Presidente das Casas Açorianas defende que “só com muita imaginação” se conseguirá explorar o mercado internacional

Gilberto vieira 2Nos Açores, o turismo rural tem vindo a ganhar protagonismo crescente e é um dos elementos que contribui de forma decisiva para o desenvolvimento turístico da região. Para a promoção deste segmento muito tem contribuído a Associação Casas Açorianas, cujas práticas têm merecido variados elogios. Gilberto Vieira, presidente da Associação, destaca que o sucesso do turismo em espaço rural passa pela qualidade dos serviços e pela importância dos investimentos realizados, mas não esconde que se as pessoas têm falta de dinheiro, dificilmente farão ou apostarão neste sector...

A procura do Destino Açores passa, também, pela divulgação do nosso turismo rural?
Sem dúvida. O espaço rural tem um importante contributo a dar para o desenvolvimento do turismo no arquipélago, assumindo-se, mesmo, pelas características do que temos para oferecer, como “imagem de marca” do destino Açores. A promoção é essencial, e tem vindo a ser feita por diversos canais, desde governamentais a associativos e, mesmo, particulares e esse é um esforço que não pode abrandar.

Já existem unidades de turismo rural em número suficiente ou há margem para crescer?
O dimensionamento actual dá resposta à procura. No entanto, numa perspectiva de crescimento que todos desejamos e para o qual se está a trabalhar, acredito que há margem para o surgimento de novos investimentos.

Qual tem sido o impacto da crise económica no turismo rural regional?
Naturalmente, a crise, nomeadamente a nacional, deixa marcas em todos os sectores de actividade e o turismo não é excepção. No nosso segmento isso também se verifica e o impacto é significativo. Mais um motivo para continuarmos a apostar na promoção, buscando novos mercados e “refrescando” a nossa imagem junto de outros onde já penetrámos.


Verificou-se uma descida dos preços devido à crise?
Temos vindo a fazer um esforço de atracção de visitantes com propostas interessantes, também a nível dos preços, nomeadamente através da central de reservas das Casas Açorianas e de negociação de pacotes apelativos com operadores que actuam nesta área específica. A resposta tem vindo a ser gradual, ainda assim encorajadora.

Quais são as principais preocupações dos espaços de turismo rural nos Açores?
Há um leque vasto de preocupações que abrange aspectos tão distintos como a sustentabilidade, a manutenção de elevados padrões de qualidade ou a inovação, sempre com o máximo respeito pela genuinidade e singularidade desta oferta.

Como traça o perfil das pessoas que procuram fazer turismo rural cá na região?
Há visitantes com perfis diferentes, como é natural, mas diria, numa imagem, que quem nos procura “já viu tudo” e procura agora descobrir algo que ainda possa surpreender. E na verdade, pelas reacções que nos deixam, temos efectivamente essa capacidade de proporcionar uma experiência empolgante e única.

O que tem feito com a Associação Casas Açorianas para ganhar clientes no estrangeiro?
Com os meios que nos são disponibilizados, temos procurado diversificar os canais de penetração junto dos mercados potenciais, nomeadamente no estrangeiro, participando em feiras temáticas conceituadas mas investindo, também, na busca de novos nichos, até agora pouco contactados.
Apostamos também nas plataformas tecnológicas, com uma constante renovação e divulgação do nosso sítio na Internet, disponibilizando, também, como referi antes, uma ferramenta de contacto directo–a central de reservas–, onde os nossos clientes têm acesso à nossa oferta e às melhores condições disponíveis.

Têm clientes sobretudo de que nacionalidades?
Alemanha, Holanda, Bélgica, França e Estados Unidos, mas não há uma prevalência explícita porque as unidades são diferentes uma das outras e até mesmo as ilhas. Há outros países que eram os principais emissores mas que hoje, com a crise que lá também se faz sentir com intensidade, baixaram significativamente a sua representatividade. São mercados importantes que, espero, com o debelar da actual situação de constrangimento, possam vir a ser recuperados e voltar a ter um peso significativo no conjunto dos nossos visitantes.

Quais os factores mais restritivos ao crescimento das taxas de ocupação do turismo rural e como poderiam ser superados?
Não há dúvida de que a crise instalada em Portugal, especificamente, e na Europa, no seu todo, é o nosso maior problema actual. Não há dinheiro, simplesmente, e as pessoas estabelecem as suas prioridades que, dificilmente passarão por fazer turismo. No caso do turismo rural açoriano, exceptuando o importante mercado nacional que está extremamente debilitado, existe, mesmo assim, um potencial a explorar no mercado estrangeiro. É aí que temos de apostar, com os meios que já referi e com muita imaginação, um trabalho em que estamos empenhados, como estão outras entidades públicas e privadas.

