Morreu Daniel de Sá

dANIEL DE sÁ 2Morreu Daniel de Sá. A notícia caiu ontem de manhã e espalhou-se rapidamente pela comunicação social e pelas redes sociais, com milhares de reacções de vários pontos do mundo onde existem açorianos que conhecem a pessoa e a obra de um dos maiores escritores de sempre da açorianidade.
Daniel de Sá é uma figura imortal das letras e da cultura dos Açores, mas a sua memória fica, acima de tudo, pela profundidade da mensagem que deixa, numa simplicidade e humildade difíceis de atingir e impossíveis de aquilatar.
Nascido na Maia (de São Miguel, como fazia questão de sublinhar), a 2 de Março de 1944, fez a sua infância em Santa Maria, de 1946 até final dos anos cinquenta. Na Ilha de Gonçalo Velho faria parte dos seus estudos que completou no Externato Ribeiragrandense. Depois de frequentar o Magistério Primário de Ponta Delgada, chegou a leccionar na Maia, seguindo depois para Espanha onde tirou Filosofia e Teologia em Valência e Granada. Regressado de um tempo de aprendizagem onde bebeu uma cultura de que nunca mais se desviaria, no humanismo e na concepção filosófica da vida, fixou-se na Maia onde foi professor primário até à aposentação.
Dotado de grande capacidade de comunicação e de serviço, esteve sempre disponível para a causa pública. Intensifica a sua produção de artigos jornalísticos no início dos anos setenta, com especial incidência após a revolução do 25 de Abril de 1974.
Após o 6 de Junho de 1975, e logo que é criada a Junta Governativa Regional, Daniel de Sá é nomeado responsável pela área da comunicação social. Já depois de instaurada a Autonomia Constitucional, em 1976, cumpre dois mandatos como deputado regional, pelo Partido Socialista e ao nível autárquico distingue-se como Vereador da Câmara e Membro da Assembleia Municipal da Ribeira Grande. Foi condecorado como Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e foi-lhe atribuída também uma Insígnia Autonómica.
A obra de Daniel de Sá constitui, para os Açores, um acervo imorredouro, que só um génio poderia conceber. Desde o seu livro mais conhecido “Ilha Grande Fechada”, até ao “Deus dos Últimos”, uma colectânea de Contos de Natal que foi publicando ao longo dos anos, mais de uma dezena de outros títulos imortalizam o escritor que agora passa para a outra dimensão da vida. Com “Um Deus à beira da Loucura” ganha o Prémio Nunes da Rosa. “Crónica do Despovoamento das Ilhas” e “A Terra Permitida” granjearam-lhe, repetidamente, o prémio Gaspar Frutuoso, da cidade da Ribeira Grande.
Uma das obras mais belas mais intimistas de Daniel de Sá é “E Deus teve medo de ser Homem” que transmite a imagem plena dos dramas internos da pessoa humana em diálogo com vinte séculos após a crucifixão de Deus.
Não é este o lugar nem o tempo para mencionar todas as obras de Daniel de Sá. Mas deve salientar-se que se multiplicou em prefácios para obras de muitos e grandes autores, dos Açores e da diáspora. Muitas das obras de Daniel de Sá deram origem a teses de doutoramento e muito lhe ficam a dever os Açores, na sua divulgação, com textos memoráveis em guias e resenhas histórias em que colaborou, com inimitável categoria e magistral precisão histórica, já que era um estudioso sempre insatisfeito e sempre sedento de mais conhecimentos.
Daniel de Sá, no meio de toda a sua vida de trabalho, de estudo e produção literária, teve uma relação muito especial com o jornal Correio dos Açores de que era regular colaborador. Para além de colaboração assídua, era uma presença de honra nos Suplementos de Natal e Páscoa deste jornal, ao ponto de ele próprio afirmar que “para mim não é Natal completo, se não  tiver o meu conto no Correio dos Açores”, contos estes que, como já referimos, foram reunidos em livro “O Deus dos Últimos”, editado pela Ver Açor.
Ao fazer este registo, não se pode olvidar a qualidade de ensino que ministrou a várias gerações de alunos que hoje se sentem marcados pela pedagogia ao mesmo tempo exigente e humana que conferia ás suas aulas. Nem se pode esquecer o papel que desempenhou na sua terra, a Maia, participando em todas as iniciativas a que era chamado, em vários domínios de que se destacam obras sociais e culturais, com especial destaque para os encontros de escritores açorianos em cuja génese esteve.
Homem de Fé e profunda vivência cristã, toda a sua obra respira a sede do Infinito que o norteava e que transparecia de toda a sua vida, gestos e palavras.
Não vamos dizer que os Açores estão mais pobres com a partida de Daniel de Sá. De facto, se ele e a sua obra estavam até agora ao nosso lado, passaram, agora, para dentro de nós, como testamento de açorianidade que o tempo não diluirá.

