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Luta contra o cancro está a ganhar força nos Açores

cancro-lacoNão foi a primeira vez que Paula Margarida Tavares fez furor na internet, especialmente depois de ter decidido dar a cara pela enorme problemática do cancro nos Açores – nomeadamente contra as grandes lacunas que existem no apoio aos doentes. Paula Margarida, que durante alguns meses colaborou com o Diário dos Açores com magníficos textos de opinião, é ela própria neste momento uma paciente daquela doença.
No passado fim de semana, face ao falecimento de duas jovens colhidas na flor da idade, escreveu, com o sentimento que lhe é característico:
“Com a alma destroçada e o coração partido... hoje, 11 de janeiro de 2015, partiram duas grandes Senhoras, companheiras de jornada, duas grandes guerreiras a Nana Tavares e a Raquel Apresentação.
Em memória de ambas, e pelos imensos açorianos e açorianas, cada vez mais jovens, que padecem de doença oncológica, peço a todos os que assumem responsabilidades políticas nesta região que analisem o aumento brutal dos casos de doença oncológica numa faixa etária cada vez mais jovem.
Peço que o nosso Governo olhe por nós, açorianos e açorianas, lançando um estudo sobre as causas do aumento de casos de doença oncológica nestas ilhas.
Peço que seja incentivada a partilha internacional de saberes.
Peço a todos os responsáveis pelo Sistema Regional de Saúde que abram protocolos de investigação com centros internacionais e que não enclausurem os açorianos nesta terra e que, vida por vida, dêem a todos os que necessitam de novos tratamentos ou terapias inovadoras a possibilidade de cura, mesmo que tenham de percorrer o mundo.
Analisem o aumento de casos de doença oncológica nos Açores, assumam responsabilidades e façam um investimento mais que precioso: invistam na vida do vosso povo!
Vida por vida...” (ligação)

Foi como um vulcão: no espaço de 2 dias o post foi partilhado mais de 500 vezes – e isso, ainda mais que os próprios “gostos”, diz muito da solidariedade que se está a espalhar.
Ontem uma nova iniciativa foi lançada: uma “Manifestação em Honra da Nana e Raquel – Luta Pelos Direitos dos Açorianos”. O evento é descrito assim:
“Em honra de grandes duas lutadoras que partiram.... Vestidos completamente de preto vamos em luta! Lutar pelos Direitos de saúde dos Açorianos! Por vocês Nana, Raquel....Por ti, Paula!!!! Por todos os que sofrem desta doença! Pelo nosso futuro!”
O encontro está marcado para 5ª feira às 17h30 no Largo da Matriz.
Os Açores apresentam valores superiores à média nacional em diversos cancros.
De acordo com um trabalho de investigação realizado pelo Diário dos Açores em 2013, com base nos dados do  Centro de Oncologia dos Açores relativos ao ano de 2006, são apresentados diversos cancros, por género, em que os Açores apresentam maior incidência que no país, sem que se compreenda ao certo a que se pode dever esse facto.

 Link do Evento

Em desenvolvimento: Manifestação

quadrocancros

BEL lança hoje “Leite de Vacas Felizes: Puro Leite de Pastagem”

bel terra nostraA BEL, empresa líder na produção e comercialização de queijo em Portugal, realiza hoje em Ponta Delgada apresentação oficial do “Programa Leite de Vacas Felizes – Puro Leite de Pastagem”. Trata-se de uma iniciativa que será desenvolvida junto dos produtores de leite locais e que tem como objetivo “a promoção da diferenciação do leite açoriano, pelo recurso a práticas agrícolas sustentáveis e a elevados critérios de qualidade”. 
A cerimónia, que decorre no Teatro Micaelense a partir das 10h00, contará com a presença do presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, pela Diretora Geral da BEL Portugal, Engª Ana Cláudia Sá, bem como representantes de entidades públicas nacionais e regionais e produtores de leite locais.
Haverá lugar à projecção de um filme de apresentação do Programa, que será depois explicado por Eduardo Vasconcelos, director de Aprovisionamento de Leite da BEL. Haverá uma palestra sobre os benefícios da pastagem para a qualidade do leite, a proferir pelo Engº José Viana, que pertence à Direcção de Serviços de Agricultura, da Direcção Regional da Agricultura, tendo a seu cargo a coordenação regional da experimentação agrícola e pecuária.
Haverá ainda a intervenção de Luís Veríssimo, especialista em Comunicação e Criação de Valoe para as marcas, sendo professor unicversitário e formador da Associação Portuguesa de Anunciantes. Entretanto ontem houve uma cerimónia de recepção dos convidados nacionais, com um passeio a uma exploração. De acordo com declarações de Ana Cláudia Sá à Antena 1, é provável que a BEL também venha a baixar o preço do leite pago à produção ao longo do ano.
“Estamos ainda a estudar o que vamos fazer; o preço no continente baixou em Janeiro 3 cêntimos e nós concorremos no mesmo mercado; temos de ter muito cuidado para não ficarmos fora do mercado e não conseguir vender os nossos produtos; o mercados são assim, infelizmente quando sobem sobem, quando descem descem e nós termos de reagir; ainda não decidimos nem o valor a descer nem a data, mas teremos de responder ao mercado”.
“Nunca espereria que por exemplo na Holanda, entre Janeiro de Dezembro de 2014, o preço do litro de leite baixasse 12 cêntimos; ninguém esperaria uma coisa dessas; as coisas estão muito difíceis de prever, mas nós achamos que o leite vai baixar bastante e só talvez em Setembro é que volte a começar a vir para patamares aceitáveis”.
Pode haver do norte da Europa leite barato, mas nós temos de mostrar a quem nos compra que o leite não é todo igual e é melhor comprar um produto açoriano do que um produto alemão.

