Empreendedora açoriana cria marca de sumos naturais em Itália

Cláudia Frias - itália

Cláudia Frias, natural da freguesia de Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, vive há 11 anos na região de Apúlia, na cidade Torremaggiore, em Itália. É uma jovem empreendedora que recentemente, com a ajuda do marido, lançou-se no mundo dos negócios e investiu na criação de uma pequena fábrica de sumos de fruta e vegetais naturais.

O nome da marca que criou é “Sovita” e já se encontra à venda no mercado local. Segundo revela, o projecto resulta de cerca de dois anos de preparação. 

“Foi um desafio muito grande, porque na região onde vivo não existem empresas que fazem sumos como os ‘Sovita’. No início foi muito difícil encontrar todas as máquinas e ferramentas necessárias para a produção dos mesmos. Com muita pesquisa e estudos, e depois de dois anos, conseguimos criar a Sovita”, conta Cláudia Frias, em declarações ao Diário dos Açores, salientando tratar-se de uma “nova geração de sumos”.

E o que têm de especial estes sumos? A açoriana conta que são “100% naturais, feitos com as melhores frutas e vegetais da zona, como maçãs, cenouras, limão, beterraba vermelha, ananás, pepino, espinafres, entre outros”.

“Não adicionamos água, açúcar e conservantes e evitamos a pasteurização a altas temperaturas , utilizamos a extracção a frio e um processo inovador HPP (High Process Processing) que aumenta a duração do produto até 45 dias”, explica Cláudia Frias, garantindo que o resultado “é um sumo rico que contém a maioria das vitaminas, minerais e enzimas da fruta e dos vegetais, essenciais para o nosso corpo”.

A açoriana explica que, “desde há muito tempo”, desejava criar “um produto natural, saudável que pudesse ser integrado na nossa alimentação e pudesse melhorar o nosso estilo de vida, aumentando o nosso bem-estar físico”, recordando como surgiu a ideia para os sumos ‘Sovita’: “Todos sabemos que uma boa saúde parte também de uma cuidada alimentação. Como em Itália existem muitas variedades de frutas e vegetais, pensei: ‘qual a melhor maneira de utilizar esses produtos desfrutando de todos os seus benefícios?’ Sumos 100% naturais”. 

O facto de os produtos serem processados a cru traz ainda mais benefícios para a saúde, acrescenta a jovem empresária, que quer dar a força do “Popeye” aos consumidores, ao juntar espinafres à fruta. 

“Os espinafres são ricos em ferro, mas se os cozinharmos todos os seus nutrientes e vitaminas perdem-se e muitos não gostam do sabor. Então, optámos por misturá-los com outras frutas e, utilizando-os crus, não só podemos ter a força do famoso marinheiro ‘Popeye’, como também podemos beber um sumo com um sabor doce, agradável, rico de vitaminas e minerais”, salienta.

 

sumos cláudia frias

Investimentos vão continuar, 

“quem sabe” um dia com produtos dos Açores

 

Cláudia Frias não esconde o orgulho por ser uma açoriana a empreender num país estrangeiro. “Sinto muito orgulho, porque é também uma maneira de dar a conhecer os Açores a quem não conhece”, afirma, sem rejeitar a ideia de, um dia, apresentar os seus sumos na ilha de São Miguel, sua terra natal. “Gostava muito, quem sabe um dia até apresentar um sumo com o nosso ananás e os nossos maracujás”, admite.

Mas, para já, os investimentos irão continuar em Itália. Pelo menos, é esta a intensão da empreendedora, que diz ter “muitos projectos em mente”. “De momento, temos só uma pequena fábrica, mas a ideia é aumentá-la e abrir uma loja de produtos naturais, sempre com fruta e vegetais como ingrediente principal. Por exemplo, actualmente estamos a desenvolver uma gama de chás com função drenante e ‘chips’ de maçãs como snacks”.

Em relação aos sumos ‘Sovita’, Cláudia refere que cada garrafa de 250 mililitros contém “os nutrientes essenciais de 650 gramas de fruta e vegetais”, que é, segundo indica, a quantidade necessária, indicada pela Organização Mundial de Saúde, para fortalecer o corpo. Os benefícios são inúmeros, com cada sumo a ter “uma função diferente”.

