Câmara de Ponta Delgada assegura cuidados médicos aos sem-abrigo

sem abrigoA Câmara Municipal de Ponta Delgada, presidida por José Manuel Bolieiro, vai disponibilizar uma equipa médica que vai apoiar as instituições que trabalham com indigentes e sem abrigo.
Em comunicado, a autarquia explica que a equipa é constituída por um psiquiatra e por um psicólogo que prestarão um apoio complementar, no âmbito da saúde mental, às instituições e associações cuja área de actuação está ligada aos sem abrigo e à indigência.
A equipa médica da câmara começa a trabalhar na próxima semana e exercerá a sua actividade, alternadamente, na casa da rua Manaias (a que foi disponibilizada pela autarquia para que os sem abrigo pudessem tomar as suas refeições debaixo de um tecto e em boas condições de higiene), bem como no centro ocupacional da Associação Novo Dia.
Caberá às instituições, associações e grupos que apoiam, diariamente, as pessoas que vivem ou passam o dia na rua, encaminhar para a equipa médica, ao serviço da Câmara, os indivíduos em situação de risco, como é, sem dúvida, o caso de quem vive sob as condições acima descritas.
A equipa, que foi criada pela Câmara, virá prestar ajuda àquelas instituições e grupos que tenham lacuna de serviços ao nível das áreas médicas mencionadas e está integrada no projeto “Caminho Solidário”, do Grupo de Inclusão Social, criado e coordenado pelo actual executivo da Câmara Municipal de Ponta Delgada.
Os perfis individuais dos utentes serão definidos pelos profissionais de saúde em articulação com as instituições no terreno.
Os indivíduos que se dirigirem ao serviço médico provido pela Câmara poderão participar em sessões de psicoterapia de grupo ou a nível individual, tendo direito a uma refeição ligeira, um lanche, já que se trata de pessoas que estão, na maior parte dos casos, privadas de alimento. As refeições serão disponibilizadas pela Divisão de Acção social da Câmara de Ponta Delgada de forma articulada com outras instituições.
Haverá psicoterapia de apoio regular, consultas de medicina, psiquiatria e psicologia sempre que necessário, daí, que haja uma intervenção social feita sempre em articulação com as instituições existentes.

Actual crise poderá contribuir para “agravar” problemática da gravidez na adolescência

