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Mais de 7.500 doentes continuam em lista de espera para uma cirurgia no Hospital de Ponta Delgada

hospitalSão exactamente 7.507 doentes que estão em lista de espera no Hospital do Divino Espírito Santo para uma cirurgia, no final do mês de Fevereiro - apurou o nosso jornal.

Em relação à lista do último dia do ano do ano passado, diminuiu apenas 3 doentes.

Significa que, já há alguns meses, não há grandes avanços nas listas de espera cirúrgicas, causando grandes problemas a muitos doentes açorianos.

Ao contrário, nas Consultas Externas, as listas têm vindo a diminuir nos últimos dois meses.

De acordo com a mesma fonte, havia em lista de espera nas Consultas Externas, no final de Fevereiro, 5.990 doentes, quando no final do ano passado eram 6.554, uma diminuição de 8,6%.

Apesar de tudo, a actividade no bloco operatório aumentou, com 1.225 cirurgias a serem efectuadas nos primeiros dois meses deste ano, mais 12,8% do que em igual período do ano passado.

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Tiago Lopes, Ordem dos Enfermeiros: “Falta coragem política para criar um enfermeiro por cada família”

tiago lopesDIÁRIO DOS AÇORES - O Secretário Regional da Saúde, Luis Cabral, afirmou ontem no Telejornal que os núcleos familiares de saúde não avançam nos Açores devido a desentendimentos entre a Ordem dos Enfermeiros e a Ordem dos Médicos. O que é que divide os enfermeiros dos médicos nesta questão?

TIAGO LOPES - Antes de mais permita-me um breve enquadramento.

Os Açores foram pioneiros a nível nacional e internacional na implementação do Enfermeiro de Família. Para permitir uma maior proximidade e promover a saúde das famílias, não substituindo os médicos de família, o Enfermeiro de Família foi uma aposta, em 2010, do anterior Governo Regional, que revelou uma enorme coragem política e visão do papel dos enfermeiros no sistema de saúde.

Os Enfermeiros de Família do Centro de Saúde de Vila Franca do Campo têm feito um trabalho extraordinário alvo de interesse e reconhecimento de entidades nacionais e internacionais.

O próprio Governo Regional reconheceu a mais valia dos Enfermeiros de Família e decidiu, em 2012, dotar a USI do Faial e a USI de São Miguel destes profissionais, tendo inclusivé, o atual executivo governamental, mantido este objetivo no programa de governo sufragado.

Entretanto, surgiu o Plano de Reestruturação do SRS e a decisão tida em 2012 arrastou-se até 2015 com os agora chamados Núcleos de Saúde Familiar.

 Procurámos resolver, sem sucesso, alguns constrangimentos detectados, nomeadamente no que se refere aos sistemas de informação. Não só não vimos o problema resolvido como o vimos agravado: foi retirada a plataforma informática que suportava os registos dos Enfermeiros de Família e com eles evidência dos ganhos em saúde.

Agora somos informados pela tutela de que a Ordem dos Médicos não concorda com a inclusão dos Enfermeiros de Família nos referidos núcleos nos moldes em que foi e é reconhecido e valorizado o trabalho feito pelos Enfermeiros de Vila Franca do Campo. Para além de significativas mudanças na metodologia de trabalho, o cerne da questão parece estar uma imposição da Ordem dos Médicos no que diz respeito à coordenação da equipa, fazendo-se valer de um argumento falacioso, reportando-se a uma lei que só entre médicos diz respeito: o regime da carreira médica.

Ao passo que os Enfermeiros se debatem por poder trabalhar junto das famílias sem serem mais bem pagos por isso, os médicos debatem-se sobre quem manda em quem... eventualmente de olho posto em mais um acréscimo remuneratório pela “coordenação”...

No fundo, podíamos ter um Enfermeiro de Família para cada família Açoriana até ao final deste ano e não temos por falta de coragem política.

DA- Há poucos dias os enfermeiros denunciaram que continua a haver médicos que fazem os diagnósticos sem presença física, através de telefone. A Ordem dos Médicos ficou em esclarecer o assunto, mas até hoje. O problema está ultrapassado?

TIAGO LOPES - Infelizmente o problema persiste. Sobretudo nos turnos da tarde e da noite, perante situações em que um doente internado agrava o seu estado de saúde ou em situações de emergência, os enfermeiros continuam a contactar telefónicamente o médico, que se encontra a ser pago para estar de prevenção e dar assistência médica quando solicitado, e este continua a não comparecer no serviço para observar o doente dando indicações via telefónica, quando estas nem sequer estão minimamente protocoladas, colocando em causa a segurança e a qualidade dos cuidados prestados.

