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Açores terão código de conduta para mergulho com tubarões

tubarão DOPO Governo Regional pretende lançar em Maio um código de conduta com “conselhos muito práticos”, para disciplinar o mergulho com tubarões e jamantas, uma actividade em crescimento no arquipélago.

“É um código voluntário, que vai ser assinado pelos diversos participantes, espero eu, porque a sua elaboração foi feita de forma inclusiva, em sintonia e proximidade com os operadores”, revelou à agência Lusa Filipe Porteiro, director regional dos Assuntos do Mar.

Várias empresas em diferentes ilhas do arquipélago organizam mergulhos com tubarões e jamantas, um produto turístico que tem tido uma “procura crescente” na região nos últimos anos, com vários peritos a indicarem os Açores como um dos melhores sítios no mundo para esta prática.

À semelhança do que já existe nas ilhas para a observação de cetáceos, o Governo Regional decidiu avançar agora com um código de conduta para o mergulho com tubarões e jamantas com o intuito de “disciplinar a actividade”.

“Foi considerado importante, no fundo, para regulamentar uma actividade marítimo turística recente, que começou a desenvolver-se nos últimos anos e dada a sensibilidade da própria actividade do ponto de vista da segurança dos clientes, das empresas e também do ponto de vista do bem-estar dos animais”, sustentou o director regional.

Segundo disse Filipe Porteiro, entre os vários conselhos do código constam, por exemplo, onde e como se pode usar o engodo para atrair os animais, quais os equipamentos mínimos indispensáveis e que tipo de informação as empresas marítimo turísticas devem dar aos seus clientes antes do mergulho.

O “projecto final do código”, adiantou, foi novamente dado a conhecer a todos os intervenientes, entre eles as empresas marítimo turísticas, Universidade dos Açores, entre outras entidades, para que possam emitir as considerações finais antes da publicação.

“A nossa perspectiva é que este código possa ser testado na prática. Achamos que é importante esta adopção voluntária do código por parte dos operadores, inclusivamente que testem no local, que os investigadores também percebam se o código está ou não ajustado à realidade e que cumpre os seus objectivos”, disse Filipe Porteiro, admitindo que, no futuro, o código poderá vir a ter aplicação obrigatória.

Filipe Porteiro revelou, ainda, que de acordo com dados avançados na última bienal de mergulho, que decorreu na ilha Graciosa, a actividade de mergulho turístico nos Açores poderá render de forma directa e indirecta vários milhões de euros anuais.

“É uma actividade que na região pode ter bastante importância em termos de oferta marítimo turística. Além disso, a região beneficia da proximidade ao continente europeu e continente americano. É um destino com segurança”, afirmou.

Fé dos açorianos mantém-se em tempos de crise

Padre Duarte MeloA religiosidade popular constitui uma peça “dominante” da alma açoriana. Quem o afirma é o pároco Duarte Melo, da Igreja de São José, que sublinha que a “herança” do Cristianismo está a passar de geração em geração.

Para o sacerdote, na actual conjuntura de crise, a religião deve ser considerada como um auxílio para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia. A crise, segundo defende, é um “momento de crescimento”, que apela à “consciência colectiva e comunitária dos cristãos”. Em dia de Páscoa, o padre salienta que esta importante festa da Igreja “vem nos lembrar que o Mistério vive do essencial - a fé - e que nós devemos viver também deste essencial”.

 

Não existem dados concretos sobre o número de pessoas que todos os domingos frequentam as igrejas do arquipélago. Se têm aumentado ou diminuído, não se pode comprovar. No entanto, é possível constatar que, apesar dos actuais tempos de crise, a fé dos açorianos mantém-se.

Segundo o padre Duarte Melo, o povo açoriano é “religioso por natureza” e “aberto à espiritualidade”. Prova disto, são as romarias quaresmais que, ano após ano, juntam centenas de peregrinos, tal como as festas do Divino Espírito Santo e as várias celebrações religiosas que se realizam por todas as freguesias da região.

A religião, a crença numa força superior, pode ser encarada como um “recurso” que ajuda a enfrentar as “dificuldades e egoísmos” do dia-a-dia.

O pároco da Igreja de São José, em Ponta Delgada, refere ao Diário dos Açores que os momentos de crise são, no fundo, “momentos de crescimento”. “São momentos que apelam à consciência colectiva e comunitária, para que ajudemos os mais pobres, os que estão mais feridos pela vida”, afirma, acrescentando que “a igreja tem a missão de ajudar” e “só existirá enquanto for portadora de valores como a caridade, o amor e a solidariedade”.