adelino diasForam 179 os jovens que, no espaço de dois anos, procuraram a ajuda da Associação para o Planeamento da Família e Saúde Sexual Reprodutiva, no âmbito do Serviço de Atendimento a Jovens. Em 2013, foram atendidos já 56. O serviço tem como objectivo aumentar o conhecimento dos jovens acerca de temas relacionados com a saúde sexual e reprodutiva, especialmente no que toca a infecções sexualmente transmissíveis e contracepção.
Em entrevista ao Diário dos Açores, o presidente desta Instituição Particular de Solidariedade Social salientou que o serviço tem tido uma aceitação “deveras positiva”, junto da população da ilha de São Miguel. Adelino Dias afirmou que a instituição é procurada “quer por iniciativa própria” dos jovens, quer quando “encaminhados por outras entidades”.
Umas das áreas de intervenção da associação passa pela dotação dos jovens de competências comportamentais preventivas de uma gravidez indesejada. “A gravidez precoce, em particular na adolescência, continua a ser uma preocupação pelos elevados índices da Região e pelas suas graves consequências no futuro dessas mães e dos seus filhos”, afirmou Avelino Dias.
Nos Açores, a problemática da gravidez na adolescência é o dobro da média nacional. Em 2011, a percentagem de jovens açorianas, com idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos de idade, que foram mães foi de 14%, enquanto que, a nível nacional, foi de 6,7%.
Apesar destes dados, o representante da associação sublinhou que tem se verificado “um ligeiro decréscimo” no número de casos, o que, segundo afirmou, “é positivo, depois de vários anos sem alterações”.
Mas a actual conjuntura económica em nada pode contribuir para melhorar a gravidez precoce, na região.  “Receamos que as consequências da actual recessão económica, possam contribuir para agravar estes dados, nomeadamente, com maior dificuldade de acesso aos métodos contraceptivos gratuitos, fornecidos pelo Serviço Regional e Saúde e o abrandamento das intervenções de informação e atendimento junto das comunidades, pelo eventual fim dos projectos de intervenção”.
Questionado sobre se há ainda falta de informação sobre o assunto ou apenas falta de responsabilidade, por parte dos jovens, o presidente da Associação referiu que são “aspectos culturais ligados a uma necessidade de emancipação precoce obtida com a maternidade ou a falta de projectos de vida e o abandono escolar” que normalmente se associam  aos motivos de uma gravidez na adolescência.
No âmbito desta área de intervenção, na Vila de Rabo de Peixe, a instituição tem em curso, desde Agosto de 2011, o projecto “Desafios  intervenção na gravidez precoce”. Trata-se de um projecto que tem por objectivo “potenciar respostas individuais, familiares e sociais à gravidez e parentalidade adolescente”, bem como “prevenir a gravidez precoce na adolescência e a sua recidiva”, dividindo-se
Segundo salientou Adelino Dias ao nosso jornal, o projecto divide-se em dois subprojectos que visam, por um lado a prevenção da gravidez da adolescência e por outro a intervenção com adolescentes que são pais.
Até ao momento, foram realizadas 20 sessões de formação a um grupo de cinco mães com idades até aos 18 anos, a uma mãe de 21 anos de idade e a outros três casais. Sessões que permitiram abordar com os jovens temáticas como  a vigilância da Saúde do bebé, a alimentação e higiene da criança, o papel do pai na educação dos filhos, entre outros assuntos.
Adelino Dias mostrou-se preocupado com o agravamento de todos dos elementos da crise económica e social “sem fim á vista, que afectam o país sobretudo desde 2011”. O presidente da associação apontou os cortes nas áreas sociais, como na Saúde, Educação e Acção Social, bem como o aumento “em flecha do desemprego e consequentemente das situações de pobreza, e o empobrecimento geral da população”, como as situações que actualmente o preocupam, enquanto presidente da associação.
“Estima-se que, hoje em dia, mais de um terço da população portuguesa viva em situação de pobreza, quando há uma década este número se situava em torno dos 20%”, referiu. “Uma primeira consequência desta situação foi a queda da natalidade em 2012 para os valores mais baixos de sempre, com uma descida de cerca de 10% em relação a 2010 e cerca de 7% em relação a 2011”, acrescentou.
A Associação para o Planeamento da Família conta actualmente com a colaboração de três técnicas na área da Psicologia. Desde 1996 que existe como delegação da organização nacional de mesmo nome, mas foi apenas em 2012 que se tornou uma Instituição Particular de Solidariedade Social.
Adelino Dias revelou que anteriormente verificava-se um “deficit” na área da educação sexual nas escolas, “por falta de regulamentação e formação curricular dos professores”. “Inicialmente as intervenções restringiam-se essencialmente aos Serviços de Saúde no âmbito do Planeamento Familiar e da Contracepção”, afirmou, revelando que “a abordagem das populações era feita de forma pontual e esporádica”.
Mas, “a necessidade de reforçar as medidas de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis emergentes, de que se salienta a SIDA e a discussão pública preparatória do referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez veio desmistificar alguns tabus e constrangimentos em abordar junto do público mais conservador os temas ligados à sexualidade”.
A publicação do Decreto Legislativo Regional nº8/2012/A de 16 de Março veio contemplar a Saúde Afectivo Sexual e Reprodutiva como área privilegiada da Educação para a Saúde em contexto  escolar,  “criando as condições para oferecer aos jovens acompanhamento e conhecimentos, sobre as questões ligadas à vivência da sua sexualidade”, recordou.
Para o presidente da Associação para o Planeamento da Família e Saúde Sexual e Reprodutiva, “a educação é cada vez mais necessária para enfrentar outras características da evolução da sociedade, relacionadas com uma autonomização mais precoce dos jovens, a vulgarização de solicitações e estímulos da esfera sexual a par de uma maior mobilidade social”.