“Todos os produtos são combinações de frutas e vegetais elaboradas por profissionais da saúde para proporcionar o mais alto nível de benefício físico. Ajudam a melhorar a digestão, ajudam a contrariar a retenção de líquidos, a aumentar o metabolismo, ajudam a queimar as gorduras menos boas, a fortalecer o sistema imunitário. Possuem propriedades anti-inflamatórias, energéticas, hidratantes, ajuda também na prevenção contra o cancro e muito mais”, enumera, revelando que foi ainda desenvolvido, com uma nutricionista, “um programa de purificação de 10 dias indicado para eliminar toxinas e emagrecer de forma natural e equilibrada, seguindo uma determinada alimentação e bebendo dois sumos por dia”.

Destinados a pessoas de todas as idades, a jovem açoriana realça que os sumos são “principalmente” indicados para “a população que mais precisa de se afastar de uma alimentação incorrecta e prejudicial para a sua saúde”. 

Estão à venda em Itália em bares, ginásios, lojas de produtos naturais e também online e, até agora, a aceitação no mercado tem sido boa. “Todos aqueles que os provam gostam muito e recebemos muitos comentários positivos. Claro nem sempre todos os aceitam, visto que é um produto novo e custa um pouco mais do que os sumos normais”, admite. 

Apesar de fazer um balanço positivo  do projecto, Cláudia admite que o actual contexto de pandemia veio dificultar o negócio. “Considerando a situação do covid-19, ainda é mais difícil vendê-los, porque há o medo que, de um momento para o outro, fechem todas as actividades comerciais e [os comerciantes] não querem correr riscos”, refere.

Enquanto jovem empreendedora, deixou um conselho a outros jovens que partilhem do mesmo espírito: “O meu conselho é nunca desistir e persistir! Aproveitar todas as ideias que vos venham à mente. Hoje recebem 10 ‘nãos’, mas amanhã receberão 20 ‘sims’”, afirma, com convicção.  

Há mais de uma década a viver longe dos Açores, a açoriana ainda se sente ligada à terra natal e recorda como foi a mudança de país. “Foi muito difícil deixar São Miguel e a minha família. Todos nós, açorianos, somos muito ligados às nossas ilhas”. A adaptação, porém, não foi muito difícil: “Senti-me desde do início acolhida, afinal de contas quem não gosta das famosas comidas italianas?”, comenta. 

Para trás, ficaram as saudades do “imenso oceano Atlântico” e do “barulho das ondas”, sem esquecer o seu “querido São João da Vila”, festa popular do concelho onde nasceu.

 

Empresas públicas duplicam subsídios e prejuízos

sinaga1As 22 empresas públicas regionais receberam no 2º trimestre deste ano quase o dobro dos subsídios que tinham recebido no primeiro trimestre.

O SPER (Sector Público Empresarial da Região Autónoma dos Açores) absorveu no primeiro trimestre 56,7 milhões em subsídios, enquanto que no 2º trimestre totaliza 108,3 milhões de euros.

 Os três hospitais da Região foram os que obtiveram mais subsídios: 44,3 milhões de euros no primeiro trimestre e 86,7 milhões no segundo.

A SATA recebeu 9 milhões de euros no primeiro trimestre e 14,2 milhões no segundo.

Prejuízos também duplicam

 

Apesar desta duplicação de subsídios, os prejuízos totais das 22 empresas também quase duplicaram, passando de -44,3 milhões no primeiro trimestre para 86,7 milhões de euros no segundo.

A SATA Internacional bate todos os recordes na acumulação de prejuízos, com um resultado negativo de 17,3 milhões no primeiro trimestre, duplicando para 34,5 milhões no segundo.

A EDA e as suas subsidiárias Globaleda, SEGMA e EDA Renováveis são as únicas no conjunto do APER que apresentam lucros.

Já a Ilhas de Valor, Sinaga, Teatro Micaelense, IROA e SDEA apresentam resultados positivos, mas receberam mais subsídios do que os resultados que apresentam.

“Os balcões nos Açores estão nos limites, não admitimos mais rescisões”

afonso quental 2Afonso Quental, coordenador da Secção Regional de Ponta Delgada do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, afirmou ao Diário dos Açores que os balcões bancários na Região “estão mais do que espremidos em termos de recursos humanos, não se justificando mais reduções de pessoal”.

Afonso Quental comentava, assim, a decisão do Santander Totta, que está a propor rescisões por mútuo acordo a parte dos seus trabalhadores.

