“Desde a liberalização, já transportámos cerca de 2 milhões de passageiros”

susana brito ryanairSusana Brito acaba de ser nomeada responsável pela Comunicação e Relações Públicas da Ryanair para Portugal e Espanha, depois de ter trabalhado durante vários anos em departamentos de Marketing e Comunicação em start-ups e multinacionais como a Estée Lauder ou Telefónica, desenvolvendo o seu trabalho para os mercados espanhol e português. Susana Brito irá agora dirigir as actividades de relações públicas e comunicação da companhia aérea em Espanha e Portugal, dois mercados-chave para a Ryanair. A profissional “trará uma grande riqueza de conhecimentos para esta posição”, acredita Chiara Ravara, Head of International Communications da Ryanair, apontando a “sua vasta experiência profissional”. “Os nossos parceiros em Espanha e Portugal estarão, a partir de agora, em contacto com a Susana à medida que implementamos várias melhorias na nossa política ambiental e de serviço ao cliente. Tudo isto enquanto baixámos as nossas tarifas, expandimos a nossa rede de rotas e impulsionámos o turismo em toda a Europa”, refere a mesma responsável. Susana Brito concedeu uma entrevista ao “Diário dos Açores”, num pré-balanço destes cinco anos em que a Ryanair opera neste arquipélago.

 

Daqui a poucas semanas assinalam-se os cinco anos da liberalização aérea nos Açores e consequente início da operação da Ryanair em Ponta Delgada. É possível fazer um balanço do que tem sido esta operação ao longo destes anos?

O balanço é muito positivo. A Ryanair iniciou as operações em Ponta Delgada em 2015, desde então, já transportou cerca de 2 milhões de passageiros. Além da base de Ponta Delgada, a Ryanair opera no aeroporto da Terceira, Lajes, desde 2016.  

 A Ryanair tem desempenhado um papel determinante no desenvolvimento do turismo dos Açores,  na conectividade da região e na criação de postos de trabalho, aproximando milhares de turistas nacionais e internacionais e dando visibilidade a este paraíso no meio do oceano Atlântico. 

Na Ryanair esperamos fechar o ano fiscal (Abril 2019 – Março 2020) com 410.000 passageiros transportados em Ponta Delgada e 105.000 no aeroporto das Lajes. 

 

A Ryanair tem feito publicidade do destino Açores nas suas páginas, incluindo, como há relativamente pouco tempo, outras ilhas onde não opera, como é o caso do Pico. A Ryanair pondera voar para mais alguma ilha, sem ser apenas S. Miguel e Terceira?

Portugal é um mercado-chave para a Ryanair.

Actualmente possuímos 20% de ‘market share’, e continuaremos empenhados em aumentar a nossa posição no país.  

Neste sentido, não descartamos a possibilidade de operar em mais aeroportos portugueses no futuro. 

 

Enquanto destino turístico, quais as reacções que a Ryanair tem sentido dos seus passageiros relativamente aos Açores?

 As reacções são fantásticas. O arquipélago dos Açores é sinónimo de beleza, e muitos dos clientes da Ryanair optam por conhecer várias ilhas durante a sua viagem, desfrutando de todas as maravilhas deste destino mágico e de tudo aquilo que a região tem para oferecer.

É um destino com uma extraordinária diversidade natural e de oferta de actividades para todos os gostos, idades ou ocasiões, que cativa e surpreende tanto os clientes que viajam desde o continente como os turistas internacionais. 

Recentemente anunciámos o Top 10 de destinos a visitar em 2020, e Ponta Delgada foi eleita o melhor destino europeu para visitar em 2020, entre os mais de 240 destinos europeus da Ryanair, demonstrando uma vez mais todo o potencial da região. 

 

A Ryanair fez questão de criar uma base em Ponta Delgada. Isso implica quantos postos de trabalho até agora?

A base da Ryanair em Ponta Delgada implica cerca de 30 empregos directos e mais de 300 postos de trabalho indirectos. 

 

A Ryanair recebe alguma compensação financeira do Governo dos Açores para voar para este destino?