A BEL é um grupo multinacional de origem francesa que opera a nível mundial no mercado do queijo há 150 anos, detendo 5 marcas internacionais e mais de 25 marcas locais em 120 países. É o nº 3 mundial no mercado do queijo e conta com 400 milhões de consumidores a nível global.
Em 2013 faturou 2,7 mil milhões de euros. O mercado de queijo em Portugal representa 56.751 toneladas (volume) e 437 milhões de euros (valor).  A BEL Portugal lidera o mercado total de queijo em Portugal e conta com uma quota de mercado de 19% (em valor) com as suas marcas Limiano, Terra Nostra, A Vaca que ri e Mini Babybel.
No principal segmento de mercado, o queijo flamengo, a Bel Portugal detém a liderança com 34% de quota em volume e 42% em valor, com as duas primeiras marcas do mercado, Limiano (19,1% em volume e 14,7% em valor) e Terra Nostra (respectivamente 19,4% e 16,2%).
Para além do mercado de queijo, a Bel está presente nos mercados de UHT e Manteiga, em ambos com a marca Terra Nostra. Apesar da atual conjuntura económica, a Bel Portugal tem conseguido crescer de ano para ano. Em 2013, faturou cerca de 130 milhões de euros, mais 7% relativamente ao ano anterior.

Jovens açorianos são os que estão mais viciados nas drogas pesadas

droga-heroinaO percentagem de açorianos viciados na Heroína – a mais aditiva de todas as substâncias psicoactivas – foi no ano de 2012 a mais elevada de todo o país, de acordo com a última edição do “Relatório Anual sobre A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências” relativo ao ano de 2013, e que inclui relatórios de 5 em 5 anos, começando em 2001.
A situação é pior nas idades dos 15 aos 34 anos, em que 1,6% da população nessa faixa etária consome aquela droga – o que neste caso equivale inevitavelmente a dizer que está viciada ou pelo menos fortemente dependente.
Em mais nenhuma região esse valor é atingido, com excepção da Madeira, que atinge 1,5%, parecendo confirmar que este é um “problema das ilhas”. No entanto, na população total (dos 15 aos 64 anos de idade) a Madeira baixa para 0,6% da população, enquanto que os Açores se mantêm nos 1,1%, que é de novo o valor mais elevado do país, ex-aequo com o Algarve – que no entanto não tem problema nas camadas mais jovens.
A situação mantém-se ao nível da prevalência de consumo nos últimos 12 meses, com 0,8% dos jovens a consumir heroína e 0,3% da população em geral. Trata-se, em ambos os casos, dos piores valores de todas as regiões do país.
As quebras no consumo da heroína desde 2001 também têm sido muito menores nos Açores do que no resto do país:
Registe-se que a “Taxa de Continuidade” é também a mais elevada entre os jovens. Essa taxa indica “a proporção de indivíduos que tendo consumido uma dada substância ao longo da vida, declaram ter consumido essa mesma substância no último ano”. Cerca de 49% dos jovens açorianos que consumiram heroína ao longo da vida afirmam ter consumido no último ano, e não há qualquer paralelo no resto do país. Na população em geral esse valor baixa para 30,7%, no que é apenas ultrapassado pelos 37,6% da Madeira.
Nos Açores o Governo apostou bastante no esquema da substiutuição de opiáceos, que neste momento já excede os mil utentes.

