Deputados açorianos do PSD votam contra projectos da eutanásia e do PS a favor

Assembleia-da-República

O “Diário dos Açores” pediu ontem aos deputados eleitos pelos Açores na Assembleia da República que nos revelassem, por escrito, a sua posição sobre os projectos relativos à eutanásia que se encontram para discussão e votação naquele parlamento durante o dia de hoje. Seguem-se os respectivos depoimentos, sendo que os 3 deputados do PS decidiram fazer um depoimento em conjunto.

 

Lara Martinho, João Castro e Isabel Rodrigues votam a favor

 

“Estão em apreciação, na Assembleia da República, com votação na generalidade prevista para o dia 20 de fevereiro, vários projetos de lei que visam regular as condições especiais para a prática da eutanásia não punível.

A despenalização da eutanásia é um tema difícil, de grande complexidade e sensível. 

Ninguém discute que viver é um direito e que proteger a vida é um dever do Estado, incluindo, necessariamente, através da melhoria constante da cobertura e qualidade dos cuidados paliativos. Sem prescindir da nossa firme convicção na defesa da vida e do valor universal vida, temos igualmente bem presente que cada indivíduo deve ser livre e responsável pelas suas escolhas, desde que se encontre em condições de as fazer de forma livre, consciente e informada. 

Hoje, a antecipação da morte de alguém, ainda que sofra de forma extrema e insuportável e não deseje continuar a viver, é crime. Mas, um doente com um sofrimento atroz, cruel, insuportável, permanente e em fase terminal de vida, deve ser obrigado a viver, contra a sua vontade? Teremos nós o direito de impedir que seja ajudado alguém que, perante um diagnóstico irreversível, com um sofrimento incomensurável, faça um pedido de forma livre, consciente, informada, esclarecida, reiterada e isenta de dúvidas para que lhe abreviem a morte? 

A regulação das condições especiais para a prática da eutanásia não punível permite que cada pessoa, que se encontre nas condições estritas previstas na lei, assuma a opção que entender sobre os últimos momentos da sua vida. 

Realizada esta reflexão, decidimos votar a favor considerando, ainda, que a iniciativa do PS salvaguarda um conjunto de premissas fundamentais, a saber, que a prática da eutanásia só não será punível em circunstâncias excecionalíssimas, de sofrimento duradouro e insuportável, com lesões definitivas ou doenças incuráveis e fatais mediante um pedido realizado de forma livre, consciente, informada, esclarecida, reiterada e isenta de dúvidas, sucessiva e cumulativamente avaliada por médicos e com o aval de uma Comissão de Verificação e Avaliação do Procedimento Clínico de Antecipação da Morte (composta por dois juristas, um médico, um enfermeiro e um especialista em bioética) bem como da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde.

O Projeto de lei do PS assegura, como não poderia deixar de ser, o direito de objeção de consciência aos profissionais e garante que se, durante este processo, o doente ficar inconsciente, o procedimento é imediatamente travado – e só recomeçará caso o doente recupere a consciência e mantenha a sua escolha.

A regulação da prática da eutanásia não punível resulta de uma ponderação de direitos e valores constitucionais como a vida humana, dignidade da pessoa humana e   a autonomia individual. 

O que votaremos dia 20 de fevereiro é se concordamos ou não que se punam profissionais de saúde que apoiem pessoas que pediram, reiteradamente, para encurtar a sua vida em condições muito circunscritas.

O projeto do Partido Socialista sobre a morte medicamente assistida é um projeto que respeita todos os direitos constitucionalmente consagrados, prevendo que a morte assistida seja feita com todas as avaliações médicas e técnicas, e que uma decisão desta natureza possa ser feita respeitando a total autonomia e liberdade daqueles que tomam essa decisão”.

 

António Ventura vota contra

 

“Voto contra os Projetos de Lei que permitem a Eutanásia em Portugal.

E porquê:

Porque na Constituição Portuguesa pode ler-se que “a vida é inviolável”, artigo 24º, nº1.

Porque em Portugal estamos longe de oferecer os cuidados paliativos necessários e adequados a quem precisa, especialmente aos mais pobres e isolados. Aliás, só 25% da população tem acesso a estes cuidados de saúde. Em alternativa esta Assembleia permitia a solução mais fácil e mais barata, mas não é humano. 

Porque seria um desrespeito por todos que sofreram ou sofrem dramaticamente, deixar cair o investimento em cuidados de saúde e na investigação médico-científica. 

Porque possibilitar a “morte provocada” na Lei é a demissão do Estado e a capitulação de todos nós. O que fazemos aqui, nesta Assembleia, se não é para ter como fim único melhorar e suportar a vida das pessoas.

Porque a vida humana não pode ser considerada um objeto que outros possam dispor arbitrariamente. A supressão da vida é um processo irreversível. Não se volta a viver é única e irrepetível.

Porque a humanidade tem um acordo de princípio existencial de não se matarem uns aos outros, mesmo que seja a pedido.

Porque muitas vezes quando alguém pede a morte, isto resulta de uma consciência momentânea que pode ser ultrapassada ou provém de estados depressivos que podem ser tratados. Ou seja, nunca é absolutamente seguro que se respeita a vontade de forma fidedigna de uma pessoa que pede a eutanásia.

