Pico e Sete Cidades entre os 10 destinos escolhidos pela Lonely Planet

LagoadasSeteCidades

A Lonely Planet, a maior editora de guias de viagem do mundo, empresa que é propriedade da BBC Worldwide, agora que o corredor com o Reino Unido está aberto, decidiu seleccionar dez maravilhas naturais que valem a pena visitar, já este ano. 

Das montanhas às praias tranquilas, do Algarve às ilhas açorianas, a conhecida editora faz uma lista elogiosa dos destinos escolhidos, cfom especial destaque para os Açores.

Eis a lista, por ordem da própria editora:

 

Praia de Porto Santo, Madeira

 

Famosa pelo areal de areia com quase 8 quilómetros preservados a praia da ilha de Porto Santo pode atrair visitantes durante todo o ano, já que os invernos são amenos.

 

Sete Cidades, Açores

 

Lagoa das Sete Cidades, São Miguel.

Difícil escolher entre tantos lugares especiais nos Açores, mas depois de uma caminhada, a chegada ao ponto onde se avistam as duas lagoas, não deixam ninguém indiferente. 

Existem vários trilhos incluindo um circuito de 12 quilómetros ao redor da caldeira que o leva até à beira de água.

 

Cabo de São Vicente, Algarve

 

Foi daqui que partiram muitos portugueses para outros mares, mas agora é a sua imponência e a beleza do mar que impressionam. 

A fortaleza, o farol e o museu são testemunho da história marítima portuguesa.

 

Fisgas de Ermelo, Norte

 

Na estrada nacional 304, entre Vila Real e Mondim de Basto as cascatas Fisgas do Ermelo valem o esforço. 

Existe um trilho circular, com principio e fim na aldeia de Ermelo, com cerca de 12 quilómetros, classificado como «difícil».

 

Grutas de Benagil, Algarve

 

A gruta com uma «janela» no tecto tornou-se numa das imagens mais famosas do Algarve. 

Só tem acesso por mar e por isso a romaria de passeios de barco é frequente. Também se pode visitar de em pranchas de SUP ou caiaques.

 

Grutas e Centro do Vulcanismo, Madeira

 

Na costa norte da ilha da Madeira, este centro impressionou a redacção da Lonely Planet. 

A sul de São Vicente, a experiência inclui uma visita guiada das grutas com mais de 900 mil anos e o Centro do Vulcanismo, que utiliza a tecnologia 3D para mostrar de forma interactiva as origens vulcânicas da ilha. Perfeito para levar as crianças.

 

Ilha de Tavira

 

Quilómetros de praia. Em época alta é muito concorrida mas o clima ameno da região permite passeios no outono ou primavera. 

Talvez a Lonely Planet queria englobar aqui as outras ilhas Ria Formosa, como a Armona e Culatra. Ou então mantemos o segredo.

 

Parque Natural da Ria Formosa

 

Um lado mais selvagem da costa algarvia. 

A paisagem até chegar à praia é marcada por salinas, zonas pantanosas, dunas e ilhas – um paraíso para quem gosta de observar pássaros, até porque é um ponto de escala nas migrações da Europa para África. 

E sim, ainda é possível passear quilómetros em praias quase desertas.

 

Pico, Açores

 

A maior montanha de Portugal, com 2351 metros de altitude parece um cone perfeito e para quem gosta de fazar trekking é um desafio para o qual vale a pena acordar bem cedo. 

A subida até ao cume leva de duas a quatro horas, dependendo da preparação física e pode ser feita com ou sem guia.

 

Ponta da Piedade, Algarve

 

A poucos quilómetros de Lagos, caracteriza-se pelas formações rochosas - muito fotografadas pelos turistas. A falésia em tons alaranjados contrasta com o azul da água. 

Um postal que não cansa.

Regulador obriga CTT a baixar preços por incumprimento de qualidade no serviço postal

CttO regulador Anacom determinou a redução de preços aos CTT, indicando que não foram cumpridos os indicadores de qualidade de serviço postal em 2019. 

Em comunicado, a Anacom indica que decidiu aplicar o mecanismo de compensação previsto na lei, que poderá ser aplicado caso não sejam cumpridos os indicadores de qualidade de serviço postal. 

Assim, este mecanismo consiste “na redução de preços que deverá beneficiar a universalidade dos utilizadores daquele serviço”, avança o regulador em comunicado. 

