Hotel Bahia Palace vai construir mais 40 quartos, um SPA e novo espaço de restauração

Hotel Bahia PalaceEncerra no final deste ano para grandes obras
O Grupo Pestana, maior operador português na hotelaria e turismo, está de olhos postos nos Açores e quer apostar forte no sector em S. Miguel.
Com o anúncio da liberalização do transporte aéreo, o grupo internacional aproveitou um negócio com o Grupo Sá, antigo proprietário do hotel micaelense, e decidiu adquiri-lo.
Agora estão a projectá-lo para uma profunda reestruturação, que terminará no próximo ano.
“Estamos, neste momento, a efectuar pequenas obras de manutenção e a instalar alguns equipamentos que eram extremamente necessários e prementes.”, diz ao nosso jornal o Director Geral de Área do Grupo Pestana, Miguel Metello, revelando que “a grande obra, se tudo correr como planeado, que consiste em dotar o hotel de mais 40 quartos, construir um belíssimo SPA, aumentar a área de um espaço de restauração e remodelar todos os quartos e áreas comuns ocorrerá no Inverno de 2015/2016, ou seja o hotel encerrará no final deste ano e esperamos ter tudo concluído em Abril/Maio de 2016”.
Será então nessa altura, segundo o nosso entrevistado, que toda a máquina do Grupo Pestana, a nível nacional e internacional, irá promover o hotel e encaminhar turistas para S. Miguel.
Segundo Miguel Metello, O Grupo Pestana vai fazer este tipo de venda “tal como faz relativamente a todos os outros que tem em Portugal e em África (os que estão na Europa, fora de Portugal, na América Latina e na América do Norte têm uma estrutura mais autónoma), através da sua equipa comercial, de marketing e e-commerce que está sedeada em Lisboa, sendo que alguns serão alocados mais directamente ao hotel de São Miguel. Venderemos aos tour operadores e às agencias de viagens, e a clientes directos, online (via nosso web site e outros) e offline (call centre). Tentaremos, paulatinamente, aumentar o “Rev-PAR” do hotel, quer através do incremento da ocupação, quer do crescimento do “average”.
Por outras palavras - acrescenta - vamos colocar esta unidade no mapa turístico hoteleiro nacional e internacional, aproveitando todas as vantagens que se avizinham, como, por exemplo, a vinda das low cost, entre outras…
 O Grupo Pestana não tem dúvidas de que a vinda das low cost vai contribuir para o crescimento do turismo.
 “Não temos dúvidas que as low cost atrairão mais turistas para a região, mas não nos devemos esquecer da Sata e da Tap, que poderão continuar a melhorar a oferta de transporte aéreo para a região, contribuindo também para o aumento de turistas”, afirma Miguel Metello.
O quadro do Grupo Pestana adianar que “outro factor importante é a requalificação do destino (numa perspectiva das unidades hoteleiras e numa visão mais holística do próprio destino) e a promoção turística da região, pois, se todos, sector público e privados, não estivermos à altura, então correremos o risco de não aproveitar devidamente a vinda das low cost. E, todos sabemos, que as low costs, caso não atinjam determinada rendibilidade nas linhas, caso não tenham, por conseguinte determinado load-factor (ou seja, caso não consigam encher os aviões), abandonam as linhas à mesma velocidade com que as lançam...”.
É neste sentido que passa a aposta do grupo no arquipélago, numa estratégia englobando o plano nacional e internacional.
 “O Grupo Pestana tem uma estratégia de crescimento que passa, actualmente, pelas importantes capitais europeias, por alguns países da América do Sul e do norte de África e por aumentar o seu “portofolio” na América do Norte. Julgo que será do vosso conhecimento que acabamos de comprar um terreno em New York, em Times Square, para avir um hotel de quase 200 quartos daqui por 2/3 anos. Mas, o Grupo está sempre atento a oportunidades que possam surgir em Portugal, como foi esta do Bahia Palace em S. Miguel e claro, é uma aposta e um acreditar no potencial turístico dos Açores onde já estávamos presentes com a marca Pousadas”, conclui Miguel Metello.

