Entre 450 a 500 açorianos recorreram à cirurgia para tratar a obesidade, nos últimos 15 anos

Margarida Andrade - médica cirurgia geralOs números relativos à obesidade nos Açores têm seguido uma tendência de diminuição, mas não deixam de ser preocupantes quando comparados com o resto do país. Segundo o Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF), a população adulta com obesidade no arquipélago atinge os 33,8%, enquanto a nível nacional a percentagem situa-se 5 pontos percentuais abaixo, nos 28,7%. 30,5% dos açorianos estará em risco de obesidade.   

Em declarações ao Diário dos Açores a propósito do Dia Mundial da Obesidade que hoje se assinala, a médica de Cirurgia Geral Margarida Andrade realça que “estes números na Região já estiveram mais altos, mas não deixam de ser preocupantes, porque estão mais elevados do que a nível nacional”. 

A especialista é responsável pela equipa cirúrgica do tratamento da obesidade no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, que foi implementada em 2005. Cerca de 15 anos depois, já recorreram à cirurgia bariátrica cerca de 500 doentes. 

“Desde que começámos a trabalhar, em 2005, já operamos cerca de 450 a 500 doentes aqui no hospital”, revela, explicando que o serviço tem vindo a evoluir ao longo do tempo.

“Começámos com as bandas gástricas, depois evoluímos rapidamente e a partir de 2008 passamos a fazer, de forma sistemática, outras cirurgias mais avançadas como o bypass gástrico, a gastrectomia vertical e o mini bypass. Ou seja, evoluímos para métodos cirúrgicos mais complicados que vão além da banda gástrica, que é um método já menos utilizado”, revela a médica. 

Antes de chegar à cirurgia, a situação do doente é primeiro avaliada pelos nutricionistas. “Nos centros de saúde, os nutricionistas podem sinalizar os doentes com mais riscos e com obesidade mórbida, que se identifica quando o IMC (índice de massa corporal – relação entre peso e altura) está acima de 40. Independentemente de terem outras doenças associadas, caso tenha um IMC acima de 40, já podem ser operados”, frisa Margaria Andrade.

Com um IMC entre 35 e 40, explica ainda, “podem ser operados aqueles que tenham doenças que estão habitualmente associadas à obesidade, como a diabetes, hipertensão ou a dislipidemia, que tem a ver com o colesterol, para além de outras doenças de ortopedia ou apneia do sono”. 

A médica realça que a cirurgia da obesidade é também chamada de cirurgia metabólica “precisamente por tratar as doenças metabólicas associadas à obesidade, que são a diabetas dislipidemia e a tensão alta”. Margarida Andrade salienta, a este propósito, que nos Açores a diabetes tem também uma incidência “muito elevada”.

Após sinalizado nos cuidados primários, os doentes são encaminhados para o HDES para serem acompanhados equipa cirúrgica do tratamento da obesidade, que se distingue pela multidisciplinaridade que apresenta no tratamento da doença crónica.  

“A equipa engloba um nutricionista, um endocrinologista, também temos apoio da gastroenterologia para exames gástricos, da psicologia e da cirurgia geral. Há ainda um acompanhamento a nível do planeamento familiar, pois há muitos doentes novos que carecem deste apoio antes, durante e após a cirurgia. Recentemente, passamos a ter também apoio ao nível da fisioterapia, da Medicina Física e Reabilitação”, realça a médica.

“No hospital, os doentes são avaliados pela endocrinologia, por uma psicóloga, pela nutricionista e após avaliados todos os parâmetros é que se verifica se há condições ou não de avançar”, acrescenta.  

As cirurgias para redução de peso podem ser realizadas a pacientes entre os 18 e os 65 anos de idades, mas segundo avança ao Diário dos Açores, a maioria pertence a uma faixa etária mais nova.

“Maioritariamente são novos. Temos muito poucos doentes acima dos 60 anos de idade. O ‘grosso’ das cirurgias regista-se em pessoas com idades entre os 20 e poucos anos e até aos 50 anos”, sublinha. 