Que tipo de políticas ou incentivos poderiam ser adoptados pelo Governo Regional com vista ao fortalecimento deste sector na região?
O Governo Regional, na minha opinião pessoal, tem feito um esforço notável para a afirmação do Destino Açores, em geral, e do segmento do turismo rural e de natureza, em particular. Desde a organização de participações em feiras e outros eventos, à aposta na visibilidade da Região em diversos meios de comunicação e à celebração de contratos-programa com parceiros para a promoção junto de nichos específicos. Há um trabalho cujo mérito tem de ser reconhecido. Esse trabalho tem de ser continuado, acrescentando-lhe novas formas de chegar junto dos potenciais visitantes, tirando o maior partido possível das verbas disponíveis que, sabemos, escasseiam. Mas estamos a falar de um investimento indubitavelmente reprodutivo, com reflexos de primeira linha no desenvolvimento da economia regional.

Quais as condições necessárias para se ter sucesso neste tipo de actividade como empresário?
O empresário do turismo rural e de natureza nos Açores é um misto de empreendedor e de apaixonado pelo meio envolvente e pela tradição. É difícil medir o nível de êxito que essa paixão potência, mas o contrário é garantido: sem um envolvimento pessoal constante, sem o respeito pela autenticidade que temos e promovemos, sem proporcionar aos nossos hóspedes aquilo que eles legitimamente esperavam encontrar, a actividade está condenada ao fracasso.

Como se tem articulado o turismo rural com outras actividades de animação turística?
O turismo rural comporta, em si mesmo, uma diversidade potencial de animação que é utilizada, mas muito ainda há para explorar. Está tudo à vista, é apenas uma questão de imaginar e organizar.
Sem fugir do seu âmbito, existem experiências interessantes de interacção com outras formas de animação que cativam os visitantes. Lembro, por exemplo, a iniciativa de proporcionar aos turistas um dia de pesca, a bordo de embarcações típicas, com pescadores profissionais, em que o visitante participa, utilizando as artes de pesca ancestrais, tornando-se, por um dia, um dos elementos da companha. Ou o golfe rústico açoriano em que as Casas Açorianas estiveram envolvidas e que foi um grande êxito...uma experiência a continuar.
São meros exemplos, mas posso adiantar que quem aceder ao nosso sítio na Internet disporá dentro em breve de diversas propostas de animação, restauração e outras experiências de qualidade, na zona de cada uma das nossas unidades.

As camas paralelas são um problema?
Como em qualquer actividade económica, a economia paralela é um concorrente desleal: não paga impostos, não se submete a regras cuja implementação custa dinheiro, logo pode apresentar preços muito mais baixos. No nosso caso não fugimos à regra. E acrescente-se que existe ainda outro problema que é a degradação da imagem de qualidade que essa actividade ilegal muitas vezes potência.

Quais as maiores críticas feitas pelos turistas? E quais os aspectos que mais destacam positivamente no nosso destino?
Não se ouvem críticas verdadeiramente significativas. Quanto aos aspectos positivos, é quase sempre salientado que as expectativas não são defraudadas e é comum, mesmo, dizerem que os Açores deveriam apostar essencialmente neste tipo de oferta, por ser, de facto, singular.
Nos Açores, o turismo rural tem vindo a ganhar protagonismo crescente e é um dos elementos que contribui de forma decisiva para o desenvolvimento turístico da região. Para a promoção deste segmento muito tem contribuído a Associação Casas Açorianas, cujas práticas têm merecido variados elogios. Gilberto Vieira, presidente da Associação, destaca que o sucesso do turismo em espaço rural passa pela qualidade dos serviços e pela importância dos investimentos realizados, mas não esconde que se as pessoas têm falta de dinheiro, dificilmente farão ou apostarão neste sector...

O tipo de turista que vem para as unidades de turismo rural queixa-se dos preços, quer de passagens, quer de estadia ou alimentação?
Regra geral, não. No caso do transporte aéreo, ouviam-se algumas queixas. No entanto, a crescente oferta de pacotes mais atractivos está a desvanecer essas manifestações de descontentamento, o que não quer dizer que não se possa avançar mais nesse capítulo. Quanto aos preços de alojamento e restaurante, desde que seja garantida a qualidade e envolvência do que foi promovido, os clientes saem satisfeitos.

