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“Precisamos de ensinar práticas que promovam a preservação dos nossos solos”, alerta biólogo

Pedro Medeiros - Rede Pro BioPedro Medeiros, professor de Biologia e Geologia, criou no ano passado a Rede Pró Açores Bio com o objectivo de potenciar o desenvolvimento da agricultura biológica nos Açores. Numa entrevista ao nosso jornal, este biólogo defende a necessidade de mudança na agricultura dos nossos dias, alertando para as consequências imprevisíveis da criação artificial que podem contribuir de “forma significativa” para a redução da sobrevivência humana

Como surge a Rede Pró Açores Bio (RPAB)?
A RPAB surge em 2012 como uma necessidade de colocar em contacto produtores e consumidores das várias ilhas dos Açores. Embora, em algumas ilhas, estes já estejam organizados a nível local, existe a necessidade de partilha a nível regional, atendendo a que estamos no mesmo contexto sócio-político para o qual faz sentido todos contribuirmos, assumindo a agricultura biológica como uma componente incontornável num modelo de desenvolvimento sustentável para os Açores.

Em que se baseia, fundamentalmente?
A RPAB baseia-se no conhecimento e na prática real em agricultura biológica, sendo uma rede de contacto entre produtores, consumidores e defensores deste modo de produção.  A rede de contactos tem permitido a troca de experiências e de práticas, a partilha de informação específica, a  divulgação de eventos e de formações específicas, a discussão de assuntos legais e processuais relacionados com a certificação, tem facilitado a comunicação entre produtores e espaços de comércio e tem permitido aumentar o nível de consciência da população sobre a possibilidade de se produzir em modo biológico e sobre a importância deste modo de produção a nível ambiental e para a saúde pública.

A rede engloba quantos produtores?
A rede engloba produtores certificados, produtores “amigos do ambiente”, agentes da indústria, consumidores, entidades de certificação, investigadores, políticos, entidades envolvidas no comércio de factores de produção e todo o cidadão que pretenda partilhar e conhecer a agricultura biológica. Na base temos os produtores biológicos certificados na região Açores, cerca de 30, tendo o número total de membros aderentes ultrapassado os 900 após um ano de actividade.

Há, na região, falta de conhecimento sobre a agricultura biológica?
Ao longo dos últimos anos tem-se verificado um incremento muito significativo no número de produtores que utilizam práticas menos agressivas para o ambiente e para a saúde. O consumidor está a tornar-se cada vez mais exigente neste aspecto. Além disso, as  escolas estão a começar a integrar práticas que promovem o ensino da agricultura biológica. Em algumas escolas já há algum tempo que a agricultura biológica é trabalhada no âmbito do projecto Eco-Escolas e investigada em algumas disciplinas como as Ciências Naturais e a Biologia. Em alguns casos, existem estufas e espaços próprios de cultivo. Algumas autarquias começam também a mostrar consciência e sensibilidade para a criação de hortas urbanas biológicas. Há um caminho que tem de continuar a ser percorrido, sendo de esperar uma progressiva aceitação da agricultura biológica como uma vertente essencial numa região desenvolvida.

Nota que há descrença nesse tipo de agricultura?
O desconhecimento sobre os métodos de trabalho em modo de produção biológica e a inconsciência sobre a acção nociva dos químicos de síntese usados na agricultura convencional são dois aspectos que precisam de ser trabalhados localmente, de forma articulada entre instituições, sendo essencial o papel das escolas na formação dos futuros cidadãos.

Existem problemas no processo de comercialização de produtos biológicos?
Verifica-se uma procura crescente por produtos certificados biológicos, quer a nível regional, como no continente. E mesmo a nível de exportação, poderá existir espaço de afirmação. A produção de leite e de carne, com forte expressão na região, beneficiará muito pela diferenciação a nível biológico.

Como potenciar o desenvolvimento da agricultura biológica nos Açores?
O desenvolvimento da agricultura biológica nos Açores terá de envolver os produtores agrícolas, as suas associações agrícolas, as autarquias, as câmaras de comércio e indústria, as juntas de freguesia, os agentes políticos e todas as instituições públicas, incluindo as escolas. As ONG’s e as associações de defesa do ambiente  terão igualmente um papel importante. As mudanças resultarão de um conjunto de acções articuladas, fundamentadas e consequentes que exigem persistência e muito trabalho em equipa.

