Inspecção Administrativa Reg ional arrasa gestão do IAMA

iamaÉ difícil começar por uma ponta, tantas são as irregularidades detectadas pela Inspecção Administrativa Regional – alegadamente ainda sem uma decisão final e sem o contraditório. Mas as irregularidades de gestão detectadas são tão flagrantes e contrárias a uma série de normativos legais, que já não se trata de simples esquecimentos: parece ser mesmo um estilo de administração, que aparentemente está em total contradição com uma série de obrigações básicas.
Por exemplo:
“O IAMA não procedeu à implementação de nenhum sistema de contabilidade analítica tendo por fim o apuramento de resultados por atividades, conforme prevê o POCP, assim como nlo instituiu nenhum sistema de controlo que permita o registo das despesas e receitas afetas a centros de resultados, bem como dos seus custos e proveitos (contabilidade patrimonial) por centros de responsabilidade, realidade que dificulta e inviabiliza em muitas situações ò conhecimento dos valores inerentes a cada uma das unidades dos serviços do IAMA”.
Ou, em termos do Plano de Prevenção de Riscos de Corrupção e Infrações Conexas, que foi criado, de acordo com a lei e devidamente enviado ao Conselho de Prevenção da Corrupção. No entanto, a inspecção detectou que “não obstante os relatórios de auditorias externas realizadas ao IAMA evidenciarem riscos de ocorrências nas áreas consideradas sensíveis, tais como em matéria de recursos humanos, aquisição de bens e serviços, prestação de serviços à comunidade e concessão de benefícios, o contributo dos auditores não foi tido em conta para aperfeiçoamento deste Plano. No que respeita à monitorização do desempenho do IAMA, essa tarefa não é realizada”. E que “em 2011, não se realizaram ações de monitorização intercalar do Quadro de Avaliação e Responsabilização”.
Ao nível do controlo orçamental, económico, financeiro e patrimonial, eis o que a inspecção diz:
“A Direção do IAMA reúne periodicamente, mas não existem atas que evidenciem o acompanhamento detalhado da atividade do IAMA”.
“O IAMA não possui um manual de procedimentos e/ou normas que estabeleçam um conjunto de requisitos prévios inerentes à atividade do Instituto, que previnam a ocorrência de erros e irregularidades e que assegurem a fiabilidade dos registos e a salvaguarda dos ativos. Inclusive, e no que respeita às transferências mensais a efetuar para os serviços do IAMA, designadamente para a Delegação da Ilha Terceira, não foram emanadas instruções com vista a um adequado controlo dos fundos geridos por esta”.
“Em 2011, o IAMA dispunha de sistemas de informação que comportavam múltiplas aplicações informáticas desintegradas, que não se articulavam entre si. Muitas dessas aplicações foram criadas internamente para dar resposta imediata às necessidades dos serviços e não resultaram de um planeamento estratégico para os sistemas de informação, devidamente articulado com a estratégia do organismo”.
“A estrutura formal do organismo não coincide coma legal”
“Não são elaborados anualmente planos e relatórios de atividades”.
“Os procedimentos inerentes à realização da despesa (cabimento, autorização, processamento, liquidação, autorização de pagamento e pagamento) não são respeitados e efetuados de acordo com as normas aplicáveis”.
“Não se encontram definidas as funções de controlo e não existem nomeação dos respetivos responsáveis”, nomeadamente “na identificação das responsabilidades funcionais; dos circuitos obrigatórios dos documentos e às respetivas verificações; do cumprimento dos princípios da segregação de funções, nomeadamente para salvaguardar a separação entre o controlo físico e o processamento dos correspondentes registos”.
Ao nível dos postos de cobrança da Terceira, eis o que é referido:
