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“Açores têm feito um mau trabalho na promoção turística”

Rodrigo RodriguesO empresário de turismo Rodrigo Rodrigues não está de acordo com a posição da Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, que em comunicado se queixa do Governo Regional não incentivar voos charter para aquela ilha.
Rodrigo Rodrigues, com investimentos hoteleiros em S. Miguel e Terceira, acusa várias entidades de não terem feito o trabalho de casa ao longo destes anos, em termos de promoção turística.
“Não existe, na minha opinião, uma fórmula mágica para a resolução deste problema, mas sim uma estratégia concertada, inexistente neste momento na região, por forma a encontrar os nichos de marcado adequados para a ilha Terceira”, afirma o empresário.
A Câmara do Comércio de Angra ainda anteontem voltou a desafiar o Governo Regional para a “captação das operações charter para a Terceira e mesmo para o restante Grupo Central”.
Rodrigo Rodrigues considera que “a solução dos “charters” não me parece adequada, nem tão pouco suficiente. Mais valia uma intervenção séria na tentativa de trazer uma das companhias “low cost” a voar diariamente entre Lisboa e a Terceira, mesmo que essa medida tenha custos para a região”.
O empresário dá exemplos de outros “incentivos” que a região atribui a vários sectores, pelo que não seria descabida uma intervenção para a ilha Terceira.
E dá exemplos: “Afinal também se “investe”, com o rótulo do Turismo, no futebol, no rali, nos concertos à beira da lagoa das Sete Cidades, no Tony Carreira, etc. Sem que alguém venha a terreiro dizer que se gasta mal, e sem qualquer retorno para o sector”.
Os números do turismo divulgados pelo INE nos últimos dias, em que revelam que as ilhas Terceira e Graciosa estão em contraciclo com as restantes em matéria de visitantes, merecem o seguinte comentário de Rodrigo Rodrigues:
“Estes números, agora divulgados, são a demonstração do mau trabalho que se tem feito na Região em termos de promoção turística. Sem estratégia, sem profissionais à altura, sem segmentação de clientes e de produto, mas com gastos crescentes, com mais endividamento e nomeações políticas, como mostram, de forma clara, as últimas contas aprovadas pela ATA ( Associação de Turismo dos Açores)”.
O empresário hoteleiro vai mais longe e acrescenta: “Estamos num período de euforia política, resultado da entrada das low costs na ilha de São Miguel, cujos resultados são inegáveis. Mas o trabalho de longo prazo, que deveria ter sido efectuado pela ATA, e já agora ART, até 2015, não foi feito, com culpas de todos, Governo e privados, que fazem parte da direcção da ATA. Estranho que o presidente da CCAH, e vice-presidente da ATA, não tenha voz em matéria de promoção. Sou sócio e solidário com a CCAH e todos os seu sócios da indústria do Turismo, mas não concordo nada com essa obsessão dos voos charter, modelo não sustentável, como já se provou até mesmo em São Miguel”.

Começam as avarias e atrasos na SATA

Há operadores turísticos apreensivos com a o aproximar da época mais alta do turismo nos Açores e a capacidade de resposta por parte da SATA.
Um hoteleiro da ilha de S. Miguel recordou ao nosso jornal “as constantes avarias” dos aviões da transportadora regional, “que criaram uma péssima imagem no exterior”.
“Esperemos que não aconteça o mesmo este Verão e que a SATA se tenha preparado para a operação da época alta”, adianta a mesma fonte.
Esta declaração surge na sequência de mais uma avaria nos últimos dias, que atrasou os voos de Boston e de Toronto, originando inúmeros protestos por parte dos passageiros, alguns do quais tiveram que passar a noite e madrugada nos aeroportos.

SATA diz que hoje fica resolvido

A este propósito, a SATA emitiu o seguinte comunicado:
“A avaria verificada numa aeronave Airbus A310, no passado fim-de-semana, a qual coincidiu com a presença de outra aeronave em manutenção programada, provocou uma sucessão de atrasos na operação das rotas dos EUA e Canadá, com impactos nas ligações entre Ponta Delgada e Lisboa.
 Face a este contratempo imprevisto, a SATA tem realizado todos os ajustamentos necessários, com vista à normalização da sua operação e à recuperação gradual dos seus horários, os quais se prevê fiquem regularizados na próxima 5ª Feira (hoje).
 Perante os inconvenientes que esta situação tem causado aos seus passageiros, a SATA pede as maiores desculpas e compreensão, informando que não tem poupado, nem poupará esforços no sentido de minimizar os impactos causados até que a operação fique totalmente normalizada”.
 

