Lar da Santa Casa do Nordeste com mais um caso positivo

Lar Santa Casa Misericórdia do Nordeste

Os Açores registaram ontem um novo caso positivo de uma utente com 88 anos no Lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, com o concelho a contabilizar agora 17 casos positivos activos. Um resultado que surge depois de um primeiro teste ter dado negativo. Tiago Lopes explicou que tal situação fica a dever-se à realização de mais testes por precaução. Como explicou, “sabendo que um lar de idosos é uma estrutura que alberga utentes especialmente sensíveis para a infecção pelo novo coronavírus e com todas as consequências que daí podem advir, estamos a testar com mais frequência e numa unidade temporal mais reduzida entre a realização dos primeiros e dos segundos testes”.

Neste sentido, o Director Regional da Saúde deu conta que no dia de hoje serão realizados mais testes a utentes e funcionários deste Lar da Santa Casa do Nordeste “para ver se não acontece a situação de falsos negativos e para não estarmos aqui a descurar uma situação que foi avaliada há uns dias e que, aparentemente, estaria tudo bem porque tínhamos um grande número de negativos registados ao nível de profissionais e utentes”, explicou.

De acordo com este responsável, importa estar atento ao comportamento do vírus porque pode haver casos que dêem negativo e depois de um período de quarentena podem vir a positivar. Uma situação que pode ficar a dever-se ao “facto da carga viral no primeiro teste não ter sido suficiente para que o teste desse positivo” e, neste sentido, sabendo destas situações, Tiago Lopes assevera que a Autoridade de Saúde Regional está a “jogar pelo seguro e a testar novamente para despistar eventuais situações em que a carga viral se manifeste de forma mais evidente”.

Este foi contudo o único caso confirmado no dia de ontem nos Açores. Às 16h00, existiam 198 pessoas a aguardar colheita ou resultado de análises laboratoriais e 2846 vigilâncias activas.

Ao nível dos internamentos, Tiago Lopes revelou que se encontram 19 utentes internados, 9 no Hospital do Divino Espírito em Ponta Delgada, São Miguel, estando duas pessoas nos cuidados intensivos, 6 no Hospital de Santo Espírito, na ilha Terceira, mantendo-se três utentes em cuidados intensivos, 2 no Hospital da Horta, ilha do Faial e 2 no Centro de Saúde do Nordeste. Em contexto domiciliário encontram-se 68 pessoas (4 no Faial, 2 na Graciosa, 8 no Pico, 4 em São Jorge, 45 em São Miguel e 5 na Terceira).

Quanto a utentes recuperados nos Açores, até à data já se contabilizam 10 pessoas, sendo 5 da Terceira, 4 de São Miguel e 1 de São Jorge.

Até ao momento, já foi detectado na Região um total de 101 casos, quatro óbitos, todos de São Miguel, estando actualmente 87 casos positivos activos para infecção pelo novo coronavírus, sendo 56 em São Miguel (25 de Ponta Delgada, 9 da Povoação, 3 da Ribeira Grande, 17 do Nordeste, 1 da Lagoa e 1 de Vila Franca do Campo), 6 na Terceira (2 em Angra do Heroísmo e 4 na Praia da Vitória), 4 na Graciosa (todos em Santa Cruz), 6 em São Jorge (4 nas Velas e 2 na Calheta), 10 no Pico (5 na Madalena e 5 em São Roque do Pico) e 5 no Faial (todos na Horta).

No que concerne a profissionais de saúde, Tiago Lopes deu conta que já foram testados 311, 9 do Faial, 1 da Graciosa, 23 do Pico, 250 de São Miguel e 28 da Terceira, sendo que 13 ainda aguardam resultados, 278 tiveram resultado negativo e 18 deram positivo (1 do Faial e 17 de São Miguel) e dois casos recuperados de profissionais infectados pelo novo coronavírus.

Sobre o caso positivo registado na passada Segunda-feira, em São Miguel, de um sem-abrigo, Tiago Lopes adiantou que foram identificados cerca de uma centena de contactos próximos e que estão a proceder à recolha de amostras biológicas e análises laboratoriais para se avaliar a origem da infecção que não é conhecida até ao momento.

