguez, do país quer na população geral, mais especificamente na faixa etária entre os 15 e os 34 anos.

No caso dos mais jovens, os dados recolhidos no inquérito aos participantes no Dia da Defesa Nacional mostram que uma grande maioria já tinha bebido até ficar embriagado no último ano. 

O álcool também tem levado a que mais jovens sejam referenciados pelas comissões de protecção de jovens, indica o relatório.

Devido a problemas relacionados com o álcool, 13 828 pessoas receberam tratamento no ano passado, tendo 3352 iniciado essas consultadas. 

Foram ainda internados 4425 utentes com problemas de saúde relacionados com o consumo. 

De acordo com o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses dos 977 óbitos positivos para o álcool, 36% foram atribuídos a acidentes (incluindo de viação), 33% a morte natural, 17% a suicídio e 5% a intoxicação alcoólica.

Das 170 vítimas de acidentes de viação que tinham mais de 1,2 gramas de álcool, cerca de 80% eram condutores, 14% peões e os restantes passageiros. 

Estes dados mostram uma inversão da tendência de descida que se vinha detectando e são os valores mais elevados dos últimos cinco anos.

Quanto ao consumo, os dados do SICAD mostram que em média cada português com mais de 15 anos bebia 12,3 litros de álcool puro por ano, mantendo a redução quando comparado com 2010: 13,5. 

Continuam, no entanto, os consumos superiores de vinho em relação à média europeia, enquanto nas bebidas espirituosas, Portugal está abaixo da média.

Já em termos de receitas, estima-se que o mercado de venda de bebidas alcoólicas em Portugal tenha rendido 209,4 milhões de euros em 2017.

Editorial: Querem “fake news”?

Osvaldo CabralÉ preciso avançar, urgentemente, com campanhas de literacia mediática junto da comunidade jovem, sobretudo nas escolas, que está a ser bombardeada com desinformação, lixo noticioso e muita ficção direccionada para outros fins pouco bondosos. Há que combater o fenómeno das “fake news” . O bom jornalismo é a melhor arma.

 

Este ano vamos ter três eleições em Portugal - Parlamento Europeu, regionais da Madeira e legislativas nacionais - e no próximo as eleições para a Assembleia Legislativa dos Açores.

As autoridades europeias estão preocupadas com a eventual torrente de notícias falsas que provavelmente vão surgir na esfera virtual, à semelhança do que aconteceu nas eleições dos EUA e no Brexit.

Em Portugal parecem todos menos preocupados, mas a verdade é que também já é possível identificar algumas redes manipuladoras de informação que grassam no espaço das redes sociais, tendo o nosso país como alvo.

A Comissão Europeia tem promovido legislação e encontros com os responsáveis das principais redes sociais mundiais para tratar do problema, tendo nestes últimos dias a Google e o Facebook anunciado o compromisso de tomar medidas contra a desinformação nas suas redes, nomeadamente criando ferramentas de verificação das informações, através dos “fact checkers” (grupos de jornalistas que verificam se a informação é correcta ou falsa).

Estes fenómenos - como os “factos alternativos”, a ficção misturada com factos reais, a invasão da privacidade dos utilizadores para criar sistemas de manipulação - estão a ser cada vez mais frequentes e merecem uma atenção profunda por parte das sociedades.

A Comissão Europeia está disposta a despender este ano 5 milhões de euros, mais do que os 1,9 milhões do ano passado, exactamente para combater a desinformação e aumentar a sensibilização junto dos cidadãos contra o fenómeno das “fake news”.

Para o efeito, os estados membros deverão promover a literacia mediática através de programas específicos, havendo já um que irá decorrer em Portugal, na sequência de um protocolo entre o Sindicato dos Jornalistas e o Ministério da Educação.

Este projecto-piloto sobre literacia para os média, concebido por jornalistas e académicos da área da comunicação, para professores do 3º ciclo e do secundário, vai arrancar em 40 agrupamentos de escolas das cinco regiões educativas do Continente.

Por cá a Secretaria Regional da Educação também deveria pôr mãos à obra, envolvendo os académicos da Universidade dos Açores e os profissionais da informação açoriana, disponibilizando aos professores e alunos metodologias, recursos e ferramentas, com vista a uma melhor compreensão sobre os princípios do jornalismo, a ética e deontologia, em comparação com a desinformação e o vasto mundo das redes sociais sem regras.