PSP fiscaliza armas na Horta

PSP3A Divisão Policial da Horta da PSP, através da Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial, desenvolveu na última terça-feira, dia 21 de Maio, uma acção de fiscalização direccionada a detentores de armas com detenção no domicílio, culminando esta com a entrega voluntária de duas armas (caçadeiras), em virtude dos seus legítimos proprietários já terem falecido e não existir por parte dos seus descendentes, intenção de proceder à sua regularização.
As informações foram avançadas no relatório de actividade policial da PSP que referiu também que a Esquadra de Trânsito da Divisão Policial de Angra do Heroísmo realizou uma operação de fiscalização rodoviária, tendo sido fiscalizados 48 veículos e detectadas 10 infracções de natureza contraordenacional, nomeadamente por falta de seguro de responsabilidade civil obrigatório, falta de inspecção periódica obrigatória e estacionamentos irregulares.
Quanto à sinistralidade rodoviária, na passada terça-feira ocorreram três acidentes de viação, nas estradas açorianas, dos quais resultaram apenas danos materiais, segundo apontou o mesmo relatório.

PSP detém homem de 28 anos em Ponta Delgada pelo furto de 17 mil euros

notasA Polícia de Segurança Pública (PSP) de Ponta Delgada, através da sua Esquadra de Investigação Criminal (EIC), deteve fora de flagrante delito um indivíduo do sexo masculino, de 28 anos de idade, residente em Ponta Delgada, suspeito da autoria de um furto qualificado de 17.000 euros em dinheiro.
Segundo avança a força policial em comunicado, o furto ocorreu no passado dia 11 de Maio, num momento em que o ofendido havia ficado internado para tratamento no Hospital de Ponta Delgada. O suspeito, sabendo que a vítima teria esse dinheiro em sua posse, aproveitou o seu internamento no HDES para planear e executar o furto na respectiva residência.
No decorrimento da investigação, o suspeito foi indiciado pela prática do furto, tendo sido recuperada parte do dinheiro furtado e proceder à sua detenção fora de flagrante delito, uma semana após o furto.
O suspeito entretanto já foi sujeito a 1.º interrogatório judicial e foi-lhe aplicado a medida de coacção de prisão preventiva.
De acordo com a PSP, trata-se do mesmo homem que já havia sido identificado e detido pelos mesmos elementos policiais, há cerca de 8 meses, pela suspeita da prática de um furto de um cofre contendo no seu interior a quantia de 150.000 euros em dinheiro.
Já na anterior investigação, das buscas que foram na altura efectuadas à residência deste mesmo suspeito, os elementos policiais, entre outras provas que recolheram, encontraram 25.000 euros em notas.
A investigação a ambos os crimes prossegue a cargo da EIC de Ponta Delgada.

Vandalismo em 20 viaturas na Fajã de Cima


A PSP detectou, durante a madrugada ontem, na Fajã de Cima, pelas sete horas da manhã, aproximadamente vinte viaturas ligeiras de passageiros alvo de danos, nomeadamente, com alguns pneus furados.
Em comunicado, a Divisão Policial de Ponta Delgada alertou os cidadãos em geral para a ocorrência, convidando igualmente todas as pessoas que detenham informações sobre os actos de vandalismo a participarem os mesmos à Polícia.
O relatório de actividade policial da PSP, relativo ao fim-de-semana de 17 a 20 de Maio, adiantou ainda a detenção, em Ponta Delgada, no passado domingo, de um homem de 26 anos de idade, pelo crime de tráfico de estupefacientes. A força policial apreendeu 289 doses de haxixe, 11 euros, um telemóvel e uma navalha.
Foram ainda detidos treze indivíduos na ilha de São Miguel por condução de um veículo automóvel, sob a influência de álcool.
Outros sete homens foram presos pela PSP pela condução de veículo, sem estarem habilitados para tal, por crime de desobediência e ainda por resistência e coacção a Agente de Autoridade.
O relatório de actividade policial da PSP apontou ainda a realização de uma busca domiciliária, que resultou na detenção de 2 indivíduos do sexo masculino de 30 e 33 anos de idade, pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo (caçadeira) e violência doméstica. Foi apreendido uma arma de fogo (caçadeira) e 44 cartuchos de 12mm.
A mesma fonte apontou a ocorrência de 20 acidentes de viação, nos Açores, no passado fim de semana, dos quais resultaram seis feridos ligeiros e danos materiais.

