CGTP-IN/Açores adere à greve geral

Greve Geral PDLA Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses nos Açores (CGTP-IN/Açores) vai aderir à greve geral agendada para hoje.
Segundo um comunicado de imprensa veiculado pela União de Trabalhadores de São Miguel e Santa Maria, à semelhança do que vai acontecer a nível nacional, a greve geral terá expressão de rua, com duas concentrações de dirigentes delegados e activistas sindicais, às 15 horas. Em Ponta Delgada decorrerá nas Portas da Cidade e, na Horta, no Largo do Infante. 
No mesmo comunicado,  a estrutura sindical afirma que “todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras deste país estão a ser contínua e profundamente atacados nos seus direitos, conquistados com muito sacrifício e determinação”, acrescentando ser “possível aumentar os salários, para dinamizar o consumo e fazer crescer o mercado interno, “aumentar a produção nacional para criar emprego e gerar riqueza para o país” e “renegociar a dívida nos seus juros, prazos e montantes”.

Mais de metade dos doentes com cancro na boca chega ao hospital numa fase muito avançada da patologia, revela especialista

Joaquim Amaral - otorrino1Em média, surgem no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, 34 novos casos de cancro da cabeça e do pescoço por ano. Destes, 17 são cancros da boca. São números “preocupantes” quando comparados com a realidade a nível nacional, segundo revela Joaquim Amaral, otorrinolaringologista da unidade hospitalar de Ponta Delgada.
Em entrevista ao Diário dos Açores, o especialista afirma que apesar de ter havido uma diminuição no número de casos em 2012, a tendência é de crescimento.
O cancro da boca é definido pela Classificação Internacional de Doenças como um conjunto de tumores malignos que afectam qualquer zona da cavidade oral, desde os lábios à garganta, incluindo as amígdalas e a faringe. A sua localização mais comum é abaixo da língua, no bordo lateral da língua e no palato mole. Trata-se do sexto cancro mais comum em todo o mundo.
No hospital de Ponta Delgada, que recebe casos de São Miguel e Santa Maria, cerca de 30% das pessoas que sofrem de cancro da cabeça e do pescoço acabam por morrer, mas, no que toca apenas ao cancro da boca, a percentagem aumenta. Os elevados índices de mortalidade, devem-se em grande parte ao seu diagnóstico tardio. “Infelizmente, temos estatísticas recentes que comprovam que mais de metade dos nossos doentes vêm numa fase que quase não tem tratamento. Chegam com o cancro num estado já muito avançado”, frisou o médico que acrescentou tratar-se de “um tumor bastante agressivo que, se não for tratado atempadamente, pode levar à morte”.
“Quanto mais cedo for detectado, melhor será o tratamento, porque uma das características dos tumores da boca é que, quando detectados precocemente, são facilmente tratáveis, não deixando grandes sequelas para o futuro. Se detectados antes que haja metastização, ainda melhor”, salientou.
O cancro da boca pode manifestar-se de diferentes formas. A maior parte das vezes surge através de uma lesão, pode ser uma lesão ulcerada, “como se fosse uma escavação”, ou vegetativa, “que aparece por fora da boca”, normalmente de cor branca ou vermelha. Além disso, pode surgir com ou sem dor e ser mais ou menos visível, pelo que Joaquim Amaral salientou a necessidade de se ficar alerta quanto ao surgimento de possíveis sintomas.
