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Paulo do Nascimento Cabral em Itália considera urgente a valorização dos resíduos agrícolas

O eurodeputado Paulo do Nascimento Cabral está a participar esta semana na missão da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu à região da Lombardia, em Itália. Segundo o parlamentar açoriano, “estas missões são muito úteis, pois permitem compreender melhor as práticas agrícolas de outros Estados-Membros e reforçar a cooperação, sobretudo em áreas como a valorização de produtos de qualidade, a inovação tecnológica e a sustentabilidade. Considero, inclusivamente, que existem semelhanças entre esta região de Itália e a produção agrícola nos Açores e em Portugal continental, desde logo pelo elevado número de produtos com denominação de origem e indicação geográfica e foco na produção pecuária de enorme valor acrescentado”.
Entre as explorações agrícolas visitadas, Paulo do Nascimento Cabral destacou o projecto “Combi Mais”, sublinhando que “este projecto procura optimizar a produção de milho em grão, garantindo um produto sem micotoxinas. É um exemplo claro de como a inovação pode melhorar a qualidade e a sustentabilidade da produção agrícola. Todo o trabalho desenvolvido aposta igualmente na eficiência dos recursos, em particular na gestão hídrica. Temos de investir em novas técnicas genómicas para desenvolver plantas mais resistentes às alterações climáticas e de maior calibre. Só assim poderemos aumentar as nossas reservas estratégicas, melhorando também a capacidade de armazenamento de alimentos, de modo a preparar-nos melhor para eventuais crises de segurança da UE no futuro”.
O eurodeputado do PSD salientou ainda o projecto da Società Cooperativa Agricola Pieve Ecoenergia, que considerou “exemplar na produção animal e energética. Esta exploração, equipada com robots de ordenha e alimentação, alia práticas de agricultura de precisão ao aproveitamento de efluentes pecuários, nomeadamente através de processos de digestão anaeróbia para produção de biometano. Só em 2022, a unidade atingiu uma capacidade de 2,7 milhões de metros cúbicos/ano, evitando a emissão de mais de 6 mil toneladas de CO2. É uma referência europeia de circularidade, que merece ser replicada noutras regiões da União Europeia. Fazendo um paralelismo com os Açores, é importante que produtos e resíduos agrícolas tenham um maior aproveitamento. Através da circularidade, estes recursos poderiam ser transformados em bioenergia, biogás e biometano, permitindo aumentar o rendimento dos agricultores e, em simultâneo, reforçar a sustentabilidade do sector”.
A comitiva reuniu igualmente com várias entidades associativas representativas dos vários sectores agrícolas italianos, com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (agência da União Europeia que fornece aconselhamento científico aos gestores de riscos e que se pronuncia sobre os riscos associados à cadeia alimentar) e com a Autoridade Nacional Italiana do Arroz. Sobre este sector, Paulo do Nascimento Cabral afirmou: “O arroz é um elemento identitário da gastronomia e da cultura italiana e focaram-se na produção de arroz a um nível premium, direccionado para um prato específico. Contudo, é uma produção que enfrenta grandes desafios, motivados pelas alterações climáticas: em primeiro lugar, os acordos comerciais não podem permitir a entrada de produtos que não respeitem os mesmos padrões de produção exigidos na União Europeia. Em segundo lugar, as tarifas impostas pelos Estados Unidos representam, de facto, um drama para os nossos produtores. E, em terceiro lugar, precisamos de uma PAC forte, capaz de responder a três grandes desafios: reforçar a autonomia estratégica da União através da segurança alimentar; assegurar um rendimento justo para os nossos agricultores; e promover a vitalidade das nossas áreas rurais, apostando na produção local. Mas nada disto será possível sem atrair e fixar mais agricultores”.
Apesar dos bons exemplos observados na Lombardia, Paulo do Nascimento Cabral sublinhou que subsiste uma realidade que não pode ser ignorada: “Segundo o Recenseamento Agrícola italiano, entre 1982 e 2020 quase duas em cada três explorações desapareceram, e nos últimos 20 anos o número de explorações reduziu-se para menos de metade face a 2000. É certo que também ocorreu um processo de aumento das áreas das explorações, mas estes são dados muito preocupantes. Se não conseguirmos atrair mais pessoas para o sector, e não apenas jovens, comprometemos a nossa própria segurança e soberania alimentar”.

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