Açores voltam a ser a região com menor poder de compra

Pessoas na rua - PDLOs Açores voltaram a ocupar a última posição das regiões portuguesas em termos do poder de compra concelhio (PCC), de acordo com o último estudo do INE publicado esta semana. Em 2009 a Região tinha atingido 86,14% da média nacional, o que a colocava acima da região Centro, mas em 2011 esse indicador baixou para os 82,35%, ficando atrás de todas as regiões. Pior ainda só o facto desse indicador ficar ainda abaixo dos 83,62% que se verificavam em 2007. A quebra em relação a 2009, que foi de 4,4%, só não é a maior do país porque a Madeira dá um tombo de 10,23%.
Apenas um município ultrapassa os 100%: é Ponta Delgada, com 104,27%, embora registando fortíssimas quebras de 11,44% em relação a 2009 e de 7,7% em relação a 2007, ambas as maiores descidas registadas nos municípios açorianos. É, portanto, o pior valor de Ponta Delgada, que atingira 112,95% em 2007 e 117,7% em 2009.
O 2º melhor município é Angra do Heroísmo, mas com 91,22%. Os municípios açorianos com o menor poder de compra são o do Nordeste, com 55,86% da média nacional, a Povoação, com 57,8%, e Vila Franca do Campo, com 59,18%. A Ribeira Grande, com apenas 63,1%, é o 5ª município mais pobre. Por outras palavras: S. Miguel tem o município com maior poder de compra dos Açores, e os municípios com o menor poder de compra! Destes 4 municípios, apenas o da Ribeira Grande revelou descidas em relação a 2009 (-7,2%) e 2007 (-5,8%)
Os Açores detêm apenas 1,931% do poder de compra do país, o que representa um aumento de 0,47% em relação a 2007, mas um recuo de 2,8% em relação a 2009.

Redução de crédito no último ano nos Açores foi de 6,5% do PIB...

notasA história recente da importância da banca na economia regional conta-se em 2 números.
O primeiro é que entre o 1º trimestre de 2009 e o 1º trimestre de 2011, o montante de empréstimos concedidos pela banca nos Açores às famílias, nos segmentos de habitação e consumo, cresceu a uma média de 0,78% por trimestre. E o segundo é que entre o 2º trimestre de 2011  e o 3º trimestre de 2013, houve uma contração de -1,01% por trimestre.
Os últimos dados do Banco de Portugal sobre o crédito são claros: uma tendência de aumento continuada e depois uma quebra sucessiva. Em termos absolutos, neste momento as famílias açorianas registam 3.397 milhões de euros de crédito, o que é menos 145 milhões de euros que em 2012 e menos 287 milhões que em 2011.
Em média, trata-se de uma redução de 145 milhões de euros por ano nos últimos 2 anos. É uma redução brutal, especialmente tendo em conta o seu peso em termos do PIB. Considerando o valor do PIB de 2010 (3.743 milhões de euros), a redução média anual do crédito é de quase 4%.
Mas para além do crédito às famílias, há ainda o crédito às empresas. Neste caso, a tendência de redução foi um pouco mais tardia, começando a sentir-se apenas no 1º trimestre de 2012. No último ano, registou-se um redução de 96 milhões de euros. Se esse valor for acumulado à redução do crédito às famílias, esses 241 milhões de euros representam cerca de 6,5% do PIB regional...
Dito assim, estes dados poderiam ser suficientes para explicar a grave crise que assentou arraiais nos Açores e que tem o seu expoente no contínio aumento da população desempregada, que neste momento já ultrapassou a média nacional. No último trimestre, a média é de 17,7 de desemprego, o com um total de cerca de 21.500 desempregados, o que é o maior valor de sempre. Ontem mesmo os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional indicam que no último ano houve um aumento do número de inscritos nos centros de emprego superior a 20%, atingindo 18.863 pessoas.
No entanto, a verdade é que os Açores têm sido mais poupados que o resto do país na contracção do crédito. A uma redução no último ano de 4,09% no crédito às famílias na Região, equivale uma redução de 4,9% no país; e enquanto que nos Açores o crédito às empresas baixou 4,03%, no resto do país a redução foi de 7,6%, muito próxima do dobro. Mesmo em termos dos respectivos PIB, a redução do crédito no país representa 7,54% do PIB nacional.
Ou seja, a nível nacional o recuo da banca foi ainda maior que nos Açores, embora a recuperação da economia pareça estar a processar-se a um ritmo muito superior...