a) Inexistência de medidas de controlo, rotinas e procedimentos específicos, na área da cobrança e arrecadação da receita, de forma a eliminar e minimizar o risco de ocorrência de erros;
b) As responsabilidades funcionais ao nível dos diversos intervenientes no processo não estavam definidas de forma clara e precisa;
c) Inexistência de segregação de funções entre as fases de liquidação e cobrança de receitas arrecadadas, designadamente nos Matadouros da Graciosa e São Jorge;
d) A documentação enviada pelos postos de cobrança para justificação da receita arrecadada, quando existente, é escassa e insuficiente - ausência de documentos de registo, não identificação do tipo de receita e falta de identificação do responsável pela entrega;
e) Não existem despachos de autorização para cada uma das diferentes entidades externas que cobram receita, com exceção da RIAC; acresce que, nos demais postos de cobrança, também não foram designados os respetivos responsáveis da cobrança;
f) Nenhum dos postos de cobrança externa entrega as receitas arrecadadas diariamente, violando as mais elementares regras de controlo interno de conferência e registo contabilístico;
g) Não se encontra estabelecida a periodicidade para realização dos depósitos bancários. Em regra, na DTER por iniciativa da tesoureira, os depósitos bancários são realizados no final de cada semana ou quando a mesma considera ser um valor considerável. Nos Matadouros de S. Jorge e Graciosa no final do mês;
h) Aquando da cobrança da receita, nos Matadouros de S. Jorge e Graciosa não se elaboram folhas de caixa diárias indicando o valor acumulado da receita cobrada no dia, as saídas e o saldo diário;
i) Os serviços não controlam a receita arrecadada pelos vários centros de cobrança externos à tesouraria, na medida em que se limitam a registar contabilísticamente os valores de receita cobrada nesta”.
Ao nível das contas bancárias, a inspecção detectou mais uma série de irregularidades processuais.
Sobre o Plano Anual (PA) e Plurianual (PPA), diz a Inspecção:
“Foram solicitados os documentos previsionais identificados no ponto anterior, tendo em vista a sua análise formal, concluindo-se que, em 2011, não foram elaborados o PA e PPA nem o respetivo relatório, tendo apenas sido elaborado o balanço social. Registe-se que, para além de não terem sido elaborados estes Planos do Instituto no ano de 2011, não há qualquer evidência do Orçamento e Relatório de Contas de 2011 terem sido submetidos a aprovação do SRAF, lacuna que origina a respetiva ineficácia jurídica, nos termos dos n.° 2 e 7 do art. 41.° do DLR n.° 13/2007/A, de 5 de julho, com repercussões nas operações orçamentais promovidas no referido ano. O PA da entidade deverá ser elaborado de acordo com a legislação em vigor, DL n.° 183/96, de 27 de setembro; Resolução n.° 100/2003 de 31 de julho, e ainda de acordo com as instruções emitidas pelas entidades competentes, designadamente pelo SRAF”.
Sobre a própria autonomia financeira do IAMA, diz o documento:
“O regime financeiro dos serviços e organismos da Administração Regional Autónoma obedece aos princípios e normas constantes da LBC. De acordo com o definido no n.° 1 do artigo 6.° desta Lei “Os serviços e Organismos da Administração Regional só poderão dispor de autonomia administrativa e financeira quando este regime se justifique para a sua adequada gestão e, cumulativamente, as suas receitas próprias atinjam um mínimo de dois terços das despesas totais, com exclusão das despesas cofinanciadas pelo orçamento das Comunidades Europeias”. As receitas próprias, arrecadadas na gerência em análise, ascendem a 3.316.885,03 euros, sendo necessários 17.869,088,49 euros para dar cumprimento ao definido no diploma legal vigente nesta matéria, ou seja 2/3 das despesas totais com exclusão das despesas cofinanciadas pelo orçamento das Comunidades Europeias. Em suma, o IAMA não reúne os requisitos necessários à manutenção do regime excecional de autonomia administrativa e financeira, podendo aplicar-se, por conseguinte, a “cessação do regime excecional”, nos termos do n,Q 1 do artigo 7.