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Açores continuam a ser a região do país onde mais se fuma

CARLOS PAVAO“Pelo menos metade dos fumadores morrerão de alguma doença directamente causada pelo cigarro”, é assim que o médico Carlos Pavão, Director do Serviço de Pneumologia do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, alerta para os malefícios do consumo do tabaco e para a falta de consciência que ainda há na nossa sociedade sobre essa “pandemia”.
Efectivamente, por cada cigarro que se fuma perdemos em média oito minutos de vida. Assim, um homem fumador está a arriscar perder cerca de 13 anos de vida, enquanto uma mulher perde cerca de 15 anos, já que os efeitos negativos do tabaco são mais visíveis no sexo feminino.
De acordo com aquele especialista, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 4,9 milhões seja o total de mortes anuais devido ao uso do tabaco, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Portanto, uma morte a cada 6 segundos. Comparativamente, o tabaco mata mais do que a soma das mortes por HIV/SIDA, acidentes de viação, suicídios, alcoolismo e outras dependências. Especificamente no caso de Portugal, o tabagismo é responsável por mais de oito mil mortes, das quais cerca de quatro mil por doenças cardiovasculares, dois mil por cancro do pulmão e as restantes por enfisema do pulmão e cancro noutros órgãos.
Também segundo a OMS um terço da população mundial adulta é fumadora. Na distribuição por sexos, estima-se que 47% são do sexo masculino e 12% do sexo feminino. No entanto, enquanto nos países em desenvolvimento 48% da população masculina e 7% da população feminina fumam, nos países desenvolvidos a participação das mulheres mais do que triplica (24% das mulheres e 42% dos homens têm o hábito de fumar). Nesse sentido, são fumados diariamente cerca de 15 biliões de cigarros por dia e cerca de 5,5 triliões por ano em todo o mundo. Especificamente, no caso de Portugal, apesar de ter uma das mais baixas prevalências de fumadores entre os países europeus, o Inquérito Nacional de Saúde revelou uma tendência para o aumento da prevalência de mulheres fumadoras, em particular nas idades jovens. Nesse estudo, 20,9% da população portuguesa com 15 ou mais anos de idade, residente em Portugal, incluindo as Regiões Autónomas, era fumadora, sendo este valor mais elevado no sexo masculino (30,9%) do que no sexo feminino (11,8%). Mais de metade dos homens (56,9%) fumava ou já tinha fumado, ao contrário das mulheres que, na grande maioria (81,3%,  nunca tinha fumado. Enquanto que a maioria da população portuguesa (63,0%) nunca tinha fumado, 18,7% dos indivíduos fumava diariamente. A prevalência mais elevada de homens fumadores, foi observada nos Açores (31,0%) o que justifica o elevado número de neoplasias na população açoriana, segundo aquele médico.
Na distribuição por escalões etários, em ambos os sexos, as proporções mais elevadas de fumadores verificam-se nos grupos etários dos 25 aos 34 anos e dos 35 aos 44 anos. A partir dos 44 anos observa-se um declínio da proporção de fumadores, tanto nos homens como nas mulheres.
Em média, os homens fumavam mais cigarros por dia, 20 cigarros, do que as mulheres, 13 cigarros. Também a este nível, a população açoriana apresentou consumos médios diários mais elevados, 23 cigarros nos homens e 16 cigarros nas mulheres.
Na população portuguesa, a idade média de início de consumo de tabaco foi de 17 anos no sexo masculino e de 18 no sexo feminino, mas na Região Autónoma dos Açores os homens começaram, em média, a fumar mais cedo, aos 15 anos.