“Sempre que surja uma lesão na boca que dure mais do que quinze dias, esta lesão deve ser investigada porque podemos estar na presença de um tumor. Há que haver, nestes casos, um grande grau de suspeição”, sublinhou.
O excessivo consumo de tabaco e de álcool são as principais causas da patologia. O aumento do número de casos que têm surgido de cancro da boca, está associado ao facto de os hábitos etílicos e de consumo de tabaco da população estarem também a crescer. Segundo o otorrinolaringologista, os indivíduos que fumam ou bebem, “procuram pouco os médicos por iniciativa própria”, o que contribui para os elevados casos de diagnóstico tardio da patologia. Além disso, referiu, “a má higiene dentária e os problemas de nutrição que podem surgir devido ao álcool, favorecem o crescimento mais rápido destes tumores”. “Às vezes, algumas lesões nos dentes vão originando lesões maiores na língua”, exemplificou.
A acessibilidade a cuidados de saúde primários ou à medicina dentária, “que nem sempre é a melhor”, bem como a falta de informação das pessoas são outros factores que contribuem para o atraso na detecção da doença. “Se a população conhecesse os sintomas de um cancro da boca, mais rapidamente procuraria um médico e mais facilmente seria feito o tratamento”, explicou o especialista.
Desde o diagnóstico ao tratamento da doença, Joaquim Amaral salientou o papel “essencial” que desempenham os dentistas e médicos de família em todo o processo.
“Os médicos dentistas e os médicos dos centros de saúde, de medicina geral e familiar são essenciais neste papel. É por eles que passa a maior parte destes doentes e é com muita ajuda deles que conseguimos ter resultados relativamente bons na região, para estes doentes”, realçou, afirmando que o tratamento no hospital de Ponta Delgada é já “o fim da linha”. “É essencial que esta triagem seja feita por eles e depois nos seja comunicada, para que possamos dar uma resposta rápida no tratamento”.
Além do tabaco e do álcool, também infecções virais, como é o caso do Vírus do Papiloma Humano, podem ser um factor de risco para o surgimento de tumores na boca. De acordo com Joaquim Amaral, este virus, que pode ser transmitido sexualmente, tem feito surgir a patologia em doentes mais novos que o habitualmente registado.
O cancro da boca surge com mais frequência em homens com idades compreendidas entre os 50 e os 70 anos. No hospital de Ponta Delgada, em média, 90% dos casos surgem em homens, sendo que o doente mais velho tem 93 anos e, o mais novo, 41.
No entanto, Joaquim Amaral frisou que esta realidade da incidência tem vindo a mudar. “Cada vez mais temos tumores destes a surgir no sexo feminino, o que era raro até relativamente pouco tempo” e “em idades mais precoces, entre os 40 e os 45 anos”, afirmou. Uma situação que tem se verificado entre os últimos cinco ou seis anos.
“A nossa boca tem várias funções, serve para comer, falar, para respirar. Portanto, sempre que há uma afecção na boca, pode causar alterações na fala, na alimentação e na respiração, se o nariz ficar também afectado”, disse o médico, pelo que a pessoa que sofre de cancro da boca fica com a vida limitada.
Recentemente foi divulgado que, a nível nacional, iria arrancar ainda este ano o rastreio ao cancro da boca. No caso dos Açores, os rastreios são realizados não especificamente com vista a detectar a patologia na boca, mas no geral, ou seja, na zona da cabeça e pescoço.
“Nós temos feito alguns rastreios para tumores da cabeça e pescoço. Aproveitamos, normalmente, o dia 16 de Abril, que é o Dia Mundial da Voz, e praticamente todos os anos temos feito algum tipo de rastreio para despiste de tumores”, disse o médico.
