“Espectacular”, diz Ávila: cerca de 500 candidaturas a novos fundos europeus em duas semanas

sergio avilaO Governo Regional revelou ontem que 517 projetos de investimento privado, com um valor global de 175 milhões de euros, candidataram-se a cofinanciamento europeu na primeira fase de operacionalização do novo Quadro Comunitário de Apoio na região.
Os Açores abriram a primeira fase de candidaturas a fundos europeus do Quadro Comunitário de Apoio 2014-2020 em meados de janeiro e, ao longo das duas semanas em que decorreu o processo, foram apresentados 517 projetos de investimento, que preveem a criação de 1.280 novos postos de trabalho até ao final de 2016, revelou o vice-presidente do executivo regional, Sérgio Ávila, numa conferência de imprensa em Ponta Delgada.
Esta primeira fase contemplava candidaturas a fundos europeus ainda no âmbito do sistema regional de incentivos à iniciativa privada SIDER e Empreende Jovem, tendo os projetos que vierem a ser aprovados de ser concretizados obrigatoriamente até ao final de 2016.
A segunda fase de candidaturas aos novos fundos europeus destinados aos Açores abre na próxima semana, mas já ao abrigo do novo sistema de incentivos Competir+, entretanto aprovado pelo executivo regional, e que vigorará até 2020.
Segundo Sérgio Ávila, 331 dos projetos apresentados terão aprovação imediata, por as candidaturas estarem totalmente completas. As restantes, que têm alguns “documentos em falta” deverão ser aprovadas “num curto espaço de tempo”, afirmou.
Sérgio Ávila considerou “espetacular” a adesão dos empresários a esta primeira fase de candidaturas, sublinhando que os valores que envolvem os projetos apresentados são o dobro da média dos últimos anos.
Os projetos preveem um investimento total de 175 milhões de euros nos próximos dois anos, sendo os apoios públicos 94 milhões de euros, 19 milhões dos quais a fundo perdido.
Desses projetos, 341 (74,7 milhões de euros) correspondem ao sistema Empreende Jovem, ou seja, “novos empresários”, indiciando uma “eventual renovação do tecido empresarial regional”, segundo o vice-presidente do Governo açoriano.
O turismo “é a grande área” abrangida pelas candidaturas e as duas ilhas com mais projetos apresentados são S. Miguel e o Pico, revelou ainda Sérgio Ávila.
O governante açoriano reconheceu que “há sempre um risco” de alguns investimentos não se concretizarem, por diversos motivos, mas sublinhou que, por exemplo, a banca, até por causa das intervenções do Banco Central Europeu, está mais disponível para conceder créditos aos investidores privados do que há um ano. Sérgio Ávila considerou, a este propósito, que o Governo Regional fez a sua parte para agilizar este processo, reiterando que os Açores são a única região do país que está já a operacionalizar o novo Quadro Comunitário de Apoio. Além disso, garantiu que haverá um “reembolso imediato” das despesas validadas.

********************************

Projectos candidatos ao SIDER em 2014 “por aprovar há vários meses” têm de ser submetidos ao novo quadro...

Na edição de 29 de Janeiro, o Diário dos Açores publicava uma notícia em que “os empresários dos Açores manifestaram surpresa e preocupação com o anúncio do governo regional de que os processos de candidatura apresentados ao SIDER, relativos ao Quadro recentemente terminado, que aguardavam aprovação, terão que ser submetidos ao novo Quadro”.
Num comunicado emitido pela Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), era referido que “o adiamento da situação, que já deveria ter sido resolvida, está a prejudicar as empresas. Muitas já realizaram os seus investimentos, aguardando, há vários meses, a respectiva aprovação para poderem dar continuidade ao projecto e receberem o pagamento dos respectivos incentivos, ou para tomarem a decisão sobre a oportunidade da continuidade dos projectos”.
A organização empresarial, presidida actualmente por Mário Fortuna, lembra que no passado dia 8 [de Janeiro] tornou pública a sua “profunda preocupação com a situação, na sequência de várias queixas de empresários que se sentiam indignados pelo arrastar da mesma, sem que obtivessem informação sobre as razões subjacentes a estes atrasos”. A instituição manifestava “desagrado pela forma como este assunto foi conduzido, exigindo que a nova tramitação a que estes processos vão ser submetidos seja rápida e simples, para que os promotores vejam os seus projectos aprovados e recebam os respectivos incentivos de forma célere”. Espectacular, mesmo!  MM