Daniel de Sá vai a enterrar hoje

Era casado com D. Maria Alice Pereira Rodrigues Sá. Deixa três filhos: Sara Rodrigues Sá casada com Frederico Vasco, Carolina Rodrigues Sá casada com Sérgio Lourenço; e Rodrigo Rodrigues Sá casado com Maura Sá.
Era avô de Marta Sá Vasco; Tiago Sá Vasco e Isabel Sá Lourenço.
Era irmão de Aura Raposo de Sá, viúva de Carlos Quental. Era cunhado de Fernando Rodrigues casado com Susete Câmara, Roberto Rodrigues casado com Isabel Tavares e João Rodrigues casado com Clotilde Serpa Rodrigues.
O seu corpo está, em câmara ardente, na Casa Mortuária da Maia, ao lado da Igreja e o funeral realiza-se hoje, terça-feira, pelas 16 horas com missa de corpo presente na Igreja Paroquial ao que se segue o cortejo fúnebre para o cemitério da Maia.

Funcionário da Câmara de Ponta Delgada morre esmagado por camião do lixo

carlos paulos mergulhoAs empresas que se dedicam ao turismo subaquático, na ilha de São Miguel, encontram-se actualmente numa situação de “desespero”. Segundo o representante do Núcleo de Operadores de Mergulho desta ilha, há falta de estratégias, por parte do Governo Regional, que auxiliem este ramo do turismo. O número de turistas têm vindo a diminuir e Carlos Paulos reclama por mais “ligações aéreas e tarifas que sejam realmente atractivas”. Quanto ao futuro, o instrutor de mergulho afirmou ao Diário dos Açores que vê “pouca luz ao fundo do túnel”.

Como é que é ser operador de mergulho na ilha de São Miguel?
Neste momento é um desespero. Não temos turistas a chegar, não temos as devidas ligações aéreas para os Açores, ou, se temos, não são publicitadas a tempo, junto dos turistas. Não há uma continuidade na aposta em estratégias para o turismo. No ano passado, interromperam a vinda dos finlandeses, agora já se fala em parar os voos de França, porque estão, segundo dizem, a provocar prejuízos. Tudo isso a juntar ainda às greves. Enfim…
Depois, deparamo-nos com a não concretização de medidas já prometidas. Por exemplo, continuamos à espera que venham duas bóias para colocar no Dori - um barco afundado, que é ícone de mergulho em São Miguel - e até agora nada. Não se faz nada pelo turismo. Nada de concreto e nem bem pensado.

Esta questão das viagens aéreas já é uma questão antiga...
Correcto. As pessoas têm que perceber que sem turistas não há turismo. E os turistas, para os Açores, só podem chegar de avião. Tem que haver ligações e tarifas que sejam realmente atractivas. Além disso, as medidas estratégicas devem ser bem pensadas, bem promovidas e atempadamente. Há medidas que nunca são promovidas a tempo, para que se possam traduzir num incremento no turismo.
Por exemplo, a campanha “Ticket Menu Açores”. Eu questiono-me quantas pessoas terá trazido, essa ideia brilhante, aos Açores. Tem que haver estratégia. Tem que haver conhecimento do que se está a fazer e pensar as coisas com cabeça.

