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Açores e Madeira em contra-ciclo com duplicaçãode indemnizações pagas por cortes de electricidadeno continente em 2024

A ocorrência de “eventos excepcionais de grande impacto” em 2024, como os incêndios florestais nas regiões norte e centro do país, e ainda a tempestade Kirk, levou a que os portugueses tenham ficado, em média, mais de uma hora e meia (95,55 minutos) sem electricidade nesse ano, o que representa um aumento de 9,1% face a 2023. Por causa disso, a E-Redes (da EDP) teve de pagar mais do dobro do valor em indemnizações (mais 106%).
No que diz respeito às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, cujos operadores de rede são a EDA – Electricidade dos Açores e a EEM – Empresa de Electricidade da Madeira, respectivamente, verificou-se uma melhoria dos indicadores de continuidade de serviço.
A EDA registou três incumprimentos dos padrões individuais, correspondendo a uma redução de 75% face a 2023 e pagou compensações aos clientes de média tensão (MT) e baixa tensão (BT) no valor de 1012 euros, superior ao do ano anterior. A EEM registou 136 incumprimentos dos padrões individuais, com compensações pagas aos clientes de MT e BT no valor de 1847 euros, um aumento de 40% face a 2023.
A conclusão é do Relatório da Qualidade de Serviço Técnica do Sector Eléctrico, divulgado esta quinta-feira pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que avalia a qualidade do fornecimento de electricidade prestada aos consumidores por parte dos operadores das redes de transporte e de distribuição de electricidade.
O documento conclui que, apesar de a rede de distribuição de energia eléctrica, operada pela E-Redes (quase 150 mil quilómetros de extensão e 6,4 milhões de clientes), ter registado no ano passado uma redução do número médio de interrupções no fornecimento de electricidade (1,56 cortes por cliente, -12%), a duração das mesmas aumentou por conta dos impactos dos fogos e das tempestades nas infra-estruturas eléctricas.
“Quando o operador da rede de distribuição não cumpre os padrões individuais de continuidade de serviços (número e duração de interrupções longas), os clientes afectados são automaticamente compensados, sem que seja necessária qualquer solicitação”, explica a ERSE, avançando que em 2024 a E-Redes teve de pagar indemnizações superiores a 820 mil euros, quando em 2023 chegaram apenas a 398 mil euros.
No total, o valor das compensações pagas pela REN e E-Redes aos clientes de alta, média e baixa tensão por incumprimento dos indicadores individuais de continuidade de serviço “totalizou 993 mil euros, duplicando face aos valores registados em 2023”, refere a ERSE no mesmo relatório.
O documento refere ainda que em 2024 a Rede Nacional de Transporte, operada pela REN, registou uma melhoria, face a 2023, nos indicadores gerais de continuidade de serviço. “Apesar de ter tido três interrupções acidentais (uma interrupção longa e duas interrupções breves), as mesmas não comprometeram o cumprimento dos padrões individuais de fornecimento de electricidade”, diz o regulador.

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