Porque muitas vezes quem pede a morte é um grito de socorro, advém da falta de proximidade afetiva por se considerar um peso para os outros. Em Portugal ainda há muito a fazer na prestação de serviços aos nossos idosos e no apoio às famílias.

Porque reconheço que a vida tem dignidade em qualquer situação e por isso merece proteção. Quero enquanto Legislador ajudar a viver e não ajudar a matar.

Porque depois a eutanásia “ganhava asas”, sim, já estou a ver a esquerda a reivindicar mais eutanásia. Rapidamente passaria de doença terminal, a doença crónica, à deficiência, a crianças e a qualquer momento da vida, a chamada “rampa deslizante”. Com o perigo de Portugal ser um país envelhecido. Veja-se o exemplo de alguns países. É imperioso não abrir esta porta.

Porque isto não é modernismo, como alguns querem fazer querer. Estar no tempo atual é encontrar soluções para o sofrimento através da medicina.

Porque a legalização da eutanásia é um passo atrás, bem atrás, onde a humanidade já a tinha abolido, como aboliu a escravatura, o infanticídio ou a tortura. É um retrocesso civilizacional.

Porque esta alegada autonomia que se apregoa para cada um em morrer, é permitir que o Estado diga que o valor da vida humana é variável e relativo. A vida é um bem indisponível e vivemos em comunidade.

Porque o chamado “direito à morte”, não é digno, simplesmente por ser provocado.

Porque a sociedade organizada tem dado parecer negativo aos Projetos de Lei em apreço, o Conselho de Ética para as Ciência da Vida, a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Enfermeiros. Então onde estão os dizem que devemos legislar também em consonância com a sociedade?

Finalmente, porque sou católico, sim sou católico sem medos sem receios. Esta condição influencia a minha consciência e até agora não me arrependi de o ser. Mas pode-se dizer que um estado laico, deve ter outros fundamentos, sim é verdade, porém a sociedade não é e eu não vim de Marte e Portugal é o pais de Fátima”.

 

Paulo Moniz vota contra

 

Esta discussão é demasiado importante e complexa para ser tratada em cima de um joelho ou com algum resquício de leviandade. 

É a maior das discussões morais, de principio individual e de consciência de cada indivíduo. 

Uma discussão desta natureza requer o comprometimento de toda a sociedade portuguesa, não devendo, a meu ver, estar confinada às paredes do parlamento em que só alguns, ainda que representantes eleitos pelo povo, decidem conforme maiorias partidárias e governativas. 

Este assunto não deve ser transformado numa discussão política entre partes com ideologias diferentes. 

Primeiro, o parlamento é também a grande casa de cumprimento da Constituição da República Portuguesa, que diz que a vida humana é inviolável, depois os panoramas de excecionalidades são imensos num assunto desta natureza, por último e admitindo que possa ser aprovado, embora um direito adquirido não passe a ser uma obrigação, o rigor da sua aplicação pode ser subjetivo conforme o caso ou o meio onde se realiza. 

Esta não pode ser uma matéria tratada com pressa e impulsividade. 

No entanto, sendo posta à votação no parlamento e em uso da minha liberdade de consciência e pelos motivos que referi, além de tantos outros, e por não ver assegurados tanto princípios individuais como de meios, votarei contra a despenalização da eutanásia em Portugal, no parlamento e, neste momento em que o nosso país se encontra, também contra a realização de um referendo. 

Contudo, se a insistência se mantiver, então que seja dada a voz aos à sociedade portuguesa e que não sejam nunca apenas os deputados na Assembleia da República a decidir a maior das questões individuais”.

 

Açorianas propõem na ONU a consagração da Felicidade como um Direito Humano

Graça Castanho - projecto felicidade dos povos

“Felicidade dos Povos – Um Direito Humano” é como se intitula o projecto que será apresentado esta Quinta-feira, 20 de Fevereiro, nas Nações Unidas, em Nova Iorque, pelas mãos das professoras Graça Castanho, da Universidade dos Açores, e Lourdes Serpa, da Lesley University, acompanhadas de um grupo de alunas de mestrado da Universidade dos Açores e representantes das comunidades falantes do Português nos Estados Unidos da América. 

 

A proposta que levam à ONU pretende, além de consagrar a Felicidade como um Direito Humano, alertar a população e os decisores políticos “para a necessidade de uma mudança de paradigma o mais depressa possível”. Isto mesmo explica ao Diário dos Açores Graça Castanho, coordenadora e responsável científica do projecto, que afirma que a “Felicidade é uma questão política”.

 

Diário dos Açores - Apresentaesta Quinta-feira, em Nova Iorque, o projecto “Felicidade dos Povos” nas Nações Unidas, que pretende ver consagrada a Felicidade como um Direito Humano. Fale-nos um pouco desta iniciativa.

Graça Castanho - A proposta de integração do Direito à Felicidade dos Povos na Declaração dos Direitos Humanos resulta de um projecto que pretende envolver instituições pelo mundo fora, movida pelo ensejo de ver consagrado o acesso ao Direito à Felicidade no leque das obrigações dos governos e de outros decisores políticos. Foi apresentada publicamente na Celebração dos 70 anos da Declaração dos Direitos Humanos, que organizamos em Ponta Delgada em Dezembro de 2018. Encontro-me, neste momento, a ultimar uma viagem histórica. Estou a partir para os EUA, com as alunas de Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1º Ciclo, da Universidade dos Açores, precisamente para, esta Quinta-feira, apresentarmos a nossa proposta na ONU com muito orgulho e grande expectativa porque se trata de algo inédito, inovador e de grande relevância para toda a humanidade. No acto da entrega, teremos connosco a professora Lourdes Serpa, da Lesley University, parceira do nosso projecto, e representantes da nossa comunidade de língua portuguesa. 

