A família e a morte: como enfrentar o luto?

lutoO luto é um processo que ocorre imediatamente após a morte de alguém que amamos. Não é um sentimento único, mas sim um conjunto de emoções que requer um tempo para serem digeridas e resolvidas. Para falar sobre este assunto, entrevistamos a psicóloga Anastácia Costa, de modo a esclarecer algumas dúvidas de um tema que tende a ser evitado...

 

Sob o ponto de vista psicológico, o que é o luto?
O luto é um processo reactivo a uma perda significativa e envolve uma multitude de emoções. Socialmente, é um fenómeno que surge face a uma necessidade psicológica, emotiva, interna.

De que forma a auto-estima nos ajuda a lidar com o luto e a perda de alguém que nos é próximo?
A auto-estima tem a ver com ter-se uma visão de nós para nós, ou seja, com o modo como nos entendemos. Não há uma correlação evidente, mas não será difícil perceber que uma pessoa com uma baixa auto-estima poderá sentir-se mais em conflito com os seus próprios sentimentos no momento da perda. Por vezes, perdemos pessoas que nos eram tão referenciais que acabamos por nos perder também um pouco. Perdemos o norte, por assim dizer.


A dor expressa em lágrimas é um sinal de fraqueza?
Não, de todo. É uma expressão de sentimentos normais aquando da perda. Muitas das vezes, é absolutamente necessário exprimir a emoção. Concretizá-la cá fora. Eu diria que chorar é uma das formas mais saudáveis de o fazer. Claro que, no caso de um processo de luto patológico, a expressão das emoções será também patológica, em excesso, portanto. E se sentirmos que essa expressão está a limitar a nossa própria capacidade de viver, temos de procurar ajuda. Maria João Saraiva tem um livro em prosa poética, com prefácio de Coimbra de Matos, cujo título é: ‘A Dor que me deixaste’. Seria um bom título para introduzir qualquer conversa sobre o luto. É realmente a dor que fica. E a dor sente-se de muitas maneiras. Temos de senti-la para depois ultrapassá-la.

Há uma sequência de fases na vivência do luto?
Podemos dizer que sim, mas temos de entender essas fases como estádios emotivos, sem uma ordem assim tão concreta e que podem, mesmo, acontecer todos ao mesmo tempo. Podemos sentir dissonâncias, ou seja, ter sentimentos contraditórios. Sentir cólera, melancolia, paz sob a forma de aceitação, e muitas outras emoções.

Quanto tempo precisa a pessoa para superar essa perda? Esse tempo pode ser mais demorado quando a morte é inesperada, por acidente ou tragédia?
Esse tempo será sempre diferente consoante a perda, a pessoa que a sente e as circunstâncias de tudo. Todos temos maneiras diferentes de lidar com as nossas emoções. Tempos de resposta diferentes. Esse conjunto de emoções e sentimentos requer um tempo para serem digeridos e resolvidos, não pode ser apressado. Cada um de nós tem um tempo emocional que deve ser respeitado. Claro que, tempos alargados de superação são, muitas vezes, o sinal de um processo de luto patológico, inacabado, em suspensão, sem qualquer evolução. 

Em que consiste a terapia do luto?
A terapia é sempre um processo virado para uma superação. Para uma cura através da resolução de questões não resolvidas, de traumas… A terapia de luto serve para identificar  e orientar as tais emoções que resultam do trauma da perda ou do acumular de perdas passadas, e facilitar a resolução de dificuldades que impedem a pessoa de finalizar o luto no presente. Muitas das vezes, os sentimentos são de tal ordem que perdemos a capacidade de pensar neles. E aí precisamos de ajuda não interferente. Daquele género que só um psicólogo pode dar. Um bom profissional ajudará a pessoa a ter confiança e força renovada, a desenvolver habilidades reconstrutivas para reconhecer totalmente a realidade da perda e a capacidade de a ultrapassar.

