Nos Açores produz-se mais carne para exportação do que para consumo interno

carneCerca de 17,7% dos bovinos que são enviados para abate nos Matadouros do IAMA nos Açores são rejeitados, embora esse valor tenha descido entre os anos de 2012 e 2013. Trata-se de cerca de 13 mil cabeças de gado, embora na prática tenha um impacto de apenas 8,2% em termos da carne que foi rejeitada.
Cerca de 74% dos animais rejeitados para consumo eram vitelos com 8 ou menos meses de idade, perfazendo um total de 8 mil  animais. Em termos de carne, o seu peso é de 29% do total rejeitado.
Já no caso das restantes variedades de carne a taxa de rejeição é muito mais pequena. No caso dos suínos, que representam  58% desse grupo de carnes, a taxa de rejeição não passa dos 1,56% em número de animais, e 0,97% em termos de carne. As aves têm uma taxa de rejeição de 3,93% e os caprinos 3,18% em número de animais.
O facto é que no caso dos bovinos neste momento já se produz mais para exportação do que para consumo. A expedição atingiu 59,8% em termos de carne. Já para as restantes carnes as vendas para o exterior são muito reduzidas: 8,9% do total abatido no caso dos suínos, e nada (sim, 0%) para todas as restantes carnes.
O que isso significa, aparentemente, é que a região consome pouquíssima carne sem ser de bovino – ou então, o que é também possível, produz muita que sai ao esquema dos matadouros.
Com base nestes dados, em média, cada açoriano consome 88,8 quilos de carne por ano, da qual 61% de bovino. Os dados referem uma média de 54 quilos por ano de carne bovina, 20 quilos de carne de porco e 14 quilos de aves.
A média na União Europeia (dados do ano 2.000) é muito diferente: de 92 kg de carne per capita por ano (mais 5 kg de miudezas comestíveis per capita), valor esse que é repartido em 44 kg de carne de suíno, 20 kg de bovino e 23 kg de aves de capoeira. Ou seja, o bovino, está na minoria, enquanto que a carne de porco representa um consumo que é mais do dobro do regional.
Resta saber se a comparação corresponde à realidade...

Ilhas mais pequenas continuam muito dependentes da expedição de gado vivo

vacas2No ano de 2013, os Açores expediram um total de 12,4 mil toneladas de carne de bovino, da qual cerca de um terço ainda foi na forma de gado vivo. Cerca de 36,5% do transporte em vivo é ainda bastante e embora tenha sido uma ligeira redução em relação aos 37,2% verificados no ano de 2012, não parece haver neste momento uma tendência clara de descida, ou pelo menos tão expressiva como a que se verificou em anos anteriores: em 2010 o peso do gado vivo era de 49%, tendo baixado para cerca de 43% no ano de 2011.
Ainda ontem um produtor do Pico que vende gado vivo para o continente queixava-se de diversos problemas com este tipo de expedição, e sugerir que os animais pudessem ser transportados do Pico para Ponta Delgada e mudados de embarcação para chegarem a Lisboa mais rapidamente. Os dados sobre a eficácia deste tipo de negócio são duvidosos, mas o facto é que para algumas ilhas este parece ser o único meio de escoamento em termos de venda de carne paro exterior.
É que os 36,5% de expedição em vivo apenas são conseguidos devido ao baixo peso que já se verifica em S. Miguel e na Terceira. Registe-se que a ilha de S. Miguel não detem a dianteira neste negócio: tem cerca de 31,5% da carne que é expedida e é a Terceira a que mais exporta, com um peso de 35%.
E claramente que a predilecção de ambas as ilhas é para o envio de carne já refrigerada. Em S. Miguel, apenas 14,6% da carne que a ilha vende no exterior vai na forma de gado vivo, o que é claramente o mais baixo valor açoriano. A Terceira, embora com um peso relativamente maior, está nos 20,1%. Curiosamente, a ilha do Pico é a 3º melhor neste aspecto, com apenas 25,6% da sua carne expedida em gado vivo, o que claramente relativiza bastante a questão.
No entanto, a Graciosa está totalmente dependente do envio de gado vivo, que representa 100% da carne que vende para o exterior. Igualmente com valores altíssimos estão as ilhas de Santa Maria, com 98,8%, as Flores, com 89,15%, São Jorge com 79,15% e até o Faial, que atinge os 66,74%. É muito!
No entanto, a questão do Pico é que a ilha exporta muita carne, especialmente em comparação com as restantes ilhas à excepção da Terceira e S. Miguel. O Pico representa quase 12% da expedição de carne açoriana. A média de peso é de 184 quilos por animal, o que é o mais baixo valor do arquipélago. Em S. Miguel o peso médio é de 205 quilos por animal, e na Terceira quase 210.
Porque o facto é que a quantidade de carne expedida também tem vindo a aumentar: de 10,5 mil toneladas em 2010, para 11,8 em 2011, 11,4 em 2012 e 12,4 em 2013.
Os dados sobre o assunto estão divididos: os abates, incluindo o seu destino, são compilados pelo Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas - IAMA, que  gere os matadouros; e a expedição em vivo é compilada pelo Serviço de Veterinária da Direcção Regional da Agricultura.

