O que se espera da visita do Presidente da República?

Marcelo - jornalistasMarcelo a partir de hoje em São Miguel 

O Presidente da República vai estar entre hoje e Sábado na ilha de São Miguel, sede do Governo Regional, chefiado por Vasco Cordeiro, que o acompanhará em permanência nesta segunda parte da sua visita aos Açores, como aconteceu em Junho. Ontem visitou a ilha de Santa Maria da parte da tarde. Em São Miguel, entre outras iniciativas, vai dar uma aula aberta sobre “O Atlântico” na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada, e falar sobre cidadania com alunos da Escola Básica e Integrada da Ribeira Grande. Os pontos institucionais do programa terão lugar também em S. Miguel: um jantar oferecido pelo Presidente do Governo Regional, no Palácio de Santana, em Ponta Delgada, antecedido de discursos de Vasco Cordeiro e Marcelo Rebelo de Sousa, hoje à noite, e uma reunião do Conselho Regional da Concertação Estratégica, no Convento dos Franciscanos, no concelho de Lagoa, no Sábado, terminando a visita nas Sete Cidades, com um lanche entre a população. O “Diário dos Açores” ouviu três dos seus colaboradores sobre as expectativas desta visita: Paulo Casaca, ex-deputado europeu pelos Açores, hoje consultor em Bruxelas; Armando Mendes, jornalista na ilha Terceira, Mestre em Relações Internacionais; e Nuno Barata Almeida e Sousa, especialista em Relações Internacionais. 

Obrigado Sr. Presidente!

marcelo exportaçõesEditorial

 

Caro Sr. Presidente, 

Tal como escreveu esta semana, neste jornal, um seu amigo que bem conhece, João Bosco Mota Amaral, a sua intervenção em Oliveira do Hospital vai ficar nos anais da história da democracia portuguesa.

O Sr. foi o único político neste país que soube interpretar o sentimento dos portugueses, após aquela tragédia inesquecível dos incêndios, colocando as pedras desmoronadas do Estado no seu devido lugar.

A sua voz foi a voz da revolta de milhões de cidadãos, que já baixavam os braços perante este falhanço inqualificável das instituições do Estado, a começar pelas deploráveis declarações de tantos governantes e pela sobranceria inexplicável do Primeiro-Ministro.

A sua pronta intervenção e a sua proximidade permanente, nestes dias, junto das famílias das vítimas e das comunidades necessitadas, é um enorme sopro de esperança na política, nos políticos e no Estado, tão descredibilizados nestes últimos tempos.

Não é só a sua forma afectuosa que releva esta esperança humana, é, também,  a sua legítima e pronta intervenção, que marcam a circunstância de termos nos órgãos do Estado muitos responsáveis em cargos para os quais não têm o mínimo de competência e sensibilidade.

O Sr. poderia assistir a tudo isto sentado num cadeirão de Belém, como outros já o fizeram em circunstâncias semelhantes, mas preferiu assumir a sua condição de Chefe de todos os cidadãos, sair à rua e apontar o sentido da vida e da verdadeira política num momento de tragédia.

É isto que esperamos do Estado e dos seus agentes.

Que não é coisa pouca.

Por tudo isso, Sr. Presidente, muito obrigado!

 

Agora, vamos aos Açores.

 

Olha-se para programa da visita que V. Exa. vai efectuar, a partir de hoje, a S. Miguel, Santa Maria e Terceira e fica-se com a sensação óbvia que ele não tem a sua marca.

Um Homem que enfrenta, sem receios e sem complexos, todos os problemas e falhas do Estado, como acabou de demonstrar, não pode vir aos Açores sem ter na agenda as falhas do Estado nesta Região.

Percebe-se a intenção do Governo Regional em querer mostrar-lhe o que temos de bom por aqui, desde as famosas fábricas da indústria de lacticínios, às mega-escolas construídas com os apoios comunitários, para além das relações de afecto com as populações.

Mas esta Região tem problemas profundos, dependentes do Estado, que V. Exa., enquanto primeiro responsável da República, não pode passar ao lado como se nada existisse.

Já não falo das condições miseráveis em que se trabalha nalguns departamentos do Estado por estas ilhas fora, desde serviços da Autoridade Tributária até às polícias; gostaria apenas de lembrar-lhe três assuntos fundamentais que o Estado português anda a fugir deles como o diabo da cruz.

O primeiro tem a ver com o Mar, esta riqueza enorme que nos rodeia e que dá a Portugal uma outra dimensão perante o mundo.

Como sabe, no anterior governo foi aprovada uma Lei de Bases do Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo, que é uma afronta aos interesses dos Açores e à própria Autonomia Política e Administrativa desta região.

A intenção seria entregar a exploração dos fundos marinhos a empresas internacionais, sem que os Açores tivessem qualquer palavra sobre o assunto.

Depois falou-se em “gestão partilhada” e, já com este governo, houve a promessa de que os Açores fariam sempre parte de qualquer decisão nesta matéria.