DA - Comemora-se hoje o Dia Mundial da Saúde. Na opinião da Ordem dos Enfermeiros dos Açores, como estamos de Saúde na Região? Melhor ou pior? 

TIAGO LOPES - Para fazer essa avaliação são necessários dados. Recordo que até ao verão passado estava em operacionalização o Inquérito Regional de Saúde. Contudo, nunca mais se ouviu falar do inquérito. Se há dados estes não foram divulgados e não são conhecidos tal como em muitas outras coisas.

DA - As listas de espera nos hospitais, sobretudo em Ponta Delgada, continuam a engrossar. Como se ultrapassa isto?

TIAGO LOPES - Com boa gestão dos blocos operatórios. O programa de gestão das listas de espera cirúrgicas é um bom ponto de partida mas é insuficiente. A Ordem dos Enfermeiros dos Açores já deu um contributo nesta matéria. Gratuito e que serve os interesses dos cidadãos. Não serve é o interesse de outros e talvez por isso não tenha tido nenhum governante ou político a assistir à sua apresentação.

CTT admitem rescisões por mútuo acordo nos Açores

CttFonte oficial dos CTT admitiu ao “Diário dos Açores” que poderá haver rescisões por mútuo acordo nos Açores, embora não haja nenhum plano de redução de pessoal.
O Banco Postal vai ser extensivo à Região

 

 

“Não há nenhum plano de redução de pessoal” - é assim que uma fonte oficial dos CTT responde ao “Diário dos Açores”, a propósito de algumas apreensões entre os trabalhadores da empresa na Região.
E acrescenta: “Apenas têm lugar rescisões por mútuo acordo - iniciativa do trabalhador com o acordo da empresa. Nas áreas operacionais, como em qualquer empresa que lida com sazonalidade e flutuações de serviço, é normal haver reforços e reduções pontuais”.
Com a privatização dos CTT, alguns trabalhadores manifestaram a sua apreensão com a nova política da empresa no que toca à redução de pessoal.
A administração dos CTT não nos adiantou o número de trabalhadores dos Açores, mas é sabido que, em toda a empresa, durante 2014, foram admitidos 103 trabalhadores (27 em Portugal e 76 em Espanha) e regressaram 5 trabalhadores de situações de licença sem retribuição e de cedência por interesse público, enquanto ocorreram 228 saídas.
Destas saídas, 86 foram por aposentação ou reforma, 122 por cessação do contrato de trabalho e 20 por falecimento.
Os CTT procederam também à reavaliação de trabalhadores com condicionantes para o desempenho das suas funções (condicionados), “tendo em vista uma melhor ocupação e a aposta na mobilidade entre as várias empresas e negócios dos CTT”.
Em 31 de dezembro de 2014 o número de trabalhadores dos CTT (efectivos do quadro e contratados a termo) ascendia a 12.120, menos 263 (-2,1%) do que em 31 de dezembro de 2013.
Aqui se incluem 6. 596 trabalhadores da área de operações e distribuição de correio (dos quais 4.943 carteiros distribuidores) e 2 675 afectos à rede de lojas.
Os CTT efectuaram em 2014 o primeiro programa de identificação e desenvolvimento de potencial para jovens quadros ao serviço dos CTT. “Este programa inseriu-se nas políticas de desenvolvimento de capital humano, numa óptica de gestão de talentos e competências. O programa abrangeu um primeiro grupo de 100 participantes, com o envolvimento das respectivas chefias”, segundo a empresa.
 Quanto à estratégia dos CTT  em relação aos Açores, se vai manter todos os balcões, encerrará ou reestruturará alguns ou projecta crescer, a mesma fonte disse ao nosso jornal que a empresa “não têm planos de alteração para a sua rede de lojas. Naturalmente, como sempre fez, não deixaremos de analisar periodicamente as circunstâncias da nossa oferta de modo a adequá-la à procura existente”.
 Foi também anunciado que os CTT vão regressar à atribuição de prémios (remuneração variável) a partir de Maio próximo.
Estas regalias estendem-se também aos funcionários dos Açores, como nos confirmou fonte dos CTT:  “Todos os trabalhadores, de todas as zonas do País, são elegíveis, no contexto das regras que vierem a ser definidas”.
Depois de cinco anos sem prémios, os Correios voltam assim a repor esta prática, pouco mais de um ano depois da privatização.
Os administradores dos CTT estão satisfeitos com os resultados de 2014, em que o lucro cresceu 26%, para 77,2 milhões de euros.
Foi a primeira vez em seis anos que os CTT cresceram em receitas.
A empresa viveu tempos conturbados em 2013, com grande contestação à privatização, mas voltou à normalidade no ano passado, sem nenhuma greve.

