Angra lidera no total de mortes provocadas pelo HIV nos Açores

SidaHoje assinala-se o Dia Mundial da SIDA. Uma doença que atravessa todas as classes sociais e que tem vindo a aumentar devido à própria conjuntura actual económica que potencia o desenvolvimento de comportamentos de risco.
Segundo dados fornecidos pelo executivo açoriano, relativos ao período 1986-2012, existem 116 casos de SIDA nos Açores, 179  casos de Portadores Assintomáticos (PA) e 50 classificados como “Complexo Relacionado com SIDA” (CRS). No total, são 345 pessoas infectadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) (embora se estime que haja mais pessoas seropositivas na região, pois este é um vírus de fácil contágio em relações sexuais desprotegidas), das quais 62 já faleceram (18% dos doentes). Destas, 48 dizem respeito ao estádio mais avançado da doença – a SIDA, propriamente dita – estando o concelho de Angra do Heroísmo a liderar, com dezasseis indivíduos, seguindo-se Ponta Delgada com seis. Na tentativa de perceber o porquê de a taxa de mortalidade ser muito superior naquele concelho, quando comparada com outros concelhos dos Açores, falamos com Suzete Frias, directora da ARRISCA (Associação Regional de Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores), que nos disse que “não há uma explicação” para essa taxa de mortalidade ser elevada, “a não ser razões intrínsecas aos pacientes e evolução da sua patologia”.
Por outro lado, o concelho onde se verifica mais casos de VIH  em todo o arquipélago é o de Ponta Delgada, com 127 doentes, seguindo-se Angra do Heroísmo com 94 e Ribeira Grande com 20. Em último, situa-se o das Lajes das Flores com apenas um caso. A maioria dos indivíduos com SIDA nos Açores é do sexo masculino (93), havendo apenas 23 mulheres infectadas, com idades a partir dos 15 anos, sendo a faixa etária mais predominante a dos 30 aos 39 anos (51 casos).
Dantes associada a homossexuais e a toxicodependentes, na região criou-se o estigma de que a doença estava relacionada com os “repatriados”, por ter havido um período em que havia um número significativo de portadores do vírus provenientes dos Estados Unidos da América e Canadá.
Contudo, os dados confirmam que, neste momento, o grupo mais afectado é o heterossexual. Suzete Frias explica, em entrevista do DA, que essa inversão dos grupos deveu-se, sobretudo, ao facto de “inicialmente esta doença ter sido associada aos homossexuais e depois aos consumidores de drogas injectáveis e, por este motivo, todas as campanhas foram direccionadas para estes grupos, levando a uma falsa ideia de imunidade na restante população, o que teve como consequência que estes não se prevenissem e não extinguissem comportamentos de risco, ao contrário dos homossexuais e consumidores de drogas injectáveis que mudaram os seus comportamentos devido às campanhas de prevenção ao longo dos anos”.
Paralelamente, a própria crise económica em que vivemos tem moldado o quadro dessa doença, já que muitas mais pessoas se prostituem agora para poderem sobreviver, aumentando, desse modo, os comportamentos de risco. “Estudos indicam que a vulnerabilidade económica está associada à vulnerabilidade de contracção desta doença. Porém, importa referir que ela atravessa todos os estratos sociais”, destaca.