Crédito ao consumo volta a disparar nos Açores

Banco de PortugalO crédito ao consumo está a disparar no país e os Açores não fogem à regra, apesar da banca açoriana registar valores menos crescentes do que no resto do país - apurou o nosso jornal.
Numa ronda efectuada por algumas administrações bancárias nos Açores, ficamos a saber que as instituições financeiras na região estão a conceder mais crédito ao consumo, à semelhança do mercado nacional, embora a maioria delas se escusasse a revelar números concretos.
Apenas uma instituição, com sede em S. Miguel, revelou ao “Diário dos Açores” que “embora os valores absolutos não sejam muito elevados, em 2013 produzimos mais 23% de crédito ao Consumo, e em 2014, relativamente a 2013, produzimos mais 37 %  (cerca de 1,4 milhões de euros)”.

Banca dos Açores tinha concedido 453 milhões até Setembro do ano passado

De acordo com outra fonte, no ano passado, a banca dos Açores tinha concedido crédito ao consumo no valor global de apenas 457 milhões de euros até Março, diminuindo para 453 milhões em Setembro e voltando a cair até final do ano.
A tendência começou a ser revertida já no início deste ano e sabe-se já que, a nível nacional, no comparativo entre Abril deste ano e o de 2014, entraram mais 403 milhões de euros na economia através do financiamento pessoal.
Os números divulgados pelo Banco de Portugal mostram que há áreas em que o fenómeno é mais evidente do que em outras, sendo que o crédito automóvel foi o que registou maior número de novos contratos: subiu mais de 72% comparando com o mesmo mês do ano passado. Já o crédito pessoal para despesas com o lar cresceu mais de 33%.
Entre as razões que justificam estes números, para João Duque, investigador do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), estão a “maior confiança e maior facilidade de acesso ao dinheiro”, disse à Renascença.
“Em primeiro lugar, há um efectivo aumento de algum rendimento disponível e não havia oportunidade de todo de haver aumento do consumo não fosse muito dele financiado. De outro lado, há alguma expectativa de melhoria que leva as famílias a que encarem o financiamento para bens de consumo”, disse à Renascença João Duque.

Pode haver risco de sobreaquecimento

O economista lembra que a confiança dos consumidores deve ser balizada pelo equilíbrio entre as políticas para o consumo e as vocacionadas para a promoção do emprego, o que, segundo João Duque, não se verifica.
“Há um risco quando as políticas para o consumo não têm o mesmo tipo de garantias que a promoção do emprego. Corremos o risco de entrarmos em sobreaquecimento com reflexos negativos no espaço de um ano”, conclui.
O mesmo fenómeno já se tinha registado em Março passado.
De  facto, o montante dos novos créditos ao consumo concedidos aos particulares regressou em Março a valores próximos dos registados no início de 2011, poucos meses antes da entrada da troika.
Os dados do Banco de Portugal, relativos a Março, mostram que nesse mês foram atribuídos empréstimos no valor de 272 milhões de euros, neste segmento.
Para encontrar um valor mensal mais expressivo do que os 272 milhões de euros é preciso recuar a Março de 2011, mês em que os bancos tinham concedido 312 milhões.
Em relação a 2014, o ritmo de crescimento dos empréstimos continua a ser acelerado (30,7%), impulsionado pelo segmento do crédito automóvel, que acompanha o comportamento em alta no mercado de carros novos, cujas vendas estão a crescer a um ritmo expressivo (até Março tinham aumentado 36%, valor que abrandou para 32,5% no valor acumulado até Maio).

Quais as causas para este clima de confiança?