A especialista realça que a aposta na prevenção é muito importante, destacando que “muito tem sido feito na região a esse nível”. “Uma das medidas que foram implementadas na área da endocrinologia foi o colocar um nutricionista em cada centro de saúde dos Açores. Na perspectiva de cuidados primários, foi uma medida boa para trabalhar no combate à obesidade”, referiu, salientando ainda o facto de a obesidade infantil ter registado um decréscimo.

 

Redução da esperança de vida

em cerca de 3 anos

 

Na média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) e da União Europeia, entre 2020 e 2050 o excesso de peso e as doenças associadas vão reduzir a esperança de vida em cerca de 3 anos. Em Portugal, a estimativa aponta para uma redução de 2,2 anos nesse período, segundo o relatório The Heavy Burden of Obesity: The Economics of Prevention, que a OCDE divulgou recentemente.

Segundo destaca a Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade (SPEO) num comunicado divulgado ontem, a obesidade tem um “enorme impacto na saúde”, estando associada a mais de 200 outras doenças e cerca de 13 tipos de cancros, “sendo ainda responsável por alterações musculoesqueléticas, infertilidade, depressão, diminuição da qualidade de vida e mortalidade aumentada, o que faz com que represente também um grande “fardo” do ponto de vista económico, pelos seus custos directos e indirectos”. A SPEO aponta a doença como “complexa e multifactorial” e como “um dos principais problemas do século XXI, tendo já atingido proporções epidémicas”.

 

Açorianos estão a cancelar viagens de férias da Páscoa

jovem a viajarAté ao momento ainda não há confirmações de casos de pessoas infectadas com o novo coronovírus nos Açores, mas o certo é que o Covid 19 tem deixado muitos açorianos apreensivos, à semelhança do que acontece por toda a Europa e nos países onde há muitas pessoas infectadas e onde já se registaram mortes.

A informação sobre os cuidados a tomar tem chegado pelas mais variadas formas aos vários organismos públicos e privados da Região, ainda assim, há quem se queixe de não receber informação mais detalhada, como é o caso, por exemplo, revelado pelo Diário dos Açores de algumas unidades hoteleiras que sentem que estão pouco informadas quanto a procedimentos a ter em conta em caso de uma suspeita.

Também a delegação dos Açores da Associação Portuguesa das Agências de Viagens (APAVT) está atenta ao desenrolar deste surto, garantindo ao Diário dos Açores que a APAVT dos Açores e os seus Associados têm recebido informação da sede APAVT no Continente com a regularidade devida”, e que caso surja algum caso suspeito que as entidade regionais de saúde devem ser informadas e contactadas.

Catarina Cymbrom acredita que o turismo na Região irá ressentir-se com o surgimento deste vírus a nível mundial, até porque deu conta, “já temos tido cancelamentos de açorianos que estão a cancelar as suas viagens devido a este surto”.

Sem querer entrar em grandes alarmismos, Catarina Cymbrom admite que está um pouco “receosa”, mas “atentos ao desenrolar do surto e os efeitos que poderá trazer ao nosso negócio”, conclui.

 

Hotelaria açoriana está a receber vários cancelamentos de reservas

 

As unidades hoteleiras açorianas estão a receber vários cancelamentos de reservas para este ano, sobretudo para a Páscoa.

Vários hoteleiros contactados pelo nosso jornal confirmaram que já foram canceladas “algumas reservas, sobretudo nos últimos dias”, com maior incidência em São Miguel.

Um proprietário de Alojamento Local nesta ilha disse mesmo ao “Diário dos Açores” que, na sequência do caso suspeito na ilha Terceira, recebeu uma série de telefonemas de clientes com reserva a pedir esclarecimentos e informações, “assustados com as informações que vão recebendo”.

Outro proprietário de Alojamento Local, na Ribeira Grande, revelou ao nosso jornal que um seu cliente, de Inglaterra, ligou para a linha Saúde 24 para saber se em caso de contrair a doença cá como teria que proceder, se era tratado cá ou se poderia regressar, “mas não souberam responder”.

