Crédito ao consumo malparado disparou nos últimos 2 anos

notasDe acordo com os dados do crédito no 1º trimestre do ano, do Banco de Portugal, o número de devedores à banca no segmento “famílias” equivale a 93,7% da população activa açoriana, o que constrasta fortemente com os 82,9% registados a nível nacional. E quando o número de devedores é comparado com o número de pessoas empregadas, a situação é ainda pior: enquanto que no país o número de devedores ultrapassa em 0,7% o número de pessoas empregadas, nos Açores esse valor é 13% superior.
Estes dados não significam obrigatoriamente que existam pessoas com dívidas no desemprego, uma vez que os dados do Banco de Portugal estão desagregados em crédito à habitação e crédito ao consumo, e aos dois em conjunto. Ou seja, há pessoas que apenas têm crédito à habitação, outras que têm apenas crédito ao consumo, e outras que têm os dois – e não há maneira de indivualizar os resultados. Mas o indicador dos devedores do crédito ao consumo (que é o maior grupo) é elucidativo: enquanto que o número de devedores em consumo no país equivale a 81,9% dos empregados, nos Açores eles atingem os 96,4%.
A média de empréstimos nos Açores é de 22.519 euros, o que é inferior aos 23.382 euros registados no país. No crédito à habitação a média nacional é de 47.791 euros, enquanto que nos Açores é de 45.935 euros, o que é também inferior. Mas no crédito ao consumo, a média nacional é de 7.359 euros, enquanto que nos Açores é de 8.148 euros.
O problema está sobretudo no crédito ao consumo. Enquanto que no país o consumo equivale a 19% do total do crédito às famílias, nos Açores ele atinge os 22,1%.
E é no crédito ao consumo que o malparado tem mostrado maior tendência de aumento. No 1º trimestre já se encontra em 10,8% do total, aproximando-se rapidamente da média nacional, que está nos 12,2%. Apesar de ser um valor inferior ao do país, há claramente uma alteração do paradigma: em 2009, o rácio de crédito do consumo vencido era nos Açores de apenas 4,6%, quando no país era de 10,5% (ou seja, menos de metade). Em 2010 era de 5,6% para 10,8% no país e em 2011 já era de 6,9% para 11,7%, e em 2012 de 9,3% para 11,8%.

Activos açorianos são os que têm menos formação de todo o país

professoraA população activa açoriana é claramente a que menos formação educativa tem de todas as regiões do país.
Segundo os últimos dados do desemprego, do INE, 70,2% dos activos açorianos têm apenas até ao 3º ciclo, quando a média nacional é de apenas 57,6%. A região mais próxima dos Açores é a Madeira, mas com 62,9%.
Existem nos Açores 117.800 activos, dos quais 82.700 têm a escolaridade mínima do 3º ciclo. Cerca de 19,2% estão no desemprego, o que está acima da taxa geral de desemprego, que é de 17%.
Os Açores apresentam os piores valores do país tanto nos activos sem qualquer instrução, como nos que têm até ao 1º ciclo e até ao 2º ciclo.
O oposto é também flagrante: os Açores são a região do país com menos activos com o curso Secundário e com curso Superior. Apenas 16,4% dos activos têm o Secundário, quando a média nacional é de 22,5%; e apenas 14,3% têm um curso superior, quando a média nacional é de 19,9%.

Floricultura nos Açores apenas emprega 101 pessoas

proteaDe acordo com o inquérito Floricultura e Plantas Ornamentais - 2012, ontem lançado pelo INE, os Açores são responsáveis por quase 9% do número de explorações dedicadas aos diversos tipos de floricultura, e por 5,93% da área cultivada.
Das 90 explorações existentes na Região, o concelho de Angra do Heroísmo é o que possui mais explorações, embora em termos de área cultivada fique empatada com a Ribeira Grande, num total de 26 hectares cada.
Mas esse peso de explorações e áreas cultivadas não tem qualquer correspondência ao seu impacto em termos de emprego. As explorações açorianas são apenas responsáveis por 2,7% da mão de obra nacional (calculada em UTA “Unidade de Trabalho Ano” – unidade de medida equivalente ao trabalho de uma pessoa a tempo completo durante um ano). Nos Açores, o INE estima que existam apenas 101 pessoas a tempo completo nesta actividade, dos quais 44 na categoria de mão de obra familiar, e apenas 58 como mão de obra assalariada, o que corresponde a 1,96% do total nacional.
A média de trabalhadores por hectare nos Açores é menos de metade da nacional: 1,24 trabalhadores por hectare, enquanto que a média nacional é de 2,74%. A explicação para esta situação não é clara, podendo ter a ver com o tipo de produtos.
Nos Açores, 69,4% da produção incide sobre a  produção de flores de corte, 18,4% em folhagem de corte, e 12% em plantas ornamentais. Nas flores de corte, o peso regional atinge quase 10% do total nacional.
As Próteas são a grande produção de flores, com um peso de 66% de toda a área cultivada nos Açores, representando 29,6% do total nacional. Os Açores têm 37 hectares desta espécie, mas o principal produtor nacional é o Alentejo, com 71 hectares. Para além destas duas regiões, apenas a Madeira também produz Próteas.
Cerca de 67% da produção de flores regional é exportada, o que é bem superior à média nacional, que é de apenas 23%. Já em relação à pequena produção de plantas ornamentais, não existe qualquer exportação.

