Freguesias dos Fenais da Luz e de São Vicente Ferreira com nova delimitação geográfica

Novo Limite Fenais x SVicente

As freguesias dos Fenais da Luz e de São Vicente Ferreira têm uma nova delimitação geográfica. Assim, as ruas do Bairro de Nossa Senhora da Luz, que pertenciam à freguesia de São Vicente Ferreira, passaram a fazer parte integrante dos Fenais da Luz.

A decisão, aprovada na Assembleia Legislativa dos Açores, já está publicada no Jornal Oficial da Região e surgiu na sequência de uma petição pública que visava precisamente a alteração às áreas geográficas destas duas freguesias do concelho de Ponta Delgada.

O Bairro Nossa Senhora da Luz foi construído há 30 anos e os seus moradores sempre se consideraram naturais e residentes na freguesia dos Fenais da Luz.

Aliás, os cartões de cidadão, cartas de condução, títulos de propriedade automóvel e registos de correspondência e muitos outros documentos sempre mencionaram como residência a freguesia dos Fenais da Luz. O mesmo acontecia com os registos matriciais e prediais que localizavam os respectivos imóveis nesta freguesia e com todos os seus habitantes que sempre foram matriculados na escola dos Fenais da Luz. Situação que acabava por trazer “graves inconvenientes e custos administrativos das respectivas alterações de residência”.

A Câmara Municipal de Ponta Delgada congratula-se com a aprovação da delimitação da área geográfica dos Fenais da Luz agora aprovada, concretizada com a concordância das Juntas de Freguesia envolvidas. Uma pretensão antiga dos eleitos locais e da população dos Fenais da Luz, que vem pôr termo às situações acima descritas.

Para a autarquia presidida por José Manuel Bolieiro, as Juntas de Freguesia de Fenais da Luz e de São Vicente Ferreira reuniram o consenso imprescindível para dar seguimento aos anseios dos habitantes e dos eleitos locais.

Aliás, a Câmara de Ponta Delgada disponibilizou todo o apoio administrativo necessário para que esta situação ficasse resolvida de forma séria e definitiva.

Vinhos da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico - PicoWines à prova no “Christmas Wine Experience”

vinhos picoPelo segundo ano consecutivo, a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico - PicoWines - irá marcar presença no evento “Christmas Wine Experience” com os vinhos Arinto dos Açores 2017 e Terrantez do Pico 2018, de 30 de Novembro a 1 de Dezembro, no The Yeatman, no Porto.

O evento contará com a prova dos vinhos Arinto dos Açores 2017 e Terrantez do Pico 2018, que serão apresentados pelos responsáveis do projecto e com o objectivo de dar a conhecer melhor a história da marca e das suas colheitas.

Os vinhos Arinto dos Açores 2017 e Terrantez do Pico 2018 estarão em palco como boas sugestões para presentes de  Natal e a companhia perfeita à mesa com a família e amigos.

“Esta é uma oportunidade para dar a conhecer ao público do grande Porto os vinhos da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico – PicoWines, numa iniciativa que pretende valorizar e dar a provar as novas sensações vínicas do Pico”, afirmou Losménio Goulart, Presidente do Conselho de Administração da CVIP – Pico Wines.

A Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico (CVIP) nasceu em 1949 pela mão de 21 fundadores. Após um período de preparação e organização, seguido de construção da sede, a Adega Cooperativa inicia a sua produção em 1961 com as castas nobres, Verdelho, Arinto e Terrantez do Pico. O primeiro vinho da CVIP, com o nome “Pico”, foi lançado no mercado em 1965.

Plantação de Ananases Augusto Arruda galardoado com Prémio Mercúrio

 augusto arruda - premio ananasesA Plantação de Ananases Augusto Arruda, na Fajã de Baixo, acaba de ser galardoada com o Prémio Mercúrio, na categoria Empresas com História 2019.

O prémio foi atribuído anteontem, numa gala em Lisboa. Numa primeira reacção, Pedro Arruda, daquela empresa, disse que foi “tanto uma surpresa como um orgulho receber este prémio”.

“Num tempo cada vez mais acelerado e onde o que conta é a mais recente ideia, é bom sentir que também é importante preservar um património, manter uma tradição, contar uma história, e preservar uma marca e uma empresa ao longo de cinco gerações”, sublinhou Pedro Arruda. 

O ‘Prémio Mercúrio - o melhor do Comércio e Serviços’ é uma iniciativa que tem o Alto Patrocínio do Presidente da República que, desde 2008, tem procurado identificar, reconhecer e premiar as entidades e as personalidades que, em Portugal e de forma consistente, contribuem para a valorização do Sector do Comércio e Serviços. 