A religiosidade popular manifesta-se de forma “intensa” e, por vezes “intermitente”, na região, o que faz do factor religioso uma peça “dominante” e “constituinte da alma açoriana”, frisa Duarte Melo. O facto de questões como as condições climatéricas e geográficas do arquipélago, ou a busca por uma vida melhor, estarem na origem de muitas manifestações religiosas, nos Açores (como é o caso das romarias da Quaresma), demonstra, segundo o pároco, a importância da espiritualidade e da fé para a comunidade.

Questionado sobre se esta fé seria compartilhada pelas gerações mais novas, uma vez que a presença dos jovens nas igrejas tem se mostrado reduzida, o sacerdote respondeu apontando o caso dos romeiros como exemplo. “A maior parte das romarias é constituída por gente jovem. A zona portuguesa com maior incidência da vivência religiosa é nos Açores. É sinal que esta herança está a ser transmitida pelos mais velhos e acolhida por parte dos mais novos”, salientou o pároco da igreja de São José.

No entanto, Duarte Melo admite a existência de “ameaças de fenómenos espirituais importados ou deslocalizados” no tecido social açoriano, que podem “contaminar” o Cristianismo. 

“Estas ameaças vêm de um sincretismo religioso, em que cada qual diz que está bem consigo próprio, que está em paz e não precisa de mais nada”, mas o sacerdote alerta que o Cristianismo não é uma questão pessoal, mas sim de “compromissos, solidariedade e afectos”. “Claro que sentir-se em paz é fundamental, mas esta paz tem de ser a expressão de um comprometimento com a sociedade”, explica.

“A religião Cristã não é de emoções momentâneas, nem de consolo espontâneo. Não. Quem é cristão compromete-se com a vida, com a transformação da sociedade, com a manutenção dos valores, com a denúncia, com a luta pela justiça social”, diz, realçando a dificuldade que a Igreja sente para manter o compromisso da vivência da fé no dia-a-dia dos cristãos.

 

Semana Santa

Hoje, no culminar da Semana Santa, festeja-se a Páscoa, uma das mais importantes datas do calendário cristão. É o dia em que os crentes comemoram a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo e são “convidados a atravessar a espessura do Mistério da Fé”.

Duarte Melo sublinhou o facto de “em pleno século XXI”, se continuar a reviver a memória, “que não é uma recriação, mas sim uma actualização do Mistério”, afirma. “Para nós, esta festa é o alicerce o nosso investir enquanto cristãos e ela dá razão a este respirar da fé”, salientou.

Tendo início no Domingo Ramos, a Semana Santa continua, na Quinta-Feira Santa, com a celebração da missa da instituição da Eucaristia e da herança deixada por Jesus, na última ceia, aos cristãos: “o mandamento do amor, que expressa num gesto de grande humildade - o lava pés”. Já na Sexta-Feira Santa, o povo cristão é convidado “a contemplar mais de perto a Cruz do Senhor, para compreender que Deus se deixou crucificar para redimir o seu povo”.

No Sábado Santo, dia da Vigília Pascal, a Igreja revisita os textos bíblicos do Antigo e do Novo Testamento. É feita a bênção do fogo e da água, havendo ainda baptismos. “Celebramos este trânsito, esta passagem da morte para a vida”, explica Duarte Melo. “É uma noite de triunfo, em que é reafirmada a certeza de que a morte não tem a última palavra. A última palavra está é no amor, na ressurreição”, realça. 

Hoje, Domingo de Páscoa, é o dia em que a Igreja vive o “grito glorioso da Ressurreição de Jesus Cristo”.

 

“Chocolates e amêndoas são expressões da festa”

É certo que cada vez mais se associa a época da Páscoa à troca de presentes, nomeadamente de ovos e coelhinhos de chocolate e amêndoas, principalmente entre os mais novos. Mas Duarte Melo não vê motivo para alarme. “O consumismo é um aspecto que toca a todos e não ofusca o verdadeiro sentido da Páscoa”, afirma, defendendo que as amêndoas e os chocolates “são também expressões da festa”. 

No entanto, alerta para os excessos. “Os cristãos deverão ter esta capacidade de viver com o necessário. A Páscoa vem nos lembrar que o Mistério vive do essencial - a fé - e nós devemos também viver do essencial”, reflectiu. O pároco referiu ainda que “as coisas consumíveis estão ao nosso serviço e não para o nosso domínio”. Porém, quando este domínio acontece é porque houve um afastamento do que é essencial. “O cristão deve ter o discernimento e capacidade de saber quando ultrapassa o limite”, sublinha.

