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Estrangeiros estão a fugir da hotelaria tradicional

turista sete cidadesNa Região Autónoma dos Açores, no mês de Maio, no conjunto dos estabelecimentos hoteleiros, turismo no espaço rural e alojamento local, as dormidas atingiram 265,7 mil dormidas, representando um acréscimo homólogo de 12,7%, revelou ontem o SREA. 

De Janeiro a Maio de 2019, no conjunto dos estabelecimentos hoteleiros (hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos turísticos e pousadas), do turismo no espaço rural e do alojamento local da Região Autónoma dos Açores registaram-se 878,1 mil dormidas, valor superior em 16,2% ao registado em igual período de 2018.

De Janeiro a Maio, os residentes em Portugal atingiram cerca de 448,0 mil dormidas, correspondendo a um acréscimo homólogo de 19,6%; os residentes no estrangeiro atingiram 430,2 mil dormidas, registando um aumento em termos homólogos de 12,8%.

Neste período registaram-se 290,4 mil hóspedes, apresentando uma taxa de variação positiva de 14,7% relativamente ao mesmo período de 2018.

No país, em maio, as dormidas registaram um acréscimo em termos homólogos de 3,9% e de Janeiro a Maio de 2019 apresentaram uma variação homóloga positiva de 4,1%. 

Em termos de variações homólogas acumuladas, de Janeiro a Maio, as ilhas da Graciosa, de São Miguel, das Flores, de São Jorge, do Pico e do Faial apresentaram variações homólogas positivas, respectivamente de, 30,5%, 23,5%, 17,7%, 8,1%, 6,9% e 6,1%. 

As ilhas da Terceira e de Santa Maria, apresentaram variações homólogas negativas, respectivamente de, 6,4% e 5,6%.

A ilha de S. Miguel com 641,9 mil dormidas concentrou 73,1% do total das dormidas, seguindo-se a Terceira com 120,2 mil dormidas (13,7%), o Faial com 47,6 mil dormidas (5,4%) e o Pico com 30,6 mil dormidas (3,5%). 

Na Região Autónoma dos Açores, no mês de Maio, os estabelecimentos hoteleiros registaram 187,0 mil dormidas, representando um acréscimo homólogo de 5,3%. 

As dormidas dos residentes em Portugal aumentaram 14,0% e as dormidas dos residentes no estrangeiro registaram um decréscimo de 1,2%.

Os proveitos totais atingiram 10,4 milhões de euros e os proveitos de aposento 7,9 milhões de euros, correspondendo a variações homólogas positivas, respectivamente, de 13,5% e de 15,7%. 

De Janeiro a Maio de 2019, nos estabelecimentos hoteleiros da Região Autónoma dos Açores (hotéis, hotéis-apartamentos, apartamentos turísticos e pousadas) registaram-se 625,3 mil dormidas, valor superior em 5,4% ao registado em igual período de 2018.

De Janeiro a Maio, os residentes em Portugal atingiram cerca de 347,3 mil dormidas, correspondendo a um acréscimo homólogo de 13,6%; os residentes no estrangeiro atingiram 278,1 mil dormidas, registando uma diminuição em termos homólogos de 3,3%.

Neste período registaram-se 216,3 mil hóspedes, apresentando uma taxa de variação positiva de 5,1% relativamente ao mesmo período de 2018.

No país, em Maio na hotelaria, as dormidas registaram um acréscimo em termos homólogos de 2,2% e de Janeiro a Maio de 2019 apresentaram uma variação homóloga positiva de 3,0%.

De Janeiro a Maio, os residentes em Portugal atingiram cerca de 347,3 mil dormidas (55,5% do total) e os residentes no estrangeiro 278,1 mil (44,5% do total).

De Janeiro a Maio, o mercado norte-americano (EUA e Canadá) com cerca de 75,4 milhares de dormidas representou 12,1% das dormidas totais e 27,1% das dormidas dos não residentes, apresentando uma variação homóloga acumulada de 17,6%. 