A ARRISCA desempenha um papel fundamental na actuação de combate ao vírus VIH, uma vez que acompanha regularmente pessoas seropositivas e ajuda-as a enfrentar e a aprender a lidar com a doença. Do apoio pelo Serviço Clínico da associação, “faz parte o rastreio por uma bateria de análises, entre as quais, DST onde se inclui VIH/SIDA”, diz, avançando que “em caso de positividade, o caso é notificado e a pessoa é encaminhada para o Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital de Ponta Delgada, trabalhando os clínicos de ambos os serviços em parceria”. A directora acrescenta ainda que “sempre que for necessário a nossa Equipa Móvel de Apoio ao Domicílio de cuidados integrados e continuados – PillPost  presta apoio na residência do utente, sendo geralmente esta uma intervenção de média duração”.
Esta associação, por trabalhar com uma população vulnerável, já que na sua maioria são consumidores de drogas injectáveis e em exclusão social grave, “para além do rastreio e encaminhamento para o Serviço de Infecciosas pelo serviço médico e de enfermagem, faz sessões de educação para a saúde (cuidados a ter, vias de transmissão, desmitificação dos aspectos relacionados com a doença, entre outros) aos utentes e comunidade em geral,” refere, mencionando que também são feitos atendimentos de Psicologia com o intuito de ajudar o doente a (rea)viver com a doença, aprender a lidar com as dificuldades diárias com que se depara, emoções e possíveis atitudes de discriminação e preconceito de que é alvo.
Note-se que todos os recursos disponibilizados aos seus utentes pela associação não têm custo, sendo necessário frizar que, para a população em geral, o Sistema Regional de Saúde (SRS) disponibiliza gratuitamente o diagnóstico, acompanhamento e tratamento desta patologia.
No entanto, esses tratamentos têm custos elevados para o executivo. De acordo com Suzete Frias, o custo é “variável consoante a combinação terapêutica de cada doente, que pode variar de 600 euros a 2000 euros mensais”, salientando que o “aparecimento de genéricos vai reduzir substancialmente estes custos para o Estado”. Nas palavras da responsável, que também é psicóloga, importa referir que o “encaminhamento é célere e que nem todos os seropositivos necessitam de tratamento imediato, porque existem portadores assintomáticos que não necessitam de tratamento logo após o diagnóstico e avaliação”.
Enquanto directora da ARRISCA e Presidente da Comissão Regional, Suzete Frias  preocupa-se com as formas de sensibilizar as pessoas a construírem práticas sexuais mais seguras dentro dos contextos relacionais. Neste sentido, para entender melhor as estratégias necessárias para a prevenção dessa doença, a ARRISCA está a fazer um estudo sobre Comportamentos, Atitudes e Percepção de Risco.  “No estudo que estamos a fazer na região verificamos que os jovens tendem a justificar os seus comportamentos não preventivos por estarem no interior de uma relação”, ou seja, o amor e a confiança ainda bloqueiam os cuidados a ter. “Sentindo-se protegidos numa relação pela confiança e amor no outro, se tivermos em conta a monogamia serial nos jovens vemos como esta representação social envolve risco”, salienta. As representações ainda “opõem o conceito de SIDA ao de amor e conjugalidade, isto em parte por as pessoas verem o VIH/SIDA como algo estranho e ligado a grupos específicos. O estar em relação aparece como justificação para a não utilização do preservativo nas relações sexuais”, o que faz com que as pessoas “mantenham um controlo imaginário sobre a síndroma”. Suzete Frias diz também que a mulher heterossexual “é, de igual modo, um grupo que nos preocupa, pois pela sua condição, apesar de todas as mudanças, ainda tem menor poder negocial na relação”. Ainda segundo a directora da ARRISCA, devemo-nos preocupar, principalmente, com a banalização desta doença “pelo facto de esta ser considerada actualmente uma doença crónica, pois esta ideia pode levar a comportamentos de risco, visto que o espectro da morte esbate-se com o aumento de sobrevida dos seropositivos”.