Açores pela 1ª vez com uma taxa de população activa acima da média nacional...

desemprego2Os Açores terminaram o ano com uma taxa de desemprego média de 16,3%, que é o maior valor do país - um palmarés que a Região atingiu pela primeira vez em 2011, quando registou 15,1% e o país 14%, perdeu em 2012, com 16,2% e o país 16,9%, mas recuperou em 2013 com 17,3% (o país começou a baixar para 15,3%) e manteve este ano, com 16,3% e o país 13,9%. E algo que seria impensável há bem pouco tempo, nomeadamente até ao ano de 2010.
Segundo os dados publicados pelo INE, a taxa de desemprego nos Açores referente ao quarto trimestre de 2014 situa-se nos 15,5% – também a mais alta do país –, sendo a média nacional de 13,5%, com valores a atingir os 10,7% na região Centro, 14% em Lisboa e 15,1% na Madeira.
As leituras políticas entre os maiores partidos foram diametralmente opostas. Os TSD/Açores manifestaram “grande preocupação com a elevada taxa de desemprego” registada nos Açores que foi ontem divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística.
Para os TSD/Açores, os dados divulgados pelo INE “comprovam que as políticas de emprego nos Açores continuam a ser ineficazes, deixando 19.015 açorianos sem rendimentos do trabalho. E sobretudo significam que o desempenho da economia regional está muito aquém da dinâmica verificada no plano nacional”.
Em comunicado, os trabalhadores social-democratas açorianos assinalaram também que “cerca de cinco mil açorianos desempregados participam em programas ocupacionais temporários, portanto, longe de lhes proporcionar um rendimento fixo e a estabilidade profissional que cada um aspira”.
Por último, os TSD/Açores lembraram que “desde que iniciou funções, e apesar de uma pretensa agenda para o emprego, o governo de Vasco Cordeiro permitiu que mais 410 açorianos perdessem o seu posto de trabalho”.
Já o PS/Açores “congratula-se pela consolidação da tendência de descida do desemprego nos Açores, conforme vêm confirmar os dados publicados esta quarta-feira pelo Serviço Regional de Estatística. Não pode o Partido Socialista deixar de assinalar que esta descida do desemprego nos Açores decorre em contraciclo com o que se verifica no panorama nacional, onde assistimos a uma subida da taxa de desemprego no último trimestre de 2014, um crescimento do desemprego na ordem dos 1,4% nos últimos três meses, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística. Nos Açores, felizmente, verificamos justamente o contrário.”
Para o PS/Açores “é de destacar que, comparando os últimos trimestres de 2013 e 2014, tenhamos assistido a um crescimento da população empregada em 3,8% (mais 3.754 empregos), uma diminuição de 9% no número de desempregados (menos 1.875 desempregados) e um decréscimo da taxa de desemprego, na ordem dos 1,8 pontos percentuais”. O PS/Açores realça ainda que “o último trimestre de 2014 registou o maior ritmo de crescimento do emprego desde o 4ºtrimestre de 2008 (3,8%)” e que “importa relevar que desde há 6 anos que não assistíamos a um crescimento do emprego tão vincado na nossa Região”. 
Por outro lado, os dados do último trimestre de 2014 revelam ainda que a população empregada estimada (103.518 Açorianos) representa o maior valor dos últimos três anos, desde o 3º trimestre de 2011.
O PS/Açores destaca como “dado muito positivo que o número de desempregados tenha diminuído no 4º trimestre de 2014, à razão de -0,3% em relação ao 3º trimestre de 2014 e -9,0% em relação ao 4º trimestre de 2013. É também de assinalar que, em simultâneo, verificou-se um aumento da população ativa (0,9% trimestral e 1,6% homóloga)”.
E remata que “embora este seja um combate contínuo, cuja responsabilidade o PS/Açores assume em pleno, estamos perante dados que nos permitem encarar o futuro com mais otimismo do que no passado mais recente. Fica demonstrado, em concreto, que as medidas implementadas estão a contribuir para ultrapassar os desafios de uma conjuntura nacional e internacional extremamente adversa”.