Considera que o executivo açoriano regional não tem apoiado os operadores de mergulho?
Directamente, não tem feito praticamente nada. Continuamos com o sem apoios para a actividade. Veja, por exemplo, os pescadores. É uma actividade subsidiada por todos os motivos, enquanto que outros sectores, em que o governo diz querer apostar, não o são.
E, portanto, eles têm portos de borla e nós pagamos as marinas. Têm casas de apresto e nós pagamos as nossas instalações. Têm combustíveis subsidiados e nós, que usamos gasolina, não o temos. É um sem número de condições que faz com que seja muito difícil rentabilizar uma operação destas. Além do mais, temos a nossa época muito curta. Não tenho nada contra a pesca. Não gosto é que as coisas se tornem insustentáveis, que é o que está a acontecer. Além do mais, estão a pescar de mais. O que inviabiliza outras actividades, como é o caso do mergulho.

Em 2012, afirmou que muitas empresas de mergulho poderiam vir a fechar portas. Isso aconteceu?
Sim, já aconteceu. Já aconteceu terem que fechar a empresa durante algum tempo e ir trabalhar para fora. Já aconteceu terem que se mudar para instalações muito mais pequenas e económicas, o que faz com que, depois, também não consigam prestar o mesmo tipo de serviços aos turistas. Eu diria que muitos ficam à espera de se fazer dinheiro com o verão, mas depois regressa a desgraça, no inverno.

Estamos a falar de quantas empresas?
Não consigo especificar um número. Mas sei que não estão com perspectivas muito boas.

É possível dizer-se que a crise contribui para o decréscimo de turistas que vêm praticar mergulho para a região?
A crise não tem nada a ver com isto. A aposta em mercados errados e a falta de estratégia é que têm a ver. Por exemplo, em Cabo-Verde, o turismo cresceu quase 30 por cento. Quem vai para Cabo-Verde são os europeus, ou seja, o mesmo mercado que vem para os Açores. Isto não é crise, aliás isso é uma crise de estratégias de transportes. Comparando o mergulho dos Açores, com Cabo-Verde, nós temos condições muito melhores. E responsabilizar a crise ou o governo central, ou seja lá quem for, é tentar tapar os olhos às pessoas. A verdade é que para outros destinos, as coisas funcionam.
Agora, se nós temos greves em época do Sata Rallye Açores e das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, há que haver alternativas. Tem que haver alternativas para quando alguém decide fazer greve. Não se pode bloquear uma região desta forma. As pessoas não podem ficar dependentes destas situações. Isso leva a que as pessoas fiquem com medo de marcar viagens para os Açores.
No turismo não podemos ser prejudicados desta forma continuamente.


Qual é a solução?
A solução é óbvia, tem que haver mais companhias a voar para os Açores. Deviam existir várias hipóteses para os turistas, com diferentes preços. Alternativas para quando há greve. Além de que, qualquer companhia que seja muito mais comercial, como a easyJet, publicita os seus voos de outra forma e chega muito facilmente a muita gente, portanto, trás muita gente também. Porque isso não passa só por disponibilizar um voo de Frankfurt ou de Munique. Há que saber comercializá-lo e há que ser agressivo na forma de vender o produto. E é isso que uma companhia sozinha em monopólio não tem. Ou não terá que ter esta preocupação, sequer.

Recentemente, a Associação dos Operadores de Mergulho dos Açores alertou para a massificação do turismo subaquático. Partilha da mesma opinião?
Eu não vejo onde isso acontece. Acho que esta preocupação deve surgir quando atingirmos um aumento de 500 por cento no número de turistas que vêm praticar turismo subaquático. Neste momento, não há turismo, quanto mais massificação. E quem fala em massificação deviam conhecer o turismo, porque nós não temos números para estarmos preocupados com esta questão. Mesmo que todos os aviões que aterram nos Açores viessem lotados com turistas para praticar turismo subaquático, não haveria massificação. Naturalmente há que ter cuidados e seguir estratégias, pensando no futuro, mas, neste momento a massificação não é uma preocupação.
A ideia que estão a fazer passar é de que não querem mais ninguém a operar cá, para evitar gerar mais concorrência às empresas já existentes.

Quantas empresas de operadores de mergulho existem na ilha de São Miguel?
Cerca de sete.

É um número excessivo para a ilha?
Não, de maneira alguma. Nem para o potencial que a ilha e o mergulho têm em São Miguel. O que há é falta de turistas. Não é um número excessivo de operadores, até porque temos vários sítios por onde operar. Há espaço para os operadores que existem e quem me dera que que se justificasse que houvesse mais. A questão é que, com os números do turismo que temos, não se justifica coisa nenhuma.

