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Demasiado informados para pensar

Dantes, para termos conhecimento sobre o mundo em redor, era preciso perguntar a alguém mais velho, ir à biblioteca, ou pelo menos ter o bom senso de duvidar de quem falava com muita certeza. Hoje, não. Hoje trazemos tudo isso no bolso, em formato de tablet, telefone móvel, ou outro, para consultarmos a toda a hora factos, estatísticas, tutoriais, opiniões em formato podcast para todos os gostos e feitios, memes explicativos, um especialista por minuto no TikTok. Enfim, parece que falar em acesso à informação, neste tempo, o céu o limite. Ou seja, estamos mais informados do que nunca — e, curiosamente, cada vez menos capacitados para pensar.
O excesso de informação é o novo ruído, o último grito da moda. E o cérebro humano, coitado, que evoluiu para fugir de leões e saber distinguir plantas venenosas, agora tem de processar 57 notificações por hora e decidir se o que leu foi “almoço cancelado, falta de quórum” ou “ninguém vai ao fórum”.
Resultado? Não decidimos. Reagimos.
Queremos opinar sobre tudo, mas já não temos a opinião de outrora. Julgamos ser críticos quando, na verdade, estamos a debitar ofensas e palavras mal medidas, a reagir. O algoritmo poupa-nos o trabalho de pensar, sugerindo o que nos irrita ou conforta. Não há meio-termo. Não há silêncio. Só ruído.
E as consequências, apesar de discretas, são profundas. Tomar decisões exige tempo, contexto e ponderação. Três coisas que hoje vão sendo pequenos luxos. Preferimos a resposta rápida à pergunta bem feita. Preferimos estar atualizados a estarmos conscientes.
A ironia é que nunca nos foi tão fácil ter acesso à informação e ao conhecimento, e, por essa via, tão difícil formar uma opinião. Vivemos atolados em dados e destituídos de sentido e de contexto. Talvez seja hora de desligar um pouco. Não para ignorar o mundo, mas para voltar a vê-lo sem o filtro dos tópicos da moda, das notícias da moda.
Pensar devia ser o novo luxo, a nova rutura, o novo escândalo. Mas não, pensar é do século XX. E isso assusta-me, mais do que qualquer outra realidade.

Luís Soares Almeida

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