S. Miguel a caminho dos 60%

Pessoas na rua - PDLDe acordo com os destaques dos Anuários de 2012, do INE, a população açoriana, juntamente com a de Lisboa, foi das únicas a crescer no país entre 2011 e 2012. No caso açoriano, o aumento terá sido de 0,2%, o que motivou regozijo em alguns círculos. Mas serão esses dados realmente positivos?
O facto é que existem algumas variáveis de peso. Desde logo, a ilha de S. Miguel atinge um peso de 56% da população regional, com 138.551 dos 247.549 residentes dos Açores. E tendo em conta os dados conhecidos, nomeadamente os recenceamentos decenais desde 1900, é a primeira vez que S. Miguel atinge esse valor. No resultado do Censos de 2011, que levou a uma correcção de 2,63% em relação aos dados do ano de 2010 (que, como os de 2012, são por projecção), S. Miguel já revelava esse aumento substancial, mas tinha-se ficado pelos 55,9% da população. As centésimas que faltaram concretizaram-se em 2012. Pelos censos decenais, o ano com menor peso da população terá sido de 1900, em que S. Miguel apenas tinha 47,6%. Neste momento, S. Miguel parece assumir uma tendência para se aproximar dos 60% da população açoriana, especialmente quando se coloca em equação as taxas demográficas.
A questão é esta: apesar do INE registar aumentos populacionais em 2012 em quase todas as ilhas, com excepção das Flores, Faial e S. Jorge, o facto é que esses valores positivos apenas foram conseguidos através da migração. Na verdade, apenas S. Miguel consegue manter uma taxa de crescimento natural (calculada com base na diferença entre o número de nados vivos e o número de óbitos) positiva, com 0,32, que é suficiente para manter esse indicador positivo nos Açores, com 0,11 (o Corvo também tem uma taxa de crescimento natural positiva, mas é irrelevante em termos regionais). Curiosamente, S. Miguel apresenta uma taxa de crescimento migratório negativa (essa taxa é calculada sobre a diferença entre o número de entradas e saídas por migração, internacional ou interna). Com excepção trambém de S. Jorge, os saldos positivos de todas as restantes ilhas apenas foram conseguidos por essa via.
Há outros indicadores, como o índice de dependência de idosos (que é a relação entre a população idosa e a população em idade ativa) em que S. Miguel apresenta a melhor dinâmica (um índice de apenas 17,9, que é o único abaixo da média regional de 18,7). Esse índice chega a atingir os 29,8 na Graciosa. 
No índice de envelhecimento (relação entre a população idosa e a população jovem) S. Miguel apresenta a mais baixa relação do arquipélago, com 56,7 (idosos por cada 100 jovens), o que fica bastante abaixo dos 74,1 de média regional. Em 5 ilhas esse indicador é superior a 100 e até a Terceira tem uma relação de 88,6, que está acima da média regional. Por outras palavras, apenas S. Miguel parece estar preparada para continuar a aumentar o seu peso populacional.
S. Miguel tem neste momento uma densidade de 186 habitantes por quilómetro quadrado, enquanto que a média regional é de 106,6. A densidade do país é de 113,7, sendo o Alentejo a menor, com apenas 23,7 pessoas por quilómetro quadrado. A Madeira atinge os 328,4, que só fica abaixo dos 939 de Lisboa.
A mais baixa densidade nos Açores regista-se no Corvo e Flores, abaixo dos 30, e no Pico e S. Jorge, abaixo dos 40. A Terceira atinge os 141,5. A nível de S. Miguel, a maior densidade regista-se na Lagoa, com 320, seguindo-se Ponta Delgada com 295 e a Ribeira Grande com 180,5. 

Reitor da Universidade dos Açores renuncia ao cargo para possibilitar solução a 3 anos