Quais os melhores meses para a prática de mergulho?
Na minha opinião, o final do verão é a melhor altura. O mês de Setembro é perfeito e Outubro costuma ser excelente. Mas claro que a partir de agora, que entramos para a época de Verão, é sempre muito bom.

Diz-se que a costa do continente português não tem a mesma qualidade, a nível de diversidade subaquática, em comparação com os Açores.
Claro que não. Eu diria até que o melhor sítio do continente não chega aos calcanhares do pior sítio dos Açores.

O que é que podemos encontrar nos mares da região?
Um pouco de tudo, apesar de, em alguns sítios, já se notar demais a pesca excessiva. Mas realmente os Açores, por vários motivos, como é o caso das correntes do Golfo, têm uma riqueza e até uma temperatura de água que é muito agradável e que cria condições fantásticas para o mergulho. Por exemplo, nós ainda temos alguns tubarões, o que atrai muitos turistas. Se bem que existe aqui alguma falta de estratégia. Por um lado, promove-se o mergulho com tubarões e, ao mesmo tempo, andam a capturá-los para vender a 50 cêntimos na lota. Isto é um absurdo, quando cada turista paga 150 euros para mergulhar com esta espécie. A região ganha muito mais com os tubarões vivos. E é este tipo de estratégia que tem que haver.

Acha que pode haver alguma forma de conciliar as duas partes?
Tem é que haver uma definição do que querem para a região. Se querem só pesca e agricultura, são escusados mais investimentos em mais estruturas turísticas. Mas se querem turismo para a região, então há que repensar algumas das apostas feitas em outros sectores, que influenciam o turismo. “Dar tiros” para ambos os lados é que não pode ser.

Um outro assunto, que foi abordado há alguns anos atrás, é a questão da certificação das garrafas de mergulho. Antes, tinha que ser feita no continente, o que acarretava custos para as empresas. Actualmente, como decorre este processo?
As garrafas, quer por lei nacional, quer por normas europeias, têm que ser submetidas a provas, de tempos a tempos, para verificar se continuam a ter as suas propriedades para a prática de mergulho. É uma lei que se aplica, igualmente, a todos os contentores de alta pressão, como é o caso das garrafas de gás. As provas hidráulicas já se fazem em São Miguel desde há cerca de três anos. Mas, antes disso, já havia empresas fornecedoras de gás na ilha que tratavam do transporte das garrafas para o continente e da realização das provas necessárias. Não vejo que isso, alguma vez, tenha sido um problema.

A questão que se coloca é o que sairá mais em conta, a realização destas provas ou a aquisição de novas garrafas?
Uma garrafa de ar pode custar cento e poucos euros, enquanto que uma prova hidráulica ronda os 45 ou 50 euros, tratando-se já de uma garrafa usada, que carece de manutenção. É como acontece com as televisões. Às vezes mais vale comprar outra, do que mandar arranjá-la. Massificou-se tanto a produção de garrafas que, hoje em dia, sai barato comprar uma nova, pelo que os custos com as provas hidráulicas acabam por não compensar. Mas este problema não se regista apenas nos Açores. É uma realidade existente em qualquer país.

Em São Miguel, as provas hidráulicas podem ser feitas onde?
Actualmente, só em Vila Franca do Campo. Mas continuam a existir outras empresas que, como faziam antes, têm tratado desta questão.

Que feedback tem recebido dos turistas que mergulham em São Miguel pela primeira vez?
Há mergulhadores - e estamos a falar de instrutores, de pessoas que já estiveram nas Maldivas, no Mar Vermelho, em todas as “mecas” de mergulho no mundo - que já regressaram sete e oito vezes. Eu acho que isto diz tudo sobre as potencialidades do mergulho nos Açores. Se não gostassem, não voltariam. Se esta área for realmente protegida e estrategicamente comercializada, os Açores têm um potencial enorme em termos de turismo de mergulho. É pena que pouca gente acredite nisso e tome as medidas necessárias para que esta realidade se torne possível. Nos últimos anos, o que tem sido feito neste sentido é praticamente zero. Não podemos dizer que nada foi feito, mas são medidas desconectadas umas das outras, sem uma estratégia real que acredite que o mergulho pode ser uma mais-valia para o turismo nos Açores.