Com mais de 100 anos de História, a Plantação de Ananases Augusto Arruda é um verdadeiro museu vivo desta cultura única no mundo, e uma autêntica referência para o turismo na ilha de S. Miguel. Com efeito, inserida numa antiga quinta da Laranjas, fruto este exportado em grandes quantidades no séc. XIX, a Plantação de Ananases Augusto Arruda é reconhecida como um ponto de visita obrigatório na ilha de São Miguel, ponto obrigatório para visita de milhares de turistas.

Banco Alimentar Contra a Fome realiza campanha em São Miguel no próximo fim-de-semana

banco alimentarÉ já no próximo fim-de-semana que irá decorrer a próxima campanha do Banco Alimentar Contra a Fome.

Conforme se pode ler no comunicado enviado às redacções, “é com empenhamento que o Banco Alimentar Contra a Fome - S. Miguel cumpre, duas vezes, por ano, o desígnio que é a ajuda activa àqueles que precisam de apoio alimentar. Procuramos, objectivamente, maior justiça e solidariedade, conscientes que podemos contribuir para diminuir situações de pobreza”.

Pode ler-se na mesma nota que o Banco acreditamos “no princípio de que se cada um fizer a sua quota parte, podemos, de facto, alterar a realidade e, por conseguinte, o mundo que nos rodeia. O Banco Alimentar Contra a Fome - S. Miguel nunca deixará de fazer o que lhe compete e o que dita a consciência de muitos”.

Para esta campanha, e como é já habitual, está destacada uma equipa entre voluntários, colaboradores dos postos de recolha (directores, caixas, manobradores dos produtos angariados), PSP e OCS.

Na última campanha foi possível angariar 19.221.95 quilos de produtos alimentares que, posteriormente, foram distribuídos, através de 37 entidades parceiras, a 5.127 beneficiários, dos quais 1.895 eram menores. Ou seja, desde o início do ano e até ao mês de Outubro, foram 1.442 as famílias que necessitaram de ajuda.

O Banco recorda que os produtos mais necessários são os que têm maior validade de consumo como é o caso de leite, arroz, conservas, azeite e óleo, farinha, bolachas, massas, cereais, papas, etc..  

O Banco Alimentar Contra a Fome dá conta ainda que dando oportunidade a todos aqueles que não têm a hipótese de se deslocarem a um ponto de recolha, nomeadamente os que se encontram ou residam fora de Portugal, o Banco Alimentar disponibiliza o portal de doação online www.alimentestaideia.pt.

Escritora Lélia Nunes quer aproximar mais Santa Catarina dos Açores no plano económico

lélia lançamento

Sala praticamente cheia na Livraria Letras Lavadas, em Ponta Delgada, para o lançamento de mais uma obra da escritora e professora universitária de Santa Catarina, Brasil, Lélia Nunes.

Ernesto Resendes, proprietário e editor da Letras Lavadas, deu as boas vindas, sublinhando o orgulho da editora em dar continuidade às publicações de Lélia Nunes, ela que já publicou outras obras com a mesma chancela.

O jornalista Osvaldo Cabral fez a apresentação do novo livro, “Pedra de Toque”, elogiando a capacidade de observação da autora, “característica fundamental na difícil escrita que é o género da Crónica, seja jornalística ou literária”.

Apoiando-se no texto de apresentação do livro, descreveu Lélia Nunes como uma “mulher de afectos, pelas gentes e pelos lugares, não se cansa de louvar os Açores ou a sua Floripa, como a bonita e nostálgica Serra Catarinense, numa narração que se assemelha a um quadro de Tomaz Borba: “Quando chega a primavera os campos se vestem de verde e uma profusão de flores amarelas desabrocham por toda a parte, cobrindo as invernadas como uma saia de chita. Margaridas miúdas se multiplicam por todos os lados, caramanchões de buganvílias e agapanthus brancos e lilases enfeitam jardins. Longos cordões de hortênsias azuis margeiam os caminhos e serpenteiam os campos delimitados por taipas, que separam invernadas resguardando as pastagens. Mais parece uma colcha de retalhos!”.

“A voz catarinense vem sempre forte, assumida, universal e numa escrita que nos embala, através do azul do Atlântico, na tal ponte coberta de hortênsias inspiradoras. A literatura açoriana ganhou outra expressão e outra dimensão com a escrita da Lélia Nunes, a quem devemos esta eterna gratidão na defesa da História insular que une os Açores a Santa Catarina. Para além do mais, a Lélia é uma excelente recuperadora de memórias. Tem recuperado uma memória histórica de quase 300 anos, transmitindo imensa informação numa linguagem viva, atraente e carregada de afecto pelas raízes a que se sente ligada”, concluiu Osvaldo Cabral.