Cancro do pulmão e principais factores de risco

Embora tenha sido uma doença rara no início do século XX, Carlos Pavão realça que o cancro do pulmão tem alcançado proporções alarmantes em todo o mundo, sendo considerado um problema de saúde pública a nível global, responsável por mais de um milhão de novos casos por ano, sendo ainda, de todos os tumores malignos, aquele cuja incidência continua a aumentar, cerca de 0,5% ao ano, em paralelo, com o aumento do consumo de tabaco. “A doença, primeira causa de morte por doença oncológica nos países ocidentais, corresponde a 13% dos novos casos de cancro, sendo a segunda neoplasia maligna mais comum, depois do cancro da próstata e mama para homens e mulheres, respectivamente. Em Portugal, o cancro do pulmão também apresenta uma incidência crescente, com cerca de 3 mil e 500 novos casos por ano, sendo responsável por cerca de 3 mil óbitos anuais”, refere, acrescentando que se estima “em 41,19 casos por 100 mil habitantes a incidência do cancro de pulmão no homem em Portugal e 11,04 por 100 mil habitantes na mulher.”
Nos Açores, segundo os dados do Registo Oncológico da Região Açores (RORA), entre 1997 e 2006, o cancro do pulmão foi o que teve a maior incidência e mortalidade, com 1102 casos, valores superiores aos da média nacional, superando os cancros da mama, da próstata e do colón e recto.
O problema do cancro do pulmão, que faz com que a população em geral o considere pontencialmente mortífero, é que muitas vezes é diagnosticado tardiamente, principalmente porque há um conjunto de factores que faz com que os doentes desvalorizem os sintomas, tendo exemplificado: “As pessoas sentem-se cansadas, mas não se apercebem que pode ser resultado de alguma doença. Por isso, apanhamos as pessoas numa fase já muito avançada e a nossa capacidade de intervenção é cada vez menor.” Aquele pneumologista considera também que não é rentável fazer rastreios ao cancro do pulmão porque é uma doença que se desenvolve em muitos poucos meses. “Para detectar um cancro de pulmão, a pessoa teria de fazer exames de três ou quatro meses. Por isso, dizemos: ‘Não fume porque o risco é grande’.” Desse modo, apesar dos progressos técnicos na medicina, a sobrevivência dos doentes de cancro de pulmão não melhorou significativamente nos últimos anos, precisamente, porque é um cancro diagnosticado já tardiamente.
O envelhecimento, embora seja apontado de uma forma genérica o factor de risco mais importante para vir a ter qualquer tipo de cancro, segundo Carlos Pavão, a exposição profissional a diversas substâncias, nomeadamente arsénico, (minas, fundições e pesticidas), crómio, níquel, sílica (minas, cerâmica), radiações, gases do escape automóvel, produtos da combustão do carvão, alcatrão e petróleo e asbestos (produtos de isolamento, tintas, calços de travões) é responsável por cerca de 10 a 15% dos casos de cancro de pulmão a nível global.
“O aumento da poluição atmosférica com a presença no ar ambiente de substâncias cancerígenas, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos e metais (arsénico, crómio, níquel), lançados pelos veículos motorizados, fábricas e residências, parece estar igualmente implicado no aumento do número de casos de cancro do pulmão”, friza, acrescentando que “a poluição no interior das habitações, com exposição a produtos de combustão dos materiais de aquecimento e cozinha, produtos de limpeza, tintas, materiais de construção e mobiliário parecem igualmente ter influência no desencadear da doença.”
Mas, o principal factor de risco para cancro do pulmão é o fumo do tabaco activo ou passivo, sendo responsável por cerca de 87%  das mortes por cancro do pulmão. Dos múltiplos componentes do fumo do cigarro, cerca de 40 são carcinogéneos, ou seja, são capazes de provocar cancros. Existindo diferenças entre os vários tipos de tabaco e o modo como são fumados, o risco de adquirir a doença é diferente entre eles. Apesar de habitualmente não serem conotados com o cancro do pulmão, diversos estudos comprovam que os fumadores de cachimbo ou de charutos apresentam um risco acrescido de desenvolverem este cancro.
Em relação aos cigarros, o risco é maior para os fumadores de cigarros sem filtro e nos cigarros com teor elevado de alcatrão. Para contornar este problema, a indústria tem vindo a produzir cigarros com filtro e baixos teores de alcatrão e nicotina, “mas tal facto apenas confere uma falsa sensação de segurança aos fumadores, já que estes, alteram o seu modo de fumar, com inalações mais frequentes e mais profundas para atingirem os seus níveis de satisfação de nicotina e deste modo ao inalarem maior quantidade de alcatrão, não reduzem o risco de cancro.”
“O risco de cancro do pulmão está ainda relacionado com a quantidade de cigarros fumados por dia, com o número de anos que se fuma e até com a amplitude da inalação do fumo”, aponta. De salientar o facto de o sexo feminino ser mais sensível ao fumo do cigarro, pelo que, para uma mesma carga tabágica, o risco de cancro do pulmão ser maior nas mulheres do que nos homens.
A idade de início do hábito de fumar, também faz variar significativamente o risco, sendo que este é significativamente maior quando se começa a fumar na adolescência. “A intensidade do hábito para a mesma carga tabágica, é igualmente importante no risco, ou seja, fumar 40 cigarros por dia durante 20 anos, tem maior risco do que fumar 20 cigarros por dia durante 40 anos, apesar da carga tabágica total ser idêntica”, explica.
Já os fumadores passivos têm um risco 20 a 30% maior de vir a desenvolver a doença.

