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SATA em dificuldades pede “compreensão” aos fornecedores

sata-internacional1O Presidente da SATA, Luis Parreirão, enviou ontem uma carta aos fornecedores da empresa reconhecendo que “nem sempre temos cumprido os nossos compromissos nos prazos que gostaríamos e temos consciência que a generalidade dos nossos fornecedores assumiram sempre uma atitude de grande compreensão”.
Na missiva, a que tivemos acesso, o Presidente da SATA diz que “estamos a trabalhar no sentido de encontrar, no curto prazo, soluções de financiamento que nos permitam ultrapassar as actuais dificuldades”.
Depois de explicar os objectivos nesta fase difícil, Luis Parreirão pede “a melhor compreensão e lhe reiteramos a nossa disponibilidade para apreciar e acolher as propostas  que entendam fazer-nos”.

Preço do leite tem de baixar para competir com os outros mercados

insulac 2Industriais preocupados com aumento da produção

Baixar os custos de produção na fileira do leite dos Açores será a principal solução para o problema das quotas leiteiras.
Esta é a convicção de alguns industriais açorianos, entre os quais o Presidente do Conselho de Administração da INSULAC, Jorge Costa Leite, que manifestou ao nosso jornal a convicção de que o problema da região passará pela competitividade com outros países.
“De nada vale produzirmos com a melhor qualidade e depois vendermos a preços que não conseguimos colocar no mercado”, afirma ao nosso jornal o gestor da fábrica de lacticínios da Ribeira Grande.
Jorge Costa Leite diz acreditar na qualidade do leite açoriano, “mas só por si não resolve o problema”, agravado pelo facto de estarmos a produzir 600 milhões de litros e, neste início de 2015, estar-se a aumentar a produção em números surpreendentes.
Em Janeiro a produção de leite aumentou em S. Miguel cerca de 10%, em Fevereiro passou para 14% e na Terceira terá subido para 19%.
A explicação para este aumento de produção estará nas condições climatéricas e no abaixamento dos preços de rações.
“O que está a acontecer aqui, também se verifica noutros países”, explica Jorge Costa Leite, “pelo que se os outros países baixarem os preços no mercado, não teremos outro remédio senão acompanhá-los”.
Esta tese dos industriais vai um pouco contra o defendido pelos lavradores, que pretendem aumentos no pagamento à produção e defendem a qualidade do leite como arma importante para o fim das quotas leiteiras.
“É claro que poderá haver outro tipo de soluções”, adianta Jorge Costa Leite, e uma delas é o pacote de apoios que poderá surgir para a produção, mas também para os industriais.
O Presidente da INSULAC dá como exemplo o problema dos transportes.
“Nós gastamos por ano cerca de 1 milhão de euros só em transportes para exportar os nossos produtos e para trazer as embalagens e outras matérias primas para laborar cá, acrescentando-se ainda os custos adicionais para manter lá fora o armazém de trânsito”, sublinha Costa Leite, acrescentando que “tudo isto são despesas que os outros lá fora não têm, porque enviam directamente da fábrica para os outros mercados”.
Outro problema que a indústria açoriana está a enfrentar é a retracção e até fecho de muitos mercados para onde exportavam.
A INSULAC, por exemplo, exporta para o centro da Europa, Grécia e Espanha, mas começa a notar uma grande retracção nos mercados de Marrocos e Angola, para onde exportava, e já não conta com o mercado da Rússia, para onde também chegou a exportar, devido ao açambarcamento decretado pelo ocidente.
Estes assuntos foram abordados no Fórum do Leite organizado pelo governo, em Santana, com produtores, industriais, políticos e especialistas na fileira do leite.
A preocupação com o fim das quotas leiteiras foi comum a todos, tendo o Secretário Regional da Agricultura realçado  as características únicas de produção existentes no arquipélago, salientando ser consensual que a criação de produtos diferenciados por parte da indústria constitui-se como uma mais-valia comercial e um argumento competitivo.
“A estratégia assenta no fortalecimento destes três pilares [produção, indústria e comercialização], não podendo nenhum deles falhar, sob pena, se isso acontecer, termos, de facto, um problema de algum peso”, afirmou Luis Neto Viveiros.
Por outro lado, questionado pelos jornalistas, assegurou que a Região, apesar do funcionamento em mercado aberto, vai dar “particular atenção”, por via das actividades inspectivas, a eventuais situações de dumping de preços praticados na venda de leite ou produtos lácteos estrangeiros.
 O Secretário Regional registou também, positivamente, que as opções de investimento tomadas pelo Governo dos Açores e pelos empresários agrícolas e agro-industriais na última década correspondam às soluções indicadas pelo estudo encomendado pelo Executivo regional sobre o impacto do fim do regime de quotas.
 Luís Neto Viveiros assegurou o reforço desses investimentos e reafirmou que o Governo dos Açores vai manter uma estratégia de pressão concertada junto das instâncias comunitárias, por forma a reivindicar mecanismos de regulação e de compensação dos impactos das oscilações do preço do leite.