Jorge Medeiros - ex-ReitorO reitor da Universidade dos Açores renunciou ontem ao cargo, justificando que “a minha reitoria teria neste momento apenas um ano de vida útil para implementar um projeto que deverá ser desenvolvido em três anos e iniciar-se em 2014. Muito pouco tempo certamente para os desafios que se colocam e que exigem continuidade e coerência na governação. Por estas razões, entendi ser meu dever renunciar ao cargo de Reitor da Universidade dos Açores, abrindo espaço a que uma nova equipa possa prosseguir nas condições agora existentes, um projeto que nunca encarei como pessoal mas sim institucional”.
Em causa está o facto que o Ministério da Educação e Ciência “vai negociar com o das Finanças e com o Governo Regional a aprovação do plano para o período de 2014-2016, no qual se prevê a assunção dos défices de 2014 e 2015 da universidade, bem como da totalidade dos encargos com o empréstimo que a instituição ainda tem por liquidar”.
Ou seja, “a Universidade dos Açores ficará equilibrada financeiramente”, disse Jorge Medeiros, destacando que a academia recebeu um reforço orçamental do Governo da República que lhe permitirá terminar o ano “em condições normais de funcionamento”.
“Independentemente dos termos em que tal plano vier a ser aprovado, certo é que nos próximos três anos a Universidade dos Açores terá necessariamente de se reestruturar a vários níveis. Neste contexto, será necessário estabelecer e implementar um conjunto de medidas que permitam consolidar e desenvolver a universidade num quadro estável e de grande abrangência, aproveitando igualmente o arranque do próximo Programa Quadro para o período de 2014-2020”, escreve o reitor.
Jorge Medeiros reconhece, por outro lado, que está “ciente que nem tudo se fez da melhor forma”, mas deixou um agradecimento “a toda a equipa que comigo trabalhou e a todos os órgãos e dirigentes da Universidade dos Açores, aos docentes, investigadores, funcionários e alunos o trabalho também por eles desenvolvido durante estes anos”, tendo realçado que lutou “pela dignidade da Universidade dos Açores, pela sua sobrevivência e pela sua defesa junto das diversas instâncias e órgãos”.
O reitor acredita também na sobrevivência a Uaç e que “um dia será possível a necessária união e conjugação de esforços para que tal aconteça”.
Jorge Medeiros havia assumido a função de reitor da academia açoriana  a 4 de Julho de 2011, num quadro, como disse, “de grandes constrangimentos de ordem financeira, impostos por uma crise económica internacional sem precedentes”.

Cancro de pele “não melanoma” é o mais comum – e muito acima da média nacional

cancro de peleO cancro da pele não melanoma é o tipo de cancro mais comum detectado nos Açores entre os anos de 1997 e 2011, de acordo com o Registo Oncológico Regional dos Açores - RORA, ontem divulgado pelo Serviço Regional de Estatística. As comparações com o resto do país não são possíveis, uma vez que os registos nacionais, se existem, não são públicos para todos esses anos (apenas tivemos acesso aos dos anos 2001, 2005 e 2006). Mas quando se compara com os dados nacionais de 2005, os cancros da pele não melanoma registados nos Açores representam 6,16% do total nacional, o que está muitíssimo acima da nossa taxa populacional (que é de 2,4%). Este tipo de cancro nos Açores representa 20,3% no total de cancros nos homens, e 22,3% nos cancros nas mulheres.
O 2º cancro mais comum é o do conjunto Traqueia, Brônquios e Pulmão, que de 1997 a 2011 representou 18,9% dos cancros nos homens, embora apenas 3,6% nos cancros das mulheres. Na comparação realizada sobre o ano de 2005, este tipo de cancro apresenta uma taxa global de 4,2% do total nacional, sendo 4,75% no caso dos homens e 2,3% no caso das mulheres.
Os dados do RORA apresentam os números totais por tipos de cancro, mas a sua repartição por idades é feita em termos de taxas por 100 mil habitantes e por sexo. Mas permite compreender que o cancro da pele tem uma maior incidência nos homens, que têm uma taxa de 7,7 por 100 mil nas idades dos 0 aos 74 anos, e de 4,3 nas mulheres, e de 3 por 100 mil nas idades de 0 aos 64 anos nos homens e de 2,3 nas mulheres. A partir dos 60 anos de idade percebe-se que a incidência é muito maior nos homens do que nas mulheres, normalmente em mais do dobro. Por outro lado, nas idades mais novas, as mulheres parece serem mais susceptíveis (na faixa dos 30 aos 34 anos, elas estão mesmo à frente, com 13,7 por 100 mil contra 10,5 nos homens). A partir dos 85 anos de idade, a taxa é de 1090 por 100 mil nos homens, o que significa que cerca de 1,1% dos homens vivos com essa idade terão esse tipo de cancro, enquanto que esse valor baixa para 0,5% no caso das mulheres.
Os cancros da Traqueia, Brônquios e Pulmão manifestam-se de forma diversa: a partir dos 85 anos a taxa é de 330 por 100 mil nos homens e de apenas 62 nas mulheres. A maior incidência acontece na faixa dos 70 aos 74 anos no caso dos homens (0,5% da população com essa idade), enquanto que nas mulheres os maiores valores acontecem a partir dos 80 anos, mas na casa dos 60 casos por 100 mil.
Segundo os laboratórios Roche, “os dois tipos de cancro de pele não-melanoma mais comuns são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular ou pavimentoso ou epidermoide. Este tipo de carcinomas tende a aparecer na cabeça, na face, no pescoço, nas mãos e nos braços, as áreas mais expostas ao sol. Porém, o cancro de pele pode surgir em qualquer parte do corpo. O carcinoma basocelular ou basalioma cresce lentamente. Aparece com frequência em áreas da pele que estiveram expostas ao sol, sendo mais comum na face. O carcinoma basocelular raramente se espalha para outras partes do organismo. O carcinoma pavimentoso ou espinocelular também se desenvolve em áreas da pele que estiveram expostas ao sol. Pode, no entanto, aparecer em locais não expostos ao sol. O carcinoma espinocelular pode atingir os gânglios linfáticos e alguns órgãos”.  