Vê uma luz ao fundo do túnel?
Sinceramente, não. Infelizmente, há que mudar mentalidades, hábitos que estão já enraizados e um sem número de outras coisas, o que me faz ter dificuldade em ver uma mudança no futuro. Espero estar completamente errado, mas a verdade é que há pouca luz ao fundo do túnel.

Dormidas aumentam no mês de Março, mas balanço é negativo

turismo aeroportoNo mês de Março, os Açores registaram um aumento de 5,9% no número de dormidas em relação ao ano anterior, embora em termos acumulados o resultado continue negativo, com uma descida de 1,72%. 
Os resultados de Março podem ser encarados de forma positiva, embora na realidade o ano de 2012 tenha sido o pior desde pelo menos 2007 e o resultado de 2013 continue abaixo de todos os anos à excepção de 2012. Quanto ao valor acumulado, este período continua a ser o pior desde 2007.
Podia, no entanto, ter sido pior. É que em relação a Março, a descida de 12,9% nas dormidas nacionais foi compensada por um aumento de 37,4% no número de dormidas por estrangeiros, e no período de Janeiro a Março, a descida de 11,2% de portugueses foi compensada com um aumento de 13,7% de estrangeiros.
Os proveitos dos hoteleiros melhoraram 2,3% em Março, embora no trimestre registem uma quebra de 4,5%. De novo no caso de Março, é o pior valor desde 2007, à excepção do ano passado, enquanto que no trimestre é o pior resultado desde 2007.
Os resultados regionais continuam a ser muito diferentes dos nacionais, em que em Março houve um aumento de 14% no número de dormidas e de 9,5% nos proveitos, e no trimestre um aumento de 6% nas dormidas e de 3,6% dos proveitos.

A reacção do Governo

Segundo o GACS, o Secretário Regional do Turismo e Transportes afirmou que “o trabalho de promoção turística não é um trabalho imediato”, frisando que se trata de “um trabalho continuado, que leva tempo a obter resultados”. Vítor Fraga, que intervinha num debate sobre o turismo nos Açores, na Assembleia Legislativa, lembrou que, ao longo dos anos, “tem vindo a ser efectuado um trabalho ao nível da promoção turística que tem dado resultados, na medida em que tem sido um trabalho sustentado”.
“Numa referência aos números divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores, Vítor Fraga revelou que, no mês de Março, verificou-se uma inversão na tendência de decréscimo que se tem verificado, tendo havido um crescimento no número de dormidas de 6,3 por cento”, para o qual contribuiu fortemente o crescimento de 37,4 por cento verificado nas dormidas com origem no estrangeiro. Assim, frisou o Secretário Regional, a consolidação da promoção que tem sido feita no mercado externo tem tido bons resultados”. No que se refere ao mercado nacional, Vítor Fraga admitiu que “existe um problema, defendendo a necessidade de encarar os problemas de frente, uma vez que este mercado tem uma importância de 43 por cento no volume de turistas”. “Os nichos de mercado que nos visitavam deixaram de ter capacidade económica para o fazer”, afirmou, acrescentando que, “se as pessoas deixaram de ter dinheiro, temos que ir buscar outras que nos possam visitar”. E “tendo em conta esta realidade, a aposta foi direccionada para um segmento de mercado de famílias, com idades compreendidas entre 35 e 45 anos, com crianças, que têm poder de compra e valorizam um turismo de natureza, não só contemplativa mas activa e experiencial”.

Das Wunder

O aparente milagre tem um nome: “Wunder”, que é a sua tradução em alemão! Com um total de cerca de 10 mil dormidas em Março, os alemães representam 38% do total de estrangeiros neste mês, e de quase 40% no trimestre. O que representa um aumento de 135% em Março e 70% no trimestre.
O mercado espanhol também está a dar bons resultados, representando 15% do total de estrangeiros em Março e quase 11% no trimestre. Foram sobretudo estas duas nacionalidades que conseguiram colmatar a quebra de cerca de 60% verificada nos países nórdicos, que neste momento representam no seu conjunto apenas 14% do total de estrangeiros
Mas não é a primeira vez que os Açores assistem a crescimentos significativos nas dormidas de determinadas nacionalidades, apenas para alguns anos depois perderem esses nichos de mercado. E a pergunta mais correcta será se a Região terá capacidades desta vez para segurar tanto os alemães como os espanhóis. E a resposta, aparentemente, é que não se percebe como, uma vez que não é visível qualquer evolução ao nível da qualidade da oferta no sentido de agradar aos novos potenciais nichos.

