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IDEIAS HÁ MUITAS

A sentença das redes sociais

A recente morte de Teresa Caeiro desencadeou, no último fim de semana, um verdadeiro turbilhão de reações nas redes sociais — entre elogios às suas qualidades humanas, competências sociais e percurso político.
Subitamente, centenas de pessoas pareciam conhecê-la intimamente. Houve quem apenas tivesse trocado uma breve chamada telefónica com Teresa para se considerar seu amigo. Nada contra o reconhecimento, mas convém distinguir entre um contacto ocasional e uma verdadeira relação de proximidade. Confundir isso com intimidade é, no mínimo, oportunismo — uma tentativa de capitalizar a comoção coletiva provocada pela sua partida.
Por outro lado, se tudo se resumisse a homenagens sinceras a uma mulher notável, estaríamos perante um gesto digno. Mas eis que um editorial, de origem nebulosa, veio lançar suspeitas graves: insinuava que Teresa teria sido vítima de violência doméstica durante o seu casamento com uma figura pública amplamente conhecida. Sem provas, sem contexto, sem qualquer cuidado. O nome apontado: Miguel Sousa Tavares.
O resultado foi imediato — milhares de publicações, partilhas e comentários inflamados, muitos deles desprovidos de ponderação ou respeito.
Confesso que nutro profunda admiração por MST. Filho da incomparável poetisa Sophia de Mello Breyner e do inesquecível Francisco Sousa Tavares, Miguel é, por mérito próprio, uma das vozes mais brilhantes da escrita portuguesa contemporânea. Ao longo de décadas, ensinou-me muito com os seus textos. E, neste episódio, foi alvo de um linchamento público sem sequer ter tido oportunidade de se defender.
Foi como se o país intelectual e político se tivesse voltado contra ele — com algumas exceções, claro.
Mas o destino, por vezes, tem o seu próprio senso de justiça. No auge da especulação e da maledicência, a família de Teresa veio a público exigir categoricamente exigir respeito pela memória da senhora.
Com isso, calaram o país justiceiro e moralista — que não vive apenas nos extremos partidários, mas também nas elites que se deixam arrastar pelo escândalo fácil. A história segue agora para os tribunais, como informou MST.

Luís Soares Almeida

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