Temos um grande potencial agrícola: solos férteis e clima ameno com água em abundância, mas um dos nossos maiores problemas é a enorme quantidade de pragas, que praticamente só é resolvida com recurso a pesticidas. O que é preciso fazer para, à semelhança da Holanda, recorrer ao combate biológico, em vez desses produtos?
Os nossos solos são férteis, mas precisamos de ensinar práticas que promovam a sua preservação para as próximas gerações. As escolas e a Universidade dos Açores têm um papel fundamental na investigação e na transferência de conhecimento para a acção prática ao nível dos vários sectores da sociedade.
Os Serviços de Desenvolvimento Agrário de Ilha têm actuado ao nível do controlo, sendo necessário prosseguir com acções articuladas com outras instituições e que promovam boas práticas agrícolas efectivas no sector produtivo regional.

Enquanto defensor da agricultura biológica, é contra a entrada de organismos geneticamente modificados nos Açores...
Os organismos geneticamente modificados (OGM’s) são organismos nos quais foram artificialmente introduzidos genes que a espécie natural não possui. Como os genes interagem entre si, a sua expressão não pode ser reduzida à sequência “um gene, uma proteína, uma característica”. Com o conhecimento actual da ciência, as consequências são ainda imprevisíveis, o que justifica a precaução de não se introduzir no ambiente formas de vida “artificialmente concebidas”.
Em agricultura, conforme o regulamento da certificação, uma produção agrícola não poderá ser certificada como biológica se existir nela organismos geneticamente modificados. A experimentação não deverá ser feita com a introdução de espécies OGM’s nos Açores, mas sim apenas num local muito restrito e devidamente identificado pela empresa que realiza a investigação e desenvolvimento nesta área. Quando se pretende comercializar algo com consequências imprevisíveis, não se pode alegar experimentação para iniciar a introdução na região Açores. A polinização cruzada com espécies tradicionais conduzirá a uma situação de impossibilidade total de localizar e eliminar o gene manipulado, comprometendo a integridade genética das espécies locais e, consequentemente, inviabilizando a certificação biológica das produções. Em ecossistemas de pequena dimensão como são os insulares, é fácil entender o alcance negativo que terá a introdução de OGM’s nas ilhas dos Açores.

Considera que, actualmente, estamos perante uma ditadura financeira das empresas multinacionais?
A promoção de uma literacia ecológica será a melhor forma de termos cidadãos activos e conscientes da importância da agricultura biológica nas diversas áreas da sociedade, nomeadamente na área legislativa. As organizações públicas, na defesa do interesse comum, terão de estar estruturadas com a agilidade suficiente para afirmar uma regulação sectorial que exija o cumprimento de regras a todas as empresas independentemente da dimensão financeira das mesmas. O interesse comercial com objectivos financeiros não pode se sobrepor a um valor essencial como é a biodiversidade, pressuposto da nossa sobrevivência e reserva genética e molecular para o futuro da humanidade. Da mesma forma como não é inteligente promover a monocultura, sem salvaguardar a policultura, não é sensato reduzir a diversidade genética, nomeadamente nos vegetais necessários à alimentação humana.
Num quadro futuro de alterações climáticas com consequências incertas, uma redução na diversidade genética vegetal e    a criação artificial de combinações genéticas com consequências imprevisíveis contribuirão de forma significativa para a redução das nossas possibilidades de sobrevivência. Num horizonte mais próximo, a continuação da compra e utilização de sementes híbridas que originam plantas cujas sementes não têm o mesmo potencial da planta-mãe, resulta numa redução da biodiversidade nas espécies vegetais usadas na nossa alimentação e traduz-se numa dependência financeira crescente em relação às empresas multinacionais que nos vendem as suas sementes.

Dinâmica das redes globais e locais em discussão na Universidade dos Açores

UAçA Universidade dos Açores acolhe na próxima semana, de 16 a 18 de Junho, a XII edição da conferência NECTAR 2013 Internacional Conference - Dynamics of Global and Local Networks.
Trata-se de uma iniciativa do Centro de Estudos de Economia Aplicada do Atlântico (CEEAplA) do Departamento de Economia e Gestão, em parceria com a APDR – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional.
Segundo nota da academia açoriana, o encontro conta com a presença de vários convidados de renome internacional na área das políticas de transportes, políticas regionais, redes de comunicação e de transportes, nomeadamente, Roger R. Stough (Vice President for Research and Economic Development, George Mason University), Ken Button (Professor of Public Policy at the George Mason School and Director, Center for Transportation, Policy, Operations and Logistics), Peter Nijkamp (VU University Amsterdam).
Conta ainda com a realização de várias sessões paralelas com a participação de cerca de 140 investigadores provenientes da Europa, América, Ásia, África e Oceânia, na área de redes de transportes e de comunicação.
“Pela diversidade e qualidade dos oradores plenários e das comunicações que serão apresentadas, é uma ocasião única para conhecer o papel e evolução das redes de transporte e de comunicações, global e transatlânticos, bem como regional e local, com ênfase no contexto de territórios periféricos e as redes locais”, lê-se no comunicado.