Crime no vírus dos coelhos? “Não há testemunhos”

anabela isidoroHouve mão criminosa na introdução do vírus hemorrágico dos coelhos?
Anabela Isidoro, Directora Regional dos Recursos Florestais, diz que não há “nenhum indício provável ou testemunho documentado”. Revela nesta entrevista que se confirma a doença em todas as ilhas e que é prudente aguardar, pelo menos, mais dois meses

 

DIÁRIO DOS AÇORES - Confirmadas que estão as análises sobre o vírus hemorrágico em S.Miguel, o que provavelmente se repetirá nas outras ilhas, quais os próximos passos que a Direcção vai adoptar?
ANABELA ISIDORO - Atendendo às indicações de que a nova estirpe do vírus que origina a Doença Hemorrágica Viral (DHV) pode permanecer vivo, no terreno, durante 30 a 40 dias, será importante e no mínimo prudente, aguardar até cerca de dois meses, após a detecção do último coelho morto no terreno, para que se possa considerar que o surto da DHV terá realmente terminado.
Constatando-se que o surto da DHV terminou, proceder-se-á então à avaliação do impacto que a DHV terá tido sobre as populações de coelho-bravo locais. Para que essa avaliação seja feita, com o devido rigor, analisar-se-ão os resultados dos censos populacionais do coelho-bravo, realizados com uma periodicidade mensal, de modo a poder perceber não só o impacto do surto da DHV como, também, a evolução/recuperação das populações de coelho-bravo afectadas.
 
Quando prevê a confirmação das análises das outras ilhas?
Todas as análises foram confirmadas. A razão de existirem dois resultados para cada ilha prende-se com o facto da Direcção Regional dos Recursos Florestais ter procedido à recolha de amostras de coelhos infectados com esta nova estirpe, em todas as ilhas, que permita o estudo que determine o seu impacto ao nível das populações de coelho-bravo locais, tendo em conta as especificidades da Região. Assim, ao mesmo tempo que são recolhidas amostras pela Direcção de Serviços de Veterinária, também são enviadas amostras para o Cibio da Universidade do Porto. Esta ligação com o Cibio-UP tem permitido o contacto directo com especialistas que têm desenvolvido trabalhos a nível nacional e internacional sobre esta matéria, contribuindo para a implementação dos procedimentos e normas requeridas à gestão destas situações. Também a Autoridade Veterinária Regional tem dado um apoio fundamental no que respeita à implementação de medidas epidemiológicas e de biossegurança ambiental.
 
Alguns caçadores, nomeadamente de S. Miguel, acusaram a Direcção de “passividade” na resposta a este problema. Como responde às críticas?
Como já foi oportunamente esclarecido, em todas as ilhas e desde o momento em que foram detectados e/ou denunciados coelhos-bravos mortos foram de imediato recolhidas amostras para análise, efectuadas vistorias pelas diferentes zonas, feita a recolha e destruição de cadáveres expostos a possíveis agentes de disseminação da doença e prestadas informações à população através de emissão de boletim. Portanto, os procedimentos possíveis foram de imediato implementados por iniciativa da Direcção Regional dos Recursos Florestais e através dos seus serviços operativos, como é sua obrigação, tendo por principal objectivo a contenção da doença que, pela sua natureza e forma de disseminação, se considera bastante agressiva.
Também se procedeu ao encerramento da caça nas diversas ilhas, ou após confirmação laboratorial da DHV ou porque o número de coelhos-bravos encontrados mortos assim o justificava.
A par destas medidas, a Direção Regional da Agricultura, através da Direção de Serviços de Veterinária, emitiu editais visando a supressão dos possíveis vetores de transmissão (orgânicos, vivos e objetos contaminados) e por forma a prevenir a disseminação da doença para outras ilhas, nomeadamente proibindo a circulação de coelhos e seus derivados, assim como o uso de cães de ilhas com DHV para caçar em outras ilhas sem registo da doença.
Embora não tendo na sua posse nenhum indício provável ou testemunho documentado da introdução criminosa deste vírus na Região, e tendo sido informados de que já teria sido apresentada queixa-crime, a DRRF questionou o Ministério Público sobre as noticiadas queixas-crime, manifestando a pretensão de se constituir assistente no processo, uma vez que é do interesse do Governo Regional apurar a verdade dos factos, estando, de resto, a colaborar com a GNR-SEPNA no âmbito da investigação em curso, que deve prosseguir sem interferências.
Por todos estes factos relatados, considero que a DRRF teve uma postura pro-activa neste processo, tendo tido em ilhas como as Flores, a Terceira e também já em S. Miguel a colaboração de caçadores e outras entidades, o que registamos e louvamos publicamente.

