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A Teoria da Simulação

Caro leitor, aviso já, no decorrer desta crónica vai começar a achar que sou daqueles maluquinhos das teorias da conspiração. Quero, desde já, esclarecer que não acredito nessas idiotices das terras planas, nem passo as noites a analisar recibos da Casa Cheia à procura de mensagens subliminares sobre resultados combinados do Santa Clara. Admito, já mergulhei na toca do coelho algumas vezes na internet, a fronteira onde a imaginação faz ginástica, vindo sempre à tona da razão apanhar um arzinho quando começo a abusar. Uma vez, veja lá, acreditei por 5 minutos que os micro-ondas eram controlados pela CIA. Não interessa… Hoje venho falar-lhe da Teoria da Simulação, e esta sim é de apoquentar. Acompanhe-me… mas cuidado! Isto pega.
Tentando não complicar em demasia, é a ideia que o nosso mundo não passa de uma simulação computacional gigantesca. Uma espécie de Matrix desenvolvida por inteligências muito mais avançadas do que nós. Pronto, já o consigo ouvir a murmurar, “Lá está o maluquinho”, caro leitor, tenha paciência. Existem argumentos muito convincentes. É bem possível que sejamos apenas bonequinhos do “Sims”. O fílósofo Nick Bostrom estipula de forma fria: ou as civilizações nunca chegam a ter tecnologia suficiente para simular realidades, ou se chegarem não se interessam por isso… ou então quase de certeza já estamos dentro de uma simulação. O famoso astrofísico Neil deGrasse Tyson, atira com 50% de hipóteses de estarmos simplesmente envolvidos num jogo cósmico. Nós próprios como civilização pouco avançada, com tecnologia ainda de fraldas, já tentamos criar mundos virtuais: Jogos, MMORPGs, metaversos. Imagine agora o poder de computação a aumentar exponencialmente, somado à cada vez mais poderosa inteligência artificial. Num futuro próximo, as personagens do Sims vão acreditar que existem. Vão estar programadas com sentimentos, preocupações e necessidades, tal como nós. Quem me garante que não somos apenas Sims a criar Sims? Não acha possível? Então permita-me apresentar-lhe três argumentos introdutórios à Teoria da Simulação. Pense só no seguinte: tudo o que é programado é parametrizado matematicamente a obedecer a regras. Regras que, com o “refinar” do programa, se tornam cada vez mais impercetíveis, quase elegantes. Vou mostra-lhe o que acredito serem “glitches” e sinais convincentes de que vivemos realmente numa simulação.
1º (Distribuição de Pareto – Regra 80/20). Já reparou, caro leitor, que a sua esposa, apesar de ter um guarda-fato a abarrotar só utiliza 20% das peças de roupa? Isso é uma manifestação da famosa regra 80/20 ou distribuição de Pareto. É um exemplo claro da formatação de um sistema. Este “bug” estatístico aparece em todo o lado, como um código digital escondido na realidade. 20% das pessoas concentram 80% da riqueza, 20% dos criminosos cometem 80% dos crimes. Na natureza, 20% das espécies compõem 80% da biomassa, 20% dos terramotos libertam 80% da energia total. 80% da música ouvida no spotify vem de 20% dos artistas. Procure por si se quiser, com uma variação minúscula na percentagem, esta regra aplica-se a tudo. Um programador cósmico provavelmente escreveu no código: “assert top20(causas).impacto() >= 0.8*impacto_total ()”.
2º (Seis Graus de Separação). Esta teoria afirma que qualquer pessoa no mundo está ligada a qualquer outra por, no máximo, seis contactos. Tente por si, caro leitor, faça o teste. O Facebook fez as contas há uns anos: nem foram seis, mas 3,5 graus em média. Analisaram de forma cruzada as amizades e chegaram à conclusão de que, em média, só seria necessário andar 3,5 contactos para ligar qualquer pessoa do planeta. Incrível não? Vamos fazer uma experiência. Você vai chegar ao Trump em 4 saltos. Vamos supor que não me conhece (difícil, sendo que só cinco pessoas leem as minhas crónicas e todas elas são meus familiares) mas conhece alguém que me conhece. Ora bem, no ano passado, por acaso de um contacto fortuito na internet, conheci aqui na ilha o Eric Weinstein, matemático famoso e figura recorrente nos podcasts mais rodados do mundo. Ele é amigo do Elon Musk. Musk conhece o Trump. Tam tam! Quatro graus ligaram você ao Trump. Agora some mais um, chega em linha reta ao Putin, Xi Jiping etc. A humanidade inteira é uma rede apertada e formatada. Acha isto natural? O programador cósmico simplesmente escreveu no código: nx.diameter(rede_social) <= 6.
3º (O Efeito Mandela). Acontece quando um grupo grande de pessoas tem a mesma memória de um acontecimento que… nunca aconteceu. Quer exemplos? “Luke, I am your father”, reveja o filme a fala é: (No, I am your father). O Picachu tem a ponta da cauda preta, não é? Nope. É toda amarela. Milhares juravam que Nelson Mandela tinha morrido nos anos 80, quando só faleceu em 2013. São inúmeras manifestações falsas. Como um software a chegar ao limite, um update mal sincronizado talvez? Só nos resta rezar que o programador cósmico não faça: ctrl + alt + delete.

Philip Pontes

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