Paula Carvalho, economista-chefe do departamento de estudos económicos e financeiros do BPI, fala numa “evolução positiva” visível no comportamento “de todos os indicadores de confiança” e que resulta da “confluência de vários factores condicionantes positivos que têm permitido o reforço do rendimento disponível dos particulares e a melhoria das expectativas quanto à sua evolução”.
Paula Carvalho refere as grandes tendências que considera estarem a permitir a maior concessão de crédito: “Os factores de fundo subjacentes incluem a melhoria verificada no mercado de trabalho, onde o ritmo de criação de emprego se mantém positivo há vários meses; os baixos níveis de inflação, possibilitando aumento do poder de compra, em termos reais; a queda dos preços dos combustíveis associada à baixa do petróleo, permitindo acomodar rendimento a outros bens e serviços (ou reforçar os níveis de poupança); a redução da carga fiscal desde início do ano (ainda que ligeira) e a reposição parcial de rendimentos retirados aos funcionários públicos do período de intervenção externa; também a queda das taxas de juro e dos níveis de spreads praticados pela banca”.

Sector público tem muito peso na economia regional e é preciso inverter para o privado

Gualter FurtadoPusemos três questões, iguais, a três conhecidos economistas da nossa Região, Gualter Furtado, Mário Fortuna e Ricardo Ferreira, a propósito dos sinais de retoma na economia, dos constantes avales às empresas públicas regionais e das verbas que vão começar a ser aplicadas no novo Quadro Comunitário de Apoio.
Das respostas, há uma preocupação evidente que é comum aos três: o domínio do sector público na economia e a necessidade do sector privado ter uma dinâmica de liderança no investimento regional. Quanto ao futuro, o turismo apresenta-se com boas perspectivas, mas também a agro-pecuária.

 

GUALTER FURTADO: “É muito importante diversificar a nossa oferta”

 Embora lentamente, há sinais de retoma na economia açoriana. Devem-se a factores meramente conjunturais ou acha que haverá uma dinâmica continuada?
De facto existe um efeito de arrastamento do que se passa a nível nacional , pois a variável do consumo interno está a desempenhar neste contexto um papel relevante. O aumento das importações  está fortemente correlacionada com esta nova dinâmica de dinamização da procura interna , a que não é estranho ciclo eleitoral que se aproxima . Eu preferia que o aumento do Produto Interno Bruto fosse mais sustentado nas Exportações e na substituição das importações. No caso açoriano e para além deste efeito de arrastamento, apesar de tudo o sector primário e designadamente a Pecuária continua a ter um desempenho muito positivo, a que acresce a boa performance do Turismo. É muito importante diversificar a nossa Oferta , não podemos estar dependentes de um único produto nem de um único sector . Julgo que estamos perante uma nova dinâmica estrutural da economia Açoriana, tem é que ser construída numa base sólida.
 
 Apesar de tudo, a Região continua a recorrer a empréstimos e a distribuir inúmeros avales. Algumas empresas do sector empresarial público regional deviam colapsar ou o Governo faz bem em injectar capital?
As pequenas economias insulares com características históricas , geográficas , e económicas como a nossa tendem a ter um papel muito relevante da presença do Estado. Aceito pois que transitoriamente o Sector Público intervenha em algumas empresas, para segurar o emprego produtivo e mesmo actividades importantes e de diversificação económica , mas esta intervenção tem de ser feita num quadro de grande transparência e sempre numa base transitória. Eu preferia que o sector privado ganhasse mais espaço e relevância. Sem uma economia saudável a Autonomia Regional é um processo a prazo , já que não se pode alimentar apenas da luta politica.

 Onde acha que se devem aplicar os milhões deste novo Quadro Comunitário de Apoio?
O grande desafio nos Açores deste Novo Quadro Comunitário de Apoio (NQCA) é conseguir que a economia real e o ambiente ganhem mais peso e qualidade na repartição das verbas em jogo. Embora sabendo que o Sector Público tem mais condições de aproveitamento das verbas disponíveis , compete-lhe inverter esta tendência histórica criando condições para que o Sector Privado aumente o seu peso nesta repartição. Tanto quanto sei neste NQCA os critérios de acesso são mais exigentes e com várias linhas para um mesmo projeto, compete ao Governo,  à SDEA , às Câmaras de Comércio e à Banca promoverem um amplo debate e esclarecimento destas especificidades. 
 