“Não existem níveis seguros de consumo de tabaco”

Segundo Carlos Pavão, o fumo do tabaco é a causa mais frequente de tosse e produção de muco – o catarro matinal. Por outro lado, a exposição ao fumo do tabaco está relacionada com o aparecimento de sintomas de asma em crianças e adolescentes. Além disso, há uma relação directa entre exposição crónica ao fumo do tabaco e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), sendo o tabaco responsável por 85% dos casos desta doença. “100% dos fumadores de 40 cigarros por dia apresentam ao exame histológico sinais de enfisema, enquanto nos não fumadores, só aparecem em 10%. Mesmo para um fumador mais moderado, 10 cigarros dia, em 94% dos casos estas alterações já são evidentes, pelo que se pode afirmar que não existem níveis seguros de consumo de tabaco”, assevera.
“Embora a associação do tabagismo à ocorrência de cancro seja a mais conhecida, na realidade, e devido ao tabaco, morrem mais pessoas por doença cardiovascular do que por cancro,” afirma, até porque, na realidade, “o tabaco afecta praticamente todos os órgãos e sistemas do organismo.”
“Para além de consequências estéticas, escurecimento dos dentes, inflamação das gengivas, mau hálito e envelhecimento da pele, o fumo do tabaco também está relacionado com disfunções sexuais no homem, levando a dificuldade de erecção, ejaculação precoce, infertilidade e diminuição do desejo sexual. Nas mulheres, está associado aos cancros do colo do útero e da bexiga, menopausa precoce, diminuição de desejo sexual e infertilidade, podendo causar também abortos ou nascimento de prematuros”, salienta.

Tabagismo passivo como 3ª maior causa de morte evitável em todo o mundo

Como já foi mencionado anteriormente, o fumo do tabaco não tem somente consequências para o fumador. Os não fumadores, expostos à poluição tabágica ambiental em locais fechados que ocorre quando o fumo exalado de uma pessoa é inalado por outra de uma forma involuntária, também sofrem sequelas, sendo, por isso, fumadores passivos. Além disso, considerando que as pessoas passam cerca de 80% de seu tempo em locais fechados, trabalho, residência, locais de lazer, o cigarro é considerado, pela Organização Mundial de Saúde como o maior agente de poluição doméstica ambiental.
De acordo com o Director de Serviço de Pneumologia do Hospital do Divino Espírito Santo, calcula-se em 600 mil, o número de mortes anuais pelo fumo passivo, sendo que 165 mil são crianças. Deste modo, a OMS considera o tabagismo passivo, a 3ª maior causa de morte evitável no mundo, depois do tabagismo activo e do consumo excessivo de álcool. Não fumadores que coabitam com fumadores, apresentam 15% maior risco de mortalidade que indivíduos sem contacto frequente com o fumo do cigarro.
As crianças são as mais prejudicadas pela exposição ao fumo passivo, verificando-se nas crianças que vivem com mais de dois fumadores em casa, 50% mais casos de infecções respiratórias. De sublinhar o tabagismo na gravidez, quer seja a mãe fumadora activa, transformando o feto em fumador passivo, quer esteja exposta passivamente ao fumo. Nas palavras daquele pneumologista, “em ambos os casos, a absorção pelo organismo materno de nicotina e monóxido de carbono, diminuindo o afluxo de sangue ao feto, aumenta o risco de mortalidade fetal e infantil, estimando-se ser possível reduzir em 10% a mortalidade infantil eliminando o tabagismo materno. Passando a nicotina para o leite materno, fumar durante a amamentação, acarreta do mesmo modo, consequências negativas para a criança recém-nascida.”

Como minimizar as consequências da exposição passiva ao fumo do tabaco?

