Subida de Mordomo do Império da Trindade acaba em pancadaria...

espirito santoUm pouco por todas as ilhas celebra-se o Divino Espírito Santo com muita fé, devoção e empenho de centenas de pessoas. No passado domingo no decorrer das sortes e domingas do Império da Trindade na Canada Padre Joaquim, na freguesia de São José, assistiu-se a um cenário vergonhoso que mancha o bom nome do povo açoriano que muito honra e respeita o Divino Espírito Santo.
Pouco passava das 23 horas quando os actuais Mordomos se dirigiram para o teatro do Império da Trindade com o objectivo de realizar as sortes. Após serem conhecidas as domingas do próximo ano uma das actuais mordomas dirigiu-se ao público a reclamar mais um ano na pose do Império da Trindade. Esta foi uma situação que levou à contestação da outra mordoma bem como do público presente que originou o exalto dos ânimos assim como a troca acessa de insultos e acusações.
A situação agravou-se de tal forma que a coroa foi colocada nas mãos de um jovem e da troca de palavras passou-se a acusações, gritos, pancadaria e agressões que atingiram de forma violenta e feroz adultos e crianças. Perante tal cenário fecharam-se as portas do Império da Trindade da Canada Padre Joaquim sendo que a Coroa e respectiva Bandeira seguiram para casa do titular da primeira dominga.
Momentos depois chegou ao local cerca de 15 agentes da PSP munidos de armas e cacetetes de forma  a tomar conta da desordem pública e resolver tudo da melhor forma. À chegada da PSP a situação estava mais calma não existindo registo de qualquer detenção. No entanto, a PSP registou a prática de um crime de ofensa à integridade pública pela agressão a uma pessoa que ficou em apresentar queixa na esquadra.
Ao que foi possível apurar da ocorrência resultou 1 ferido que foi encaminhado pelos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada para o hospital Divino Espírito Santo.
No meio dos populares presentes no local foi possível apurar que já não é a primeira vez que a subida de Mordomo origina discussões e agressões. Para já não se sabe quem são os Mordomos do Império da Trindade da Canada Padre Joaquim existindo apenas a certeza que uma das mordomas irá levantar sozinha  no próximo ano o Império das Crianças na Canada Padre Joaquim.

Sistema de referenciação de vítimas de crime abrangeu mais de uma centena de pessoas

idoso-sozinhoO sistema de referenciação de vítimas de crime, um projeto piloto da Associação de Apoio à Vítima (APAV) que arrancou há um ano em Ponta Delgada já abrangeu mais de uma centena de pessoas.
Helena Costa, da APAV/Açores, revelou ontem à Lusa que este sistema inédito no país “abrangeu mais de 100 vítimas de violência doméstica e no namoro, ofensas à integridade, furtos, danos e roubos”.
“Na altura da apresentação da queixa, a PSP informa a vítima de que tem direito a serviços gratuitos de apoio, preenchendo um folheto com a sua identificação, uma descrição do sucedido e a autorização para o contacto da APAV”, afirmou Helena Costa, acrescentando que as vítimas podem ter apoio psicológico, social e jurídico.
O projeto, que arrancou em Maio de 2011 em Ponta Delgada, está também a funcionar há cerca de um mês na Lagoa, em S. Miguel, admitindo Helena Costa, que o objectivo é abranger mais uma esquadra policial todos os anos.
A APAV vai também arrancar em breve nos Açores com a campanha ‘Corta com a Violência’, já lançada no continente, que é dirigida aos jovens e pretende sensibilizar contra a violência através da comunicação social, com folhetos, cartazes e posters.
Helena Costa salientou que a APAV/Açores recebe “relatos e denúncias” de situações de violência no namoro que são muitas vezes desvalorizadas pelos jovens, mas que “evoluem” com o relacionamento e “persistem no tempo”, até chegarem à violência doméstica.
Nesse sentido, defendeu a necessidade de uma abordagem preventiva “em tempo útil”.
Paralelamente, a APAV vai também realizar nas escolas peças de teatro sobre violência no namoro, ‘bulling’ (violência psicológica ou física em espaço escolar) e consumo de substâncias psicoativas, estando a primeira sessão prevista para a Lagoa, no início do próximo ano lectivo.

Marinho Pinto denuncia que “poder político nos Açores favorece alguns escritórios de advogados”

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O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, afirmou ontem, em Ponta Delgada, que o poder político nos Açores tem favorecido “alguns escritórios de advogados”, defendendo a necessidade de “transparência” nos processos de contratação destes profissionais.
“Os poderes do Estado e da Região devem contratar advogados de acordo com as regras da transparência, da mesma forma que contratam prestadores de outros serviços ou adjudicam obras públicas, por concurso público”, frisou Marinho Pinto, acrescentando ter conhecimento de que “nos Açores tem havido algumas manigâncias no sentido de favorecer alguns escritórios de advogados contra a maioria dos advogados desta Região Autónoma.”
Segundo a agência Lusa, Marinho Pinto, que falava aos jornalistas à margem da conferência ‘Passado, presente e futuro da advocacia portuguesa’, lamentou que “comece a haver sinais preocupantes deste tipo de distúrbios nos Açores.”
No entanto, o bastonário referiu que, apesar de Portugal ter a menor criminalidade violenta da Europa Ocidental, possui “a maior taxa de reclusão da UE por habitante”, acrescentando que, nesta área, os Açores destacam-se pela negativa.
“Os Açores têm quase o dobro da reclusão de Portugal e Portugal tem a maior taxa de reclusão da UE por habitante. Os magistrados têm de pensar nisso. Não se podem atirar pessoas para a cadeia por dá cá aquela palha como se tem feito e como se quer fazer mais”, afirmou.
Marinho Pinto considerou ainda que os reclusos açorianos cumprem uma dupla pena, já que não existe capacidade na Região para acolher todos os reclusos do arquipélago.
“Os presos dos Açores cumprem duas penas. Uma pena de prisão como qualquer delinquente mas, depois, muitos deles cumprem uma pena de degredo porque vão cumprir as penas de prisão fora da região, longe das famílias e dos amigos”, frisou, acrescentando ser conhecida “a importância das famílias na recuperação social dos delinquentes”.
Por isso mesmo, admitiu que “muitos deles saem da cadeia pior do que entraram.”