Açores têm 2.583 funcionários locais e uma média abaixo da nacional

Funcionários públicosO Jornal de Negócios publica esta semana um levantamento do número de funcionários das autarquias, que estima um total de 2.583 para os Açores. Estes valores devem ser lidos com alguma cautela, uma vez que o total nacional que é estimado pelo jornal, na casa dos 121 mil, está acima do total que é apresentado pela “Síntese Estatística do Emprego Público” (SEEP), da Direcção Geral da Administração e Emprego Público, no 2º trimestre do ano, e que é de 115 mil.
Os 2.583 funcionários registados nos Açores em 2013 revelam uma descida de 2,08% em relação a 2010, ano em que o jornal fez o mesmo levantamento.
Por estes valores, os Açores têm 2,13% do número de funcionários municipais do país, o que está abaixo da nossa taxa populacional, que é de 2,4%.
Juntando os funcionários públicos açorianos constantes do levantamento da SEEP, os Açores têm neste momento 17.471 funcionários públicos, sem contar com os funcionários do Estado, nas áreas da Segurança, Justiça e Militar.
Isso significa que o número de funcionários públicos da administração regional e local nos Açores representa  14,3% da população activa, enquanto que a média nacional é de apenas 10,66%.
Ponta Delgada é o município que tem maior número de funcionários, com 23,3% do total, embora esse valor fique abaixo do seu peso populacional de 27,8%.
Segundo o Negócios, “a câmara de Esposende, no distrito de Braga, continua a ser a que tem o número mais reduzido de funcionários por mil habitantes: 4,5, uma marca que deixa a Batalha (5 funcionários por mil habitantes) a alguma distância. No extremo oposto está Mourão, no Alentejo, com um rácio de 67,5. O Corvo, nos Açores, deixou o último lugar de 2010 e é agora penúltimo classificado na tabela, com 62,8 funcionários por cada mil habitantes. Alcoutim, no Algarve, é o terceiro município com maior rácio, com 60,8”.
O jornal estima que a média nacional é de 17,5 funcionários autárquicos por mil habitantes. Nos Açores, esse valor baixa para apenas 10,4. O valor mais baixo está em Angra do Heroísmo, com apenas 7,06 funcionários por mil habitantes. Ponta Delgada regista 8,7 e a Ribeira Grande 16,3.

66,3% dos novos empregos nos Açores foram criados na administração pública

palacio conceiçãoQuase um terço do crescimento do número de empregos registado nos 2º e 3º trimestres  do ano nos Açores foi conseguido através de entradas para a Adminsitração Pública, de acordo com os dados sobre o desemprego do INE.  No conjunto dos 2 trimestres, a administração pública regional criou 1.696 empregos, o que representa cerca de 66,3% do total de 2.559 empregos criados.
Aliás, parece que terá sido uma espécie de “trunfo” que foi usado: entre o 1º e o 2º trimestre, o aumento foi de apenas 203 empregos, mas entre o 3º e o 2º aumentou 1493, o que é o maior aumento verificado em todos os sectores. No conjunto dos 2 trimestres, foi igualmente o maior aumento por sectores.
O resultado é que neste momento os empregos na “Administração Pública, Defesa e Segurança Social Obrigatória” representam 12,88% do total de empregos, o que é o maior peso desde pelo menos 2009.
O 1º trimestre de 2013, que é tomado como referência, apresentava o mais baixo número de empregos desde o 2º trimestre de 2001.
O aumento de empregos foi obtido através de um claro reforço no peso so sector terciário e uma redução clara no sector secundário. Aliás, o sector secundário (que engloba as indústrias transformadoras e a construção civil) tem vindo a baixar o seu peso desde pelo menos o 4º trimestre de 2009 e encontra-se neste momento no seu mais baixo valor desse período. Em 2009, o sector secundário representava quase 25% do emprego, quando no 3º trimestre de 2013 já está nos 13,4%.
O problema é maior do lado da construção civil, mas mesmo as indústrias transformadoras não estão bem. Na construção as quebras são praticamente consecutivas, havendo neste momento apenas 5.634 trabalhadores, que é o mais baixo valor desde pelo menos 2009, quando chegaram a ser mais de 17 mil, ou seja, mais do triplo. Mas nas indústrias transformadoras, que registaram um aumento no 2º trimestre do ano, mas um ligeiro recuo no 3º trimestre, e apesar de um aumento de 14% em relação ao 3º trimestre de 2012, tem um dos valores mais baixos desde 2009.
Nos serviços, o “Alojamento, restauração e similares” também mostrou um aumento significativo no 3º trimestre, o que parece confirmar a tendência de haver mais emprego no Verão neste sector. Houve um aumento de 13,5% entre o 3º e o 2º trimestre, mas se se confirmar essa tendência, é provável que se verifique uma descida no próximo boletim trimestral. No 3º trimestre, no entanto, este sector regista o maior valor desde pelo menos 2009.

41% dos contentores sairam vazios dos portos açorianos em 2012...

Porto de Ponta DelgadaO movimento de mercadorias nos portos do Açores baixou cerca de 9% no ano passado, ficando-se por cerca de 2,3 milhões de toneladas carregadas e descarregadas.
Foram descarregadas em 2012 cerca de 1,69 milhões de toneladas, o que representa uma variação de -7,5% em relação a 2011, e foram carregadas 626 mil toneladas, numa variação de -12,8%.
A diferença entre mercadorias descarregadas e carregadas também aumentou. Em 2011, as mercadorias carregadas representavam 39,3% das descarregadas, e em 2012 esse valor baixou para 37%.
As principais mercadorias carregadas foram os “Produtos alimentares, bebidas e tabaco”, com 42% do total. Mas apesar do aumento de 9,35% em 2012, o seu peso nas importações da mesma categoria baixou de 68,14% para 64,57%.
As principais mercadorias descarregadas são “Coque e produtos petrolíferos refinados”, com 440 mil toneladas, o que representa 26% do total, seguidas da “Produtos alimentares, bebidas e tabaco”, com 408 mil toneladas, ou 24% do total. A descarga de produtos petrolíferos registou um aumento de 10,3%, enquanto que os produtos alimentares aumentaram 15,4%.
Cerca de 74% das mercadorias carregadas foram-no por contentor, enquanto que apenas 40% das mercadorias descarregadas foram contentorizadas.
Cerca de 41% dos contentores carregados nos Açores foram transportados vazios, o que é um valor que aumentou em relação aos 35% verificados em 2011. Nos portos dos Açores foram descarregados em 2012 um total de 46.559 contentores, o que revela uma descida de 21% em relação aos 58.928 registados um ano antes.

 

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