Um desses proprietários mostrou mesmo ao nosso jornal uma das mensagens que recebeu de um cliente de Nova Iorque:

“Desculpe ter que cancelar a reserva, mas depois de ler alguns artigos sobre a recente disseminação do vírus para diferentes ilhas, decidi que seria melhor adiar essa viagem para outro momento. Definitivamente vou procurar o seu lugar para ficar quando eu for a São Miguel, posso até ir com alguns amigos. Obrigado por ser tão acolhedor. Realmente espero ficar na sua casa um dia”.

A mensagem revela a desinformação que está a ser espalhada pelo mundo, sobretudo através de redes sociais, pois é sabido que não há qualquer “disseminação do vírus pelas diferentes ilhas”.

“Temos um problema grave aqui”, diz-nos um empresário de turismo rural, “que é combater as falsas informações que grassam na internet e o pânico que se criou à volta de um surto que nem existe ainda no nosso país e na região”.

Os mesmos receios atravessam os empresários da restauração, que temem um decréscimo da actividade nos próximos tempos.

 

Segundo caso suspeito de Covid-19 nos Açores

 

A Autoridade Regional de Saúde deu conta ontem, através de comunicado, que está a ser avaliado um caso suspeito de infecção pelo novo coronavírus Covid-19 na Região Autónoma dos Açores. De acordo com a Autoridade Regional de Saúde, trata-se de um indivíduo do sexo masculino, de 24 anos, residente em São Miguel, que passou por Itália entre os dias 19 e 25 de Fevereiro.

De acordo com a mesma informação, o paciente apresenta uma “situação clínica estável e, na sequência de contacto com a Linha de Saúde Açores – 808 24 60 24, foi transportado para o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira”.

A mesma nota dá conta que “este caso está a ser acompanhado pelas autoridades de saúde e, de acordo com os procedimentos fixados, serão agora realizadas as colheitas de amostras biológicas para diagnóstico laboratorial”.

O executivo açoriano volta a apelar a sociedade para que em caso de sintomas, os utentes liguem para a Linha Saúde Açores (808 246 024), em vez de se dirigirem a um hospital ou unidade de saúde.

Recorde-se que este é o segundo caso de suspeita de infecção pelo novo coronavírus nos Açores. O primeiro foi registado na passada Quinta-feira e tratava-se de um homem de 31 anos que esteve na cidade italiana de Milão, acabando o resultado das análises por ser negativo.

Também na passada semana, a Secretária Regional da Saúde, Teresa Luciano, convocou os jornalistas para revelar que os três hospitais da Região – nas ilhas do Faial, Terceira e São Miguel - tinham 80 quartos de isolamento disponíveis para acolher potenciais portadores do vírus, sendo que em primeiro lugar os doentes serão transportados para o Hospital Santo Espírito da Ilha Terceira. Surgindo algum caso que necessite de análises para confirmar, ou não, a infecção por coronavírus, o Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, SEEBMO, é o laboratório de referência da Região Autónoma dos Açores para a realização desse tipo de análises.

O surto de Covid-19, detectado em Dezembro na China e que pode causar infecções respiratórias como pneumonia, provocou mais de 2.900 mortos e infectou mais de 87 mil pessoas, de acordo com dados reportados por 60 países.

Das pessoas infectadas, mais de 41 mil recuperaram.

Além de 2.912 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

Um português tripulante de um navio de cruzeiros encontra-se hospitalizado no Japão com confirmação de infeção.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

A DGS manteve no Sábado o risco da epidemia para a saúde pública em “moderado a elevado”.

 

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Amizade e diversão reinam na Batalha das Limas, em ano de adaptação a novas regras

Batalha das LimasMomentos de muita diversão, confraternização e amizade é o que se espera de mais uma Batalha das Limas, que volta a sair hoje à rua, apesar das críticas que insurgiram contra o uso do plástico.

