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Andei contigo ao colo…

Nasceste se bem me lembro, no segundo semestre de 1974. Com vinte e sete anos na altura, tal como muitos outros desse tempo, rejubilei com o teu nascimento. Teu pai tinha-nos dado a esperança de que a tua vinda seria a renovação e a conquista das liberdades, durante tantos anos amordaçadas.
Ainda bebé trouxe-te de visita à Ilha Terceira. Um mar de gente foi ao teu encontro para te saudar e pegar-te ao colo! Eu fui um desses, que sentiu o teu peso ainda pequeno nos seus braços. Teus olhos rejubilavam harmonia, simplicidade, humildade e uma nova esperança, para quem já pouco acreditava nela!
Voltaste a Lisboa nos braços de teu pai, homem íntegro, portador de um humanismo sem medida, com vontade de fazer de ti a continuidade da esperança perdida, na construção de um país livre e democrático.
Infelizmente ficaste órfâ ainda muito jovem! Teu pai, aquele que havia de ser a tua luz em cada passo que desses na tua caminhada para a construção da ambicionada liberdade sincera e humanista, acabou falecendo muito cedo. Uns dizem, que por acidente, outros que, propositadamente o abateram, por ser um incómodo para os antagonistas dos seus propósitos…
Com apenas seis anos de idade, órfâ de pai, viram-se os seus amigos mais íntimos obrigados a tomar conta de ti. Por algum tempo seguiram a vontade dele, mas progressivamente foram abandonando as promessas feitas aquando do teu nascimento…
Pegaram no teu segundo nome e mudaram de Popular para Social… Para mim serás sempre a Popular, que segurei no colo e encarnei como princípio fundamental para a minha forma de estar na vida.
Hoje, mais do que nunca, sinto que traíste a vontade do teu pai e dos seguidores do seu tempo. Abandonaste os princípios por ele sonhados e enveredaste por caminhos adversos ao que para ti projetava… Perdoo-te porque não sabes o que fazes. Não o faço a quem tão mal te encaminhou, por caminhos nunca antes imaginados por aquele que te trouxe ao mundo.
A ânsia do poder, o desprezo por quem em criança te apoiou e as más companhias que optaste por seguir, vão-te conduzir ao infortúnio, á descrença e quiçá àquela cujo segundo nome deixará de ser Popular ou Social, mas simplesmente uma alma abandonada à procura do seu refúgio…

Fernando Mendonça

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