A Direcção está disposta a reunir com as estruturas representativas dos caçadores em todas as ilhas, nomeadamente com as associações e Conselhos Cinegéticos, para delinearem em conjunto uma estratégia?
Embora nunca nos tenha sido endereçado nenhum convite sobre esta matéria em concreto, a Direcção Regional dos Recursos Florestais tem estado e estará sempre disponível para ouvir e discutir com as estruturas representativas que, aliás, considera fundamentais como ponte para divulgação das medidas necessárias a uma boa gestão dos recursos cinegéticos. Além do mais, os procedimentos a adoptar foram já descritos na resposta à primeira questão, pelo que em cada ilha, e conforme já é prática, realizar-se-ão as reuniões preparatórias para o estabelecimento dos calendários venatórios anuais, onde são apresentados os dados dos censos, da caça e inquéritos, realizados pelos Serviços Florestais, bem como outras informações relativas ao impacto da DHV. Portanto, em cada ilha e tendo em conta a realidade local, será equacionado o esforço de caça a aplicar ou não, também com o contributo das estruturas representativas de caçadores, agricultores, de defesa do ambiente e produtores florestais.
Também consciente de que as estruturas actuais não seriam representativas dos caçadores existentes na Região, a DRRF promoveu uma medida de incentivo ao associativismo dos caçadores, válida por duas épocas venatórias, que permitiu a reactivação de 5  Associações (em 2014 passaram de 5 para 10 associações legalmente constituídas).

Por quanto tempo é que acha que a caça vai ficar interdita nas ilhas afectadas?
Neste momento é prematuro tecer considerações sobre a possibilidade da interdição da caça se manter e por quanto tempo nas ilhas afectadas, considerando que em algumas delas ainda estão a decorrer surtos da doença e naquelas onde deixaram de aparecer coelhos mortos ser necessário aguardar para que se possa considerar que o surto da DHV terá realmente terminado (conforme explicado acima). Apenas nesta altura serão realizados os censos que nos permitem avaliar o impacto do surto da DHV e a evolução/recuperação das populações de coelho-bravo afectadas, uma vez que nesta altura está a decorrer a época de reprodução do coelho-bravo.
 
Haverá alguma explicação para o aparecimento da doença quase em simultâneo em todas as ilhas? E como poderá ter sido introduzido o vírus?
De acordo com informação da Direcção de Serviços de Veterinária a Doença Viral Hemorrágica dos coelhos é um calcivirus da família dos Picornavírus. Na Região já ocorreram alguns surtos, desde que a doença surgiu, pela primeira vez, em 1989.
É uma doença muito contagiosa nos coelhos selvagens mas pode ocorrer também nos domésticos. Causa uma hepatite muito severa com uma ruptura do sistema de coagulação do sangue, sofrendo por isso os coelhos hemorragias internas que levam à sua morte. Transmite-se por contacto directo com um animal infectado ou por contacto com os seus materiais fisiológicos, que podem ser transmitidos também através de vectores vivos e o próprio homem. A contaminação ocorre também através da água, do ar e de objectos contaminados.
A nova variante do vírus da Doença Hemorrágica Viral, identificada em França no ano de 2010, que desencadeou um surto em 2012/2013 no Continente português com uma elevada taxa de mortalidade, chegou aos Açores em finais de Novembro de 2014, tendo surgido em primeiro lugar na ilha Graciosa e passado cerca de um mês terá atingido as ilhas Terceira, S. Jorge, Flores e eventualmente Faial, mas com menor expressão. Passado novamente cerca de um mês chega a Santa Maria e S. Miguel. Pela primeira vez o vírus da DHV chega à ilha das Flores onde até agora se registou o maior número de coelhos recolhidos.
Este vírus é mais resistente que a variante endémica, mais infeccioso e com fácil disseminação ambiental e ao contrário do vírus anterior afecta animais de todas as idades. Portanto todas as hipóteses são admissíveis e estão a ser realizadas investigações que poderão eventualmente responder às dúvidas colocadas.
 