O facto é que ficou tudo na gaveta do Terreiro do Paço, como é habitual, com o consentimento do Governo Regional, porque já se percebeu que existe conflito entre ambos os executivos nesta matéria e ninguém está interessado em abrir um diferendo partidário nesta altura.

Ou seja, interesse partidários acima de interesses do Estado.

Enquanto isso, a chamada “economia azul” vai avançando e nós, açorianos, vamos vendo os navios por um canudo.

Havendo aqui, novamente, um vazio do poder, uma falha do Estado, é hora do Sr. Presidente avançar.

Segundo problema: o maior estabelecimento prisional dos Açores, em Ponta Delgada, é reconhecido por todos os organismos nacionais e internacionais, um caso sério de atentado aos direitos humanos.

A Ordem dos Advogados fez dele uma causa. O Provedor de Justiça já se pronunciou. O Observatório dos Direitos Humanos também o condenou. 

O governo da República enviou carradas de técnicos e sucessivas promessas de construir, “com carácter de urgência”, uma nova cadeia.

Inicialmente era para 400 reclusos, o que era razoável, agora dizem que é para 300, o que voltamos ao mesmo problema do presente.

A 15 de Março, o Ministério da Justiça anunciou que o processo para a construção do novo estabelecimento prisional arrancaria este ano.

Já vamos em finais de Outubro e nem sinais de estacas no local da construção. A prioridade inicial parece que esfriou.

Não pior do que isso é a construção de um centro educativo para menores, que continuam a ser enviados para o Continente, sem qualquer compaixão pelas famílias que cá ficam e sem uma responsabilidade de reinserção no seu ambiente de origem.

O Estado volta a falhar e é aqui que V. Exa. deveria intervir.

Finalmente, não menos dramático e não menos recente, o problema da descontaminação dos solos e dos aquíferos da ilha Terceira.

V. Exa. sabe que os militares da Base das Lajes deixaram um rasto ambiental muito pouco recomendável para a ilha Terceira e há imensos relatórios sobre o assunto, delicadíssimo, porque está em causa a saúde pública.

Estes documentos, a começar pelo elaborado pelo LNEC, estão, mais uma vez, na gaveta do esquecimento do Terreiro do Paço, porque o Estado está à espera que sejam os americanos a limpar a peugada contaminada que nos deixaram.

Os americanos, por sua vez, fazem orelhas moucas à - convenhamos - voz baixinha, quase subserviente, do Estado português sobre este assunto.

Ora, não é aos Açores que cabe pedir aos EUA que se despachem. A nós só nos resta exigir que seja o Estado português a resolver o problema, com a premência que se impõe, e então que se entenda depois com os americanos.

Como vê Sr. Presidente, felizmente não temos cá o problema dos incêndios. Mas temos importantes falhas do Estado, que nos vai habituando a julgar que os seus agentes não vêm o país para além do Terreiro do Paço.

Como muito bem diz um outro seu amigo, o conselheiro de Estado António Lobo Xavier, “o Estado em Portugal é prepotente e retaliador”. Nós, aqui nos Açores, sentimos isso há séculos e parece não ter emenda.

Por isso, Sr. Presidente, entre o bife com os lavradores na Associação Agrícola e os chicharros com a população das Sete Cidades, disponha um pouco da sua magistratura de influência e mostre que, para além dos afectos, também há acção.

Porque o resto, como sabemos, é folclore político.

Com consideração. 

 

Por: Osvaldo cabral

Movimento de mercadorias no porto de Ponta Delgada cresceu no 1º trimestre

Porto de Ponta DelgadaO movimento de cargas e descargas no porto de Ponta Delgada aumentou 0,9% no primeiro trimestre deste ano, quando comparado com período homólogo, revelou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com os dados a que o nosso jornal teve acesso, nas mercadorias carregadas regista-se um crescimento de 3,7%, mas nas descarregadas há uma diminuição de 0,1%.

As mercadorias geradas pelo tráfego nacional diminuíram 0,5%, enquanto que no internacional cresceu 4,6%.

Ao contrário, o porto da Praia da Vitória teve uma quebra de -0,6% no movimento de mercadorias, em todas as categorias, registando apenas um crescimento no tráfico internacional.

Quanto ao 4º trimestre de 2016, o porto de Ponta Delgada regista crescimentos em todas as variantes, com um global de mercadorias carregadas e descarregadas de 12,1%.

O maior crescimento registou-se nas mercadorias carregadas, com 17,5%, mas também nas descarregadas regista-se um aumento de 9,7%.

O tráfego nacional subiu 12,8% e o internacional também regista um aumento de 9,5%. O porto da Praia da Vitória também regista aumentos.

 

Portos nacionais com aumentos substanciais

 

No continente, o porto de Sines, com 12,5 milhões de toneladas, continuou a registar aumentos substanciais no movimento total de mercadorias (+17,2%, após aumentos de 23,2% e 21,0% no 4ºT e 3ºT 2016, respectivamente), e correspondeu a 52,9% do total do movimento de mercadorias nos portos nacionais.