Nest dia de Carnaval, como tradicionalmente acontece todos os anos, a Avenida Infante D. Henrique vai transformar-se esta tarde num campo de batalha em que a arma de combate é a água. Dezenas de pessoas têm por hábito deslocar-se à cidade de Ponta Delgada para participar nesta iniciativa e, em camiões ou a pé, lutam entre si através do arremesso de sacos e balões cheios de água.

A tradição repete-se um pouco por toda a ilha, havendo quem promova a brincadeira no próprio quintal ou na rua onde moram com balões de água. Mas é na Marginal de Ponta Delgada que a acção ganha maior expressão. Apesar dos esforços do executivo municipal na limpeza das vias após o evento, foram várias as imagens que, em anos anteriores, circularam nas redes sociais a dar conta dos sacos de plásticos que acabaram, por exemplo, no mar. 

Atendendo às críticas e às preocupações de âmbito ambiental que marcam a agenda, não só regional, como nacional e internacional, a autarquia deliberou impor um conjunto de medidas com vista à redução do impacto ambiental da batalha. 

A redução do tempo e perímetro da batalha, a instalação de uma rede de protecção para impedir a poluição do mar, a colaboração das equipas na limpeza do recinto e a proibição do uso de balões de água fora do perímetro estabelecido são algumas das alterações implementadas pelo município, através do projecto Zero Waste PDL, e em parceria com a ARTAC - Associação Regional para a Promoção e Desenvolvimento do Turismo, Ambiente, Cultura e Saúde.

 

“Falam como se fossemos os culpados de toda a poluição que existe”

 

Em declarações ao Diário dos Açores, o responsável da equipa “Sempre Presentes”, cujo camião é dos que participa na batalha há mais tempo, fala que será um ano de adaptação às novas regras. “Vai ser uma batalha das limas normal, mesmo com as regras impostas este ano pela Câmara Municipal. Temos de nos adaptar às novas condições, que têm a ver com o uso do plástico e vamos ajudar a limpar tudo no final”, afirmou Ricardo Possidónio, que, apesar de concordar com a necessidade de proteger o ambiente, falou em extremismos.

“Têm surgido muitas queixas por causa do uso do plástico na batalha, mas, na minha opinião, há quem esteja a levar a questão ao extremo. A batalha é uma iniciativa que dura cerca de três horas, só que as pessoas falam como se fossemos os culpados de toda a poluição que existe”, lamentou.

“Há pessoas a dizer que isto é vandalismo, mas não tem nada a ver”, continuou, acrescentando: “estão a preocupar-se com uma acção que dura cerca de três horas, quando deviam preocupar-se com muitas outras situações que duram o ano inteiro. Pessoas que fumam e põem constantemente as beatas para o chão, por exemplo”, frisou.

Ricardo Possidónio foi ainda mais longe nos exemplos: “Daqui a dias vamos ter as festas em honra do Senhor Santo Cristo e as festas de Espírito Santo. Vamos ver se as pessoas que agora nos criticam se irão manifestar nestas ocasiões, em que o plástico é muito utilizado. Talvez não, porque muitas participam nestas festas...”, sublinhou.

O responsável diz já ter ouvido falar em possíveis alternativas ao uso do plástico, mas pouco plausíveis, na sua opinião. “Já ouvi falar em bisnagas ou seringas para substituir os sacos. Não deixam de ser materiais de plástico… Acho que não são uma boa alternativa”, afirma.

 

Atracção para os turistas

 

Ricardo Possidónio participa com amigos “há mais de 30 anos” nestas batalhas no dia de Carnaval e garante que, se depender de si, “a tradição nunca irá acabar”. “Nem que faça uma batalha no meu quintal!”, enfatiza, defendendo o evento como atração turística. “Muitos turistas acham piada e participam connosco na batalha. Até já levei turistas no nosso camião”, aponta.