Há caçadores no Pico, nomeadamente o representante no Conselho Cinegético, Cremildo Marques, que afirma já terem encontrado e enterrado alguns coelhos. Não foi dada nenhuma informação aos Serviços Florestais?
Desde o início do ano que o Serviço Florestal do Pico tem estado atento ao surgimento de coelhos-bravos mortos, realizando vistorias por toda a ilha, tendo inclusive questionado caçadores, e entre os quais o Sr. Cremildo, em meados de janeiro, que afirmaram não ter conhecimento de coelhos mortos e garantido informar os Serviços sobre qualquer ocorrência, o que não veio a acontecer até ao momento. Da mesma forma foi contactado o Presidente da Associação de Caçadores da ilha do Pico, que sempre referiu não ter encontrado qualquer animal morto nem ter sido informado pelos seus associados de qualquer caso.
Ainda esta semana e após conhecimento das declarações tornadas públicas, solicitou-se a entrega dos coelhos que teriam sido encontrados mortos para se poderem enviar amostras para análise, assim como a identificação do momento e dos funcionários alegadamente avisados. Contudo, lamento informar que além de essa identificação não ter sido feita, não nos foi entregue nenhum coelho nem indicado o local onde estariam a surgir com “maior densidade”, para se proceder à sua recolha.
As vistorias realizadas pelos Guardas e Técnicos do Serviço Florestal do Pico também se revelaram infrutíferas, até esta terça-feira.
 
Quais as recomendações que aconselha aos caçadores e população em geral?
As principais recomendações, quer aos caçadores quer à população em geral, é evitar o contacto directo com coelhos-bravos encontrados mortos (apenas por uma questão de evitar a disseminação da doença) e avisar os serviços florestais do local onde tal ocorreu. Desta forma os Serviços Florestais poderão direccionar os seus meios para os locais afectados.
Para aqueles que pretendam saber mais sobre as normas para recolha e eliminação de coelhos encontrados mortos, está disponível informação na página da internet da DRRF (http://drrf-srrn.azores.gov.pt/areas/cinegetica/Paginas/Introducao.aspx).
 
Relativamente à abertura da caça ao pombo-torcaz e melro preto na Terceira e Pico, há caçadores que consideram que Junho ainda é muito cedo porque existem ainda muitas crias. A Direcção teve isto em consideração?
As espécies pombo-torcaz e melro-preto são espécies protegidas e a Portaria da Direcção Regional do Ambiente que foi publicada prevê a possibilidade de se realizarem correcções populacionais a estas espécies em determinado período de tempo, mais alargado. A Portaria não estabelece a abertura da caça o pombo-torcaz e ao melro-preto, até porque estas não são espécies cinegéticas, essas sim geridas pela Direcção Regional dos Recursos Florestais.