A família e a morte: como enfrentar o luto?

lutoO luto é um processo que ocorre imediatamente após a morte de alguém que amamos. Não é um sentimento único, mas sim um conjunto de emoções que requer um tempo para serem digeridas e resolvidas. Para falar sobre este assunto, entrevistamos a psicóloga Anastácia Costa, de modo a esclarecer algumas dúvidas de um tema que tende a ser evitado...

 

Sob o ponto de vista psicológico, o que é o luto?
O luto é um processo reactivo a uma perda significativa e envolve uma multitude de emoções. Socialmente, é um fenómeno que surge face a uma necessidade psicológica, emotiva, interna.

De que forma a auto-estima nos ajuda a lidar com o luto e a perda de alguém que nos é próximo?
A auto-estima tem a ver com ter-se uma visão de nós para nós, ou seja, com o modo como nos entendemos. Não há uma correlação evidente, mas não será difícil perceber que uma pessoa com uma baixa auto-estima poderá sentir-se mais em conflito com os seus próprios sentimentos no momento da perda. Por vezes, perdemos pessoas que nos eram tão referenciais que acabamos por nos perder também um pouco. Perdemos o norte, por assim dizer.


A dor expressa em lágrimas é um sinal de fraqueza?
Não, de todo. É uma expressão de sentimentos normais aquando da perda. Muitas das vezes, é absolutamente necessário exprimir a emoção. Concretizá-la cá fora. Eu diria que chorar é uma das formas mais saudáveis de o fazer. Claro que, no caso de um processo de luto patológico, a expressão das emoções será também patológica, em excesso, portanto. E se sentirmos que essa expressão está a limitar a nossa própria capacidade de viver, temos de procurar ajuda. Maria João Saraiva tem um livro em prosa poética, com prefácio de Coimbra de Matos, cujo título é: ‘A Dor que me deixaste’. Seria um bom título para introduzir qualquer conversa sobre o luto. É realmente a dor que fica. E a dor sente-se de muitas maneiras. Temos de senti-la para depois ultrapassá-la.

Há uma sequência de fases na vivência do luto?
Podemos dizer que sim, mas temos de entender essas fases como estádios emotivos, sem uma ordem assim tão concreta e que podem, mesmo, acontecer todos ao mesmo tempo. Podemos sentir dissonâncias, ou seja, ter sentimentos contraditórios. Sentir cólera, melancolia, paz sob a forma de aceitação, e muitas outras emoções.

Quanto tempo precisa a pessoa para superar essa perda? Esse tempo pode ser mais demorado quando a morte é inesperada, por acidente ou tragédia?
Esse tempo será sempre diferente consoante a perda, a pessoa que a sente e as circunstâncias de tudo. Todos temos maneiras diferentes de lidar com as nossas emoções. Tempos de resposta diferentes. Esse conjunto de emoções e sentimentos requer um tempo para serem digeridos e resolvidos, não pode ser apressado. Cada um de nós tem um tempo emocional que deve ser respeitado. Claro que, tempos alargados de superação são, muitas vezes, o sinal de um processo de luto patológico, inacabado, em suspensão, sem qualquer evolução. 

Em que consiste a terapia do luto?
A terapia é sempre um processo virado para uma superação. Para uma cura através da resolução de questões não resolvidas, de traumas… A terapia de luto serve para identificar  e orientar as tais emoções que resultam do trauma da perda ou do acumular de perdas passadas, e facilitar a resolução de dificuldades que impedem a pessoa de finalizar o luto no presente. Muitas das vezes, os sentimentos são de tal ordem que perdemos a capacidade de pensar neles. E aí precisamos de ajuda não interferente. Daquele género que só um psicólogo pode dar. Um bom profissional ajudará a pessoa a ter confiança e força renovada, a desenvolver habilidades reconstrutivas para reconhecer totalmente a realidade da perda e a capacidade de a ultrapassar.