Há detalhes interessantes. Por exemplo, é a primeira vez que os Açores atingem uma taxa de população activa que é superior à média nacional - e isso foi atingido no 4º trimestre de 2014. 59,5% enquanto que a média nacional baixou para 58,5%. Não é a primeira vez que a Região atinge esse valor, no entanto (em 2011, mas então a taxa nacional era de 60,9%).
O INE estima que 13,4% da população trabalha na “Administração Pública, Defesa e Segurança Social Obrigatória”, comum aumento de 1,5%, e 11,5% na Agricultura, com um aumento de 10,6% em relação ao ano passado.

Governo classifica a Terceira como “Área Geográfica Específica” até 2016 e carrega nas majorações...

BASE das LAJESO Conselho do Governo aprovou um primeiro conjunto de medidas que integram o Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira (PREIT), destinado a “minimizar os efeitos da redução do contingente norte-americano militar e civil na Base das Lajes”.

Prorrogar os estágios do Programa ESTAGIAR L e ESTAGIAR T que se encontrem a decorrer na ilha Terceira, possibilitando a sua duração até 24 meses. Os encargos decorrentes dos primeiros 11 meses de estágio são suportados integralmente pelo Fundo Regional de Emprego e comparticipados em 25% pelas entidades promotoras nos restantes 12 meses de estágio, incluindo o mês de descanso.

Dependentes da sua entrada até 31 de dezembro de 2019 e “condicionadas à criação de postos de trabalho”, estão as seguintes medidas:
Alterar o Subsistema de Incentivos para o Fomento da Base Económica de Exportação, através da majoração de apoios públicos regionais concedidos às empresas que desenvolvam projetos de investimento na ilha Terceira. A majoração destinada à ilha Terceira opera-se de acordo com os seguintes critérios:
a) Para todas as atividades, exceto promoção turística: majorar o incentivo não reembolsável dos atuais 30% para 40%;
b) Para atividades de promoção turística: majorar o incentivo não reembolsável dos atuais 50% para 60%.
Alterar o Subsistema de Incentivos para o Empreendedorismo Qualificado e Criativo, nomeadamente através da majoração de apoios públicos regionais concedidos às empresas que desenvolvam projetos de investimento na ilha Terceira. A majoração destinada à ilha Terceira opera-se de acordo com o seguinte critério: majorar o incentivo não reembolsável dos atuais 40% para 50%.
Alterar o Subsistema de Incentivos para o Desenvolvimento Local, nomeadamente através da majoração de apoios públicos regionais concedidos às empresas que desenvolvam projetos de investimento na ilha Terceira. A majoração destinada à ilha Terceira opera-se de acordo com os seguintes critérios:
a) Para todas as atividades com investimentos até 300 mil euros: majorar o incentivo não reembolsável dos atuais 30% para 40%;
b) Para todas as atividades com investimentos inferiores a 300 mil euros: majorar o incentivo não reembolsável dos atuais 15% para 25%, mantendo o incentivo reembolsável em 25% como nas restantes ilhas;
c) Para microprojetos com investimentos entre 2.500 euros e 15 mil euros: majorar o incentivo não reembolsável dos atuais 40% para 50%.
Alterar o Subsistema de Incentivos para o Urbanismo Sustentável Integrado através da majoração de apoios públicos regionais concedidos às empresas que desenvolvam projetos de investimento na ilha Terceira. A majoração destinada à ilha Terceira opera-se de acordo com os seguintes critérios:
a) Para as empresas: majorar o incentivo não reembolsável dos atuais 55% para 65%;
b) Para as Câmaras Municipais e Associações: manter o incentivo não reembolsável em 85%.