Açores têm 20 mil desempregados e 5 mil em programas ocupacionais

desemprego2Flagelo tem maior impacto em S. Miguel

O desemprego nos Açores poderá atingir 20 mil pessoas, segundo os últimos dados de Janeiro e Dezembro consultados pelo “Diário dos Açores”.
No final de Janeiro havia 11.617 desempregados inscritos nos Centros de Emprego dos Açores, a que se juntam mais cerca de 8 mil que não estão inscritos (valores de Dezembro de 2014), mas que estão identificados pelo inquérito trimestral (a taxa de desemprego é apurada trimestralmente pelo inquérito).
No total haverá cerca de 20 mil desempregados.
Destes, 7.318 estavam inscritos em Ponta Delgada (63%), 3.195 em Angra do Heroísmo (28%) e 1.104 na Horta (10%).
Aos 11.617 inscritos nos centros de emprego corresponde um desemprego total de cerca de 19.000 pessoas (valores de Dezembro de 2014).
Quanto aos programas ocupacionais, são mais de 5 mil os açorianos que estão nesta situação.
No final de Janeiro, segundo os documentos oficiais consultados pelo nosso jornal, registavam-se exactamente 5.389 pessoas nos programas ocupacionais, sendo que a esmagadora maioria é em S. Miguel, 4.016 pessoas, o que representa 75%, enquanto que Angra do Heroísmo regista 1.006 ocupacionais (19%) e a Horta 367 (7%).
Juntando o desemprego total aos inscritos em programas ocupacionais, temos cerca de 24.400 pessoas.
Se compararmos este núero com a população activa dos Açores (a 31 de Dezembro, segundo o Serviço Regional de Estatística dos Açores), que é de 122.534 açorianos, chegamos à conclusão que é cerca de 20% da população em actividade, valores bastante altos quando comparados com o resto do país.
Para minorar este flagelo, o Governo Regional tem vindo  a criar programas ocupacionais para os desempregados, em que as autarquias são as maiores beneficiadas, ao chamarem a si muitas centenas destes ocupacionais.
Ainda esta semana o Presidente da Câmara de Vila Franca, Ricardo Rodrigues, juntou no Pavilhão Açor Arena 200 desempregados que se encontra no programa ocupacional daquele concelho e 70 novos que entram agora no programa.
Estes ocupacionais são distribuídos pelas várias autarquias do concelho e por outras instituições de solidariedade social.
As remunerações são suportadas pelo Governo Regional, enquanto a autarquia suporta os custos sociais, nomeadamente, o pagamento da Segurança Social e Seguro.
Os beneficiários são jovens à procura do primeiro emprego, desempregados de longa duração e pessoas portadoras de deficiência.

Crime no vírus dos coelh os? “Não há testemunhos”

anabela isidoroHouve mão criminosa na introdução do vírus hemorrágico dos coelhos?
Anabela Isidoro, Directora Regional dos Recursos Florestais, diz que não há “nenhum indício provável ou testemunho documentado”. Revela nesta entrevista que se confirma a doença em todas as ilhas e que é prudente aguardar, pelo menos, mais dois meses

 

DIÁRIO DOS AÇORES - Confirmadas que estão as análises sobre o vírus hemorrágico em S.Miguel, o que provavelmente se repetirá nas outras ilhas, quais os próximos passos que a Direcção vai adoptar?
ANABELA ISIDORO - Atendendo às indicações de que a nova estirpe do vírus que origina a Doença Hemorrágica Viral (DHV) pode permanecer vivo, no terreno, durante 30 a 40 dias, será importante e no mínimo prudente, aguardar até cerca de dois meses, após a detecção do último coelho morto no terreno, para que se possa considerar que o surto da DHV terá realmente terminado.
Constatando-se que o surto da DHV terminou, proceder-se-á então à avaliação do impacto que a DHV terá tido sobre as populações de coelho-bravo locais. Para que essa avaliação seja feita, com o devido rigor, analisar-se-ão os resultados dos censos populacionais do coelho-bravo, realizados com uma periodicidade mensal, de modo a poder perceber não só o impacto do surto da DHV como, também, a evolução/recuperação das populações de coelho-bravo afectadas.
 
Quando prevê a confirmação das análises das outras ilhas?
Todas as análises foram confirmadas. A razão de existirem dois resultados para cada ilha prende-se com o facto da Direcção Regional dos Recursos Florestais ter procedido à recolha de amostras de coelhos infectados com esta nova estirpe, em todas as ilhas, que permita o estudo que determine o seu impacto ao nível das populações de coelho-bravo locais, tendo em conta as especificidades da Região. Assim, ao mesmo tempo que são recolhidas amostras pela Direcção de Serviços de Veterinária, também são enviadas amostras para o Cibio da Universidade do Porto. Esta ligação com o Cibio-UP tem permitido o contacto directo com especialistas que têm desenvolvido trabalhos a nível nacional e internacional sobre esta matéria, contribuindo para a implementação dos procedimentos e normas requeridas à gestão destas situações. Também a Autoridade Veterinária Regional tem dado um apoio fundamental no que respeita à implementação de medidas epidemiológicas e de biossegurança ambiental.
 