Mário FortunaMÁRIO FORTUNA: “Sinais de retoma meramente conjunturais”

Embora lentamente, há sinais de retoma na economia açoriana. Devem-se a factores meramente conjunturais ou acha que haverá uma dinâmica continuada?
 Com os dados que temos, até ao primeiro trimestre de 2015, não se pode concluir por uma dinâmica estrutural nova subjacente a justificar quaisquer sinais de retoma que serão, por isso, meramente conjunturais.
A única alteração estrutural perceptível dos últimos anos acontece apenas a partir do segundo trimestre de 2015 – a alteração do modelo de transportes aéreos.
Podia colocar-se a hipótese de novas fontes de alteração estrutural como seria o novo QCA mas, de facto, ainda não se sente este efeito porque nada ainda mudou para se concluir neste sentido.
 
Apesar de tudo, a Região continua a recorrer a empréstimos e a distribuir inúmeros avales. Algumas empresas do sector empresarial público regional deviam colapsar ou o Governo faz bem em injectar capital?
 O Governo faz muito mal quando injecta dinheiro em empresas públicas deficitárias. A única justificação para se injectar dinheiro nas empresas é pela prestação de um serviço que tem de ser devidamente identificado, explicitado e transparente.
O colapso, por outro lado, não é uma inevitabilidade. Devem ser imediatamente ensaiadas outras soluções como seja a privatização. Privatização que deve ser uma política urgente transversal porque ao ritmo de acumulação de resultados negativos, as empresas jamais poderão ser vendidas com recuperação dos reforços públicos.
A intervenção pública nas empresas, tem-se visto claramente, não é eficiente nem a melhor via para resolver questões de cariz claramente económico. A factura pública tem sido demasiado elevada neste campo específico e ainda não vimos o cenário completo porque há políticas anunciadas na área dos transportes que podem reclamar recursos avultados do orçamento público. 
 
Onde acha que se devem aplicar os milhões deste novo Quadro Comunitário de Apoio?
 Devem, ser, como recomendado e, por princípio, afectos à criação de capacidade produtiva privada na economia dos Açores. A tentação de se aplicar os recursos em actividades não reprodutivas paga-se mais tarde com o défice de desenvolvimento da dinâmica endógena privada de se gerar empregos.
Preocupante será a afectação destes recursos à execução financeira de projectos que já estão, há muito, materialmente executados


ricardo ferreiraRICARDO FERREIRA: “Há empresas públicas que não se justificam e devem ser encerradas”

 Embora lentamente, há sinais de retoma na economia açoriana. Devem-se a factores meramente conjunturais ou acha que haverá uma dinâmica continuada?
Há factores conjunturais que contribuem para os sinais, embora ténues, de retoma que já se fazem sentir na débil economia açoriana. É preciso, no entanto, ter em conta que se atingiu um patamar muito baixo. Em abono da verdade, importa constatar a tendência positiva que se nota em alguns indicadores, de alguns meses a esta parte, nomeadamente ao nível do investimento e da taxa de desemprego.
O sector do turismo, fruto de uma maior procura pelos Açores, tem, neste aspecto, contribuído para criar expectativas positivas em relação ao futuro.

Apesar de tudo, a Região continua a recorrer a empréstimos e a distribuir inúmeros avales. Algumas empresas do sector empresarial público regional deviam colapsar ou o Governo faz bem em injectar capital?
O recurso a empréstimos, dentro de parâmetros aceitáveis, que visem dinamizar a economia deve ser encarado como normal. Também é natural obter novos empréstimos que tenham por finalidade substituir compromissos existentes, por forma a reduzir encargos financeiros e ajustar maturidades.
A questão dos avales concedidos pela Região, poderá ter duas justificações ou origens : por um lado, permitir obter taxas de juro mais favoráveis junto da banca e por outro ser a única forma de a entidade que pretende endividar-se obter financiamento dada a garantia que é concedida. Neste segundo caso é, sem dúvida, um sinal de preocupação.
No que diz respeito às empresas e instituições que estão na órbita do governo regional, considero haver razões para a existência de algumas empresas e do correspondente apoio governamental, havendo, no entanto, situações que simplesmente não se justificam e devem ser encerradas e integradas em departamentos governamentais e outras que concorrem directamente com o sector privado, distorcendo a salutar concorrência e apresentando resultados que apontam no sentido de não se justificar a continuidade da sua existência.