16.638 casos de cancro em 15 anos e os homens são os mais atingidos

Pessoas na rua - PDLEntre 1997 e 2011, o número de cancros entre os residentes dos Açores tem apresentado uma tendência sempre crescente, terminando o período com 16.638 casos detectados, ou 13.741 se forem exceptuados o cancros de pele não melanoma. A média anual terá sido de cerca de 1.100 casos (916 sem cancro de pele não melanoma).
Esses valores não significam o mesmo que pessoas, mas está lá perto. Conforme as regras internacionais de registo oncológico definidas pela International Association of Cancer Registries, cada caso corresponde a um diagnóstico de um determinado tipo de cancro. O mais normal é uma pessoa ter um só cancro ao longo da sua vida, mas existem também casos, não tão raros, de a mesma pessoa ter dois ou mais. Para efeitos de registo oncológico, só se regista o tumor primário (ou seja, para as estatísticas de incidência não contam as recidivas de um mesmo cancro ocorridas posteriormente ao primeiro diagnóstico). Do mesmo modo, se uma mulher tem um cancro de mama em 2000 e outro em 2007, mesmo que em mamas diferentes, só se contabiliza o cancro de 2000. E se um homem tem um cancro da próstata em 1997 e uma recidiva em 1999 só conta o de 1997, e assim sucessivamente. Contudo, se aquela mesma mulher tem também um cancro do cólon em 2011, então este entra igualmente para as estatísticas.
Os homens são claramente os mais fustigados, com cerca de 60% em ambos os indicadores, e aparentemente com tendência de aumento do seu peso relativo. Nos quinquénios de 1997-2001 e 2002-2006, os homens representavam cerca de 58,8% dos casos, mas no de 2007-2011 aumentaram para 59,7%. As tendências de crescimento do total de casos entre quinquénios são claras: um aumento de cerca de 12% entre 1997-2001 e 2002-2006, e de 13% entre 2002-2006 e 2007-2011. Entre o 3º e o 2º quinquénios, o aumento foi se 26,3% no total de cancros e 27,5 sem os da pele não melanoma.

27% dos trabalhadores açorianos no sector privado ganham menos de 510€

notasCerca de 27% dos trabalhadores por conta de outrém nos Açores na iniciativa privada têm uma remuneração mensal inferior a 510 euros, de acordo com o estudo “Estrutura Remuneratória por Ilhas”, do Observatório do Emprego e Formação Profissional”, que contabiliza um total de 42.785 trabalhadores. Cerca de 32% ganham entre 510 e 649 euros por mês, o que significa que 59% dos trabalhadores açorianos do sector privado ganham menos de 650 euros por mês.
Apenas 0,97% dos trabalhadores ganham menos de 509 euros, mas o seu peso atinge os 36% no sector da pesca e 9,25% na agricultura. O sector onde o peso dos trabalhadores que ganham menos de 510 euros é maior é o da restauração (69,34%), seguindo-se o alojamento (51%). A pesca (44,2%) e a indústria de madeira (42,3%).
Onde há maior peso de ordenados acima de 2 mil euros por mês é no sector dos transportes aéreos, com 21,9%, seguindo-se o sector da “armazenagem e actividades auxiliares dos transportes”, com 17,7%. No primeiro, 41,2% dos trabalhadores ganham mais de 1500 euros por mês, e no segundo 32,5%.