Problemas nos Trilhos...

Um dos problemas da qualidade do destino pode ser exemplificado com o que se passa com os trilhos pedestres, um dos produtos mais importantes ao nível do turismo activo de meia idade e que tem sido fortemente promovido no estrangeiro.
Segundo o GACS, o Director Regional do Turismo realçou ontem que “é necessário assegurar a qualidade da rede regional de trilhos pedestres, quer do ponto de vista paisagístico e ambiental, quer do ponto de vista da segurança”.
João Bettencourt, em declarações aos jornalistas à margem da reunião da Comissão de Acompanhamento dos Percursos Pedestres, salientou que está a ser feito “o ponto de situação da rede regional de trilhos pedestres, já que o inverno rigoroso provocou derrocadas em alguns trilhos, originando o seu encerramento, o que obriga a uma alteração em alguns desses percursos”.
Segundo o Diretor Regional, há um “esforço conjunto dos departamentos de Turismo e Ambiente do Governo Regional dos Açores no sentido de se fazer a respectiva manutenção e reabrir alguns desses trilhos para os turistas que visitam a Região, nomeadamente na ilha de São Miguel, onde existem mais caminhos pedestres”.
João Bettencourt referiu ainda que a reunião de ontem podia “decidir também o encerramento definitivo de alguns trilhos que não reúnem as devidas condições de segurança, seja porque foram cortados pelas obras das SCUT ou porque estão próximos de outros trilhos e deveriam ser ligados num só percurso”... Do tempo das Scuts?
Aliás, as mexidas são tantas que o site oficial dos trilhos está suspenso, “estimando-se que, até final deste mês, seja possível disponibilizar uma nova versão deste sítio na Internet, com uma nova imagem, nova informação e a garantia de uma atualização constante”.
Até agora existia cerca de uma centena de trilhos homologados nos Açores, embora surgissem inúmeras queixas sobre a sua qualidade efectiva, nomeadamente sobre a capacidade de os gerir convenientemente.
“O Governo Regional dos Açores considera que o pedestrianismo é um produto fundamental, não só para os turistas, mas também para os açorianos que gostam de passeios pedestres”, salientou João Bettencourt.
Mas será mesmo?!?  MM




Governo Regional de visita ao grupo ocidental até sexta-feira

Executivo regional nas floresO Governo Regional iniciou ontem as visitas impostas pelo Estatuto Político-Administrativo da região às ilhas das Flores e do Corvo, durante as quais se reunirá em conselho, fará diversas visitas e inaugurações e receberá a população.
Segundo a agência Lusa, a chamada “visita estatutária” às ilhas do grupo ocidental dos Açores começa nas Flores e termina na sexta-feira, no Corvo, reunindo o Conselho do Governo em cada uma delas.
Ao longo destes dois dias, o Governo Regional assinará um contrato com a Resiaçores–Gestão de Resíduos dos Açores, para a exploração dos centros de processamento de resíduos e de valorização orgânica por compostagem das duas ilhas.
Tanto nas Flores como no Corvo, os membros do executivo regional voltam a receber todos os habitantes das ilhas que manifestem essa vontade.
Entre visitas a obras, equipamentos e instituições, haverá também a inauguração, no Corvo, do Caminho da Várzea e do Polidesportivo, “um equipamento que vem colmatar a falta de uma instalação desportiva coberta na ilha e dispõe de condições para receber também iniciativas de natureza sócio-cultural”, segundo uma nota do Governo açoriano.
Ainda no Corvo, Vasco Cordeiro inaugurará também a “primeira fase do projecto ‘Corvo Sustentável’, que visa dotar a ilha com painéis solares que permitam reduzir a dependência do consumo de gás, cujo abastecimento é dificultado no Inverno pelas condições meteorológicas adversas”.
No artigo 87.º, o Estatuto Político-Administrativo dos Açores define as “visitas obrigatórias do Governo Regional”, estabelecendo que o executivo “visita cada uma das ilhas da Região pelo menos uma vez por ano” e que “o Conselho do Governo Regional reúne na ilha visitada”.
Durante estas visitas, e tal como é habitual, o executivo reunirá com o Conselho de Ilha das Flores e do Corvo.
Os conselhos de ilha são órgãos consultivos que integram os presidentes das câmaras e das assembleias municipais, deputados das assembleias municipais e representantes de associações e movimentos sindicais, empresariais e agrícolas de cada ilha dos Açores.

