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Jardim António Borges, da Zenite e Largo 2 de Março alvos de intervenção policial

pspA PSP da Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial de Ponta Delgada levou a cabo uma operação de prevenção criminal no Largo 2 de Março, Jardim António Borges e Jardim da Zenite. Espaços de “presumível” consumo e tráfico de droga.
Segundo o relatório da PSP, no âmbito da acção foram identificados 15 indivíduos e detido um homem, de 22 anos, por posse de 23,85 doses de haxixe e 128 euros.
No seguimento da abordagem, foi efectuada uma busca domiciliária na residência do detido, tendo sido apreendidas mais 1,15 doses de haxixe, seis plantas de liamba e diversos utensílios utilizados para a prática do acto ilícito.
Já na Povoação, em cumprimento de um Mandado de Detenção, foi detido e conduzido ao Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, um homem, de 46 anos de idade, para cumprir dois anos e 3 meses, pela prática de um crime de tráfico de estupefacientes.
Por seu lado, a Esquadra de Trânsito deteve um homem, de 22 anos de idade, por condução de um tractor agrícola, sem habilitação legal.
Na Maia, a PSP efectuou uma operação rodoviária, onde foram fiscalizados 65 veículos, detido um condutor, de 33 anos de idade, sob a influência de álcool, e detectadas 15 infracções de natureza contraordenacional.

Desmantelada rede
de furto de combustível
Em São Jorge, a polícia desmantelou uma pequena rede organizada, responsável por diversos furtos de combustível em máquinas industriais. A rede actuava no concelho das Velas. Da investigação resultou ainda a apreensão de cerca de 100 litros de combustível, vários objectos utilizados no furto e dois veículos automóveis ligeiros de passageiros envolvidos nos mesmos.
Segundo a PSP, os indivíduos foram constituídos arguidos e sujeitos a Termo de Identidade e Residência, sendo mais tarde presentes ao Tribunal Judicial da Comarca de Velas.
Em Angra do Heroísmo, foram detidos e conduzidos ao Estabelecimento Prisional, dois homens, de 22 e 36 anos de idade, para cumprirem 2 anos e 6 meses, e 4 anos e 9 meses de pena, respectivamente, ambos pela prática do crime de tráfico de estupefacientes.
Já na Horta, a PSP apreendeu duas armas. Uma delas, uma espingarda, foi apreendida pelo facto de o seu proprietário não ter, no prazo de 180 dias, procedido à sua regularização em conformidade com os requisitos exigíveis, e uma espingarda de calibre 16, pelo proprietário ter falecido e o actual detentor não ter comunicado tal facto à PSP nos 90 dias subsequentes.
Quanto à sinistralidade rodoviária, a PSP registou a ocorrência de sete acidentes de viação, esta quinta-feira, dos quais resultaram apenas danos materiais.

PSP detém mulher por tráfico de droga em S. Jorge

Apreensão VelasA Polícia de Segurança Pública (PSP) das Velas, em São Jorge, deteve uma mulher, de 19 anos de idade, pelo crime de  tráfico de estupefacientes.
A detenção ocorreu no âmbito de uma acção de fiscalização rodoviária, tendo sido apreendidas à jovem 41 doses de canábis e 650 euros.
De acordo com um comunicado da polícia, a detida foi constituída arguida e sujeita a termo de identidade e residência, tendo se apresentado ontem ao Tribunal Judicial da Comarca de Velas.
Entretanto, a Esquadra de Trânsito da PSP de Ponta Delgada deteve, esta terça-feira, um homem, de 45 anos de idade, por condução de um veículo automóvel, sem habilitação legal. O indivíduo conduzia ainda um veículo que se encontrava apreendido.
Já na Ribeira Grande, a PSP abordou dois homens, de 21 e 27 anos de idade, aos quais foram apreendidas 1.75 doses de haxixe e 0.26 doses de liamba, respectivamente.
Segundo o relatório policia, os dois indivíduos foram notificados para comparecer na Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência.
Em Angra do Heroísmo, a PSP elaborou um auto de notícia por contraordenação, contra um indivíduo do sexo masculino, maior de idade, por possuir  mais de duas armas de fogo da classe D sem condições para o seu armazenamento. O homem era titular da licença desta classe, mas não possuia um cofre ou armário de segurança não portáteis, devidamente verificado pela PSP.
Por outro lado, na Horta, foi realizada, pela Esquadra de Trânsito, uma acção policial que incidiu na distribuição a 50 utentes, de folhetos contendo as principais alterações à legislação.
No Pico, na segunda e terça-feira, foram realizadas duas operações de fiscalização rodoviária, nas quais foram fiscalizados 49 veículos e detectadas 11 infracções de natureza contraordenacional. Na operação de terça-feira, foi detida uma mulher de 31 anos de idade por condução de veículo automóvel sem habilitação legal.
Foram ainda distribuídos folhetos com as principais alterações operadas ao Código da Estrada na Horta, bem como nas Lajes das Flores, na ilha das Flores.
Quanto à sinistralidade rodoviária, segundo o mesmo relatório, a PSP registou a ocorrência de sete acidentes de viação, dos quais resultaram apenas danos materiais.