No entanto, Joaquim Amaral frisou a necessidade destes rastreios abrangerem toda a população, o que não é possível.
“Os rastreios devem ser tendencialmente universais, portanto, devem abranger toda a população interessada e nós não temos a capacidade logística para o fazer. Mas fazemos o possível, dentro das nossas capacidades”.
Não havendo condições para alcançar toda a população, o rastreio ao cancro da boca acaba por não ser um meio eficaz para prevenir a patologia. “Ou estamos sempre a rastrear, ou, caso contrário, torna-se um pouco limitado, porque não se consegue, durante o resto do ano, ter informações sobre as pessoas que não tiveram acesso ao rastreio”, referiu.
A ligação entre médicos dentistas, de família é, segundo o médico, uma forma mais eficiente de diagnosticar novos casos.
“Todos os doentes em que os colegas dos cuidados de saúde primários tenham alguma dúvida sobre um possível tumor, rapidamente entram em contactado com o hospital e, na mesma semana, conseguimos tirar esta dúvida e iniciar rapidamente o tratamento, se for necessário. Porque efectivamente é a melhor maneira de tratar”.
Joaquim Amaral explicou que rastrear um cancro na boca “é muito fácil”, por ser através de “observação directa”. “Nem precisa de exames complementares. Uma observação boa da boca, de toda a cavidade oral normalmente é o suficiente para se detectar estes tumores e, depois, havendo suspeita, as pessoas são encaminhadas para uma consulta de otorrinolaringologia ou de outra especialidade relacionada com a cabeça ou boca”.
Quanto à forma de tratamento da doença, a cirurgia será a melhor opção.
“Havendo a confirmação de que há um tumor maligno na boca, optamos preferencialmente pela cirurgia. A cirurgia e a reconstrução logo a seguir é o melhor tratamento que existe para um cancro da cabeça e pescoço, onde está incluído o cancro da boca.
A quimioterapia ou a radioterapia surgem como “método complementar ou alternativo à cirurgia”.
Mesmo quando detectado precocemente, e apesar de ser de fácil tratamento, existe sempre um risco de reincidência, pelo que os doentes  devem ser “acompanhados para a vida” por um médico, tendo em conta ainda o facto de o cancro poder reaparecer em outras localizações.
“Temos que pesquisar quer a recidiva ao nível da boca, quer numa segunda localização”, disse, acrescentando que “normalmente a lesão que levou ao surgimento do tumor na boca, tem os mesmos factores de risco para tumores da laringe, do esófago, de pulmão e de outras localizações”.
“Às vezes acontece termos dois ou três tumores ao mesmo tempo ou em fases diferentes a aparecerem noutras localizações”.
A concluir a entrevista com o Diário dos Açores, o especialista em otorrinolaringologia do hospital de Ponta Delgada deixou  alguns conselhos para sensibilizar a população quanto aos sintomas e causas do cancro da boca.
“Primeiro, é necessário não desvalorizar o aparecimento de lesões. Sempre que houver uma lesão suspeita na boca que dure mais que 15 dias, deve ser investigada. Deve-se procurar rapidamente um médico para se iniciar todo o processo. Evitar o tabaco, evitar o álcool, ter uma boa higiene dentária, procurar ser tratado regularmente por um dentista, ter uma boa nutrição. Depois, ao nível dos cuidados de saúde, basta os dentistas e médicos dos cuidados de saúde dentária terem esta atenção e ligarem-nos porque nós estamos cá para rapidamente tratar estes tumores”.