° da citada Lei: “A não verificação dos requisitos previstos non.° 1 do artigo anterior durante dois anos consecutivos determinará, nos casos em que a autonomia administrativa e financeira não foi reconhecida nos termos do n.QS 3 e 4 do mesmo artigo, a cessação do respetivo regime financeiro e a aplicação do regime geral de autonomia administrativa.” Refira-se que no Relatório de Verificação Interna n.° 9/93 - UAT III, do TC, relativo à Conta de Gerência de 2002, se concluiu que o IAMA não reunia os requisitos necessários à manutenção do regime excecional - autonomia administrativa e financeira.”
Sobre a informação que o IAMA é obrigado a prestar a outras entidades, eis o que diz a Inspecção:
“Nos termos do n.° 3 do artigo 5.° do DL n.° 71/95, de 15 de abril, o orçamento inicial e as alterações orçamentais, de 2011, deveriam ser remetidas ao TC até ao final do mês seguinte ao da sua aprovação pela entidade competente. Embora solicitado, não foram remetidas evidências do cumprimento deste normativo.
Nos termos do art 19.° do DLR n.° 34/201 Q/A, de 29 de dezembro e do art. 18.° do DRR n.° 1/2011 /A, de 26 de janeiro, o IAMA deveria prestar a seguinte informação: Remeter trimestralmente à DROT, nos 15 dias subsequentes ao final de cada trimestre, informação completa sobre as operações de financiamento, nomeadamente empréstimos e amortizações efetuados, bem como as previstas até final do ano; Nos 15 dias subsequentes ao período a que respeitam, as contas da sua execução orçamental donde constem os compromissos assumidos, os processamentos efetuados e os montantes pagos, bem como a previsão atualizada da execução orçamental para todo o ano; Nos 30 dias subsequentes ao final do período a que respeitam, o relatório da execução orçamentai, elaborado pelo competente órgão fiscalizador ou, na sua falta, pelo órgão de gestão; Remeter à DROT a conta de gerência até 30 de abril do ano seguinte àquele a que respeita; Remeter à Direção Regional de Estudos e Planeamento, nos 15 dias subsequentes ao final do cada trimestre, toda a informação relativa à execução financeira respeitante ao respetivo período e, nos 15 dias subsequentes ao final de cada semestre, toda a informação relativa à execução material respeitante ao respetivo período. Apesar de solicitadas as evidências do cumprimento das obrigações supra mencionadas, a entidade apenas remeteu mapas de Excel com a execução efetuada, não anexando evidências de documentos que demonstrassem a efetiva remessa as entidades e permitissem a aferição do cumprimento dos prazos legalmente estabelecidos”.
Ainda ao nível da publicidade:
“Por forma a cumprir o estipulado no artigo 44.°, alíneas a), c) e d) do DLR n.° 13/2007/A, de 5 de junho, os institutos públicos devem disponibilizar uma página eletrónica com os dados relevantes designadamente, os diplomas que os regulam, os estatutos e regulamentos internos; planos de atividades e os relatórios de atividades dos últimos três anos, os orçamentos e as contas dos últimos três anos, incluindo os respetivos balanços. O n.° 5 do artigo 183.° da Lei n.° 55-A/2010, de 31 de dezembro, estabeleceu ainda obrigação de publicação das dívidas por natureza. O IAMA, apesar de possuir página na internet não procedeu à divulgação dos documentos supra citados no seu site. O acesso facilitado à informação completa, por parte dos cidadãos e utentes, deve garantir a transparência e a possibilidade de responsabilizar uma instituição e os seus agentes peias suas práticas (aceountability).
O impressionante é que há ainda muitos mais reparos...