O maior produtor de leite do mundo está nos EUA e nasceu em S. Jorge

leite 2O jornal “Mundo Português” assume esta semana que Luis Bettencourt é o maior produtor de leite indicidual do mundo. Luis Bettencort é natural da freguesia do Topo, concelho da Calheta, na ilha de S. Jorge, de onde emigrou para os Estados Unidos em 1969, com 12 anos, radicando-se com a família na cidade de Turlock, no Vale Central da Califórnia.
“Com mais de 60 mil vacas em lactação, espalhadas por várias propriedades no estado de Idaho, Estados Unidos, Luís Bettencourt é o maior produtor individual de leite do mundo. É responsável pela produção de aproximadamente dois milhões de litros de leite por dia”.
Nos últimos 12 anos adquiriu outras leitarias, juntamente com uma quantidade significativa de terras agrícolas. Atualmente, possui 13 propriedades espalhadas pelo estado, contando com 60 mil vacas leiteiras e 60 mil novilhas. Também é proprietário de 14 mil hectares de terra, dos quais 12 mil com sementeira de milho ou luzerna.
Em 2008, juntamente com dois outros produtores, formou a «Produtos Lácteos de Idaho», sediada na cidade de Jerome. Com 67 mil metros quadrados e fábrica, esta indústria de laticínios que começou a recolher leite em 2009, sendo a única no mundo que produz concentrado proteico a 80%.
O produtor português, que emprega mais de 300 pessoas, revela que o seu sucesso empresarial está na saúde e na escolha dos seus gerentes. Luís Bettencourt defende que o segredo do crescimento do negócio que dirige está em tratar e pagar bem os seus trabalhadores. “Se eles se sentirem bem, permanecem e vão transmitindo o conhecimento de uns para os outros”, afirma num artigo divulgado no site da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses.
A provar esta filosofia de trabalho, está o facto de ainda manter os dois primeiros funcionários que contratou, e de mais de 150 dos seus trabalhadores estarem na «Bettencourt Dairie’s» há mais de 15 anos. Diz que enquanto dirige a empresa, estes funcionários ensinam os mais novos.
O preço as rações, as questões ambientais e as dificuldades em obter emprestamos junto da banca são os principais desafios para o futuro apontados por Luís Bettencourt que, para já, não pensa investir fora dos Estados Unidos. É que para o português, “tempo é dinheiro” e os negócios em outros países obrigariam a passar tempo “primordial” em viagens. Numa entrevista concedida em 2011 ao ‘MilkPoint’, o maior portal do leite no Brasil, durante uma feira do setor, não hesitou em dizer qual é o seu lema de vida. “Se te levantares todos os dias e apreciares o que estás a fazer, não é um trabalho, é um ‘hobby’”.
Quando chegou aos EUA trabalhou em vários empregos relacionados com os laticínios e em 1982 adquiriu a sua própria exploração e nunca mais parou de crescer. Em 30 anos, passou de 17 para 60 mil vacas leiteiras e tornou-se no maior produtor individual de leite em todo o mundo.
A família radicou-se na cidade de Turlock, no Vale Central da Califórnia, mas em 1982, o açoriano mudou-se para o estado de Idaho, onde começou com a sua própria leitaria. A «Bettencourt Dairie’s», sediada em Wendell, iniciou a laboração com 17 vacas, mas em 1985, contava já com 900 vacas leiteiras. Três anos depois Luís Bettencourt comprou a segunda exploração, aumentando o rebanho para 1.700 vacas em produção.