O responsável máximo da Autoridade de Saúde Regional dos Açores fez saber ainda que a propósito de uma outra cadeia de transmissão que surgiu em Ponta Delgada na passada semana e que, actualmente está confinada a dois pacientes, que também ainda não é conhecida a origem daqueles casos.

 

Voos da Tap para os Açores

irão manter-se

 

Passado o período da Páscoa em que não foram permitidas ligações aéreas durante três dias, a TAP voltará a operar para os Açores com duas viagens por semana para São Miguel e uma para a ilha Terceira, sendo que o número de pessoas por voo será determinado pela própria companhia aérea como, aliás, tem feito desde que entrou em vigor o Estado de Emergência. Isso mesmo foi confirmado por Tiago Lopes que falava no ponto de situação diário sobre a evolução do surto de Covid-19 no arquipélago, feito em Angra do Heroísmo, no Solar dos Remédios.

Relativamente aos voos inter-ilhas operados pela Sata, bem como as ligações marítimas no arquipélago, este responsável recordou que a normalização destas ligações não é algo que esteja em análise até porque ainda vigora o Estado de Emergência e, por isso, “a normalização não se vai atingir de forma célere. Iremos ainda ter estes constrangimentos e é bom que as pessoas percebam que não se pode e não se deve ainda circular de forma normal e livremente” como antes do surto. Do mesmo modo, Tiago Lopes fez saber ainda que considera que a imposição das cercas sanitárias em todos os concelhos de São Miguel se deverão manter para além do próximo dia 17 de Abril, data em que iria terminar esta imposição do Governo Regional dos Açores. Um entendimento que o Director Regional da Saúde justifica com o facto de ainda estarem activas e em investigação algumas cadeias de transmissão em São Miguel. Para Tiago Lopes, “será mais prudente prolongarmos por mais algum tempo o período de tanto de quarentena, confinamento obrigatório e das cercas sanitárias em vigor, neste momento, na Região”.

Navio de cruzeiro com 3 mortos e vários infectados queria desembarcar nos Açores

marella explorer 1

O navio de cruzeiro Marella Explorer II estava ontem fundeado ao largo dos Açores já com três tripulantes mortos - entre eles um oficial grego - e cerca de 150 infectados por Covid-19, segundo notícia avançada pela TVI.

Depois de ter zarpado de Barbados, nas Caraíbas, a tripulação aguarda agora indicações após ter sido negada a autorização pelo Executivo açoriano para que pudesse atracar no arquipélago. 

O Marella Explorer II ainda se aproximou da costa da ilha Graciosa, mas logo se afastou.

A TVI explicou ainda que a operadora indagou posteriormente o Governo português sobre a possibilidade de rumar a Lisboa, pedido esse que também foi negado, isto para além de ter sido indicada a proibição de navegar em águas portuguesas. 

Segundo a TVI, já terão morrido três pessoas e há mais 150 que podem estar infectadas pelo novo coronavírus. 

A bordo do navio estão mais de 700 tripulantes que neste momento aguardam por autorização para atracar no Reino Unido.

Esta história ganha ainda outros contornos quando a 1 de Abril o New York Times noticiou o facto de 46 passageiros britânicos terem desembarcado do Marella Explorer II, nas Caraíbas, já com sintomas de covid-19, para que pudessem voar para casa. 

Em troca a operadora custeou a viagem a 141 mexicanos retidos em Inglaterra por complicações de viagens em voos de regresso a casa, informou o governo mexicano, segundo o New York Times.

“Muitos dos passageiros do navio aparentemente desembarcaram e retornaram aos seus países de origem na semana passada. Não ficou claro quantos ainda estavam a bordo”, escreve ainda o matutino nova-iorquino.   

 

Caso positivo de Covid-19 no Nordeste leva ao encerramento do lar da Santa Casa

Lar Santa Casa Misericórdia do Nordeste

Foram diagnosticados ontem três novos casos positivos de Covid-19 na ilha de São Miguel e um caso positivo na ilha do Pico, de acordo com análises realizadas nos dois laboratórios de referência dos Açores. 

Dois dos casos diagnosticados na ilha de São Miguel reportam-se a dois indivíduos do sexo feminino, de 91 e 77 anos, que foram identificados na sequência da cadeia de transmissão secundária originária do concelho da Povoação, sendo que o outro trata-se de um homem que é residente no lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste e foi infectado por um profissional de saúde no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada (HDES). Este último caso está também relacionado com a cadeia de transmissão secundária originária do concelho da Povoação.

