Não há soluções para evitar as multas em São Miguel e na Terceira

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O anúncio do Presidente da Unileite de baixar o preço do leite e de penalizar o excesso de produção fez tocar as campainhas em vários setores, sobretudo depois de se saber que a Unicol, já pelo segundo ano consecutivo, aplicou multas aos lavradores que ultrapassaram a produção.

Esta situação deixou Governo, Associações e lavradores preocupados e sem uma solução viável no curto prazo, até porque, de um modo geral, havia a sensação de que se tratava apenas de uma forma de pressão e que a medida nunca viria efectivamente a ser implementada.

Não terá grande importância, neste momento, saber quem teve mais culpa, é, certamente, mais importante pensar em soluções no futuro, tanto mais que a agropecuária, apesar do  ‘boom’ do turismo, continua a ser o setor de maior peso na economia do arquipélago, representando, juntamente com as pescas, 306 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto, sensivelmente um quarto da riqueza da Região (dados de 2016).

Todavia, é importante que nestas matérias, que resultam de resoluções da EU, não se acredite demasiado em promessas, porque, por mais razões que se coloquem em cima da mesa, há sempre vozes mais fortes. 

leite fim das quotas graficoE o facto é que, desde 1 de Abril de 2015, data em que terminou o regime das quotas, até finais de 2018, a Região registou um crescimento de cerca de 20 milhões de litros de leite, ou seja mais 3,7%, da meta indicativa e se se tiver em conta o final de 2014 o crescimento foi de cerca de 10 %. 

E por mais argumentos que se apresentassem, a indústria e os mercados falaram mais alto e as multas chegaram.

O regime de quotas teve início em Março de 1984 para evitar o excesso de produção, que já motivara protestos em Bruxelas com leite derramado nas ruas e praças, esperando-se com esta medida uma garantia do preço do leite, independentemente da procura do mercado.

Todavia, passadas duas décadas, a reforma da PAC de 2003 decidiu a abolição das quotas leiteiras, reafirmada na avaliação intercalar de 2008, “com passos concretos para permitir uma ‘aterragem suave’ até ao final de Março de 2015”. 

Ou seja a EU avisou com 12 anos de antecedência.

Entre as causas apontadas para o fim do regime esteve o embargo russo, juntamente com outras circunstâncias que mudaram no setor do leite ao longo dos anos.

 

 Políticos prometem posições fortes

 

 Desde que a medida foi anunciada, em 2003 e depois confirmada em 2008, governo, deputados e outras instâncias políticas prometeram todos os esforços para evitar o fim das quotas ou medidas de exceção que minimizassem os prejuízos, um discurso que serviu apenas para criar falsas expetativas, mas sem efeito prático, dado que as quotas acabaram mesmo.

Entretanto, da Universidade dos Açores chegavam sugestões de utilização de outras raças de vacas menos exigentes em termos de consumo, fizeram-se experiências para determinar os melhores qualidades de erva para conseguir leite com maior valor e chegaram a fazer-se contas, concluindo-se que muitas explorações já não tinham rendimento face ao uso excessivo de rações. Mas, essa mensagem nunca teve grande eco.

Ao mesmo tempo, os lavradores são incentivados a produzirem o mais possível para conseguirem um patamar elevado, uma vez que tinha ficado decidido que os direitos de produção – como ficou designado – seriam em função da quantidade produzida à data do fim das quotas.

Os agricultores chegaram a fazer investimentos e a produção começa a registar uma subida significativa, demasiado elevada para a tal aterragem suave que desde o início se pretendia e criou inclusivamente um sentimento de orgulho ao conseguiram explorações com vacas de elevada nível de produção, que era um privilégio apenas de alguns.

Mas, depois do investimento feito, não era possível, de um momento para o outro, travar a produção, aliás o crescimento serviu também para compensar a redução dos rendimentos e o aumento dos custos de produção.

Por enquanto, o impacto das multas não foi significativo. 