De acordo com Carlos Pavão, para diminuir os riscos para a saúde do fumador e dos que o rodeiam, “a solução é que os fumadores optam por ambientes ao ar livre para fumar, evitando-o fazer em locais fechados como o carro ou em casa”, acrescentando que “fumar na janela ou na entrada de portas não diminui os riscos, pois a corrente de ar carrega as partículas tóxicas para o interior do ambiente fechado poluindo-o.” Desse modo, aquele médico considera que a legislação com vista a proibir fumar em locais públicos fechados “é uma importante arma no combate às consequências do tabagismo activo e passivo”, já que, “a entrada em vigor da actual lei anti-tabágica foi responsável por Portugal ser o país europeu com a maior diminuição de prevalência de fumadores passivos no local de trabalho no período entre 2005 e 2010.”
Nesse sentido, Carlos Pavão aplaude a medida restritiva ao tabagismo apresentada recentemente pelo Ministro da Saúde, Paulo Macedo, de que Governo irá avançar com a proibição de fumar no interior de viaturas que transportam crianças. Pelo facto de ser um ambiente fechado e de as crianças serem mais vulneráveis, o especialista em pneumologia acredita que essa nova lei permitirá uma maior consciencialização dos riscos que o tabaco acarreta.

Será fácil deixar de fumar?

Questionado sobre o grau de dificuldade que um fumador sofre por tentar deixar esse hábito, Carlos Pavão confessa que “não é fácil deixar de fumar, porque a nicotina causa dependência física e psíquica.” Além disso, “são necessárias quantidades cada vez maiores para atingir o mesmo nível de estímulo ou relaxamento, fazendo com que apenas 10% das pessoas que o tentam consigam deixar de fumar” até porque o consumo do tabaco  caracteriza-se por criar facilmente dependência e habituação, isto é, a pessoa anseia fumar cada vez mais para se satisfazer.
Do mesmo modo, quando se fuma, o organismo adapta-se aos efeitos da nicotina, mas quando se deixa de fumar, estas adaptações fisiológicas continuam presentes. “O resultado é que o organismo não consegue funcionar da mesma maneira na ausência da droga, aparecendo os sintomas da privação da nicotina”, sendo que “os sintomas poderão ser múltiplos e variáveis, dependendo de cada indivíduo.” Contudo, “os mais frequentes são a necessidade de fumar, ‘craving’, irritabilidade, ansiedade, insónia, depressão, tonturas, dores de cabeça, dificuldade de concentração e de aprendizagem e aumento do apetite e do peso.” “A vontade imperiosa de fumar, geralmente dura cerca de 15 dias, mas pode persistir por vários meses, sendo a causa mais frequente da recaída”, explica, acrescentando, no entanto, que “os restantes sintomas de abstinência da nicotina, geralmente vão desaparecendo ao longo do tempo, sendo muito reduzidos após um mês de abstinência.”

“Prevalência da obesidade infantil está a diminuir nos Açores”

A Directora Regional da Saúde participou, ontem, em Lisboa, em representação do Secretário Regional da Saúde, na conferência Fulbright Brainstorms organizada pela Comissão Fulbright, em cooperação com a Embaixada Americana e o Programa Harvard Medical School-Portugal, dedicada ao tema “Obesidade Infantil: A Epidemia do Século XXI”.
Na intervenção feita no decorrer dos trabalhos, Sofia Duarte deu conta dos dados do último estudo realizado no país sobre esta problemática que revelam uma redução significativa da prevalência do excesso de peso e da obesidade nas crianças da Região Autónoma dos Açores.
Segundo a Directora Regional da Saúde “esta diminuição tem a ver com o esforço que tem sido feito no âmbito do Plano Regional de Saúde, através de dois programas, o programa de luta contra a obesidade e o programa regional de saúde escolar”.
“Contribuiu também para esta diminuição, a decisão do Governo de dotar as unidades de saúde de nutricionistas ou dietistas, permitindo uma acção integrada com os demais profissionais de saúde, no sentido de esclarecer e sensibilizar as crianças e respectivas famílias para os benefícios de uma alimentação saudável”.
No âmbito do Programa Regional de Saúde Escolar foi desenvolvido um conjunto de acções envolvendo crianças, professores e famílias, centradas, de igual modo, na importância da alimentação saudável e do exercício físico. “Tudo leva a crer que a segunda fase do estudo sobre a prevalência da obesidade infantil, que será desenvolvido em 2013 venha a confirmar a tendência decrescente da obesidade infantil na Região Autónoma dos Açores”, observou a Directora Regional da Saúde.
As conferências Fulbright Brainstorms são conferências bianuais organizadas pela Comissão Fulbright com o objectivo de trazer a debate público temas de elevado interesse para a sociedade portuguesa. O encontro deste ano debruçou-se sobre a obesidade infantil e incluiu a apresentação de experiências devolvidas, sobre esta temática, em Portugal e nos Estados Unidos.