Produção e exportação sempre a crescer

As preocupações de Jorge Costa Leite deixadas nesta entrevista ao “Diário dos Açores” são bem ilustrativas do momento tenso que se vive no sector do leite dos Açores.
A INSULAC, de que Costa Leite é Presidente, é uma das indústrias que mais exporta e, com o fim das quotas leiteiras,  será uma grande luta enfrentar mercados mais competitivos do que o açoriano.
A INSULAC possui ainda a mais moderna torre de secagem do país, produzindo também leite e lactosoro em pó. A produção da INSULAC tem vindo a crescer a bom ritmo, recebendo anualmente mais de 60 milhões de litros de leite dos produtores  açorianos e produzindo cerca de 5.000 toneladas de queijo por ano, 1.000 toneladas de leite em pó e 2.000 toneladas de lactosoro em pó.
 A INSULAC, recorde-se, foi fundada em 1992 por investidores com tradição no sector e tem a fábrica na Ribeira Grande.

“Lóbi em Bruxelas não funciona”

Jorge RitaJorge Rita, Presidente da Associação Agrícola de S. Miguel, disse ontem ao nosso jornal que, nesta altura delicada para a fileira do leite, “era importante e fundamental termos em Bruxelas um lóbi forte e bem coordenado”.
O líder dos agricultores tem reivindicado, há vários anos, a constituição de um grupo de influência, a favor dos Açores, nos corredores de Bruxelas.
O anterior Governo Regional chegou a anunciar a contratação de uma agência para a promoção de lóbi em Bruxelas, mas nunca se ouviu falar de qualquer actividade da mesma.
Jorge Rita é peremptório: “o lóbi em Bruxelas não funciona”.
Para o Presidente da Associação Agrícola, “a defesa da nossa ultraperiferia faz-se é em Bruxelas, tem que ser através da máquina lá instalada”.
Por isso, adianta, não se percebe como não temos lá gente nossa, com fortes canais de influência”.
Jorge Rita dá como exemplo o facto de nem os partidos políticos darem atenção a este aspecto, nomeando os casos dos anteriores eurodeputados Luis Paulo Alves, Patrão Neves e até Capoulas Santos, que fizeram um bom trabalho, mas depois foram dispensados pelos respectivos partidos.
Jorge Rita está preocupado com estes aspectos e com o fim das quotas leiteiras, sendo estas algumas das preocupações que vai deixar amanhã no Fórum do Leite.
De facto, amanhã, pelas 9h30m, no Parque de Exposições de S. Miguel, o Governo Regional realiza um Fórum do Leite para discussão sobre problemas desta fileira, com vários convidados.
Jorge Rita será um deles e disse ao “Diário dos Açores” que vai voltar a defender o que ainda há dias disse na inauguração da Fábrica de Rações.
O líder sublinhará, mais uma vez, que “a fileira do leite nos Açores tem de ser vista como um todo, por isso, a criação de um Observatório do Leite na Região é uma condição essencial para a transparência e moralização do sector, para que possa ser desenvolvido um trabalho mais abrangente com os vários agentes, desde o Governo Regional dos Açores, às organizações de produtores, à indústria de lacticínios, à distribuição e à Universidade dos Açores, para que seja possível encontrar mecanismos capazes de valorizar este magnífico e singular produto que temos, que é o leite dos Açores.”
O líder dos lavradores entende que o sector está “a atravessar um período difícil e complicado, nomeadamente, pelas baixas abruptas de preço de leite que têm ocorrido em algumas ilhas, mas que em São Miguel, teve o seu expoente máximo, com descidas de algumas indústrias de 4 cêntimos em três meses, além de penalizações suplementares que pretendem introduzir, o que provoca uma baixa de rendimento significativa nos produtores de leite.”
Jorge Rita faz também um apelo aos industriais: “as indústrias têm de acarinhar e proteger os produtores de leite de uma forma activa e realista, porque sem eles, deixam de ter razão de existir, e não podem ter fornecedores de matéria prima desmotivados, incapazes de reagir às adversidades e às dificuldades que vão ocorrendo na fileira.
Para termos vacas felizes, temos também de ter produtores felizes e não infelizes.
Aliás, gostaria de referir que estas últimas descidas do preço do leite já vêm um pouco em contraciclo, porque existem sinais de que os mercados de leite e lacticínios estão a recuperar.
Também gostaria de referir a postura da Unileite na acção reguladora do preço do leite em São Miguel, demonstrando ser importante haver cooperativas dos produtores que sejam capazes de influenciar os preços do mercado.”