Onde acha que se devem aplicar os milhões deste novo Quadro Comunitário de Apoio?
A verbas disponibilizadas no novo Quadro Comunitário de Apoio deverão ser prioritária e maioritariamente aplicadas em apoios a sectores produtivos da nossa economia, com destaque especial para a agro-pecuária e turismo.

“Igreja não tem sido 'voz profética' nas questões sociais e económicas dos Açores”

Igreja da RelvaO clero da ilha de S. Miguel entende que “a Igreja não tem sido uma “voz profética” no que toca às prementes questões sociais e económicas que têm afectado a nossa Região”.
A posição foi tomada numa assembleia do clero desta ilha, que decorreu no Centro Pastoral Pio XII, por convocatória do Vigário Episcopal de S. Miguel, Padre Cipriano Pacheco.
Estiveram presentes 28 padres, que fizeram uma reflexão sobre a situação eclesial e pastoral da ilha de S. Miguel.
Os padres concluiram que se verifica “uma falta de unidade e coordenação pastoral entre as Ouvidorias” e que “as Jornadas de Pastoral Social e as Semanas Bíblicas foram avaliadas como bastante positivas, embora as várias actividades formativas não tenham sidodevidamente articuladas”.
A par de algumas iniciativas do Serviço Diocesano da Liturgia, “nota-se a ausência, na Ilha, de uma Pastoral Litúrgica orgânica e regular, ou seja, da evangelização da religiosidade «oficial» da Igreja”, segundo concluiram, adiantando que “não se tem realizado uma séria evangelização da religiosidade popular, especialmente das Festas do Divino Espírito Santo, as maiores dos Açores”.
“A Igreja não tem sido uma «voz profética» no que toca às prementes questões sociais e económicas que têm afectado a nossa Região”, acusam os presbíteros de S. Miguel, referindo que “os núcleos de Cáritas de São Miguel não estão a funcionar enquanto «Cáritas de Ilha».
Por outro lado, dizem, os Movimentos Eclesiais não têm sido suficientemente acompanhados e o presbitério encontra-se “fragilizado e dividido, particularmente por falta de reconhecimento e apreço mútuos, assim como pela criação de grupos de interesse e pressão, com a finalidade de influenciar as nomeações”.
Perante tais constatações, os padres da ilha de S. Miguel fizeram as seguintes propostas:
“Reactivar o Instituto Católico de Cultura como motor de coordenação e realização da formação na Ilha, tanto de padres como de leigos (sobretudo dos adultos); Incrementar a Pastoral Litúrgica na Ilha, mediante uma extensão do Serviço Diocesano da Liturgia; Reactivar a Comissão Diocesana Justiça e Paz; Criar um Serviço Diocesano do Divino Espírito Santo, que apoie, sem controlar, as irmandades e os agentes de pastoral na preparação e na realização das Festas do Espírito Santo, mediante subsídios formativos, litúrgicos, paralitúrgicos e pastorais ; Formar uma Equipa Permanente da Vigararia Episcopal de São Miguel, constituída por ministros ordenados e leigos, com o intuito de gerar na Ilha uma contínua pastoral de conjunto; Criar uma Comissão Diocesana de Nomeações, composta de sacerdotes e especialistas nas ciências humanas e teológicas (psicologia, sociologia, teologia, pastoral…), que estude os perfis das Paróquias, dos Serviços, dos Padres e Diáconos, para apoiar o Bispo Diocesano, de forma a que, mediante a apresentação das vagas e a realização de candidaturas, os processos das colocações sejam efectuados de forma mais justa e serena; Dada a situação de transição que estamos a viver a nível diocesano, com o termo do ministério episcopal de D. António nos Açores e a vinda de um novo Bispo, esta Assembleia do Clero de São Miguel propõe ao Bispo Diocesano que interrompa a consulta, que decorre, para a nomeação de um novo Vigário Episcopal de São Miguel. Recomenda que não seja nomeado, para já, um novo Vigário Episcopal, mas que seja escolhido um coordenador de entre os ouvidores, para assumir provisoriamente as funções do Vigário Episcopal, até ser ultrapassado este período de transição. Esta Assembleia entende que seja o novo Bispo a nomear o próximo Vigário Episcopal de São Miguel. Ainda tendo presente o cenário de transição que estamos a viver, esta Assembleia recomenda que haja uma maior prudência nas novas nomeações”
Os padres que subscrevem estas posições são: Cipriano Pacheco, Augusto Cabal, João Arlindo Monteiro, David do Couto, João Luciano Rodrigues, Marco Sérgio Tavares, João Chaves, Duarte Melo, Fernando Teixeira, João Furtado, Ricardo Tavares, Nelson Vieira, Ricardo Pimentel, Hélio Soares, Victor Medeiros, Paulo Borges, José Borges, José da Encarnação Cabral, Nemésio Medeiros, José Fernandes, Horácio Dutra, Miguel Tavares, António da Luz Silva, Silvano Vasconcelos, Nuno Maiato, António Cassiano, João Maria Brum, Norberto Brum.