Estados Unidos vão entregar 300 edifícios da Base das Lajes às autoridades portuguesas este ano

BASE das LAJESOs Estados Unidos deverão proceder ao longo deste ano à devolução de algumas infra-estruturas da Base das Lajes para as autoridades portuguesas. De acordo com o Pentágono, serão aproximadamente 300 dos 400 edifícios que compõem a base e que serão transferidos para o Governo Português. Washington irá pagar para manter as operações de combate a incêndios, torre de controlo e serviços de emergência, tarefas essas que ficarão a cargo dos trabalhadores açorianos.
Segundo a agência Reuters, a decisão de retirar particlamente da Base das Lajes deveu-se “à conclusão pelos comandantes de que a base aérea das Lajes é em grande parte uma relíquia de outra época, quando era necessária para reabastecer ou fazer aterragens de emergência dos aviões em voos transatlânticos no seu caminho para o continente europeu”.
A redução gradual, ao longo deste ano, será de 900 para 400 trabalhadores portugueses da Base das Lajes, enquanto os civis e militares norte-americanos vão passar de 650 para 165.
O professor de Relações Internacionais Miguel Monjardino, que é natural da ilha Terceira, disse que anteontem foi “um dia mau para os Açores”, mas sublinhou que “os Governos da República e Regional fizeram o que podiam para evitar a redução de pessoal nas Lajes, anunciada pelos Estados Unidos”.
“Esta diminuição levanta dúvidas sobre que relação é que os Açores têm com a América, e que papel é que os Açores desempenham hoje em dia na relação entre Portugal e os EUA. Sob esse ponto de vista, parece-me que é claramente um dia mau para os Açores, porque põe em causa muita coisa que foi dada como garantida nas últimas décadas”.
Miguel Monjardino sustenta que a reorganização de toda a infraestrutura militar dos EUA na Europa, que inclui a redução de efetivos na Base das Lajes, assentou em duas razões.
“A recusa sistemática do Congresso em aceitar os pedidos do departamento de defesa em reduzir ou fechar bases no território norte-americano, sem que isso fosse feito primeiro em bases europeias usadas pelos EUA. E a necessidade que o departamento de defesa norte-americano tem de poupar recursos e dinheiro por questões de política interna”, explicou.
“Tenho dúvidas que fosse possível, quer ao Governo Regional, quer ao Governo Português [da República] fazer muito mais do que aquilo que foi feito”, frisou o professor, acrescentando que os contactos feitos ao longo do processo podem vir a dar frutos no futuro.
A importância estratégica da Base das Lajes “flutuou ao longo da história” e a realidade atual é muito diferente da do passado.
“O [Oceano] Atlântico de hoje é muito diferente do Atlântico que deu origem a esta base. É evidente que isso diminui do ponto de vista norte-americano a importância que a base tem. Mas é também importante perceber que os americanos não vão sair completamente da base e, se houver necessidade, poderão reativar o seu uso a um nível mais elevado”, sublinhou Miguel Monjardino.
Sobre as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, que avisara que as relações entre Portugal e os Estados Unidos poderiam ser prejudicadas em caso de um desfecho negativo sobre a utilização da Base das Lajes, o especialista considera-as como um “sinal de desagrado” por parte de Lisboa.
“O relacionamento [entre os dois países] será mantido, há desagrado pela parte portuguesa, e temos de pensar na melhor maneira de manter este relacionamento, como é que isto vai ser feito, e como é que eventualmente será possível atrair para os Açores novas iniciativas que gerem riqueza e prosperidade nas ilhas”, concluiu Miguel Monjardino.
Pelo menos 2 partidos anunciaram iniciativas de contactos na Assembleia da República.
BASE das LAJESO PSD anunciou que vai chamar ao parlamento o embaixador norte-americano em Portugal, Robert Sherman, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, para prestarem esclarecimentos sobre a redução da presença dos Estados Unidos nas Lajes.
“A decisão do governo dos Estados Unidos deixa o PSD preocupado, é nesse sentido que solicitámos a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros na comissão para prestar esclarecimentos, além disso gostaríamos também de convidar o embaixador norte-americano para estar presente na mesma comissão para prestar alguns esclarecimentos”, afirmou o deputado social-democrata António Rodrigues.
“Estamos ainda disponíveis para viabilizar todos os pedidos que venham a ser apresentados por outros partidos para aqui no Parlamento ouvirmos outros responsáveis para esclarecer cabalmente esta situação, sem dramatismos”, afirmou o vice-presidente da bancada do PSD.
Sobre as duas audições, António Rodrigues referiu que o grupo parlamentar do PSD está “disponível para as escalonar de acordo com aquilo que seja a disponibilidade dos envolvidos”, o “mais rápido possível”.
“Sabemos que houve negociações e haverá ainda negociações no futuro e estamos interessados em deixar clara não só a posição dos trabalhadores daquela região, mas acima de tudo quais são os impactos para a economia da região autónoma dos Açores nesta matéria”, e disse esperar que “na colaboração entre o Governo Regional e o Governo da República possa estabelecer-se um consenso sobre esta matéria”.
O PCP anunciou também que vai chamar à Assembleia da República o Ministro dos Negócios Estrangeiros e o Ministro da Economia para discutir o que pretende o governo fazer relativamente ao anuncio da extinção de 500 postos de trabalho na Base das Lajes.