A Ryanair não recebe compensações financeiras. 

Negociamos acordos comerciais com aeroportos e instituições, e estes acordos cumprem integralmente com as regras da concorrência.

 

A Ryanair pondera aumentar o número de voos para os Açores a partir do continente e outros destinos ou não há mercado para mais?

No próximo Verão, a Ryanair vai operar 4 rotas desde a base de Ponta Delgada, conectando a ilha com Lisboa, Porto, Londres Stansted e Frankfurt-Hann.  

Nas Lajes, o nosso mapa de rotas contará com um total de 3 destinos, e introduzimos Londres Stansted como a novidade da temporada. 

A nova rota vai estar disponível desde 1 de Abril com uma frequência semanal e reforçará a conectividade com o Reino Unido, um dos mercados estratégicos do turismo dos Açores. 

Por outro lado, devido aos atrasos na entrega do Boeing 737 Max fomos forçados a reduzir algumas bases menos rentáveis e/ou reduzir rotas na nossa rede europeia, pelo que o crescimento do grupo  será mais moderado em 2020. 

O 737 Max é uma aeronave fantástica que, sem dúvida, desempenhará um papel fundamental num momento em que todas as companhias aéreas procuram operar com modelos mais eficientes.  

Este novo modelo oferece 4% mais de lugares e é 16% mais eficiente no consumo de combustível. 

A nova frota permitirá ao Grupo Ryanair reduzir ainda mais as tarifas e aumentar o tráfego total para 200 milhões de passageiros até ao exercício fiscal de 2025. 

 

A easyJet ameaça sair da Madeira por causa das novas condições do subsídio de mobilidade. Estando o mesmo subsídio para os Açores à espera de ser alterado, teme que haja também condições que possam afectar no futuro a presença da Ryanair nesta região?

É uma matéria que a Ryanair deverá analisar no devido tempo. 

 

 

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Pastelaria “Bolos do Vale” vai apostar na expansão para responder à forte procura por bolos lêvedos

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Abria em 2013, na Rua Dr. Hugo Moreira, em Ponta Delgada, a pastelaria Bolos do Vale, pelas mãos de José Francisco Machado. Com a receita antiga da tia, o empresário decidiu levar a produção do bolo lêvedo, típico das Furnas, para a cidade mais movimentada da ilha de São Miguel, fugindo assim à sazonalidade que afecta a freguesia de onde é natural. Uma aposta ganha, segundo garante ao nosso jornal o proprietário, tendo em conta o crescimento registado na produção. O actual espaço tornou-se pequeno para a elevada procura pelos seus bolos lêvedos, pelo que o próximo passo será a expansão. José Francisco Machado já decidiu que irá reformar-se e deixa agora os filhos, Nelson e Alberto Machado, a orientar a empresa.

 

Diário dos Açores – O que o levou a abrir a Pastelaria Bolos do Vale? Como surgiu a ideia?

José Francisco Machado – Tudo surgiu por volta de 2008 e, em 2010, vim para Ponta Delgada procurar um espaço até que encontrei o actual espaço, na Rua Dr. Hugo Moreira. Mas não o abri logo. Estive cerca de dois anos com isto fechado, sempre com a ideia de vir aqui abrir a pastelaria. Sou das Furnas e tinha um amigo que me incentivava muito e dizia que tinha de abrir algo em Ponta Delgada. Foi assim que comecei a pensar realmente nisso. A minha experiência profissional era na área da hotelaria. Cresci, praticamente, dentro de um hotel e lá fazia de tudo. Trabalhava em várias secções e fui desde ‘groom’ a empregado de mesa. Isso fez-me aprender muito. Além disso, tinha uma tia que, há muitos anos, fazia bolos lêvedos. Por volta dos anos 70, ela veio para Ponta Delgada fazer bolos lêvedos e fê-lo durante seis ou sete anos, mas acabou por ir viver para França com toda a família. Nunca perdemos o contacto e foi a quem recorri para aprender a fazer bolos lêvedos. Fui ter com ela a França aprender a receita que ela já fazia desde os anos 50. Abri então a pastelaria em 2013, tendo como principal produção estes bolos lêvedos, ao que depois se acrescentou a produção de outros doces típicos da nossa terra, como as malassadas, o arroz doce, biscoitos, também fazemos fofas da Povoação, entre muitas outras coisas.