Segundo notícias da LUSA, um crime de peculato envolvendo a direção do Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA) e o delegado na ilha Terceira por alegada apropriação ilícita de fundos, é uma das conclusões da inspeCção realizada a este organismo.
O relatório recomenda que os indícios sejam enviados para o Ministério Público para “apurar eventual responsabilidade dos membros da direCção do IAMA e do delegado na Terceira pelo crime de peculato”, refere o documento, com dados recolhidos pela Inspecção Administrativa Regional, a que a Lusa teve acesso.
O alegado crime está relacionado com o pagamento de 78 indemnizações compensatórias pelo abate de animais sem que os beneficiários tivessem pago o seguro de reses, o que “corresponde à assunção e pagamento de despesa pública sem suporte legal, podendo ser susceptível de censura criminal pelo crime de peculato por apropriação ilícita de quantia monetária, acessível em razão das funções exercidas, em proveito de outras pessoas”.
Esta inspecção ordinária à Delegação da Ilha Terceira do IAMA, organismo tutelado pela Secretaria Regional da Agricultura, permitiu ainda detectar 13 situações “susceptíveis de fundamentar eventual responsabilidade financeira sancionatória”, pelo que o relatório também seguirá para o Ministério Público junto do Tribunal de Contas nos Açores.
Os inspectores propuseram ainda o envio do relatório para o Ministério Público no Tribunal Administrativo de Ponta Delgada para analisar concursos para o recrutamento de trabalhadores onde existem dúvidas sobre as reuniões do júri e apreciar a eventual nulidade de vários contratos de prestação de serviços.
O IAMA é um organismo público regional com personalidade jurídica e autonomia administrativa, financeira e patrimonial, com competências em áreas como o controlo das condições de concessão de ajudas, a gestão da rede regional de abate ou a classificação do leite na produção.
O extenso relatório da inspecção considera “ilegais” todos os atos de autorização de despesa feitos pelo delegado na Terceira ao abrigo de uma delegação de competências do presidente do IAMA, alegando que essa delegação compete à direcção e não ao presidente.
O documento denuncia ainda o “uso generalizado de sistemas paralelos e controlo contabilístico” no IAMA, cujos registos “podem ser facilmente alterados e não estão sujeitos a qualquer controlo”.
No que se refere aos postos de cobrança na Terceira, aponta a “inexistência de medidas de controlo”, considera que a documentação para justificar a receita arrecadada “quando existe, é escassa e insuficiente” e salienta que “os serviços não controlam a receita arrecadada nos centros de cobrança exteriores à tesouraria”.
O pagamento de abono para falhas sem respeitar a legislação em vigor, a ilegalidade das despesas pagas com verbas do fundo de maneio e a abertura de contas bancárias sem prévia autorização da direcção do IAMA e que não são obrigatoriamente movimentadas por duas pessoas são outras situações apontadas no relatório.
Os inspectores também questionam a gestão das dívidas de clientes, considerando que “não há registo de serem examinadas periodicamente as contas dos clientes”, nem indicações de que tenham sido “tomadas ações sobre os clientes que não liquidam os seus débitos”.
O pagamento de horas extraordinárias também é questionado por ausência de autorização prévia, falta de cabimento da despesa e ultrapassagem dos limites diários e anuais, enquanto o pagamento de ajudas de custo também revela falta de autorização prévia e de cabimento da despesa, além de serem pagas pelo delegado sem ter competência para isso.
O documento permitiu também concluir que o IAMA “não reúne os requisitos necessários à manutenção do regime excepcional de autonomia administrativa e financeira”, já que as receitas próprias não cobrem dois terços das despesas como é exigido.