Onze detidos nos Açores por condução sob efeito do álcool

psp coresA Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve no passado fim-de-semana 11 indivíduos nos Açores, com idades compreendidas entre os 19 e os 61 anos, por condução de veículo automóvel sob a influência de álcool.
Nove das detenções foram efectuadas na ilha de São Miguel, sendo que as restantes duas ocorreram na Terceira e na Graciosa.
A informação foi divulgada no relatório de actividade policial da PSP, relativo ao fim-de-semana de 21 a 23 de Junho.
  A PSP deteve ainda, em Ponta Delgada, um homem, de 39 anos de idade, pelo crime de desobediência por estar impedido de conduzir pelo período de 12 horas.
Ainda em Ponta Delgada, a polícia deteve em flagrante delito, um homem, de 41 anos de idade, pelo crime de furto em interior de veículo, e outro, de 35 anos de idade, por ameaças e coacção a Agente da Autoridade no exercício das suas funções.
Por este último motivo, foi também detido um homem de 28 anos de idade, na Ribeira Grande, outro em Rabo de Peixe, de 41 anos, e um terceiro, em Angra do Heroísmo, de 19 anos.

Detido traficante de droga em Vila Franca
Já em Vila Franca do Campo, no âmbito de diligências de investigação, e após buscas à residência, foi detido um homem de 36 anos de idade, pelo crime de tráfico de estupefacientes e de detenção de arma proibida. Ao indivíduo foram-lhe apreendidas duas plantas de “cannabis”, seis doses de “haxixe” e uma arma proibida.
Jovens de 15 e 18 anos anos apanhados com droga
A PSP, de Angra do Heroísmo apreendeu a um menor do sexo masculino de 15 anos de idade, sete doses de “liamba” sendo elaborado o respectivo auto de ocorrência. O mesmo aconteceu com um jovem de 18 anos de idade, a quem lhe foram apreendidas duas doses de “haxixe”.
No âmbito de actuação da Esquadra de Santa Cruz da Graciosa foi realizada uma operação de fiscalização rodoviária, na qual foram fiscalizados 13 veículos e detectadas três infracções de natureza contraordenacional, nomeadamente, por condução de veículo automóvel sob o efeito de álcool (0,98 g/l), uma infracção por condução sem utilizar o cinto de segurança e uma infracção por circular em trânsito proibido.
O relatório da PSP aponta a ocorrência de 26 acidentes de viação nos Açores, entre os dias 21 e 23 de Junho, dos quais resultaram dois feridos graves, nove ligeiros e danos materiais.

Pais preocupam-se cada vez mais com saúde oral dos filhos

Dentista - criançaA ida ao dentista nos Açores era vista, até há pouco tempo, como uma prática interventiva de último caso, associada apenas à dor e à infecção, mas o que se tem verificado nos consultórios é uma preocupação crescente, especialmente por parte dos pais, em procurar um especialista para cuidar da saúde oral dos seus filhos. Apesar de não ser ainda uma atitude reflectida pela maioria das pessoas, as médicas Marta Sousa Lima e Catarina Soares, profissionais na Clínica de São Gonçalo, explicam os cuidados a ter com a higiene oral dos bebés e das crianças, que dizem ser de “extrema importância” para o crescimento do indivíduo

A partir de que idade a criança deve ir ao dentista?
A primeira ida ao dentista deve ser feita mal erupcionem os primeiros dentes decíduos, ou dentes de leite, de modo a que o médico dentista possa estabelecer junto dos pais um plano preventivo de Saúde Oral para o seu filho e interceptar hábitos prejudiciais ao bom desenvolvimento da sua cavidade oral.
Não havendo a possibilidade de ir a esta consulta, deve-se ir pelos dois anos de idade. É uma consulta de extrema importância, que deve e tem de ser desmistificada. Em prol desta desmistificação é fundamental que nós, médicos dentistas, consigamos estabelecer uma relação de cumplicidade e confiança com a criança; por isso, nesta primeira consulta, para além de uma conversa amigável, com palavras adequadas e abordagem tranquila, os procedimentos devem ser ligeiros e completamente indolores, aumentando gradualmente o tratamento nas consultas seguintes, mas sempre num curto espaço de tempo sem cansar a criança. É primordial que a criança sinta prazer em ir ao consultório.

Como prevenir o aparecimento de cáries na infância?
A prevenção de cáries é feita através da manutenção de uma boa higiene oral e de uma alimentação saudável e equilibrada. Uma boa higiene oral depende não só da técnica de escovagem utilizada, mas também da frequência com que esta escovagem é feita. Nas crianças em particular existem as denominadas cáries precoces da infância. Estas devem ser prevenidas através da aplicação de um conjunto de medidas como: incentivar a amamentação materna, mais ou menos, até aos seis meses de idade; colocar apenas leite ou água no biberão e oferecer à criança, sobretudo, durante o dia e nunca quando esteja a dormir; não colocar líquidos açucarados no biberão nem na chupeta; mesmo antes dos primeiros dentinhos erupcionarem devemos promover a sua higiene com gaze humedecida e quando iniciar a erupção usar dedeira ou escova macia, idealmente após as refeições.