 

E é o senhor quem faz ainda os bolos lêvedos?

JFM – A minha mulher está responsável por todos os outros doces e a minha função é preparar os bolos lêvedos. É esta a minha função. Já estou também a ensinar ao meu filho para que possa dar continuidade à produção dos bolos e com o negócio. 

 

Mas porquê abrir a Bolos do Vale em Ponta Delgada e não nas Furnas, de onde este produto é típico?

JFM – Eu já tive outros negócios nas Furnas e o trabalho é muito sazonal. Imaginemos que, com a pastelaria aberta nas Furnas, eu tinha sob minha responsabilidade os 12 funcionários que actualmente tenho. Durante seis meses, eu sustentá-los-ia, mas nos restantes meses do ano já não teria possibilidade para isso. Teríamos de vir distribuir bolos para outras partes da ilha, mas a logística seria mais complicada. Para lhe dar um exemplo, o meu filho, actualmente, percorre cerca de 60 quilómetros por dia só em distribuição em Ponta Delgada, vindo várias vezes por dia à pastelaria. Ora, se a pastelaria estivesse localizada nas Furnas, perderia muito mais tempo, além do custo ser maior. Isso aliado ao facto de a sazonalidade ser um problema grande nas Furnas, apesar de ter melhorado um pouco com o turismo. Aqui, em Ponta Delgada, estes problemas já não se colocam. Temos, talvez, 10 meses do ano fortes e dois mais fracos. 

 

O que tem de especial a receita dos bolos lêvedos da sua tia?

JFM – A receita é simples. É um pão de leite. Leva leite, farinha, ovos, açúcar, manteiga. Depois, claro, que tem um toque especial e isso não posso revelar. 

 

Como tem corrido a actividade da pastelaria, desde 2013 até ao momento?

JFM – Na altura, criámos uma casa para quatro pessoas, com um espaço pequeno, mas actualmente já somos 12 pessoas a trabalhar aqui. Isso significa que a actividade cresceu muito. O nosso produto está sempre vendido e não podemos fazer publicidade, caso contrário não conseguiremos dar resposta à procura. 

 

Quem são os vossos principais clientes?

JFM – Nós temos aqui a pastelaria, mas fazemos muita distribuição. Temos clientes por toda a cidade de Ponta Delgada e alguns na Lagoa. A nossa aposta é feita, principalmente na restauração e hotelaria, além do comércio tradicional. Não colocamos o nosso produto nas grandes superfícies e isto porquê? Primeiro, porque não temos capacidade, e segundo, porque não queremos. Não queremos ter os nossos produtos nas grandes superfícies porque lá o produto não é tratado da mesma forma. Também mandamos encomendas para Portugal continental, nomeadamente para o Porto e para Lisboa. Trabalhamos sempre sob a forma de encomendas e não aumentamos a produção porque não temos capacidade. Quando chega o verão a procura ainda é maior. 

 

Estamos a falar de uma produção de quantos bolos por dia?

JFM – É difícil quantificar. Podem ser cerca de 2 mil como 3 mil bolos lêvedos por dia. Nunca sabemos, pois as encomendas variam muito. 

 

Como se desenvolve todo o processo de produção?

JFM – O meu dia começa a partir das 4 horas da tarde. É quando começo a preparar a massa que vai levedar para o dia seguinte. Como o próprio nome indica, o bolo lêvedo é um pão que tem de levedar. E faz duas leveduras. A primeira dura cerca de 10 horas e é por esta levedura tão longa que ele se torna tão saboroso. Não se pode fazer um bolo com levedura curta, pois leva manteiga e ovos e, se levar muito fermento, vai fazer mal. Portanto, pouco fermento e longas leveduras, o segredo é este. É um produto sem conservantes, nem melhorantes, ou seja, exactamente como se fazia antigamente. Deixo às 4 horas a massa feita a levedar, depois entra uma pessoa ao serviço à meia-noite e mexe na massa, faz as bolinhas, que ficam a levedar novamente. À uma da manhã entram mais trabalhadores, depois, às 5 horas entram outros, e novamente às 6 da manhã. A equipa está organizada desta forma, de modo a que, pelas 6h30 da manhã, os bolos já estejam distribuídos pelos hotéis. Todos os dias os hotéis têm bolos bem fresquinhos. Começámos a fornecer a hotelaria logo no início da pastelaria. Recebi uma proposta da empresa Bensaude e, desde então, tenho servido os hotéis do grupo. Foi muito bom para o negócio. 