Novo Banco dos Açores com prejuízos de mais de 2 milhões de euros

novo bancoO Novo Banco divulgou a nível nacional as suas contas relativas a 2014.
No caso dos Açores, o nosso jornal conseguiu ter acesso à síntese de actividade do Novo Banco nesta região, que apresenta um resultado negativo de 2.121 milhões de euros, depois de um Resultado Bruto de 5,5 milhões de euros, o que representa um crescimento de 41% relativamente a 2013.
Tal evolução, segundo nossa fonte, ficou a dever-se a uma melhoria do Resultado Financeiro do Banco, de mais 34,6% relativamente ao período homólogo, e a um crescimento também positivo do Serviço a Clientes de 3,5%, o que se traduziu num crescimento do Produto Bancário de mais 13,4%.
Acresce que o Novo Banco dos Açores, no período em análise, conseguiu reduzir os Custos Operativos em -0,7%.
O Novo Banco dos Açores realça que, durante o ano de 2014, a instituição realizou “um grande esforço de aumento de Provisões para Crédito, passando o montante global de Provisões do exercício, de 4.045,6 mil euros em 2013 para 8.139,6 mil euros em 2014, o que significa um crescimento da ordem dos 101%.
Este acréscimo no volume de provisões veio permitir provisionar alguns créditos a 100%, sendo que existem garantias reais sobre estes mesmos créditos, que em exercícios futuros irão reverter para resultados por contrapartida de anulação de provisões.
“Não fora este enorme esforço de Provisões e o Resultado Líquido apurado em 2014 de -2.121 milhares de euros teria sido mesmo positivo”, conclui o Novo Banco.
Apesar da quebra nos recursos dos Clientes (principalmente recursos desintermediados) o Banco assegura que continuou a desenvolver normalmente a sua actividade e o crédito concedido a clientes chegou mesmo a registar uma evolução positiva em 2014. Nesta fase - adianta a instituição - estão-se a recuperar as quebras registadas nos recursos.
Recorde-se que, após autorização do Banco de Portugal, a instituição açoriana procedeu, em Outubro, à alteração da denominação social para Novo Banco dos Açores, SA, acompanhando a marca definida para o acconista maioritário.
Ao nível da actividade, e comparativamente a 2013, salienta-se a evolução registada nos Depósitos de Clientes (-10,1%) e no Crédito concedido a Clientes (+1,5%).
Esta evolução originou um aumento do Rácio de Transformação de Depósitos em Crédito em 12,5 p.p., situando-se em 123% sendo que nos últimos meses do ano se assistiu mesmo a uma melhoria, lê-se na síntese.
O ano de 2014 encerrou com um Ativo Líquido de 438 milhões de euros, o que representa uma variação, relativamente a 2013, de -1,7%.

Resultados a nível nacional

A nível nacional, OoNovo Banco apresentou prejuízos de 467,9 milhões de euros entre o dia 4 de Agosto (dia seguinte à sua nova designação) até 31 de Dezembro.
Stock da Cunha, Presidente do Novo Banco, apresentou ontem os resultados, que foram condicionados pelas provisões de 699,1 milhões de euros, dos quais cerca de metade estão relacionados com o crédito a clientes, nomeadamente o que tem acções nacionais como colateral.
Só nas participações na Portugal Telecom e na Oi a instituição enfrenta uma imparidade de 108 milhões de euros.
Na apresentação do balanço,  Eduardo Stock da Cunha defendeu que “a sobrevivência do banco dependia da liquidez e do capital e não dos resultados”.
O Novo Banco, cujo processo de venda está em curso e deve estar concluído este semestre, entrou em 2015 com uma carteira de depósitos 26,6 mil milhões de euros.
Número que, segundo o jornal “Económico”, tem duas leituras: “significa que a fuga de capitais que marcou o último trimestre de vida do BES foi estancada; mas significa também que a base de depósitos é ainda inferior em 9,3 mil milhões de euros face a Junho, data dos últimos dados disponíveis sobre o BES. A recuperação de fundos no quarto trimestre levou a uma melhoria do rácio de transformação para 126%.
Nestes primeiros cinco meses de actividades, o crédito baixou em 1,8 mil milhões de euros, destacando-se a descida de 4,4% nos empréstimos cedidos a empresas, o seu principal mercado”.