IAMA desvaloriza eventual crime de peculato detetado em inspeção porque ainda não há relatório final

O Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA) desvalorizou ontem o eventual crime de peculato que terá sido detectado numa inspecção, frisando que se trata de um “projeto de relatório, que ainda se encontra em fase de contraditório”.
A direcção do IAMA, num esclarecimento enviado à Lusa, considera que foi feita uma “leitura incorreta e abusiva” do documento elaborado pela Inspecção Administrativa Regional dos Açores, frisando que os responsáveis e colaboradores deste instituto “sempre pautaram a sua atuação com grande responsabilidade ao serviço do interesse público”.
O documento elaborado na sequência de uma inspeção ordinária à Delegação da Ilha Terceira do IAMA, a que a Lusa teve acesso, recomenda que os indícios recolhidos sejam enviados para o Ministério Público para “apurar eventual responsabilidade dos membros da direção do IAMA e do delegado na Terceira pelo crime de peculato”.

Inspeção Regional
Administrativa diz que ainda não tomou nenhuma decisão sobre IAMA
    
A Inspeção Regional Administrativa dos Açores esclareceu hoje que o documento elaborado na sequência de uma inspeção ordinária à Delegação da Ilha Terceira do Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA) “não contém nenhuma conclusão, proposta ou decisão”.
O “projeto de relatório ainda não tem em conta o legítimo exercício do direito do contraditório dos intervenientes da atuação administrativa, isto é, o projeto de relatório não contém nenhuma conclusão, proposta ou decisão”, refere um documento enviado à Lusa, assinado pelo inspetor regional, Antero Fernandes Rolo.
Nesse sentido, a Inspeção Regional Administrativa salienta que o teor do documento foi divulgado antes de ser exercido o “direito constitucional de defesa” por parte das pessoas envolvidas.
“O eventual ‘crime de peculato’ (que é referido naquele documento) resume-se a esta situação: não cobrar aos agricultores uma taxa de abate, quando os animais não estão em condições de serem comercializados”, acrescenta o comunicado da Inspeção Regional Administrativa.
Um documento elaborado na sequência de uma inspeção ordinária à Delegação da Ilha Terceira do IAMA, a que a Lusa teve acesso, recomenda que os indícios recolhidos sejam enviados para o Ministério Público para “apurar eventual responsabilidade dos membros da direção do IAMA e do delegado na Terceira pelo crime de peculato”.
Esta inspeção ordinária à Delegação da Ilha Terceira do IAMA, organismo tutelado pela Secretaria Regional da Agricultura, permitiu ainda detetar 13 situações “susceptíveis de fundamentar eventual responsabilidade financeira sancionatória”, pelo que os autores do documento, que ainda se encontra em fase de contraditório, propõem que seja também enviado para o Ministério Público junto do Tribunal de Contas nos Açores.

PCP/Açores “denuncia destruição de apoios sociais”

Anbal-PiresO PCP/Açores criticou ontem a “monstruosa insensibilidade social” dos governos nacional e regional, apesar da “gravíssima situação económica”, considerando que, em matéria de solidariedade e apoio social, o país está “verdadeiramente entregue à ‘troika’”.
“Com uma monstruosa insensibilidade social, enquanto o PS diz ‘mata’, o PSD e o CDS dizem ‘esfola’”, afirmou o coordenador regional do PCP/Açores, Aníbal Pires, frisando que “isto não sucede apenas na República, mas também nos Açores”.
Segundo a agência Lusa, na intervenção política que proferiu na Assembleia Legislativa dos Açores, Aníbal Pires salientou que “o PS/Açores, enquanto critica o Governo da República por encerrar serviços, vai disfarçadamente fazendo exactamente o mesmo”.
O coordenador dos comunistas considerou que o executivo regional socialista, “não satisfeito” com o encerramento de escolas e de unidades de saúde, avança agora para o fecho de postos de atendimento da Segurança Social “na tentativa de poupar alguns euros”.
“Vão ser 22 postos de atendimento da Segurança Social que passarão a ser assegurados através da RIAC [Rede Integrada de Apoio ao Cidadão], uma mudança que, parecendo inócua, levanta algumas questões e muitas preocupações”, afirmou, considerando “lamentável que se procure poupar à custa do sistema de solidariedade social”.
Na sua intervenção, Aníbal Pires criticou também a “brutalidade insensível” do ministro da Solidariedade Social, Pedro Mota Soares, na sequência das alterações introduzidas no regime do Rendimento Social de Inserção (RSI).
“No caso dos Açores, os efeitos vão ser ainda mais graves, tendo em conta a elevada proporção de beneficiários que trabalham e que recebem apenas uma pequena prestação e que a vão perder graças à brutalidade insensível do ministro do CDS”, disse.

“Açorianos não estão a perder serviços de atendimento da Segurança Social”–Bradford

Na resposta, o Secretário Regional da Presidência, André Bradford, frisou que “não é verdade” que o Governo Regional vai encerrar serviços de atendimento da Segurança Social, salientando que a mudança para a RIAC “não implica perda de serviços de proximidade, nem perda de qualidade”.
“O Governo Regional mantém uma política social e aumentou este ano os apoios sociais e não merece ser incluído no mesmo bolo que um Governo da República absolutamente insensível do ponto de vista social”, afirmou.
Esta posição foi rebatida por Clélio Meneses, do PSD, para quem o executivo regional socialista “construiu edifícios, mas retirou pessoas” das localidades.
“Por todo o lado, o que se ouve é o desânimo das pessoas, que sentem que não há vida nas freguesias”, frisou.
Por seu lado, Artur Lima, do CDS-PP, assumiu a defesa das medidas decididas pelo ministro da Solidariedade Social, considerando que é necessário “ajudar quem precisa e não quem tem dois carros à porta”.
“É preciso corrigir as injustiças que os senhores cometeram”, referiu, dirigindo-se aos socialistas, que acusou de “promover a demagogia e o populismo”.

