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“Temos de agradecer às low cost, grandes salvadores do turismo”

Dionísio PestanaDionísio Pestana, dono do Hotel Bahia Palace, em Água d’Alto, continua a expandir os seus negócios na hotelaria pelo mundo, não descurando os Açores, agora que vão chegar as low cost

Com a chegada das companhias aéreas low cost aos Açores, já a partir de 29 de Março próximo, voltam a surgir interesses de investimento no sector do turismo na região.
O Grupo Pestana, que nunca se interessou pela região, por considerar que era um mercado com pouco fluxo, foi dos primeiros a posicionar-se nesse investimento, pouco antes do anúncio das low cost.
O maior grupo português no sector da hotelaria tratou de adquirir o Bahia Palace, em S. Miguel, na sequência de um negócio firmado em Setembro do ano passado com o Grupo Sá, da Madeira, anterior proprietário do hotel.
É o primeiro hotel do grupo nos Açores, embora tenha também interesses nas Pousadas de Angra e Horta, subconcessionadas.
Há quem diga que Dionísio Pestana está de olho no mercado açoriano e poderá fechar outros negócios, na área do turismo, nos próximos meses.
O grupo português vai construir, nos próximos tempos, um grande hotel no centro de Nova Iorque e aposta forte no sector em Portugal, onde cresceu com resultados recordes em todos os hotéis.
“Foi realmente um ano recorde em todas as áreas do grupo e com um grande trabalho interno”, disse Dionísio Pestana ao “Expresso”, adiantando que 2015 “vai ser um ano bom” e que “Portugal tem condições para competir com os melhores destinos e merece este sucesso no turismo”.
O dono do Bahia Palace diz, na referida entrevista, que é difícil arranjar um ponto negativo, “só o transporte aéreo, onde, à excepção de Lisboa, “a TAP pouco contribuiu para o crescimento do Algarve, Madeira ou Porto”.
“Temos de agradecer às companhias low cost, que foram os grandes salvadores do turismo. É fundamental que o país tenha uma aposta forte no transporte aéreo para continuar este crescimento”, aconselha o presidente do maior grupo hoteleiro.
O mesmo se conjuga nos Açores, com o aumento do número de camas nos próximos tempos e com um crescimento, nunca visto, do número de voos do exterior para os Açores.

Mais voos e mais hotéis: não há  fome que dê em fartura      

Para além dos voos diários já anunciados pelas companhias low cost, Ryanair e Easy Jet, de Lisboa para os Açores, neste verão IATA (a partir de 29 de Março), há que contar também com os voos da SATA e, agora, da TAP, que anunciou um reforço destas ligações.
A TAP deverá realizar este verão um voo diário para Ponta Delgada e Terceira.
A verificar-se todas estas operações, haverá dias em que poderão ocorrer seis voos para Ponta Delgada!
Nos sectores turísticos açorianos torce-se o nariz a tanta disponibilidade e ainda ontem, nos corredores da Bolsa de Turismo de Lisboa, onde estão quase todos os operadores açorianos por estes dias, comentava-se com alguma incredibilidade tal situação.
A verdade é que há grande expectativa nos meios turísticos à volta das low cost e do movimento de turistas que poderão gerar para S. Miguel.
É neste sentido que volta a “febre” da construção de hotéis e outros alojamentos em S. Miguel e noutras ilhas.
Ainda ontem o Director Regional de Tueismo confirmou, na BTL, que há muitos investidores interessados neste sector, sendo possível que nos próximos tempos os Açores passem a contar com mais mil camas.
Só na costa norte da ilha de S. Miguel estão em construção três hotéis, sendo ainda de contar com o Hotel Casino na Calheta de Ponta Delgada, o das termas nas Furnas e vários alojamentos de caríz rural ou de habitação.

 

Mais de 5 M€ para o desenvolvimento do Turismo dos Açores

O Governo Regional acaba de aprovar uma nova verba de apoio ao desenvolvimento turístico dos Açores.
O Executivo açoriano anunciou que vai fixar em 5 milhões e 354 mil euros o limite global dos apoios financeiros a conceder, em 2015, no âmbito dos contratos-programa com interesse para o desenvolvimento do turismo nos Açores.
Estes contratos-programa serão celebrados com associações sem fins lucrativos, com vista à realização de projectos de interesse público no domínio da promoção do destino Açores ou dos diferentes produtos turísticos nos mercados nacional e internacional.
 De acordo ainda com o governo, esta verba destina-se, igualmente, a acções que visem o estudo, a monitorização e acompanhamento da actividade turística dos Açores e, ainda, a acções que concorram para a criação de uma oferta estruturada de animação turística, que promovam a qualificação da oferta ou a formação de activos.