A SIDA em Portugal e no Mundo
Desde 1981, mais de 25 milhões de pessoas morreram de SIDA em todo o mundo. Só no continente africano mais de 11 milhões de crianças ficaram orfãs devido à epidemia.
Em Portugal, são cerca de 14 mil o número de pessoas doentes de SIDA, num total de 32.491 mil casos de infecção que se registaram desde 1983.
No final de 2010, segundo um relatório internacional divulgado nesse mesmo ano, em Genebra, cerca de 34 milhões de pessoas viviam com o VIH, o número mais elevado de sempre que, segundo os especialistas, se deve ao aumento da sobrevivência. O relatório apresenta, precisamente, esta como uma das principais conclusões: a estabilização do vírus VIH, a diminuição das novas infecções e do número de mortes e o aumento do número de pessoas a viver com o vírus.

Escola do Mar dos Açores arranca no próximo ano

luis neto viveirosO Governo Regional anunciou ontem o arranque do projecto da Escola do Mar dos Açores em 2014, um “centro de formação” para os profissionais do sector na região, que têm qualificações médias baixas.
Segundo a agência Lusa, esta é uma “iniciativa âncora para o desenvolvimento das profissões do mar”, defendeu o secretário regional com a tutela da agricultura e pescas nos Açores, Neto Viveiros, no plenário do parlamento açoriano, na Horta, que está a debater os documentos orçamentais da região autónoma para 2014.
“Pretende-se que este centro de formação seja de excelência e contribua para suprimir a demanda de marítimos certificados no mercado regional, mas que também funcione como um pólo de atracção de públicos externos com interesse nas profissões do mar tradicionais e emergentes. Para além das pescas e da navegação comercial e portuária, a formação de operadores marítimo-turísticos é percebida como uma área com grande capacidade de atracção”, afirmou Neto Viveiros.
Durante o debate que se seguiu a esta intervenção, o deputado Luís Garcia, do PSD (na oposição), sublinhou que o número de pescadores nos Açores tem aumentado significativamente, havendo cada vez mais açorianos a procurar rendimento na pesca, provavelmente devido à crise.
Destacando que mais de metade dos pescadores açorianos têm apenas “a antiga quarta classe”, Luís Garcia insistiu na importância do reforço da aposta na qualificação.
Neto Viveiros acrescentou, em resposta, que para além do trabalho que será desenvolvido no âmbito da escola do mar, haverá em 2014 acções de formação em todas as ilhas promovidas pela Direcção Regional das Pescas.
Ainda em resposta a perguntas de deputados, mas desta vez do PS (José Ávila), o secretário regional justificou a diminuição do orçamento para as pescas em 2013 por estarem prestes a acabar “grandes obras”, como os portos de Rabo de Peixe (Ribeira Grande) e Povoação.
Neto Viveiros reiterou ainda a aposta em criar melhores condições de escoamento do pescado, assim como de maior volume de exportação, em cooperação com outros departamentos do Governo Regional e as associações do sector.
A nível da agricultura, sublinhou que o objectivo fundamental é aumentar “o rendimento da produção regional” e assim reduzir a dependência do exterior e aumentar as exportações.
O secretário regional disse que o executivo açoriano pretende “estimular, ainda mais, a entrada de jovens” no sector, no âmbito do novo Quadro Comunitário de Apoio (QCA), que arranca em 2014, depois da “reestruturação” e “modernização” das últimas décadas.
A este propósito, e em resposta ao PSD, garantiu que os pagamentos dos apoios à instalação de novos agricultores são feitos à medida que são aprovadas as candidaturas e solicitadas as verbas pelos beneficiários. Admitiu, no entanto, que há algumas candidaturas que já não têm cabimento no actual QCA, tendo o executivo açoriano questionado Bruxelas sobre a forma como se fará a transição para o próximo.
Na área do ambiente, Viveiros garantiu aos deputados a conclusão da rede de centros de processamento de resíduos dos Açores em 2014. 