O mercado alemão com cerca de 66,6 milhares concentrou 10,6% do total das dormidas, representou por outro lado, 23,9% das dormidas dos não residentes em Portugal e registou uma variação homóloga acumulada negativa de 8,9%. 

Em termos de variações homólogas acumuladas, de Janeiro a Maio, as ilhas que apresentaram variações homólogas positivas foram as ilhas da Graciosa, de São Miguel e do Pico, com variações respectivamente de, 28,7%, 11,0% e 0,9%.

As ilhas do Corvo, de Santa Maria, de São Jorge, da Terceira, do Faial e das Flores, apresentaram variações negativas respectivamente de, 44,5%, 14,1%, 10,3%, 9,7%, 6,0% e 4,7%.

A ilha de S. Miguel com 456,8 mil dormidas concentrou 73,1% do total das dormidas, seguindo-se a Terceira com 95,8 mil dormidas (15,3%) e o Faial com 30,2 mil dormidas (4,8%).

 Em Maio, a taxa de ocupação-cama atingiu 56,7%, valor superior em 0,6 p.p. em relação ao mês homólogo do ano anterior. 

A taxa de ocupação-cama no país atingiu 55,2%.

A taxa de ocupação-quarto no mês de maio atingiu 68,7%.

A estada média foi de 2,93 noites, tendo registado um aumento de 0,3% em relação a Maio de 2018. No país a estada média foi de 2,60 noites. 

Os proveitos totais nos estabelecimentos hoteleiros, de janeiro a maio de 2019, atingiram 30,2 milhões de euros, tendo os proveitos de aposento atingido, no mesmo período, 21,7 milhões de euros. 

Estes valores correspondem a variações homólogas positivas de 11,1% e de 11,5%, respectivamente; para o total do país em igual período, os proveitos totais e os de aposento apresentaram variações homólogas positivas de 5,6% e de 5,0%, respectivamente.

Em Maio, os proveitos totais e os proveitos de aposento apresentaram variações homólogas positivas, respectivamente de, 13,5% e 15,7%. Para o total do país, as variações foram respectivamente, de 4,6% e de 4,1%.

As ilhas de São Miguel, Terceira e Faial foram as que maior peso tiveram nos proveitos totais, respectivamente com 76,6%, 12,0% e 5,2%. 

Em Maio, o rendimento médio por quarto disponível (Revenue Per Available Room) foi de 50,9 euros, apresentando uma variação homóloga positiva de 11,6%. 

De Janeiro a Maio, o RevPAR foi de 33,5 euros, apresentando uma variação homóloga positiva de 21,8%.

No país, o RevPAR de maio e em termos acumulados foram respectivamente de 58,6 euros e de 41,5 euros.

Em Maio, o rendimento médio por quarto utilizado (Average Daily Rate) foi de 74,0 euros.

Aumento de passageiros nacionais desembarcados nos Açores é o dobro dos estrangeiros

Aeroporto-de-Santa-MariaO número de passageiros desembarcados nos Açores volta a atingir os dois dígitos, graças ao mês de Junho.

Com efeito, segundo revelou ontem o SREA, em Junho de 2019 desembarcaram nos aeroportos dos Açores 180.896 passageiros, um aumento de 10,0% face ao mesmo mês de 2018.

No segundo trimestre (9,7%) e no primeiro semestre (7,4%) de 2019, também se verificaram acréscimos homólogos. 

Os passageiros desembarcados com origem noutras regiões do território nacional atingiram 79.981, apresentando uma variação homóloga positiva de 12,2%, e os com origem no estrangeiro totalizaram 25.482, originando um acréscimo homólogo de 6,8%. 

 

Santa Maria em contraciclo

 

A ilha com maior número de passageiros desembarcados no mês de Junho foi a de São Miguel com 104.512, seguida da Terceira com 37.041 e do Faial com 13.936. 

A ilha que apresentou maior crescimento homólogo mensal foi, contudo, a de São Jorge com 28,0%, seguindo-se a do Pico com 20,8%, São Miguel (10,0%) e Terceira com 9,4%. 

