Associação de Turismo gasta 400 mil euros em ajustes directos no site do turismo regional

visitazores2A Associação de Turismo dos Açores (ATA) investiu desde o início do ano cerca de 400 mil euros em adjudicações por ajuste directo para produção, desenvolvimento e manutenção do site de promoção do turismo da região na Internet.
O mais recente, no valor de 64.800 euros, foi feito a 6 de Setembro à empresa Morfose, para a “prestação de serviços de manutenção e desenvolvimento do sítio oficial de Internet do Turismo dos Açores, produção de conteúdos, web monitoring e design gráfico”. A empresa tem como sócia uma irmã de uma assessora da Presidência do Governo.
Em Janeiro, a ATA tinha adjudicado à empresa Icon Medialab, também por ajuste directo, os trabalhos de “prestação de serviços de produção do sítio oficial de internet do Turismo dos Açores”, no valor de 150 mil euros.
Posteriormente, em Março, a ATA adjudicou à empresa Pangemedia Global, por 176 mil euros, a “prestação de serviços de web-development do sítio oficial de Internet de Turismo dos Açores”. A empresa é detida em partes iguais por André Rodrigues e Nuno Tomé, ambos ligados à Juventude Socialista e ao Partido Socialista. Desde 2009, a empresa já conseguiu 457 mil euros de trabalhos em ajuste directo com o Governo Regional.
Os três ajustes directos relativos à página visitazores.com totalizam cerca de 400 mil euros, abrangidos por um projecto candidatado a fundos comunitários que ascende a um milhão de euros.
O Governo Regional dos Açores possui 40% do capital social da ATA, a transportadora aérea açoriana SATA tem 30% e o restante está distribuído pela Câmara de Comércio e Indústria dos Açores e por empresas ligadas ao sector.

Turismo açoriano ainda não recuperou da crise de 2010

turistas1Os Açores viram aumentar o número de dormidas na hotelaria no mês de Julho, mas este é um dado muito pouco animador. Primeiro porque os 6,7% são na realidade uma das recuperações mais baixas do país, e depois porque na totalidade de Janeiro a Julho representa uma subida de apenas 0,52%, claramente a recuperação mais baixa do país – a média nacional foi de 8,9%.
Este dado é ainda mais acentuado, quando se tem em conta que no período de Janeiro a Julho, o ano de 2010 foi o pior desde pelo menos 2007, pelo que esta subida significa na realidade uma mexida muito ténue em relação à crise do ano passado: 582 mil dormidas, quando em 2010 tinham sido 579, mas em 2009 cerca de 590 mil, e nos anos anteriores acima dos 500 mil (em 2007 foram mesmo 669 mil dormidas).

Proveitos baixos

Por outro lado, boa parte desse aumento poder-se-á ter devido a um abaixamento significativo dos proveitos dos hoteleiros. Neste período, os hoteleiros viram os proveitos totais baixarem 4,6%, o que foi caso único no país (em todas as regiões os proveitos aumentaram). O resultado é que os proveitos, que atingiram neste período os 26 milhões de euros, são o valor mais baixo desde 2007 (quando foi de 30 milhões de euros) e está abaixo dos cerca de 27 milhões registados nos anos de crise de 2009 e 2010.

Residentes a baixar

Cerca de 47% das dormidas neste período foram da responsabilidade dos residentes – nacionais e açorianos, onde se incluem o que é chamado de “falso turismo”, nomeadamente as originadas em deslocações profissionais, desportivas internas ou escolares. Em Julho, como de costume, regista-se um abaixamento significativo no peso destas dormidas no total. Mas este ano parece haver um recuo ainda mais acentuado, com os residentes a serem responsáveis por 33,4% das dormidas, quando no ano passado baixaram, mas apenas para os 39%. A realidade é que em termos absolutos houve uma diminuição significativa das dormidas dos residentes em Julho, que passaram de cerca de 58 mil para 53 mil. Não é bom sinal.