“A aplicação destes mecanismos de compensação destinados aos utilizadores do serviço postal universal é feita pela Anacom de acordo com a Lei Postal e as Bases da Concessão em caso de incumprimento dos objetivos de desempenho fixados, sem prejuízo das sanções aplicáveis”, lê-se no comunicado. 

O regulador indica ainda que a Lei Postal estabelece que, caso os parâmetros de qualidade do serviço não sejam cumpridos, tal “o constitui uma contraordenação muito grave, punível com coima, sem prejuízo da possibilidade de aplicação de sanções acessórias”. 

Em causa está o cumprimento dos indicados ao longo do ano passado. 

A Anacom indica que “os CTT incumpriram 23 dos 24 indicadores de qualidade do serviço (IQS) postal universal”. 

O regulador afirma que este é o quarto ano consecutivo em que os CTT não conseguem cumprir a totalidade dos indicadores de qualidade. 

“Os resultados dos IQS observados em 2019 evidenciam que cerca de 50 milhões de objetos postais não terão respeitado o padrão de qualidade de serviço em termos da respetiva velocidade de entrega (fixada em 3 dias úteis no caso do correio normal) e que cerca de 8 milhões não terão cumprido a meta de fiabilidade (fixada em 5 dias úteis no caso do correio normal)”, afirma a Anacom.

O quadro de indicadores de qualidade do serviço (IQS) compreende uma lista de critérios dividida em dois grandes temas: demoras de encaminhamento de envios postais e tempo em fila de espera nos estabelecimentos postais. 

De acordo com a Anacom, em 2019 os CTT atingiram um dos objectivos de IQS: demora de encaminhamento no correio azul CAM (D+2) (Fluxos Continente – Açores – Madeira). 

Tendo em conta as circunstâncias, a Anacom determinou “em sentido provável de decisão que a variação máxima de preços permitida para 2020, para o cabaz de serviços composto pelos serviços de correspondências, jornais e encomendas, no âmbito do serviço postal universal, é deduzida em 1 ponto percentual, e que os preços dos envios de correio normal em quantidade devem reduzir 0,31%”. 

O sentido provável de decisão do regulador, aprovado esta quinta-feira, dia 27, é submetido a audiência prévia dos CTT durante 10 dias úteis, indica a nota. Segundo a comunicação da Anacom, os CTT indicaram que os resultados de 2019 foram afectados por vários factores: além das perturbações no transporte, especialmente nas Regiões Autónomas, também são enumeradas as “perturbações laborais (plenários dos trabalhadores em junho e greve geral dos trabalhadores dos CTT de 5 de julho), por dificuldades na contratação de pessoas devido à contínua descida da taxa de desemprego, afectando em especial as épocas de verão e de Natal” e “pela diminuição da capacidade de tratamento de correio no Centro de Produção e Logística do Sul, nos 2.º, 3.º e 4.º trimestres de 2019, devido à implementação de novas máquinas de tratamento de correio no âmbito do Plano de Modernização e Investimento daquela empresa, para além de outras ocorrências de ordem operacional”.

Todos os profissionais de Saúde do HDES passam a medir temperatura e farão todos os meses teste à Covid-19

HDES

A partir da próxima Segunda-feira, 31 de Agosto, todos os profissionais de saúde do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, serão obrigados a medir a temperatura quando entrarem no hospital e farão teste à Covid-19 uma vez por mês.

A medida faz parte de um conjunto de normas do Conselho de Administração da unidade hospitalar e que, segundo soube o nosso jornal, já foram transmitidas a todas as chefias daquele hospital.

A avaliação da temperatura será feita na porta principal, porta da fisiatria, porta da pediatria e porta da farmácia, as únicas que devem ser utilizadas pelos colaboradores do HDES.

A avaliação é imediatamente comunicada aos profissionais e se a medição indicar valores acima dos 37,5 e confirmada numa segunda medição, implica o impedimento da entrada do funcionário no hospital e imediata comunicação à respectiva chefia.

Também na Segunda-feira iniciar-se-à o rastreio à SARS-CoV-2 de todos os profissionais que trabalhem no hospital de Ponta Delgada, clínicos e não clínicos.

O rastreio será quinzenal para a equipa adstrita ao Serviço de Urgência e mensal para todos os restantes profissionais.

Os resultados dos testes serão conhecidos nas 24 horas seguintes. 

Recorde-se que a tragédia ocorrida no Lar da Santa Casa da Misericórdia em Nordeste ocorreu depois de um contágio que teve origem numa utente que contraiu o vírus depois de um internamento no Hospital de Ponta Delgada. 