TAP pode estar interessada em reaver rotas da SATA Internacional

sata-internacional1De um momento para o outro, o caos parece ter-se instalado na SATA: voos atrasados ou cancelados por uma série de razões, excesso de zelo sobre acordos laborais concedidos nos últimos anos, culpas repartidas por pilotos e administração...
À primeira vista, será tudo devido à falta de acordo entre os sindicados e a empresa, que levou às greves do Rally Açores e do Santo Cristo. Mas tudo indica que neste momento existem forças bem mais poderosas a mexer alguns cordelinhos – e aparentemente, ou com a conivência do Governo Regional ou sob a sua distracção.
Quem é o novo jogador? Tudo indica que se trata da TAP e do próprio Governo da República, no sentido de reintegrar os apetecíveis mercados dos Açores (Ponta Delgada e Boston e Toronto) nas rotas regulares da empresa nacional com vista à sua privatização.
A verdade é que a vitória da SATA no controlo das ligações de Ponta Delgada com Lisboa nunca foi bem assimilada pela TAP, que chegou a pensar que ganharia. E agora, com o processo da sua privatização, o negócio “Açores” voltou a estar em cima da mesa. Toda a instabilidade na SATA não podia chegar em melhor hora.
Quem tem acompanhado o processo dos transportes aéreos, também já percebeu que o Governo da República parece ter algum problema com a resposta às cartas que o Governo Regional lhe envia. A última, sobre a eventual ilegalidade de abranger os pilotos da mesma isenção da TAP, foi lida pelo actual Secretário do Turismo como a comprovação da sua ilegalidade. Será mesmo? Ou apenas uma forma de contribuir para a confusão regional?
O facto é que tudo parece estar a correr mal para o Governo Regional no dossier da SATA. 
Ontem na Assembleia Legislativa, o Secretário Regional do Turismo e Transportes voltou a defender que o Governo Regional pretende que se encontre “uma solução que seja boa para os trabalhadores do Grupo SATA e que seja boa para a própria companhia, garantindo a sua sustentabilidade”. Para o secretário regional, é necessário que “se encontre uma solução que seja boa para todas as partes e que, acima de tudo, contribua activamente para que a SATA desempenhe o seu papel, que é de extrema importância ao nível da mobilidade dos Açorianos e ao nível da economia açoriana”, na defesa de um “serviço que garanta a mobilidade a todos os açorianos, com um preço competitivo e igual para todos”. Ou seja, nada de novo.
Em relação à polémica dos serviços mínimos prestados pela SATA nos dois recentes períodos de greve, justificou que “ao não fazer voos circulares, a empresa tentou potenciar o maior número de passageiros transportados, garantindo sempre que, pelo menos nesse período, todas as ilhas fossem abrangidas”.
O PSD/Açores considerou que “o Governo Regional e a administração da SATA Air Açores foram incompetentes” nas negociações com a plataforma sindical e segundo o deputado Jorge Macedo, a tutela “apenas apresentou desculpas esfarrapadas, não assumindo a sua ineficiência em todo o processo”. “O Governo Regional foi o incendiário-mor das negociações. O Governo Regional e a administração da SATA foram incompetentes nas negociações, sobre as quais os açorianos perceberam que o governo não quis ceder nem um milímetro”, avançou, referindo que “um bom negociador não deita gasolina para cima da fogueira. E o que vimos foram declarações incendiárias, que nem um negociador amador faria”.