Direcções da Solidariedade Social e da Agricultura com as maiores reduções

notasDe acordo com a proposta que foi entregue na Assembleia Legislativa, o Orçamento Regional para 2015 tem uma dotação de 1.386.667 euros, dos quais 439 milhões para despesas do Plano, o que corresponde a um crescimento de 6,77%. As despesas do Plano (para investimento), representam em 2015 cerca de 31,7% do total, o que, sendo um aumento em termos absolutos, revela realmente uma redução do seu peso no Orçamento, pois em 2014 o valor era de praticamente 33%.
As direcções regionais irão receber 272 milhões de euros – menos quase 10 milhões, ou -3,53% que em 2014; os Gabinetes dos Secretários terão 121,7 milhões, mais 4,6 que em 2014, ou 3,9%; e as operações extra-orçamentais atingem os 198 milhões de euros, um reforço de 15,3 milhões de euros, ou mais 8,3%.
Em termos relativos, as maiores variações ocorrem nas Direcções dos Transportes, com mais 26%, e a dos Assuntos do Mar, com mais 26% -as únicas com variações acima dos 20%. Segue-se a do Orçamento e Tesouro com mais 19,3%, a da Cultura com 11,1%, a do Turismo com 11%, e a da Habitação, com mais 10,3%.
As maiores descidas ocorrem na Direcção da Solidariedade Social, que perde 30%. É a maior variação por direcção regional. Segue-se a das Obras Públicas, com menos 7,45% e a da Juventude com -4,3%.
Há uma secretaria regional nova (a do Mar, Ciência e Tecnologia), o que originou uma retirada de competência da antiga Secretaria dos Recursos Naturais, que se subdividiu em Secretaria da Agricultura e Ambiente, e Secretaria do Mar, Ciência e Tecnologia.
No meio das mexidas, a Direcção Regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural subdividiu-se em Direcção da Agricultura, e Direcção do Desenvolvimento Rural – e aparentemente com uma forte quebra das verbas: em 2014 um total de 16,7 milhões de euros para as duas áreas, enquanto que em 2015 o seu valor será de apenas 5,2 milhões de euros.

 

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Subemprego nos Açores aumentou 7,4% e pode ser um dos piores da Europa...

desemprego2Sérgio Ávila é da Terceira mas é possível que tenha perdido o gosto por pegar o touro pelos cornos. E ontem, com a divulgação dos novos valores trimestrais do desemprego a mostrarem que as estratégias de 2 anos do novo Governo não estão a conseguir qualquer efeito, quem veio fazer a análise positiva foi o próprio Partido Socialista, pela mão de Francisco César.
Há muito que já se percebeu que quando o GACS nada publica sobre um determinado indicador, é porque a notícia é tendencialmente negativa. Mas o PS conseguiu encontrar nos dados do INE algo de bom... O título: “A criação de emprego na Região atingiu os maiores níveis de crescimento desde há 5 anos e meio”. Depois, que houve uma “evolução positiva na subida do emprego, expressas pela criação líquida de 2.153 postos de trabalho relativamente ao 3º trimestre de 2013. Estamos perante aumentos superiores a 3%”. E a seguir, que “a criação de emprego na Região atingiu, nos últimos seis meses, níveis de crescimento que não se verificavam há cerca de 5 anos e meio”.
Se bem que a ideia de comparar os dados do semestre até pudesse ser sua, a falta de Ávila foi notória neste comunicado, pois o PS engana-se ao referir uma taxa de crescimento “superior a 3%” quando fala nos dados homólogos (o aumento é, na realidade, de 2,15%). Obviamente que a comparação semestral é quase um acidente de percurso, sem qualquer substância que pudesse confirmar o que o PS refere a abrir: que “os números divulgados vêm confirmar a redução que tem acontecido ao longo dos últimos seis meses nos Açores e vêm confirmar que a Região se encontra no bom caminho”.
Infelizmente essa alegada tendência não encontra qualquer correspondência nos dados do INE. Na realidade, entre o 2º e o 1º trimestre de 2014 há de facto um crescimento de 3,2%, mas entre o 2º e o 3º trimestres a variação foi de apenas 0,24%. Concluir que existe uma tendência de redução só pode ser um exagero. E quanto à importância de um crescimento semestral superior a 3,5%, deve referir-se que nos 44 semestres contabilizáveis nestes termos desde 1998 até ao 4º trimestre de 2009, esse “fenómeno” apenas aconteceu por 2 vezes – e nessa altura os Açores atingiram mais de 111 mil empregos, quando neste momento estamos com 102,4 mil, que é um nível semelhante a antes de 2002.
 Objectivamente as coisas estão más e as oscilações sugerem sobretudo que ainda podem piorar no próximo trimestre. O esperado aumento no 3º trimestre, por via das actividades turísticas, falhou redondamente, o que provavelmente reflecte os desapontantes resultados daquele sector. E essa é a primeira má notícia: na última década, o 4º trimestre tem representado quase invariavelmente sempre uma redução do número de empregados nos Açores. Apenas num ano houve um aumento de 0,29%, num não houve variação e nos restantes 8 casos houve sempre descidas, por vezes significativas, como os -5,14% do ano 2011. Ou seja, a probabilidade é que no próximo trimestre o número de empregos baixe...
Mas há outros. O ligeiro aumento de emprego neste trimestre foi obtido principalmente através de emprego por conta própria, que cresceu quase 6%. Na realidade, o emprego por conta de outrem baixou 0,4%, e com uma significativa redução do emprego a tempo completo de 0,93%. 