Uma situação que, como explicou Tiago Lopes, advém do facto de um caso positivo da Povoação ter infectado uma enfermeira que, até ter sido diagnostica com o vírus, continuou a trabalhar e assim originou uma outra cadeia de transmissão. “O que aconteceu foi que desde o tempo da detecção do caso que estava internado no HDES e depois de se fazer toda a ligação aos contactos próximos do infectado, chegamos a uma cadeia de transmissão já secundária originária da Povoação. Durante este tempo, em que as pessoas se infectaram, prestaram cuidados e foram diagnosticados, os profissionais de saúde continuaram a exercer e contactaram com outros profissionais e doentes que estavam internados na unidade hospitalar”, sendo que neste espaço temporal, deu tempo a que este paciente, em particular, tivesse tido alta e sido transferido para uma estrutura residencial para idosos”.

A este propósito o Director Regional da Saúde adiantou ainda que a Autoridade de Saúde está “a voltar atrás no tempo e identificar todas as pessoas que, eventualmente, possam, de forma directa ou indirecta, estar potencialmente infectadas”. 

No seguimento do caso detectado ontem no Nordeste foi determinado o encerramento do Lar da Santa Casa de Misericórdia, sendo que “os profissionais que lá estão prestam a assistência a todos os que estão institucionalizados naquela estrutura residencial para idosos até verificarmos a existência, ou não, de mais casos positivos ou negativos”.

Para esse efeito, Tiago Lopes deu conta que a Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel montou um centro de colheitas no concelho do Nordeste para se proceder à recolha de amostras biológicas aos idosos que têm mobilidade e se encontram no seu domicílio. Quanto aos que estão institucionalizados no Lar da Santa Casa de Misericórdia, os profissionais de saúde e outros colaboradores também serão testados.

O responsável máximo pela Autoridade de Saúde Regional adiantou que os resultados destas análises, serão “determinantes nas medidas que iremos aplicar, nomeadamente a necessidade de transferir mais alguns dos residentes desta estrutura residencial para unidade hospitalar ou outra, ou mantê-los no lar mesmo que dêem resultado negativo negativo”. O mesmo se passará com aos profissionais que, caso estejam infectados vão ter que deixar de prestar serviços e vão ter que ser substituídos por outros. Nesta matéria Tiago Lopes deu conta que poderá ser a própria Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel a prestar este serviço.

Quanto ao caso diagnosticado na ilha do Pico reporta-se a um indivíduo do sexo feminino, de 48 anos, com história de viagem ao exterior da Região e que se encontrava de quarentena.

Todos os novos casos estão a ser acompanhados pelas Delegações de Saúde Concelhias, estando em curso os procedimentos definidos para caso confirmado e de vigilância de contactos próximos. 

Actualmente estão 15 pessoas internadas nos três hospitais da Região, sete no Hospital do Santo Espírito, na ilha Terceira, estando três em situação crítica na unidade de cuidados intensivos, dois no Hospital da Horta, ilha do Faial e seis no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, sendo que dois destes pacientes também se encontram em situação crítica. Os restantes 55 casos positivos activos estão em contexto domiciliário (29 em São Miguel, 5 em São Jorge, 8 na Terceira, 8 no Pico, 4 no Faial e 1 na Graciosa) e apresentam situação clínica estável.

Até ao momento, já foram detetados na Região um total de 71 casos, constatando-se 1 recuperado e 70 casos positivos activos para infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 que causa a doença covid-19, sendo 35 em São Miguel (21 em Ponta Delgada, 9 na Povoação, 2 na Ribeira Grande, dois no Nordeste, 1 na Lagoa) 10 na ilha Terceira (quatro em Angra do Heroísmo, 6 na Praia da Vitória), 10 no Pico (5 na Madalena, 5 em São Roque), 7 em São Jorge (5 nas Velas 2 na Calheta), 5 no Faial (todos na Horta) 3 na Graciosa (todos em Santa Cruz).

Às 16h00 de ontem estavam em vigilância activa 2898 pessoas, que estão a ser seguidas diariamente pelas delegações de saúde concelhias.

