Aventuras, rasteiras e chantagens
Saídos recentemente de uma eleição legislativa nacional, as eleições municipais aproximam-se a uma velocidade vertiginosa. Mas não relaxe, porque em janeiro do próximo ano, voltamos às urnas para votar na impossível missão de escolher um novo Presidente da República.
Missão impossível, disse, porque há escolhas e opções para todas as ideologias: desde a direita ultramontana do Chega de Ventura, à esquerda troglodita do Bloco de Catarina, cruzando com a esquerda arrumadinha do PC e de Raimundo, passando pelo trio moderado-conservador de Gouveia-Mendes-Seguro, e com um interessante nome da direita liberal que é Cotrim de Figueiredo.
Como podem verificar, escolhas não faltam, é tudo ao molhe e fé numa segunda volta!
Mas voltemos à viagem eleitoral que os portugueses têm pela frente.
Se julga que não há mais eleições no horizonte desengane-se, pois quer cá, quer lá, a democracia vive, hoje, refém do partido Chega. Se Chega rasteira Montenegro, o país vai para eleições; Se Chega rasteira Bolieiro, a região vai para eleições. Novamente!
Parece uma brincadeira de infantário. Mas foi isso que os líderes cheganos prometeram mais do que uma vez: cá e lá. E não se percebe que governos democraticamente eleitos, mesmo governando em minoria, tenham de ficar à mercê de terceiros, e que à mínima birra tenham a possibilidade de causar danos de natureza económica, política e social devastadores à maioria da população.
Se esta é a democracia do futuro, sem compromissos duradouros, aventureira, populista, então mais vale encomendar maiorias absolutas estáveis e à prova de tudo.
Para o empresariado, ou para quem queira investir nestas ilhas, e neste país, precisamos de estabilidade, previsibilidade, compromisso, foco e visão. Como se viu já anteriormente, a chantagem e a birra nem é boa conselheira, nem garante pão à mesa. Como tal, é necessária cabeça fria para tomar as decisões mais inteligentes para o futuro do nosso município, mas também para o futuro da região e do país.
Luís Soares Almeida