Esta entrega é um gesto simbólico na esperança de que esta organização possa vir a aprovar este valor inalienável na Declaração Universal. Este gesto constitui também uma forma de alertar as pessoas em geral e os governantes, em particular, para a necessidade de uma mudança de paradigma o mais depressa possível. 

A Felicidade é uma questão política, na medida em que depende da classe política, cuja acção devia centrar-se no bem-estar e na qualidade de vida dos povos. Aliás, o Índice de Felicidade Interna Bruta é, hoje em dia, o diapasão para avaliar o nível do Desenvolvimento dos Povos e dos países e a qualidade da actuação dos Governantes. A Felicidade, neste sentido, começa a ser mais importante do que o PIB que traduz a riqueza, mas nada nos diz sobre a distribuição dessa riqueza e nada nos diz se a mesma se traduz em mais bem estar para as populações.

 

E qual a importância de se promover a Felicidade como um Direito Humano?

GC - A Felicidade é uma dimensão da vida humana vista como um direito desde os Clássicos. Foi retomada, no século XVIII, pelos pensadores iluministas que defendiam a felicidade e o desenvolvimento como pilares das sociedades. Na 1ª Constituição dos EUA, Jefferson defendeu que os cidadãos têm o direito a procurar a felicidade. A verdade é que, hoje em dia, o direito à felicidade está contemplado nas constituições de várias nações e é um dos parâmetros de análise do desenvolvimento humano, alvo de Relatório Mundial da Felicidade, elaborado pela ONU. O Índice de Felicidade dos países é calculado com base em parâmetros distintos, tais como: rendimento, liberdade, confiança, expectativa de vida, generosidade e apoio social. Este passo gigantesco na história da Humanidade está intimamente relacionado com os resultados dos estudos realizados no âmbito da Ciência da Felicidade (The Science of Happiness). As largas centenas de estudos e investigações realizadas pelo mundo fora mostram que o acesso à felicidade não é universal e que há caminhos, práticas, processos, dinâmicas que conduzem à Felicidade, nomeadamente Coaching, Mindfulness, Yoga do Riso, Yoga, Meditação, Relaxamento, Exercício Físico, Musicoterapia, Reiki, Arteterapia, etc. Ora, o Direito à Felicidade, hoje em dia, segundo os cientistas da área, exige uma tomada de consciência das possibilidades que facilitam a Felicidade e o exercício de práticas que a garantam.

 

E quem deverá promover condições para promover a felicidade dos povos?

GC - As pessoas felizes são pessoas comprovadamente mais saudáveis, com mais qualidade de vida, com uma consciência maior de si e dos Outros, com um respeito significativo pelos direitos, valores e preservação da Natureza e uma capacidade de viver melhor com menos bens materiais, libertas da pressão do consumismo e da obsessão pelo trabalho e pela riqueza. Cabe, por isso, aos Governos e outros decisores políticos criar condições para que as sociedades modernas tenham, por direito, consagrado na Constituição dos seus países, mecanismos que garantam o acesso à Felicidade. É importantíssimo oferecer às diferentes faixas etárias, nos mais diversos contextos, práticas conducentes à Felicidade. 

 

Mas que mecanismos são estes? O que podem fazer, exactamente, as autoridades para promover a Felicidade?

GC - Em primeiro lugar, o Direito à Felicidade dos Povos deve estar consagrado na Declaração dos Direitos Humanos. Em segundo, o Direito à Felicidade deve estar consignado nas Constituições das nações do mundo não como um princípio filosófico,   mas como algo passível de ser atingido pelos seres humanos através de ferramentas que os governos têm de assumir como sendo importantíssimas para a saúde das populações, bem-estar colectivo e qualidade de vida. Sabendo nós que nem todos os seres humanos possuem competências ao nível da busca da felicidade, está na hora de os países darem a conhecer a investigação que demonstra que a felicidade se procura e se estabelece com práticas holísticas de empoderamento intrínseco das populações. 

Está na hora de os governos criarem Departamentos, Secretarias ou até Ministérios, como acontece já em alguns países, com a missão de coordenar e promover mais Felicidade junto das populações e de garantir que os cidadãos têm acesso a práticas que conduzem à felicidade. Os governantes precisam de perceber e valorizar o que já está a acontecer no mundo, em que milhões de pessoas praticam com regularidade meditação, yoga do riso, outros tipos de yoga, relaxamento, terapias holísticas, dança, desporto à procura de espaços e tempos de paz, tranquilidade interior, espiritualidade que conduzem à eficiência na acção e contribuem para a preservação do meio ambiente e para a paz no mundo. Está na hora de os governos proporcionarem estas práticas às populações como forma de virem a poupar milhões nas áreas da saúde, do crime, do sucesso escolar, do envelhecimento, da preservação do meio ambiente e da paz no mundo. A OMS já fez saber que o número de doentes mentais pelo mundo fora está a crescer exponencialmente. Mais advogam que a doença mental não é tratada com comprimidos, mas sim com dinâmicas sociais e políticas que garantam o bem-estar, a segurança e o cumprimento dos Direitos Humanos. Está na hora de os Governos, ao invés de apenas comparticiparem no pagamento de medicamentos, começarem a oferecer práticas que conduzem à Felicidade. 