Na Terceira, em 2018, atingiu 240 mil euros, que poderá ter desequilibrado o orçamento de alguns lavradores, mas é insignificante no conjunto da faturação, todavia as penalizações poderão ser mais pesadas, quer na Terceira e podem ter um maior impacto no caso de S. Miguel.

Fala-se no abate de animais, mas os próprios lavradores dizem que todos os anos já fazem um abate de animais para renovação dos rebanhos e portanto não terá grande impacto. 

Também se aponta para a criação de novas unidades fabris que serão interessantes para o mercado interno e para os turistas mas terão sempre de encontrar soluções para a distribuição nos mercados, já dominado pelas grandes superfícies.

Perante a  presente situação e lendo o que se tem escrito e dito sobre o assunto, chega-se à conclusão que ninguém pensou, em tempo, num plano B e não há uma solução razoável para uma resposta tão imediata como a que se coloca. 

 

Texto e gráficos de Rafael Cota/Para Diário dos Açores

 

Açores é a região do país com menos médicos por mil habitantes

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Alentejo e Açores são as regiões do país com menos médicos por mil habitantes, segundo um estudo do INE, publicado agora a propósito do Dia Mundial da Saúde, que se assinala hoje.

Em 2017, estavam inscritos na Ordem dos Médicos 51 937 médicos, ou seja, mais 1 698 profissionais que em 2016. 

O número de médicos por mil habitantes era de 5,0, superior ao registado no ano anterior (4,9) e consideravelmente superior a 2007 (3,6).

Mais de metade dos médicos em 2017 (54,7%) eram mulheres, e 49,3% tinham idades entre 31 e 60 anos.

O número de médicos até aos 30 anos (9 831) era superior ao daqueles com 61 a 65 anos (7 393), pese embora ser este último grupo etário o que mais tem aumentado nos últimos anos.

De acordo com a repartição por local de residência, 35,0% encontravam-se na Área Metropolitana de Lisboa, e 34,1% na região do Norte. 

O indicador relativo ao número de médicos por mil habitantes era mais elevado na Área Metropolitana de Lisboa (6,4 médicos por mil habitantes) e mais baixo na região do Alentejo e na Região Autónoma dos Açores (respectivamente, com 2,9 e 3,3). 

 

Menos dentistas nos Açores

 

No mesmo ano estavam inscritos 9 716 médicos dentistas na Ordem dos Médicos Dentistas, ou seja, mais 539 que em 2016, sendo que 39,7% eram homens e 60,3% eram mulheres. 

Em média, existiam 0,9 médicos dentistas por mil habitantes em 2017 (0,9 no ano anterior e 0,5 em 2007), com valores de 1,1 na região do Norte e 1,0 na Área Metropolitana de Lisboa.

Na região do Alentejo e na Região Autónoma dos Açores, o número de médicos dentistas inscritos por cada mil habitantes era de apenas 0,5 e 0,6, respectivamente. 

 

Açores com mais enfermeiros

 

Em 2017, existiam 71 578 enfermeiros em actividade, de acordo com a Ordem dos Enfermeiros, ou seja, mais 2 092 que em 2016. 

O número de enfermeiros por mil habitantes era de 7,0, superior ao registado no ano anterior (6,7) e consideravelmente superior a 2007 (5,1). 

De acordo com a repartição por local de atividade, 32,9% dos enfermeiros encontrava-se na região do Norte, 28,1% na Área Metropolitana de Lisboa e 22,6% na região do Centro. 

O indicador relativo ao número de enfermeiros por mil habitantes era mais elevado nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores (8,7 e 8,5 enfermeiros por mil habitantes, respectivamente) e menor para os residentes na região do Algarve (6,2).

Açores têm 25% de empresas ‘zombies’

Ponta Delgada2Os Açores têm 25,4% de empresas ‘zombies’, um dos maiores problemas da economia nas regiões ou no país, sublinha o estudo “Investimento Empresarial e o Crescimento da Economia Portuguesa”, lançado pela Fundação Calouste Gulbenkian em Dezembro de 2017, revelado pelo ZAP.