A Directora Clínica do Hospital do Divino Espírito Santo esclareceu, no entanto, que os contágios no Lar de Idosos do Nordeste não se deveram “a qualquer falha ou falta dos procedimentos” daquela unidade hospitalar. Maria Emília Santos garantiu na altura que a situação que se viveu no Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste “não se deve, nem deveu, a qualquer falha ou falta dos procedimentos do HDES que estavam à altura do acontecimento implementados”.

Anunciadas novas medidas para apoiar trabalhadores e empresas do sector do Turismo

Camara do comercio e Vasco Cordeiro

Foram ontem divulgadas três novas medidas de apoio ao sector turístico da Região, que têm o objectivo proteger os trabalhadores e defender as empresas da área, face aos efeitos provocados pela situação da pandemia de covid-19. O anúncio foi feito pelo presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, após uma audiência, esta quinta-feira, com a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada e a Comissão Especializada de Turismo.

“Estas novas medidas somam ao conjunto de medidas, quer regionais, quer nacionais, que já foram implementadas, e que têm dois objectivos principais: desde logo, a protecção do emprego e a protecção dos trabalhadores, mas também a defesa das empresas, que, no momento presente, enfrentam desafios acrescidos, fruto de circunstâncias que, nem as próprias empresas, nem as entidades públicas, conseguem controlar”, referiu Vasco Cordeiro, em declarações aos jornalistas no final da reunião.

Uma das medidas é a criação de um programa, com financiamento previsto de 10 milhões de euros, para apoiar os custos operacionais das empresas do sector turístico, que se traduz num apoio, não reembolsável, de 75 por cento sobre o valor das despesas elegíveis, referentes, por exemplo, a água e energia, rendas e alugueres, comunicações, seguros, vigilância e segurança. Poderão candidatar-se a este apoio empresas das áreas do alojamento e da restauração e bebidas, de aluguer de veículos de transporte (rent-a-car), agências de vigências, operadores e guias turísticos, assim como empresas de recreação e lazer e de outros serviços turísticos.  “O valor máximo por empresa é de 100 mil euros e, no caso de um grupo de empresas, o valor máximo é fixado em meio milhão de euros”, revelou o Presidente do Governo.

 Segundo o executivo, o valor elegível mensal tem como referência a média do valor relativo aos meses de Abril e Maio deste ano e são comparticipadas por estes apoios as despesas referentes ao período entre 1 Julho de 2020 e 31 de Março de 2021. A condição para ter acesso aos apoios é a manutenção do nível de emprego das empresas, “de acordo com as folhas de remuneração das empresas de janeiro e fevereiro de 2020”, apontou Vasco Cordeiro.

 A segunda medida anunciada destina-se às empresas que optaram pela retoma progressiva da sua actividade e que estão numa situação de lay-off normal. Estas  passam a dispor de um mecanismo de apoio que corresponde a um salário mínimo por cada trabalhador que for para formação. 

Já a terceira medida prende-se com um apoio às empresas “que retomaram a actividade e os respectivos trabalhadores no reforço das suas qualificações”, referiu Vasco Cordeiro. Na prática, isso traduz-se num montante de apoio de 40 por cento do salário mínimo, sendo que 25 por cento destina-se à empresa e os restantes 15 por cento ao trabalhador.

 Com esta nova medida, as “empresas que não estão em lay-off e que retomaram a sua actividade, e que têm a capacidade de afetar alguns dos seus trabalhadores a formação, têm a possibilidade de ter este apoio”, explicou o Presidente.

Empresários pedem 

mais apoios a fundo perdido

 

Para Mário Fortuna, o representante dos empresários micaelenses, “este verão vai ser um profundo inverno económico” para o sector do turismo, visto não haver ainda “retoma digna de registo”.

A câmara do comércio pede por isso ao executivo açoriano “mais apoios a fundo perdido”, de modo a “evitar que as empresas fiquem mais encharcadas em endividamento”, a redução dos custos de contexto e também um “compromisso” para “melhorar a comunicação” de promoção do destino Açores.

Num memorando enviado às redacções após a audiência, a associação empresarial, que representa empresários de São Miguel e Santa Maria, alerta para o “retrocesso gigantesco” registado neste sector no arquipélago, com a pandemia, e pede mais apoios.