A abordagem terapêutica é diferente em função do tipo de morte?
Claro. A abordagem terapêutica é sempre diferente consoante as circunstâncias da perda. É um processo muito pessoal e o Homem é sempre o Homem e a sua circunstância. Uma morte violenta e inesperada será sempre diferente de uma morte com um prazo e um longo percurso de degradação física. Uma morte de uma pessoa jovem será sempre diferente da morte natural de uma pessoa de idade avançada. O suicídio, por exemplo, acarreta sempre um conjunto de emoções que podem ir da revolta à negação absoluta.
A abordagem terapêutica terá, de comum em todas as circunstâncias, o ser direccionada para a recepção e para o suporte do sofrimento trazido pela pessoa.

Como considera que se deve superar o luto?
Através do ganho de perspectiva, da recordação dirigida, da aceitação da ausência e da homenagem… sempre uma homenagem à altura da importância que aquela presença teve na nossa vida. Eu costumo dizer que os vivos têm a possibilidade de viver pelos que cá não estão, e a obrigação quase moral de os fazer perdurar pelos seus próprios actos e recordações. É essa a homenagem acertada. Não, como estava a dizer há pouco, qualquer acção que sirva de impasse ao processo de luto, como negar a perda mantendo itens que marquem a presença da pessoa: um quarto fechado com os seus pertences, uma mesa posta,… todos estes registos serão patológicos e resultarão, decerto, num acumular de depressividades.

Então, o que fazer com os pertences de um filho ou de um familiar que faleceu?
As pessoas compõem-se também das suas escolhas e dos seus bens. Tal como se faz com a própria pessoa: um processo de despedida, feito de maneiras diferentes em sociedades diferentes, também o mesmo pode ser feito com os seus pertences. Pode ser muito importante, por exemplo, ter algo que nos lembre de um momento com a pessoa em causa. Claro que, em excesso, estamos provavelmente a tentar manter a pessoa viva, a sua presença sentida, e isso dificulta sempre o luto. O objectivo, aliás, será esse. Acabar não concluindo o luto e, assim, não se despedindo definitivamente da pessoa. Nesse caso, estamos perante um processo patológico.

Como agir nas datas comemorativas relacionadas, directa ou indirectamente, com a pessoa que faleceu?
Cada pessoa terá o seu processo de remémoro e de homenagem. Homenagear as pessoas que já cá não estão é uma prática social muito antiga e normalizada.

Qual é o principal problema das pessoas em encarar a morte e enfrentar o luto?
Numa cultura hedonista, da busca do prazer pelo prazer, a pessoa que está a passar por um processo de luto é, por vezes, levada pela sociedade e pela impaciência da nossa cultura, a deixar para trás a experiência do luto. Como resultado, temos duas situações: ou a pessoa vive o seu processo em silêncio, devido à pressão social, ou força-se a abandoná-lo, antes de o ter completado. Outras vezes, as pessoas, por si próprias, não lidam com a perda. Preferem tomar caminhos alternativos para não ter de passar por aquele pensamento tão traumatizante. Julgam que as ultrapassam desta forma, mas o que mais acontece é o empilhar de vazios não pensados, o que geralmente resulta em episódios depressivos muito desorganizadores.

As pessoas, na generalidade, têm medo de falar sobre a morte. Porque acha que isso acontece?
Nós todos vivemos a não pensar na morte. Por vezes, é difícil negá-la. Está mesmo ali e damo-nos conta que também não somos eternos e que tudo é muito frágil. Consegue pensar em algo mais assustador?
 
O fim de um relacionamento amoroso–seja namoro ou casamento –pode ser comparado ao luto de quem, de facto, morreu?
O luto, como disse, é sempre um processo reactivo a uma perda. Podemos entender uma perda como um vazio que nos foi imposto. Qualquer ausência imposta pode potenciar essa sensação de vazio.

Como apoiar quem está a sofrer?
Quem está a passar por um processo normal de luto, precisará também do apoio de familiares e amigos, que têm de saber respeitar os limites e as emoções da pessoa, sempre com sensibilidade e bom senso.

Como deve ser encarada a reflexão sobre a temática do luto na nossa sociedade?
Bem, existem perspectivas sociológicas, psicológicas…, que devem ser sempre consideradas. A reflexão, penso, deve ser feita sempre de uma maneira macro, de acordo com a sociedade, e de uma maneira micro, ou individual. Abordar um assunto não lhe é faltar ao respeito, antes pelo contrário. Há assuntos que pedem uma reflexão constante e o luto é um deles.