 

Sente, então, que foi uma aposta ganha vir para Ponta Delgada abrir a pastelaria?

JFM – Sem dúvida. Mas agora precisamos de melhorar. Talvez de separar a parte da produção da pastelaria. O espaço  tornou-se muito pequeno, para toda a produção que sai daqui. 

 

Pretendem investir num espaço maior?

JFM – Sim, porque está tudo a crescer na ilha e temos de nos preparar para ter capacidade de produzir mais. Não queremos dar o passo maior do que a perna, mas queremos crescer. A hotelaria está a crescer e haverá alturas do ano em que a oferta de produtos não chegará para todos. Portanto, vamos tentar expandir, sem exagerar. Queremos fazer uma fábrica com características regionais, que nos dê garantias de um bom futuro. 

 

Para além dos bolos lêvedos, o que procuram mais os vossos clientes?

JFM – Estamos agora na época das malassadas e todas as manhãs tem sido uma loucura! Muita gente vem cá buscá-las. O melhor é fazerem encomenda pelo menos no dia antes, pois arriscam-se a cá chegar e já não ter nada. É muito bom sinal para nós. Depois fazemos queijadas de leite, de feijão, bolos, biscoitos… entre outros doces. Aliás, tentamos fazer sempre mais quantidade do que é encomendado. Faço os possíveis para que todos os dias sobrem doces, pois temos sempre um fim para eles. Além de o projecto Zero Desperdício vir recolher o que não foi vendido naquele dia, também os funcionários podem levar. Temos que tratar bem os nossos funcionários. Tento fazer que se sintam em família e dar-lhes valor, para que também dêem valor à empresa onde trabalham, caso contrário as coisas não funcionam. 

 

Na sua opinião, qual é a chave para o sucesso da empresa?

JFM – Muita persistência. Trabalhar dia após dia, sempre com o foco no presente. Há também que haver muito rigor no que se faz. Isso é muito importante. Fazer tudo com o máximo rigor e organização até ao dia em que pensámos “ok, já posso deixar o ‘volante’ ser conduzido por outra pessoa”. É isso que tenho feito. É preciso saber entrar no negócio, mas também saber quando sair.

 

Vai reformar-se?

JFM – Sim, já decidi que vou reformar-me. Passei para a rectaguarda, deixando os meus filhos, Nelson e Alberto, à frente da Bolos do Vale. Não vou sair definitivamente, vou estar sempre por aqui, mas agora a gerência é deles. 

 

O que o futuro reserva para a Bolos do Vale? São boas as expectativas?

JFM – Sim, muito boas. Como já disse, precisamos de um espaço maior. Uma fábrica para aumentar a produção e também um espaço para servir um pequeno-almoço com o nosso bolo lêvedo, oferecendo, por exemplo, bolo lêvedo torrado, da sertã, com queijo, com fiambre, com ovo, etc. Podemos servi-los de tantas formas… Gostava realmente de criar algo com este conceito em Ponta Delgada. Penso que ia atrair os turistas. Aliás, no espaço actual já recebemos para tomar pequeno-almoço alguns turistas, que estão instalados em hotéis aqui perto, e gostam bastante, porque têm oportunidade de comer bolos lêvedos frescos logo pela manhã.

 

Sente-se orgulhoso pelo facto de os seus filhos continuarem o negócio?

JFM - Fico muito satisfeito e realizado. Consegui juntá-los numa empresa que, graças a deus, tem muito futuro e vai dar ainda muitos frutos.