 No seguimento do previsto no Eixo 2 do Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira e com o intuito de incentivar a captação de novas áreas de negócio, a criação de empresas e de emprego na ilha Terceira, o Governo dos Açores decidiu aprovar uma proposta para a alteração do Decreto Legislativo Regional n.º 1/2015/A, de 7 de janeiro, que procede à aprovação do Orçamento da Região Autónoma dos Açores para o ano 2015, mais precisamente à redução do valor de investimento considerado necessário para que os projetos em unidades produtivas situadas na ilha Terceira e que criem emprego sejam considerados relevantes para efeitos de concessão de benefícios fiscais em regime contratual. Assim, para a ilha Terceira, é reduzido o valor mínimo do investimento para acesso aos benefícios fiscais em regime contratual para um milhão de euros.
Com o objetivo de reforçar as condições de atratividade para o investimento privado, e no seguimento do previsto no Eixo 2 do Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira, o Governo dos Açores decidiu proceder à classificação da ilha Terceira como Área Geográfica Específica, para efeitos da majoração da percentagem a aplicar sobre as aplicações relevantes em matéria de concessão de benefícios fiscais contratuais. A classificação da ilha Terceira como Área Geográfica Específica, com impacto na redução da atividade em circunstâncias excecionais que afetem o tecido reprodutivo local, permite que os promotores dos projetos de investimento, com enquadramento no âmbito do regime de benefícios fiscais regionais, tenham acesso à majoração de 50% sobre as aplicações, como decorre do disposto no n.º 3 do artigo 5.º do DLR n.º 9/2014/A. Esta classificação vigorará até 31 de dezembro de 2016.

O Conselho do Governo fixou como prazo limite o dia 6 do corrente para que sejam aprovadas e publicadas as seguintes decisões:
a) Aumentar a majoração do apoio para as empresas localizadas no concelho da Praia da Vitória relativamente à aquisição de produtos regionais, no âmbito do Programa de Apoio à Restauração e Hotelaria que tem por objeto a promoção da competitividade e inovação no setor da restauração e hotelaria açoriana, através da utilização predominante de produtos regionais. É, assim, aumentada de 10% para 20% a taxa do apoio para as empresas localizadas na Praia da Vitória relativamente à aquisição de produtos regionais.
b) No âmbito do sistema de apoio à promoção de produtos originários da Região Autónoma dos Açores, aumentar de 75% para 90% a subvenção a fundo perdido, mediante a comparticipação sobre as despesas elegíveis, aos operadores estabelecidos na ilha Terceira.
c) Isentar os operadores marítimo-turísticos a exercer atividade na ilha Terceira das taxas relacionadas com o certificado de lotação no âmbito da atividade marítimo-turística, previstas nos pontos 1 e 2.1 da parte C da tabela correspondente, e mantendo nas restantes ilhas a redução dessas mesmas taxas em 50%, com efeitos a 1 de janeiro de 2015 e até 31 de dezembro de 2017.
d) Suspender a aplicação das taxas de emissão e renovação das licenças de exploração turística de observação de cetáceos, na Zona C, para empresas com sede na ilha Terceira, até 31 de dezembro de 2017.
e) Reduzir em 75% o valor das tarifas aplicáveis no Porto da Praia da Vitória à carga na ilha, nos primeiros três anos, e em 50% nos três anos seguintes, e, no que respeita às tarifas aplicáveis à descarga na ilha, aplicar uma tarifa que assegure um valor 10% inferior ao mais baixo que é praticado no sistema portuário.
f) Reduzir em 50% as taxas aeroportuárias na Aerogare Civil da Lajes nos próximos seis anos.

Decidiu arovar uma proposta de Decreto Legislativo Regional que prevê a isenção do pagamento da taxa pelos industriais aquando do pedido de vistoria, relativo à emissão de licença de exploração na instalação ou alteração dos estabelecimentos industriais, quando estes sejam sediados na ilha Terceira.       

E isentar, por um período transitório de três anos, os operadores marítimo-turísticos da ilha Terceira do pagamento das taxas de emissão das licenças de operador marítimo-turístico e respetivos averbamentos, e manter durante aquele período a redução em 50% do valor destas taxas que havia sido determinada pela Resolução n.º 67/2013, de 8 de abril.