Campo de férias leva mais novos à biblioteca Tomaz Borba Vieira

crianasA biblioteca municipal Tomaz Borba Vieira abriu o seu primeiro campo de férias. Com a designação “Campo de Férias na Biblioteca”, este é um projeto que está vocacionado para a ocupação de crianças e pré-adolescentes em tempo de férias, de uma forma educativa, recreativa e de lazer.
Assim sendo, durante os próximos dois meses, entre as 8h30 e as 18h00, 25 crianças estarão inseridas neste campo de férias que procura, acima de tudo, promover as áreas da leitura, da promoção cultural, sensibilização ambiental e lúdica, contando o mesmo com recursos humanos formados na área da educação.
Assumindo o lazer e a brincadeira uma prioridade, este campo de ferias contempla diversas áreas como a promoção da leitura e escrita através do contato com os livros, da dinamização de ações de mediação da leitura, do incentivo à requisição de livros, bem como de ateliers de escrita criativa. A promoção cultural será também uma constante com a realização de diversas visitas de estudo a locais de interesse histórico para o concelho. Papel de destaque merece igualmente a educação ambiental com o  desenvolvimento de atividades manuais com recurso a materiais reaproveitados, proporcionando a frequência de ações de sensibilização ambiental, e em que a frequência de espaços onde o contato com a natureza será privilegiado. Finalmente, as competências sociais e pessoais serão igualmente dinamizadas através de dinâmicas de grupo que darão primazia à reflexão e interação com os colegas.
De realçar que existem vagas para o mês de agosto, devendo os interessados formalizar a sua inscrição junto da biblioteca municipal Tomaz Borba Vieira ou através do telefone 296 912 510 ou do endereço de correio eletrónico Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. , tendo as inscrições um custo de 60,00 € que não englobam nem o lanche nem o almoço, que serão responsabilidade dos pais.

173º Aniversário do Concelho da Povoação

POVOAAOCelebrou-se no passado dia 3 de julho, no Auditório Municipal da Povoação, o 173º Aniversário do Concelho da Povoação. A efeméride foi assinalada no seu primeiro dia pela entrega do Diploma de Mérito Cultural a Rafael Carvalho, natural da Ribeira Quente.
Em reunião de Câmara de 15 de Junho, foi aprovada “ por unanimidade a entrega do diploma de mérito Cultural a Rafael Carvalho pelos serviços prestados em prol da Cultura e do Concelho da Povoação, através da defesa e valorização da viola da terra, instrumento Açoriano que até bem poucos anos estava caído no esquecimento e que, agora, conhece momentos de elevado prestígio”, referiu Rui Fravica Melo, Chefe de Gabinete da Autarquia, aquando das comemorações do Aniversário. Já Carlos Ávila, Presidente da Câmara Municipal da Povoação, afirmou que Rafael Carvalho é aquele que neste momento mais torna relevante a Viola da Terra, “esta que estava quase a desaparecer das atuações culturais” e, por isso, o autarca considera Rafael Carvalho não apenas um Professor mas também um pedagogo, um homem de qualidades. “ É com todo o gosto que nós te atribuímos este diploma de Mérito Cultural, o Concelho da Povoação hoje fica mais rico porque te entrega este diploma, e porque conseguiste trazer toda esta juventude a uma sessão solene, é uma sessão de comemoração do concelho mais lindo dos Açores”, acrescentou o Presidente da Autarquia.
Segundo o Autarca, o homenageado tem levado o nome da freguesia da Ribeira Quente e do Concelho da Povoação além-fronteiras. “O seu trabalho com a Viola da Terra já ultrapassou as barreiras do Concelho da Povoação, é ouvido aqui e além-fronteiras”