A abordagem terapêutica é diferente em função do tipo de morte?
Claro. A abordagem terapêutica é sempre diferente consoante as circunstâncias da perda. É um processo muito pessoal e o Homem é sempre o Homem e a sua circunstância. Uma morte violenta e inesperada será sempre diferente de uma morte com um prazo e um longo percurso de degradação física. Uma morte de uma pessoa jovem será sempre diferente da morte natural de uma pessoa de idade avançada. O suicídio, por exemplo, acarreta sempre um conjunto de emoções que podem ir da revolta à negação absoluta.
A abordagem terapêutica terá, de comum em todas as circunstâncias, o ser direccionada para a recepção e para o suporte do sofrimento trazido pela pessoa.

Como considera que se deve superar o luto?
Através do ganho de perspectiva, da recordação dirigida, da aceitação da ausência e da homenagem… sempre uma homenagem à altura da importância que aquela presença teve na nossa vida. Eu costumo dizer que os vivos têm a possibilidade de viver pelos que cá não estão, e a obrigação quase moral de os fazer perdurar pelos seus próprios actos e recordações. É essa a homenagem acertada. Não, como estava a dizer há pouco, qualquer acção que sirva de impasse ao processo de luto, como negar a perda mantendo itens que marquem a presença da pessoa: um quarto fechado com os seus pertences, uma mesa posta,… todos estes registos serão patológicos e resultarão, decerto, num acumular de depressividades.

Então, o que fazer com os pertences de um filho ou de um familiar que faleceu?
As pessoas compõem-se também das suas escolhas e dos seus bens. Tal como se faz com a própria pessoa: um processo de despedida, feito de maneiras diferentes em sociedades diferentes, também o mesmo pode ser feito com os seus pertences. Pode ser muito importante, por exemplo, ter algo que nos lembre de um momento com a pessoa em causa. Claro que, em excesso, estamos provavelmente a tentar manter a pessoa viva, a sua presença sentida, e isso dificulta sempre o luto. O objectivo, aliás, será esse. Acabar não concluindo o luto e, assim, não se despedindo definitivamente da pessoa. Nesse caso, estamos perante um processo patológico.

Como agir nas datas comemorativas relacionadas, directa ou indirectamente, com a pessoa que faleceu?
Cada pessoa terá o seu processo de remémoro e de homenagem. Homenagear as pessoas que já cá não estão é uma prática social muito antiga e normalizada.

Qual é o principal problema das pessoas em encarar a morte e enfrentar o luto?
Numa cultura hedonista, da busca do prazer pelo prazer, a pessoa que está a passar por um processo de luto é, por vezes, levada pela sociedade e pela impaciência da nossa cultura, a deixar para trás a experiência do luto. Como resultado, temos duas situações: ou a pessoa vive o seu processo em silêncio, devido à pressão social, ou força-se a abandoná-lo, antes de o ter completado. Outras vezes, as pessoas, por si próprias, não lidam com a perda. Preferem tomar caminhos alternativos para não ter de passar por aquele pensamento tão traumatizante. Julgam que as ultrapassam desta forma, mas o que mais acontece é o empilhar de vazios não pensados, o que geralmente resulta em episódios depressivos muito desorganizadores.

As pessoas, na generalidade, têm medo de falar sobre a morte. Porque acha que isso acontece?
Nós todos vivemos a não pensar na morte. Por vezes, é difícil negá-la. Está mesmo ali e damo-nos conta que também não somos eternos e que tudo é muito frágil. Consegue pensar em algo mais assustador?
 
O fim de um relacionamento amoroso–seja namoro ou casamento –pode ser comparado ao luto de quem, de facto, morreu?
O luto, como disse, é sempre um processo reactivo a uma perda. Podemos entender uma perda como um vazio que nos foi imposto. Qualquer ausência imposta pode potenciar essa sensação de vazio.

Como apoiar quem está a sofrer?
Quem está a passar por um processo normal de luto, precisará também do apoio de familiares e amigos, que têm de saber respeitar os limites e as emoções da pessoa, sempre com sensibilidade e bom senso.

Como deve ser encarada a reflexão sobre a temática do luto na nossa sociedade?
Bem, existem perspectivas sociológicas, psicológicas…, que devem ser sempre consideradas. A reflexão, penso, deve ser feita sempre de uma maneira macro, de acordo com a sociedade, e de uma maneira micro, ou individual. Abordar um assunto não lhe é faltar ao respeito, antes pelo contrário. Há assuntos que pedem uma reflexão constante e o luto é um deles.