 

Probabilidade de coronavírus em São Miguel é de 80%

pessoas em Ponta Delgada1A probabilidade do Coronavírus (Covid-19) afectar os Açores é, neste momento, de 37%, sendo que a Região tem apenas 1% de hipóteses de conter a doença se surgirem vários casos.

As contas foram feitas por Félix Rodrigues, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores (UAç) e por Cidália Frias e Rosa Carvalhal, da Escola Superior de Saúde da UAç, num estudo publicado pelo jornal terceirense “Diário Insular”.

Os coronavírus constituem uma grande família de vírus. Este novo vírus, que surgiu na China, recebeu o nome científico de Covid-19.

A probabilidade de chegada à Região foi calculada com base nos dados da Organização Mundial de Saúde, por país onde a infecção já está presente, à data de seis deste mês.

O mapa prevê, em cada fase, onde podem haver falhas e permite perceber onde deve ser colocado o “grande esforço” nos Açores.

“Não há espaços circunscritos nos estabelecimentos hospitalares para isolar pelo menos algumas dezenas de infectados, nem creio que existam equipas preparadas”, frisa ao Diário Insular Félix Rodrigues.

No caso de surgirem pessoas infectadas na Região, a Terceira estará sempre 100% implicada na gestão, dado ser o Hospital de Santo Espírito que conta com um quarto de pressão negativa (totalmente isolado).

Contudo, de acordo com os investigadores, a eficácia desse quarto para controlar a propagação da doença é de apenas 1%, dado a sua capacidade limitada.

“Têm de haver outras soluções que não apenas o quarto de pressão negativa. Daí que a probabilidade é elevada de se tornar epidémico, quando a gestão se centra num só quarto”, alerta Félix Rodrigues.

A probabilidade de necessidade de gestão de casos de infecção é de 80% para São Miguel, de 30% para Faial e Pico e de 20% para as restantes ilhas.

O vírus poderá ser impedido de atingir a Região apenas se estiver a ser assegurado um controlo eficaz, em primeiro lugar, da epidemia na China, mas também dos passageiros vindos dos Estados Unidos e Canadá, dos voos de Lisboa e do Porto rumo aos Açores e ainda das ligações directas de países europeus para o arquipélago. 

Em resumo: Os voos que aterrem na Região terão de ser controlados. 

Havendo um caso, este terá de ser contido.

“Isto é muito difícil de cumprir a 100%, daí que a probabilidade de o vírus chegar cá não é negligenciável”, sublinha Félix Rodrigues.

 

E se o Coronavírus se tornar uma realidade por cá? Pode ser controlado ou tornar-se epidémico. A probabilidade de se tornar epidémico é de 50%.

Num cenário de epidemia, várias medidas políticas podem ter de ser tomadas, entre estas o isolamento das populações, cuja eficácia será de apenas 30%. 

Em causa estaria encerrar transportes entre ilhas.

A articulação entre autoridades de saúde e entidades públicas será também essencial, aponta a “árvore de falhas” construída pelos professores da UAç.

O vírus é novo e ainda não existe vacina disponível.

Como explica Félix Rodrigues ao Diário Insular, na China a epidemia estará a atingir o pico, parecendo “relativamente controlada”. 

Entretanto, a nível internacional, “tem-se assistido a um descontrolo”.

Os Açores foram notícia recentemente no que diz respeito ao coronavírus Covid-19.

No início do mês, um jacto privado com 11 passageiros a bordo, incluindo alguns de nacionalidade chinesa, esteve dois dias no aeroporto de Ponta Delgada.

Os passageiros da viagem que teve início a 25 de janeiro, em Hong Kong, foram autorizados a desembarcar e ficaram alojados numa unidade hoteleira de Ponta Delgada.

Os ocupantes do jacto de luxo privado terão sido impedidos de desembarcar na Islândia depois de uma segunda etapa da viagem com partida de Tóquio, devido às medidas de segurança para travar a propagação do novo coronavírus, que teve origem em Wuhan.