John Pine, o açoriano que foi “estrela” no "Undercover Boss", nos Açores

joao-pinaMuitos até podem nunca ter ouvido falar de John Pine, e nem tão-pouco do programa televisivo norte-americano “Undercover Boss”, mas foi esse açoriano, natural da Ribeira Quente, que por 15 minutos, faz referência aos Açores e do seu desejo de cá voltar um dia, o que lhe permitiu “ganhar” uma viagem em jacto particular às nossas ilhas, oferecida pelo seu próprio chefe, e já agendada para o próximo dia 19 de Julho.

“Undercover Boss” ou “patrão escondido/ disfarçado”, é uma série televisiva de uma das maiores redes de televisão  dos Estados Unidos da América –a CBS. Para além de ser um programa de entretenimento,  conjuga realidades no mundo do trabalho e negócios, tendo como principal objectivo mostrar ao público a eficiência dos empregados e a forma como reagem às decisões das firmas e dos clientes. Uma espécie de “apanhados”, digamos assim, em que o patrão disfarça-se por entre os trabalhadores durante um determinado tempo. Por vezes, “vê coisas que não desejava ver e ouve o que nunca desejou ouvir. Mas, também acontece ficar maravilhado com certos comportamentos humanos, ao conhecer trabalhadores que fazem tudo para a firma progredir no bom sentido”, como nos explica Alfredo da Ponte, um imigrante radicado em Fall River, EUA, e que nos fez chegar a história desse açoriano, que foi “estrela”, precisamente, nesse programa de televisão.    
O episódio número 5 da terceira série, do dia 24 de Fevereiro do presente ano, foi dedicado à companhia “American Seafoods”. Esta empresa, sediada no Alasca, tem várias divisões em diferentes pontos do país, onde se inclui uma planta de processamento, na cidade de New Bedford, Massachusetts. Com um movimento anual de 450 milhões de dólares, emprega mais de 1500 pessoas. É seu proprietário, presidente e chefe executivo, Bernt Bodal-–um imigrante norueguês que conseguiu realizar o seu “sonho americano”.
Um dos “apanhados” e aquele que tornou o programa mais interessante naquele dia é açoriano: João Manuel Xavier Pina, segundo filho do casal João Manuel Pina e Maria Xavier, nascido na freguesia da Ribeira Quente, a 29 de Setembro de 1957.
Em 1966 os pais, como tantos outros, resolveram emigrar para o Canadá (Toronto), mas três anos depois resolveram outro destino: os Estados Unidos, fixando residência em New Bedford. Foi ali que João completou a sua educação básica, terminando o ensino secundário em 1977. Como “os trabalhos bons, em algumas companhias, eram dados somente aos cidadãos americanos”, explica, João Pina naturalizou-se americano em 1978 e foi trabalhar como soldador na companhia “General Dynamics”, sediada em Quincy, Massachusetts. Recorda que, nos anos 70 do século passado, a discriminação era notória, pressionando os imigrantes a entrarem no “melting pot” (teoria de origem norte-americana segundo a qual as diferenças étnicas existentes num território, e que resultam da diversidade de indivíduos, tendem a esbater-se com o tempo, dando origem, por fusão entre os membros que compõem a população, a uma nova sociedade), fazendo com que muitos optassem por ocultar a sua origem. Mas este não foi o caso de João Pina , “que sempre sentiu nas veias o valor da lusa-gente”, friza Alfredo da Ponte. No entanto, pela dificuldade que os americanos tinham em pronunciar o seu apelido, ao tornar-se cidadão americano mudou o seu nome de João Pina para John Pine.
“O orgulho de ser português nunca lhe saiu da pele e morrerá com ele. E quem o conhece pessoalmente pode bem afirmar isto. Embora tivesse saído da terra que lhe serviu de berço aos nove anos de idade, lembra-se perfeitamente do areal da sua Ribeira Quente, que lhe queimou os pés várias vezes, pelos seus resfolgadouros vulcânicos, dos montes à sua volta, das sardinhas e dos chicharros que os barcos de boca-aberta traziam ao porto diariamente” realça, acrescentando que “nunca lá voltou mas, sempre teve a esperança de, um dia, levar a família à terra onde nasceu”.