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Dia de Portugal e das Comunidades: Comunidade de Montreal pede mais atenção dos Açores para ligações aéreas

A comunidade açoriana do Quebeque, especialmente na cidade de Montreal, queixa-se neste Dia das Comunidades, da falta de ligação entre Portugal e o Canadá, especialmente na área dos investimentos e da promoção, nomeadamente da parte dos Açores. O caso das ligações aéreas é o que merece mais críticas, neste inquérito a algumas pessoas da comunidade açoriana, com a colaboração do jornalista Norberto Aguiar e de Jules Nadeau (Fotos), num serviço exclusivo do jornal “Lusopress” para o “Diário dos Açores”. Numa primeira questão é perguntado se a comunidade sente apoio do governo português e, na segunda, se a SATA deveria fazer mais ligações para Montreal.

 

emanuel marquesEmanuel Marques, 56 anos
Natural de Porto Formoso
Casado, pai de um filho
Há 35 anos no Quebeque (vive em Laval, cidade geminada com a Ribeira Grande)
Empresário de distribuição
Última vez que esteve nos Açores: 2014

1) «A nossa comunidade é muito maltratada pelos governantes portugueses. Estou cá há 35 anos e não vejo evolução. Pelo menos deviam estabelecer maior intercâmbio connosco. Primeiro foi a TAP que nos abandonou para ir para outras rotas, como as do Brasil, o que até nem admira, pois o presidente da companhia é brasileiro...».
«Depois, como é que podemos investir nos Açores se não há projetos concretos? Com a divulgação e promoção que se faz dos Açores aqui, é certo e sabido que nunca poderemos ter um fluxo de investidores para lá investir, e muito menos turistas para visitar uma linda terra como a nossa.»
«Apesar de tudo, a comunidade também é culpada porque não influencia o suficiente. Onde está a Casa dos Açores para nos representar junto das entidades competentes?»
«Bem sei que há crise em Portugal. Mas acho que os governos português e açoriano deviam fazer mais pela nossa comunidade. Não é só pedir remessas...»

2) «A SATA está virada para o Ontário. O Quebeque pouco conta. Fala-se que não há passageiros suficientes para que a SATA venha durante o ano todo a Montreal... Eu não sei. O que posso dizer é que o período em que ela vem cá é muito curto. De fins de junho à primeira semana de setembro é muito pouco tempo... Nem sequer vem cá pelas festas do Senhor Santo Cristo...»
«Mas já houve tempo que os quebequenses quase enchiam os aviões da TAP. Daí para cá esse espaço foi abandonado e deixou de haver turistas. É normal porque no Quebeque só se fala dos Açores em caso de catástrofes. Façam promoções nos órgãos de Informação comunitários e canadianos e depois verão que os turistas vão aparecer.»  



gleenGlenn Castanheira, 28 anos
Natural de Montreal, onde vive (é filho de mãe ribeiragrandense e pai continental)
Solteiro
(Tem cidadania portuguesa)
É conselheiro político na Câmara Municipal de Montreal
Última vez que visitou os Açores: 2014