“Impõe-se, no contexto actual, um conjunto de compromissos políticos e estratégicos de entre os quais se destaca: i) mais apoios a fundo perdido, quer para a manutenção de postos de trabalho, quer para a salvaguarda de outros custos fixos a que as empresas estão sujeitas; ii) valorização do sector da hospitalidade com o reconhecimento do seu contributo insubstituível para o sector exportador da economia dos Açores, com reflexos claros no emprego e na geração de riqueza; iii) redução dos custos de contexto das empresas, de entre os quais se destaca a redução de impostos agravados no tempo da Troika e nunca revertidos; iv) melhoria da comunicação oficial sobre o sector do turismo nos Açores e outros complementares como é o caso da saúde”.

 Para a Câmara do Comércio de Ponta Delgada, o turismo é “demasiado importante na economia dos Açores” e propõe medidas “que são fundamentais para o sector, com carácter imediato”. 

Uma das propostas passa pela “desoneração dos custos com pessoal e outros custos das empresas que mantiveram postos de trabalho com apoios complementares a fundo perdido em função dos empregos salvaguardados”, pois para a CCIPD, “ manter 50% dos postos de trabalho é seguramente melhor do que perder 100%”.

Propõe ainda “complementar as medidas nacionais de forma muito mais intensa do que a configuração actual, com apoios adicionais face à marginalidade dos apoios atuais, em face de uma crise que se vai agigantando cada dia que passa” e “a intensificação e generalização efectiva dos apoios à formação em todas as áreas, com particular incidência na transformação digital”.

Outra proposta dos empresários passa por “implementar uma política de redução de custos de contexto”, a começar com um pacote fiscal que “reponha os taxas de IRC e de IVA na proporção em que existiam antes da revisão da LFRA, em 2013, por imposição do memorando da Troika negociado em 2011, sem excluir, por exemplo, taxas de utilização de infraestruturas públicas, taxas de combustíveis (como a criação da gasolina azul - para os negócios de náutica de recreio), impostos sobre propriedade, etc.”.

Outra medida que a câmara do comércio considera fundamental é o “alargamento dos prazos de políticas de emprego e de políticas de inserção no mercado de trabalho como os programas de estágio”, a par dos prazos das moratórias de financiamento bancário.

A associação empresarial defende também a criação de “um verdadeiro fundo de recapitalização das empresas, qualquer que seja a forma que possa assumir, privilegiando a gestão isenta de tais fundos”.

No memorando, a CCIPD recorda que o sector foi “severamente afectado” quando se encontrava “no pico de um processo virtuoso de investimentos, com um bloqueio quase total da chegada de clientes”. “Março teve uma procura já reduzida a metade, Abril Maio e Junho tiveram uma procura praticamente nula, Julho, a julgar pelas estatísticas dos passageiros, terá uma redução superior a 75%, e Agosto não será muito diferente. O próximo inverno já está à porta sem que se tivesse assistido a um processo de retoma digno de registo”, alertam os empresários.

Segundo lamentam, o desconfinamento “não trouxe até agora nem trará até ao próximo verão qualquer alívio às actividades do turismo”.

 

Críticas ao ‘modus operandi’ 

da Saúde e à falta de hospitalidade

 

Para toda a situação negativa em que se encontra o sector, a associação realça que contribuem vários factores exógenos, mas também factores internos, dando o exemplo da política de comunicação regional “que tem contribuído para afastar os turistas”.  

“Sem necessidade, o ‘modus operandi’ da saúde está a prejudicar a economia regional e a sua capacidade para manter postos de trabalho. Os episódios das touradas da Terceira ou do Rali de S. Miguel não ajudam nada”, consideram ainda os empresários, para quem a situação “é muito preocupante”. Uma situação que se alia ainda a uma “falta de uma verdadeira política de hospitalidade, não apenas por afastar potenciais visitantes no imediato, mas também pela imagem que perdurará da Região como destino turístico a evitar, com consequências muito nefastas no futuro”, aponta a organização empresarial.

 

Falta de compreensão das 

entidades regionais e nacionais

 

No memorando enviado às redacções, os empresários de São Miguel e Santa Maria lamentam que a realidade da situação do sector não esteja a ser compreendida pelas entidades públicas nacionais, “como se vê pelo fim do lay-off simplificado”, ou pelas entidades públicas regionais, “que assentaram a sua estratégia no complemento das medidas nacionais, mas que não têm suprido minimamente as insuficiências para a dimensão brutal da quebra da atividade do sector até agora, numa tendência que se perspectiva irá continuar”. Os empresários frisam, neste sentido, que “o turismo não se sente devidamente acompanhado” pelos poderes públicos da Região. “É em situações de grandes dificuldades como a actual, que mais se exige um apoio e presença próxima das entidades governamentais. O turismo na Região encontra-se em pior situação que o nacional levando a que as medidas eventualmente suficientes a nível nacional já não o são para o caso dos Açores”, lê-se no comunicado. 