“Cerca de 6% dos atropelamentos no ano passado ocorreram na passadeira”, revela PSP

passadeiraOs vários atropelamentos que ocorreram semana passada na ilha de São Miguel provocaram críticas, especialmente nas redes sociais, à colocação de algumas passadeiras nas principais artérias da cidade de Ponta Delgada e à falta de prudência por parte dos condutores.
O porta-voz do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública–o Subcomissário Nuno Costa–manifestou, precisamente, a sua preocupação em relação às passadeiras junto às rotundas e paragens de autocarros, mas frizou que a PSP não é a entidade competente para realizar estas alterações, embora “já tenha manifestado o seu parecer às entidades responsáveis”.
Contudo, Nuno Costa afirma que a falta de prudência e a irresponsabilidade por parte das pessoas também contribuem para esta situação. “Provavelmente, as preocupações que nos assolam cada vez mais, devido à conjuntura actual, são também motivo de distracção por parte dos condutores e peões que muitas vezes não tomam as devidas precauções” diz, reforçando que “o Comando Regional dos Açores tem trabalhado na prevenção destas atitudes menos responsáveis, principalmente junto dos idosos, crianças e jovens, através do nosso modelo integrado de policiamento de proximidade”.
Questionado sobre as medidas que podem ser tomadas para reduzir os atropelamentos nas nossas estradas, o Subcomissário defende que “a principal medida passa por tentar alterar o comportamento humano, tanto de peões, como de condutores, no sentido de prevenirem os riscos de atropelamentos. Outras podem passar por criar as medidas de segurança necessárias para que a primeira medida seja reforçada. Quer queiramos, quer não, é o factor humano o principal responsável pelos atropelamentos, pois se todos actuassem de forma responsável e com a devida atenção, não haviam acidentes desta natureza. Daí a importância fundamental que reveste a prevenção e a sensibilização dos cidadãos através do modelo integrado de policiamento de proximidade e através de outras acções deste tipo”.
De acordo com o relatório de sinistralidade rodoviária da Região Autónoma dos Açores respeitante ao ano passado,   registaram-se no arquipélago 2.843 acidentes de viação, menos 199 acidentes que em 2011.
Relativamente às vítimas mortais, há a destacar nove mortos, seis em S. Miguel e os restantes três distribuídos pelas ilhas Terceira, S. Jorge e Faial, resultando numa diminuição de 13 mortes comparativamente ao ano de 2011 onde se tinha registado 22 casos.
“A diminuição do número de acidentes em 2012 fez diminuir em 118 o número de feridos (ligeiros e graves), já que em 2011 o número total de feridos na região foi de 809, face aos 691 ocorridos no período homólogo de 2012”, lê-se no documento a que tivemos acesso.
A ilha de S. Miguel teve o maior número de acidentes com 1.702, registando-se, contudo, uma diminuição de 169 acidentes quando comparado com o ano de 2011 onde se registou 1.871 acidentes.
A tendência para a redução no número de acidentes e de vítimas mortais é explicada por Nuno Costa pela “pró-actividade policial que tem aumentado nos últimos anos.” O que significa que os elementos policiais “têm vindo a desempenhar um importante papel na segurança rodoviária na Região Autónoma dos Açores, mantendo uma presença constante no terreno, aumentando as detenções consideravelmente e, fazendo com que o comportamento das pessoas seja mais responsável”, a par “das várias acções de sensibilização que temos realizado, sobretudo com o apoio de outras entidades também com responsabilidades nesta matéria, que têm demonstrado que os cidadãos têm interiorizado a importância da responsabilização e da segurança rodoviária”.
Nuno Costa avança ainda que “no ano transacto 59,375% dos atropelamentos registados ocorreram por atravessamento de peão fora da passadeira; 21,875% ocorreram por causa desconhecida; 9,375% ocorreram devido a doença súbita; 6,25% ocorreram aquando da travessia do peão na passadeira e 3,125% ocorreram devido a mudança súbita de direcção.”
O porta-voz da PSP refere também que não existe nas estradas de São Miguel nenhum “ponto negro”. “A definição de ‘ponto negro’, segundo a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, consiste ‘num lanço de estrada, com o máximo de 200 metros de extensão, no qual se registaram, pelo menos, cinco acidentes com vítimas, no ano em análise, e cuja soma de indicadores de gravidade é superior a 20’.  Assim sendo e, segundo esta definição, não existe em São Miguel nenhum ‘ponto negro’, mas sim artérias onde é mais susceptível ocorrerem acidentes, devido à sua localização e elevada circulação de viaturas e de pessoas”.
Também Rui Santos, Coordenador dos Transportes Terrestres no Governo Regional, revelou que “não existe um padrão comum que permita definir zonas específicas com maior sinistralidade”, mas nota que têm sido feitos campanhas de segurança rodoviária para “criar toda uma dinâmica que permita combater esse tipo de fenómenos.”