Em 1980 casou com Rita Manteiga, de quem teve um casal de filhos. Pouco depois do casamento decidiu ficar a trabalhar em New Bedford, numa fábrica de processamento de peixe, esta que já teve o nome de “New Bedford Seafoods” e que, mais tarde, veio a fazer parte do grupo “American Seafoods”. De há uns anos até Fevereiro do corrente ano, John Pine era o gerente geral da manutenção. Agora, depois do programa ser emitido as coisas mudaram, como nos relata Alfredo da Ponte.
“Tudo começou em Outubro de 2011, quando a gerência da fábrica de New Bedford foi informada que o edifício ia ser filmado para o Discovery Channel e que, alguns dos trabalhadores iam ser entrevistados”, explica. Assim, os responsáveis receberam os nomes dos interessados a falar sobre si e sobre as funções que ali desempenham. “Em princípios de Novembro começaram as filmagens e entrevistas que, desta vez duraram cerca de dois dias e meio. Filmaram um pouco de todas as áreas, entrevistaram os interessados e prometeram voltar”, continua. Ao que consta, das pessoas que se expressaram diante das câmaras, falando sobre si e do seu trabalho, o chefe executivo da empresa escolheu um. Neste caso, na fábrica de New Bedford, John Pine foi o escolhido.
  Em meados de Dezembro, outra vez, “vários homens da televisão foram fazer novas filmagens. Contactaram John Pine e disseram-lhe que era muito importante para o programa filmar com ele um recrutamento de um novo mecânico de manutenção. Este novo mecânico seria um actor profissional e era necessário que John lhe mostrasse grande parte das reparações e outras coisas ligadas à manutenção, a ver se o candidato se qualificava ou não para o trabalho”. Assim aconteceu. O candidato não tinha habilidade nenhuma para as funções e “John quase perdeu a paciência com ele algumas vezes. Nas filmagens John foi sempre igual a si próprio.  Mal sabia ele que, aquele actor era o dono da companhia”.
Entretanto, enquanto tudo isso se passava, trocavam conversas de carácter particular e profissional. John fez referência aos Açores, por duas vezes, e disse, inclusivé, que um dos seus sonhos era vir às ilhas, acompanhado pela família, já que havia emigrado com nove anos de idade e nunca mais cá voltou.
Passou-se mais um mês e em Janeiro John Pine foi chamado para ir ao Alaska. Compareceu nos escritórios do comando do grupo “American Seafoods” e a surpresa que teve “foi a cena mais cómica do programa”, descreve o nosso relatador. “O homem ficou sem cor e muito chateado. Disse que não poderia estar feliz, sabendo que tinha sido enganado. E, lamentando este facto, adicionou ao seu comentário, diante das câmaras, que devia ter desconfiado, porque as mãos do indivíduo que era actor e mecânico eram muito finas e não pareciam estar habituadas a lidar com parafusos e ferramentas”.
Mas tudo acabou bem. Bernt Bodal, recordando os maus momentos que passou em New Bedford, recompensou John Pine, dizendo que ele é muito eficaz nas suas funções, que só admite na sua equipa pessoal qualificado e que cuida da empresa como se fosse sua. Ofereceu-lhe dez mil dólares a mais no seu salário anual, promovendo-lhe de gerente a director. Além disso, deu-lhe mais dez mil dólares para gastar nos Açores e prometeu levá-lo a São Miguel no seu jacto particular.
Esta viagem será efectuada no dia 19 de Julho e a estadia está programada para dez dias no Hotel Terra Nostra, nas Furnas, bem pertinho da “sua” Ribeira Quente.
Fazemos votos de uma boa viagem a esse açoriano de sucesso além-fronteiras e, tal como Alfredo da Ponte, temos a certeza de que: “John Pine nunca mais vai esquecer esta experiência”.