Comida e presentes de festa de casamento furtados em Angra do Heroísmo

PSP3Durante a madrugada do passado sábado, foi furtado, em Angra do Heroísmo, material que estava guardado para a celebração de um casamento. Em causa estavam bens alimentares e presentes reservados aos noivos.
Segundo um comunicado da PSP de Angra, a denúncia do furto foi efectuada pelas 14 horas, sendo que a festa iria realizar-se às 18 horas do mesmo dia.
Terminadas as diligências, os elementos policiais “salvaram” os festejos dos noivos, tendo recuperado a quase totalidade dos bens roubados antes da boda. Os bens furtados, de acordo com o mesmo comunicado, já se encontravam distribuídos por mais do que uma residência.
Foram constituídos arguidos três indivíduos como pela autoria do crime.
Também em Angra do Heroísmo, na última segunda-feira, a PSP identificou outros três homens que se haviam ausentado de um estabelecimento de restauração e bebidas sem efectuar o pagamento do seu consumo.
Segundo a PSP, os indivíduos, no momento em que avistaram o Carro Patrulha da esquadra, encetaram fuga apeada, tendo a polícia seguido no seu encalço, alcançando e imobilizando os suspeitos algumas dezenas de metros mais à frente.
Após insistências dos membros da PSP, os suspeitos confessaram que, de facto, haviam consumido algumas bebidas num estabelecimento, ausentando-se sem pagar. Foram transportados ao estabelecimento, efectuando o respectivo pagamento.
Registou-se, no entanto, que os indivíduos deixaram cair uma caixa, que continha no seu interior produto estupefaciente, nomeadamente, mais de 5 gramas de haxixe. 
No seguimento do produto encontrado, foram realizadas buscas domiciliárias, onde foram apreendidas várias plantas de cannabis sativa L, com um peso bruto de, aproximadamente, 50 gramas. A PSP apreendeu-se ainda um veículo automóvel, dois telemóveis e 67.90 euros em numerário.
A PSP deteve, na passada segunda-feira, dia 17 de Junho, um homem de 37 anos de idade, na Ribeira Grande, por condução de um veículo automóvel, sem habilitação legal.
A informação foi avançada no relatório de actividade policia que refere também a detenção por desobediência, no âmbito de actuação da Esquadra de Trânsito, de um homem, de 43 anos de idade, após ter sido surpreendido a conduzir um veículo automóvel, encontrando-se inibido de conduzir pelo período de 12 horas.
O mesmo documento revela que, na sequência de investigações policiais, foram ainda aprendidos e recuperados pela PSP, a dois jovens de 14 e 17 anos de idade, várias peças de bicicletas (dois quadros, rodas pedaleiras, calços de travão, assentos, entre outros). Os artigos haviam sido furtados, sendo que as denúncias foram efectuadas nos dias 8 e 9 deste mês.
Já em Santa Cruz das Flores, também no âmbito de investigações policiais, foi aprendido e recuperado pela polícia, material de pesca, nomeadamente, quatro canas de pesca, um par de barbatanas e um fato de mergulho, itens estes que haviam sido furtados no final do ano passado e início presente ano.
O relatório aponta ainda a ocorrência, no passado dia 17, de sete acidentes de viação, dos quais resultaram três feridos ligeiros e danos materiais.

“Cerca de 6% dos atropelamentos no ano passado ocorreram na passadeira”, revela PSP

