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Réplicas: ou o rescaldo das emoções provocadas por EPICENTRO

Passou pouco mais de uma semana e ainda lido com os sentimentos que este espectáculo proporcionou.
No dia, às 10h30, o auditório da Domingos Rebelo estava cheio com mais de 300 adolescentes prestes a ver um espectáculo de 40 minutos – à partida pouco propício aos interesses dessa faixa etária.
Um bailado, e com protagonistas que lidam com sérios handicaps.
Um deles, o Martim, grita regularmente, numa manifestação aguda que teria todo o potencial de provocar aquele riso destruidor que a multidão tão cruelmente pode gerar.
Na verdade, não houve risada, não se viram as irritantes luzes dos telemóveis, aconteceram aplausos espontâneos, concentração, orgulho, ternura e um apreço final que permanecerá sempre comigo.
Já no palco, onde raparigas e rapazes pediam aos seus colegas e aos bailarinos fotografias e autógrafos, um desses adolescentes da plateia veio ter comigo e, no seu bonito sotaque micaelense e com o coração ao pé da boca, disse-me: “Oh senhor, o senhor chorou tanto como eu, não foi? Isto foi tão bonito!”.
Se foi, querido leitor.
Mérito antes de mais da maravilhosa Cecília Hudec e do que, com a sua sensibilidade e talento, conseguiu construir a partir de 14 páginas escrevinhadas por este escriba.
Traduzir e criar, na linguagem do movimento, aquilo que escrevi (com dedicação, claro, mas também receio do território desconhecido que pisava e das responsabilidades inerentes).
Mérito dos bailarinos Teresa, Diogo e os dois Pedros, almas encantadoras.
Mérito da Maria João Gouveia e do André Bonito Mendes, do Estúdio 13, e – lastbutcertainlynottheleast – mérito absoluto dos protagonistas, alunos e auxiliares da Escola Secundária Domingos Rebelo: o supracitado Martim, o Marco – que ainda desenhou o cartaz -, a Letícia, a Alice, a Francisca, o Rodrigo e o Júlio, a Fátima, o Cristóvão e a Margarida.
Obrigado pela extraordinária semente que plantaram nos corações de centenas. Obrigado por me terem incluído naquele que será sempre um dos momentos mais bonitos da minha vida. Trabalharia com todos vós todos os dias.

Luís Filipe Borges,
especial para Diário dos Açores

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