Em sentido inverso, a ilha de Santa Maria registou decréscimo mensal homólogo no desembarque de passageiros de 8,6%.

A ilha que apresentou maior variação homóloga positiva no segundo trimestre de 2019 foi igualmente a de São Jorge com 13,0%, seguida da Terceira (12,6%) e Faial com 11,1%. 

 

Faial subiu mais neste 1º semestre

 

Quanto ao primeiro semestre, a ilha que verificou maior variação homóloga positiva foi a do Faial com 10,6%, seguida de São Jorge com 9,1%.

Estes números reflectem-se no turismo, cuja estatística mensal será publicada pelo SREA no próximo dia 15 de Julho, sendo provável que se registe um novo crescimento no sector.

Recorde-se que no mês de Abril, no conjunto dos estabelecimentos hoteleiros, turismo no espaço rural e alojamento local, as dormidas atingiram 242,4 mil dormidas em todas as ilhas, representando um acréscimo homólogo de 27,0%.

 

Air Açores cancelou no ano passado 658 voos e a Azores Airlines 212

sata air açores

As duas companhias da SATA cancelaram no ano passado 870 voos, sendo que 658 foram da Air Açores e 212 da Azores Airlines.

Na Air Açores, 396 dos voos cancelados foram devido ao mau tempo.

Comparado com as taxas de cancelamentos de companhias europeias, a SATA revela uma das taxas mais elevadas de cancelamentos.

No relatório e contas da companhia não é descrita a verba que a SATA paga aos passageiros em indemnizações, mas se cada passageiro reclamar indemnização, que é no mínimo de 400 euros, os valores serão bastante altos.

A agravar a degradação financeira da Azores Airlines está, também, a queda de receitas verificada no ano passado, apesar de ter aumentado no mercado interno (Portugal), de 56 para 64 milhões de euros.

Nas rotas dos EUA registou-se uma quebra nas receitas, de 38 para 32 milhões de euros (com menos 5% de voos e menos 14% de passageiros).

O mesmo aconteceu na rota do Canadá, que baixou de 28 para 19 milhões de euros (com menos 25% de voos e menos 32% de passageiros).

Na operação do resto da Europa aumentou de 10 para 11 milhões de euros.

Os contratos de locação dos A321 (rendas e alugueres) subiram de 10 para 17 milhões de euros, os fretamentos subiram de 11 para 18 milhões, e os maiores gastos verificaram-se nos custos com pessoal, no valor de 30 milhões de euros, e nos combustíveis, 41 milhões de euros.

 

Governo diz que os transportes estão melhores

 

A Secretária dos Transportes do Governo dos Açores definiu ontem como “inegável” que a mobilidade dos açorianos tenha evoluído nos últimos anos, mas a oposição critica as políticas do executivo nesta matéria. 

“Devemos viver em mundos paralelos. Dizer que este Governo não tem política para os transportes aéreos e marítimos é não estar neste planeta. (...) É inegável que a mobilidade dos açorianos está muito diferente do que era há 10 anos, há 15, até há cinco. Estamos no bom caminho”, frisou a Secretária Regional, Ana Cunha, falando no parlamento dos Açores, num debate a pedido do CDS-PP, sobre as acessibilidades na região.

Ana Cunha lembrou que recentemente esteve “oito horas na comissão de Economia” a falar dos mesmos temas que a trazem ao hemiciclo, mas os deputados, acusou, “não estão interessados em ouvir” as explicações do executivo.

O PS diz que nunca houve “tantos voos, tantas ligações de e para a região” e “tantos voos inter-ilhas”.

“Estes resultados são frutos do Governo dos Açores, do PS, que concretizou a maior reforma de sempre do modelo de acessibilidades de e para a região”, declarou o deputado socialista André Rodrigues, que valorizou ainda, como consequência destes dados, o aumento dos proveitos do turismo em todas as ilhas e o seu reflexo no “emprego e progresso económico”.