passadeiraOs vários atropelamentos que ocorreram semana passada na ilha de São Miguel provocaram críticas, especialmente nas redes sociais, à colocação de algumas passadeiras nas principais artérias da cidade de Ponta Delgada e à falta de prudência por parte dos condutores.
O porta-voz do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública–o Subcomissário Nuno Costa–manifestou, precisamente, a sua preocupação em relação às passadeiras junto às rotundas e paragens de autocarros, mas frizou que a PSP não é a entidade competente para realizar estas alterações, embora “já tenha manifestado o seu parecer às entidades responsáveis”.
Contudo, Nuno Costa afirma que a falta de prudência e a irresponsabilidade por parte das pessoas também contribuem para esta situação. “Provavelmente, as preocupações que nos assolam cada vez mais, devido à conjuntura actual, são também motivo de distracção por parte dos condutores e peões que muitas vezes não tomam as devidas precauções” diz, reforçando que “o Comando Regional dos Açores tem trabalhado na prevenção destas atitudes menos responsáveis, principalmente junto dos idosos, crianças e jovens, através do nosso modelo integrado de policiamento de proximidade”.
Questionado sobre as medidas que podem ser tomadas para reduzir os atropelamentos nas nossas estradas, o Subcomissário defende que “a principal medida passa por tentar alterar o comportamento humano, tanto de peões, como de condutores, no sentido de prevenirem os riscos de atropelamentos. Outras podem passar por criar as medidas de segurança necessárias para que a primeira medida seja reforçada. Quer queiramos, quer não, é o factor humano o principal responsável pelos atropelamentos, pois se todos actuassem de forma responsável e com a devida atenção, não haviam acidentes desta natureza. Daí a importância fundamental que reveste a prevenção e a sensibilização dos cidadãos através do modelo integrado de policiamento de proximidade e através de outras acções deste tipo”.
De acordo com o relatório de sinistralidade rodoviária da Região Autónoma dos Açores respeitante ao ano passado,   registaram-se no arquipélago 2.843 acidentes de viação, menos 199 acidentes que em 2011.
Relativamente às vítimas mortais, há a destacar nove mortos, seis em S. Miguel e os restantes três distribuídos pelas ilhas Terceira, S. Jorge e Faial, resultando numa diminuição de 13 mortes comparativamente ao ano de 2011 onde se tinha registado 22 casos.
“A diminuição do número de acidentes em 2012 fez diminuir em 118 o número de feridos (ligeiros e graves), já que em 2011 o número total de feridos na região foi de 809, face aos 691 ocorridos no período homólogo de 2012”, lê-se no documento a que tivemos acesso.
A ilha de S. Miguel teve o maior número de acidentes com 1.702, registando-se, contudo, uma diminuição de 169 acidentes quando comparado com o ano de 2011 onde se registou 1.871 acidentes.
A tendência para a redução no número de acidentes e de vítimas mortais é explicada por Nuno Costa pela “pró-actividade policial que tem aumentado nos últimos anos.” O que significa que os elementos policiais “têm vindo a desempenhar um importante papel na segurança rodoviária na Região Autónoma dos Açores, mantendo uma presença constante no terreno, aumentando as detenções consideravelmente e, fazendo com que o comportamento das pessoas seja mais responsável”, a par “das várias acções de sensibilização que temos realizado, sobretudo com o apoio de outras entidades também com responsabilidades nesta matéria, que têm demonstrado que os cidadãos têm interiorizado a importância da responsabilização e da segurança rodoviária”.
Nuno Costa avança ainda que “no ano transacto 59,375% dos atropelamentos registados ocorreram por atravessamento de peão fora da passadeira; 21,875% ocorreram por causa desconhecida; 9,375% ocorreram devido a doença súbita; 6,25% ocorreram aquando da travessia do peão na passadeira e 3,125% ocorreram devido a mudança súbita de direcção.”
O porta-voz da PSP refere também que não existe nas estradas de São Miguel nenhum “ponto negro”. “A definição de ‘ponto negro’, segundo a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, consiste ‘num lanço de estrada, com o máximo de 200 metros de extensão, no qual se registaram, pelo menos, cinco acidentes com vítimas, no ano em análise, e cuja soma de indicadores de gravidade é superior a 20’.  Assim sendo e, segundo esta definição, não existe em São Miguel nenhum ‘ponto negro’, mas sim artérias onde é mais susceptível ocorrerem acidentes, devido à sua localização e elevada circulação de viaturas e de pessoas”.
Também Rui Santos, Coordenador dos Transportes Terrestres no Governo Regional, revelou que “não existe um padrão comum que permita definir zonas específicas com maior sinistralidade”, mas nota que têm sido feitos campanhas de segurança rodoviária para “criar toda uma dinâmica que permita combater esse tipo de fenómenos.”