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Algumas notas sobre o Editorial (28/8/2025) do DI e a propósito da Caça e o Turismo

A propósito do Editorial do DI, a espécie cinegética mais abundante nos Açores era o coelho bravo, presentemente esta espécie só existe numa densidade razoável (embora distribuída assimetricamente no interior destas ilhas) nas ilhas de São Miguel e do Faial, nas restantes 6 ilhas, tem uma densidade muito fraca, e no Corvo a espécie está extinta. A virose Hemorrágica nos coelhos foi madrasta para os Açores. No passado esta espécie cinegética representava um enorme potencial para o turismo cinegético, mas nunca foi aproveitado. Sendo assim, presentemente não existe potencial turístico para a caça ao coelho bravo. Quanto às aves de arribação que se podem caçar nos Açores, as espécies de Patos e Narcejas que arribam no Arquipélago é muito inconstante e não tem expressão que justifique um turismo cinegético para estas espécies. Restam os pombos das rochas, aqui sim, existe densidade bastante, e a espécie está em expansão, resta saber se existe procura para uma espécie desta natureza, e que está erradamente associada a um produto gastronómico de baixo valor, e digo erradamente, porque com esta espécie se podem confecionar excelentes pratos.
A outra espécie cinegética que se pode caçar na atualidade nos Açores são as codornizes, outrora abundantes no tempo do ciclo económico do trigo, hoje a sua densidade está muito reduzida, devido ao tipo de agricultura que se pratica no Arquipélago, em que o grão cedeu espaço e importância a favor da erva, neste cenário o turismo cinegético a esta espécie selvagem da Coturnix coturnix conturbans, não se justifica, até porque atualmente o período de caça é muito limitado. Finalmente, temos a espécie nobre e rica da caça em algumas ilhas dos Açores e que é a nossa Galinhola, a Scolopax rusticola, que nos Açores é sedentária, isto é, não é uma ave de arribação, e que está muito ligada às nossas plantas endêmicas, aos musgos e a um habitat húmido. Esta espécie está muito ameaçada pela mudança do habitat e mudança do clima, é pois uma espécie que requer um acompanhamento científico rigoroso e medidas de controlo apertadas, sob pena de perdermos este Tesouro que é a Galinhola dos Açores. Neste sentido, o turismo cinegético a esta espécie rica e fantástica que existe em algumas ilhas dos Açores, teria de ser muito bem pensado, e não tenho dúvidas nenhumas que representaria uma ameaça extrema à sustentabilidade da Galinhola dos Açores, que não é de arribação e não se reproduz em cativeiro. Em síntese, o turismo cinegético presentemente nos Açores só se justifica para os pombos das rochas, resta saber se existe procura e se este caçador desta espécie interessa aos Açores?.
Atenção, que eu estou a falar em caça selvagem e não em “caça” intensiva, sempre ligada à reprodução em cativeiro.

Agosto de 2025

Gualter Furtado

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