 

“Divórcio das autoridades face

aos 20.000 empregos do sector”

 

A CCIPD exige que “as entidades governamentais regionais, de forma urgente e inadiável, assumam a responsabilidade de criar instrumentos de curto prazo mais eficazes, que respondam aos desafios que o sector enfrenta, para que as empresas possam sobreviver e preservar, o mais possível, a capacidade do sector e os seus recursos humanos. Não o fazer reeditará o fenómeno que, na última crise, levou à perda de 12 mil postos de trabalho só na construção civil”. A organização vai ainda mais longe e considera que, sendo um sector exportador, é “inaceitável que na Agenda para o Relançamento Social e Económico, o turismo seja considerado um ponto fraco quando este foi exactamente o sector impulsionador da economia dos Açores dos últimos anos e a base de diversificação da economia dos Açores que, há muito, se pretendia, depois do colapso do setor da construção”. 

Para os empresários, esta análise revela “um divórcio das autoridades face aos 20.000 empregos deste sector e às muitas centenas de empresas que o compõem”.

 

Pescadores já perderam quase 3 milhões de euros

pescaAté ao mês de Julho deste ano a pesca nos Açores rendeu 16,8 milhões de euros, quando no mesmo período do ano passado tinham sido 19,5 milhões de euros.

Os meses de Março e Abril, período forte do confinamento , foram os piores para os rendimentos dos pescadores, que conseguiram, nos dois meses, atingir um valor de cerca de 3 milhões de euros na pesca descarregada, quando nos mesmos dois meses do ano passado tinham sido 5,6 milhões de euros.

Maio, Junho e Julho registam pequenas recuperações em relação ao ano anterior, com o mês de Julho a atingir os 4,2 milhões de euros, mais cerca de 200 mil euros do que em Julho do ano passado.

S. Miguel continua a registar o maior volume de rendimentos, atingindo entre Janeiro e Julho deste ano 9,1 milhões de euros, mesmo assim menos do que os 9,4 milhões do ano passado.

A segunda ilha é a Terceira, com 2,8 milhões de euros, mas também em queda.

Pico e Faial, que registavam mais de 1 milhão de euros no ano passado, também estão em queda.

 

“Imperador” é rei e senhor nos preços

 

O “Imperador” é a espécie mais cara dos inúmeros demersais que se pescam nos Açores, atingindo os 23,88 euros o quilo em Julho deste ano, menos 20% do que em igual período do ano anterior.

A seguir ao “Imperador” a espécie mais cara é o goraz, que em Julho atingiu os 18,86 euros o quilo, uma quebra homóloga de 3,2%.

O rocaz é outro dos demersais cujo preço atingiu os 15,65 euros, menos 5,4% do que em igual período do ano anterior.

 

A espécie mais cara dos crustáceos

 

A espécie mais cara está nos crustáceos, com a lagosta a atingir os 25,25 euros o quilo em Julho, também com uma queda de 5,1% em relação ao ano passado.

Estes preços são obtidos pelo SREA, que faz uma média do preço de todo o pescado a 12 meses, cifrando-se em Julho nos 3,47 euros, menos 26% do que há 12 meses.

 

Veja e chicharro são os peixes mais capturados

 

A “Veja” é a espécie mais capturada de todos os demersais, atingindo os 58 mil quilos em Julho deste ano, um aumento de 14% em relação ao ano passado.

Seguem-se o peixão (36 mil quilos, mais 8,6% do que no ano anterior), o goraz com quase 30 mil quilos (menos 3%) e o boca-negra, com 20 mil quilos (menos 36%).

Nos pelágicos é o chicharro a espécie mais capturada, com cerca de 55 mil quilos em Julho deste ano, menos 14% do que no ano passado.

Mas a espécie rainha das capturas são os atuns, que em Julho deste ano atingiram os 710 mil quilos, mais 37% do que no ano anterior.

Nos moluscos é a lula a mais capturada, com 56 mil quilos (menos 14%) e a lapa, com 10 mil quilos (mais 59%).

Até Julho deste ano já tinham sido descarregados nos portos açorianos 4.352.999 quilos de peixe, mais do que os 3.534.601 quilos descarregados no ano passado.