 

Empresários falam em “austeridade imposta” por não ter descido o IRC

fortunaOs empresários dos Açores estão insatisfeitos com as medidas anunciadas pelo Presidente do Governo Regional dos Açores relativamente à redução de imposto.

O Governo decidiu reduzir o IVA e o IRS, beneficiando assim as famílias e os consumidores, mas não mexeu no IRC, com o argumento de que ele já está com valores mais baixos do que em 2013.

Os patrões açorianos não gostaram , afirmando que “a austeridade extraordinária imposta às empresas dos Açores, neste caso, nem foi mitigada”.

A posição é da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, que reúne as três representações patronais de Ponta Delgada, Angra e Horta.

Para esta estrutura, “a anunciada redução de impostos diferenciada em sede de IVA, em que às taxas reduzida e intermédia se aplica a redução máxima de 30% ficando a taxa normal com a redução de 20%, isto é, permanecerá nos 18% em vez dos 16% que vigoravam em 2013”.

E acrescentam: “Por outro lado, em sede de IRC, não é reposto o diferencial de 30%, o que quer dizer que se impõe menor competitividade às empresas face às suas concorrentes do continente que, entretanto beneficiaram também de reduções generalizadas. A austeridade extraordinária imposta às empresas dos Açores, neste caso, nem foi mitigada”.

Quanto às reduções em sede de IRS, em que são repostos os diferenciais anteriores, a Câmara de Comércio diz que é uma atitude que se louva.

 Os empresários acham que vão perder competitividade face às empresas continentais: “A CCIA sempre defendeu e continua a defender a reposição do diferencial fiscal entre os Açores e o continente, atendendo aos seus efeitos directos no rendimento das famílias, nas empresas e na economia regional. 

As medidas agora anunciadas não vão suficientemente ao encontro do que eram as expectativas dos agentes económicos, que esperavam a completa reposição do diferencial”.

Por outro lado, a Câmara do Comércio dos Açores considera que a não alteração do diferencial no que respeita à taxa normal de IVA “a que maior relevância tem para as empresas, para o emprego e, portanto, para as famílias, tem um impacto significativo em muitas actividades económicas, com especial realce para a generalidade das ligadas ao turismo, o que significa uma não recuperação da competitividade do sector, que, aliás, merecia uma atenção especial face ao desfasamento de comportamento que tem vindo a registar, comparativamente com o que acontece no resto do país. Os Açores foram a única região sem um desempenho claramente positivo”.

A CCIA considera ainda que as medidas agora anunciadas “não potenciam as competências regionais na sua plenitude em matéria fiscal, nem estimulam plenamente, como se desejaria, o fortalecimento e a competitividade das empresas açorianas e consequentemente a manutenção e criação de emprego, para mais num contexto muito difícil, que se tem vindo a arrastar nos últimos anos, e que tem fragilizado fortemente o tecido empresarial”.

Os empresários falam de uma continuada austeridade nos Açores e concluem: “Sobrecarregar as empresas é prejudicar directamente a sua capacidade para gerar riqueza e empregos. Manter austeridade desnecessária e retirar competitividade à iniciativa privada é degradar a capacidade presente e futura da economia dos Açores”. 

 

As alterações anunciadas 

As alterações ao IRS e ao IVA foram anunciadas por Vasco Cordeiro à saída de uma reunião com o líder do CDS-PP, Artur Lima, que também participou na conferência de imprensa.

Ambos chegaram a um entendimento quanto às reduções, com o Presidente do Governo a elogiar o papel do CDS-PP e os parceiros sociais, mas criticando a atitude do PSD-Açores.

O Presidente do Governo anunciou que  a redução vai abranger cerca de 90 por cento das famílias açorianas e que, simultaneamente, salvaguarda a capacidade da Região de aproveitar os fundos comunitários, pela importância do investimento público na manutenção e criação de postos de trabalho.