 

Nos dias de hoje, falar de Felicidade já não é o mesmo que há décadas atrás. Como evoluiu o conceito ao longo dos anos?

GC - O conceito de Felicidade tem vindo a sofrer grandes mudanças nas últimas décadas. Tempos houve em que ser feliz passava pelo casamento, pelos filhos, pela obtenção de casa e terras. Passamos depois a encarar a felicidade como algo possível de atingir caso tivéssemos uma fonte de rendimento estável e bens materiais que espelhassem publicamente essa riqueza e bem-estar. Hoje em dia, apesar do paradigma da Felicidade, continuar a assentar no dinheiro, no trabalho e nos bens materiais, começa-se a delinear um conjunto de novas formas de viver conducentes à Felicidade. As pessoas já começaram a perceber que existem outras vias de concretização dos nossos sonhos e do nosso destino. Hoje há muita gente que vive em perfeito respeito e união com o mundo natural, enveredando por práticas que visam diminuir o consumismo e a pegada ecológica. Já se percebeu que não são os países mais ricos aqueles que se situam nos primeiros lugares no índice de felicidade, mas sim os que promovem politicas de bem estar coletivo. Hoje em dia, a Felicidade está a ser alvo de estudo nas mais diversas ciências: Psicologia, Educação, Filosofia, Gestão, Direito, Mundo Laboral, Medicina, Economia, etc. Tal acontece porque as práticas de Felicidade têm benefícios em todas as áreas de intervenção humana.   

 

Como se identifica uma pessoa feliz?

GC - As pessoas felizes são as que vivem em harmonia consigo próprias, com os Outros e com o mundo que as rodeia. São pessoas que praticam o bem, têm compaixão e perdoam. Respeitam a natureza e fazem uma gestão harmoniosa dos tempos que dedicam a si próprias, às suas famílias, aos seus amigos e à comunidade em que estão inseridas. São pessoas alegres que buscam experiências significativas, amigas do ambiente, promotoras da paz no mundo e tranquilidade nas suas vidas ao invés da ganância, da sede de poder e do acumular de bens materiais.

 

Somos todos capazes de ser felizes?

GC - Os cientistas têm vindo a alertar para o facto que nem toda a gente tem as ferramentas para ser feliz, apesar da felicidade estar disponível. Há pessoas que a alcançam com pouco. Há outras que, tendo tudo, nunca a vivenciam. Porém, tal situação não é uma fatalidade. A Ciência da Felicidade é clara: quem não consegue pelos seus próprios meios deve apostar em práticas que conduzem à felicidade. Este é um investimento que vale a pena porque contribui para a realização pessoal, menos doenças físicas e mentais e mais produtividade em contexto laboral. Estas ferramentas devem ser oferecidas de forma transversal e intergeracional, nomeadamente em escolas, contextos laborais, lares de idosos, no seio familiar, estabelecimentos prisionais, hospitais, etc. As práticas conducentes à Felicidade têm outra vantagem: colocam as pessoas em interacção umas com as outras, condição sine qua non para o bem-estar e a alegria. Para ser feliz as pessoas têm de manter-se ativas, apostar numa boa alimentação e no exercício físico. Acreditar, ter fé, desenvolver a espiritualidade ou praticar uma religião de forma pacífica, conviver com os amigos, manter os laços familiares, são factores igualmente importantes, à luz da ciência da Felicidade. 

 

Enquanto professora universitária, vai continuar a trabalhar na luta pela Felicidade enquanto um Direito?

GC - Com os recursos que tenho à mão pretendo ajudar na desmitificação do conceito e das práticas que conduzem à felicidade e trabalhar para que os profissionais que intervêm nas áreas holísticas e alternativas tenham formação académica garantida pelas Universidades, as verdadeiras instituições detentoras de saber científico e não por instituições cujo ensino não está reconhecido. Acredito que, se as Universidades tivessem a coragem de assumir esta responsabilidade, sem tabus e falsas crenças, abraçando uma postura de maior abertura e aceitação, e se os governos propiciassem o devido apoio no acesso a caminhos de crescimento pessoal e bem-estar, a Felicidade individual e colectiva seria uma realidade com benefícios incomensuráveis nos destinos da Humanidade e do mundo em que vivemos. 

 

(Foto: Direitos Reservados)

Pastelaria “Bolos do Vale” vai apostar na expansão para responder à forte procura por bolos lêvedos

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Abria em 2013, na Rua Dr. Hugo Moreira, em Ponta Delgada, a pastelaria Bolos do Vale, pelas mãos de José Francisco Machado. Com a receita antiga da tia, o empresário decidiu levar a produção do bolo lêvedo, típico das Furnas, para a cidade mais movimentada da ilha de São Miguel, fugindo assim à sazonalidade que afecta a freguesia de onde é natural. Uma aposta ganha, segundo garante ao nosso jornal o proprietário, tendo em conta o crescimento registado na produção. O actual espaço tornou-se pequeno para a elevada procura pelos seus bolos lêvedos, pelo que o próximo passo será a expansão. José Francisco Machado já decidiu que irá reformar-se e deixa agora os filhos, Nelson e Alberto Machado, a orientar a empresa.