A fechar a sessão, Lélia Nunes agradeceu a presença de todos “na catedral da literatura açoriana”, como classificou a nova sala da Letras Lavadas, descreveu o seu trabalho e as peripécias para escrever dezenas de crónicas sobre os mais variados aspectos, sempre com a paixão apontada aos Açores e a Santa Catarina.

Aliás, segundo a autora, “depois desta solidez no intercâmbio cultural entre as duas regiões, é tempo agora de se avançar para outros patamares, nomeadamente no plano das trocas económicas, no investimento, no turismo; temos tanto para aprender com os Açores e os Açores também com Santa Catarina”.

No plano cultural a autora elogia a dinâmica que se formou, desde há alguns anos, nos dois lados do Atlântico e a preocupação em manter este intercâmbio com novas iniciativas entre instituições e individualidades, sobretudo na Cultura.

Foi ainda lido, durante a sessão, um texto de Rui Bettencourt, que se encontrava em Bruxelas, e que publicamos abaixo:

 

Ser Açoriano 

(texto dedicado à Lélia Nunes, com um abraço)

 

Lélia Nunes, Açoriana de 271 anos - como gosta de dizer para vincar bem que é como aqueles que desembarcaram em Santa Catarina em 1748, vindos dos Açores e que tanto marcaram aquele Estado brasileiro – traz aqui elementos para uma reflexão e um debate que um dia tem que ser feito: afinal, o que é ser Açoriano?

Sendo muito mais do que ter nascido nos Açores – e os Açorianos de Santa Catarina ou os Azoreños do Uruguai são disso um exemplo -, como definir ser Açoriano hoje? 

Um sentimento comum? Certamente que sim, mas, então, um sentimento forte! 

Uma pertença?  Com orgulho e plenitude! Pertença plena a uma História, a um território, a uma família.

Uma identidade? Uma cultura? Claro que sim, e Santa Catarina mostra isso mesmo, como muito bem descreve Lélia Nunes.

Um projeto coletivo que implica todos? Será necessário que assim seja, imaginando novas formas de todos os Açorianos poderem participar no projeto açoriano, estejam onde estiverem. Os Açorianos também se distinguem pelo seu Destino Comum.

Para se perceber a dimensão da Açorianidade e o que é ser Açoriano, hoje, é necessário conversar com os Açorianos que vivem em Toronto, no Quebeque ou em Winnipeg, em Florianópolis, em São Paulo, Porto Alegre ou no Rio de Janeiro, na Bermuda, na Califórnia, na Nova Inglaterra ou no Continente português, ou ainda falar com os Azoreños do Uruguai tal como se conversa, ouve, observa, compreende, aqueles que vivem no Corvo, na Graciosa, nas Flores ou em São Jorge, no Pico ou no Faial, em S. Miguel, na Terceira ou em Santa Maria. Perceber quão ricas são as complementaridades entre Açorianos e quão forte é o que têm em comum.

A primeira pergunta a fazer - a mais fácil – será: como é possível que todos estes Açorianos que tiveram as mais variadas histórias de vida, nos mais diversos cantos do Mundo - numa História de seis séculos que se desenrolou numa Geografia ora arquipelágica ora Mundial - mantenham um tal apego, um tal orgulho dos Açores e uma tal saudade do arquipélago?  

Há poucas diásporas no mundo não só com tal dimensão – estamos perante uma diáspora de mais de um milhão de pessoas, 4 vezes mais cidadãos a viver fora do que os que habitam o seu espaço de referência –, mas igualmente que vivam com tal intensidade a sua pertença a um Povo.

O grande Vitorino Nemésio, pai da Açorianidade, referia que “a geografia, para nós, vale outro tanto como a história”, o que nos pode dar a chave para compreender o que norteia a Açorianidade de mais de um milhão de açorianos no mundo.

Também, como diz, ainda, Vitorino Nemésio “A verdade é que o Açoriano, embora comedido e pausado nos gestos, civilizou largamente as suas ilhas e ainda teve vagares para ajudar a fazer a terra alheia, sobretudo o Brasil e a América”.

Os Açorianos, mostram bem, e cada vez mais intensamente, que desejam moldar, com orgulho, a sua História e ocupar, com brilho, a sua Geografia. 

E como seria possível, sabendo como são os Açorianos, que assim não fosse?

 

Por Rui Bettencourt, Secretário Regional Adjunto da Presidência para as Relações Externas do Governo dos Açores