 

Idosa de 90 anos é o primeiro óbito relacionado com Covid-19 nos Açores

Hospital PDL2

Foi ontem registado nos Açores o primeiro óbito de uma pessoa infectada com Covid-19. Trata-se de uma mulher de 90 anos de idade, já com problemas de saúde, que estava internada no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, onde foi infectada pelo novo coronavírus depois de contactar com um caso positivo.

Segundo avançou ontem Tiago Lopes, a idosa foi internada “em meados de Março” no HDES, onde terá sido infectada “por via do contacto com um dos profissionais de saúde infectados ligados à cadeia de transmissão identificada na Povoação”. 

Durante o internamento, registou-se um “agravamento do seu estado, na sequência do seu motivo de admissão e não pela infecção do novo coronavírus”. Tiago Lopes esclareceu que a idosa “não chegou a desenvolver sintomatologia significativa do foro respiratório nem febre, que evidenciasse de forma muito notória o agravamento do seu estado devido à infecção por Covid-19”, mas acabou por falecer.

A informação foi avançada pelo responsável da Autoridade de Saúde Regional e também Director Regional de Saúde, no ‘briefing’ diário feito sobre a situação do surto da Covid-19 no arquipélago.

 

Novo caso positivo 

na Graciosa

 

Tiago Lopes confirmou a informação de que foi registado mais um caso positivo na Região, na ilha Graciosa. Uma jovem de 21 anos, com história de viagem ao exterior da Região e que se encontrava em quarentena obrigatória. Apresentava ontem uma situação clínica estável, no domicílio.

“É uma cidadã que tinha feito uma viagem ao exterior acompanhada e estava em quarentena também acompanhada”, explicou. Os contactos próximos desta jovem serão testados e, sendo positivos, estarão “muito circunscrito a este núcleo”, afirmou o responsável.

Tiago Lopes acrescentou que os períodos de quarentena têm vindo a ser prolongados para dar “espaço de manobra para manter a vigilância activa”, justificando assim o facto de a ilha do Corvo voltar a ter vigilâncias activas. 

“Com o conhecimento que vamos tendo do comportamento do surto na região, estamos a colocar medidas excepcionais e uma delas passa por alargar, em determinados contextos, o período de quarentena, de forma a antevermos a evolução do estado de saúde e despistarmos o surgimento de sinais e sintomas”, salientou, referindo que “muitas vezes estamos a querer testar por excesso para saber se conseguimos acautelar que as cadeias de transmissão não evoluíram ou não se criaram outras”. 

O Director Regional explicou que há casos de pessoas em quarentena em que se “consegue vislumbrar alguma interacção social” e perante esta suspeita “preferimos pecar por excesso” e testar. 

 

68 casos positivos activos

 

De acordo com o balanço feito por Tiago Lopes, havia até à hora da conferência de imprensa 68 casos positivos activos na Região, 217 casos suspeitos e 2889 vigilâncias activas. 

Dos casos suspeitos, 126 são da ilha de São Miguel (onde se incluem 9 profissionais de saúde do HDES, 42 profissionais do lar do Nordeste, 51 utentes do lar e 24 respeitantes a outras situações em apreciação), 3 da ilha Terceira, 65 do Pico e 1 do Faial.

Foram ainda registados dois casos de recuperação (1 em Angra do Heroísmo e 1 na Praia da Vitória), que se somam à primeira recuperação registada no último fim-de-semana. 

Internados estão 14 infectados, dos quais cinco nos cuidados intensivos. “Dos cinco casos internados, dois deles [1 em Ponta Delgada e outro em Angra do Heroísmo] tiveram um agravamento ligeiro do seu estado clínico e exigem uma maior atenção”, explicou Tiago Lopes. 

“O doente crítico é muito flutuante”, referiu, contando que “um dos internados em estado crítico tem vindo a melhorar e está-se a tentar que ele regresse à ventilação espontânea, com um desmame da ventilação mecânica, mas isto tudo depende do doente, é variável”, explicou.  

Os restantes casos positivos encontram-se no domicílio em situação estável.

Sem precisar o número de doentes do HDES em vigilância activa, Tiago Lopes salientou que muitos utentes e profissionais já foram testados e tiveram resultado negativo, mas continuam sob “alguma vigilância por parte das equipas de saúde e delegações de saúde”.