 

PSD: Vasco Cordeiro tem responsabilidades

 

Para o PSD, maior partido da oposição, a “avaliação muito negativa da situação neste setor é quase unânime apenas com duas excepções: O Governo Regional e o partido socialista”.

E prosseguiu o parlamentar social-democrata António Vasco Viveiros: “O que está em causa é a responsabilidade de quem nos governa e a sua falta de credibilidade para inverter esta situação”.

O Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, “tem responsabilidades directas” no caso da SATA “nos últimos 11 anos, dos quais sete anos nas actuais funções”, acrescentou ainda o deputado do PSD/Açores.

 

PPM: assumam as responsabilidades

 

O PPM, pelo deputado único do partido no hemiciclo açoriano, Paulo Estêvão, criticou o PS por “dizer que este problema não existe” e os açorianos e deputados “são todos uns ingratos” por “não reconhecerem os méritos” da governação socialista.

“Os senhores não assumem as vossas responsabilidades”, disse o deputado, dirigindo-se à bancada do executivo e do PS.

 

BE: os problemas adensam-se

 

À esquerda, o líder da bancada bloquista, António Lima, lembrou que, na SATA, trocam-se administrações mais rapidamente “do que se trocam treinadores em clubes de futebol, e com piores resultados”.

“São evidentes os motivos para este tema voltar a esta assembleia: os problemas sucedem-se e nada corre como devia”, prosseguiu o parlamentar do BE.

 

PCP: políticas erradas

 

Já o PCP advoga que as “políticas erradas” no setor dos transportes “não só não resolvem os graves problemas de acessibilidades e de mobilidade” como “os vão agravando”.

“Se há sector onde mais se faz sentir a política centralista do poder regional, esse é, sem dúvida, todo o setor dos transportes, designadamente os transportes aéreos e marítimos”, prosseguiu o deputado único dos comunistas no parlamento açoriano, João Paulo Corvelo.

 

CDS: novo paradigma para os transportes

 

O CDS, que agendou o debate, sublinhou que a “mobilidade dos açorianos e as acessibilidades da região são condição de liberdade, de progresso e de riqueza”, sendo necessário no arquipélago um “novo paradigma de políticas públicas de transportes”.

“Defendemos e afirmamos um novo paradigma de políticas públicas de transportes que contribuam para uma efectiva coesão social e económica das nossas ilhas e garantam um efectivo direito à mobilidade dos açorianos”, vincou o líder dos centristas açorianos, Artur Lima, no arranque do debate.

Agência Fitch diz que os Açores têm “elevada dívida em relação à receita operacional”

Agência Fitch

A Região Autónoma dos Açores mandatou duas instituições financeiras para lançar uma emissão de obrigações a 10 anos, cujo montante poderá ascender a 223,5 milhões de euros, de acordo com a Bloomberg, que cita fontes próximas da operação, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre a operação.

Segundo o Jornal de Notícias, citando a Bloomberg, a Região Autónoma dos Açores mandatou o Beka Finance e o Credit Agricole CIB para explorarem o lançamento de uma emissão de obrigações a 10 anos, cuja concretização e preço estão sujeitos às condições de mercado.

A Região conta com uma notação financeira de Ba1, por parte da Moody’s, o que coloca o rating no patamar do “lixo”. Já a Fitch tem uma nota de BBB-, um nível acima do nível de investimento especulativo.

 

A avaliação da Fitch

 

A publicação da notícia surge dois dias depois de a Fitch ter elaborado um relatório sobre a Região. 

A agência de notação financeira refere que o rating dos Açores tem por base a previsão de que o produto interno bruto (PIB) da região cresça cerca de 2,8% ao ano, “levando a um crescimento semelhante das receitas operacionais”. Já a despesa operacional deverá aumentar entre 2,5% e 2,6%, segundo a Fitch.

De facto, a Fitch iniciou a cobertura da dívida da Região Autónoma dos Açores. 