O Santander Totta é o maior banco a operar nos Açores e a decisão está a causar alguma apreensão, apesar de, segundo o dirigente sindical ao nosso jornal, desconhecer-se ainda quantos trabalhadores nos Açores serão abrangidos por esta medida.

“Sabemos que a medida deverá abranger cerca de 1.200 trabalhadores, num universo de cerca de 6 mil a nível nacional, pelo que vamos aguardar a ver o que poderá caber aos balcões dos Açores”, acrescenta Afonso Quental.

O dirigente sindical açoriano apela aos colegas abrangidos por aquela decisão para não assinarem nenhum compromisso com a empresa, sem antes contactarem os serviços do Sindicato.

“Os balcões açorianos estão nos limites e não admitimos mais rescisões”, alerta Afonso Quental.

Muitos trabalhadores do Banco Santander Totta estão a ser convocados para uma reunião com os recursos humanos, na qual está também presente um consultor externo. 

O objectivo, segundo fonte sindical, é apresentar-lhes uma proposta de rescisão por mútuo acordo, tendo como contrapartida uma indemnização.

O Santander, um dos mais discretos na realização deste tipo de processos, tem um dos maiores quadros de pessoal no sector bancário, depois das integrações do Popular, em 2017, e de parte dos trabalhadores do Banif, dois anos antes. 

Em Junho, o banco contava com 6.119 funcionários, número que representava já uma descida de 150 profissionais no espaço de um ano. 

No final de 2017, o número superava os 6.700 colaboradores. 

Só que mesmo antes disso já havia vários bancos na origem, que trazem um histórico diferente aos seus trabalhadores: Crédito Predial Português, Banco Totta & Açores e Banco Santander de Negócios.

O banco não revelou quantos trabalhadores são visados neste processo, ripostando que está a contratar funcionários (para áreas onde está mais desfalcado numa altura de transformação digital). 

O corte de custos é um objetivo dos bancos, para alinhar com as receitas esmagadas ditadas por juros em mínimos, bem como há também um fecho de balcões com a migração de muitos clientes para o canal digital.

Mais 423 do que há um ano Há mais de 4 mil açorianos de baixa por doença

hospital corredorNo final do mês de Agosto os Açores tinham 4.299 beneficiários com processamento de subsídio de doença, mais 423 do que no mesmo período do ano passado.

É um crescimento em relação aos últimos meses, só ultrapassado em Janeiro e Fevereiro, que registaram 4.317 e 4.441 baixas respectivamente.

É o terceiro valor mais alto dos últimos anos, que têm registado números entre os 2 e 3 mil beneficiários.

Há dez anos não ultrapassavam as 2.500 baixas, vindo a aumentar daí para cá.

 

Baixa a 100% para doentes com Covid este mês

 

 Os doentes infectados com a Covid-19 só vão receber a 100% o subsídio de doença neste mês de Outubro, revelou fonte do gabinete do secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos.

Os doentes estão a receber actualmente 55% da remuneração de referência, nos primeiros 30 dias do impedimento para o trabalho, apesar de o Orçamento Suplementar ter determinado que deve ser feito o pagamento a 100%, nos primeiros 28 dias. 

A partir deste Outubro, o pagamento já será feito a 100%, garante agora o Governo.

Os retroactivos relativos às baixas passadas a partir de 25 de Julho também vão ser pagos a partir deste mês. 

Quanto ao número de trabalhadores abrangidos, e ao valor médio dos acertos, só serão apurados no momento do reprocessamento, adianta fonte oficial. 

A baixa médica por doença é um Certificado de Incapacidade Temporária (CIT) para o trabalho passado por um médico do Serviço Nacional de Saúde (SNS), por norma, o médico de família, e tem associado um apoio financeiro, o subsídio de doença.

O CIT, além de confirmar a incapacidade do beneficiário e a natureza da doença, indica também se se trata de uma baixa inicial (início da incapacidade) ou de uma prorrogação (prolongamento) da baixa.

 

“Se continuarmos com facturação de 10 a 15%, será muito mau”, afirma Víctor Câmara

hotel pedras do mar 20

O grupo Açorsonho Hotéis vai encerrar no final deste mês de Outubro a única unidade hoteleira que manteve aberta durante o Verão, de um total de quatro emrpeendimentos. A diminuição drástica do número de turistas a viajar para São Miguel, por consequência da pandemia de Covid-19, a originar quebras na ordem dos 80% na facturação do Grupo, ditaram este cenário, estando prevista a reabertura de pelo menos dois dos hotéis para Abril do próximo ano. 