Por: Alexandra Narciso

Ministério prepara plano de transferência de reclusos para Angra do Heroísmo

cadeiaO gabinete de imprensa do Ministério da Justiça garantiu sexta-feira à agência Lusa que está em preparação “um plano de transferência de reclusos” para o novo estabelecimento prisional de Angra do Heroísmo.
Segundo a mesma agência noticiosa, a informação surge depois de, na quarta-feira, o sindicato nacional do corpo da guarda prisional ter denunciado que apenas dois reclusos da sobrelotada cadeia de Ponta Delgada foram até agora transferidos para Angra do Heroísmo.
De acordo com o Ministério da Justiça, o plano de transferência para Angra do Heroísmo integra detidos que estão na cadeia de Ponta Delgada e “os reclusos dos Açores que estão afectos a estabelecimentos prisionais do continente”.
Na mesma informação enviada à Lusa, lê-se ainda que o estabelecimento prisional de Angra do Heroísmo, em funcionamento há cerca de quatro meses, está ainda em processo de instalação.
O delegado nos Açores do sindicato dos guardas prisionais, Ivo Garcia, disse na quarta-feira que há 180 reclusos no Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada enquanto que no de Angra do Heroísmo estão cerca de uma centena. A nova cadeia tem, no entanto uma capacidade muito superior, para além de existirem os mesmos 56 guardas prisionais em cada uma das cadeias, acrescentou.
“A nova cadeia tem capacidade, tem condições, o número de efectivos não pode ser a desculpa porque o número de efectivos de Angra é precisamente o mesmo número de efectivos que em Ponta Delgada e com condições excelentes”, disse.
Ivo Garcia considerou não existir justificação para “este impasse” de não transferir reclusos para Angra do Heroísmo.
“No início era porque não havia guardas, depois falou-se da questão de falta de material, de logística e já tive a informação que já chegou esse material ao Estabelecimento Prisional de Angra e não temos de momento nenhuma justificação quanto ao porquê deste impasse”, afirmou.
Esta é uma das razões que pode levar os guardas prisionais do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada a aderir à greve convocada pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, que arranca no dia 17 de Abril.

Campos de férias “promovem a criatividade e a crítica fundamentada”, considera Sérgio Nascimento

sergio nascimento 2Quase a findar as férias da Páscoa, foram muitas as crianças e jovens nos Açores que ocuparam os seus dias em campos de Férias. A Olhar Poente, uma associação terceirense sem fins lucrativos, é uma das entidades que mais promove colónias no arquipélago, estando prevista para este ano uma experiência nas Caldas da Rainha com uma empresa de animação circense. No entanto, a maioria dos campos de férias nos Açores dedica-se apenas a ocupar e a divertir, representando, por isso, uma lacuna que apenas será superada quando “se decidir sair do estado embrionário actual”. Quem o diz é Sérgio Nascimento, Coordenador Pedagógico da Olhar Poente, em entrevista ao Diário dos Açores, para quem os campos de férias “são a ferramenta indispensável para o desenvolvimento das crianças”.

 

Como surge a Olhar Poente? A que se deveu a sua criação?

A Olhar Poente surgiu em 2009 com o objectivo de desenvolver projectos inovadores na área da infância e juventude dos Açores.

 

Quantos membros fazem parte da associação?

São nove elementos que constituem os corpos sociais e, para além dos cinco postos de trabalho que diariamente desenvolvem a sua função de forma muito positiva, são muitos os que apoiam as várias iniciativas de forma independente e voluntária.

 

Os monitores têm formação? O que é necessário para integrar a equipa de monitores de um campo de férias?

Para se ser monitor da nossa instituição, para além da formação interna e intensiva que recebe, tem de possuir um perfil genuíno para saber lidar carinhosa e pacientemente com os nossos alunos e participantes. As crianças são os seres mais excepcionais e de pouco adianta monitores com extraordinária competência e experiência acumulada, se os valores humanos e sociais não estiverem bem definidos e orientados. Esse é o nosso pensamento. 

 

Esta associação dedica-se, essencialmente, a que tipos de actividades e quais os projectos que se destacam?

Desde 2010 que desenvolvemos um projecto numa freguesia rural e que muito nos orgulhamos. A Creche e ATL Rural “Olhar Infantil”, na freguesia da Vila Nova da ilha Terceira, dedica-se dia-a-dia a amar cada aluno como se um filho se tratasse. Promovemos competências pessoais, humanas e sociais desde tenra idade, para que a aprendizagem de conteúdos seja facilitada e, assim, contribuir para o bem-estar e saúde mental da criança, mas também do próprio adulto. 