A equipa dos “Sempre Presentes” é das mais antigas a integrar a batalha, que sairá às 14h30, e o dia de hoje representa o culminar de duas semanas de preparação. “Começámos há cerca de 15 dias. São 100 quilos de sacos. Antes fazíamo-lo na Melo Abreu, mas este ano tivemos que nos deslocar para a freguesia de Santa Clara. Portanto, a freguesia terá este ano duas equipas”, explica.

Nesta edição, este grupo de ‘guerreiros’ levará um camião mais pequeno do que o costume, fruto da redução no número de participantes. “Desistiram algumas pessoas, por motivos pessoais, e por isso este ano seremos cerca de 20 participantes, com idades que vão dos 13 aos 45”, revela o responsável, que espera para hoje momentos de muita diversão e amizade.

A batalha de 2020 conta com a participação de nove camiões de oito equipas. São elas os “Santa Canalha” de Santa Clara, os São José “Sempre Presentes”, os “Bombásticos” dos Bombeiros de Ponta Delgada, a par da equipa do Livramento, da Fajã de Baixo, de São Roque, do “Bairro da Lata do Rosário” da Lagoa e “Os Mercenários” do Pico das Canas.

De acordo com a autarquia, as “grandes alterações”  impostas este ano – cujo objectivo é, de “forma gradual”, tornar o evento cada vez mais sustentável – são as seguintes: “inscrição dos participantes e transmissão das novas regras de forma presencial; redução do tempo de batalha para metade; redução do perímetro de batalha de 800m para 250m; instalação de uma rede de proteção para impedir a poluição do mar; os participantes inscritos não poderão utilizar balões de água nem combater fora do perímetro de batalha; os participantes inscritos terão de cumprir os horários estabelecidos e participar na limpeza do recinto; os participantes não inscritos serão sensibilizados para colaborarem na limpeza; a CMPD disponibiliza contentores para serem utilizados pelos participantes na limpeza; a CMPD irá monitorizar o evento e verificar se os participantes cumprem as regras; a CMPD irá recusar a inscrição na edição seguinte, às equipas que não cumprirem as regras”.

Em comunicado, o município refere que “o consumo irresponsável de água potável e de plásticos deve ser evitado a todo o custo, como tal, e considerando a persistência dos populares em dar continuidade a este tipo de eventos, bem como a ausência de legislação que impeça este tipo de práticas, não nos resta outra alternativa senão apostar na sensibilização, prevenção e controle de impactos, numa perspectiva de fazer o evento progredir para um formato mais sustentável”. “Em suma, e tendo em conta a ausência de outros materiais que permitam realizar a batalha de forma mais sustentável, foi privilegiada a utilização de sacos de plástico, em detrimento das limas e balões, por não fragmentarem e serem mais fáceis de recolher e reciclar”, explica a câmara, que, em conjunto com a ARTAC, lançou ainda um apelo ao Governo Regional: “que as entidades com competência legislativa actuem no sentido de impedir a comercialização destes materiais, bem como a sua utilização irresponsável e desadequada”.

 

Coronavírus. Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira será unidade de referência na Região

hospital terceira

Não há, até ao momento, nenhum caso suspeito de cidadãos infectados com o coronavírus nos Açores, mas a Região já tem em marcha um plano de contingência para actuar em caso de necessidade. A garantia foi dada ontem, ao final da tarde, em conferência de imprensa, pela Secretária Regional da Saúde, Maria Teresa Luciano que deu conta de todos os procedimentos que estão a ser tomados e em preparação no âmbito da emergência de saúde pública de âmbito internacional do novo coronavírus COVID-19.

Assim, surgindo algum caso que necessite de análises para confirmar, ou não, a infecção por coronavírus, o Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, SEEBMO, é o laboratório de referência da Região Autónoma dos Açores para a realização desse tipo de análises. O que significa que todos os casos suspeitos que possam surgir nos Açores serão encaminhados para a ilha Terceira.

Maria Teresa Luciano garantiu, ainda que a “capacidade do Serviço Regional de Saúde para lidar com casos de infecção foi reforçada e, neste momento, os hospitais dos Açores estão tecnicamente preparados e têm um total de 80 quartos de isolamento”, sendo que o Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, tem 41 quartos de isolamento, o Hospital de Santo Espírito, em Angra do Heroísmo, 35 quartos e o Hospital da Horta 4 quartos.

