Cerca de 7 mil pessoas já subiram em 2011 à Montanha mais alta de Portugall

montanha-pico-2“A subida à Montanha [do Pico] deverá ser um dos itens de uma visita aos Açores”. Pois bem, desde Janeiro até 31 de Agosto deste ano já subiram aos 2351 metros de altura do ponto mais alto de Portugal e uma das Maravilhas Naturais do país 6929 pessoas.
Os números, e o convite, são lançados por Fernando Luís Oliveira, Director do Parque Natural da Ilha do Pico, que em declarações ao “Diário dos Açores” deu conta que o ano de 2011 já estabeleceu os recordes de subida ao ponto mais alto de Portugal. Só no mês de Agosto subiram à Montanha do Pico 3087 pessoas, quase metade dos visitantes da primeira metade de 2011.
Subidas à Montanha do Pico já são recorde em 2011

E o recorde é “garantido”, não fossem as subidas contabilizadas durante todo o ano de 2010 terem rondado “apenas” as 6 mil. Em pouco mais de metade deste ano este número já foi largamente ultrapassado, sendo que uma das principais razões apontadas por Fernando Oliveira é o galardão atribuído ao Pico como uma das Belezas Naturais de Portugal.
Mas os algarismos não ficam por aqui. A somar o número de nacionalidades daqueles que já subiram em 2011 a mais de 2 mil metros de altitude em Portugal. Até ao momento, e de acordo com os registos do Parque Natural da Ilha do Pico, já subiram ao cume pessoas de 48 nacionalidades diferentes, percorrendo os 45 marcos que sinalizam uma ida da ‘Casa da Montanha’ ao topo da Montanha.
Os marcos são, para Fernando Oliveira, uma das razões para terem sido registados menos incidentes nas subidas deste ano. Em comparação com 2010, ano em que foram assinaladas 10 ocorrências, 2011 registou apenas 4 incidentes a lamentar. “Duas pessoas perdidas e duas pessoas com lesões, “num ano muito mais calmo”, como afirma o Director do Parque Natural.

Subir a Montanha com 80 anos de idade…

E embora não se cinja aos dias de hoje, nota curiosa para os arquivos do Parque Natural da Ilha do Pico. “Há registos de pessoas com mais de 80 anos que subiram a Montanha”, conta Fernando Oliveira, explicando que embora nem todos possam ter robustez física para fazer o percurso, quem faz “chega cansado, mas extasiado”.
Um sentimento de satisfação plena é o maior resultado obtido no regresso da Montanha situada no Triângulo dos Açores. “As pessoas mal acabam a descida dizem querer repetir e que vão recomendar”, refere o nosso interlocutor. Esta constatação pode explicar os números que o “Diário dos Açores” apresenta de seguida. Num ano de crise foram os portugueses os que mais subiram ao sítio mais alto “da sua terra” (3184), um número que dita a maioria das subidas, pelo menos até 31 de Agosto, data dos registos em análise. Mas de seguida os alemães, com 918 “visitantes” e os franceses com 843 subidas, completam o top de três dos ‘montanheiros’ do Pico.

‘Casa da Montanha’

A ‘Casa da Montanha’, que esteve aberta este ano desde 1 de Maio até ao princípio de Junho num horário diurno, e de Junho até 30 de Setembro esteve e vai estar aberta 24 horas por dia, é o ponto de partida e chegada dos aventureiros do ‘Pico’.
É a partir deste “centro” que se controla e são registados todos aqueles que querem chegar bem mais alto que o nível do mar.
A subida pode ser feita com ou sem guia. De qualquer das formas, e como explica Fernando Oliveira, todos efectuam um registo e aqueles que sobem a Montanha sem guia certificado pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar têm que, obrigatoriamente, levar consigo um aparelho de GPS, servindo também para receber e fazer chamadas de emergência.
Quanto aos horários, na época alta a ‘Casa da Montanha’ está aberta 24 horas pelo que a subida ao cimo pode ser feita a qualquer hora do dia.
Muitos são aqueles que sobem de noite para poder assistir ao amanhecer. Os conselhos são sempre os mesmos. As recomendações são dadas a todos os que sobem e apenas, por vezes, desaconselhados aqueles que querem subir mediante condições atmosféricas adversas ou que se podem vir a agravar. De qualquer das formas, salvo aviso da Protecção Civil ou outras circunstâncias que determinem esse impedimento, todos podem chegar aos 2351 metros de altura por sua “conta e risco”.
O Pico é alto, mas o turismo nem tanto…