Empresas ‘zombie’ são aquelas que se apresentam em estado de “mortas-vivas”, não têm condições para se levantarem da crise em que estão enterradas, não revelando viabilidade económica e existindo completamente dependentes dos créditos bancários.

Como uma bola-de-neve problemática, os Bancos continuam a alimentar linhas de crédito porque não têm interesse em reflectir nas suas contas as perdas com estas empresas.

A política de taxas de juro baixas contribui para este cenário, já que facilita o endividamento das empresas e, por outro lado, os investidores também apostam mais facilmente em sociedades que implicam mais riscos.

A Madeira tem 34,1% do total das empresas. 

Em Portugal, as empresas ‘zombies‘ têm um peso relevante na economia nacional, representando em 2015 cerca de 10% do endividamento e 14,3% do emprego no país. 

Esta análise à realidade económica nacional constatou que a incidência de empresas ‘zombies‘ se situava nos 26% em 2015 – em 2012, era de 36% do total. 

Em termos de sectores, o destaque vai para o alojamento e a restauração, com uma representação de 40%, seguindo-se o comércio (24%) e a indústria transformadora (23%). 

Outro estudo relativo ao ano de 2015, intitulado “Empresas Zombie em Portugal – Os sectores não transaccionáveis da construção e dos serviços” e efectuado pelo Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Inovação, aponta que mais de 10% das empresas portuguesas de construção e serviços não têm viabilidade económica.

Este relatório, divulgado pelo Dinheiro Vivo, destaca que estas empresas “sobrevivem à custa de crédito”, pagando “salários acima da produtividade” e não conseguindo gerar “receitas suficientes” para a sustentabilidade das operações.

Em termos de números, estas empresas ‘zombies‘ eram mais de 7500, ou seja, 10,65% do total em 2015. Em 2008, tinham-se situado nas 5100 (5,24% do total) e em 2013, eram 9500 (12,48%), conclui o ZAP.

Hotéis de São Miguel cheios para a Páscoa, Festas do Santo Cristo e Verão de 2019

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Atendendo ao ciclo de crescimento que os Açores têm vindo a registar nos últimos anos, com o fim da época baixa e o início da época alta os números mostram que a procura pelo destino Açores continua a ser uma realidade tanto por portugueses como por estrangeiros. A duas semanas da Páscoa, que se celebra a 21 de Abril, a ocupação nas unidades hoteleiras dos Açores encontram-se em níveis semelhantes aos do ano passado. A confirmação foi dada ao Diário dos Açores por Fernando Neves representante da Associação da Hotelaria de Portugal nos Açores (AHP). Conforme explicou, “mantém-se a procura do destino Açores na altura da Páscoa”, acrescentando que “esta é sempre uma altura em que há uma maior procura e tem sido uma fase que tem marcado, nos últimos anos, a viragem da época baixa para a época alta”.

Este responsável deu conta que “as ocupações hoteleiras este ano estão ao nível do ano passado, com alguma estabilização. Ou seja, não se registam aumentos nas ocupações, mas também não há quebras. A procura continua estável em relação aos anos anteriores. Importa também referir que estamos numa fase em que a ocupação, em concreto em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, é elevada, logo a capacidade de crescimento também não pode ser maior”.

Fernando Neves revela ainda que a seguir à Páscoa também já se nota uma estabilização e uma ocupação já com alguma relevância comparando com os números do ano passado, assegurando que “o mês de Maio, em São Miguel, já tem uma procura bastante elevada, em particular por causa das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Neste momento as taxas de ocupação estão praticamente completas”.

O mesmo se poderá dizer em relação ao Verão de 2019 que o representante da Associação da Hotelaria de Portugal nos Açores acredita que se irá manter nos mesmos níveis do ano passado. 

 

“Novas unidades hoteleiras

descaracterizam um pouco

o nosso destino”

 

Questionado sobre como olha para a construção de novas unidades hoteleiras na ilha de São Miguel, Fernando Neves é peremptório frisando que “uma mais-valia para o turismo dos Açores é alguma sustentabilidade e também nesta área devemos ter algum cuidado”, assegura.