Colocou-a em grau de investimento, atribuindo-lhe um rating de longo prazo de “BBB-“, um degrau abaixo ao da República, e com um outlook “estável”.

No que respeita à avaliação atribuída pela Fitch, esta reflete “uma combinação da elevada dívida da Região em relação à receita operacional, resultando numa avaliação de sustentabilidade da dívida ‘BBB’” e um perfil de risco “intermédio” diz a agência de notação financeira.

A avaliação feita pela agência de notação norte-americana também inclui “uma comparação positiva com os pares internacionais” e o “suporte por parte do Governo português (BBB/Positivo)“.

Esta avaliação compara com o rating de “BBB” que atribui a Portugal, mas também com a classificação de “BB” da Região Autónoma da Madeira — ou seja, “lixo” financeiro — cuja dívida começou a ser acompanhada pela DBRS há cerca de um ano.

 

Sérgio Ávila diz que avaliação da Fitch “é uma excelente notícia”

 

O Vice-presidente do Governo destacou ontem, com satisfação, a importância da notação financeira da agência Fitch, que classificou pela primeira vez a Região, colocando-a num nível de investimento externo, considerando que é “uma excelente notícia” para a economia açoriana e para as finanças públicas.

“Esta classificação dos Açores, que se encontra a apenas a um nível do ‘rating’ da República, é muito positiva, porque permite o acesso da Região, de forma generalizada, aos mercados internacionais, o que, consequentemente, implicará uma redução relevante dos custos de financiamento”, afirmou Sérgio Ávila.

“A classificação da agência Fitch significa ainda que a Região, sob o ponto de vista dos investidores, se torna mais atrativa ao investimento, o que também facilita o acesso ao financiamento”, acrescentou. 

A Fitch avaliou o perfil dos Açores como investimento, reflectindo uma avaliação da receita, despesa e passivos, considerando o perfil da dívida da Região como diversificado, conservador e com calendário de amortização favorável, refere uma nota do GaCS.

“A avaliação desenvolvida pela Fitch abrange todas as empresas públicas, incluindo as que estão fora do perímetro de consolidação orçamental, bem como as responsabilidades futuras há muito identificadas, como é o caso das Parcerias Público-Privadas”, frisou o titular da pasta das Finanças.

Segundo Sérgio Ávila, primeira notação financeira da Fitch, que coloca os Açores no patamar de investimento externo, “representa mais um reforço da confiança e da certificação internacional que confirma a estabilidade das finanças públicas regionais”. 

Esta classificação da Região, de acordo com o Vice-presidente, “é mais um reconhecimento da sustentabilidade das finanças públicas regionais”, que vem na sequência de sucessivas melhorias de ‘rating’ dos Açores por parte da agência Moody’s, tendo a última subida ocorrido em outubro.

“A situação das contas públicas dos Açores tem vindo a ser validada consecutivamente,  verificando-se, ao longo dos últimos anos, a melhoria do ‘rating’ da Região, o que não deixa de ser reflexo do esforço de consolidação” dessas contas, salientou Sérgio Ávila.

“A passagem da classificação do ‘rating’ da Região para nível de investimento externo, que espero que seja acompanhado e reforçado brevemente por outras agências de rating, permitirá alterações substanciais no perfil de financiamento da Região”, frisou Sérgio Ávila, sendo que a Região, com esta classificação, “passa a ser atractiva para os investidores financeiros internacionais, e permite o acesso generalizado com menos custos aos mercados financeiros internacionais, libertando recursos dos bancos nacionais para a economia regional”.

Esta classificação implica uma redução dos custos financeiros e uma poupança significativa das entidades públicas e empresas privadas, adianta a nota.

O Governo dos Açores, afirmou Sérgio Ávila, “passará a emitir as suas necessidades de financiamento e refinanciamento nos mercados internacionais, e passará a antecipar as operações de refinanciamento que assegurem poupanças significativas, da mesma forma que o país tem feito com sucesso nos últimos tempos”. 