Para Fernando Oliveira, embora este ano o turismo aparente ter atingido números elevados na ilha Montanha, as agências de viagens continuam a canalizar os pacotes turísticos para 2 ou 3 ilhas, podendo o Pico (e as ilhas mais pequenas) entrar directamente nestas equações.
“O Pico tem estado um pouco ofuscado pela forma como o turismo nos Açores é feito, pela forma como se calhar os Açores estão a ser promovidas como um todo”, critica Fernando Oliveira, adiantando que o todo deve ser devidamente equacionado num ponto de vista turístico.
O facto de, aparentemente, a ilha do Pico ter tido maior afluência de turistas este ano, justifica-se, segundo Fernando Oliveira, pela imagem simpática que o galardão de Beleza Natural trouxe à ilha Montanha, ao ponto mais alto de Portugal, uma vez que foram os portugueses que mais viajaram para o Pico em 2011.

Associação de Turismo gasta 400 mil euros em ajustes directos no site do turismo regional

visitazores2A Associação de Turismo dos Açores (ATA) investiu desde o início do ano cerca de 400 mil euros em adjudicações por ajuste directo para produção, desenvolvimento e manutenção do site de promoção do turismo da região na Internet.
O mais recente, no valor de 64.800 euros, foi feito a 6 de Setembro à empresa Morfose, para a “prestação de serviços de manutenção e desenvolvimento do sítio oficial de Internet do Turismo dos Açores, produção de conteúdos, web monitoring e design gráfico”. A empresa tem como sócia uma irmã de uma assessora da Presidência do Governo.
Em Janeiro, a ATA tinha adjudicado à empresa Icon Medialab, também por ajuste directo, os trabalhos de “prestação de serviços de produção do sítio oficial de internet do Turismo dos Açores”, no valor de 150 mil euros.
Posteriormente, em Março, a ATA adjudicou à empresa Pangemedia Global, por 176 mil euros, a “prestação de serviços de web-development do sítio oficial de Internet de Turismo dos Açores”. A empresa é detida em partes iguais por André Rodrigues e Nuno Tomé, ambos ligados à Juventude Socialista e ao Partido Socialista. Desde 2009, a empresa já conseguiu 457 mil euros de trabalhos em ajuste directo com o Governo Regional.
Os três ajustes directos relativos à página visitazores.com totalizam cerca de 400 mil euros, abrangidos por um projecto candidatado a fundos comunitários que ascende a um milhão de euros.
O Governo Regional dos Açores possui 40% do capital social da ATA, a transportadora aérea açoriana SATA tem 30% e o restante está distribuído pela Câmara de Comércio e Indústria dos Açores e por empresas ligadas ao sector.

Turismo açoriano ainda não recuperou da crise de 2010

turistas1Os Açores viram aumentar o número de dormidas na hotelaria no mês de Julho, mas este é um dado muito pouco animador. Primeiro porque os 6,7% são na realidade uma das recuperações mais baixas do país, e depois porque na totalidade de Janeiro a Julho representa uma subida de apenas 0,52%, claramente a recuperação mais baixa do país – a média nacional foi de 8,9%.
Este dado é ainda mais acentuado, quando se tem em conta que no período de Janeiro a Julho, o ano de 2010 foi o pior desde pelo menos 2007, pelo que esta subida significa na realidade uma mexida muito ténue em relação à crise do ano passado: 582 mil dormidas, quando em 2010 tinham sido 579, mas em 2009 cerca de 590 mil, e nos anos anteriores acima dos 500 mil (em 2007 foram mesmo 669 mil dormidas).

Proveitos baixos

Por outro lado, boa parte desse aumento poder-se-á ter devido a um abaixamento significativo dos proveitos dos hoteleiros. Neste período, os hoteleiros viram os proveitos totais baixarem 4,6%, o que foi caso único no país (em todas as regiões os proveitos aumentaram). O resultado é que os proveitos, que atingiram neste período os 26 milhões de euros, são o valor mais baixo desde 2007 (quando foi de 30 milhões de euros) e está abaixo dos cerca de 27 milhões registados nos anos de crise de 2009 e 2010.

Residentes a baixar

Cerca de 47% das dormidas neste período foram da responsabilidade dos residentes – nacionais e açorianos, onde se incluem o que é chamado de “falso turismo”, nomeadamente as originadas em deslocações profissionais, desportivas internas ou escolares. Em Julho, como de costume, regista-se um abaixamento significativo no peso destas dormidas no total. Mas este ano parece haver um recuo ainda mais acentuado, com os residentes a serem responsáveis por 33,4% das dormidas, quando no ano passado baixaram, mas apenas para os 39%. A realidade é que em termos absolutos houve uma diminuição significativa das dormidas dos residentes em Julho, que passaram de cerca de 58 mil para 53 mil. Não é bom sinal.