 

Diário dos Açores – O que o levou a abrir a Pastelaria Bolos do Vale? Como surgiu a ideia?

José Francisco Machado – Tudo surgiu por volta de 2008 e, em 2010, vim para Ponta Delgada procurar um espaço até que encontrei o actual espaço, na Rua Dr. Hugo Moreira. Mas não o abri logo. Estive cerca de dois anos com isto fechado, sempre com a ideia de vir aqui abrir a pastelaria. Sou das Furnas e tinha um amigo que me incentivava muito e dizia que tinha de abrir algo em Ponta Delgada. Foi assim que comecei a pensar realmente nisso. A minha experiência profissional era na área da hotelaria. Cresci, praticamente, dentro de um hotel e lá fazia de tudo. Trabalhava em várias secções e fui desde ‘groom’ a empregado de mesa. Isso fez-me aprender muito. Além disso, tinha uma tia que, há muitos anos, fazia bolos lêvedos. Por volta dos anos 70, ela veio para Ponta Delgada fazer bolos lêvedos e fê-lo durante seis ou sete anos, mas acabou por ir viver para França com toda a família. Nunca perdemos o contacto e foi a quem recorri para aprender a fazer bolos lêvedos. Fui ter com ela a França aprender a receita que ela já fazia desde os anos 50. Abri então a pastelaria em 2013, tendo como principal produção estes bolos lêvedos, ao que depois se acrescentou a produção de outros doces típicos da nossa terra, como as malassadas, o arroz doce, biscoitos, também fazemos fofas da Povoação, entre muitas outras coisas.

 

E é o senhor quem faz ainda os bolos lêvedos?

JFM – A minha mulher está responsável por todos os outros doces e a minha função é preparar os bolos lêvedos. É esta a minha função. Já estou também a ensinar ao meu filho para que possa dar continuidade à produção dos bolos e com o negócio. 

 

Mas porquê abrir a Bolos do Vale em Ponta Delgada e não nas Furnas, de onde este produto é típico?

JFM – Eu já tive outros negócios nas Furnas e o trabalho é muito sazonal. Imaginemos que, com a pastelaria aberta nas Furnas, eu tinha sob minha responsabilidade os 12 funcionários que actualmente tenho. Durante seis meses, eu sustentá-los-ia, mas nos restantes meses do ano já não teria possibilidade para isso. Teríamos de vir distribuir bolos para outras partes da ilha, mas a logística seria mais complicada. Para lhe dar um exemplo, o meu filho, actualmente, percorre cerca de 60 quilómetros por dia só em distribuição em Ponta Delgada, vindo várias vezes por dia à pastelaria. Ora, se a pastelaria estivesse localizada nas Furnas, perderia muito mais tempo, além do custo ser maior. Isso aliado ao facto de a sazonalidade ser um problema grande nas Furnas, apesar de ter melhorado um pouco com o turismo. Aqui, em Ponta Delgada, estes problemas já não se colocam. Temos, talvez, 10 meses do ano fortes e dois mais fracos. 

 

O que tem de especial a receita dos bolos lêvedos da sua tia?

JFM – A receita é simples. É um pão de leite. Leva leite, farinha, ovos, açúcar, manteiga. Depois, claro, que tem um toque especial e isso não posso revelar. 

 

Como tem corrido a actividade da pastelaria, desde 2013 até ao momento?

JFM – Na altura, criámos uma casa para quatro pessoas, com um espaço pequeno, mas actualmente já somos 12 pessoas a trabalhar aqui. Isso significa que a actividade cresceu muito. O nosso produto está sempre vendido e não podemos fazer publicidade, caso contrário não conseguiremos dar resposta à procura. 

 

Quem são os vossos principais clientes?

JFM – Nós temos aqui a pastelaria, mas fazemos muita distribuição. Temos clientes por toda a cidade de Ponta Delgada e alguns na Lagoa. A nossa aposta é feita, principalmente na restauração e hotelaria, além do comércio tradicional. Não colocamos o nosso produto nas grandes superfícies e isto porquê? Primeiro, porque não temos capacidade, e segundo, porque não queremos. Não queremos ter os nossos produtos nas grandes superfícies porque lá o produto não é tratado da mesma forma. Também mandamos encomendas para Portugal continental, nomeadamente para o Porto e para Lisboa. Trabalhamos sempre sob a forma de encomendas e não aumentamos a produção porque não temos capacidade. Quando chega o verão a procura ainda é maior. 

 

Estamos a falar de uma produção de quantos bolos por dia?

JFM – É difícil quantificar. Podem ser cerca de 2 mil como 3 mil bolos lêvedos por dia. Nunca sabemos, pois as encomendas variam muito. 

 

Como se desenvolve todo o processo de produção?