Hotel Bahia Palace vai construir mais 40 quartos, um SPA e novo espaço de restauração

Hotel Bahia PalaceEncerra no final deste ano para grandes obras
O Grupo Pestana, maior operador português na hotelaria e turismo, está de olhos postos nos Açores e quer apostar forte no sector em S. Miguel.
Com o anúncio da liberalização do transporte aéreo, o grupo internacional aproveitou um negócio com o Grupo Sá, antigo proprietário do hotel micaelense, e decidiu adquiri-lo.
Agora estão a projectá-lo para uma profunda reestruturação, que terminará no próximo ano.
“Estamos, neste momento, a efectuar pequenas obras de manutenção e a instalar alguns equipamentos que eram extremamente necessários e prementes.”, diz ao nosso jornal o Director Geral de Área do Grupo Pestana, Miguel Metello, revelando que “a grande obra, se tudo correr como planeado, que consiste em dotar o hotel de mais 40 quartos, construir um belíssimo SPA, aumentar a área de um espaço de restauração e remodelar todos os quartos e áreas comuns ocorrerá no Inverno de 2015/2016, ou seja o hotel encerrará no final deste ano e esperamos ter tudo concluído em Abril/Maio de 2016”.
Será então nessa altura, segundo o nosso entrevistado, que toda a máquina do Grupo Pestana, a nível nacional e internacional, irá promover o hotel e encaminhar turistas para S. Miguel.
Segundo Miguel Metello, O Grupo Pestana vai fazer este tipo de venda “tal como faz relativamente a todos os outros que tem em Portugal e em África (os que estão na Europa, fora de Portugal, na América Latina e na América do Norte têm uma estrutura mais autónoma), através da sua equipa comercial, de marketing e e-commerce que está sedeada em Lisboa, sendo que alguns serão alocados mais directamente ao hotel de São Miguel. Venderemos aos tour operadores e às agencias de viagens, e a clientes directos, online (via nosso web site e outros) e offline (call centre). Tentaremos, paulatinamente, aumentar o “Rev-PAR” do hotel, quer através do incremento da ocupação, quer do crescimento do “average”.
Por outras palavras - acrescenta - vamos colocar esta unidade no mapa turístico hoteleiro nacional e internacional, aproveitando todas as vantagens que se avizinham, como, por exemplo, a vinda das low cost, entre outras…
 O Grupo Pestana não tem dúvidas de que a vinda das low cost vai contribuir para o crescimento do turismo.
 “Não temos dúvidas que as low cost atrairão mais turistas para a região, mas não nos devemos esquecer da Sata e da Tap, que poderão continuar a melhorar a oferta de transporte aéreo para a região, contribuindo também para o aumento de turistas”, afirma Miguel Metello.
O quadro do Grupo Pestana adianar que “outro factor importante é a requalificação do destino (numa perspectiva das unidades hoteleiras e numa visão mais holística do próprio destino) e a promoção turística da região, pois, se todos, sector público e privados, não estivermos à altura, então correremos o risco de não aproveitar devidamente a vinda das low cost. E, todos sabemos, que as low costs, caso não atinjam determinada rendibilidade nas linhas, caso não tenham, por conseguinte determinado load-factor (ou seja, caso não consigam encher os aviões), abandonam as linhas à mesma velocidade com que as lançam...”.
É neste sentido que passa a aposta do grupo no arquipélago, numa estratégia englobando o plano nacional e internacional.
 “O Grupo Pestana tem uma estratégia de crescimento que passa, actualmente, pelas importantes capitais europeias, por alguns países da América do Sul e do norte de África e por aumentar o seu “portofolio” na América do Norte. Julgo que será do vosso conhecimento que acabamos de comprar um terreno em New York, em Times Square, para avir um hotel de quase 200 quartos daqui por 2/3 anos. Mas, o Grupo está sempre atento a oportunidades que possam surgir em Portugal, como foi esta do Bahia Palace em S. Miguel e claro, é uma aposta e um acreditar no potencial turístico dos Açores onde já estávamos presentes com a marca Pousadas”, conclui Miguel Metello.