No âmbito dos campos de férias, desenvolvemos o conceito Geocampspark e Art Camp, que permite trabalhar as questões ambientais, culturais e de acções cívicas, sem descurar a experimentação de oficinas relacionadas com desporto, música, dança, vídeo, fotografia e artes plásticas. Levamos os participantes a redescobrir o melhor que cada um tem para dar a si e ao outro.

 

Diariamente a associação acompanha quantas crianças/ jovens e que idades?

Nas valências creche e ATL acompanhamos diariamente 35 crianças entre os 6 meses e os 12 anos. É um trabalho personalizado e com muitos benefícios para as crianças, famílias e comunidade onde estão inseridas. Nos campos de férias acompanhamos uma média de 100 crianças por semana, com idades entre os 6 e 18 anos, em regime residencial.

 

Como define a experiência de um campo de férias? Pode ser um instrumento para alicerçar afectos?

Os campos de férias são a ferramenta indispensável para o desenvolvimento das crianças. As crianças precisam de voar, sociabilizar com o seu grupo de pares e ganhar autonomia para levar a tomada de decisões assertivas, mesmo que estas sejam muitas vezes as erradas. A linguagem do abraço entre crianças é saudável e necessária, para que em casa e, aí sim, com a família, possam descodificar medos, ansiedades e curiosidades. 

Realmente e como diz, os campos de férias tendem a alicerçar afectos e quando existe uma perfeita percepção das famílias sobre a sua importância, os afectos replicam-se na maioria dos meios onde a criança e o jovem se inserem.

 

O que fazem os mais novos nos campos de férias organizados pela Olhar Poente?

Os primeiros dois dias dos campos de férias são dedicados exaustivamente aos mais novos, porque muitas vezes o primeiro sono fora de casa acontece precisamente aqui. É preciso empregar tempo para perceber os seus receios, porque quando superados conseguem melhor do que ninguém viver intensamente todos os momentos dos campos. E a partir dessa base, serão capazes de estabelecer relações psico-afectivas dentro do grupo, desenvolver aspectos pessoais e ficarem sensibilizados para questões de segurança e ambiente.  

Promover a multiplicidade cultural e o contacto com a natureza é essencial para a vossa associação?

Para a Olhar Poente e seus associados, o que é verdadeiramente essencial é o respeito pela integridade, inocência e individualidade de cada criança. Porque ser criança é ser feliz! A multiplicidade cultural e o contacto com a natureza são um dos muitos veículos, talvez dos mais consistentes, para a afirmação do “eu” e o respeito pelo “outro”.

 

Quais os benefícios dos campos de férias para o desenvolvimento das crianças e jovens?

Para além do já referido, existe um benefício claro para o desenvolvimento dos participantes: a promoção da criatividade e da crítica fundamentada. As crianças e jovens são expostos a vários tipos de experiências, sejam elas artísticas, desportivas e ambientais. A ideia da crítica favorece a aprendizagem e assimila conteúdos, utilizando a sua sapiência e criatividade em prol do grupo. 

 

A associação tem algum pacote especial para crianças com carências económicas ou com deficiência?

As crianças com carências económicas ou com deficiência não terão qualquer problema em inscrever-se nas nossas iniciativas. Principalmente, porque serão uma mais-valia incontornável à dinâmica dos campos. É através da diferença e da deficiência que se consegue interiorizar regras básicas de interacção social, do trabalho colaborativo e da equidade.

 

Embora seja uma associação terceirense, também são organizados campos de férias fora dessa ilha. Para 2014, há previsto algum intercâmbio com o continente português ou campos de férias noutras ilhas?  

Este ano teremos uma experiência muito gratificante nas Caldas da Rainha com uma empresa de animação circense. Será algo muito diferente do que temos feito.

 

O que diferencia os campos de férias providenciados pelo Governo Regional dos da Olhar Poente?

O que pode diferenciar cada campo de férias dos demais é a dinâmica e pró-actividade dos envolvidos. O que podemos garantir é que a nossa associação rege-se por princípios de integração de crianças e jovens, sejam eles oriundos de famílias com mais ou menos recursos, institucionalizados ou não, independentemente da etnia ou raça. Assim, gostaríamos que o conceito fosse difundido por todos os campos de férias promovidos pelo próprio Governo dos Açores.

 

A maioria dos campos de férias dedica-se apenas a ocupar e a divertir. Que lacunas ainda existem na organização e implementação destas actividades nos Açores?

Campos de férias somente recreativos são parcos no conceito e missão. Para ocupar e divertir, as crianças e jovens fazem-no livremente e muito bem. A base educativa e pedagógica tem de estar sempre no topo das prioridades de quem pensa, decide e actua nos campos de férias. Acredito que as lacunas que existem nos Açores serão superadas, quanto mais depressa se decidir sair do estado embrionário actual. Poderá levar meses, anos ou décadas, dependendo da coragem e sentido de responsabilidade que exista para o fazer. 