Depois do anúncio da Organização Mundial da Saúde de emergência de saúde pública de âmbito internacional, a Secretaria Regional da Saúde garante que tem já a funcionar um Grupo Técnico de Coordenação, cuja função passa por “acompanhar, permanentemente, o evoluir desta situação, sobretudo, no que respeita ao desenvolvimento desta epidemia a nível internacional (países e ou regiões afectados); acompanhamento da implementação de procedimentos e medidas que são definidas a nível nacional e internacional, bem como a sua eventual adaptação à estrutura regional e preparação para a eventualidade de surgimento de algum caso a nível regional”.

Este Grupo Técnico de Coordenação é composto por elementos da Direcção Regional da Saúde e do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores, nomeadamente, a Coordenadora Regional de Saúde Pública, o Responsável Clínico do SRPCBA e três enfermeiros, sendo um da DRS e dois da Linha de Saúde Açores, sendo que a coordenação está a cargo da Directora de Serviços de Prestação de Cuidados em Saúde.

Além disso, avançou Maria Teresa Luciano, há um conjunto de outras medidas que já foram tomadas e estão em fase de concretização, sejam ao nível da prevenção geral e aquelas que se integram numa situação de detecção de algum caso.

Neste sentido, “também os hospitais da Região e as unidades de saúde de ilha têm vindo a actualizar e a testar os seus planos de contingência, bem como a formar os seus profissionais, para garantir que estão reunidos os recursos materiais e humanos para responder a eventuais necessidades de intervenção”, não prevendo a Secretaria Regional da Saúde, “qualquer dificuldade ao nível da disponibilidade de material necessário para essa situação”.

Do ponto de vista das medidas de prevenção, a Direcção Regional da Saúde, em articulação com a Universidade dos Açores e a Direcção Regional da Educação, tem vindo a monitorizar os estudantes que se deslocaram ao abrigo do programa ERASMUS ou de outros programas de mobilidade. Uma monitorização que abrange quer os que vêm do exterior para a Região, quer os que, sendo dos Açores, estiveram ou estão no exterior e regressem aos Açores nos próximos tempos. Para já, falta ainda definir os procedimento a tomar quanto à passagem de navios de cruzeiros nos portos dos Açores

 

Todos os casos suspeitos serão

encaminhados para a Terceira

 

Conforme explicou, na ocasião Tiago Lopes, Director Regional da Saúde, qualquer caso suspeito nos Açores, que reúna os critérios clínicos ou epidemiológicos do novo coronavírus deve ser comunicado à Linha de Saúde Açores (808246024) que através do médico regulador irá articular com a linha de apoio ao médico da Direcção Geral da Saúde. Será essa linha que fará a validação da eventualidade de um caso suspeito que, caso seja positivo, irá accionar uma série de procedimentos regionais que envolvem também (caso o paciente seja de uma ilha onde não haja hospital) transportar o utente para um dos hospitais da Região, sendo o Hospital da Ilha Terceira a primeira opção, uma vez que se trata de uma unidade que possui o Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular que irá permitir confirmar o diagnóstico ao nível laboratorial e porque possui quartos em isolamento com pressão negativa.

Tiago Lopes garantiu, ainda que “qualquer um dos três hospitais da Região, bem como as unidades de Saúde de ilha, têm planos de contingência elaborados”, o que irá permitir a que nas ilhas sem hospital, se aparecer um caso suspeito este utente poderá ser colocado em isolamento na área que está afecta na respectiva unidade de saúde.

Após a detecção do caso suspeito, o Director Regional de Saúde avança que estão também preparadas medidas ao nível da coordenação regional de saúde pública, bem como dos delegados de saúde concelhios para “proceder de imediato ao rastreio epidemiológico de todos os que estiveram em contacto próximo com o suspeito para, nos próximos 14 dias, ser feito um levantamento e um acompanhamento diário” de forma a detectar, ou não, mais casos suspeitos.