Governo fez a “maior reforma viária da história da Autonomia” diz José Contente

jose-contente-alraO Governo Regional levou a cabo, na última década, a maior reforma viária da história da Autonomia, sublinhou ontem o Secretário Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos.
José Contente referiu que o Governo se “orgulha deste feito, mas sobretudo o que ele representa, que é a garantia das melhores acessibilidades terrestres, mais segurança, e desenvolvimento, os açorianos podem deslocar-se com mais facilidade dentro de cada ilha”.
O governante, que falava após a visita às obras da empreitada de beneficiação de 17 quilómetros de estradas regionais, relembrou que, ao nível da reforma viária, a ilha das Flores “representa um caso especial, porque começamos do zero e agora temos uma boa rede viária”.
José Contente afirmou que no início da governação de Carlos César “a ilha das Flores nem tinha um metro de asfalto betuminoso”. Actualmente a rede viária da ilha está praticamente reabilitada na totalidade, fica apenas a faltar a beneficiação de um troço de nove quilómetros, que ainda está em boas condições, entre os Ferros Velhos e Ponta Delgada. Este será, portanto, o próximo troço a ser intervencionado para que a totalidade das estradas da ilha fiquem em boas condições, respeitando todos os critérios de segurança, conforto e modernidade.
O Governo Regional está a concluir a empreitada de reabilitação de 17 quilómetros, um investimento superior a quatro milhões de euros e que representa, “não só a grande reforma viária feita nesta Região, mas sobretudo na ilha das Flores”, acrescentou o Secretário Regional.
José Contente frisou que foi feito um grande esforço de investimento porque “houve uma vontade política inequívoca de resolver um problema da rede viária das Flores, que era a pior dos Açores”, que hoje em dia está reabilitada, modernizada, com qualidade, e garante a segurança rodoviária, “a par do que acontece nas outras ilhas.”

PSD acusa Governo Regional de “política rasteira” no caso da extensão do cabo de fibra óptica

O deputado do PSD à Assembleia Legislativa dos Açores Jorge Macedo acusou ontem o Governo Regional de fazer “política rasteira” com o caso da extensão do cabo de fibra óptica às Flores e ao Corvo.
Numa conferência de imprensa, realizada em Ponta delgada, o parlamentar social-democrata considerou que os florentinos e os corvinos estão a ser penalizados pelo executivo socialista, que, na “ânsia” de criticar o Governo nacional, “até se engana no nome da empresa a quem terá sido adjudicado o serviço”.
“Este Governo Regional, na ânsia de fazer guerrilha à República, baralha-se de tal forma que nem sabe qual foi a empresa que ganhou o concurso do cabo de fibra óptica”, disse Jorge Macedo, recordando que o presidente do governo faz acusações à Portugal Telecom, quando foi a Viatel a ganhar o concurso público.
O presidente do Governo, Carlos César, responsabilizou esta semana o Governo da República e a Portugal Telecom pelo atraso no arranque da obra de extensão do cabo de fibra óptica às Flores e do Corvo, assumindo, no entanto, o compromisso, de resolver o assunto “ainda este mês”.
O deputado entende que o PSD tem a “obrigação e dever” de “denunciar as mentiras” do Governo Regional num projeto que já se prolonga há 16 anos “nas gavetas” do executivo açoriano, entidade que, para o partido, é a única responsável pelo atraso na ligação do cabo de fibra óptica.
Segundo o social-democrata, a empresa à qual foi adjudicada a obra (a Viatel) entregou no dia 05 de Dezembro do ano passado o formulário de candidatura aos fundos comunitários do Programa Operacional dos Açores para a Convergência (PROCONVERGÊNCIA), que é gerido pelo Governo Regional.
“Só que, passados cinco meses, o Governo Regional ainda não conseguiu assinar o contrato com a Viatel”, denunciou Jorge Macedo, lamentando que este exemplo de “incompetência” tenha sido escondido dos açorianos.
“Negligenciaram a fibra óptica para as Flores e o Corvo durante 16 anos e agora, que têm a candidatura da Viatel há cinco meses dentro da gaveta, têm o descaramento de vir acusar a República de um atraso que é da exclusiva responsabilidade do Governo Regional”, apontou.
Os sociais-democratas açorianos exigem que o Governo Regional resolva rapidamente o problema e deixe de utilizar “mentiras esfarrapadas” para esconder a sua “incapacidade”.

