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Sociedade Consciente

Escolhas conscientes para um futuro emocionalmente sustentável

Vivemos numa região privilegiada. A autonomia política e administrativa dos Açores concede-nos algo raro, a possibilidade de escolher o nosso próprio rumo. Essa liberdade coletiva reflete, a nível social, o que na psicologia representa a autonomia individual, ou seja,a capacidade de decidir em consciência, em vez de reagir por impulso.
Hoje, as crianças e jovens enfrentam um mundo acelerado, digital e emocionalmente exigente. O aumento da ansiedade, da irritabilidade e da desmotivação traduz uma vivência em “piloto automático”. É por isso que programas de intervenção baseados em mindfulnesse atenção plena, já aplicados de forma consistente em escolas da Finlândia, do Canadá e do Reino Unido, ganham cada vez mais relevância. Demonstram resultados cientificamente comprovados: alunos mais focados, empáticos e resilientes, e agentes educativos mais seguros e saudáveis. Sem capacidade de focar a atenção não é possível aprender nem ensinar, neste sentido a escola precisa também de ensinar os seus atores a focarem-se de forma intencional.
Nos Açores, contudo, existem desafios adicionais. Viver numa região ultraperiférica e insular significa lidar com o isolamento geográfico, a limitação de recursos e, por vezes, a distância das respostas especializadas. Estes fatores têm impacto significativo na saúde mental, sobretudo de crianças e jovens. Neste contexto, é fundamental criar uma rede de proximidade, com forte cariz profissional e genuinamente motivada, que una saúde, educação e comunidade, garantindo uma intervenção eficaz em momentos de crise, mas assente numa filosofia preventiva.
Paralelamente, é urgente investir em respostas especializadas de saúde mental infantojuvenil, capazes de atuar em tempo útil, com saber, presença e articulação interdisciplinar. Investir em saúde mental é, inquestionavelmente, um ato de inteligência económica e política. Só através de um investimento honesto nas novas gerações poderemos reduzir o abandono escolar e o absentismo, aumentando a qualidade de vida.
A democratização da saúde mental deve ser um compromisso de todas as sociedades modernas e os Açores não podem ser exceção. Uma sociedade consciente é aquela que faz as suas escolhas com lucidez e presença, investindo cirurgicamente nas áreas que lhe trazem bem-estar e futuro. A roda está inventada, só temos de aprender, observando, replicando e afinando, de acordo com as nossas necessidades e as nossas especificidades arquipelágicas.

Fique bem pela sua saúde e de todos os Açorianos!
Um conselho da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Alvarino Ferraz Pinheiro*

*Psicólogo

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