JFM – O meu dia começa a partir das 4 horas da tarde. É quando começo a preparar a massa que vai levedar para o dia seguinte. Como o próprio nome indica, o bolo lêvedo é um pão que tem de levedar. E faz duas leveduras. A primeira dura cerca de 10 horas e é por esta levedura tão longa que ele se torna tão saboroso. Não se pode fazer um bolo com levedura curta, pois leva manteiga e ovos e, se levar muito fermento, vai fazer mal. Portanto, pouco fermento e longas leveduras, o segredo é este. É um produto sem conservantes, nem melhorantes, ou seja, exactamente como se fazia antigamente. Deixo às 4 horas a massa feita a levedar, depois entra uma pessoa ao serviço à meia-noite e mexe na massa, faz as bolinhas, que ficam a levedar novamente. À uma da manhã entram mais trabalhadores, depois, às 5 horas entram outros, e novamente às 6 da manhã. A equipa está organizada desta forma, de modo a que, pelas 6h30 da manhã, os bolos já estejam distribuídos pelos hotéis. Todos os dias os hotéis têm bolos bem fresquinhos. Começámos a fornecer a hotelaria logo no início da pastelaria. Recebi uma proposta da empresa Bensaude e, desde então, tenho servido os hotéis do grupo. Foi muito bom para o negócio. 

 

Sente, então, que foi uma aposta ganha vir para Ponta Delgada abrir a pastelaria?

JFM – Sem dúvida. Mas agora precisamos de melhorar. Talvez de separar a parte da produção da pastelaria. O espaço  tornou-se muito pequeno, para toda a produção que sai daqui. 

 

Pretendem investir num espaço maior?

JFM – Sim, porque está tudo a crescer na ilha e temos de nos preparar para ter capacidade de produzir mais. Não queremos dar o passo maior do que a perna, mas queremos crescer. A hotelaria está a crescer e haverá alturas do ano em que a oferta de produtos não chegará para todos. Portanto, vamos tentar expandir, sem exagerar. Queremos fazer uma fábrica com características regionais, que nos dê garantias de um bom futuro. 

 

Para além dos bolos lêvedos, o que procuram mais os vossos clientes?

JFM – Estamos agora na época das malassadas e todas as manhãs tem sido uma loucura! Muita gente vem cá buscá-las. O melhor é fazerem encomenda pelo menos no dia antes, pois arriscam-se a cá chegar e já não ter nada. É muito bom sinal para nós. Depois fazemos queijadas de leite, de feijão, bolos, biscoitos… entre outros doces. Aliás, tentamos fazer sempre mais quantidade do que é encomendado. Faço os possíveis para que todos os dias sobrem doces, pois temos sempre um fim para eles. Além de o projecto Zero Desperdício vir recolher o que não foi vendido naquele dia, também os funcionários podem levar. Temos que tratar bem os nossos funcionários. Tento fazer que se sintam em família e dar-lhes valor, para que também dêem valor à empresa onde trabalham, caso contrário as coisas não funcionam. 

 

Na sua opinião, qual é a chave para o sucesso da empresa?

JFM – Muita persistência. Trabalhar dia após dia, sempre com o foco no presente. Há também que haver muito rigor no que se faz. Isso é muito importante. Fazer tudo com o máximo rigor e organização até ao dia em que pensámos “ok, já posso deixar o ‘volante’ ser conduzido por outra pessoa”. É isso que tenho feito. É preciso saber entrar no negócio, mas também saber quando sair.

 

Vai reformar-se?

JFM – Sim, já decidi que vou reformar-me. Passei para a rectaguarda, deixando os meus filhos, Nelson e Alberto, à frente da Bolos do Vale. Não vou sair definitivamente, vou estar sempre por aqui, mas agora a gerência é deles. 

 

O que o futuro reserva para a Bolos do Vale? São boas as expectativas?

JFM – Sim, muito boas. Como já disse, precisamos de um espaço maior. Uma fábrica para aumentar a produção e também um espaço para servir um pequeno-almoço com o nosso bolo lêvedo, oferecendo, por exemplo, bolo lêvedo torrado, da sertã, com queijo, com fiambre, com ovo, etc. Podemos servi-los de tantas formas… Gostava realmente de criar algo com este conceito em Ponta Delgada. Penso que ia atrair os turistas. Aliás, no espaço actual já recebemos para tomar pequeno-almoço alguns turistas, que estão instalados em hotéis aqui perto, e gostam bastante, porque têm oportunidade de comer bolos lêvedos frescos logo pela manhã.

 

Sente-se orgulhoso pelo facto de os seus filhos continuarem o negócio?

JFM - Fico muito satisfeito e realizado. Consegui juntá-los numa empresa que, graças a deus, tem muito futuro e vai dar ainda muitos frutos.

 

“Desde a liberalização, já transportámos cerca de 2 milhões de passageiros”

susana brito ryanairSusana Brito acaba de ser nomeada responsável pela Comunicação e Relações Públicas da Ryanair para Portugal e Espanha, depois de ter trabalhado durante vários anos em departamentos de Marketing e Comunicação em start-ups e multinacionais como a Estée Lauder ou Telefónica, desenvolvendo o seu trabalho para os mercados espanhol e português. Susana Brito irá agora dirigir as actividades de relações públicas e comunicação da companhia aérea em Espanha e Portugal, dois mercados-chave para a Ryanair. A profissional “trará uma grande riqueza de conhecimentos para esta posição”, acredita Chiara Ravara, Head of International Communications da Ryanair, apontando a “sua vasta experiência profissional”. “Os nossos parceiros em Espanha e Portugal estarão, a partir de agora, em contacto com a Susana à medida que implementamos várias melhorias na nossa política ambiental e de serviço ao cliente. Tudo isto enquanto baixámos as nossas tarifas, expandimos a nossa rede de rotas e impulsionámos o turismo em toda a Europa”, refere a mesma responsável. Susana Brito concedeu uma entrevista ao “Diário dos Açores”, num pré-balanço destes cinco anos em que a Ryanair opera neste arquipélago.