Vasco Cordeiro adiantou que, ao nível do IRS, a proposta de redução de impostos que o Governo dos Açores apresentará à Assembleia Legislativa prevê menos 30 por cento no primeiro escalão e menos 25 por cento no segundo escalão, mantendo-se os restantes escalões nos 20 por cento.

Vasco Cordeiro afirmou ainda que, no caso do IVA, relativamente às taxas reduzida e intermédia, há uma redução de 30 por cento, enquanto na taxa normal a redução ficará nos 20 por cento.

Com um impacto estimado de 18,5 milhões de euros, esta proposta do Governo, que terá sido apreciada e votada no Conselho do Governo de ontem, seguirá depois para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Director da RTP-Açores vai ser substituído por quadro de Lisboa

Rtp - microfoneO novo Conselho de Administração da RTP vai substituir o actual Director da RTP-Açores, António Maurício Sousa – soube o “Diário dos Açores” de fonte da empresa.
A decisão terá sido transmitida ao próprio na passada sexta-feira, numa reunião com os novos administradores em Lisboa.
De acordo com as nossas fontes, o substituto será um quadro da RTP vindo de Lisboa.
António Maurício, recorde-se, foi nomeado pela anterior administração, há cerca de três anos, substituindo Pedro Bicudo, que entretanto saíu da empresa e regressou aos EUA.
O novo Director, que por enquanto é apenas do conhecimento dos administradores, irá escolher, por sua vez, a nova estrutura dirigente, inclusivé o Sub-Director, cargo até agora ocupado por Sidónio Bettencourt.
A nova administração pretende que a futura Direcção da televisão açoriana elabore um plano de reestruturação do centro regional, que depois será apresentado ao Conselho Geral Independente.
Ainda não estarão definidos os termos  desta reestruturação, mas tudo indica que as orientações serão no sentido da RTP-Açores se manter sob a administração de Lisboa, contra a proposta do Governo Regional e do próprio PSD-Açores, que pretendiam uma empresa regional, ou pelo menos com maior autonomia e descentralização face a Lisboa.
Este assunto terá sido debatido com a tutela e com alguns conselheiros do Conselho Geral Independente, que pretendem deslocar-se aos Açores nas próximas semanas.
A mesma reestruturação está prevista para a RTP-Madeira, onde também haverá alterações na estrutura.
O Ministro Poiares Maduro, segundo soubemos, terá dado indicações à nova administração de que o caso dos dois centros regionais, que há muito se arrasta, “deve merecer uma prioridade”.
No entanto, a nova administração não poderá tomar qualquer decisão ao nível do novo modelo de financiamento da RTP-Açores, uma vez que esta incumbência passará pelo Conselho Geral Independente.
Só depois da visita aos Açores e Madeira daquele órgão, cuja vice-presidência está entregue ao açoriano Álvaro Dâmaso, é que poderá ser definido um modelo e os contornos do futuro das televisões açoriana e madeirense.
Seja como for, de acordo com as nossas fontes, parece abandonado o projecto dos Açores para a criação de uma empresa regional, tudo dependente agora de como se poderá financiar a RTP-Açores.
O Governo dos Açores, recorde-se, apresentou três soluções para o serviço público de rádio e televisão nas ilhas: “empresa 100% pública, 100% regional”, “empresa de capitais partilhados” entre o Governo dos Açores e a RTP e uma “solução minimalista”, que mantém o actual centro regional da RTP.
A Madeira rejeitou liminarmente a ideia de criação de uma empresa onde o Governo Regional teria 49% do capital e o Estado, 51%. Também torceu o nariz à possibilidade de ficar com o ónus de futuros despedimentos face à entrega da produção de  conteúdos a empresas externas. 
Os governos das duas Regiões Autónomas recusaram, depois, a proposta de Poiares Maduro que, na reestruturação da RTP, manteria apenas a informação e descartaria a restante produção de conteúdos para empresas privadas.
A vinda de um Director de Lisboa não deverá ser bem aceite localmente, já que, das experiências anteriores, todas se revelaram desastrosas por desconhecimento da realidade regional.
O problema, segundo as mesmas fontes, é que as anteriores administrações rescindiram com muitos quadros locais.