Mais de 6,5 milhões de portugueses têm smartphones e 96% dos jovens, entre os 15 e os 24 anos, utilizam-no para aceder às redes sociais, únicas fontes de informação e de conhecimento com quem contactam

Estamos a criar uma comunidade com muita informação sem regras, com muita falsidade e sem capacidade para distinguir o que é verdadeiro e o que é falso.

É preciso ir ao encontro destes jovens, envolvendo as escolas nesta literacia para os média.

Numa região com uma História riquíssima em comunicação, que possui das publicações mais centenárias do país e até da Europa, pouco ou nada se tem feito em defesa deste património. Nem sequer um Museu da Imprensa conseguimos pôr de pé.

Ignorar tudo isso é contribuir para que a nossa região se desligue cada vez mais da imprensa séria, da informação verdadeira, isenta e rigorosa, fomentando, ao contrário, uma comunidade de gente pouco informada ou com conhecimentos distorcidos da realidade.

Ninguém certamente quererá notícias falsas, mas para isso é preciso contribuir para que elas não se propaguem entre nós e muito menos sejam as únicas fontes a que os jovens têm acesso.

Os apoios públicos à comunicação social açoriana deveriam ser valorizados com base neste papel que ela desempenha na sociedade.

Ao invés, temos assistido nos últimos tempos ao coarctar destes horizontes, dificultando a actividade profissional e ignorando os problemas com que todo o sector se debate na região.

Há dez anos o conjunto dos jornais diários açorianos tinha uma tiragem de 20 mil exemplares e hoje não chega aos 15 mil.

Houve jornais que fecharam, alguns centenários, sem que nada se fizesse para os salvar ou, pelo menos, salvar o seu património e arquivos, que são o retrato da nossa História.

Cada vez é mais difícil a circulação dos jornais em papel na nossa região, até porque temos uma empresa de distribuição postal, os CTT, com serviços altamente degradados nas ilhas, sem que se conheça um protesto que seja por parte das autoridades açorianas.

Faz agora 190 anos que deu à luz o primeiro jornal nos Açores e dele não resta nada para contar.

Este “Diário dos Açores” está à beira de completar um século e meio - faz hoje 149 anos -, podendo acontecer o mesmo do que ao primeiro jornal destas ilhas.

Mas até lá, contra ventos e marés, estaremos aqui, todos os dias, com o compromisso de sempre, de informar com seriedade, pluralidade e vontade de escrutinar todos os poderes, sejam eles quais forem.

Combateremos sempre a desinformação e estaremos sempre ao lado dos mais injustiçados da sociedade, ao serviço de causas que contribuem para o desenvolvimento das nossas gentes e da nossa terra.

Podem barafustar, pressionar, coarctar, ajudar a enfraquecer o sector, mas enquanto houver papel e tinta o “Diário dos Açores” não fugirá uma linha ao seu compromisso com os leitores, graças à persistência e sentido de liberdade e responsabilidade social dos seus proprietários, trabalhadores e anunciantes.

A boa informação, o bom jornalismo, assim o exige. 

 

E o Museu da Imprensa?

 

Faz hoje 25 anos que o “Diário dos Açores” voltou à carga: para quando o prometido Museu de Imprensa Regional?

O programa do Governo Regional de 1992 era peremptório, pela voz do Dr. Rolando Lalanda Gonçalves: “Com a finalidade de preservar o rico e histórico espólio da imprensa açoriana, o Governo desenvolverá as iniciativas necessárias para a criação do Museu da Imprensa Regional”.

Já no consulado dos governos PS o mesmo compromisso foi assumido nalguns programas de governo.

Estamos em 2019 e, como se constata, ficou tudo em águas de bacalhau.

Entretanto tem-se perdido dezenas ou centenas de peças de espólio importantíssimo do património da imprensa regional, porque não há onde depositá-lo.

E do arquivo de jornais e publicações centenárias da nossa região, também não se sabe onde param.

Recentemente perdemos dois diários centenários, o Telégrafo e A União, mas ninguém se importou com o seu espólio.

Uma região que trata assim o seu valiosíssimo património histórico há-de vir, um dia, a ser condenada pelas gerações futuras, a quem não deixaremos o legado da nossa história escrita.

Em vez disso constroem-se edifícios monstruosos, sem nada lá dentro, como o Centro de Artes Contemporâneas, ou a famigerada Casa da Autonomia, que parece ter vergonha de dar à luz do dia.

Nem o riquíssimo Museu Carlos Machado, nesta cidade, é tratado como devia ser pelos poderes regionais.