PIR a partir de 2,5M

O Governo decidiu ainda reduzir o valor mínimo de investimento necessário para acesso ao processo de reconhecimento e acompanhamento dos Projetos de Interesse Regional (PIR), no sentido de incentivar a captação de novas áreas de negócio, a criação de empresas e de emprego na ilha Terceira. Assim, para a ilha Terceira, passa a existir uma redução de 50% do valor mínimo de investimento para o projeto ser considerado PIR, ou seja, passa para um valor igual ou superior 2,5 milhões de euros.
Esta alteração aplicar-se-á às candidaturas que deem entrada até 31 de dezembro de 2019 e fica condicionada à criação de postos de trabalho.
O processo de reconhecimento e acompanhamento dos PIR tem como objetivo promover e distinguir projetos de investimento que demonstrem um forte impacto e ou um efeito estruturante em setores estratégicos para o desenvolvimento regional, permitindo assegurar a celeridade dos procedimentos necessários à sua viabilização e a superação de bloqueios administrativos de forma a garantir uma resposta eficaz, sem dispensar o integral cumprimento das normas legais aplicáveis.
Podem ser reconhecidos como Projetos de Interesse Regional (PIR), por Resolução do Conselho de Governo, os projetos que tenham enquadramento no correspondente sistema de incentivos da entidade competente em razão da matéria e sendo suscetíveis de adequada sustentabilidade ambiental e territorial e apresentem um impacte positivo em pelo menos cinco dos sete critérios descritos:
- Produção de bens transacionáveis;
- Efeito de arrastamento em atividades a montante ou a jusante, principalmente nas pequenas e médias empresas;
- Introdução de processos tecnológicos inovadores ou interação com entidades do sistema científico e tecnológico;
- Criação mínima de 10 postos de trabalho diretos, após o início da atividade;
- Enquadramento regional com impacte relevante na dinamização e promoção das ilhas visando o aproveitamento dos seus recursos e potencialidades;
- Balanço económico externo, nomeadamente em termos do impacte no aumento das exportações ou na redução de importações;
- Eficiência energética ou utilização de fontes de energia renováveis.

Proposta para legalizar a “Sorte de Varas” poderá nem sequer chegar ao Parlamento...

tourosNão há declarações oficiais ou tomadas de posição públicas do lado dos proponentes da sorte de varas, mas uma coisa parece certa: a tentativa do que quer que seja que estava na forja parece condenada ao fracasso.

Na realidade, a própria ideia de que “um grupo de deputados“ se estava a preparar para levar a questão à Assembleia Legislativa, se estava certa agora parece não ser correcta – e hoje é mesmo difícil encontrar um número de deputados favoráveis às sortes com alguma relevância, especialmente se forem de fora da ilha Terceira.

O Diário dos Açores tentou ontem obter uma resposta da parte de vários deputados pelo círculo eleitoral de S. Miguel, que poderiam votar a favor, e não conseguiu qualquer resposta. Até Paulo Estêvão, que é um aficionado alentejano assumido, tendo sido um dos promotores da tentativa de 2009 – que falhou por apenas 2 votos –, já foi ouvido referir que este não é o momento certo para avançar com a proposta.

Tudo indica que a ideia parte de um grupo ligado à Tertúlia Tauromáquica Terceirense, mas a verdade é que o apoio popular parece cada vez mais ténue. “É apenas uma elite de Angra”, refere uma das nossas fontes, que se assume como aficionado, mas contrário aos touros picados.

Aparentemente os promotores poderão ter de avançar eles próprios, usando a prerrogativa do artigo 46.º do Estatuto Político Administrativo, intitulado “Iniciativa legislativa e referendária dos cidadãos”, que prevê que “os cidadãos regularmente inscritos no recenseamento eleitoral no território da Região são titulares do direito de iniciativa legislativa, do direito de participação no procedimento legislativo a que derem origem”, desde que apresentam a proposta com um “mí- nimo de 1500 cidadãos eleitores recenseados no território da Região”.

A Tertúlia vai fazendo o seu caminho.

E ontem mesmo publicou um post na sua página do Facebook com o título “Não nos devemos esquecer que A TAUROMAQUIA É (A NOSSA) CULTURA!”, explicando que “assim defendeu o Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Dr. Álamo Meneses, que realçou a importância da tauromaquia para os Açores, no Dia da Tauromaquia que levou quase 4000 pessoas à cidade de Angra do Heroísmo na noite de 22 de Novembro de 2014”.

Ainda esta semana, o historiador Carlos Enes, que já foi deputado pelo PS, escreve na sua página uma descrição que parece partilhada pela maioria dos terceirenses: “Gosto de touradas mas não do mau trato infligido aos animais. Nem eu nem o nosso povo. Basta estar atento no arraial duma tourada à corda para ouvir o bruá quando o animal cai por causa de uma pancada mais forte dos pastores. É um eco de desconforto contra um gesto considerado impróprio que provocou sofrimento no animal. Esta é que é a nossa postura cultural: brincamos com o animal, em igualdade de circunstâncias, mas não temos prazer no seu sofrimento”.