Impostos deverão baixar nos Açores a partir de Abril

sergio avilaGoverno Regional dos Açores analisa hoje a baixa de impostos na Região, que vai a Parlamento em Março para aprovação e deverá entrar em vigor a partir de Abril...

 

O Governo Regional dos Açores vai analisar durante o dia de hoje, em conselho, a baixa de impostos no arquipélago.
Sérgio Ávila, Vice-Presidente do Governo, com a tutela das Finanças, deverá apresentar no plenário do Executivo  umas proposta para baixa máxima do IRS e do IVA, o que significa que as famílias e os consumidores deverão ser os mais beneficiados.
 Esta redução terá um impacto no orçamento regional de cerca de 18,5 milhões de euros, mas o governo vai garantir que isto não compromete o aproveitamento dos fundos comunitários.
Fica por saber apenas onde é que que o governo irá cortar no orçamento, propostas que Sérgio Ávila vai avançar  na reunião de hoje.
Até ao momento apenas o Governo Regional estará na posse das propostas concretas para mexer na fiscalidade, já que os restantes partidos e parceiros sociais manifestaram o seu apoio à medida, mas recusam-se a avançar com propostas de cortes orçamentais para compensar o abaixamento.
O CDS-PP terá apresentado ontem à tarde as suas propostas numa reunião com o presidente Vasco Cordeiro.
Se o Governo Regional aprovar já hoje uma proposta final, ela será enviada até ao final da semana ao Parlamento Regional, que analisará o documento no plenário de Março.
O mais certo é que a proposta dê entrada com o carimbo de urgência e dispensa de análise em comissão especializada.
Se assim acontecer, tudo indica que a baixa de impostos poderá entrar em vigor já a partir de Abril.
E quais são os impostos que vão baixar?
Certo, certo, são o IRS e o IVA. O governo deverá deixar de fora o IRC, com o argumento de que este imposto já está, presentemente, mais baixo do que em 2013.
A Lei de Finanças Regionais abre portas para uma redução até 30%, mas a troika, como se sabe, obrigou a Região a aplicar apenas 20%, o que na altura foi considerado por Carlos César, então Presidente do Governo, um mal menor sem consequências.
A verdade é que os açorianos e as empresas sentiram o problema e, desde que a troika deixou Portugal, o PSD dos Açores propôs de imediato, com o apoio do Governo de Passos Coelho, a redução do diferencial fiscal.
O PSD pretendia que a redução entrasse em vigor no início deste ano e fez uma proposta neste sentido no Parlamento, mas foi chumbada.
O economista e deputado social democrata, António Soares Marinho, considera que foi um erro e uma reacção desastrada por parte do Governo, acrescentando que é revelador  da “total insensibilidade por quem passa por grandes dificuldades”.
As empresas açorianas aguardam, igualmente, com natural expectativa, a redução dos impostos, esperando alguma reanimação na economia.
Mário Fortuna, Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, disse ao “Diário dos Açores” que “desde o início entendemos que não nos competiria estar a fazer propostas de pormenor em matéria tão sensível e da estrita competência do Governo. No entanto fomos de opinião que se devia contemplar o aproveitamento máximo do diferencial fiscal em sede de IRS e de IRC sendo esta tarefa exequível via redução das despesas correntes ou via redução da algumas despesas classificadas como de investimento, que de facto são correntes, e que não têm efeito reprodutivo suficiente na economia dos Açores”.
Os empresários de S. Miguel, através da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores, que foi recebida por Vasco Cordeiro, manifestaram a sua posição, segundo a qual a redução fiscal “é perfeitamente viável”.
Quanto a propostas concretas para o corte de despesas que compensem a redução de impostos, aquele economista explica ao nosso jornal que “no orçamento foi contemplado o aumento fiscal implementado em 2014. O que se pretende é reverter a situação fiscal para a que existia em 2013. Como referimos, há espaço na despesa corrente e em alguma despesa de “pseudo” investimento. Aos parceiros sociais não deve competir ir mais longe do que isto. Para o detalhe há o Governo e, quando muito, os partidos com assento parlamentar”.
Quanto ao impacto na economia regional, Mário Fortuna é peremptório: “Temos que reduzir os impostos para ganhar competitividade. Não temos é condições para não reduzir impostos, sob pena de aprofundarmos ainda mais o fosso em que estamos. Precisamos de empresas mais competitivas para competir com o que nos vem de fora. Se não atendermos a esta realidade estaremos mal”.
É muito provável que no final da reunião de hoje, ou até ao final da semana, o Vice-Presidente Sérgio Ávila apresente publicamente as medidas aprovadas e a enviar ao Parlamento.