Governo recorre aos tribunais para garantir cumprimento do contrato de concessão da RTP/Açores

rtp-aO Governo Regional reiterou ontem a decisão de recorrer aos tribunais para garantir o cumprimento das obrigações da televisão pública na região, que considera serem impostas pelo contrato de concessão a que a RTP está vinculada.
“A confirmar-se a reestruturação da grelha e a concentração da emissão [na RTP/Açores] da produção regional em horário vespertino – que será aplicada, ao que sabemos, já na próxima semana – avançaremos com uma providência cautelar e com uma acção judicial que garanta o cumprimento do contrato de concessão de serviço público de televisão”, afirmou André Bradford, Secretário Regional da Presidência.
André Bradford, que falava em Ponta Delgada na abertura de um colóquio sobre ‘Serviço Público: Limites e Desafios’, promovido pela Universidade dos Açores, frisou que compete ao Estado assegurar o funcionamento no arquipélago de um canal público de televisão com programação autónoma.
De acordo com a agência Lusa, para o Secretário Regional, a existência da RTP/Açores, nas suas valências de televisão e rádio, “não se trata de um capricho dos açorianos, nem de uma despesa para a República, mas de uma obrigação do Estado – inclusivamente do ponto de vista da igualdade de direitos – garantindo o acesso à informação e a entretenimento que traduzam a identidade açoriana”.
Na sua intervenção, contestou a argumentação de carácter financeiro como fundamento para a concentração da emissão de programação própria nas emissões da RTP/Açores, alegando que o canal regional registou em 2011 um resultado operacional positivo de 1,9 milhões de euros.
“A RTP/Açores recebe hoje do orçamento da RTP a nível nacional cerca de 11 milhões de euros e a RTP/Madeira cerca de nove milhões”, afirmou, contrapondo esses valores aos 233,4 milhões de euros atribuídos à empresa e aos 520 milhões de euros de dívidas que serão assumidas pelo Estado em nome da televisão pública até Julho.
André Bradford frizou  ainda que, desde que se começou a debater a necessidade de concentração do horário de emissão da televisão açoriana, “nunca o ministro da tutela ou o Conselho de Administração da RTP demonstraram a ‘poupança’ que uma medida deste tipo introduziria nos objectivos orçamentais e nunca se prestaram a debater com os órgãos do Governo próprio dos Açores mecanismos de gestão que conduzissem, esses sim, aos mesmos objectivos sem necessidade de acções tão atentatórias da autonomia e da capacidade de acção da RTP/Açores”.

Famílias sem aumento do volume de incumprimento bancário

bankAs famílias açorianas que contraíram empréstimos para habitação conseguiram no 1º trimestre do ano não aumentar o volume de incumprimentos em relação ao trimestre anterior, ficando assim em linha com a tendência nacional. A variação trimestral manteve-se inalterada no país, e também nas regiões do Alentejo, Grande Lisboa, e no Norte.

Segundo o Boletim Estatístico Mensal do Banco de Portugal, para além deste dado positivo, as famílias açorianas com crédito à habitação mantêm a mais baixa percentagem de crédito vencido, que nos Açores se situa em 1,4%, enquanto que a média nacional é de 2%. Em incumprimento estão neste momento 38,9 milhões de euros, dos 2.777 milhões de euros alocados em crédito à habitação na Região.
Quanto ao crédito ao consumo, a variação, sem ser tão positiva, conseguiu manter-se. A percentagem de crédito vencido aumentou 3,3% no 1º trimestre do ano, situando-se agora nos 9,4%, o que representa cerca de 79 milhões de euros em incumprimento, dos 841 milhões alocados a este segmento.
Mas apesar deste crescimento, também a este nível o peso do incumprimento nos Açores é o menor do país, onde a média é de 10,8%. Abaixo dos 10% apenas estão os Açores e a região Centro.
O único problema é que os Açores continuam endividados neste tipo de crédito acima da média nacional. No país, cada devedor tem um crédito médio de 7.974 euros, enquanto que nos Açores ele é de 8.614 euros, ou seja, cerca de 8% acima da média nacional. Apenas nas regiões do Alentejo e Grande Lisboa a média é superior à dos Açores.
O sobre-endividamento ao nível do crédito ao consumo é também visível no peso dos créditos regionais no todo nacional. Ao nível da habitação, as famílias açorianas devem cerca de 2,35% do total nacional, o que está em lilnha com a nossa taxa populacional. Já em relação ao crédito ao consumo, o peso dos Açores é de 2,82% do total nacional.