Médico Rui César alerta: “Não há razão nenhuma para darem doces às crianças”

docesO consumo excessivo de doces, através dos conhecidos ovos de chocolate e amêndoas na Páscoa, está associado ao aumento de peso e à obesidade, pelo que falamos com o Dr. Rui César, director do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Ponta Delgada, que alertou os pais para uma maior moderação na hora de comprar doces para os seus filhos. 

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“Mota Amaral não pode ser dispensado assim tão facilmente”

Mota AmaralHenrique Aguiar Rodrigues, histórico do PSD-Açores

“Estou apavorado só de ouvir dizer que há quem subscreva qualquer iniciativa para dispensar o Dr. Mota Amaral da política” - foi assim que Henrique Aguiar Rodrigues reagiu ao nosso jornal quando contactado sobre a possibilidade de Mota Amaral não encabeçar a lista do PSD-Açores às próximas eleições nacionais de Outubro.
O histórico social-democrata faz questão de sublinhar que tem andado afastado das lides partidárias há muitos anos e não acompanhou nas últimas semanas as notícias à volta do assunto, porque estava ausente da região.
Mas sobre a tão falada hipótese do PSD dos Açores escolher outro cabeça de lista, Henrique Aguiar Rodrigues é peremptório: “Não vejo razões - antes pelo contrário - para dispensá-lo; é um político capaz, que tem prestado bons serviços ao partido, à região e ao país, com um prestígio que ultrapassa fronteiras; o partido, e não só, tem obrigações para com ele”.
O antigo dirigente do PSD-Açores e reputado médico cardiologista aposentado, diz não acreditar que haja da parte de Passos Coelho qualquer intenção de afastar Mota Amaral da lista.
“Esta história não é de agora; sempre que falam em renovação, olham para ele, mas o Dr. Mota Amaral não pode ser dispensado assim tão facilmente por gente mais nova que só quer ocupar cargos”, sublinha Henrique Aguiar Rodrigues, acrescentando que o ex-Presidente do PSD e do Governo Regional dos Açores “não é um homem agarrado aos lugares, como aliás já o demonstrou na liderança da região, estando a prestar enormes serviços na Assembleia da República e com uma representatividade que passa o próprio partido; é um valor com prestígio e uma mais valia para o partido e para a região, não esquecendo oseu valor histórico nos Açores”.
Henrique Aguiar Rodrigues fala frequentemente com Mota Amaral “como aconteceu ainda nos últimos dias”, e sobre os mais variados assuntos de interesse para a região, “como aconteceu agora com uma questão do Instituto Cultural de Ponta delgada, em que ele demonstrou muito interesse em relação a algumas iniciativas e, portanto, vejo-o cheio de energia, altamente capaz, interessado nos problemas da sua terra e não é como alguns políticos desta geração em que se tem de andar com o chapéu na mão”.
O histórico social-democrata vê ainda outras qualidades em Mota Amaral: “Hoje vemos tanta vigarice na política, tanta gente sem escrúpulos, e o Dr. Mota Amaral é uma referência de seriedade e honestidade, sem interesses pessoais, com muito prestígio e com uma grande lucidez; qual é o partido que dispensa um político assim?”.
Recorde-se que, nos últimos dias, tem-se falado muito na possibilidade de Berta Cabral substituir Mota Amaral na liderança das candidaturas à Assembleia da República pelo PSD dos Açores, o que não terá agradado a muitos militantes.
Duarte Freitas e Mota Aamaral chegaram mesmo a combinar no Congresso Regional do PSD, realizado na Ribeira Grande, para não falarem do assunto.
Foi a primeira vez na história do partido que Mota Amaral não discursou num congresso, tendo justificado esta ausência com uma laringite .
O PS dos Açores já indicou que o seu cabeça de lista é o seu líder histórico Carlos César, que aceitará o convite.

Afastado da política mas activo na dinâmica cultural de Ponta Delgada

Henrique Aguiar Oliveira Rodrigues é um dos antigos dirigentes mais influentes do PSD dos Açores e que contribuiu para a elaboração de muitas das estratégias do partido e da governação açoriana.
Nasceu em Ponta Delgada em 30 de Agosto de 1938, é médico cardiologista exerceu durante vários anos em Ponta Delgada.
Foi também presidente da Comissão Distrital de Assistência do Distrito de Ponta Delgada (1974-1980), vogal da Junta Regional dos Açores, com o pelouro dos Assuntos Sociais (1975-1976), Presidente da Assembleia Municipal de Ponta Delgada (1976-1989), deputado e Vice-Presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores na IV Legislatura (1988-1991).
Actualmente dirige o Instituto Cultural de Ponta Delgada, tendo publicado uma extensa obra sobre historiografia local de Ponta Delgada.
Afastou-se da política partidária, mas diz-se “atento e interessado” na política do dia a dia.