 

Daqui a poucas semanas assinalam-se os cinco anos da liberalização aérea nos Açores e consequente início da operação da Ryanair em Ponta Delgada. É possível fazer um balanço do que tem sido esta operação ao longo destes anos?

O balanço é muito positivo. A Ryanair iniciou as operações em Ponta Delgada em 2015, desde então, já transportou cerca de 2 milhões de passageiros. Além da base de Ponta Delgada, a Ryanair opera no aeroporto da Terceira, Lajes, desde 2016.  

 A Ryanair tem desempenhado um papel determinante no desenvolvimento do turismo dos Açores,  na conectividade da região e na criação de postos de trabalho, aproximando milhares de turistas nacionais e internacionais e dando visibilidade a este paraíso no meio do oceano Atlântico. 

Na Ryanair esperamos fechar o ano fiscal (Abril 2019 – Março 2020) com 410.000 passageiros transportados em Ponta Delgada e 105.000 no aeroporto das Lajes. 

 

A Ryanair tem feito publicidade do destino Açores nas suas páginas, incluindo, como há relativamente pouco tempo, outras ilhas onde não opera, como é o caso do Pico. A Ryanair pondera voar para mais alguma ilha, sem ser apenas S. Miguel e Terceira?

Portugal é um mercado-chave para a Ryanair.

Actualmente possuímos 20% de ‘market share’, e continuaremos empenhados em aumentar a nossa posição no país.  

Neste sentido, não descartamos a possibilidade de operar em mais aeroportos portugueses no futuro. 

 

Enquanto destino turístico, quais as reacções que a Ryanair tem sentido dos seus passageiros relativamente aos Açores?

 As reacções são fantásticas. O arquipélago dos Açores é sinónimo de beleza, e muitos dos clientes da Ryanair optam por conhecer várias ilhas durante a sua viagem, desfrutando de todas as maravilhas deste destino mágico e de tudo aquilo que a região tem para oferecer.

É um destino com uma extraordinária diversidade natural e de oferta de actividades para todos os gostos, idades ou ocasiões, que cativa e surpreende tanto os clientes que viajam desde o continente como os turistas internacionais. 

Recentemente anunciámos o Top 10 de destinos a visitar em 2020, e Ponta Delgada foi eleita o melhor destino europeu para visitar em 2020, entre os mais de 240 destinos europeus da Ryanair, demonstrando uma vez mais todo o potencial da região. 

 

A Ryanair fez questão de criar uma base em Ponta Delgada. Isso implica quantos postos de trabalho até agora?

A base da Ryanair em Ponta Delgada implica cerca de 30 empregos directos e mais de 300 postos de trabalho indirectos. 

 

A Ryanair recebe alguma compensação financeira do Governo dos Açores para voar para este destino?

A Ryanair não recebe compensações financeiras. 

Negociamos acordos comerciais com aeroportos e instituições, e estes acordos cumprem integralmente com as regras da concorrência.

 

A Ryanair pondera aumentar o número de voos para os Açores a partir do continente e outros destinos ou não há mercado para mais?

No próximo Verão, a Ryanair vai operar 4 rotas desde a base de Ponta Delgada, conectando a ilha com Lisboa, Porto, Londres Stansted e Frankfurt-Hann.  

Nas Lajes, o nosso mapa de rotas contará com um total de 3 destinos, e introduzimos Londres Stansted como a novidade da temporada. 

A nova rota vai estar disponível desde 1 de Abril com uma frequência semanal e reforçará a conectividade com o Reino Unido, um dos mercados estratégicos do turismo dos Açores. 

Por outro lado, devido aos atrasos na entrega do Boeing 737 Max fomos forçados a reduzir algumas bases menos rentáveis e/ou reduzir rotas na nossa rede europeia, pelo que o crescimento do grupo  será mais moderado em 2020. 

O 737 Max é uma aeronave fantástica que, sem dúvida, desempenhará um papel fundamental num momento em que todas as companhias aéreas procuram operar com modelos mais eficientes.  

Este novo modelo oferece 4% mais de lugares e é 16% mais eficiente no consumo de combustível. 

A nova frota permitirá ao Grupo Ryanair reduzir ainda mais as tarifas e aumentar o tráfego total para 200 milhões de passageiros até ao exercício fiscal de 2025. 

 

A easyJet ameaça sair da Madeira por causa das novas condições do subsídio de mobilidade. Estando o mesmo subsídio para os Açores à espera de ser alterado, teme que haja também condições que possam afectar no futuro a presença da Ryanair nesta região?

É uma matéria que a Ryanair deverá analisar no devido tempo. 