“Precisamos de ensinar práticas que promovam a preservação dos nossos solos”, alerta biólogo

Pedro Medeiros - Rede Pro BioPedro Medeiros, professor de Biologia e Geologia, criou no ano passado a Rede Pró Açores Bio com o objectivo de potenciar o desenvolvimento da agricultura biológica nos Açores. Numa entrevista ao nosso jornal, este biólogo defende a necessidade de mudança na agricultura dos nossos dias, alertando para as consequências imprevisíveis da criação artificial que podem contribuir de “forma significativa” para a redução da sobrevivência humana

Como surge a Rede Pró Açores Bio (RPAB)?
A RPAB surge em 2012 como uma necessidade de colocar em contacto produtores e consumidores das várias ilhas dos Açores. Embora, em algumas ilhas, estes já estejam organizados a nível local, existe a necessidade de partilha a nível regional, atendendo a que estamos no mesmo contexto sócio-político para o qual faz sentido todos contribuirmos, assumindo a agricultura biológica como uma componente incontornável num modelo de desenvolvimento sustentável para os Açores.

Em que se baseia, fundamentalmente?
A RPAB baseia-se no conhecimento e na prática real em agricultura biológica, sendo uma rede de contacto entre produtores, consumidores e defensores deste modo de produção.  A rede de contactos tem permitido a troca de experiências e de práticas, a partilha de informação específica, a  divulgação de eventos e de formações específicas, a discussão de assuntos legais e processuais relacionados com a certificação, tem facilitado a comunicação entre produtores e espaços de comércio e tem permitido aumentar o nível de consciência da população sobre a possibilidade de se produzir em modo biológico e sobre a importância deste modo de produção a nível ambiental e para a saúde pública.

A rede engloba quantos produtores?
A rede engloba produtores certificados, produtores “amigos do ambiente”, agentes da indústria, consumidores, entidades de certificação, investigadores, políticos, entidades envolvidas no comércio de factores de produção e todo o cidadão que pretenda partilhar e conhecer a agricultura biológica. Na base temos os produtores biológicos certificados na região Açores, cerca de 30, tendo o número total de membros aderentes ultrapassado os 900 após um ano de actividade.

Há, na região, falta de conhecimento sobre a agricultura biológica?
Ao longo dos últimos anos tem-se verificado um incremento muito significativo no número de produtores que utilizam práticas menos agressivas para o ambiente e para a saúde. O consumidor está a tornar-se cada vez mais exigente neste aspecto. Além disso, as  escolas estão a começar a integrar práticas que promovem o ensino da agricultura biológica. Em algumas escolas já há algum tempo que a agricultura biológica é trabalhada no âmbito do projecto Eco-Escolas e investigada em algumas disciplinas como as Ciências Naturais e a Biologia. Em alguns casos, existem estufas e espaços próprios de cultivo. Algumas autarquias começam também a mostrar consciência e sensibilidade para a criação de hortas urbanas biológicas. Há um caminho que tem de continuar a ser percorrido, sendo de esperar uma progressiva aceitação da agricultura biológica como uma vertente essencial numa região desenvolvida.

Nota que há descrença nesse tipo de agricultura?
O desconhecimento sobre os métodos de trabalho em modo de produção biológica e a inconsciência sobre a acção nociva dos químicos de síntese usados na agricultura convencional são dois aspectos que precisam de ser trabalhados localmente, de forma articulada entre instituições, sendo essencial o papel das escolas na formação dos futuros cidadãos.