O avião seguiu com destino à República Dominicana para reabastecer depois de ter sido recusada a aterragem nas Bahamas. 

A viagem prosseguiu para o Haiti, onde foi dada autorização para a aterragem da aeronave mas nenhum passageiro saiu do avião.

Em Ponta Delgada, os passageiros terão circulado sem qualquer restrição.

Do ponto de vista de Félix Rodrigues, o caso “demonstra que a probabilidade de termos a infecção nos Açores não é nula”.

O co-autor do estudo aponta que os impactos económicos e sociais de uma epidemia nos Açores serão “muito elevados”.

“As pessoas infectadas não poderão ir trabalhar, terão de ficar isoladas mais de uma semana e outras coisas dessa natureza”, exemplifica.

A visibilidade da Região também é afectada, sublinha, “porque revela dificuldades em lidar com problemas de Saúde”. 

É estimado um impacto elevado em termos de turismo.

As consequências a nível familiar serão “médias, porque a mortalidade associada é mais baixa do que se esperava” e podem esperar-se efeitos psicológicos, como o pânico entre a população.

 

“Duvido que haja vontade para mudar o modelo de transportes marítimos”

Mario Fortuna novaaaO modelo de transportes marítimos de carga nos Açores voltou à ordem do dia no parlamento regional. O Governo Regional anunciou que vai encomendar um Plano de Transportes 2021-2030 e toda a oposição queixou-se de que o actual modelo está obsoleto. O PS admite estudar o modelo, mas diz que não abdica do preço igual praticado para todas as ilhas e no número de toques dos navios de cabotagem. Os empresários açorianos, que mais se queixam, há longos anos, deste modelo, vêem com reticências alguma mudança, conforme resulta da entrevista que fizemos ontem ao Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, e que transcrevemos a seguir.

 

No debate esta semana no parlamento regional ficou claro que há receptividade para se estudar a alteração ao actual modelo de transportes marítimos que as Câmaras de Comércio há muito vêm reivindicando. Acha que ainda vamos a tempo nesta legislatura?

A pergunta pressupõe que há mesmo receptividade para se proceder a uma alteração do modelo. 

Duvido desta vontade, com a legitimidade de quem já assistiu, muitas vezes, a esta discussão, sempre com o mesmo desfecho. 

Nada aconteceu e o bloqueio à mudança foi sempre total.

Quanto à possibilidade de uma alteração ser ainda conseguida nesta legislatura, duvido muito. 

Esta Assembleia não tem evidenciado capacidade de agir com celeridade e oportunidade mesmo em questões essenciais para a Região. 

Não tem vontade própria nem capacidade técnica para o efeito. 

O Governo em si não terá vontade.

Tem-se perdido muito tempo a actuar sobre o óbvio e urgente para o bem das pessoas. 

A demora na liberalização do espaço aéreo para S. Miguel e Terceira foi um expoente deste fenómeno. 

A abordagem do transporte marítimo está a ser outro.

 

No debate parlamentar o governo anunciou que está em fase de contratação da elaboração de um Plano de Transportes para os Açores 2021-2030. Perdeu-se tempo até agora?

Muito! E arriscamo-nos a perder ainda mais se o processo for contaminado por um caderno de encargos que cinja os resultados possíveis, como acontece demasiadas vezes. 

Desconhecemos os termos de referência para a elaboração do trabalho que, evidentemente, não produzirá resultados úteis nesta legislatura. 

Na próxima já se verá o que poderá acontecer. 

Acho que no que resta desta legislatura só se deveria fazer o diagnóstico da situação porque decisões são mesmo na próxima.

O Plano pode bem ser para dar forma a uma estratégia que continue com os pressupostos, errados, que têm enformado o modelo até aqui.

 

O que é que espera deste Plano?

Como referi, sem se conhecer o caderno de encargos não podemos antever o que poderá acontecer. 

Neste momento diria que tudo e nada é possível dada a ignorância em que estamos mergulhados quanto aos propósitos do Governo para o futuro. 

Só conhecemos o que está anunciado - a aquisição por 48 milhões de euros de um “ferry” que não dará para meia missa e vai-nos custar, todos os anos, os olhos da cara para operar.