“De quatro unidades hoteleiras, tivemos apenas uma aberta que teve uma ocupação razoável. Mas tivemos, de facto, um corte de cerca de 70 a 80% na facturação expectável do grupo”, conta o proprietário Vítor Câmara, em declarações ao Diário dos Açores.

O Pedras do Mar Resort & Spa, localizado entre as Calhetas e os Fenais da Luz, na costa norte da ilha de São Miguel, é o hotel que irá agora encerrar. “Esteve aberto desde Julho, mas já vai fechar neste fim do mês. As quatro unidades ficavam sempre abertas durante todo o Inverno, mas agora não temos clientes”, admite o empresário. 

Víctor Câmara abriu o primeiro projecto do grupo em 2005, com o Açorsonho Apartamentos Turísticos, ao que se seguiu a abertura, em 2010, o hotel Vale do Navio de quatro estrelas. Acompanhando o crescimento do turismo na Região, também a empresa cresceu e, em 2016, nascia o primeiro hotel de cinco estrelas do grupo, o Pedras do Mar Resort & Spa.

Sem imaginar a crise pandémica que o ano 2020 traria, no ano passado Víctor Câmara inaugurava com grandes expectativas o segundo hotel de cinco estrelas, o Verde Mar & Spa, na Ribeira Grande. 

“2019 foi um ano excelente e este ano tinha tudo para o ser também. Nos primeiros três meses estávamos a dobrar a facturação em relação ao ano passado”, destaca o empresário, que aponta para a necessidade de se estar preparado para os riscos inerentes a um negócio na área do turismo.

“Quem tem negócios sabe que corre sempre riscos e, na área do turismo, estamos muito dependentes de tudo o que acontece no exterior. Qualquer fenómeno natural, uma guerra, um acto terrorista, um avião que cai… são situações que têm influências negativas para o turismo e estamos sujeitos a isso”, considera, acrescentando, contudo, que “não contávamos com algo com um impacto tão forte como foi esta pandemia”. “Isto foi muito mais forte do que alguma vez se poderia imaginar”.

O Grupo dá actualmente emprego a mais de 200 funcionários nos quatro empreendimentos, estando no activo apenas cerca de 130. Questionado sobre o futuro destes postos de trabalho, o responsável não descarta a hipótese de vir a dispensar trabalhadores no futuro.

“Temos contratos que temos que manter. Todos os incentivos que têm sido dados têm sido neste sentido, de manutenção do emprego, mas com prejuízos avultadíssimos, não vamos poder mantê-los infinitamente. Vamos ver o que irá acontecer no próximo ano”, refere.

Sobre os apoios que foram disponibilizados para fazer face à crise, Víctor Câmara considera que “foram os possíveis e razoáveis”, mas “não suficientes”. “A questão é que, nos últimos anos a empresa apresentava sempre lucros elevados e este ano apresenta prejuízo, mas ninguém os cobra”, afirma.

Quanto a expectativas para os próximos tempos, o proprietário e fundador do grupo hoteleiro afirma que há “sempre a esperança que para o ano que vem seja melhor, mas vamos a ver como esta pandemia evolui durante todo o inverno. É muito difícil fazer qualquer tipo de previsão a curto prazo”.  

Ao mesmo tempo que está esperançoso, admite que “provavelmente, [2021] também não será bom. Há, aliás, vários operadores que estão a desistir das operações, há empresas a falir… Portanto, vamos ver como corre”, revela. 

“Se for atingida a normalidade na actividade – ou pelos menos 50 a 60% desta normalidade – no próximo ano, será razoável, mas se continuarmos com facturação de 10 a 15%... será muito mau”, acrescenta.

Já a longo prazo, Víctor Câmara apresenta um pensamento positivo: “dentro de dois a três anos havemos de voltar à normalidade”, afirma. 

O empresário do ramo hoteleiro  revela ainda que espera abrir o Vale do Navio e o Pedras do mar em Abril de 2021, mas não garante ainda a abertura do Verde Mar. “Vamos ver se será possível abri-lo em Julho, Agosto e Setembro ou se se manterá fechado. Veremos como evolui a situação”, conclui.