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Eleições Antecipadas

Enquanto um governo dos Açores em gestão, por conta de eleições antecipadas no início de fevereiro próximo, entrou em despudorada campanha eleitoral, aproveitando-se abusivamente da sua condição de governo, os principais agentes económicos de pressão sobre o poder político entraram simultaneamente em ação, aproveitando-se abusivamente neste caso desse poder económico para se tentarem sobrepor ao sistema político democrático.
Assim, aí tivemos esta semana o presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, circunstancialmente coadjuvado pelo presidente da Associação Agrícola de S. Miguel, a recomendar aos eleitores uma “maioria estável” e um “bom governo” como resultado do escrutínio de fevereiro.
Um “bom governo” que concretamente decretasse ainda mais benefícios fiscais em sede de IRC e que se recusasse a decretar mais qualquer acréscimo regional ao salário mínimo nacional…
Para quem ostraciza o “ir e vir dos políticos” e chama aos partidos: “grupos de interesse, que põem em risco as atividades económicas e os serviços públicos”, eu diria que estaríamos então, paradoxalmente, na presença de mais um grupo de interesses, travestido de partido político a preconizar como única e legítima, embora pouco democrática, maioria política estável: aquela que é favorável ao grande patronato, contra a melhoria dos rendimentos dos trabalhadores e contra a distribuição mais justa da riqueza na sociedade. É caso para dizer que destas maiorias estamos todos nós cansados, pois sejam em tons laranja ou rosa, ou agora, mais atrevidos e recauchutados, em tons de azul e amarelo, é esta política no essencial que aos açorianos tem sido servida nas últimas décadas…
Para o escrutínio de março, aí está, carimbado de esquerdista (até de comunista em certos casos) um novo líder do PS, o homem que já fechou acordos com a ala mais direitista do seu partido (Francisco Assis) e a quem os respetivos conselheiros já determinaram uma aproximação aos valores do centrão. Caso o PS vencesse em março com uma nova maioria absoluta de deputados, este pendor político certamente se afirmaria na senda da última maioria de António Costa e do seu último orçamento de estado, cuja aprovação foi preparada e consentida pelo Presidente da República e pelas direitas. Para que o novo líder dos socialistas se comporte em coerência com o perfil de esquerda que lhe é atribuído e para que a democracia portuguesa se consolide, será necessário acima de tudo que ganhem força no escrutínio de março as forças à esquerda do PS, nomeadamente o PCP (atualmente 6 deputados) e o BE (atualmente 5 deputados). É uma afirmação que pode não ser imediatamente compreendida, mas que penso constituir a única forma de, no futuro imediato, inverter políticas no país, voltando a aproximá-las da via socialmente justa preconizada pela Constituição da República Portuguesa e pela Revolução cujo cinquentenário se irá comemorar pouco tempo depois de 10 de março.
Quanto às direitas, a bola por enquanto está nos jogos de treino entre equipes da casa, para ver quem passa a integrar a equipa A. Por mais que mudem o discurso de acordo com as conveniências eleitorais, as maiorias que conquistem serão sempre da mesma qualidade das preconizadas pelos grupos de interesse a que pertence o atual responsável da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada.

Mário Abrantes

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