Tivemos uma oportunidade única com o edifício do antigo Emissor Regional dos Açores, na Avenida Gaspar Frutuoso, mas a ganância da administração da RTP e o vergonhoso alheamento das nossas autoridades regional e municipal, deixaram perder um excelente local para albergar a nossa História. As novas gerações julgar-nos-ão por isso.

 

Por: Osvaldo Cabral

152 escalas de cruzeiros com 175 mil passageiros

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O ano de 2019 perspetiva-se como de consolidação do crescimento que tem sido verificado no arquipélago ao nível do turismo de cruzeiros, apontando as previsões para 175.000 passageiros e para 152 escalas, de acordo com dados disponibilizados à comunicação social pela Portos dos Açores, S.A. esta semana, no decorrer de uma visita a bordo do navio ‘Ventura’, em trânsito na Praia da Vitória.

Aqueles números, a confirmar-se, serão recordes na Região, se bem que quanto a escalas igual movimento foi já atingido no ano de 2017, enquanto ao nível de passageiros a melhor marca é, até agora, de 164.000, tendo sido registada no ano de 2018. 

Se àquele número de passageiros se juntar perto de 72.000 tripulantes previstos, serão, no total, cerca de 247 mil visitantes, situação a ter em conta por parte dos agentes económicos que dinamizam actividades relacionadas com este importante nicho de mercado para os Açores.

O Conselho de Administração da Portos dos Açores, S.A. especificou, entretanto, na mesma altura, que neste ano de 2019 se aguardam 23 escalas de navios de cruzeiro na Terceira, 22 no Faial e 81 em São Miguel, sendo o Porto de Ponta Delgada aquele que irá registar mais visitantes, cerca de 127.000, seguido dos portos da Praia da Vitória e de Angra do Heroísmo, que, no seu conjunto, deverão receber 30.000 turistas de cruzeiros. 

No Faial aguardam-se 17.000 passageiros. 

Outro aspecto relevante prende-se com o facto de todas as ilhas, incluindo o Corvo, registarem este ano pelo menos duas escalas, tendo o Pico e a Graciosa, para já, quatro em previsão.

Como habitualmente, Abril deverá, mais uma vez, ser o mês de maior azáfama, com 41 escalas, embora maio, com 25, Outubro, com 19, e Novembro, com 15, se assumam como meses de considerável movimento.

‘Star Pride’, ‘Nieuw Statendam’, ‘Hanseatic Nature’, ‘Norwegian Pearl’, ‘Celebrity Reflection’, ‘Norwegian Encore’, ‘Marella Explorer’, ‘Viking Sky’ e ‘Mein Schiff Herz’ deverão ser os navios em estreia nos mares açorianos, num ano que se saúda o regresso do armador Windstar Cruises, após longo interregno, desde 2007.

Relativamente aos armadores/operadores mais activos nos Açores, aponta-se para que a P&O Cruises, com 15 escalas, mantenha-se na liderança, seguida da AIDA Cruises, com 14 visitas e da Hapag-Lloyd, com 13. 

Realce ainda para o importante incremento de escalas no nosso arquipélago por parte de conhecidas companhias como são os casos da Royal Caribbean, Regent Seven Seas e Norwegian Cruise Line.

Destaque final para mais um armador a realizar uma operação de visitas regulares aos Açores durante o Inverno. 

Trata-se da germânica TUI Cruises, que inicia, a partir do final de 2019, várias escalas ao nosso arquipélago.

Estes dados foram tornados públicos na sequência da escala, esta semana, do navio de cruzeiros ‘Ventura’, do operador britânico P&O, no Porto da Praia da Vitória, uma escala inaugural que estabeleceu dois novos recordes na ilha Terceira, a saber, o maior navio alguma vez a desembarcar turistas no porto, com 116.017 de arqueação bruta (o máximo anterior estava fixado em 99.836, relativo ao paquete ‘Koningsdam’) e ainda o recorde de número de passageiros desembarcados, que ultrapassou a marca de 3.000 (o anterior máximo era de 2.507, também do navio ‘Koningsdam’, da Holland America Line).

Importa realçar, no caso específico desta ilha, a importância do armador P&O, que nos últimos três anos realizou 13 escalas com a sua frota de navios no Porto da Praia da Vitória, tendo para este ano previstas nove escalas, o que configura este operador como sendo de especial importância ao nível das escalas de navios de turismo, particularmente para a ilha Terceira e mesmo para o destino ‘Açores’, no geral, tal como referido anteriormente.