PSP detém dois homens e recupera artigos furtados no valor de 18 mil euros nas Flores

PSP3A Polícia de Segurança Pública (PSP) por intervenção da Brigada de Investigação Criminal da ilha das Flores, identificou e deteve segunda-feira dois indivíduos, como sendo os presumíveis autores do furto ocorrido no passado dia 2 de Junho, na ilha das Flores.
Os homens, de 42 e 29 anos de idade são naturais das ilhas das Flores e São Miguel, respectivamente, segundo divulgou a PSP em comunicado.
A intervenção policial, teve por base a denúncia apresentada no dia 2, domingo, tendo sido recuperados diversos artigos que haviam de sido furtados e que resultaram num prejuízo patrimonial de 18 mil euros para o lesado.
A PSP apreendeu duas armas de fogo, uma besta, 12 virotões e quatro flechas, garrafas de gás, gasolina, canas de pesca, binóculos, compressor, material específico para a prática da jardinagem, chaves diversas entre outros, que haviam sido furtados do interior de uma residência particular, sita no concelho de Santa Cruz das Flores, através do método de arrombamento e escalamento.
Já o relatório de actividade diária da PSP revela a detenção, na passada segunda-feira, de um homem, de 33 anos de idade, em Ponta Delgada, após ter sido interceptado a conduzir um veículo automóvel, com a carta de condução apreendida.
Em Angra do Heroísmo foi realizada uma operação de fiscalização rodoviária, na qual foram fiscalizados 39 veículos e detectadas 10 infracções de natureza contraordenacional.
O mesmo relatório avança a ocorrência de oito acidentes de viação nos Açores, dos quais resultaram apenas um ferido ligeiro e danos materiais.

Mulher detida por furto em Angra do Heroísmo

A Polícia de Segurança Pública (PSP), por intervenção dos elementos da Esquadra de Velas, constituiu arguida, na última segunda-feira, pelas 17H50, uma mulher de 38 anos, por furto no interior de residência com arrombamento.
A apreensão surgiu após uma denúncia de um furto no interior de residência com arrombamento, que após várias diligências culminou em buscas domiciliárias, na residência da ora arguida, tendo deste modo sido apreendidos diversas peças de ouro e cerca de 100 euros.
A suspeita foi Constituída Arguida e Sujeita a Termo de Identidade e Residência.

Nove armas apreendidas

Por outro lado, por intervenção dos elementos da Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial da Divisão Policial de Angra do Heroísmo, a PSP procedeu ontem a uma operação de fiscalização de armas de fogo, no âmbito da Operação denominada Queijada Branca.
Nesta operação foram fiscalizados 3 detentores de armas no âmbito do Regime das Armas e suas Munições, tendo sido apreendido nove armas de fogo, do tipo espingarda de caça.

Parque dos Caldeirões no Nordeste inaugura obras de ampliação

Parque dos Caldeirões - NordesteA Câmara Municipal do Nordeste inaugura amanhã o snack-bar do Parque dos Caldeirões, depois de realizadas as obras de ampliação e beneficiação do mesmo.
De acordo com uma nota da autarquia, foi criada uma nova zona de esplanada, com 33m2, e ampliada a esplanada que já existente. Com a ampliação da zona de esplanada, foram criados arrumos de apoio ao snack-bar.
O snack-bar e o apartamento ali existente (alojamento em espaço rural), reabrem com nova gerência, estando a mesma, segundo a mesma fonte, “empenhada em dinamizar e em promover o património cultural e natural do Parque dos Caldeirões”.

Incêndio numa habitação em São Roque quase provoca a morte a idosa de 78 anos

hospitalUm incêndio deflagrou ontem de manhã numa habitação na freguesia de São Roque, destruindo parcialmente a casa onde residia um casal de idosos, cuja mulher de 78 anos teve de ser resgatada.
Em declarações ao nosso jornal, o 2º Comandante João Moniz explicou que a idosa  estava inconsciente no interior da casa com queimaduras de 2º grau no ombro e no braço esquerdo.
Os 13 homens que se deslocaram ao local, apoiados por duas ambulâncias, um pronto-socorro, um auto-tanque e um auto-comando, logo tiveram de efectuar buscas para a encontrar, fazendo-as com sucesso.
A idosa deu entrada no Hospital de Ponta Delgada ainda inconsciente, mas segundo informações recolhidas naquela entidade hospitalar, a vítima já “está fora de perigo”.  Contudo, sem especificar os motivos, a mesma fonte avançou que “irá continuar internada”.
Por enquanto, as causas do incêndio foram dadas como desconhecidas, no entanto, o 2º Comandante adiantou que poderá ter sido um curto-circuito.