Triagem de Manchester telefónica começa a 30 de Novembro nos Açores

Luis Cabral - conferência Bombeiros PDO secretário regional da Saúde anunciou que a triagem de Manchester telefónica vai começar a 30 de Novembro nos Açores, considerando que se trata de um “considerável avanço qualitativo” no Serviço Regional de Saúde.
“Terminado o período de formação que decorreu ao longo do corrente ano, está tudo pronto para avançar”, afirmou Luís Cabral, que falava segunda-feira, em Ponta Delgada, na abertura da conferência “As novas respostas dos bombeiros aos riscos de fenómenos meteorológicos”.
De acordo com uma nota do executivo, Luís Cabral salientou que, durante a primeira semana, o processo será acompanhado por elementos do Manchester Triage Group e do Grupo Português de Triagem, para “aferir da validade da formação dos profissionais que vão desempenhar essa funções e da eficácia do sistema que foi desenhado”.
A triagem é feita segundo um algoritmo internacional certificado que “garante o correcto encaminhamento dos utentes”.
Esta é a primeira fase do ‘call-center’ da saúde, que vai permitir, em simultâneo, uma triagem para as situações de emergência e o aconselhamento telefónico às pessoas que necessitem de tirar alguma dúvida sobre uma situação de saúde não urgente.
Até ao final deste ano está previsto o início de um projecto piloto de articulação com as equipas de cuidados domiciliários, no sentido de se deslocarem a casa dos doentes considerados não urgentes, no próprio dia, evitando assim deslocações desnecessárias às urgências hospitalares.
Para o secretário regional da Saúde, trata-se de “uma medida de grande alcance, que vai diminuir a pressão dos serviços de urgência e reforçar as políticas de proximidade que constituem uma permanente preocupação do Governo”.
Luís Cabral elogiou a iniciativa da Associação de Bombeiros de Ponta Delgada, que promoveu a realização da conferência, considerando que “toda a formação é uma importante mais-valia para que os bombeiros possam dar resposta eficiente nas situações a que são chamados”.
A conferência foi proferida por Duarte Caldeira, presidente do Congresso Nacional de Bombeiros.

Turistas retiram em média 165 euros dos multibancos enquanto estão nos Açores...

turistasCada turista estrangeiro que esteve nos Açores este ano terá levantado uma média de 165 euros cada na rede de multibancos e terá realizado uma média de 1,3 levantamentos. No total, entre Janeiro e Setembro, os estrangeiros levantaram cerca de 24,8 milhões de euros, que dá uma média de 128 euros por levantamento. Trata-se de um aumento de 5,4% em relação ao ano passado, o que está muito abaixo do aumento de 15,6% registado no número de hóspedes internacionais.
Dito assim parece pouco, mas na Madeira, onde há 699 mil hóspedes estrangeiros, que representam quase 5 vezes mais que os Açores, os levantamentos do multibanco feitos por estrangeiros são, no mesmo período, de apenas 52 milhões de euros, o que não chega a ser o dobro dos Açores. Ou seja, uma média por turista de apenas cerca de 75 euros.
A única conclusão possível é que nos Açores os turistas usam mais dinheiro “vivo” na algibeira do que na Madeira. Ou que pagam menos serviços com os seus cartões de crédito ou débito que na Madeira.
Porque os dados da SIBS, que gere a rede de Multibancos, apenas são desagregados de estrangeiros em termos de levantamentos, não de pagamentos. Certo é que o crescimento do número de hóspedes não acompanhou um crescimento igual em termos de levantamentos nos multibancos, mas isso poderá significar muitas coisas...
Os levantamentos de estrangeiros representam cerca de 6,4% do total de levantamentos nacionais (o que inclui os regionais).