Existem problemas no processo de comercialização de produtos biológicos?
Verifica-se uma procura crescente por produtos certificados biológicos, quer a nível regional, como no continente. E mesmo a nível de exportação, poderá existir espaço de afirmação. A produção de leite e de carne, com forte expressão na região, beneficiará muito pela diferenciação a nível biológico.

Como potenciar o desenvolvimento da agricultura biológica nos Açores?
O desenvolvimento da agricultura biológica nos Açores terá de envolver os produtores agrícolas, as suas associações agrícolas, as autarquias, as câmaras de comércio e indústria, as juntas de freguesia, os agentes políticos e todas as instituições públicas, incluindo as escolas. As ONG’s e as associações de defesa do ambiente  terão igualmente um papel importante. As mudanças resultarão de um conjunto de acções articuladas, fundamentadas e consequentes que exigem persistência e muito trabalho em equipa.

Temos um grande potencial agrícola: solos férteis e clima ameno com água em abundância, mas um dos nossos maiores problemas é a enorme quantidade de pragas, que praticamente só é resolvida com recurso a pesticidas. O que é preciso fazer para, à semelhança da Holanda, recorrer ao combate biológico, em vez desses produtos?
Os nossos solos são férteis, mas precisamos de ensinar práticas que promovam a sua preservação para as próximas gerações. As escolas e a Universidade dos Açores têm um papel fundamental na investigação e na transferência de conhecimento para a acção prática ao nível dos vários sectores da sociedade.
Os Serviços de Desenvolvimento Agrário de Ilha têm actuado ao nível do controlo, sendo necessário prosseguir com acções articuladas com outras instituições e que promovam boas práticas agrícolas efectivas no sector produtivo regional.

Enquanto defensor da agricultura biológica, é contra a entrada de organismos geneticamente modificados nos Açores...
Os organismos geneticamente modificados (OGM’s) são organismos nos quais foram artificialmente introduzidos genes que a espécie natural não possui. Como os genes interagem entre si, a sua expressão não pode ser reduzida à sequência “um gene, uma proteína, uma característica”. Com o conhecimento actual da ciência, as consequências são ainda imprevisíveis, o que justifica a precaução de não se introduzir no ambiente formas de vida “artificialmente concebidas”.
Em agricultura, conforme o regulamento da certificação, uma produção agrícola não poderá ser certificada como biológica se existir nela organismos geneticamente modificados. A experimentação não deverá ser feita com a introdução de espécies OGM’s nos Açores, mas sim apenas num local muito restrito e devidamente identificado pela empresa que realiza a investigação e desenvolvimento nesta área. Quando se pretende comercializar algo com consequências imprevisíveis, não se pode alegar experimentação para iniciar a introdução na região Açores. A polinização cruzada com espécies tradicionais conduzirá a uma situação de impossibilidade total de localizar e eliminar o gene manipulado, comprometendo a integridade genética das espécies locais e, consequentemente, inviabilizando a certificação biológica das produções. Em ecossistemas de pequena dimensão como são os insulares, é fácil entender o alcance negativo que terá a introdução de OGM’s nas ilhas dos Açores.

Considera que, actualmente, estamos perante uma ditadura financeira das empresas multinacionais?
A promoção de uma literacia ecológica será a melhor forma de termos cidadãos activos e conscientes da importância da agricultura biológica nas diversas áreas da sociedade, nomeadamente na área legislativa. As organizações públicas, na defesa do interesse comum, terão de estar estruturadas com a agilidade suficiente para afirmar uma regulação sectorial que exija o cumprimento de regras a todas as empresas independentemente da dimensão financeira das mesmas. O interesse comercial com objectivos financeiros não pode se sobrepor a um valor essencial como é a biodiversidade, pressuposto da nossa sobrevivência e reserva genética e molecular para o futuro da humanidade. Da mesma forma como não é inteligente promover a monocultura, sem salvaguardar a policultura, não é sensato reduzir a diversidade genética, nomeadamente nos vegetais necessários à alimentação humana.
Num quadro futuro de alterações climáticas com consequências incertas, uma redução na diversidade genética vegetal e    a criação artificial de combinações genéticas com consequências imprevisíveis contribuirão de forma significativa para a redução das nossas possibilidades de sobrevivência. Num horizonte mais próximo, a continuação da compra e utilização de sementes híbridas que originam plantas cujas sementes não têm o mesmo potencial da planta-mãe, resulta numa redução da biodiversidade nas espécies vegetais usadas na nossa alimentação e traduz-se numa dependência financeira crescente em relação às empresas multinacionais que nos vendem as suas sementes.