Rui San-Bento arrasa Secretário Luís Cabral e a política de Saúde..

Luis Cabral 1O médico Rui San-Bento, Director de Oncologia no Hospital de Ponta Delgada, arrasou a política de saúde na região e confrontou o Secretário Regional com inúmeros problemas no sector.
Num debate sobre saúde, quinta-feira à noite, na televisão regional, com a presença do Secretário Regional, Luis Cabral, o ex-Director Clínico do Hospital do Divino Espírito Santo, Rui San-Bento, afirmou que nunca mais se ouviu falar do Plano Regional de Saúde e que não há planeamento na região nesta área.
“Nunca mais se ouviu falar da reestruturação do Serviço Regional de Saúde”, disse o médico, acusando a tutela de resolver os assuntos à medida que eles vão surgindo na comunicação social, como é o caso da cardiologia em Angra do Heroísmo.
E deu o exemplo da sua área: “Não sei o que se passa na área da oncologia, não sei se ainda existe a Comissão de Oncologia....”.
Afirmou ainda que “se as listas de espera aumentam em vez de diminuir, alguma coisa tem de ser reflectida”.
Rui San-Bento, médico há 40 anos, responsável pela Oncologia no maior hospital dos Açores, revelou-se “preocupado, enquanto utente e com o avançar da idade....”.
O clínico foi ainda mais duro com a política do sector, quando recordou a sua condição de apoiante pelo estado social defendido pelo PS, “mas o que vemos hoje é um desnorte total”, acrescentando que “estão a dar cabo do estado social na saúde”.
A propósito dos cortes nos reembolsos, Rui San-Bento olhou para o Secretário e confrontou-o: “O Sr. faz a mínima ideia do que é um doente precisar de uma cabeleira postiça, uma mamária postiça, como é possível cortar nisso? Eu não consigo perceber  como se cortam estas coisas”.
Perante o silêncio do Secretário Regional e a visível incomodidade, Rui San-Bento disse ainda: “O Sr. Secretário Regional da Saúde diz que a privada é alternativa para muita gente; Não é verdade. Os doentes vão à privada porque a pública não responde”.
O clínico foi ainda mais arrasador, a propósito da contratação de médicos de fora, dizendo ser “preocupante” que o Hospital de Ponta Delgada tenha gasto no ano passado 2 milhões de euros a contratar médicos de fora para os serviços de urgência.
“Médicos que vêm cá e recebem balúrdios, levam o dinheiro consigo e nem gastam cá. Isto é planeamento?”, disparou.
O médico Luis Maurício, outro participante no debate, em representação do PSD, denunciou a fraca comparticipação aos doentes, sobretudo nas deslocações entre ilhas, “enquanto que se pagam 3.400 euros por semana aos especialistas que vão à Horta”.
Foi ainda manifestada a preocupação pelo facto de faltarem na região 63 médicos de família e mais de 60% dos que existem já terem mais de 55 anos de idade, quase na reforma.
Artur Lima, líder do CDS, outro participante, afirmou que os açorianos estão a pagar 8 milhões de euros em taxas moderadoras e mostrou folhetos da autoria do governo regional, onde diz que contêm afirmações sobre facilidades de acesso à saúde na região que são “mentiras e falsidades”.
Segundo o deputado popular, “o principal responsável por este descalabro não é o Secretário Regional da Saúde, é Vasco Cordeiro, que mantém este Secretário e dá cobertura a isto tudo”.
O Secretário Regional da Saúde, Luis Cabral, tentou responder às inúmeras questões e pôs ênfase na questão dos cortes dos reembolsos, dizendo que “há indícios fortes de fraude em algumas áreas, depois de várias inspecções que estão a decorrer”.
Há burlas nos reembolsos?
Luis Cabral responde que “não posso estar a especular sobre isso”, avançando que a Inspecção Regional da Saúde faz inspecções regulares às instituições.
De qualquer modo, sempre adiantou que deverão seguir para o foro judicial processos “no valor de milhões de euros em indícios na fisioterapia”.