Como podem os pais gerir as “guloseimas” que os filhos ingerem?
As goluseimas atraem as crianças como um íman e os pais não conseguem nem devem erradicar por completo o seu consumo. Contudo, este consumo tem de ser feito de forma moderada. Deve ser feito preferencialmente no fim das refeições e restrito a ocasiões festivas. Nunca diariamente.
A frequência de ingestão de alimentos açucarados e a altura em que essa ingestão é feita influenciam directamente o risco de desenvolver cárie dentária.

Como deve ser efectuada a escovagem dentária na criança? Pode usar o fio dentário?
A higiene oral tem início logo ao nascimento, mesmo antes de surgir o primeiro dente. Com o uso de dedeiras, compressa ou uma fralda embebida em água fervida devem-se fazer movimentos delicados, sem pasta dentífrica, nas gengivas, bochechas e língua do bebé de forma a remover a placa bacteriana, duas vezes por dia, sendo uma delas antes de deitar. Desde a erupção dos primeiros dentinhos até aos seis anos devem ser executados suaves movimentos de rotação sobre cada face dentária, dente a dente, utilizando uma pasta fluoretada cuja quantidade não deverá exceder o tamanho do dedo mindinho da criança. No final, pode ser executada a escovagem da língua, desde a base até à ponta. Nesta fase é fundamental a ajuda dos pais.
A partir dos seis anos, a criança já adquiriu alguma destreza e deve começar a adoptar uma técnica de escovagem mais completa, muitas vezes ainda com o auxílio dos pais: deve inclinar a escova em direcção à gengiva num ângulo de 45º e fazer pequenos movimentos horizontais e vibratórios, tipo vaivém ou circulares, de modo a que as cerdas da escova limpem o sulco gengival (espaço que fica entre o dente e a gengiva); deve escovar dois dentes de cada vez e as superfícies da mastigação, fazendo movimentos curtos tipo vaivém; e no final, deve escovar a língua suavemente. A quantidade de pasta de dentes com flúor não deverá exceder o tamanho de uma ervilha. Nunca é de mais reforçar. A escovagem demora dois a três minutos.
Desde que tenha destreza para tal, a criança pode e deve usar fio dentário. Normalmente, a partir dos oito anos a criança já consegue utilizar de forma correcta o fio dentário.

De que forma podemos incentivar as crianças a lavar os dentes?
Efectivamente, a criança tem de ser motivada. Por vezes, é uma tarefa trabalhosa que exige paciência e criatividade. É necessário insistir! Os pais não podem e não devem deixar a criança vencer por uma birra ou crise de choro; até porque, com insistência, a dificuldade acaba por se tornar numa rotina e, muitas vezes, num motivo de festa chegada a hora de ir para a frente do espelho.
O hábito da escovagem pode ser algo divertido.  As escovas de formato de animais e coloridas ajudam bastante, pois para além de atraírem pela aparência, têm um formato mais pequeno, sendo mais adequadas pelo tamanho e pelas cerdas macias.
A leitura de livros de histórias sobre a Saúde Oral também motiva muitas crianças.
Brincar com a Fada dos Dentes pode, de igual modo, ser engraçado. Os dentes começam a abanar pelos cinco/seis anos, podendo esta ser uma fase excitante, pois têm a esperada Fada dos Dentes que ao encontrar o dentinho debaixo da almofada deixa uma recompensa mágica pela perda do mesmo. Aí os pais podem brincar e dizer que só haverá recompensa mágica se os dentinhos estiverem sempre muito bem lavados.
Poderá ser um momento de família. Poderão escovar os dentes juntos, os filhos podem escovar os dentes dos pais e vice-versa. Nesta hora, os pais podem também verificar se os filhos estão a executar bem as técnicas de escovagem e, sempre que possível, terminada a escovagem, devem elogiá-los pelo feito.
É importante referir que os pais têm de dar o exemplo. É mais fácil para a criança tornar a escovagem rotina se esta observar que a restante família, após as refeições, escova os dentes, usa fio dentário e escova a língua. Os pais tornam-se o exemplo, o espelho para os filhos!