Uma petição lançada no início da semana, intitulada “Corridas picadas nos Açores NUNCA”, continua a granjear apoios, tendo neste momento mais de 1.300 assinaturas, mas cada vez mais parece como uma peça num xadrez que tende a engolir por inteiro a iniciativa das sortes. Porque existem outros trunfos que se perfilam – e com grande força.

Do lado do PSD, que em 2009 foi responsável por metade dos votos a favor da iniciativa, não parece haver grande força anímica. “Nem acredito que chegue ao parlamento, mas se chegar muito poucos vão estar disponíveis para sofrer as pressões que já sofreram da outra vez”, diz uma fonte ligada ao partido, mencionando os “milhares de emails” que a plataforma animal enviou em 2009.

Do lado do PS, tudo indica que Vasco Cordeiro, chegando ao momento da verdade, poderá nem ter de exigir disciplina de voto – tal como nas duas tentativas anteriores, em que os partidos não se manifestaram sobre o assunto. Tudo indica que o presidente do PS é, tal como o seu antecessor, desfavorável aos touros picados, e essa posição tem grande força junto dos deputados.

 

Manifesto “Somos Todos Açores”...

 

E para completar o que parece até uma estratégia concertada, embora não seja, há um “Manifesto contra a legalização da Sorte de Varas nos Açores” que já recolheu apoios explícitos de uma série de personalidades de várias áreas – alguns dos vultos mais destacados em áreas que vão da política à cultura. Os nomes permanecem por enquanto no “segredo dos deuses”, por uma razão simples: o manifesto só será lançado na eventualidade de aparecer uma proposta no parlamento.

O texto é claro: “Somos todos Açores e qualquer prática legalizada numa das nossas ilhas implicará a Região no seu todo. Ora, a recente divulgação de que estará a ser preparada uma iniciativa legislativa que contempla a introdução da chamada “Sorte de Varas”, ou “Tourada Picada”, na ilha Terceira (o que significa, naturalmente, verter para os Açores essa pretensa legalização) tem gerado forte contestação na opinião pública.

Muitas são as vozes, de todos os quadrantes da sociedade, mesmo entre os aficionados, que se têm posicionado contra esta prática de crueldade extrema para com o touro, proibida em todo o país e que não se reveste, nas nossas ilhas, de qualquer carácter cultural, tradicional ou identitário. Acrescente-se que se trata da terceira tentativa de legalização desta variante tauromáquica, tendo sido rejeitada em 2009 por parcos 2 votos. Somos todos Açores e, numa altura de forte aposta no Turismo Sustentável, no Turismo de Natureza, assente sobretudo no respeito ambiental e na estreita e harmoniosa ligação do Homem com a Terra e com o Mar, não consideramos compreensível esta pretensão, que remete para uma forma de sofrimento animal que não é admissível nos dias que correm, e que mancharia, cá dentro e para quem nos visita, a imagem dos Açores – abrindo, além do mais, gravíssimas fendas na sociedade açoriana, que se quer coesa e unida. Somos todos Açores. Estas nove ilhas do verde e das águas límpidas, das belezas naturais e da comunhão com a Natureza, não merecem isto. Não merecem ficar conotados com uma nova forma de crueldade animal.

Não merecem a mancha social e política que a legalização de uma prática deste teor traria para todo o arquipélago. Porque somos todos Açores, e independentemente de a suposta iniciativa parlamentar chegar ou não à Assembleia Legislativa Regional, manifestamo-nos CONTRA a legalização da Sorte de Varas nos Açores”.

 

As sortes realmente estão lançadas, mas o seu fim parece cada vez mais certo: a proposta, se alguma vez existir, tem chumbo garantido… 

“É mentira dizer que a caça é uma actividade turística com maior importância do que a observação de aves”, diz especialista

gerby 2Gerby Michielsen, proprietário da primeira empresa especializada em observação de aves nos Açores, chegou ao nosso arquipélago há 26 anos. Em declarações ao nosso jornal, fala-nos das dificuldades que esta actividade enfrenta actualmente e tece fortes críticas à nova etapa do SATA Rallye Açores nas Sete Cidades e à incompatibilidade de diversas actividades nas zonas ditas protegidas, dizendo, inclusive, que tem “vergonha” quando os seus clientes “têm de saltar para as bermas por causa das motas a passar”

»» Ler mais na versão impressa.