 

Os armadores parecem não estar muito receptivos a alterações. Receia que, com novo modelo, possam afastar-se destes serviços?

A inabilidade dos políticos teria de ser monstruosa para que tal acontecesse. 

Uma abordagem inteligente nunca poderia perturbar a continuidade dos negócios actuais. 

Só os tornaria mais eficientes, para todos os “stakeholders”. 

As empresas regionais e os açorianos também são, claramente partes interessadas. 

Não têm sido equacionados devidamente estes interesses.

 

Governo e PS dizem que não se pode pôr em causa o preço igual para todas as ilhas e os números de toques. Alguma vez isto esteve em causa?

Nunca tal situação esteve em causa. Sempre afirmamos este princípio, que é, aliás, o que está vertido no modelo de acessibilidades aéreas, que defendemos. 

É curioso que o Governo Regional faça finca-pé deste princípio nos transportes aéreos, como existem agora, com o erário público a suportar os custos adicionais e não queira aceitar o mesmo princípio para os transportes marítimos. 

E não colhe a afirmação de que o Governo pretende que este modelo tenha custo zero para o orçamento público. 

O Governo já gasta cerca de 10 milhões de euros anuais na subsidiação do transporte de passageiros e carga inter-ilhas através das operações da Atlânticoline, sendo que o grosso deste valor é para as passeatas de verão de alguns açorianos da classe média, porque nem para o turismo serve. 

Deixa-se de fora todos os outros açorianos que não beneficiam em nada desta política. 

A compra de um “ferry” é também prova de que o erário público não deixa de mobilizar recursos, e muitos, para o transporte marítimo. 

Parece que há uma aversão à carga que, afinal, é do interesse de todos os açorianos que o sentem no custo dos produtos que compram e na falta de competitividade dos produtos que depois precisam exportar. 

 

As Câmaras de Comércio já tinham feito alguns estudos e sugestões de alteração para novo modelo. Vão apresentar novamente as mesmas propostas?

O diagnóstico geral já está mais do que feito. 

Os episódios recentes com atrasos e falhas sistémicas nas Flores e Corvo são evidência de que alguma coisa tem de ser alterada porque este modelo é caro, exige infraestruturas desmesuradamente caras, tem muitas falhas e acaba por servir mal os utentes. 

A perspectiva das Câmaras de Comércio continua a parecer-nos correcta e, por isso, manteremos as nossas propostas genéricas estando preparados para avançar para aspectos mais concretos se necessário, desde que devidamente informados.

 

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Flores e S. Miguel são os campeões da taxa de retenção e desistência escolar

alunosAs ilhas das Flores e S. Miguel lideram a taxa de retenção e desistência no ensino básico dos Açores, segundo revela o Anuário estatístico de 2018 agora publicado pelo SREA.

A ilha das Flores tem uma taxa de retenção de 12,8% e S. Miguel 9,6%.

A taxa de retenção a nível Açores é de 8,7%, uma das mais altas do país, cuja média é de 5,1%.

Por municípios, a Povoação é o campeão da retenção e desistência no ensino básico, com 19,7%, seguindo-se a Ribeira Grande com 13,7%.

A ilha com menor retenção escolar é a do Corvo, com apenas 3,2%, seguida de Santa Maria, com 4,1%.

O município com melhor taxa de retenção é, naturalmente, o do Corvo, seguindo-se Lajes do Pico, com 3,6%.

Em S. Miguel, o concelho de Nordeste é o melhor, com apenas 4,3%.

As taxas de retenção são maiores no 3º Ciclo, onde a ilha das Flores atinge o valor mais alto: 23,1%.

 

Melhor taxa de transição é nas Flores

 

Quanto à taxa de transição/conclusão no ensino secundário, é de 79,7% nos Açores e de 86,1% no país.

A melhor taxa de transição é nas Flores, com 90,1% e a pior é o Faial com 77,1%.

O melhor concelho é o de Santa Cruz das Flores, com 90,1%, e o pior é  a Lagoa, com 66,1%.