Nos próximos dias a Secretaria Regional da Saúde irá também intensificar as campanhas de prevenção, estando em fase de ultimação um reforço significativo da informação e da educação à população para que conheça e adopte as medidas de protecção da saúde pública.

A finalizar Maria Teresa Luciano recordou a Linha de Saúde Açores – 808 24 60 24 é o ponto de contacto privilegiado para encaminhamento de eventuais casos suspeitos, bem como de informação e aconselhamento à população.

“Qualquer pessoa que tenha dúvidas sobre a sua situação ou julgue ter sintomas de infecção, deve contactar a Linha de Saúde Açores e nunca, repito, nunca dirigir-se ao hospital ou centro de saúde” frisou.

 

OMS considera “irracional”

usar máscara e gel desinfectante

 

A Directora de Saúde Pública da Organização Mundial de Saúde (OMS), Maria Neira, classificou como “irracional e desproporcionado” que se esgotem as máscaras e os desinfectantes nas farmácias por medo do coronavírus. Em declarações à emissora espanhola RAC-1, Neira recordou que as máscaras são para uso do pessoal de saúde e sublinhou que a diminuição de vítimas e contagiados que está a registar-se na China “poderá significar que a epidemia chegou ao cume e atingiu o pico epidémico”.

Neira afirmou que a medida mais efectiva para prevenir o contágio é lavar as mãos com frequência e insistiu que não se justifica que se esgotem as máscaras e os geles desinfectantes, referindo que a situação se baseia no “medo e na angústia das pessoas”, o que deve ser evitado. A responsável explicou que o uso de máscaras é para pessoal de saúde e apelou para que se evite o uso de forma irracional.

Sobre a situação na China, onde teve origem o surto, Neira indicou que há já “quase a confirmação de que o número de casos parece ter atingido o topo”. “Nos últimos dias, temos visto uma descida na incidência e no número de mortos”, acrescentou.

Globalmente, afirmou, o vírus circula, mas em quantidades muito racionais, pequenas, e os casos têm uma sintomatologia entre “leve e moderada”, semelhante a uma gripe sazonal.

A Directora-geral de Saúde Pública da OMS disse que as medidas tomadas em Espanha, onde se diagnosticaram oito casos nos últimos dias, são totalmente proporcionais. “Oitenta por cento das pessoas que estão em contacto com o vírus não desenvolvem qualquer sintomatologia. Cerca de 15% terá uma sintomatologia leve a moderada. Entre 4% a 5% requer assistência clínica mais sofisticada”, referiu a especialista.

O balanço provisório da epidemia do coronavírus Covid-19 é de pelo menos 2.763 mortos e cerca de 81.000 infectados, de acordo com dados reportados por mais de 40 países e territórios.

 

Por: Olivéria Santos

Desemprego jovem está nos 23,5%

quadro desemprego 19

A taxa de desemprego na Região Autónoma dos Açores situou-se em 7,6% no 4º trimestre de 2019, apresentando uma diminuição de 0,9 pontos percentuais (p.p.) relativamente ao trimestre homólogo e um aumento de 0,3 p.p. em relação ao trimestre anterior, segundo dados do SREA. 

No conjunto do ano de 2019, a taxa de desemprego foi de 7,9%, diminuindo 0,7 p.p. relativamente ao ano anterior. 

É a mais baixa taxa de desemprego anual da actual série do Inquérito ao Emprego, desde 2011. 

No emprego, no 4º trimestre, observou-se um acréscimo em termos homólogos (0,8%), e um decréscimo em termos trimestrais (4,2%). 

 

Aumento nos  trabalhadores por conta própria

 

Quanto à situação na profissão verificou-se um aumento (0,5%), em termos homólogos, no grupo dos trabalhadores por conta de outrem, bem como no grupo dos trabalhadores por conta própria (6,5%). 