Causas dos atrasos

Sobre o cancelamento de voos e atrasos que afectaram 800 passageiros nos últimos dias o porta-voz da companhia, em declarações à Lusa, já tinha dito que se deveu à obrigatoriedade de dar descanso às tripulações. Mas  Jaime Prieto, do sindicato de pilotos, afirma que há pilotos sem poderem voar porque a SATA não mandou realizar a tempo exames técnicos a que estão obrigados.
Os sindicatos disseram à Antena 1 que “a administração executiva da empresa e a sua gestão operacional têm obrigações junto do regulador nacional, o Instituto Nacional de Aviação civil, que obrigam a que os seus pilotos façam determinados exames com regularidade. São avaliações técnicas anuais, algumas delas até semestrais. O que acontece é que a empresa neste momento, por falta de ter cumprido com estes exames, que é da total responsabilidade da empresa, tem pilotos no chão que não podem estar neste momento a voar e que agora vêm dizer que é o descanso das tripulações”. É esta a explicação do sindicato dos pilotos para os atrasos e cancelamentos.
Em comunicado, a SATA assumiu que as avaliações técnicas obrigatórias “são um dos elementos que estão a contribuir para estes atrasos mas também situações de reforma, baixas médicas, férias e folgas que provocaram uma diminuição de capacidade de resposta às necessidade de operação”.

A negociação

Com novas rondas de negociação, nada parece resolvido. A administração da SATA diz que “está aberta ao diálogo” mas para a mesa de negociações leva de novo “maiores rendimentos em troca de maior produtividade; nós já apelamos aos sindicatos para que percebam, de facto, que nós temos de trabalhar nas ditas matérias com acolhimento legal na SATA. Vamos ir ao encontro das reivindicações dos trabalhadores na lógica de maiores rendimentos mas com mais produtividade para a companhia porque só assim é que é legal, é legítimo e é sustentável”.
Jaime Prieto, diz que a proposta da SATA não é aceitável; “nós já dissemos ok. Não é nos moldes da TAP, então seja no moldes de conveniência e de acordo com aquilo que o accionista quer. Agora nós não estamos dispostos a virem propor que aquilo que se tem no continente, nos Açores só seja atribuído contra o aumento de produtividade. É contra este principio que iremos lutar enquanto for necessário”.

A saúde da SATA

A serem tidas em conta anteriores afirmações que garantiam que a empresa estaria em dificuldades de garantir os ordenados devido à perda de alguns voos durante as greves, parece evidente que a SATA está em apuros. E por cada voo cancelado, mais em apuros fica. Se a culpa é, como os sindicatos dizem, da organização da empresa, o actual conflito pode ser encarado como suicídio; se a culpa é do excesso de zelo, poderá ser considerado assassinato! Mas em qualquer das opções, a vida da SATA está sempre em risco! O próprio Relatório e Conta da empresa para o ano de 2012 faz antever um aperto forte: apesar das reduções de ordenados ocorridas por via do Orçamento de Estado, a empresa apenas conseguiu um lucro de 70 mil euros.
A TAP, que integra já a Portugália, olha ao lonje como ave de rapina e a cada novo patamar de fragilidade da SATA vê aproximar-se a sua oportunidade de aglutinar mais um mercado. O Governo da República vê a questão como a possibilidade de juntar num só “bolo” todo o mercado nacional nas mãos da empresa pública, que está em vias de ser privatizada. E quanto maior for o “bolo”, maior o negócio!
A lentidão com que o Governo da República está a tratar as propostas de obrigações de serviço público apresentadas pelo Governo Regional  é encarada por alguns observadores como sendo parte dessa estratégia. Daí a imaginar que os sindicatos também estejam a ser instrumentalizados no mesmo sentido, é um pequeno passo. Que negócio poderá já ter sido estabelecido isso é mera especulação, mas não deixa de ser estranho que os pilotos pareçam tão insensíveis ao facto da sua atitude estar a ser fortemente condenada pela opinião pública regional.
Em todo este enredo, a contratação de um continental para a administração da SATA pode ser lida como mais um “tiro no pé” da administração regional, uma vez que, numa situação extrema, a sua lealdade nunca será para com os interesses regionais mas para com os interesses da República, o que é normal em quem não tem qualquer outra ligação formal aos Açores: uma lealdade aparentemente partidária, que poderá ter um preço bastante elevado...