Premiados investigadores que estudam novas terapias para a Machado-Joseph

cadeira de rodasUm grupo de investigadores, liderado por Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, foi reconhecido pela National Ataxia Foundation (NAF), com a atribuição de quatro prémios para financiar a investigação na descoberta de terapias para impedir a progressão da doença de Machado-Joseph.
A patologia cerebral, que tem uma prevalência significativa nos Açores, provoca a perda de coordenação motora, acabando por confinar os doentes a uma cadeira de rodas e até ao momento é incurável.
Luís Pereira de Almeida foi premiado com o financiamento “Pioneer SCA Translational Grant Award”, no valor de 100 mil dólares (73.500 euros), que visa investigar a “Activação farmacológica da autofagia para aliviar a doença de Machado-Joseph”.
Segundo comunicado da Universidade de Coimbra, a autofagia consiste na “limpeza” das células, e os investigadores vão aprofundar os estudos em animais transgénicos (modelos da doença) que têm mostrado possíveis efeitos benéficos de fármacos, aprovados pela FDA - US Food and Drug Administration e pela Agência Europeia do Medicamento - no atraso na progressão e alívio dos sintomas da doença.
Ao mesmo grupo, foram ainda atribuídos três prémios de 15 mil dólares cada, que permitirão avançar na investigação da mesma doença: Liliana Mendonça está a realizar o transplante de células estaminais neurais em animais transgénicos numa área cerebral afectada pela doença de Machado-Joseph, o cerebelo. Os resultados preliminares já obtidos sugerem que esta poderá constituir uma “promissora” estratégia terapêutica.
Por seu lado, Rui Nobre tem estado envolvido no desenvolvimento de uma estratégia terapêutica promissora associada a uma forma inovadora de administração periférica. O projecto poderá dar um contributo importante para o uso de terapia génica nesta doença.
Por fim, Clévio Nóbrega tem investigado a possibilidade de outra molécula estar a contribuir para a doença - a ataxina-2. Neste projecto, o investigador pretende esclarecer o possível mecanismo patogénico e validar a ataxina-2 como potencial alvo terapêutico desta doença.
Ainda de acordo com a academia de Coimbra, a NAF financia estudos altamente promissores na área das doenças degenerativas que provocam ataxia (descoordenação de movimento), em todo o mundo. E neste ano, a NAF, pela primeira vez em quadruplicado, galardoou a investigação desenvolvida pelo grupo de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra.

Sociedade açoriana mais atenta aos valores da economia solidária

Catarina Borges - presidente ACEESAAs empresas açorianas estão a aliar-se, “progressivamente”, ao conceito de economia solidária. Uma prática que junta uma vertente social e “mais humana” à economia “convencional”. Abrange áreas como o combate às desigualdades sociais e à exclusão social, o ambiente e a cultura.
Segundo a presidente da ACEESA, a actual conjuntura de crise é um “permanente desafio”, que exige a aposta das empresas em “modelos inovadores e de maior risco”. Por isso mesmo, Catarina Borges  revela ao Diário dos Açores que há que adoptar uma “postura mais empreendedora” para fazer
“mais e melhor” pela sociedade.

 