No que diz respeito à variação trimestral, verificaram-se diminuições nos trabalhadores por conta de outrem (3,7%) e nos trabalhadores por conta própria (8,8%). 

Neste último grupo, os trabalhadores por conta própria como isolados apresentaram um aumento na variação homóloga (11,7%) e diminuição na variação trimestral (11,4%). 

Os trabalhadores por conta própria como empregadores, registaram diminuições, quer em termos homólogos (5,3%) quer em termos trimestrais (0,7%). 

Os trabalhadores por conta de outrem que possuem um contrato permanente, registaram uma variação homóloga positiva de 0,1% e uma variação trimestral negativa de 1,0%. 

Nos trabalhadores com contrato não permanente, as variações foram ambas negativas (3,8% na variação homóloga e 15,5% na variação trimestral). 

A Subutilização do trabalho diminuiu 8,6% relativamente a igual trimestre de 2018 e manteve o mesmo valor em relação ao 3º trimestre do presente ano.

 

Alojamento e restauração alavancam emprego

 

  Na evolução do emprego por sectores de actividade, verificaram-se aumentos na variação homóloga apenas nos sectores secundário (4,6%) e terciário (2,3%), enquanto que o sector primário, apresentou uma diminuição (15,0%). 

Na variação trimestral, todos os sectores apresentaram diminuições: 11,7% no primário, 12,3% no secundário e 1,0% no terciário. 

No conjunto do ano de 2019, o emprego regista o maior valor da actual série e apresenta crescimentos no sector secundário (10,3%) e terciário (0,9%), diminuindo no sector primário (-6,0%). 

Nas variações trimestrais o subsector que apresentou uma maior diminuição foi o das actividades administrativas e dos serviços de apoio (9,7%), enquanto que o subsector do alojamento, restauração e similares registou o maior aumento (8,8%). 

Em termos homólogos, o maior aumento foi no subsector das actividades administrativas e dos serviços de apoio (21,1%) e a maior diminuição na administração pública, defesa e segurança social (8,9%).

 

Desemprego jovem nos 23,5%

 

  O desemprego, como já foi referido, abrange 7,6% da população activa, continuando a ser maior nos mais jovens, que neste trimestre atingiu 23,5% dos indivíduos com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos, tendo diminuído 1,2 pontos percentuais relativamente ao trimestre anterior. 

Em termos anuais, no ano de 2019, verifica-se o menor número de desempregados da actual série, desde 2011. 

A diminuição homóloga do desemprego deveu-se exclusivamente à diminuição do número de desempregados à procura do primeiro emprego, que passaram de 2 465 para 1 272 indivíduos (-48,4%), uma vez que o número de desempregados à procura de novo emprego aumentou, passando de 7 832 indivíduos para 7 856 indivíduos. 

Na análise por sexos, em termos homólogos, verifica-se uma variação em termos de peso no total do desemprego: o sexo masculino passou de 50,2% para 59,3% do total do desemprego, e o sexo feminino de 49,8% para 40,7%.

 

Menos ofertas de emprego

 

O Instituto de Emprego revela no seu boletim de Janeiro que, naquele mês, os Açores tiveram menos 9 pessoas inscritas em relação ao mês anterior e menos 712 em relação a Janeiro do ano passado.

Quanto a ofertas de emprego, em janeiro de 2020, nos Açores, registaram-se 18, quando no mês anterior tinham sido 31 e em Janeiro do ano passado 22.

Quanto a colocações no mês de Janeiro deste ano, foram 129, quando em Dezembro anterior tinham sido 79, mas em Janeiro do ano passado 154. 

No fim do mês de Janeiro de 2020, estavam registados, nos Serviços de Emprego do Continente e Regiões Autónomas, 320 558 indivíduos desempregados, número que representa 67,7% de um total de 473 404 pedidos de emprego.

O total de desempregados registados no País foi inferior ao verificado no mesmo mês de 2019 (-30 214; -8,6%) e superior ao mês anterior(+10 076; +3,2%).

 

  Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.