Empresas açorianas com crédito 30% superior à média nacional

notasNo 1º trimestre de 2013 o montante de crédito concedido às empresas açorianas caiu 1,66% para um total de 2.374 milhões de euros. À primeira vista, a Região segue a tendência nacional, com um montante de dívida às empresas que é de 2,22% do total nacional, o que ainda fica ligeiramente abaixo do peso das empresas, que é de 2,31% do total do país. O problema é que em termos de volume de negócios, as empresas dos Açores apenas facturam 1,55% do total nacional (dados de 2011 do INE)...
No país, a média de empréstimos por empresa devedora é de 470 mil euros, com um total de devedores que corresponde a 20,4% do total de empresas em actividade. O Banco de Portugal não tem o indicador do “número de empresas devedoras” desagregado ao nível da Região, mas caso a percentagem de empresas devedoras seja a mesma do país, a média de empréstimos é de 454 mil euros por empresa nos Açores. Ou seja, menos cerca de 3,3% da média das empresas nacionais.
O problema é mesmo a baixa facturação nos Açores. Se em vez do número de empresas se tiver em conta a facturação – que é o indicador mais preciso para avaliar a saúde da economia –, as empresas açorianas apenas deveriam ter um montante de crédito de 1.651 milhões de euros, ou seja, menos cerca de 30% do volume actual. Por outras palavras, tendo em conta a economia real, as empresas açorianas têm um esforço de crédito 30% acima das nacionais...
Era essa a relação que existia até ao ano de 2004, mas desde então o endividamento empresarial disparou. Em 2004, as empresas açorianas eram responsáveis por 1,3% do volume de negócios do país e 1,6% do crédito. Era um desequilíbrio bastante inferior ao actual: de 2004 até 2013, o volume de negócios das empresas cresceu 39% mas o crédito aumentou 122%.
E não parece haver maneira de parar: desde o 4º trimestre de 2010, o crédito às empresas no país baixou em todos os trimestres, enquanto que neste período apenas caiu 4 trimestres nos Açores em  10 possíveis. Obviamente, o peso do crédito regional foi sempre aumentando.
É verdade que o volume de crédito também reflecte o dinamismo da economia e por esse prisma percebe-se a redução da actividade económica no país. Mas será que se percebe essa dinâmica na economia regional? Dificilmente, uma vez que o volume de negócios não tem acompanhado esse aumento – e o crescimento significativo do desemprego é prova inequívoca do contrário.
É provável que as sucessivas linhas de apoio lançadas pelo Governo tenham a sua quota parte de responsabilidade na manutenção do  nível de crédito. Eventualmente até podem ser responsáveis pela manutenção de postos de trabalho por evitarem no imediato uma contracção mais radical por parte das empresas.
Essa influência pode ser também responsável pelo comportamento do crédito mal parado, que neste momento está-se a manter bem melhor que a nível nacional: “apenas” 7,2% de incumprimento nos Açores, enquanto que no país já vai em 11%. A realidade, no entanto, é que essa disparidade nunca aconteceu no passado. Em geral este indicador seguia a tendência nacional com uma variação muito ténue, em geral abaixo de 1 ponto percentual de diferença. A partir do 1º trimestre de 2012 as diferenças passaram para 2 pontos, e no 1º trimestre de 2013 atinge mesmo os 3,8 pontos percentuais.
Não pode ser considerado negativo que a intervenção governamental possa estar a contribuir para uma certa acalmia no crédito vencido ou mesmo na manutenção do crédito concedido. Mas a conta final poderá ser muito penalizadora para as empresas regionais, que neste momento estão claramente mais endividadas que as suas homólogas nacionais, sem que se vislumbre qualquer crescimento da actividade económica que possa colmatar esse aumento do peso da dívida.

“Não há esperança na vida sem fé”, diz Monsenhor Augusto Cabral

monsenhor augusto cabral1Apesar de ser o primeiro ano em que é Reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, Monsenhor Augusto Cabral relata que sempre viveu e admirou a religiosidade do nosso povo.
O sentimento é de esperança e de alegria, até porque se renova uma tradição com mais de 300 anos, mas é necessário “evangelizar esta gente e apelar para que as pessoas não se sacrifiquem” nas promessas...

 

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