“Apesar de se ter registado esta cadeia de transmissão no HDES por via dos profissionais de saúde, a verdade é que temos registado bastantes casos negativos, quer de profissionais quer de utentes internados ou que já tinham tido alta”, destacou o responsável, dando o exemplo de um utente do lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste, que esteve neste hospital e que obteve resultado negativo.

A preocupação, referiu, é garantir que “esta cadeia de transmissão não passa para terciária”. “Estamos a testar para quebrar estas cadeias”, acrescentou.

 

Todos os utentes e profissionais

do lar do Nordeste a serem testados

 

O lar da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste mantinha-se ontem encerrado devido ao caso positivo de uma utente registado na terça-feira. 

“Estamos a testar todos os profissionais e todos os utentes desta estrutura residencial para idosos”, garantiu Tiago Lopes, salientando que “mais medidas do que as que estão a ser implementadas não se justificam” ainda no concelho. A actuação das autoridades de saúde está ainda “muito circunscrita ao lar de idosos”.

“Não podemos descansar porque ainda estamos a aprofundar as cadeias de transmissão, nomeadamente a que teve origem na Povoação, que registou uma secundarização através do hospital, passando já para o exterior do mesmo”, realçou. “Enquanto não conseguirmos determinar a cadeia, é importate que as pessoas colaborem e restrinjam a sua actividade. Estamos a testar e vamos testar ainda mais”, frisou o Director Regional da Saúde.

 

Parceria defende injecção de 870 milhões de euros na economia açoriana

ponta delgada - avenida

A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), a Federação Agrícola dos Açores (FAA), a União Geral dos Trabalhadores – Açores (UGT-A) e agora também com a adesão da AICOPA (Associação dos Industriais da Construção Civil) apresentaram ontem uma série de propostas para combater a actual crise económica derivada da pandemia.

Em conferência de imprensa ocorrida ontem à tarde, todas aquelas entidades consideraram que “as estimativas da recessão que nos ameaça variam entre 5% de quebra da economia só em 2020, nos cenários mais optimistas, que se vão rapidamente desvanecendo, e mais de 20% para os cenários mais negros e que se vão, infelizmente, tornando cada vez mais prováveis. Depois das medidas arrojadas para salvaguarda da saúde pública são imprescindíveis as medidas arrojadas para a recuperação da economia e do rendimento através do trabalho”.

 

Mais endividamento

 

Acrescentam que, “qualquer que seja o cenário que se considere, desta crise vai emergir um Estado, e por consequência uma Região, muito mais endividado e muito menos capacitado para, só por si, com os instrumentos que utilizou no passado, liderar qualquer processo de retoma ou, tão pouco, de crescimento”.

Em 2019, a referida Parceria entendeu que as perspectivas económicas para o futuro assentavam: 

- numa actividade agrícola exposta a grandes desafios externos e à necessidade imperiosa de continuidade da sua modernização, com a consequente absorção de menos mão-de-obra; 

- num sector das pescas sempre sujeito à aleatoriedade natural das capturas e ao rareamento dos “stocks” de algumas espécies; 

- num sector do turismo que, desde 2015, revolucionava a economia dos Açores, proporcionando uma melhor diversificação. 

Considerou, ainda, que a utilização do sector público para a geração de mais empregos não era opção aceitável porque exigia mais receitas fiscais para suportar orçamentos mais elevados e obrigava a que as carreiras fossem mal remuneradas, em face dos limites financeiros.

 

Hecatombe no Turismo

 

“Se a generalidade dos pressupostos se mantém similares nesta nova conjuntura, o pressuposto para o turismo assume uma configuração completamente diferente em face da hecatombe resultante do isolamento social imposto a nível mundial, nacional e regional”, afirmam os parceiros sociais daquele grupo, adiantando que “o novo pilar da economia dos Açores, assente na indústria de hospitalidade é crucial para a manutenção de postos de trabalho e para impedir um novo êxodo de população dos Açores”.

Para abordar os desafios da nova actualidade, a Parceria defende que “são precisos novos paradigmas de sustentabilidade, não só em face dos parcos resultados das políticas encetadas nos últimos anos, na educação, na pobreza, na formação e no emprego como também em face da mais do que certa recessão provocada pelas medidas de saúde pública para lidar com a doença Covid-19”.

