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2º trimestre de 2025 – Portos de Ponta Delgada e da Praia recebem 559 mil toneladas de mercadorias e exportam 179 mil

Não sendo as ilhas auto-suficientes em muitos dos bens fundamentais à nossa sobrevivência e a outros tantos queridos à nossa vivência, alguns deles com estatuto de imprescindível, necessitámos, portanto, de comprar muito no exterior, de mandar vir de fora, como singela, mas correctamente é habitual dizer-se. É que, embora muito e bom nas ilhas se produz, não é o suficiente para sustentar uma sociedade que é, e que se quer, de pleno direito e com acesso ao que ambiciona.
Estando nós no meio do oceano plantados, em que o mar tanto nos separa como nos une, cabe ao transporte marítimo de mercadorias assegurar um serviço vital para a pela continuidade e prosperidade do tão propalado “povo açoriano”.
Claro que também o transporte aéreo está capacitado para ter um papel de meio abastecedor, o que faz, mas numa dimensão necessariamente limitada, condicionada e condicionante.
Temos então nos navios cargueiros a nossa plataforma comercial mais significativa na ligação com o exterior do arquipélago.
Por tal, será de alguma pertinência analisar o transporte marítimo de mercadorias que nos respeita, aqui através de uma abordagem estatístico, ferramenta que permite concretizar um balanço parcial do quanto importamos, de onde importamos, do que exportamos, de quantas vezes atracam os tão ansiosamente aguardados cargueiros por aqueles têm na descarga dos contentores a resposta aos bens que tanto necessitam para o dia-a-dia.
No presente levantamento, sustentados em dados do Instituto Nacional de estatística, balizamos os números a um período de tempo tão compacto como actual: o 2º trimestre de 2025, isto é, os passados meses de Abril, Maio e Junho. Um bom compromisso para esboçar a actualidade da relação da marinha mercante com os Açores. Para além do tempo (o 3º trimestre), o outro parâmetro é o espaço, isto é, onde a entrada e saída de mercadorias na Região tem expressão relevante, e que são os portos de Ponta Delgada e da Praia da Vitória.
Acontecem também ligações entre portos do continente e outras ilhas, como Santa Maria, Horta, Flores e outras, mas de relativo impacto dos valores acumulados. Portanto, praticamente tudo acontece nos portos de Ponta Delgada e Praia da Vitória e é desses que os dados estatísticos do INE pormenorizam dados.
Uma primeira evidência é que, salvo raríssimas excepções (como navios-tanque, graneleiros, etc), todos os cargueiros, nomeadamente os porta-contentores que abastecem os Açores têm como origem um porto de Portugal continental (Lisboa, Leixões). E todos os navios com as mesmas funções que zarpam das ilhas têm o mesmo destino. Conclusão, tudo o que nos chega de fora vem do continente, o que não significa que tudo seja produzido no continente. Reforçando, cargueiros originários do estrangeiro a atracar nos nossos portos são zero, isto, pelo menos, no período temporal em referência.

Entradas e descargas

No segundo trimestre deste ano, o porto de Ponta Delgada registou 203 entradas e o principal porto da ilha Terceira anotou 135 atracagens. Somando as entradas nos dois portos, no 2 trimestre aportaram 338 cargueiros nas ilhas em consideração. A variação mensal foi pouco significativa. Em Ponta Delgada, em Abril aportaram74 navios, mais três que em Maio. Em Junho foram somente 58. No porto da Praia, a situação foi semelhante: Abril 47 chegadas, Maio 49 e Junho fundearam 39embarcações.
Atente-se à variação homóloga com o 2º trimenstre de 2024. Então, na Praia e em Ponta Delgada entrado 323 navios, o que significa que houve um aumento no movimento de 4,6%. Para tal, muito contribuiu a variação homóloga do porto da Praia da Vitória (+21,6%). Menos entradas em Ponta Delgada, mas bastante mais entradas no porto da Praia da Vitória
O medidor talvez o mais inconclusivo, é o número de embarcações entradas, por este parâmetro não é auferível a quantidade de mercadoria transportada, dado não haver relação directa entre o número de barcos, ou a arqueação bruta dos mesmos, com o volume de mercadorias descarregada.
E este volume, entre Abril e Junho de 2025, foi de 405 mil toneladas descarregadas no porto de Ponta Delgada. No ano passado haviam sido descarregadas 337 mil. Isto é, entre 2024 e 2025 houve um aumento de 20,1% de carga descarregada em Ponta Delgada no período homólogo. Na Praia da Vitória, no segundo trimestre deste ano foram descarregadas 154 mil toneladas e em 2024 foram 123 mil, uma variação positiva de 25,2% de 2025 para 2024.
A soma do volume de carga descarregada nos dois portos em 2025 dá o valor de 559 mil toneladas, enquanto o somatório de 2024 é de 469 mil toneladas, o que equivale a um aumento de carga descarregada, no 2º trimestre, de 90 mil toneladas entre 2024 para 2025 (+19%).

Cargas carregadas (exportações)

Sendo por demais sabido que importamos mais do que exportamos, nesta dictomia as estatísticas em apreços revelam variações merecedoras de referência.
Uma primeira e expectável evidência é que a partir dos dois principais portos açorianos não existiram transportes de me mercadorias directamente para o estrangeiro).
Posto isto, com destino ao continente, saíram do porto de Ponta Delgada, neste segundo trimestre 135 mil toneladas e mais 44 do porto da Praia da Vitória, totalizando 179 mil toneladas. No período homólogo de 2024, foram carregadas 168, no conjunto dos dois portos, uma evolução positiva residual de 6,5%.
Conclusão das conclusões: no segundo trimestre de 2025 recebemos 559 mil toneladas de carga por via marítima e enviamos 179 mil toneladas de mercadorias. Uma diferença percentual de 102,98%.

Números nacionais

No 2º trimestre de 2025, deram entrada nos portos nacionais 3 472 embarcações de comércio, uma redução de 3,7% face ao 2º trimestre de 2024 (-0,8% no 1ºT 2025). A dimensão das embarcações diminuiu 2,0%1, após a redução de 1,1% verificada no trimestre anterior, alcançando 71,1 milhões de GT. Movimentaram-se 21,6 milhões de toneladas de mercadorias, correspondendo a uma redução de 6,8%, após a diminuição de 3,9% registada no 1ºT 2025. Foram carregadas 8,3 milhões de toneladas de mercadorias, correspondendo a uma redução de 8,4% (-7,1% no 1ºT 2025). Verificaram-se decréscimos em todos os principais portos, face ao 2ºT 2024: Aveiro (-17,7%), Leixões (-10,4%), Sines (-9,2%), Setúbal (-3,2%) e Lisboa (-0,1%). As mercadorias descarregadas diminuíram 5,7% (-1,7% no 1ºT 2025), atingindo 13,3 milhões de toneladas, tendo-se verificado acréscimos nos portos de Aveiro (+4,7%) e Leixões (+0,4%) e diminuições nos portos de Setúbal (-13,5%), Sines (-11,8%) e Lisboa (-3,8%), face ao 2ºT 2024.

por Rui Leite Melo

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