 

Nas pausas lectivas, a ocupação saudável das crianças e jovens deverá ser uma preocupação de todos. Qual o dever das famílias?

As famílias são a base dos campos de férias porque são estas que tomam a decisão de inscrever o seu filho. E quando esta decisão é ponderada, discutida em casa e enumerando prioridades, então os resultados no decorrer dos campos de férias serão fantásticos, assim como, depois do seu término. Os pais têm o dever de permitir que os filhos vejam o mundo com os seus olhos e os campos de férias são muitas vezes o olhar de cada criança.

Que projectos e que perspectivas tem para o futuro, enquanto Coordenador Pedagógico da Olhar Poente?

Poder continuar a contribuir para que cada criança e cada jovem  possa recordar e assimilar o quão magnífica e emotiva foi a sua experiência na creche, ATL ou campos de férias. Para que no futuro, já adultos, saibam cuidar as futuras crianças como o maior tesouro que teremos novamente em mãos. 

 

Venda de bolo lêvedo das Furnas regista aumento

Bolos levedosA venda de bolo lêvedo nos Açores tem vindo a aumentar por causa do turismo, da distribuição em superfícies comerciais e da nova “moda” de, em pastelarias e restaurantes, ser consumido em pizas, sandes ou hambúrgueres.
A história do bolo lêvedo está ligada às Furnas, onde estão as suas duas maiores produtoras, que dizem ter cada vez mais procura, revela a agência Lusa.
“Por semana, no mês de Agosto, vendemos cerca de 10 mil bolos lêvedos, enquanto na época baixa chegamos aos 1.500”, diz a empresária Maria Glória Moniz, uma das principais produtoras do bolo lêvedo, cuja padaria “snack-bar”, no centro da freguesia das Furnas, completa em Julho 25 anos.
O bolo lêvedo, de formato redondo, é produzido com farinha, ovos, açúcar, manteiga, leite, fermento e sal.
Antes de começar a ser comercializado, era produzido em fornos convencionais nas habitações particulares, tendo sido depois criadas as padarias, que hoje prevalecem.
Maria Glória Moniz refere que se tem vindo a registar “grande adesão” ao bolo lêvedo, também porque hoje, na ilha de São Miguel, é igualmente vendido em outros formatos, em pizas, hambúrgueres, pregos ou sandes, fazendo parte da oferta de restaurantes e pastelarias.
Nenhum dos produtores contactados pela agência Lusa conhece com rigor a origem do bolo lêvedo, mas todos são unânimes em considerar que ganhou dimensão comercial com o surgimento do hotel Terra Nostra, nos anos 30 do século XX.
O hotel das Furnas serve o bolo lêvedo aos clientes ao pequeno-almoço, sendo fornecido pela padaria de Maria Glória Moniz há cerca de 20 anos.
Glória Moniz refere que herdou a receita de Maria do Carmo, da família de apelido Panelas, fornecendo-o a superfícies comercias de toda a ilha de São Miguel, para além de o vender localmente.
Por causa do bom crescimento do negócio, Glória Moniz quer mesmo construir uma fábrica de bolo lêvedo nas Furnas, tendo comprado um terreno “com vista para as caldeiras” com esse objectivo.
Rosa Quental, uma das outras grandes produtoras do bolo lêvedo das Furnas, recorda-se de ser produzido no concelho de Nordeste, mas com a farinha mais grossa, que não era usada na confecção do pão e massa sovada (pão doce).
“Quando fui para as Furnas, com 12 anos, as pessoas já faziam uns bolos lêvedos muito saborosos e, quando abriu o hotel Terra Nostra, havia uma senhora que os fornecia para o pequeno-almoço”, recorda.
Rosa Quental afirma ter sido a primeira pessoa a comercializar bolos lêvedos, vendendo-os, numa primeira fase, numa taberna que o marido possuía nas Furnas.
“Depois de abrir a minha padaria, comecei a receber encomendas e o meu filho, que agora está à frente do negócio, ainda esta semana enviou uma porção de bolos para o continente [cerca de 500 bolos lêvedos, uma vez por semana]“, declara.
A padaria de Rosa Quental vende cerca de 1.500 bolos lêvedos semanalmente, aumentando este número na época alta, quando milhares de turistas visitam o vale das Furnas.
A moda do bolo lêvedo tem alastrado pela ilha de São Miguel, com restaurantes e outros estabelecimentos a oferecerem pratos e refeições que integram o bolo lêvedo, que antes era só consumido como um pão.