Executivo informado de que Governo não quer “assumir nenhum encargo” com fibra ótica para Flores e Corvo
     
A empresa VIATEL informou o Governo dos Açores de que “o Governo da República não pretendia assumir nenhum encargo” com a extensão do cabo de fibra óptica às Flores e ao Corvo, disse ontem o vice-presidente do executivo regional.
“A empresa VIATEL informou a região de que o Governo da República não pretendia assumir nenhum encargo, não só com a ligação do cabo de fibra óptica às Flores e ao Corvo, como também os custos com o projeto de instalação das redes de nova geração em 12 concelhos dos Açores”, afirmou Sérgio Ávila, numa declaração aos jornalistas no Corvo.
Sérgio Ávila acrescentou que a empresa “comunicou que só daria início aos trabalhos se o Governo dos Açores passasse a assegurar a totalidade do financiamento que tinha sido assumido pela República para todos os investimentos”.
“Em conclusão, o Governo da República assinou um contrato com a empresa assumindo o financiamento para concretização de investimentos da sua exclusiva responsabilidade e competência, desresponsabilizando-se depois pelo seu cumprimento”, frisou o vice-presidente do executivo açoriano.
Nesta declaração lida aos jornalistas à margem da visita estatutária do Governo dos Açores ao Corvo, Sérgio Ávila recordou que “o Governo da República assinou, em 18 de Maio de 2011, com a empresa VIATEL, um contrato para a instalação da ligação do cabo submarino de fibra óptica às Flores e ao Corvo e, em simultâneo, para a instalação das redes de nova geração em 12 concelhos dos Açores”.
Nos termos contratuais, cabe à VIATEL a construção, exploração e rentabilização daquelas infraestruturas, envolvendo um investimento total de 20 milhões de euros, dos quais 12,4 milhões para o cabo de fibra óptica às Flores e Corvo, as únicas ilhas do arquipélago que ainda não estão ligadas a este cabo.
“Apesar de o contrato ter sido assinado há um ano, o Governo da República nunca assegurou qualquer financiamento para a concretização deste projeto, conforme está previsto no contrato”, denunciou Sérgio Ávila.
Nesse sentido, “face ao desinteresse da República em assegurar o cumprimento do contrato assinado, o que estava a inviabilizar o inicio da ligação do cabo de fibra ótica às Flores e Corvo, o Governo dos Açores decidiu disponibilizar 85% do financiamento necessário à concretização deste investimento, num esforço financeiro de 10,5 milhões de euros”.
Esta decisão do Governo Regional “foi oficialmente comunicada ao Governo da República e à empresa concessionária a 10 de fevereiro passado”, revelou Sérgio Ávila, acrescentando que não há nenhuma candidatura pendente de decisão para a obtenção de fundos comunitários da região.
“Afinal, o Governo da República não pretende investir um cêntimo, como lhe compete, e, apesar de a região dar 85%, mesmo assim não quer avançar com o investimento, por querer que a Região dê ainda mais do que custa o cabo”, frisou.
O vice-presidente do Governo Regional criticou ainda o PSD/Açores por “achar muito bem” que o executivo açoriano tenha que pagar este investimento, tal como a RTP/Açores, as obrigações de serviço público para diminuir o custo das passagens aéreas, os aeroportos da ANA – Aeroportos de Portugal, a formação dos profissionais da PSP e a Universidade dos Açores.

Governo “já melhorou as condições de mais de 80 famílias nas Flores e Corvo”– Ana Paula Marques

ana-paula-marquesO Governo Regional “já melhorou as condições habitacionais de mais de 80 famílias, nas ilhas das Flores e Corvo, um investimento superior a dois milhões de euros”, informa nota de imprensa veiculada pelo Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GaCS).
Os apoios foram atribuídos através dos programas de aquisição e construção de habitação, reabilitação e requalificação de habitações degradadas, tendo sido ainda apoiadas rendas habitacionais.
A informação foi avançada ontem pela Secretária Regional do Trabalho e Solidariedade Social, Ana Paula Marques, após uma vista às obras de reabilitação e requalificação das habitações na freguesia da Fajãzinha, no concelho das Lajes, nas Flores.
Das 12 habitações a reabilitar, nove já se encontram concluídas, estando as restantes três em fase de requalificação.
Segundo a governante, as obras de reabilitação, que estão a ser geridas pela Cáritas da ilha das Flores, têm decorrido a “bom ritmo e a maioria das famílias afectadas já retomou a normalidade das suas vidas.”
Paralelamente,  também na Fajãzinha, o Governo já adquiriu uma das duas habitações situadas em zona de risco, estando em fase de conclusão a aquisição da restante.