Anúncios no turismo

Ontem, no debate sobre o Orçamento Regional de 2014, o Secretário do Turisno anunciou “uma nova operação no mercado alemão, que potenciará cerca de mais 7.000 dormidas, o início de uma ligação regular a Madrid, permitindo consolidar esta importante conetividade e, no mercado nacional, a continuidade da Campanha Famílias no Verão de 2014, consolidando assim o Destino como “Family Friendly””.
Segundo o GACS, “tendo como vetores fundamentais a promoção, valorização e qualificação da oferta do Destino Açores”, Vítor Fraga assegurou que “será feita uma promoção segmentada e fortemente direcionada, potenciando o que efetivamente tem valor para o cliente final, na permanente busca de maior retorno”, que será operacionalizada pela Turismo dos Açores (ATA), num “trabalho conjunto e permanente entre público e privado”.
Na sua intervenção, anunciou ainda a consolidação e reforço da aposta na América do Norte, “onde os emigrantes açorianos, verdadeiros e genuínos embaixadores do destino, o aumento da conetividade, a presença junto dos canais tradicionais e uma forte aposta no online serão certamente, estamos convictos, parte da fórmula sustentada de sucesso”.
O secretário referiu que “depois de termos sido Destino Preferido da APAVT em 2013, cujo congresso com cerca de 500 participantes se realizará na próxima semana na Ilha Terceira, fomos escolhidos para sermos Destino Preferido da ECTAA em 2014, sendo esta mais uma prova do reconhecimento do bom trabalho desenvolvido”.
“O turista que organiza as suas férias recorrendo ao online é cada vez mais frequente. Assim, continuaremos a promover a entrada e consolidação da presença do destino Açores em operadores online de referência e a incentivar o desenvolvimento de operadores regionais, possibilitando a penetração em segmentos de mercado que hoje estão fora da esfera dos canais tradicionais.  Acreditamos que esta complementaridade e sã convivência entre o tradicional e o novo abre importantes portas para a promoção e captação de fluxos para a Região”.
Referiu que “a qualificação e a valorização da oferta assumem um papel decisivo, pois não podemos correr o risco de defraudar as expectativas de quem nos visita. Para tal, consolidaremos a figura de ‘gestor de produto’, com responsabilidade por sistematizar e padronizar a oferta, introduzindo indicadores claros e objetivos de medição da satisfação dos turistas e promovendo todas as ações corretivas que sejam necessárias”.
Anunciou igualmente que “face ao crescimento e aumento da procura do Alojamento Local e com o objetivo de garantir elevados níveis de qualidade de serviço, iremos regulamentar a atividade”.
No âmbito do novo Quadro Comunitário de Apoio, “desenvolveremos um sistema de incentivos com vista à requalificação da oferta hoteleira, alinhando-a com a matriz do destino, acrescentando valor e adaptando-a às novas tendências da oferta turística”.
E anunciou que irá “reforçar a equipa de manutenção e coordenação de trilhos, criando mais 37 novos postos de trabalho, abrangendo todas as ilhas”, depois de ter anunciado a primeira equipa, com 20 elementos, há apenas 15 dias. Fraga justificou a medida “pela importância que têm os trilhos pedestres para o turismo na Região, sendo um produto-âncora no contexto da nossa oferta”.