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O indicador do subemprego também continua a aumentar e neste trimestre cresceu 7,4%. Existem neste momento 6.478 açorianos na situação de subemprego, cuja definição é: “Conjunto de indivíduos empregados dos 15 aos 74 anos que, no período de referência, tinham um trabalho a tempo parcial e declararam pretender trabalhar mais horas do que as que habitualmente trabalham e estavam disponíveis para começar a trabalhar as horas pretendidas”. Por outras palavras, um tempo parcial não voluntário.
O que se passa é que nos Açores o seu valor correspnde a 46,7% do total de trabalhadores a tempo parcial, o que é muito superior à média nacional, que é de 39%, e o 4º pior valor da Europa… (Grécia (72%), Chipre (59%) e Espanha (57,4%), e média da UE (22,7%).
Em termos de taxas, o desemprego nos Açores baixou de 16% para 15,7% no 3º trimestre, mas manteve a Região no topo do país, onde a média está nos 13,1%.

Açorianos têm uma esperança de vida de menos 3 anos que a média nacional

idososOs governantes açorianos gostam de se gabar do que chamam convergência com o país e a Europa em termos de PIB. Mas de acordo com a publicação “Estatísticas Demográficas 2013”, do INE, a região atrasou-se no mais vital dos indicadores: a longevidade dos açorianos.
Segundo o INE, os açorianos nascidos nos anos de 2011 a 2013, poderão esperar viver 76 anos e quase 6 meses, o que fica 3 anos e 2 meses abaixo da média nacional… É muito tempo, que estatisticamente pode ser descrito em percentagem: menos  4,4%, o que é significativo... E tanto mais que se trata do valor mais importante, que é a própria vida.
A Região deixou-se atrasar bastante nesse indicador, uma vez que a diferença nos anos de 2006-2008 era inferior, situando-se nos 3,7%. Ao nível do país, passou-se de 78 anos e quase 9 meses para 80 anos, enquanto que nos Açores se passou de 75 anos e 10 meses para 76 anos e quase 6 meses. Noutra perspectiva: a longevidade nacional aumentou 1,6%, enquanto que nos Açores o aumento foi de apenas 0,86%.
Dá para adivinhar: são os piores indicadores do país. Menor taxa de variação e a mais baixa longevidade. A melhor situa-se na região Centro, com 80 anos e quase 3 meses.
Os homens açorianos poderão esperar viver 72 anos e quase 10 meses, enquanto que as mulheres poderão viver quase até aos 80 anos. Em ambos os casos morrem como os mais novos do país… No caso dos homens, com menos 4 anos que os portugueses, no caso das mulheres com menos 2 anos e 11 meses... Em termos de variação, o sexo feminino conseguiu melhorar este indicador quase ao nível nacional, mas no caso dos homens é uma tristeza: uma melhoria de apenas 3,6 meses, quando no país houve um aumento de 17 meses...
A diferença entre homem e mulher nos Açores é de 7 anos e quase 3 meses. Sim, é também a maior do país, onde a média é de apenas 5 anos e quase 9 meses...

 

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