1) «Eu acho que neste momento há vontade das entidades colaborarem com a Comunidade Portuguesa. Isto tem-se visto ultimamente com as promoções do 10 de junho. Pessoalmente estou em contato com o cônsul e sou testemunha dessa nova abertura. Acho que essa colaboração é para continuar. E nem estou pensando em dinheiro porque há muitas formas de colaborar. Se assim for, todos vão beneficiar.»
«Acompanhei a recente visita (fim do ano passado) do presidente do governo dos Açores, Vasco Cordeiro, a Montreal, e acho que é um bom princípio para quem, como eu, tem intenções de investir nos Açores.»
«Outra das iniciativas que se deve implementar para uma maior aproximação governos comunidades são as missões económicas que possam abrir canais de investimento. Não queremos dinheiro. Queremos é uma aproximação facilitadora que possa terminar numa problemática de desenvolvimento económico para ambas as partes. Se assim for, há na comunidade grandes empresários interessados em investir nos Açores.»

2) «Absolutamente! E há que reforçar essas ligações porque o potencial existe. O Quebeque e as províncias marítimas podem ser um bom manancial turístico. Apesar de não ser um grande conhecedor em matéria de viagens, acho que há gente que não conhece os Açores mas que no dia que souber que eles existem, pois vão querer lá ir. De resto sei que dos que lá têm ido, todos ficam com vontade de voltar. O que é preciso fazer é um estudo de mercado, investir em marketing e só depois saber se é viável haver um voo semanal Montreal/Açores e vice-versa que sirva a nossa comunidade. Como está a que não está bem.»
«Seja como for. A verdade é que as coisas não podem melhorar enquanto não houver pressão económica. Esta a que é a grande verdade.»

 

leonardo soaresLeonardo Soares, 56 anos
Natural de Rosário, Lagoa
Casado e pai de 1 filho
Há 50 anos no Quebeque (vive em Montreal)
Engenheiro civil
Última vez que visitou os Açores: 2014
1) «Não há dúvidas que os governos de Portugal e dos Açores têm que apoiar mais a comunidade. Até agora tem havido altos e baixos. Neste momento há apoios para o 10 de junho, uma novidade recente. Mas o que se está a fazer é pouco por ser virado para a própria comunidade. São só os portugueses que participam. Há que envolver as outras comunidades. Podemos e devemos fazer isso. Penso que isso passará por um colóquio com representantes da Comunidade Portuguesa, dos jovens aos dirigentes de clubes, empresários e outros agentes. E o apoio, assim, poderá vir de todos. Nada de esmolas dos governos... Brevemente vai haver uma manifestação importante em Montreal com a oferta de parte do acervo de Sisa Vieira ao Centro Canadiano de Arquitetura. E quem vai colaborar nessa promoção? Eu, que convidei o cônsul e mais uns amigos. Nem o governo português nem da comunidade há mais participação. É aqui que os governos têm de se implicar porque está em jogo o nosso prestígio. Impliquei-me porque trabalhei como engenheiro na feitura do edifício e porque senti e sinto que os portugueses têm que marcar uma presença.»
«Queremos fazer a diferença e apenas temos de contar connosco. Os governos nacionais não nos tratem da melhor forma. Veja-se o governo açoriano que ainda há pouco passou por cá com muitas promessas e que desapareceu... Eles (governo) querem pessoas para investir. Mas investir em quê? Onde estão os projetos? Quem vai investir sem conhecer onde se vai meter?... Possibilidades no ar, apenas.»
2) «Eu acho que a SATA e os seus responsáveis fazem apenas cálculos sobre a Comunidade Portuguesa do Quebeque para monitorar a frequência dos voos para Montreal. Nenhum estudo foi feito de maneira a saber se há ou não viabilidade para que Montreal tenha mais ligações com os Açores. Por exemplo, não se conta com a aderência de outras comunidades interessadas nos Açores e mesmo no Continente. Esquece-se, a esse nível, que o Quebeque até tem uma camada de população muito interessada no turismo de natureza. E onde o poder económico não está em causa...».
«Na minha opinião a solução é encontrar uma alternativa para este problema que já leva tempo demais nas mesas de discussão. Não há outra saída. De resto, quem quer viajar para os Açores, que ficam a pouco mais de quatro horas de Montreal e que terminada a época (curta) de verão, querem passar um dia inteiro até chegarem aos Açores?»