Alguns caçadores, nomeadamente de S. Miguel, acusaram a Direcção de “passividade” na resposta a este problema. Como responde às críticas?
Como já foi oportunamente esclarecido, em todas as ilhas e desde o momento em que foram detectados e/ou denunciados coelhos-bravos mortos foram de imediato recolhidas amostras para análise, efectuadas vistorias pelas diferentes zonas, feita a recolha e destruição de cadáveres expostos a possíveis agentes de disseminação da doença e prestadas informações à população através de emissão de boletim. Portanto, os procedimentos possíveis foram de imediato implementados por iniciativa da Direcção Regional dos Recursos Florestais e através dos seus serviços operativos, como é sua obrigação, tendo por principal objectivo a contenção da doença que, pela sua natureza e forma de disseminação, se considera bastante agressiva.
Também se procedeu ao encerramento da caça nas diversas ilhas, ou após confirmação laboratorial da DHV ou porque o número de coelhos-bravos encontrados mortos assim o justificava.
A par destas medidas, a Direção Regional da Agricultura, através da Direção de Serviços de Veterinária, emitiu editais visando a supressão dos possíveis vetores de transmissão (orgânicos, vivos e objetos contaminados) e por forma a prevenir a disseminação da doença para outras ilhas, nomeadamente proibindo a circulação de coelhos e seus derivados, assim como o uso de cães de ilhas com DHV para caçar em outras ilhas sem registo da doença.
Embora não tendo na sua posse nenhum indício provável ou testemunho documentado da introdução criminosa deste vírus na Região, e tendo sido informados de que já teria sido apresentada queixa-crime, a DRRF questionou o Ministério Público sobre as noticiadas queixas-crime, manifestando a pretensão de se constituir assistente no processo, uma vez que é do interesse do Governo Regional apurar a verdade dos factos, estando, de resto, a colaborar com a GNR-SEPNA no âmbito da investigação em curso, que deve prosseguir sem interferências.
Por todos estes factos relatados, considero que a DRRF teve uma postura pro-activa neste processo, tendo tido em ilhas como as Flores, a Terceira e também já em S. Miguel a colaboração de caçadores e outras entidades, o que registamos e louvamos publicamente.

A Direcção está disposta a reunir com as estruturas representativas dos caçadores em todas as ilhas, nomeadamente com as associações e Conselhos Cinegéticos, para delinearem em conjunto uma estratégia?
Embora nunca nos tenha sido endereçado nenhum convite sobre esta matéria em concreto, a Direcção Regional dos Recursos Florestais tem estado e estará sempre disponível para ouvir e discutir com as estruturas representativas que, aliás, considera fundamentais como ponte para divulgação das medidas necessárias a uma boa gestão dos recursos cinegéticos. Além do mais, os procedimentos a adoptar foram já descritos na resposta à primeira questão, pelo que em cada ilha, e conforme já é prática, realizar-se-ão as reuniões preparatórias para o estabelecimento dos calendários venatórios anuais, onde são apresentados os dados dos censos, da caça e inquéritos, realizados pelos Serviços Florestais, bem como outras informações relativas ao impacto da DHV. Portanto, em cada ilha e tendo em conta a realidade local, será equacionado o esforço de caça a aplicar ou não, também com o contributo das estruturas representativas de caçadores, agricultores, de defesa do ambiente e produtores florestais.
Também consciente de que as estruturas actuais não seriam representativas dos caçadores existentes na Região, a DRRF promoveu uma medida de incentivo ao associativismo dos caçadores, válida por duas épocas venatórias, que permitiu a reactivação de 5  Associações (em 2014 passaram de 5 para 10 associações legalmente constituídas).

Por quanto tempo é que acha que a caça vai ficar interdita nas ilhas afectadas?
Neste momento é prematuro tecer considerações sobre a possibilidade da interdição da caça se manter e por quanto tempo nas ilhas afectadas, considerando que em algumas delas ainda estão a decorrer surtos da doença e naquelas onde deixaram de aparecer coelhos mortos ser necessário aguardar para que se possa considerar que o surto da DHV terá realmente terminado (conforme explicado acima). Apenas nesta altura serão realizados os censos que nos permitem avaliar o impacto do surto da DHV e a evolução/recuperação das populações de coelho-bravo afectadas, uma vez que nesta altura está a decorrer a época de reprodução do coelho-bravo.
 