A economia solidária é um conceito que tem ganho um lugar de cada vez mais relevo na sociedade açoriana. O número de entidades e empresas que se associam a esta prática tem vindo a aumentar na região.
Actualmente, a Rede de Empresas de Economia Solidária é composta por cerca de 17 empresas, que fazem parte das associações que cooperam com a Cooperativa Regional de Economia Solidária dos Açores.
Trata-se de uma prática que alia os objectivos de qualquer organização ou agente económico, como a produção de bens e serviços, criação de emprego, distribuição de rendimentos ou realização de investimentos, a uma vertente social. 
Em entrevista ao Diário dos Açores, a presidente da Associação Centro de Estudos de Economia Solidária do Atântico (ACEESA) explica que a o conceito “tem especificidades muito próprias”, que “a economia convencional não abrange”. É “mais humanizada, não exclusivamente sujeita aos ditames da economia de mercado, geradora de desigualdades e de exclusão social”. 
“É um conceito sistémico porque interage com o projecto social, quando emprega pessoas em situação de desfavorecimento, de exclusão social, e quando satisfaz as necessidades tendo em conta a acção”, refere Catarina Borges. 
A economia solidária possui ainda uma vertente ambiental, “ao não esquecer as questões da biodiversidade, da agricultura biológica, da recolha e separação de resíduos, passando pela promoção de actividades de ecoturismo e pela utilização de energias renováveis”, acrescentou. 
Nos Açores, a prática emergiu nos anos 90, como forma de luta contra a pobreza e a exclusão social, tendo como protagonistas apenas duas instituições. Hoje, são mais de 20 as associações açorianas que se movem pelos mesmos valores.
A ACEESA pretende continuar o crescimento deste número, “progressivamente”. “O esforço empregue na divulgação de informação e na sensibilização tem sido grande e terá de continuar a fazer-se de forma permanente”, sublinha. 
A associação surge na região enquanto pólo dinamizador da economia solidária. Promove projectos de acção junto da comunidade, das escolas, empresas e organizações com o objectivo de incutir ideias que levem a assumir alterações de comportamentos e atitudes. No último ano, foram desenvolvidos cursos de actualização de activos, seminários, conferências, entre outras actividades. 
A cada dois anos, a ACEESA publica ainda uma revista abordando várias áreas da economia solidária. A próxima será publicada em 2015.
Relativamente a este ano, a associação já planeia um nova iniciativa: a divulgação, em parceria com a ACAF (Associação das Comunidades AutoFinanciadas), de um novo modelo de financiamento alternativo, “inovador para os Açores”. 
“Trata-se de uma metodologia inovadora em microfinanças que consiste na constituição de um fundo comunitário, gerido por grupos de pessoas que criam e gerem esse fundo. O objectivo das comunidades autofinanciadas é o fortalecimento de redes sociais através da promoção de valores como o espírito de entreajuda, a solidariedade e autonomia”, explica Catarina Borges. 
Para a responsável, a economia solidária surge na região, “sem dúvida”, para responder a necessidades da sociedade que, de outra forma, não seriam solucionadas. 
“O modelo de funcionamento [da economia solidária] é baseado no conceito de desenvolvimento sustentável, que projecta na sua acção a inserção de público excluído ou em vias de exclusão, sendo esta inserção mais do que um mero direito de subsistência, ao reconhecer que a pessoa tem um papel positivo na sociedade, o de contribuir com a sua actividade para a utilidade social”, afirma Catarina Borges.
Não sendo este um objectivo directo do conceito, a sua prática acaba por ser um importante gerador de emprego no meio açoriano, numa altura em que crise e desemprego são as palavras de ordem. A economia solidária permite “dar novas oportunidades às pessoas em exclusão (ou em vias de) de voltarem a ter e a exercer uma cidadania activa”. 
“O principal impacto [da economia solidária] é o de contribuir para que surjam competências de públicos que a sociedade marginalizou, e devolvê-los ao mercado de trabalho”. “Permite reabilitar pessoas, territórios, ambiente, culturas, economias, redes de solidariedade, de partilha, de trocas, de afectos, de competências”, salienta a presidente da ACEESA.

“Postura mais
empreendedora”
A actual conjuntura é um “permanente desafio”. “As respostas sociais e económicas, que [as empresas] têm de dar, exigem modelos inovadores e de maior risco, que consigam responder aos problemas gerados pela crise”, realça a presidente, defendendo que há que adoptar “uma postura cada vez mais empreendedora com acções que contribuam para fazer mais e melhor”.
Em entrevista ao Diário dos Açores, Catarina Borges salientou que é possível fazer-se mais na região para aumentar a prática da economia solidária e apelou à necessidade de se “desmontar” o conceito. Mais do que a produção, distribuição e o consumo de bens e serviços, trata-se de um ramo da ciência social que abrange o mundo humano, a vida social.
“É muito importante a ACEESA poder demonstrar junto das organizações públicas e privadas a avaliação dos impactos que a economia solidária tem na região, por exemplo, na aferição da relação entre custos e benefícios para a sociedade das organizações que actuam na área”, salientou a responsável.
Nos últimos tempos, e porque a actual conjuntura “assim o exige”, tem se assistido a um processo de renovação das empresas de inserção. De acordo com Catarina Borges, há “um número cada vez maior de instituições que estabelecem novas parcerias para que seja possível utilizar os recursos (técnicos e financeiros) e metodologias de trabalho em prol do bem-estar da comunidade”.
Além desta maior adesão ao conceito, regista-se ainda a abertura de projectos que promovem os valores da economia solidária. A responsável aponta o surgimento de oficinas nas instiuições escolares, como é o caso do projecto ECOS, da escola Canto da Maia, em Ponta Delgada, bem como o projecto apoiado pela Fundação EDP, da Escola Secundária Antero de Quental.
Catarina Borges nota também a existência de empresas açorianas que, não estando integradas na Rede de Empresas de Economia Solidária, “namoram” o conceito, na forma aproximada de uma responsabilidade social.  

Por Alexandra Narciso