 

jose teixeiraJosé Teixeira, 66 anos
Natural de S. Braz, Ribeira Grande
Casado e pai de 2 filhos
Há 43 anos no Quebeque (vive em Laval, cidade geminada com Ribeira Grande)
Reformado
Última vez que visitou os Açores: 1988

1) «Os políticos portugueses têm pouca apetência pelo que se passa na Comunidade Portuguesa. De vez em quando um ou outro dá um salto cá. Depois, por longos períodos, esquecem-se de novo. Nem mesmo agora, que há o 10 de junho e com as eleições à porta, se eles veem cá para nos ouvir, para que possamos questionar sobre o que têm para nos oferecer... As exceções são raríssimas».
«Todos os anos, pelo Natal, apercebo-me que nem nos mandam a mensagem de boas festas. Isso demonstra a consideração dos nossos dirigentes para com a nossa comunidade. Sabemos, no entanto, que há algumas comunidades privilegiadas. Mas, enfim, fiquemo-nos por aqui.»
«A Casa dos Açores, neste aspeto e relativamente aos Açores devia ter uma palavra a dizer. Mas não tem. Porque é mais um clube como tantos outros que existem na comunidade. Mas não devia ser assim. E porquê? Por falta de dirigentes. Em minha opinião, a Casa dos Açores devia ser um género de representação oficial que defendesse os interesses dos açorianos no Quebeque. Mas não é. Os políticos regionais deviam aparecer com frequência para falarem aos nossos lusodescendentes sobre o que são os Açores hoje em dia. Falar da Geografia, da História, mesmo da gastronomia... Mas falta muito querer.»
2) «Eu direi que 75% da comunidade tem vontade de visitar os Açores. Mas muitos hesitam porque as passagens são caras e outros porque só podendo tirar férias no outono ou inverno não querem ter o inconveniente de passar horas de um lado para o outro. Eu próprio vou muitas vezes para o sul, para descobrir mas também porque tudo é mais facilitado. E não vendo maneira de melhorias, provavelmente que vou continuar a viajar para o sul.» Merecíamos melhor sorte, é verdade. Estou a lembrar-me de que há muito que ver nos Açores para além da paisagem. Há as touradas, as Sanjoaninas, o Senhor Santo Cristo, mas tudo se torna difícil pelo preço dos bilhetes e o inconveniente de se perder muito tempo para chegar aos aeroportos dos Açores. Enquanto não houver melhorias nestes aspetos, vamos continuar a ter poucos passageiros com interesse de visitar a nossa terra».

 

ciprianoCipriano Tavares, 51 anos
Natural de Achadinha, Nordeste
Solteiro
Há 40 anos no Quebeque (vive em Montreal)
Assistente técnico (Consulado de Portugal)
Última vez que esteve nos Açores: 2014

1) «Do ponto de vista de cá, certamente que é visto como insuficiente. Mas do ponto de vista dos dirigentes portugueses, eles devem pensar que fazem o que está ao seu alcance. Mas, sim. Sou de opinião que poderiam marcar uma presença mais frequente. Sobretudo por esta altura. É. Até agora limitem-se a fazer as tais visitas de cortesia e pronto. A Comunidade é que faz o 10 de junho. É a comunidade que acaba por promover Portugal. Antigamente ainda apareciam por cá representações turísticas e comerciais... Isso pelos vistos acabou. É a própria comunidade que hoje em dia tem de saber o que é que quer e querendo como é que deve fazer. Não estejam à espera que venham coisas de Lisboa ou Ponta Delgada... A diáspora, cada vez mais, a que tem que contar consigo.»
2) «Claro que merecia. Mas há mercado para isso? Esta a que é a pergunta a fazer... Claro que no verão não faltam passageiros. O problema é depois, a partir de outubro/novembro. Que não há promoção? Não, não há. No entanto e em minha opinião a melhor publicidade é aquela que é feita de pessoa para pessoa, daquelas que visitam os Açores e vêem de lá convencidas pela beleza da paisagem, etc... Se preferia que houvesse publicidade institucional? Obviamente que sim. Mas estão os nossos dirigentes virados para o Quebeque turístico? Pode ser que a prioridade esteja voltada para outros mercados, quem sabe?»