Haverá alguma explicação para o aparecimento da doença quase em simultâneo em todas as ilhas? E como poderá ter sido introduzido o vírus?
De acordo com informação da Direcção de Serviços de Veterinária a Doença Viral Hemorrágica dos coelhos é um calcivirus da família dos Picornavírus. Na Região já ocorreram alguns surtos, desde que a doença surgiu, pela primeira vez, em 1989.
É uma doença muito contagiosa nos coelhos selvagens mas pode ocorrer também nos domésticos. Causa uma hepatite muito severa com uma ruptura do sistema de coagulação do sangue, sofrendo por isso os coelhos hemorragias internas que levam à sua morte. Transmite-se por contacto directo com um animal infectado ou por contacto com os seus materiais fisiológicos, que podem ser transmitidos também através de vectores vivos e o próprio homem. A contaminação ocorre também através da água, do ar e de objectos contaminados.
A nova variante do vírus da Doença Hemorrágica Viral, identificada em França no ano de 2010, que desencadeou um surto em 2012/2013 no Continente português com uma elevada taxa de mortalidade, chegou aos Açores em finais de Novembro de 2014, tendo surgido em primeiro lugar na ilha Graciosa e passado cerca de um mês terá atingido as ilhas Terceira, S. Jorge, Flores e eventualmente Faial, mas com menor expressão. Passado novamente cerca de um mês chega a Santa Maria e S. Miguel. Pela primeira vez o vírus da DHV chega à ilha das Flores onde até agora se registou o maior número de coelhos recolhidos.
Este vírus é mais resistente que a variante endémica, mais infeccioso e com fácil disseminação ambiental e ao contrário do vírus anterior afecta animais de todas as idades. Portanto todas as hipóteses são admissíveis e estão a ser realizadas investigações que poderão eventualmente responder às dúvidas colocadas.
 
Há caçadores no Pico, nomeadamente o representante no Conselho Cinegético, Cremildo Marques, que afirma já terem encontrado e enterrado alguns coelhos. Não foi dada nenhuma informação aos Serviços Florestais?
Desde o início do ano que o Serviço Florestal do Pico tem estado atento ao surgimento de coelhos-bravos mortos, realizando vistorias por toda a ilha, tendo inclusive questionado caçadores, e entre os quais o Sr. Cremildo, em meados de janeiro, que afirmaram não ter conhecimento de coelhos mortos e garantido informar os Serviços sobre qualquer ocorrência, o que não veio a acontecer até ao momento. Da mesma forma foi contactado o Presidente da Associação de Caçadores da ilha do Pico, que sempre referiu não ter encontrado qualquer animal morto nem ter sido informado pelos seus associados de qualquer caso.
Ainda esta semana e após conhecimento das declarações tornadas públicas, solicitou-se a entrega dos coelhos que teriam sido encontrados mortos para se poderem enviar amostras para análise, assim como a identificação do momento e dos funcionários alegadamente avisados. Contudo, lamento informar que além de essa identificação não ter sido feita, não nos foi entregue nenhum coelho nem indicado o local onde estariam a surgir com “maior densidade”, para se proceder à sua recolha.
As vistorias realizadas pelos Guardas e Técnicos do Serviço Florestal do Pico também se revelaram infrutíferas, até esta terça-feira.
 
Quais as recomendações que aconselha aos caçadores e população em geral?
As principais recomendações, quer aos caçadores quer à população em geral, é evitar o contacto directo com coelhos-bravos encontrados mortos (apenas por uma questão de evitar a disseminação da doença) e avisar os serviços florestais do local onde tal ocorreu. Desta forma os Serviços Florestais poderão direccionar os seus meios para os locais afectados.
Para aqueles que pretendam saber mais sobre as normas para recolha e eliminação de coelhos encontrados mortos, está disponível informação na página da internet da DRRF (http://drrf-srrn.azores.gov.pt/areas/cinegetica/Paginas/Introducao.aspx).
 