A este propósito este responsável diz haver “aqui muita euforia, e creio que, numa primeira análise, não é saudável. Na minha opinião, penso que estamos a assistir a uma disputa de certas autarquias que vai para além dos interesses turísticos”.

Olhando para as características das unidades hoteleiras nos Açores, Fernando Neves explica que se tratam de pequenas unidades, como aliás manda o Plano de Ordenamento do Território que prevê que as unidades hoteleiras nos maiores centros urbanos só podem ter até 150 camas e “creio que esses novos investimentos em infra-estruturas não vêm ao encontro do que a grande maioria das pessoas gostaria que fosse o turismo nos Açores”.

Ainda assim, avança, “não acredito que estas novas unidades hoteleiras, que geralmente estão associadas a grandes grupos, venham retirar clientes às unidades já existentes. O que poderá acontecer é que estas grandes unidades hoteleiras que também já têm os seus clientes, acabem por transferir clientes já seus. Não retiram ao mercado e acabam por somar um pouco mais”, comenta.

Para Fernando Neves, “a construção destas novas unidades hoteleiras descaracteriza um pouco o nosso destino e que irá, naturalmente, ter reflexos no futuro. Estamos num ciclo de crescimento, mas é natural que cheguemos a uma altura, a prazo, em que se poderá assistir a ciclos mais baixos e nesta altura as dificuldades irão aumentar bastante”, conclui.

Por: Olivéria Santos

 

Um dos cruzeiros mais luxuosos hoje em Ponta Delgada

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As escalas de navios cruzeiros neste mês de Abril prosseguem hoje com a presença nesta cidade de um dos mais luxuosos e conceituados navios de cruzeiros da actualidade. 

De facto, o SEVEN SEAS EXPLORER, o mais recente navio de cruzeiros da luxuosa operadora norte-americana Regent Seven Seas Cruises, tem merecido rasgados elogios da comunicação social especializada, atendendo os seus elevados padrões de luxo e conforto, aonde se alia um serviço de alta qualidade, como é apanágio desta operadora.

Esta paragem em Ponta Delgada e no dia anterior na cidade da Horta estão inseridas num itinerário transatlântico, que teve início no passado dia 25 de Março, em Miami, e irá terminar em Lisboa, no dia 10, inclui ndo escalas neste arquipélago e paragens em King´s Wharf, na Bermuda, e na cidade do Funchal.

Construido nos estaleiros italianos de Fincatieri de Sestri Ponente, em Génova, foi entregue à companhia em Novembro de 2016.

Com 224 metros de comprimento, 31,1 metros de boca, um calado de 7,1 metros e 13 decks públicos, possui 54.000 toneladas de arqueação bruta, sendo a sua capacidade de alojamento em suítes, com varanda, de 750 passageiros. 

A sua tripulação é composta 552  elementos. 

Como curiosidades finais registe-se que na sua Regent Suite, localizada sobre a ponte de comando, a sua cama custou a módica quantia de 90.000 dólares.  

 

‘Jewel of the Seas’ amanhã em Ponta Delgada

 

Amanhã será a vez do terminal da Portas do Mar receber a visita do JEWEL of the SEAS, um dos navios da classe Radiance, da conhecida companhia norte-americana Royal Caribbean International. 

Esta escala em Ponta Delgada está incluída num cruzeiro transatlântico de 14 noites, que se iniciou no passado dia 29 de Março, em Miami, e que inclui igualmente escalas em Gibraltar, Alicante e Valência, antes da sua chegada  no dia 12 a Civitavecchia, em Itália.

Construido em 2004 nos estaleiros de Meyer Werft, em Papenburg, na Alemanha, este elegante navio norte americano apresenta 90.090 toneladas de arqueação bruta, 293,2 metros de comprimento, 32,2 metros de boca e um calado de 8,5 metros. 

Tem capacidade para alojar  2.100 passageiros em ocupação normal que poderão estender-se a perto de 2.500 em ocupação máxima.  

A sua tripulação é de 858 elementos.

 

Azores Cruise Club/Para Diário dos Açores