Quais as causas para a ocorrência de alterações da cor dentária nas crianças?
São várias as causas que podem levar à alteração da cor dentária. Entre elas, uma higiene oral deficitária, a existência de pigmentos extrínsecos de origem bacteriana ou alimentar, lesões de cárie, traumatismos e perturbações que afectem a formação do esmalte e da dentina.

Uma boa Saúde Oral durante a gravidez é importante?
Claro que sim! As grávidas constituem um grupo de pacientes que requer atenção e cuidados específicos no que respeita ao tratamento dentário. Muitas vezes esses cuidados são negligenciados devido à baixa percepção de necessidades e à falta de informação.
Durante a gravidez, a mulher está propensa a um maior risco de desenvolver cáries devido ao aumento do consumo de substâncias ricas em hidratos de carbono e açucares, bem como o aumento da frequência e da quantidade da dieta, sem, contudo, alterar a frequência com que faz a sua higiene oral.
A grávida tem as suas preocupações centradas na própria gravidez e amamentação, ficando vários meses sem se dirigir ao médico dentista para controlo e/ou tratamento adequado. Frequentemente há mesmo défice nos cuidados com a higiene oral. Estas situações, a par com a susceptibilidade que referi, podem levar a um aumento da actividade cariogénica e da incidência de doenças periodontais. Efectivamente, é comum neste grupo de pacientes o aparecimento de uma patologia oral denominada de gengivite gravídica. Apesar de ser uma patologia reversível, quando não tratada pode evoluir para estádios mais avançados, podendo mesmo ocorrer um aumento da mobilidade dentária.
Por todas estas razões, a grávida deve manter sempre uma boa Saúde Oral, reforçando os seus hábitos de higiene oral.

Qual é a altura mais oportuna para a grávida se dirigir a uma consulta de medicina dentária?
Durante a gravidez, a grávida pode, ao contrário do que os mitos ditam, ser submetida a tratamento dentário. Contudo, nos casos de tratamentos mais complexos ou extensos e demorados, e não sendo de total urgência, poder-se-á agendá-los para um período pós-parto.
Os tratamentos invasivos devem ser evitados, se possível, no primeiro trimestre da gravidez por ser um período onde poderá haver um maior risco de prejudicar o normal desenvolvimento do feto, assim como na segunda metade do terceiro trimestre, onde existe um maior desconforto por parte da grávida e maior risco de parto prematuro. A melhor fase para o tratamento dentário é o segundo trimestre da gravidez, no qual a organogénese está completa, o feto já desenvolvido e a grávida sente-se mais confortável.
É aconselhável uma consulta de higiene oral no final do último trimestre.

Os cuidados devem ser redobrados numa criança que pratica desporto, na eventualidade de haver lesões nos dentes ou nos tecidos orais?
Sim. As crianças que praticam desporto, principalmente modalidades de contacto como o judo, boxe, karaté, futebol, andebol, entre outros, devem ter cuidados redobrados de forma a prevenirem traumatismos faciais e dentários. Os traumas desportivos são mesmo a terceira maior causa de traumatismos faciais.
A melhor forma de prevenir este tipo de trauma é através do uso de protectores bucais. São dispositivos que funcionam como almofadas, distribuindo forças durante o golpe e prevenindo, não só a laceração e equimose dos lábios e bochechas durante o impacto, como também a fractura e avulsão dos dentes. Existem três tipos de protectores bucais; os pré-fabricados de tamanhos pré-definidos, os pré-fabricados termoplásticos e os produzidos pelo médico dentista. Os dois primeiros são de difícil adaptação à arcada dentária, interferindo na fala, respiração e tensão dos músculos faciais, ao passo que o produzido pelo médico dentista é de melhor adaptação, uma vez que previamente é feito um molde com a impressão exacta da arcada dentária a receber o protector bucal.