Bolieiro insiste na demolição das galerias comerciais na Calheta

calhetaO presidente da Câmara voltou a defender a demolição das galerias comerciais situadas junto ao Hotel Casino, na Calheta, e disse mesmo que o Governo dos Açores poderia aproveitar os baixios da estrutura já edificada para instalar o Centro de Saúde de Ponta Delgada.
José Manuel Bolieiro falava, terça-feira, durante um encontro de trabalho com os responsáveis pela Junta de Freguesia de São Pedro, presidida por José Leal, os quais concordaram em absoluto com a posição manifestada pelo autarca.
Segundo nota da autarquia, quer o presidente, quer os responsáveis pela Junta de São Pedro exigem que o Governo Regional tome uma posição urgente sobre o assunto que o próprio José Manuel Bolieiro levou, em fevereiro último, para uma audiência que manteve com o Presidente do executivo açoriano, Vasco Cordeiro.
Referindo-se à decisão do Governo em transferir o Centro de Saúde Ponta Delgada para a periferia, Bolieiro sublinhou que se trata de “uma decisão errada que deve ser alterada”.
Neste sentido, afirmou que o Governo Regional deveria mandar demolir as galerias comerciais da Calheta e aproveitar os baixios para instalar o Centro de Saúde de Ponta Delgada, até porque a conjuntura atual ensina que se torna cada vez mais necessário recuperar as existências e não avançar para novas construções.
Segundo adiantou, desta forma, acabava-se com a “vergonha” que foi construída na Calheta e a freguesia de São Pedro recuperava a vista para o mar, ao mesmo tempo que se reutilizava uma estrutura já existente.
Na reunião de trabalho, em que também participaram membros da Assembleia de Freguesia de São Pedro, o Presidente da Câmara anunciou que a autarquia vai instalar mais duas paragens de mini-bus na freguesia, uma junto à residência  universitária, nas Laranjeiras, e outra junto à farmácia da Associação Socorros Mútuos, em São Gonçalo.
José Manuel Bolieiro anunciou ainda que São Pedro vai contar com mais três eco-ilhas, o que vem melhorar em muito o ambiente na freguesia.
A Junta de São Pedro vai receber este ano uma verba global de 58.780, mais 102,4% relativamente ao montante efectivamente transferido em 2012. Um aumento que, para José Manuel Bolieiro, é significativo, uma vez que a autarquia, mesmo com a majoração de 20% das verbas para as freguesias rurais, consegue aumentar os montantes a transferir para as Juntas citadinas. O aumento de verbas só é possível, adiantou, graças à boa gestão da Câmara e ao estabelecimento de prioridades, nomeadamente a área social.

Mota Amaral relembra suas raízes no concelho de Lagoa

mota amaralA Câmara Municipal de Lagoa atribuiu, no último sábado, o nome João Bosco Mota Amaral ao Centro Comunitário sito à rua Prof. João Ferreira da Silva, na freguesia de Água de Pau, antigo edifício que servia de escola.
“Uma homenagem que vem depois de, no dia 11 de Abril, já ter atribuído a distinção honorífica de Cidadão Honorário do Concelho de Lagoa a esta idónea personalidade açoriana”, segundo avançou a autarquia lagoense em comunicado.
“Não ignoro as dificuldades e agruras do percurso nem as actuais, fruto de uma crise que abala o Mundo, mas tenho a certeza que tem valido a pena o esforço, que melhorámos muito e dispomos, nos Açores, de alicerces sólidos para continuarmos a seguir em frente”, afirmou João Bosco Mota Amaral na intervenção que realizou, no âmbito da cerimónia.
O antigo presidente do executivo açoriano relembrou as suas “raízes” paternas que se fixaram no concelho de Lagoa, tendo sublinhado os “tempos de pobreza” em que se vivia.
“Muita gente andava descalça. Havia mulheres e crianças pedindo pão pelas portas. Lembro-me de ter acompanhado algumas vezes a minha Tia Leonor nas suas visitas de vicentina por casas que eram autênticos tugúrios e nas tarefas que de quando em quando lhe incumbiam no Asilo das Meninas, de que o meu Avô tinha sido um dos fundadores, e na Sopa dos Pobres, servida nas lojas da casa que então era das Senhoras Canavarro, no Fisher”, referiu.
O agora deputado deputado do PSD/Açores à Assembleia Nacional, aproveitou a ocasião para realçar a “competência e actividade” dos autarcas do concelho lagoense e “o trabalho e o suor que praticaram e praticam a agricultura e a lavoura” em toda a autarquia. Mota Amaral salientou ainda a “capacidade empresarial dos que se lançaram no comércio e na indústria  e puseram a funcionar as fábricas da louça, do álcool, do sabão e das rações, além de muitas outras pequenas instalações produtivas variadas”, que tornaram, segundo afirmou, “a Lagoa numa vila, hoje cidade, industrial, com um operariado fabril competente e mestres respeitados”.
O social-democrata admitiu ainda a sua satisfação por ver o seu nome atribuído ao Centro Comunitário, situado em Água de Pau.
“Tenho muito gosto em saber-me assim associado à vida diária das gentes de Água de Pau, com quem mantive, ao longo da minha actividade política, um relacionamento intenso, que evoluiu de uma certa frieza e até hostilidade iniciais para uma estima calorosa e apoio generalizado”, sublinhou durante a sua intervenção.