 

870 milhões de euros para os Açores

 

Os desafios para a economia e sociedade açoriana, segundo a Parceira, permanecem os mesmos, no geral, adicionando-se agora dois novos desafios: 

“1) A adopção de políticas e medidas  capazes de  estabelecer uma ponte entre a quebra abrupta provocada em Março de 2020, com aprofundamento adicional esperado em todo o segundo trimestre, e uma nova normalidade de 2021, que deverá estar ainda muitos pontos abaixo dos níveis de 2019, em quase todos os sectores de actividade, com reflexos no emprego; 2) A aceitação de défices orçamentais muito agravados pela situação actual, trazendo constrangimentos futuros de peso, perante níveis de endividamento público astronómicos, situação que será transversal a toda a Europa”.

Diz a Parceria que a tarefa com que a sociedade está confrontada para a recuperação da economia é de tal ordem elevada que leva a CIP a reivindicar um pacote de intervenção pública nunca inferior a 10% do PIB (20 mil milhões de euros para Portugal). 

“A dimensão da intervenção nos Açores, dada a sua vulnerabilidade aos efeitos da Covid-19, nunca poderá ser inferior a 20% do seu PIB de 2019 (870 milhões de euros)”, defendem.

 

Reivindicação de verbas nacionais, endividamento da Região e saneamento da SATA

 

Para abordar os desafios, para além dos anteriores princípios, que a Parceria reafirma, adicionam dois novos:  

“1. Salvaguarda determinante da capacidade produtiva das cadeias de valor fundamentais (clusters) para a economia dos Açores, dados os seus efeitos multiplicativos: cadeia agroindustrial; cadeia marítimo-industrial-recreativa; cadeia do turismo e; cadeia da construção.  Estas cadeias de valor (clusters) trazem consigo uma multiplicidade de efeitos que arrastam positivamente a actividade económica”.

E adiantam medidas:

“1.1. Mobilização maciça de liquidez para a sustentação das empresas através de medidas nacionais e medidas regionais complementares e próprias para manter a capacidade produtiva da economia, com especial enfoque nos sectores críticos, transformando-a em apoios a fundo perdido no curto/médio prazo;

1.2. Redução conjuntural muito significativa dos custos de contexto para as empresas, incluindo os custos burocráticos, os custos dos transportes e os custos das diversas energias; 

1.3. Melhoria das condições de aplicação do lay-off como medida temporária de suspensão de empregos que noutras circunstâncias são perdidos para o desemprego, com desestruturação da capacidade produtiva.

2. Ampliação extraordinária do orçamento público para a implementação das medidas de mitigação da Covid-19. 

2.1. Reivindicação de verbas nacionais de solidariedade pelos impactos acrescidos das medidas nacionais (à semelhança do que aconteceu para cobertura dos danos associados ao furacão Lorenzo); 

2.2. Aumento do endividamento da Região, através de empréstimo do Tesouro com taxa de juro nula; 

2.3. Aumento do endividamento da Região, através de empréstimo contraído no mercado; 

2.4. Revisão dos critérios de fixação dos limites de endividamento previstos na LFRA;

2.5. Saneamento, com ajudas de Estado próprias, assistido pela EU, do grupo SATA;

2.6. Pronto pagamento de todos os contratos de aprovisionamento do sector público e de todos os trabalhos de empreitadas de obras públicas”.

 

Medidas excepcionais para empresas e emprego

 

A Parceria entende que, “no actual quadro excepcional, mais do que nunca se exigem medidas excepcionais de apoio às empresas e ao emprego, que lhes permitam, num quadro totalmente fora do que era conhecido, cumprir com o seu papel e responsabilidade social, salvaguardando-se assim o tecido produtivo regional, os postos de trabalho e os rendimentos do trabalho, que tornem possível manter a nossa capacidade produtiva a um nível razoável, de forma a responder a uma rápida e desejável retoma económica regional”.

Para tanto, a CCIA, FAA, UGTA e a AICOPA reafirmam a sua “disponibilidade e vontade de contribuir para a adopção de políticas e medidas excepcionais que mitiguem, de facto, as consequências das medidas de contenção e combate à pandemia sobre as empresas e o emprego. Em diálogo, sempre de forma construtiva e pró-activa, e mais do que nunca célere”.