 

 

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“Duvido que haja vontade para mudar o modelo de transportes marítimos”

Mario Fortuna novaaaO modelo de transportes marítimos de carga nos Açores voltou à ordem do dia no parlamento regional. O Governo Regional anunciou que vai encomendar um Plano de Transportes 2021-2030 e toda a oposição queixou-se de que o actual modelo está obsoleto. O PS admite estudar o modelo, mas diz que não abdica do preço igual praticado para todas as ilhas e no número de toques dos navios de cabotagem. Os empresários açorianos, que mais se queixam, há longos anos, deste modelo, vêem com reticências alguma mudança, conforme resulta da entrevista que fizemos ontem ao Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, e que transcrevemos a seguir.

 

No debate esta semana no parlamento regional ficou claro que há receptividade para se estudar a alteração ao actual modelo de transportes marítimos que as Câmaras de Comércio há muito vêm reivindicando. Acha que ainda vamos a tempo nesta legislatura?

A pergunta pressupõe que há mesmo receptividade para se proceder a uma alteração do modelo. 

Duvido desta vontade, com a legitimidade de quem já assistiu, muitas vezes, a esta discussão, sempre com o mesmo desfecho. 

Nada aconteceu e o bloqueio à mudança foi sempre total.

Quanto à possibilidade de uma alteração ser ainda conseguida nesta legislatura, duvido muito. 

Esta Assembleia não tem evidenciado capacidade de agir com celeridade e oportunidade mesmo em questões essenciais para a Região. 

Não tem vontade própria nem capacidade técnica para o efeito. 

O Governo em si não terá vontade.

Tem-se perdido muito tempo a actuar sobre o óbvio e urgente para o bem das pessoas. 

A demora na liberalização do espaço aéreo para S. Miguel e Terceira foi um expoente deste fenómeno. 

A abordagem do transporte marítimo está a ser outro.

 

No debate parlamentar o governo anunciou que está em fase de contratação da elaboração de um Plano de Transportes para os Açores 2021-2030. Perdeu-se tempo até agora?

Muito! E arriscamo-nos a perder ainda mais se o processo for contaminado por um caderno de encargos que cinja os resultados possíveis, como acontece demasiadas vezes. 

Desconhecemos os termos de referência para a elaboração do trabalho que, evidentemente, não produzirá resultados úteis nesta legislatura. 

Na próxima já se verá o que poderá acontecer. 

Acho que no que resta desta legislatura só se deveria fazer o diagnóstico da situação porque decisões são mesmo na próxima.

O Plano pode bem ser para dar forma a uma estratégia que continue com os pressupostos, errados, que têm enformado o modelo até aqui.

 

O que é que espera deste Plano?

Como referi, sem se conhecer o caderno de encargos não podemos antever o que poderá acontecer. 

Neste momento diria que tudo e nada é possível dada a ignorância em que estamos mergulhados quanto aos propósitos do Governo para o futuro. 

Só conhecemos o que está anunciado - a aquisição por 48 milhões de euros de um “ferry” que não dará para meia missa e vai-nos custar, todos os anos, os olhos da cara para operar.

 

Os armadores parecem não estar muito receptivos a alterações. Receia que, com novo modelo, possam afastar-se destes serviços?

A inabilidade dos políticos teria de ser monstruosa para que tal acontecesse. 

Uma abordagem inteligente nunca poderia perturbar a continuidade dos negócios actuais. 

Só os tornaria mais eficientes, para todos os “stakeholders”. 

As empresas regionais e os açorianos também são, claramente partes interessadas. 

Não têm sido equacionados devidamente estes interesses.

 

Governo e PS dizem que não se pode pôr em causa o preço igual para todas as ilhas e os números de toques. Alguma vez isto esteve em causa?

Nunca tal situação esteve em causa. Sempre afirmamos este princípio, que é, aliás, o que está vertido no modelo de acessibilidades aéreas, que defendemos. 

É curioso que o Governo Regional faça finca-pé deste princípio nos transportes aéreos, como existem agora, com o erário público a suportar os custos adicionais e não queira aceitar o mesmo princípio para os transportes marítimos. 

E não colhe a afirmação de que o Governo pretende que este modelo tenha custo zero para o orçamento público. 

O Governo já gasta cerca de 10 milhões de euros anuais na subsidiação do transporte de passageiros e carga inter-ilhas através das operações da Atlânticoline, sendo que o grosso deste valor é para as passeatas de verão de alguns açorianos da classe média, porque nem para o turismo serve. 

Deixa-se de fora todos os outros açorianos que não beneficiam em nada desta política. 

A compra de um “ferry” é também prova de que o erário público não deixa de mobilizar recursos, e muitos, para o transporte marítimo. 

Parece que há uma aversão à carga que, afinal, é do interesse de todos os açorianos que o sentem no custo dos produtos que compram e na falta de competitividade dos produtos que depois precisam exportar. 

 

As Câmaras de Comércio já tinham feito alguns estudos e sugestões de alteração para novo modelo. Vão apresentar novamente as mesmas propostas?

O diagnóstico geral já está mais do que feito. 

Os episódios recentes com atrasos e falhas sistémicas nas Flores e Corvo são evidência de que alguma coisa tem de ser alterada porque este modelo é caro, exige infraestruturas desmesuradamente caras, tem muitas falhas e acaba por servir mal os utentes. 

A perspectiva das Câmaras de Comércio continua a parecer-nos correcta e, por isso, manteremos as nossas propostas genéricas estando preparados para avançar para aspectos mais concretos se necessário, desde que devidamente informados.

 

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