Os 10,45% dos deputados dos partidos mais pequenos com 50% das propostas votadas na Assembleia Legislativa...

ALRAADe acordo com o site da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, no ano de 2014 houve 74 propostas que foram votadas em plenário. Dessas, 27 foram aprovadas por unanimidade, 24 foram aprovadas por maioria, e 23 foram rejeitadas.
Na sua maioria foram Projectos de Resolução, com 51% do total de propostas votadas, tendo havido 16 aprovados por unanimidade, 7 por maioria e 15 rejeitadas.
O Governo Regional apresentou 16 propostas de Decreto Legislativo Regional, das quais 6 foram aprovadas por unanimidade e as restantes por maioria.
Nas 47 votações que não resultaram em unanimidade, o PS votou 24 vezes a favor e 23 contra. Sublinhe-se que os partidos votam, invariavelmente em bloco, mesmo se o número total de votos oscile ligeiramente.
O índice de aprovação mais elevado (nº de vezes em que um partido votou a favor do total de vezes possível) pertenceu ao Bloco de Esquerda, com 65%, seguindo-se o PPM com 58% e o CDS com 56,5%. Mas o facto é que todos os partidos estiveram acima dos 50%.
O PS é o único partido que invariavelmente vota a favor ou contra – sem nunca se abster. Porque o facto é que nos restantes partidos o número abstenções é bastante elevado, oscilando entre os 15% do PCP e os 24% do CDS (PSD é o 2º com 21,3% e o PPM o 3º com 20,9%). O que leva à seguinte conclusão: com excepção do PS, que votou contra em 49% das votações, os partidos são muito pouco do “contra”: o PCP votou contra 34% dos casos, mas o PSD fica-se pelos 34,4%, o PPM pelos 20,9%, o CDS pelos 19,6% e o BE apenas 17,4%...
Excluindo uma proposta conjunta de todos os partidos da oposição – que foi rejeitada–, cerca de 28% de todas as propostas que foram votadas sem unanimidade tiveram origem no Governo ou no PS. Mais precisamente, 12 do Governo e apenas 1 proposta do PS. Aliás, o PS tem uma actividade a este nível bastante reduzida: mesmo nas propostas que foram aprovadas por unanimidade, apenas apresentou 2 propostas sozinho, participou em 2 propostas que encolveram todos os partidos, e em mais uma juntamente com o CDS e o PPM – enquanto que o Governo apresentou 6 propostas. Ainda no capítulo das propostas que não geraram unanimidade, o PCP apresentou 21,7% das propostas, ficando mesmo à frente do PSD, que representou 19,6%, o PPM 15,2%, o BE 10,9% e o CDS apenas 4,35%. Ou seja, o PP é o partido com menor número de propostas não unânimes.
No total das propostas (excluindo apenas 2 propostas conjuntas e 2 propostas da Mesa, ambas votadas por unanimidade), o Governo apresentou 26,9% das propostas que foram votadas no parlamento, o que, juntamente com os 4,5% do PS representa que a Maioria foi responsável por 31,3% das propostas votadas.
Da oposição, o PCP foi o partido que mais propostas apresentou, representando 19,4% do total. Das que foram aprovadas apenas com maioria, metade das propostas do PCP foram aprovadas, e em geral com mais que um partido.
O CDS apenas apresentou 9% das propostas e foi assim o partido com menor actividade a este nível.  O PSD ficou-se pelos 17,9%. O PPM ficou-se por 10,45% e o BE pelos 11,94%.
É óbvio que existe uma discrepância muito grande em relação à representatividade de cada partido e a sua actividade em termos de propostas em votação. No seu conjunto, o CDS, PPM, PCP e BE têm apenas 6 deputados, que correspondem a cerca de 10,5% do total (que são 57 deputados). No entanto, representaram 50,7% das propostas votadas. O PSD, pelo seu lado, com os seus 20 deputados, representa 35% do total, mas ficou-se por menos de 20% das propostas....