Também o porto de Aveiro registou um aumento significativo (+18,0%), tal como no 4ºT 2016 (+20,4%).

Lisboa e Leixões registaram acréscimos de 12,5% e 8,5%, invertendo as evoluções negativas do trimestre anterior (-4,3 e -7,3%, respectivamente).

Setúbal continuou a apresentar reduções no movimento (-11,3%, após -20,8% no 4ºT 2016).

 

Antenas dos Açores vão fornecer dados ao maior radiotelescópio do mundo

superte 2É considerada a maior infraestrutura científica do século XXI e vai começar a ser construída em 2018 na África do Sul e na Austrália, com o nome de SKA, sendo o mais poderosos radiotelescópio de sempre e os Açores terão contributo através das antenas de satélite da Altice.

O radiotelescópio, que produz imagens do cosmos a partir das ondas de rádio e não da luz, em forma de antena parabólica, terá uma gigantesca superfície de 1 Km2, o e1quivalente a 140 campos de futebol.

O semanário Expresso explica que este projecto vai ser possível organizado em rede, distribuído por milhares de antenas ligadas entre si e espalhadas por vastos territórios na África do Sul e Austrália.

O SKA (Square Kilometer Array) envolve vários países e Portugal está representado através do Instituto de Telecomunicações, que junta as universidades de Aveiro, Porto e Évora, o Instituto Politécnico de Beja, o Polo de Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica e várias empresas.

O coordenador deste consórcio português no supertelescópio, Domingos Barbosa, investigador do IT na Universidade de Aveiro, afirma ao jornal Expresso que “a principal tarefa do projecto é gerir toda a informação gerada pelo SKA, um grande desafio quando está em causa um volume de dados anual três vezes superior aos dados gerados hoje pelo Google”.

Domingos Barbosa revela ainda que serão actualizadas as antenas de comunicações de satélite da Altice (PT) nos Açores, “para integrarem as redes de antenas europeia e africana e fornecerem serviços de grande distância do SKA”.

 

Ministro aposta no Air Center nos Açores

 

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, concedeu uma entrevista ao jornal Diário de Notícias, onde considera que a participação em grandes projectos internacionais é o caminho do futuro para o sector aeroespacial no país e dá o exemplo do retorno do envolvimento com a Agências Espacial Europeia e dos projectos para um AIR Center (centro de investigação) nos Açores, onde poderá ser construído um pequeno lançador de satélites.

Manuel Heitor explica que “o objectivo é integrar tecnologias do espaço com tecnologias oceânicas e do clima, e dá novas oportunidades, quer científicas quer económicas, sobretudo para a integração de projectos empresariais, trazendo também esforços de diversos países e regiões do Norte e do Sul, para criar uma nova organização do Atlântico em que possamos partilhar o risco com outros, em que o espaço assume uma dimensão na questão dos oceanos. Investir no oceano é muito caro. Há muita coisa que pode ser feita com as novas tecnologias, as novas tecnologias do espaço. Hoje temos, devido à capacidade de miniaturização da tecnologia, a possibilidade de lançar pequenos satélites, nano satélites, e criar pequenas constelações de pequenos satélites, para uma série de fins. Outros países mais pequenos como o Luxemburgo estão a investir e fizemos um acordo com esse país na indústria do espaço”.

Interrogado sobre a viabilidade do projecto dos Açores, que prevê um pequeno lançador de satélites, quando a tendência da indústria é usar grandes lançadores para reunir muitos satélites num lançamento, o ministro responde assim ao Diário de Notícias: “Essa é uma das potenciais utilidades mas o Air Center não tem de ser uma infraestrutura espacial. Tem de ser sobretudo um centro com pessoas, para atrair pessoas para trabalharem na observação da Terra. Pedimos estudos à Universidade de Austin, à Fundação para a Ciência e a Tecnologia e à Agência Espacial Europeia para termos as diferentes perspectivas. Há muitas incertezas mas também muitas oportunidades e estamos a tentar estar atentos para, no próximo ano, avançarmos com uma estratégia clara para o espaço”.

Turismo cresceu 17,6% nos primeiros quatro meses deste ano

turista sete cidadesO sector do Turismo nos Açores cresceu 17,6 %, nos primeiros 4 meses, relativamente a igual período do ano passado, mantendo assim um aumento significativo, mesmo na época baixa.

Havia a suposição de que o crescimento percentual não seria tão elevado este ano, porque seria comparado com os valores já elevados registados no ano passado, mas, pelos vistos, a procura pelo destino Açores, tal como expressam os testemunhos dos operadores, confirma-se nos números.

Neste período, de Janeiro a Abril, o volume te dormidas aumentou em todas as ilhas à excepção de Santa Maria que mostra uma quebra de -2%.

 

Rafael Cota/Texto e gráfico 

Para Diário dos Açores