Alexandre Gaudêncio constituído arguido por suspeitas de peculato e abuso de poder

Alexandre Gaudêncio - candidatura PSD Açores

 

Gaudêncio não se demite da presidência do município e quer ouvir o PSD/Açores quanto à sua permanência na liderança do partido

O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande e líder do PSD Açores, Alexandre Gaudêncio, foi constituído arguido no âmbito da operação “Nortada”, da Polícia Judiciária (PJ).

Em causa estão suspeitas da prática dos crimes de “peculato, prevaricação, abuso de poder e falsificação de documentos”, em que são intervenientes a Câmara Municipal da Ribeira Grande e “diversas entidades de direito privado”, avançou ontem a PJ em comunicado.

Durante a operação, que se desenvolveu ao longo de terça-feira, estiveram em curso, nos Açores e também numa empresa do continente, da zona da Grande Lisboa, “cerca de dez buscas a instalações autárquicas, empresas, residências e viaturas, com vista à apreensão de elementos com interesse probatório”. O gabinete do autarca foi também um dos locais visados nas buscas.

A PJ confirmou que foram constituídos “vários arguidos”, entre os quais o presidente da autarquia da Ribeira Grande, “estando sobretudo em causa suspeita de reiterada violação de regras de contratação pública, de urbanismo e ordenamento do território, com presumíveis favorecimentos de empresários e entidades de direito privado, com prejuízos para o erário público”.

Fonte do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada revelou que o inquérito foi aberto em 2017, com base numa denúncia anónima e que as “cerca de meia dúzia” de pessoas que foram também constituídas arguidas estão ligadas a empresas e entidades privadas que seriam favorecidas pela câmara, nas áreas do turismo, promoção de espectáculos e construção.

Nestes dois anos de investigação, avançou o coordenador da PJ João Oliveira, foi reunido “um conjunto alargado de factos” com claros indícios dos crimes em causa. Entre os casos está a contratação de um cantor, por ajuste directo, à margem das regras de contratação pública, uma situação que foi denunciada na altura pela vereação socialista da autarquia da Ribeira Grande.

A 18 de Abril passado, os vereadores do PS consideravam, num comunicado enviado às redacções, que “a contratação do cantor brasileiro Kevinho, pelo montante de 123 mil euros, como sendo abusiva, situação esta que ultrapassa o que se pode considerar como valores anormalmente elevados”.

Os vereadores socialistas referiam ainda, na altura, que “além do valor adjudicado pelo município da Ribeira Grande, por ajuste directo, o artista terá ainda recebido o valor cobrado de bilheteira, no montante de cerca de 60 mil euros, perfazendo, assim, um total superior a 180 mil euros”. 

Os socialistas denunciaram também que “o contrato em questão, assinado na sexta-feira dia 12 de Abril a que se seguiu o concerto no domingo dia 15, apesar de ultrapassar o montante máximo estipulado para o regime de ajuste directo, não foi objecto de discussão em reunião camarária”.

A operação “Nortada” foi desencadeada através do Departamento de Investigação Criminal de Ponta Delgada e com a colaboração da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, no âmbito de um inquérito tutelado pelo DIAP de Ponta Delgada. Segundo a PJ, as investigações vão agora prosseguir em “ordem ao cabal esclarecimento dos factos e apuro da verdade material”, 

Alexandre Gaudêncio foi eleito presidente do PSD Açores em Setembro do ano passado pelo segundo mandato, estando à frente do município desde 2013.

 

Gaudêncio não se demite da autarquia

 

Em declarações aos jornalistas, Alexandre Gaudêncio afirmou ontem que não se demite do cargo de presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande.

Quanto à sua permanência  na liderança do PSD/Açores, Gaudêncio quer ouvir o partido antes de tomar qualquer decisão.

  O autarca ribeiragrandense  disse ainda estar tranquilo e disponível para colaborar com a justiça, lamentando, contudo, que a investigação tenha partido de uma queixa anónima. Para o social-democrata, a queixa em causa “tem dedo” do Partido Socialista e teve fins políticos.