Relativamente à abertura da caça ao pombo-torcaz e melro preto na Terceira e Pico, há caçadores que consideram que Junho ainda é muito cedo porque existem ainda muitas crias. A Direcção teve isto em consideração?
As espécies pombo-torcaz e melro-preto são espécies protegidas e a Portaria da Direcção Regional do Ambiente que foi publicada prevê a possibilidade de se realizarem correcções populacionais a estas espécies em determinado período de tempo, mais alargado. A Portaria não estabelece a abertura da caça o pombo-torcaz e ao melro-preto, até porque estas não são espécies cinegéticas, essas sim geridas pela Direcção Regional dos Recursos Florestais.

Mais de 10 mil coelhos mortos foram recolhidos em 7 ilhas

Coelho BravoAnálises reconfirmam vírus hemorrágico
Mais de 10 mil coelhos mortos já foram recolhidos pelos Serviços Florestais em sete ilhas - soube o “Diário dos Açores” de fonte da Direcção dos Serviços Florestais.
Os primeiros exemplares começaram a ser recolhidos na ilha Graciosa em 29 de Novembro do ano passado, aumentando até ao dia 26 de Fevereiro em várias ilhas, com destaque para as Flores, onde foram recolhidos 6.860 coelhos (ver quadro nesta notícia).
Até agora os Serviços Florestais não têm registos de coelhos mortos apenas nas ilhas de Pico e Corvo, mas, tal como noticiámos na edição de sábado, vários caçadores picoenses dizem já ter encontrado muitos coelhos mortos naquela ilha e estranham que não seja do conhecimento das autoridades.
O nosso jornal sabe que, ainda no passado fim de semana, caçadores do Pico enterraram vários exemplares pequenos na zona do Paul da Borrega.
Também nesse fim de semana foram encontrados mais coelhos mortos nas matas da margem sul da lagoa das Furnas, em S. Miguel.
Tal como foi revelado pelo nosso jornal, as primeiras análises em S. Miguel confirmaram o vírus hemorrágico, mas na sexta-feira o governo recebeu, segundo sabemos, as segundas análises, que reconfirmam a presença da nova estirpe da Doença Hemorrágica Viral dos Coelhos.
Fonte oficial da Direcção dos Serviços Florestais disse ao “Diário dos Açores” que a proibição de caça foi decretada naquelas ilhas, “nalguns casos preventivamente, mesmo sem os resultados definitivos das análises, e devido ao significativo número de animais encontrados. Apesar do decréscimo ou até ausência de animais mortos encontrados nas ilhas onde se detectou a doença mais cedo (antes de S. Miguel e Santa Maria), mantém-se a prevenção dos serviços com vistorias e a interdição de caça”.

Caça ao pombo-torcaz e melro preto
Entretanto, vai ser autorizada a caça ao pombo-torcaz e ao melro preto a partir de Junho, no Pico e na Terceira, numa decisão que não merece a aprovação de alguns caçadores.
As autoridades entendem que “estamos perante espécies não cinegéticas e protegidas”, pelo que “de 15 de Junho a 15 de Setembro e durante esse período, é permitida a correcção, num período mais alargado, de densidade populacional em áreas específicas (nas áreas de vinha da Terceira e Pico), através de requerimento à Direcção Regional de Ambiente, com recurso a diversos métodos, entre os quais a arma de fogo desde que em respeito pela lei da caça”.

Caçadores de S. Miguel reúnem-se na próxima sexta-feira

O reaparecimento da doença hemorrágica em quase todas as ilhas está a causar muita estranheza e preocupação a muitos caçadores.
Há cerca de uma semana, os que se manifestaram em Ponta Delgada acusaram o governo de “passividade” face ao problema, o que foi prontamente rejeitado pelas autoridades regionais.
Estes assuntos, segundo soubemos, vão ser alvo de profunda discussão pelos caçadores de S. Miguel, que se reúnem na próximo sexta-feira, 6 de Março, num encontro organizado pela Associação Micaelense de Caça.
O encontro terá lugar no Clube Desportivo de Tiro de S. Miguel e o problema da doença hemorrágica e outros casos ligados à caça na ilha e nos Açores, com as respectivas medidas a tomar, serão os únicos temas na ordem de trabalhos.
 A Doença Hemorrágica Viral que afeta os coelhos  não se transmite a outros animais ou ao ser humano, mas a sua carne não deve ser consumida, alertam as autoridades regionais.