Ribeira Grande acolhe Mostra das Actividades Económicas

Ricardo Silva - mostra act económicasO presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Ricardo Silva apresentou sexta-feira aos órgãos de comunicação social, o programa das festas do concelho 2013. Para o autarca este é “um programa vasto no campo social, desportivo, recreativo e cultural”, e que se estende durante dez dias, entre o dia 21 e 30 de Junho.
Pela primeira vez, a Câmara Municipal da Ribeira Grande, em parceria com a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta delgada realizará a Mostra das Actividades Económicas, uma iniciativa que para Ricardo Silva “pretende dinamizar o comércio local e dar a conhecer a quem nos visita, os produtos e serviços existentes, no nosso concelho e na i lha de São Miguel”, no Pavilhão Fernando Monteiro.
Um dos pontos altos das festas são as cavalhadas, no dia 29 de Junho, feriado municipal e as cavalhadas infantis que se realizam pelo quinto ano consecutivo.
De acordo com nota da autarquia, este ano, a sessão solene comemorativa do 32.º aniversário de elevação da Ribeira Grande a cidade decorrerá no dia 30 de Junho, no Teatro Ribeiragrandense, onde serão condecoradas instituições e personalidades, nomeadamente, António Ribeiro Casanova, Banda do Santíssimo Salvador do Mundo da Ribeirinha, Casa do Povo da Maia e Casa do Povo do Pico da Pedra.
No mesmo dia, e ainda no âmbito das comemorações, será atribuído o diploma de cidadão honorário a João Bosco Mota Amaral, actual Deputado à Assembleia da República.
O programa das festas engloba diversas actividades desportivas, como são o caso do torneio de veteranos, uma homenagem a José Teixeira Gaipo, o passeio de bicicleta, o 5.º torneio de judo da cidade da Ribeira Grande e o torneio quadrangular de futebol benjamins e infantis da cidade da Ribeira Grande. No que concerne às actividades culturais, o programa prevê a realização de três exposições.
No dia 23 de Junho, o concelho recebe o humorista e cantor Francisco Menezes, que participou no programa da TVI “a tua cara não me é estranha”.
Um outro momento importante das festas do concelho da Ribeira Grande é o desfile das Marchas de São Pedro, no dia 28 de Junho, e que este ano conta com 13 grupos da Ribeira Grande, Lagoa e Vila Franca do Campo.
As festas encerram a 30 de Junho, um dia dedicado ao comércio onde haverá animação de rua. Neste dia realizar-se-á o Cortejo processional de Coroas e Bandeiras do Espírito Santo do concelho, seguido da distribuição de sopas no Jardim Municipal.

Dinâmica das redes globais e locais em discussão na Universidade dos Açores

UAçA Universidade dos Açores acolhe na próxima semana, de 16 a 18 de Junho, a XII edição da conferência NECTAR 2013 Internacional Conference - Dynamics of Global and Local Networks.
Trata-se de uma iniciativa do Centro de Estudos de Economia Aplicada do Atlântico (CEEAplA) do Departamento de Economia e Gestão, em parceria com a APDR – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional.
Segundo nota da academia açoriana, o encontro conta com a presença de vários convidados de renome internacional na área das políticas de transportes, políticas regionais, redes de comunicação e de transportes, nomeadamente, Roger R. Stough (Vice President for Research and Economic Development, George Mason University), Ken Button (Professor of Public Policy at the George Mason School and Director, Center for Transportation, Policy, Operations and Logistics), Peter Nijkamp (VU University Amsterdam).
Conta ainda com a realização de várias sessões paralelas com a participação de cerca de 140 investigadores provenientes da Europa, América, Ásia, África e Oceânia, na área de redes de transportes e de comunicação.
“Pela diversidade e qualidade dos oradores plenários e das comunicações que serão apresentadas, é uma ocasião única para conhecer o papel e evolução das redes de transporte e de comunicações, global e transatlânticos, bem como regional e local, com ênfase no contexto de territórios periféricos e as redes locais”, lê-se no comunicado.