Açores são a região da Macaronésia com pior tratamento das águas residuais

praia sujaOs resultados do projecto CARMAC–Melhoria da Qualidade das Águas Balneares e Costeiras da Macaronésia, que contou com a participação do Governo Regional, já se encontram disponíveis na Internet. Segundo nota de imprensa emitida pelo Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GaCS), o relatório deste projecto, que decorreu entre 2009 e 2013, pode ser encontrado no endereço electrónico http://proyectocarmac.org.
A nota refere que no âmbito deste projecto, a principal actividade desenvolvida nos Açores consistiu na elaboração dos Perfis das Águas Balneares nas ilhas de São Miguel e Terceira, tendo em vista o desenvolvimento de ferramentas de gestão para a aplicação e cumprimento conjunto da Directiva 2006/7/CE, respeitante à qualidade das águas balneares. A elaboração daqueles perfis, que contemplou a caracterização das zonas balneares identificadas e o levantamento das fontes de poluição que podem prejudicar a qualidade das águas e areias, foi desenvolvida através de uma empresa regional, em colaboração com a Universidade dos Açores.
“Este trabalho serviu posteriormente de suporte para um relatório produzido por especialistas da Direcção Regional do Ambiente e do Instituto Tecnológico de Canárias, mas também para a elaboração dos restantes perfis das águas balneares regionais”.
O que não é revelado é que uma das conclusões deste projecto é que os Açores são a região da Macaronésia que se encontra “pior, com os menores índices de tratamento das águas residuais, com menos de 30% da população servida”. Já para a Madeira “o nível de cobertura é bastante elevado, e no caso das Canárias existe capacidade instalada para tratar 62% da carga poluente”.
O estudo, intitulado “Propostas de optimização de saneamento urbano e recomendações para o tratamento das águas residuais não disseminados e estabelecimentos hoteleiros de litoral”, foi da responsabilidade de Martel Gilberto Rodríguez e Miguel Angel Marquez Marfim.
E propõe que “os futuros esforços para melhorar esta situação devem incidir sobre o caso dos Açores, prioritariamente  no saneamento e purificação dos aglomerados habitacionais costeiros de São Miguel e Terceira, que podem afectar as áreas balneares”.
O estudo conclui igualmente que “no diagnóstico e tratamento de saneamento na Madeira, Açores e Canárias, embora o dimensionamento seja diferente entre as ilhas, foram encontradas algumas dificuldades comuns, tais como a topografia acentuada, pequenos aglomerados dispersos e longe dos centros urbanos, os elevados custos de operação e manutenção de estações de tratamento de água em pequena escala e a necessidade de valorizar e gerir os subprodutos (lodo)”.
O estudo conclui que as propostas para melhorar a situação do saneamento e depuração das águas na Macaronésia “convergem de maneira mais clara nos aspectos administrativos, financeiros e sociais, ao invés de aspectos técnicos” e destaca duas linhas orientadoras: “necessidade de coordenação institucional para a racionalização dos procedimentos administrativos”, que “seria, em primeiro lugar, a criação de grupos de trabalho com representantes das instituições envolvidas no sasaneamento, tratamento, disposição e reutilização, e partilha de informação”; e a “programação e priorização das infra-estruturas, devido à situação de escassos recursos económicos e financeiros e dada a importância destas instalações para garantir a qualidade das águas balneares”.
É igualmente proposta a realização de campanhas de informação sobre saneamento, tratamento e reutilização, para aumentar a consciencialização sobre os riscos de saúde pública e para o ambiente, a economia e o turismo”. Outras recomendações passam pela “criação nas novas urbanizações de redes separadas para a captação e utilização de águas pluviais dos telhados; desenvolvimento de novos sistemas de reutilização das águas pluviais nos edifícios, e aplicação de um novo código de boas práticas e usos permitidos ao nível da hotelaria, com vista à implementação de tecnologias de tratamento das águas”.

Lixo também é contaminação...

Naturalmente que as pessoas têm noção que as águas balneares açorianas são de boa qualidade, até porque estão sujeitas a substituição diária e pelo facto das ilhas se situarem no meio do oceano atlântico. Os próprios dados das análises revelam que a qualidade, ao nível microbiano, oscila entre o aceitável e o muito bom. No entanto, outros estudos realizados nas Canárias (mas não realizados ainda nos Açores) detectaram resíduos de produtos farmacêuticos que passaram pelo saneamento e tratamento existente.
Por outro lado, o aspecto turístico é fundamental e o estudo reconhece essa importância de igual modo para os 3 arquipélagos. E o facto é que foram detectados detritos, como “plásticos, embalagens, madeira, cortiça, cigarros e vidros” em zonas balneares, dentro e fora da água. O que, não sendo nocivo para os utilizadores em termos de saúde pública, é claramente uma desvalorização da componente turística.
É lembrado igualmente que   “a circulação de embarcações permite a ocorrência de resíduos sobre a superfície das águas balneares” e que “as águas residuais domésticas existentes na áreas balneares constituem um foco de poluição, embora com reduzida probabilidade de afetar as zonas balneares”.