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Erasmus+, a experiência de um ensino sem fronteiras

Desde a sua criação, o programa europeu de intercâmbio estudantil Erasmus tem constituído uma mais-valia para o enriquecimento formativo e uma oportunidade de excelência para a mobilidade e consequente vivência de experiências de inegável importância.
Uma realidades que os alunos dos Açores, a Universidade dos Açores, outros organismos públicos e empresas incorporam desde a primeira hora o que, no caso, se reveste de acrescida pertinência, dada a ultra-periferia que nos caracteriza.
No actual formato, o Erasmus+, iniciado em 2014, 659 estudantes com origem nos Açores frequentaram o programa (dados até Maio de 2025), e 2134 realizaram estágio na Universidade dos Açores (UAc) e outras entidades de acolhimento.

Açores com múltiplas áreas
de interesse

As ciências naturais, nomeadamente as ligadas ao mar, são as mais apetecidas por aqueles que escolhem a Região para enriquecer a respectiva formação académica. No período em causa foram 912, os participantes na área de Ciências Naturais, Matemáticas e Estatística, seja para estudos, seja em estágio.
São na academia açoriana que mais se vem desenvolvendo as duas vertentes do Easmus+ (estudos e estágio). No âmbito de estudos, no período em causa, a UAc acolheu 1359 estudantes e, na vertente de estágio um total de 424. Outros organismos já receptores de estagiários que se destacam são o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (35), a Futurismo – Agência de Viagens e Turismo de Natureza (33), a Sociedade Portuguesa para o Estudos das Aves (32), Norberto Diver Actividades Marítimas (13) e a Okeanos – Instituto de Investigação em Ciências do Mar (10), a par de outras receptoras.
Ainda no que respeita ao incomming, isto é, alunos do exterior na Região, relativamente às áreas de educação e formação de frequência, além das Ciências Naturais, Matemáticas e Estatística, há a salientar as áreas de Ciências Sociais, Jornalismo e Informação (261 estudantes), Saúde e Bem-estar (206), Agricultura, Florestas, Pescas e Veterinária (187), Economia, Administração e Leis (133), Serviços (130) e Artes e Humanidades (114). Educação, Engenharia, Indústria e Construção, e Tecnologias de Informação e Comunicação são as áreas de competência que têm registado uma menor participação.
No que concerne à origem dos estudantes que, no âmbito do Erasmus+, optam pelos Açores para adicionar conhecimentos e experiência à respectiva formação, a Espanha destaca-se consideravelmente, com um total de 866 aderentes (41% do total). Segue-se a Itália, com 232 participantes (11%), e a Polónia (9%), de onde já vieram 187 estudantes. No período apreço, já passaram pelos Açores jovens oriundos de 28 países dos mais díspares recantos do continente europeu, como Chipre, Bulgária, Letónia, Eslovénia, Noruega e Islândia.
O número de estudantes incomming tem, desde 2014, registado um aumento gradual e consolidado, com excepção de 2020, ano de início da pandemia de Covid-19. Então, apenas 96 estudantes vieram para os Açores. Um ano antes haviam sido 213. Nos anos pós-covid (epidemia oficialmente terminada em Maio de 2023), os registos indicam uma adesão de estudantes sempre superior aos 200/ano, tendo o máximo sido alcançado no ano passado, quando 279 estudantes escolheram o arquipélago para prosseguir os estudos e/ou estagiar. No presente ano, dados ainda provisórios (disponibilizados pela Agência Nacional Erasmus+), referem 147 estudantes nos Açores ao abrigo do programa Erasmus+ (até Maio).

O outgoing

A par de ser ponto de acolhimento, a Região, ou o mesmo será dizer, a Universidade dos Açores, tem visto alunos seus frequentarem o programa de estágios europeu e em número bastante razoável, em particular nos anos mais recentes: em 2023 foram 71 e no ano passado foram 91. Este ano, o programa conta já com 73 participantes. Desde o início do Erasmus+, um total 659 estudantes dos Açores procuraram sabedoria noutras paragens.
Curiosamente, ou não, o país de destino mais procurado por estudantes do Erasmus+ a partir da Região Autónoma dos Açores é a Polónia, onde foram concretizados 160 programas, o que equivale a 24% do total de frequências. Seguem-se a Espanha (154 estudantes) e a Itália (78). Os estudantes com origem nos Açores que já frequentaram programa Erasmus+ fizeram-no em 30 países, 12 dos quais da dita Europa de Leste. Cabo Verde (país associado) já recebeu cinco estudantes originários dos Açores.
A experiência na área da Saúde e Bem-estar destaca-se pela procura, surgindo as áreas de Ciências Naturais, Matemáticas e Estatísticas e Economia, Administração e Leis igualmente entre as mais frequentadas. Artes e Humanidades, Engenharia, Indústria e Construção e Educação têm registado pouca adesão.

Sobre o Programa Erasmus

O Programa Erasmus foi criado em 1987 por iniciativa da associação estudantil AEGEE Europe, fundada por Franck Biancheri, posteriormente apadrinhada pelo comissário europeu da Educação da Comissão Delors, Manuel Marín, com o apoio do presidente da República Francesa, François Mitterrand e do Governo de Espanha, liderado por Felipe González. O programa, juntamente com um número de outros programas independentes, incorporou-se no programa Sócrates criado pela Comissão Europeia em 1994, o qual terminou em Dezembro de 1999, sendo substituído pelo programa Sócrates II, o qual, por sua vez, foi substituído pelo Programa de Aprendizagem Permanente 2007–2013. O Erasmus+ é o programa em vigor, que combina todos os actuais planos da UE para educação, formação, juventude e desporto. Iniciou em Janeiro de 2014 e estende-se até ao final de 2027.
Tem como principal objectivo promover a mobilidade estudantil e facilitar intercâmbios educacionais entre países europeus. A duração dos estágios ou estudos varia ente os 3 meses e um ano e é dirigido para estudantes de graduação, mestrado, doutorado e estagiários, mas também jovens, treinadores e profissionais em várias áreas Tem apoiado a educação, a formação, a juventude e o desporto, proporcionando oportunidades de experiências internacionais. Para tal, oferece apoio financeiro para ajudar na deslocação, alojamento e custos de vida durante o período de estadia no estrangeiro. A quantia recebida varia conforme o país de destino e o custo de vida local.
A par dos Estados-membros da União Europeia, o Erasmus+ estende-se a países terceiros associados, cobrindo praticamente o mundo inteiro.
O programa Erasmus, acrónimo do nome oficial em língua inglesa, European Region Action Scheme for the Mobility of University Students (Plano de Acção da Comunidade Europeia para a Mobilidade de Estudantes Universitários), deve o seu nome ao filósofo, teólogo, humanista do Renascimento, monge holandês, e devoto católico romano, Erasmo de Roterdão.

Rui Leite Melo

*[email protected]

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