Como analisam a Saúde Oral na região?
Se falarmos em termos concretos, provavelmente não seremos as pessoas mais indicadas para analisar esta questão. Contudo, de um modo geral, podemos afirmar que a região tem lutado e tem conseguido, com sucesso, promover a Saúde Oral dos seus habitantes. Temos Centros de Saúde bem equipados e com médicos dentistas a exercer, que conseguem chegar a muitas famílias mais carenciadas que de outra forma não teriam acesso ao tratamento dentário. Claro que teremos sempre muito para colmatar.
Como entidade privada, na nossa equipa sentimos que a maioria dos pais se preocupa cada vez mais em apostar na prevenção da Saúde Oral do seu filho; evitar a dor, evitar a cárie e apostar num tratamento preventivo. Com base nessa procura, lançamos ainda este mês o programa de Acompanhamento de Saúde Oral Infantil onde o principal objectivo é orientar e motivar a criança a escovar os seus dentes e a utilizar o fio dentário, sem qualquer custo.

Mas, consideram que existe uma lacuna nos Açores relativamente à Saúde Oral, tornando-a uma prática interventiva de último caso, associada apenas à dor e infecção?
Como acabamos de referir e, segundo a nossa experiência, cada vez mais os pais procuram a prevenção em detrimento dessa prática interventiva de último caso associada à dor e infecção. É uma realidade que felizmente tem vindo a crescer nos nossos consultórios, mas temos  a noção de que, infelizmente, ainda não é a maioria que actua preventivamente. Há vários factores de origem sócio-económica e mesmo culturais que contribuem para que assim o seja, mas voltamos a frisar que a região e os médicos dentistas, em particular, muito têm feito para inverter essa situação.

O que a vossa clínica tem  feito, em concreto, para promover a Saúde Oral?
A clínica de São Gonçalo tem conseguido, como equipa multidisciplinar, chegar um pouco mais perto da população. Temos feito acções de sensibilização e promoção da Saúde Oral em creches, colégios, escolas preparatórias e secundárias, instituições carenciadas, lares de idosos, entre outros. Temos acompanhado várias crianças em condições sócio-económicas difíceis e é muito gratificante poder contribuir para a melhoria da Saúde Oral e, consequentemente, da saúde geral dessas crianças. Temos mesmo notado a crescente motivação e empenho da criança nos tratamentos e na própria higiene oral que anteriormente era negligenciada muitas vezes por falta de informação. Achamos que passa um pouco por aí, por informar e educar, incessantemente, a população de perto.

Obras no Porto dos Carneiros com início em Julho

Luis Costa - porto dos carneirosO Director Regional das Pescas afirmou que as obras de beneficiação do Porto dos Carneiros, no concelho de Lagoa, vão começar em Julho, num investimento de cerca de 80 mil euros que tem um prazo de execução de 90 dias.
“Vamos beneficiar a actual rampa de varagem, construir uma nova rampa e remodelar a casa do guincho, concretizando assim um desejo dos pescadores da Lagoa, mas, acima de tudo, satisfazendo uma necessidade para todo o sector das pescas na ilha de São Miguel”, frisou Luís Costa.
De acordo com o Gabinete de Apoio à Comunicação Social, o Director Regional, que falava sexta-feira na apresentação do livro “Pesca do Bacalhau - de São Miguel à Gronelândia e Terra Nova” - diário de bordo de João Carlos Caetano, salientou que a intervenção vai permitir a “melhoria das condições de operacionalidade” daquele porto, onde “reside uma das mais emblemáticas comunidades piscatórias dos Açores”.
Na sua intervenção, Luís Costa recordou que “o sector das pescas contribui actualmente com mais de 20% para o total das exportações, sendo a actividade com maior impacto nos recursos marinhos e o garante da coesão territorial de dezenas de pequenas comunidades distribuídas pelas nove ilhas dos Açores”.